Blog do Eliomar

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PT articula um novo partido para apoiar futura gestão de Dilma Rousseff

“O PT já articula a formação de um novo partido que apoiaria Dilma Rousseff (PT) no caso de ela ganhar a eleição para a Presidência. A legenda abrigaria parlamentares do PSDB, do PPS e até do DEM dispostos a fazer uma transição lenta, gradual e segura rumo aos braços governistas. Já há conversas entabuladas.

Para que a nova agremiação tenha sucesso será preciso mudar a lei, que impede que um parlamentar eleito por um partido troque de legenda -hoje, se isso ocorre, o político perde o mandato. “Mudança na legislação eu garanto que vai ter. A ideia é amplamente majoritária no Congresso, independente de quem vença as eleições”, diz o deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara.

Sem comentar a possibilidade de criação de um novo partido, ele afirma que a mudança deve permitir a abertura de uma “janela” para que deputados troquem de legenda no primeiro ano depois de eleitos.”

(Folha – Coluna Mônica Bergamo)

Justiça invalida provas da PF contra Família Sarney

“A Justiça invalidou parte das provas obtidas por interceptação de e-mails em operação realizada pela PF quando investigava negócios e movimentações financeiras do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney.

A decisão atinge, segundo advogados e juízes ouvidos pela Folha, cerca de 10 mil e-mails que possuem o domínio “@mirante”, usado tanto pela família Sarney como pelos funcionários do Grupo Mirante, empresa que reúne rádios, TVs e jornal no Estado do Maranhão.

A PF pediu, e a Justiça à época autorizou, a quebra do sigilo de e-mails registrados em nome do grupo. Agora, a Justiça entendeu que, ao fazer isso, a PF teve acesso a mensagens de todos os funcionários do grupo e não apenas dos que eram alvo de investigação.

REMOÇÃO DAS PROVAS

Os inquéritos terão que ser reescritos pela PF, segundo apurou a Folha, para que as menções às provas, agora consideradas ilícitas, sejam removidas, o que pode atrasar a conclusão do caso. A investigação começou em fevereiro de 2007, devido à movimentação atípica de R$ 2 milhões na conta de Fernando Sarney e de sua mulher, Teresa Murad Sarney. A apuração se estendeu até agosto de 2008 e apontou crimes de tráfico de influência em órgãos do governo federal, formação de quadrilha, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Fernando nega as acusações.

Ao longo da operação, chamada de Boi Barrica e rebatizada de Faktor, foram “grampeados” 452 endereços de e-mail, o que possibilitou à Justiça ter acesso a milhares de mensagens eletrônicas trocadas entre os funcionários do grupo Mirante.

RECURSO
A decisão da Justiça que anulou os e-mails como prova foi tomada em julho a pedido de João Odilon Soares, um funcionário do grupo de comunicação dos Sarney que também aparece como sócio da factoring da família, usada, segundo a PF, para lavar dinheiro. Ele também era tesoureiro de uma ONG de Fernando suspeita de desviar dinheiro da Eletrobrás. Ambos foram indiciados por gestão financeira irregular, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e formação de quadrilha.

A defesa dele é feita pelo mesmo escritório contratado pela família Sarney. Os advogados pediram ainda a nulidade das provas captadas por meio de quebra de sigilo telefônico, fiscal e bancário, mas não foram atendidos. Eles podem recorrer ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), assim como o Ministério Público Federal também deverá recorrer para que as provas voltem a valer.

SEM COMENTÁRIOS
O advogado Eduardo Ferrão, que defende tanto Soares como Fernando Sarney, disse que nem ele nem seus clientes falarão sobre o caso, que corre em sigilo na Justiça. A PF não comentou o assunto. Entre as mensagens interceptadas pela PF com autorização judicial está a que trata da remessa ilegal pela família Sarney de US$ 1 milhão para uma suposta empresa chinesa.

No entendimento de advogados e juízes ouvidos pela Folha, a partir da decisão da Justiça, a PF terá que demonstrar que chegou à informação sobre o dinheiro no exterior por outra fonte que não apenas o e-mail. Caso contrário, a investigação sobre remessa ilegal ao exterior pode ser prejudicada. Trocada entre Ana Clara, neta do presidente do Senado, e Teresa, a mensagem trazia anexa autorização de transferência do dinheiro assinada por Fernando, que gerencia os negócios da família.”

(Folha Online)

PSDB discute ajustes da campanha e deve priorizar 4 Estados

“Preocupado com a queda do candidato José Serra nas pesquisas de opinião, o comando do PSDB já discute ajustes na campanha nacional e uma estratégia de sobrevivência da oposição em caso de derrota na corrida presidencial. O partido apostará suas fichas na eleição de governadores de quatro Estados: São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás. Além da correção de rumo para a Presidência, a cúpula tucana se reúne, amanhã em São Paulo, para discutir o futuro da campanha e o destino do partido.

Chamado a São Paulo a pretexto de gravar sua participação na propaganda de Serra, o ex-governador de Minas Aécio Neves tem encontro marcado com o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE). Segundo tucanos, está prevista ainda a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na conversa. A assessoria de FHC afirma, porém, que “até o momento, não consta nada do tipo na agenda dele”. Serra deve estar no Rio Grande do Norte amanhã, dia da reunião.

A partir de agora, o partido deverá concentrar seus esforços na manutenção do governo de Minas, onde o peemedebista Hélio Costa lidera a disputa. Apesar de remotas, há expectativa de vitórias no Pará e no Piauí. O tucanato conta ainda com a eleição de pelo menos oito senadores, entre eles Aécio e Tasso Jereissati (CE).

No plano nacional, todo o movimento será para garantir a chegada de Serra ao segundo turno -o foco deve ficar nos nove maiores colégios eleitorais do país. Nos Estados, as candidaturas nos quatro locais-chave onde o partido tem boas chances devem receber um impulso financeiro extra.

