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Delegada tipifica como terrorismo suspeito detido com lista de possíveis locais para ataques; SSPDS rebate autuação

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Homem foi detido na manhã deste domingo, 13, portando extensa lista com locais que possivelmente seriam novos alvos para ataques. A delegada que recebeu o caso pretende enquadrá-lo por crime de terrorismo. O suspeito foi pego em flagrante por equipe da Força Nacional na área do 7º Distrito Policial (DP), localizado no Pirambu.

O indivíduo foi levado ao 11º DP e encaminhado posteriormente à Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Para não atrapalhar as investigações, não são divulgados quantos e quais locais estavam na lista. A relação inclui locais que já foram alvos nesta onda de atentados. A identidade do homem detido também não foi informada.

A Força Nacional chegou ao suspeito por meio de denúncia anônima. Ele estava fotografando a garagem de uma empresa de ônibus. O homem portava mochila e estava com objetos por baixo da blusa. Ao perceber a chegada dos agentes de segurança, ele tentou fugir e descartou parte de seus pertences. A Polícia suspeita que, entre os objetos descartados, estivessem explosivos.

Foram apreendidos com ele R$ 1 mil em um envelope lacrado, duas máquinas digitais, um carregador e um cabo de dados. A delegada do 11º DP, Ana Cristina Lima e Silva, não revelou o conteúdo das fotos, mas descreveu o teor das imagens como “preocupante”.

“Eu, como autoridade policial, a princípio, o enquadraria na Lei de Segurança Nacional”, afirma a delegada. Em sua visão, o indivíduo estava nos atos preparatórios para cometer terrorismo. “A lei do terrorismo é muito recente e não tem aplicação, mas eu, diante do que eu vi aqui eu colocaria na lei nº 13.260 nos atos atentatórios ao terrorismo”, opina.

O homem ainda portava duas carteiras profissionais com profissões ainda não regulamentadas. Ponto que chamou a atenção da delegada foi o fato de ele ter 34 passagens pela Polícia como vítima. Mais informações devem ser divulgadas apenas com o andamento das investigações. “Isso é só a ponta do iceberg”, acredita Ana Cristina.

ATUALIZAÇÃO – A assessoria de imprensa da SSPDS informou que o suspeito não pode ser enquadrado no crime de terrorismo, porque não existe tipificação específica para o caso do homem preso. A SSPDS também ressaltou que as ocorrências relativas à onda de ataques das facções estão centralizadas na Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

(O POVO Online / Repórter Heloísa Vasconcelos)

Quase 350 pessoas foram presas ou apreendidas por série de ataques no Ceará

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O Governo do Estado atualizou neste domingo (13) o número de presos pelos ataques. Confira a nota:

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informa que 347 suspeitos já foram presos ou apreendidos por participação nos atos criminosos registrados nos últimos dias no Estado.

Das 17 horas de ontem (12) até a manhã deste domingo (13) foram 11 pessoas capturadas.

As prisões e apreensões registradas na Capital, Região Metropolitana e Interior são oriundas de ações das forças de segurança cearenses, e entidades parceiras, que atuam incessantemente para garantir tranquilidade a todos os cidadãos cearenses e a normalidade no funcionamento dos serviços públicos.

(O POVO Online)

Camilo sanciona leis e Diário Oficial tem edição extra neste domingo

O governador Camilo Santana divulgou neste domingo (13), por meio do Facebook, que sancionou as leis aprovadas nesse sábado (12),na Assembleia Legislativa do Ceará, em sessão extraordinária. Confira:

Sancionei, neste domingo, as novas leis de enfrentamento à violência e ao crime organizado, aprovadas ontem na Assembleia Legislativa, em sessão extraordinária. A publicação acaba de ser feita no Diário Oficial do Estado, em edição extra. As leis que passam a valer de imediato no Ceará são:

.Convocação de policiais militares e bombeiros militares que estão na reserva para que ajudem a reforçar a nossa tropa que está em operação;

.Aumento da quantidade de horas extras (de 48h para 84h mensais) que podem ser pagas a todos os policiais, civis e militares, além dos bombeiros e agentes penitenciários, de forma com que haja aumento da força de trabalho;

.Criação da Lei da Recompensa, que prevê o pagamento em dinheiro, pelo Estado, para informações que sejam prestadas pela população à Polícia e que resultem na prevenção de atos criminosos e prisão de bandidos envolvidos nas ações;

.Criação do Fundo de Segurança Pública e Defesa Social, para estruturar melhor a SSPDS;

.Criação do Banco de informações sobre veículos desmontados;

.Regras de Restrição ao uso do entorno dos presídios do Estado para prevenir fugas e garantir mais segurança;

.Autorização de Convênios e Parceria com outros Entes (União e Estados) na cessão de policiais ao Estado do Ceará.

Todos unidos por um Ceará cada vez mais seguro. A luta contra a violência é de todos nós!

(Foto: Facebook)

O zé povinho e a dança das armas

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Em artigo sobre os ataques de criminosos no Ceará, o jornalista Haroldo Barbosa aponta que a população mais desassistida é a que mais sofre. Confira:

Na gíria do crime, as pessoas comuns, que não são do meio e nem ligadas ao aparelho repressivo do Estado, são conhecidas como “zé povinho”. E somos nós, os“zé povinho”, os que mais têm sofrido com o inferno dos ataques criminosos no Ceará.

As facções foram chamadas para o enfrentamento aberto através das declarações e ações do secretário de Administração Penitenciária do Estado (SAP), Luís Mauro Albuquerque, no dia 2 de janeiro. Desde então a rotina tem sido alterada por fogo, bombas e medo.

Os criminosos, que iniciaram seus ataques contra alvos tradicionais como ônibus, bancos e delegacias, passaram ao longo destes dez dias de inferno a fazer ataques indiscriminados e que não repercutem junto ao Estado e nem ao status quo, que são em boa parte responsáveis pela situação caótica em que estamos.

Queimaram o ‘Carro dos Churros”, no bairro Granja Lisboa, no Grande Bom Jardim.

Atearam fogo em um carro de uma auto escola, no Jangurussu, e o instrutor ficou com queimaduras graves.

Incendiaram o caminhão que puxava o “trenzinho da alegria”, em Maracanaú.

Tocaram fogo em uma van de transporte escolar, no Mondubim.

Depredaram uma creche mantida por uma igreja evangélica, na Sapiranga.

Como vão sobreviver estas famílias e outras que tiveram seu ganha pão transformado em cinzas?

Mas os danos não são somente patrimoniais e físicos. São psicológicos. São direitos essenciais negados, como o direito de ir e vir e de ter fornecimento de água e luz.

Tenho um amigo que ao falar sobre os ataques ou qualquer coisa relacionada aos mesmos, tem de cochichar no telefone, pois é vizinho de porta de um olheiro de facção.

Outra, não dorme mais à noite com medo que invadam o condomínio