Além de Aécio, que lidera a disputa pelo Senado em Minas, todos os candidatos a governador com chance de vitória – entre eles, Beto Richa (PR) e Marconi Perillo (GO) – vão participar do programa de Serra na TV.

SEM LULA NA TV
Segundo Guerra, a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deverá ser usada novamente. Semana passada, causou tremores no PSDB a exibição de fotos de Serra ao lado de Lula.

“A presença do presidente Lula não mudou nada. Não teve nenhum impacto. Não valeu nada. E por isso não deve se repetir”, disse Guerra, após reunião com o coordenador de comunicação da campanha, Luiz Gonzalez. Tucanos esperam, a partir de hoje, um programa mais agressivo. O comando da campanha tem pronto um jingle que cita o nome do ex-ministro José Dirceu.

Guerra estará hoje em Porto Alegre e Santa Catarina ao lado do presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia (RJ), e do ex-presidente Jorge Bornhausen. Na viagem, o trio trabalhará para aplacar abalos na aliança nos Sul. Na noite de domingo, Guerra se reuniu com coordenadores da campanha, na área de mobilização, infraestrutura e arrecadação. Apesar de o comando da campanha descartar dificuldades de arrecadação, integrantes da equipe se queixaram da carência material.

Sob pressão, o coordenador administrativo da campanha, José Henrique Reis Lobo, disse que seria temerário gastar além do cronograma, sob pena de estourar o orçamento da campanha.
Guerra argumentou que dois programas não eram suficientes para se aferir a eficácia da propaganda. Serra está 17 pontos atrás de Dilma Rousseff (PT) no Datafolha.”

(Folha Online)

PSDB articula ofensiva para evitar fortalecimento do PT em São Paulo

“O PSDB de São Paulo pretende fazer uma reunião ampliada com filiados do Estado para discutir e tentar aumentar a participação deles nas campanhas majoritárias. O partido teme uma sangria nos votos do ex-governador e candidato à presidência, José Serra, causada pela ostensiva presença da petista Dilma Rousseff e de seu principal cabo eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Estado governado por tucanos há 16 anos.

Serra já perdeu espaço para sua adversária em São Paulo, Estado onde reinava absoluto nas pesquisas de intenção de voto. “É proselitismo, discussão de ideias”, afirma o organizador, deputado Mendes Thame. Dilma carregou sua agenda nos últimos dias com eventos na capital paulista. Nesta segunda-feira (23), fez uma panfletagem em São Bernardo na companhia de Lula.

O partido também fará, no dia 1º de setembro, um encontro de prefeitos paulistas na casa de shows Credicar Hall. Foram convidados cerca de 450, que apoiam a coligação para eleger o candidato ao governo Geraldo Alckmin e Serra. À frente da organização, está o deputado estadual Sydnei Beraldo. O encontro foi articulado por Serra e pelo governador de São Paulo, Alberto Goldman, em conjunto com a chapa paulistana: Alckmin e os candidatos ao Senado, Aloysio Nunes e Orestes Quércia.

A sigla espera receber ao menos 300 prefeitos da coligação (PSDB, PMDB, PPS e PTB) e, segundo tucanos paulistas, “contagiá-los” para evitar aproximações com a ala petista do PMDB em São Paulo, liderada por Michel Temer, vice de Dilma. O evento serve também como resposta ao candidato do PT ao governo, Aloizio Mercadante, que explorou eleitoralmente uma suposta debandada de prefeitos da coligação tucana. Segundo os cálculos do PSDB no Estado, perderam apenas um prefeito para a base petista.”

(Portal Terra)

Justiça Eleitoral usa Lei da Ficha Limpa e barra candidatura de Maluf

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“Por quatro votos a dois, os juízes do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo decidiram enquadrar o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) na Lei da Ficha Limpa e vetar sua candidatura à reeleição. Maluf ainda pode recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Os magistrados consideraram que a condenação no TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo pelo suposto envolvimento em uma compra de frangos superfaturada pela prefeitura da capital paulista à época em que Maluf era prefeito serve como argumento para barrá-lo. O presidente do tribunal, Walter de Almeida Guilherme, disse, no julgamento, que a Lei da Ficha Limpa “é um avanço para a moralização dos hábitos políticos”, pouco antes de votar pelo indeferimento.

FICHA LIMPA
O deputado foi impugnado pela lei aprovada neste ano, que considera “fichas-sujas” os políticos condenados por órgãos colegiados da Justiça, em geral cortes estaduais. A impugnação foi motivada pela condenação no Tribunal de Justiça de São Paulo da suposta participação em uma compra de frangos superfaturada pela Prefeitura de São Paulo. Ele responde a quatro procedimentos criminais no STF –um inquérito e três ações penais.

O mais antigo deles, a ação penal 458, começou na Justiça de São Paulo em 2001 e poucos se arriscam a dizer quando será concluído. Refere-se à acusação do Ministério Público de São Paulo de que Maluf, à frente da prefeitura paulistana (1993-1996), fraudou o orçamento para gastar mais no seu último de governo, deixando para o seu sucessor um rombo de R$ 1,2 bilhão. Os outros casos tiveram origem em investigações do Ministério Público que apontaram desvios de recursos públicos da construção do túnel Ayrton Senna e da avenida Roberto Marinho. Um deles levou à prisão preventiva de Maluf por 40 dias em 2005.

FRANGOS
No último dia 27 de julho, o TJ-SP rejeitou um recurso de Paulo Maluf (PP-SP) que buscava cassar a condenação do congressista pela suposta participação em uma compra de frangos superfaturada pela Prefeitura de São Paulo. A defesa de Maluf alegou em juízo que a condenação teve por base um cálculo incorreto e no caso da aquisição de frangos não houve prejuízo aos cofres públicos.

Os desembargadores da 7ª Câmara de Direito Público, porém, entenderam que essa questão não poderia ser discutida por meio do tipo de recurso apresentado pelo deputado– tecnicamente chamado embargos de declaração– e rejeitaram o pedido dos advogados de Maluf sem discutir sobre a correção do cálculo do suposto prejuízo ao município.”

(Folha.com)

Consumo de energia na indústria brasileira bate recorde histórico em julho

“O consumo industrial de energia elétrica no Brasil bateu o recorde histórico no mês de julho, alcançando 15.915 gigawatts-hora (GWh). Isso equivale a uma demanda 13,7% superior a igual período em 2009. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o recorde anterior foi de 15.823 GWh , registrado em agosto de 2008.

Dados da Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica relativa ao mês de julho de 2010, divulgados hoje (23) pela EPE, indicam que o total de energia consumida no país foi de 34.382 GWh no mês passado – uma alta de 8,4% frente ao mesmo período, em 2009.

A média de consumo nos primeiros sete meses do ano foi de 157,2 quilowatts-mês (kW-mês). De acordo com a EPE, esta é a maior média de consumo desde 2001, quando as residências apresentaram um consumo médio de 163 kW-mês.

As regiões Norte e Nordeste continuam apresentando forte expansão, ambas com taxa de crescimento de 13,9% no mês de julho, frente a julho de 2009. A EPE credita isso ao fato de as regiões terem sido as principais beneficiadas pelo aumento de renda, pelos programas sociais do governo federal e pelo aumento da posse de equipamentos eletrônicos.

Já o consumo comercial cresceu 4,5% na comparação com julho de 2009, chegando a  5.220 GWh. Apesar de ser a primeira vez que o crescimento mensal dessa categoria fica abaixo de 5%, a taxa acumulada até julho mostra um crescimento ainda expressivo, de 6,7%, e atinge diversos ramos, como veículos, motos, peças, móveis, eletroeletrônicos, informática e materiais de construção.

As regiões Norte e Nordeste também receberam destaque da EPE neste grupo, com taxas de crescimento de 9,8% e 9% respectivamente, motivados pelas condições favoráveis de crédito e pelo incremento da massa salarial. De acordo com a EPE, isso acabou alavancando as atividades de comércio e serviços.”

(Agência Brasil)

Eleições 2010 – TSE mobilizará mais de 2 milhões de mesários

“A Justiça Eleitoral contará com 2.181.622 mesários nas eleições de outubro, um aumento de 500 mil em relação às eleições municipais de 2008, que contaram com 1,6 milhão. Deste total, 402.955 se inscreveram, voluntariamente, para prestar serviços nos dias de votação, e outros 2.200 trabalharão nas seções eleitorais instaladas no exterior, onde os brasileiros poderão escolher seu candidato à Presidência. A Justiça Eleitoral disponibilizou cerca de 500 mil urnas para as eleições, incluindo as reservas, sendo que 550 serão utilizadas para votação no exterior.

O Estado com maior número de mesários é São Paulo, com 459.105. Em seguida vem Minas Gerais, com 180.950 mesários, a Bahia com 127.421 e o Rio de Janeiro com 120.985. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), estão impedidos pela legislação eleitoral de serem nomeados como mesários os candidatos e seus parentes, ainda que por afinidade, até o segundo grau, inclusive, assim como o cônjuge. Além deles, também é vedado o trabalho como mesário para os membros de diretórios de partido político, desde que exerçam função executiva; as autoridades e agentes policiais, bem como os funcionários no desempenho de cargos de confiança do Executivo; os servidores da Justiça Eleitoral e os eleitores menores de 18 anos.

O mesário terá direito a dois dias de folga em seu trabalho (público ou privado) para cada dia dedicado à convocação da Justiça Eleitoral. O cidadão convocado para integrar mesa receptora de votos ou de justificativas que não comparecer ao local no dia e na hora determinados para a realização das eleições estará sujeito à multa de cerca de R$ 35, se não apresentar justificativa ao juiz eleitoral até 30 dias após a eleição. Se o mesário faltoso for servidor público ou autárquico, pode levar suspensão de até 15 dias no trabalho”.

(Folha.com)

Equipe de vôlei do Ceará se classifica para a Liga Profissional 2011

A equipe de vôlei masculino da Universidade de Fortaleza desembarcou, nesta tarde de segunda-feira, no Aeroporto Internacional Pinto Martins, trazendo na bagagem o título de vice-campeã brasileira da Liga Nacional dessa modalidade, que envolve clubes. A Unifor disputou a final e perdeu para o Niteroi, do Rio, nesse domingo, em Pomerode, interior de Santa Catarina.

Com esse resultado, a Unifor garantiu vaga no certame da Liga Profissional de Vôlei Masculino do ano que vem, o que exigirá maior apoio em matéria de infraestrutura, segundo o técnico Luís Marcelo Vieira. O grupoda Unifor é formado por alunos e ex-alunos da Instituição e, nos últimos anos, vem obtendo bons resultados. Depois de se classificar na fase regional, a equipe enfrentou cinco jogos até a final.

Em 2009, ficou em quinto lugar, enquanto em 2008 obteve a terceira colocação. Entre os destaques da equipe, Tiago (24), com 2m1cm. O ponta comemorou a conquista e fez questão de  destacar: “Poxa, nós ficamos em segundo num campeonato de um País que é o primeiro do mundo no vôlei. É demais”

(Fotos – Paulo Moska)

Dilma garante: Se eleita, não fará ajuste fiscal

“A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, negou nesta segunda-feira (23) que haja uma discussão em sua campanha para implantar um plano de ajuste fiscal no próximo ano, caso ela seja eleita. Reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” desta segunda trouxe a informação de que a equipe de Dilma discute um plano de ajuste nos mesmos moldes do plano que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva implantou no começo do governo em 2003.

“Não autorizo nenhuma avaliação a esse respeito. Vou desmentir. Não tem discussão a esse respeito dentro da campanha. Seria, da nossa parte, um absurdo. Como discutir qualquer questão sem que estejamos eleitos?”, questionou a petista, após visita a escola Senai Roberto Simonsen, no bairro do Brás, em São Paulo.

Dilma conheceu a escola e posou para fotos ao lado do torno mecânico que, segundo o Senai, foi usado por Lula em 1962. Ela estava acompanhada pelo candidato do PSB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf.

Questionada sobre sua opinião a respeito da necessidade de o Brasil ter um novo plano de ajuste fiscal, ela disse: “O Brasil de hoje não é igual ao de 2002. O Brasil de hoje tem dívida líquida diminuindo, taxas de juros com todas as condições para a inflação sob controle. Por isso, não vejo o menor sentido nesta discussão (…) Eu não acho que seja esta a discussão do próximo ano. A discussão do próximo ano é de desenvolvimento”.

Após a visita, Dilma defendeu a continuidade dos investimentos nas escola técnicas. “Enquanto que em 100 anos, entre 1904 e 2002, criou-se 140 escolas, nós conseguiremos criar até o final do ano, 214… Eu vou construir uma escola profissionalizante em cada município com mais de 50 mil habitantes ou em municípios que sejam pólos de regiões.”

 (Portal G1)

Serra adia visita ao Ceará

A coordenação-executiva da campanha do PSDB no Ceará decidiu adiar a vinda do candidato a presidente tucano José Serra. A decisão foi tomada nesta segunda-feira, durante reunião de planejamento das agendas para os próximos sete dias.

Segundo o deputado federal Raimundo Gomes de Matos, a proposta era que Serra permancesse todo o dia de quinta-feira próxima no Estado, o que não foi possível em razão de outra agendas acertadas. Serra teria compromissos em Fortaleza e no Interior.

Uma nova data deverá ser definida até sexta-feira.

Lula só nomeia ministro para o STF após eleições

“O presidente Lula informou a seus principais assessores e interlocutores da área jurídica que bateu o martelo: não vai nomear substituto para o lugar de Eros Grau, que se aposentou do STF (Supremo Tribunal Federal) neste mês.

Ele acha que, indicando um nome, vai resolver um problema – e criar vários outros, indispondo-se com os demais pretendentes ao cargo e seus apoiadores. Tudo o que Lula não quer é marola no meio da campanha eleitoral.

Diminuem, com isso, as chances de Cesar Asfor Rocha, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), até então preferido para o lugar de Eros.”

(Mônica Begamo, da Folha)

PIB nacional deve chegar a 7,10%, estimam analistas

“A estimativa de analistas do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, oscilou de 7,09% para 7,10%, neste ano. Para 2011, permanece a expectativa de 4,5%, há 37 semanas seguidas, segundo o boletim Focus, divulgado às segundas-feiras pelo Banco Central (BC). A expectativa para o crescimento da produção industrial, neste ano, passou de 11,57% para 11,49%. Para o próximo ano, a previsão de expansão da produção industrial foi mantida em 5%.

A projeção para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB permaneceu em 40,77%, em 2010, e em 39,50%, em 2011. A expectativa para a cotação do dólar também não foi alterada: R$ 1,80, ao final deste ano, e R$ 1,85, ao fim de 2011. A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) permaneceu em US$ 15 bilhões, neste ano, e passou de US$ 8,68 bilhões para US$ 9 bilhões, em 2011.

Para o déficit em transações correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior) a estimativa passou de US$ 49 bilhões para US$ 49,91 bilhões, neste ano, e de US$ 58 bilhões para US$ 57,90 bilhões, em 2011.

A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) caiu de US$ 32 bilhões para US$ 31 bilhões, neste ano, e de US$ 38,50 bilhões para US$ 38,20 bilhões, em 2011.”

(Agência Brasil)

Presidência compra 800 lixeiras por R$ 23,2 mil

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A Secretaria de Administração da Presidência da República anda preocupadíssima com o item limpeza. O órgâo investiu maciçamente na compra de 800 lixeiras no último dia 13, quando foram emitidas duas notas de empenho reservando um total de R$ 23,2 mil em orçamento para a aquisiçâo.

São 150 lixeiras para sanitários em aço inox, com cesto removível e tampa por pedal. Outras 50 para áreas de circulação, sem tampa, também em aço. Mais 100 lixeiras vão para copas, banheiros e reprografia. E, por fim, 500 lixeiras têm como destino mesas de escritório. Ou seja, as lixeiras vão invadir à Presidência, estarão em todos os lugares. Eita povo com mania de limpeza!

(Site Contas Abertas)

Já no Legislativo, o Senado Federal gastou suas energias na escolha de um acervo de presentes para presidentes de nações que visitem a Casa Legislativa. Em uma demonstração de bom gosto e não querendo fazer feio, o órgão reservou em orçamento pouco mais de R$ 7,9 mil para comprar cinco peças de autoria da artista plástica Maria Bonomi. As gravuras adquiridas deverão ser utilizadas na troca de presentes com chefes de nação recebidos pela Presidência do Senado. Maria Bonomi, com mais de 50 anos de carreira, é considerada uma das maiores gravuristas do país.

Preocupado com a fama e de olho no público de 700 mil pessoas que devem visitar a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 12 a 22 deste mês, o Senado também reservou outros R$ 90,6 mil em orçamento para montagem de um estande no evento. Em um espaço de 114 metros quadrados, o Senado apresenta suas principais obras e promove lançamentos de livros. A organização do evento espera 180 mil estudantes do Ensino Médio e Fundamental. Portanto, crianças, não deixem de prestigiar o nosso Senado Federal e conhecer mais sobre as nossas excelências.

Dilma empolga pouco em porta de fábrica

“O comício da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, na manhã desta segunda-feira (23) ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na montadora de carros Mercedes Benz, em São Bernardo, foi rápido e empolgou pouco. No berço político de Lula, Dilma selou um “acordo” com os trabalhadores. Seguindo a estratégia de campanha de levar a petista para falar em lugares-símbolo da luta contra a ditadura, hoje a escolha foi uma das montadoras em que o então sindicalista Lula discursava no final da década de 70.

As falas de hoje foram rápidas. Começaram às 5h40, antes do início do expediente, e terminaram por volta das 6h. Apesar de pátio da empresa ter sido tomado por cerca de 4.000 trabalhadores, pouca gente se empolgou com os 20 minutos de discursos.

A maioria dos operários acompanhou de braços cruzados o que diziam o candidato ao governo do Estado, Aloizio Mercadante (PT), a candidata ao Senado, Marta Suplicy (PT), e a própria Dilma.

A presidenciável disse que o governo Lula teve “o foco principal” nos trabalhadores e que esse “compromisso” ela “assumia” naquele momento.

– Eu sei que é de madrugada. Eu vim aqui para assumir com vocês um compromisso. Um compromisso que ao longo dos últimos anos o presidente Lula assumiu e que agora nós construímos as condições para que esse compromisso avance. É um compromisso de governar olhando, cuidando e levando em consideração os direitos dos trabalhadores deste país.

Os únicos animados foram os petistas colocados estrategicamente em frente ao carro de som sobre o qual os políticos se acomodaram.

Alguns trabalhadores só se interessaram quando Lula tomou o microfone. Ele lembrou que, durante a ditadura, um “major” sempre filmava e gravava tudo o que ele dizia nas assembleias na Mercedes.

Em pouco tempo, Lula deu o recado. Ele disse que levou Dilma até lá para ela “pegar energia na porta de fábrica, onde tudo começou”. Em seguida, reafirmou a “confiança” em sua candidata antes de reforçar seu compromisso com os trabalhadores:

– Ela sabe o grau de confiança que eu tenho nela e ela em mim. Então ela veio até aqui fazer um compromisso aqui. Eu não serei só seu ajudante como vou ajudar o pessoal a telefonar e dizer “presidenta, sabe o que a senhora prometeu na porta de fábrica?”.

No final, Lula convocou os trabalhadores a formarem uma fila para cumprimentar Dilma. Ele mesmo disse que, apesar do aparato de comício, a intenção original era apenas dar a chance de os trabalhadores “apertarem a mão da futura presidenta”.

A confiança de Lula na eleição de sua candidata foi tanta, que ele fez um mea culpa por já ter se referido a Dilma como “nossa presidenta”.

– Eu digo “a nossa presidente” porque eu tenho a convicção de que, se Deus está conosco, quem estará contra a gente?

(Com Agências)

Serra despenca na pesquisa e a culpa é dos programa de tv

No início da tarde da quarta-feira (18), no teatro TUCA, em São Paulo, logo depois do final do debate UOL/Folha de São Paulo com os candidatos à Presidência, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), esquivava-se com um sorriso educado de perguntas sobre dois temas. O primeiro: por que ele, vestido com uma jaqueta de couro preta e uma camisa esportiva rosa, era o único político ali que não estava de paletó e gravata? O que tinha achado do programa eleitoral de Serra, iniciado um dia antes, com referências ao presidente Lula e o candidato chamado de “Zé”, em frente a uma favela de mentira, desenhada virtualmente?

À primeira pergunta, ele explicava que tinha ido para São Paulo participar de reuniões com a cúpula da campanha de Serra que foram se estendendo além do previsto. Resultado: não tinha mais camisas sociais limpas. Para a segunda, a esquivada era total: “Não vi o programa. Ficou ruim essa favela, é? Vamos ter que ver”.

O que Sérgio Guerra evitava dizer é que mesmo ali, recém iniciado o horário eleitoral, já começavam as primeiras avaliações que apontavam para a desconfiança de que a campanha do candidato do PSDB tinha errado feio na concepção dos programas de TV. O mau desempenho de Serra esticava as reuniões de cúpula, que mantinham Sérgio Guerra, mesmo sem roupas limpas, em São Paulo. E as críticas só cresceram nos bastidores ao longo da semana. E  começaram a se explicitar, ainda que de forma tímida, depois de divulgada no sábado (21) a última rodada da pesquisa Datafolha, que mostra a candidata do PT, Dilma Rousseff, 17 pontos na frente. Se as eleições fossem hoje, segundo o Datafolha, Dilma detonaria Serra ainda no primeiro turno.”

 (Congresso em Foco)

O garoto de mil e uma faces da Bombril

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Olha só que bela entrevista Carlos Moreno, o “garoto-propaganda da Bombril”, concedeu para a repórter Luar Brandão e que pode ser conferida no O POVO desta segunda-feira:

Quando cruzou a porta da sala, nem de longe parecia o moço com o qual a gente se ri, em frente à televisão. Carlinhos, como prefere ser chamado, usava roupas que acompanhavam os tons da pele e, por cima dos ombros, deixava descansar um suéter sem motivo de ser aqui, em Fortaleza.

Nada de fantasia de Mona Lisa, papa, Obama, Joãzinho, Mariazinha, Che Guevara ou He-Man. Nada de jeitinho tímido vendendo palhinha de aço. Nada. Podia-se até duvidar que era ele mesmo. Mas foi só abrir a boca e começar a contar da vida.

O tom da fala, os olhos, as expressões que acompanhavam a essência de cada palavra denunciavam ali o garoto propaganda da Bom Bril. Desde o dia em que foi descoberto pelo produtor Oscar Caporalli, em 1977, enquanto encenava a comédia musical Folias Bíblicas, em São Paulo, foram 32 anos de campanha e mais de 337 comerciais. Entrou no livro dos recordes e na vida dos brasileiros.

Mas ele deixa todo o mérito com os publicitários Washington Olivetto (W/Brasil) e Franciso Petit, e toda equipe de criação. Quase tão humilde e gentil como o da televisão, é assim Carlos Moreno, o ator que dá ao acaso o papel de protagonista da própria vida.

Em tempo. Pelo menos a escolha do suéter me pareceu premeditada. Depois de alguns minutos, a sala da entrevista ficou glacial. Sem drama.

O POVO – Por que o garoto propaganda da Bom Bril agrada tanto a ponto de marcar a história da propaganda brasileira? Que perfil é esse que conquistou milhões de consumidores?

Carlos Moreno – O personagem tem uma característica muito brasileira que é o humor. De alguma maneira também ele preserva valores como a pureza, a falta de malícia, a honestidade, valores que deviam ser o alicerce da sociedade e que já foram mais importantes em alguma época e hoje estão perdidos por aí. Então com o humor e a honestidade, ele criou vínculo com as pessoas, fez com que elas se sentissem próximas, elas acreditam no que ele fala.

OP – É a mesma relação estabelecida entre todas as pessoas, independente de gênero, idade?

Carlos Moreno – A campanha no começo foi dirigida muito para as donas de casa, então os elogios vinham mais do sexo feminino. Os homens vinham para dizer que a esposa ou mãe gostava muito de mim. Meio que se eximiam. Hoje é todo mundo. Algumas pessoas confundem ator com personagem, conversam comigo como se (naquele momento) eu fosse o garoto propaganda da Bom Bril. Outras do meio publicitário mesmo vêm elogiando minha participação. É…acho que ele deu muito certo com todas as classes.

OP – No início, o personagem da Bom Bril incorporou um químico bem tímido. Você acha que não ser um estereótipo conquistou os telespectadores logo de cara?

Carlos Moreno – Acho a biografia do garoto Bom Bril um diferencial muito importante para o sucesso da campanha. Ele não era um executivo bem-sucedido ou uma dona-de-casa super feliz. Era um químico industrial da Bom Bril. Então você imagina, né, quem trabalha em laboratório é mais introvertido, meticuloso, cuidadoso. Ele tinha profundo conhecimento do produto e orgulho de trabalhar naquela empresa. Por alguma circunstância, no entanto, ele foi obrigado a estar na frente da câmera falando dos produtos, então fica muito constrangido. Era um homem comum, meio deslocado, que não devia estar ali. Fui jovem, óbvio, mas eu nunca fui lindo, um padrão de beleza. As pessoas estavam vendo um cara igual a elas, falível, de uma honestidade…então ficava uma coisa muito simpática, né?

OP – Você disse que as pessoas confundem você com o personagem. Claro, você é um e o personagem é outro, mas existe um ponto de identificação?

Carlos Moreno – Além do aspecto físico óbvio (risos) – meu corpo, minha cara, minha imagem -, de personalidade tem que eu sempre procuro agir de uma maneira ética e agradar. É esse o ponto de identificação. Claro que, às vezes, eu piso na bola, mas aí é que está diferença: ele é ficção, não existe fora do ar. A essência honesta dele está lá, perfeita. Eu sou ser humano, ele é virtual.

OP – Mas e os trejeitos, a timidez? Você tem disso também ou é mais extrovertido?

Carlos Moreno – Eu sou tranquilo. Muitas vezes as pessoas me conhecem pessoalmente e falam: ‘nossa! Na televisão, você é tão engraçado, tão animado e agora você está tão sério, sisudo’. Não é que eu sou sério, ora, eu sou normal. Tem dia que eu acordo de bom humor, outros não. Mas não sou muito expansivo mesmo. Sou mais na minha.

OP – Como é sua relação com as pessoas nas ruas? Elas sempre te reconhecem? Como é esse corpo-a-corpo?

Carlos Moreno – Acontece de a pessoa ficar olhando, na dúvida, ‘é, não é; é, não é’. Até escuto o comentário. Mas, quando falo, me denuncio. É meu tom de voz, meu ‘r’ puxado, meio ‘acaipirado’. Mas minha popularidade está no limite do aceitável. Nunca me privei de nada, nunca precisei de segurança, onde eu entro não causo tumulto (risos). Eventualmente, quando as pessoas me abordam, é sempre de uma maneira muito simpática e carinhosa. Claro que elas estão enxergando o personagem, mas aí eu pego carona nessa simpatia.

OP – Já houve algum evento desagradável?

Carlos Moreno – Num velório! Veio alguém fazer gracinha e pedir ‘ô, cara da Bom Bril, faz…’. Ah! Pelo amor de Deus, uma pessoa querida lá (no caixão). Não tenho que aceitar isso, não tenho que atender. E é engraçado porque essa relação é de amor e ódio instantâneo, porque a pessoa fala: ‘nossa! Sempre achei você tão legal…agora também não gosto mais! Nunca mais vou comprar Bom Bril na minha vida’ (Risos). Bom…(dá de ombros). Enfim.

OP – Você se sente estigmatizado?

Carlos Moreno – Hum… (pausa). Não. Quando estou em algum outro trabalho, seja do teatro seja qualquer outra atividade fora da Bom Bril, as pessoas esquecem, parece que apaga, até porque minha postura é outra.

OP – Em nenhum momento, nesses 32 anos de história com a Bom Bril, você ficou em dúvida sobre o quanto esse personagem poderia afetar sua carreira?

Carlos Moreno – Lá pelo décimo ano, mais ou menos, eu fiquei um pouco incomodado. Achava que ‘nossa, vou ficar conhecido só por esse personagem, isso está prejudicando minha carreira’. Mas era ilusão de jovem ator. Amigos e amigas me ajudaram a enxergar tudo que estava acontecendo de bom. O trabalho para a Bom Bril também é um trabalho de ator. Cada texto é estudado e trabalhado como texto de teatro. E é tudo cercado de grandes cuidados de criação e produção.

OP – Até 2004, foram contabilizados 337 comerciais. Deu para ficar milionário?

Carlos Moreno – Não deu para ficar milionário como muita gente fantasia, mas a Bom Bril me deu uma estabilidade financeira para que eu pudesse fazer meus trabalhos experimentais, bem malucos, no teatro, que podem ou não dar certo. Coisas que me fizeram crescer como ator. Assim reverti essa ideia de ficar ou não estigmatizado. Quantos atores e atrizes talentosíssimas ficam num esforço demasiado de produção e têm que se sujeitar a trabalhos mais comerciais, em que não acreditam, porque têm que pagar o aluguel no fim do mês?

OP – Seu trabalho na Bom Bril também é comercial…

Carlos Moreno – É, mas eu acredito nele. Durmo com minha consciência tranquila, porque não estou vendendo nenhum produto que vá prejudicar as pessoas de alguma maneira. Também não crio nenhuma expectativa ilusória de que se você tiver o Bom Bril terá uma vida melhor. Todo mundo usa produto de limpeza e você tem o direito de escolher qual usar. A campanha da Bom Bril não impõe uma compra.

OP – Como o personagem “vendia” os produtos da Bom Bril, nos primeiros comerciais?

Carlos Moreno – O primeiro filme nem era para a palhinha de aço. A Bom Bril, que já era uma marca forte, queria mostrar que tinha outros produtos também. A gente fez o que se chama propaganda comparativa que pode acabar sendo uma coisa antipática, mas que no caso dele nunca foi. Ele nunca falava ‘meu produto é o melhor’, mas: ‘todos esses são detergentes, lavam e são muito bons, mas esse aqui eu que fiz, cuidei da fórmula’. E deixava a decisão final com o consumidor. Isso foi genial. Ainda mais porque o personagem tinha essa questão de ser ‘inadequado’ para aquela função, de querer agradar. E assim provocava o humor, não era forçado.

OP – O personagem que começou tímido, logo ganhou força e virou porta-voz da empresa., começou a fazer caracterizações? Quando foi isso?

Carlos Moreno – Meu personagem sempre esteve muito ligado aos acontecimentos culturais e políticos, depois começou a brincar com o cotidiano. Depois de 20 anos, ele já tinha uma identidade tão forte que pode ser descaracterizado e ainda assim reconhecido. Imitar o Che Guevara foi o começo de toda uma brincadeira que fizemos dentro da própria propaganda. Também teve uma série de fotos muito legais, entre 1998 e 1999, quando a Bom Bril estava com verba reduzida para mídia. Então fizeram contracapas de revistas. Toda semana tinha foto nova de acordo com o assunto que marcou aquela semana. Tinha gente que jurava que tinha visto o filme: ‘ adorei seu filme da tiazinha’; ‘ah!, mas não teve filme, foi só foto’. O retorno foi excelente.

OP – Que personagem você mais gostou de fazer?

Carlos Moreno- A Mona Lisa (Da Vinci) é a que eu mais gosto, porque ficou uma coisa meio dadaísta de brincar com um ícone da história da arte. A caracterização demorou três horas. Mas a sacada genial foi essa de ficar no meio termo entre você saber quem é a pessoa retratada e ainda reconhecer o garoto Bom Bril por trás da máscara.

OP – A propaganda logo nos primeiros filmes teve uma repercussão que – acredito -vocês não esperavam, mas aí foi durando mais um ano, mais um ano, mais dez. Você não ficou com medo que, de repente, tudo acabasse?

Carlos Moreno – Uma hora isso ainda vai acabar. Os primeiros contratos eram anuais. Então eu sempre ficava na corda bamba. ‘Será que esse ano acaba? E nesse agora? Será?’, mas sempre continuava. Na verdade, eu continuei a fazer tudo que queria fazer. Continuei estudando, trabalhando em teatro. Eu sou designer gráfico também, então, faço cenário, figurino. Não fiquei em casa de braços cruzados: ‘bom, agora eu sou o garoto Bom Bril, não vou fazer mais nada’. Eu preciso trabalhar, senão fico maluco. Literalmente.

OP – Em dois momentos, durante esses 32 anos, você se despediu dos telespectadores. Era tudo planejado?

Carlos Moreno – A primeira vez, em 81, sim. A Bom Bril e a agência, na época a DPZ, questionaram a força que o personagem tinha, depois de três anos. Fizeram então três filmes: a despedida, o substituto e a volta. A ideia era testar a minha popularidade. Na despedida, eu dizia que tinha sido mandado embora da Bom Bril, porque não tinha sabido fazer meu trabalho. Era bem triste e deprimente. O segundo filme era com outro ator muito legal lá de São Paulo, mas fazia aquele vendedor barulhento, o oposto do garoto Bom Bril. ‘Compre o meu, que o meu é melhor. Se você não comprar Bom Bril, não vai ter mais nada!’.

OP – Pelo visto não gostaram muito do substituto…

Carlos Moreno – O filme de ‘despedida’ tinha uma previsão de mídia de um mês, parece. Depois iam colocar o substituto e iam ver o que aconteceria. Dependendo das manifestações, eles colocariam o filme da ‘volta’. Pois tiveram que antecipar a programação de mídia, porque as manifestações foram fortes. As linhas telefônicas da Bom Bril ficaram congestionadas, eram muitas cartas e até gente da publicidade ligando: ‘vocês estão malucos? Estão dispensando mesmo o rapaz?’(risos). Aí, eu voltei.

OP – E a segunda vez?

Carlos Moreno – Foi em 2004, eu realmente saí. Eu já tinha contratos mais longos de três, quatro anos. Daí, sempre tive a preocupação e ficava atormentando o Washington (Olivetto): ‘gente, pelo amor de Deus, estou ficando velho para ficar sendo chamado de garoto propaganda…’. Também não queria ficar patético na televisão que as pessoas olhassem e dissessem ‘meu Deus, não acredito que esse cara ainda está aí’. Eu queria sair com dignidade, no auge. Aconteceu que a Bom Bril estava passando por muitas dificuldades financeiras, quase falindo. Não tinha dinheiro para fazer novos filmes. Até o pagamento, às vezes, atrasava. Como meu contrato estava acabando, sugeri o momento como a hora de sair. Depois de várias reuniões, chegaram a um consenso: em respeito ao carinho do público, se desdobraram para fazer um último comercial.

OP – Foi logo depois disso que você foi para a Fininvest?

Carlos Moreno – Fui. Mas era o grande mistério para mim e para as pessoas: o que vai acontecer no dia seguinte? Será que ele nunca mais vai fazer um comercial? Para minha surpresa, choveram convites, mas todos muito pontuais. Escolhi o da Fininvest porque era mais consistente. Eles tinham o projeto de me transformar no garoto Fininvest. Mas logo ao fim do primeiro ano, a Bom Bril voltou a se reestruturar e me chamou de volta.

OP – Você voltou de pronto?

Carlos Moreno – Não. Fiquei em dúvida se era melhor ter parado onde acabou. Mas acabei voltando. A Fininvest foi extremamente cordial em me liberar sem pagar multa rescisória, mas eles disseram que se fosse para outra empresa iam cobrar até o último centavo (risos). Até porque, claro, nenhuma dessas empresas foram atrás de mim porque de repente descobriram um ator maravilhoso chamado Carlos Moreno. O personagem que, por acaso, eu interpreto era muito bem-sucedido na mídia e todo mundo queria associar seu produto àquele personagem.

OP – Sua volta à Bom Bril foi marcada por um comercial que era uma declaração de amor. Você cantava a música “Izolda”, conhecida na voz de Roberto Carlos.

Carlos Moreno – (cantando) “Você foi o maior dos meus casos, de todos os abraços o que eu nunca esqueci…”. Era a história da volta, assim pude me reaproximar do público. Fiquei muito feliz em saber que todo mundo gostou. Meus temores então eram infundados de que o personagem estava esgotado.

OP – A Bom Bril foi o maior dos seus casos?

Carlos Moreno – (Risos) Foi, foi. Tenho mais tempo com a Bom Bril que tempo sem ela. Tenho 56 anos e comecei aos 24. A Bom Bril faz parte da minha vida e definiu rumos nela. Na verdade, as coisas que mais definiram meus rumos não foram escolhas conscientes. Coloquei na cabeça que ia fazer arquitetura, fiz, mas segui carreira no teatro. Por acaso, numa peça, apareceu um cara lá e fui para a Bom Bril. Mas foram rumos felizes. Estou feliz em fazer parte de uma empresa com uma marca tão forte, pela qual todos os funcionários vestem a camisa e o público tem um carinho imenso por ela. A Bom Bril só sobreviveu por causa disso. Como falou o químico, no primeiro comercial, eu acredito naquilo que vendo.

OP – As tecnologias assumidas pela publicidade evoluíram espantosamente, nos último 30 anos. Há campanhas dignas de cinema, animações perfeitas. Por que a Bom Bril nunca precisou sair detrás do balcão?

Carlos Moreno – Essa é maior prova de que nada substitui uma boa ideia. Os comerciais podem ter grandes produções com tomadas vindas de helicópteros, multidões , mas se não tiver uma boa ideia por trás, vira bolo de noiva: muita cobertura e pouco Conseguir transmitir alguma coisa através da publicidade ainda é uma coisa muito difícil, é um negócio oriental, de minimalismo que te deixe emocionadíssimo. Eu posso até estar sendo radical, mas acho q é isso. A tecnologia, por ela mesma, se esgota.

OP – Você está em alguma rede social?

Carlos Moreno – Eu tenho aversão a essas coisas em que todo mundo quer se mostrar. Por mais que eu entenda que elas tenham um valor de comunicação absurdo. Mas parece que as pessoas se comunicam menos, estão mais desinformadas. Talvez as pessoas e as empresas ainda estejam para descobrir o potencial desses meios.

PERFIL

Carlos Moreno nasceu em São Paulo e tem 56 anos. Ele é arquiteto, formado pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado em Graphic Design na Califórnia, EUA. É também ilustrador, programador visual, figurinista e cenógrafo. Iniciou sua carreira de ator em São Paulo, como aluno de Naum Alves de Souza, conhecido por seu trabalho criativo e de grande efeito visual.

A entrevista com Carlos Moreno foi feita depois da coletiva da Bom Bril, no Marina Park. A marca anunciava a nova campanha para as regiões Norte e Nordeste. ”

(O POVO)

CPI da Exploração Sexual em situação de impunidade

“Seis anos após o encerramento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual, três casos rumorosos investigados pelo Congresso em 2004 ainda não foram julgados, terminaram em absolvição ou acabaram descartados pelo Ministério Público.

O de maior destaque envolve a suspeita de que o governador do Amazonas e candidato à reeleição, Omar Aziz (PMN), tenha feito programa com uma jovem de 15 anos, em 2003, quando era vice-governador. Ele nega.

A acusação contra Aziz, vice-governador na época do escândalo, tem origem num inquérito da Polícia Civil sobre a atuação de duas cafetinas, em Manaus.”

(Globo.com)

DETALHE – Bom lembrar que nessa CPI atuou em seu comando a senadora Patrícia Saboya, hoje candidata a deputada estadual pelo PDT. Aliás, ela sempre confessou temer impunidades nesses casos.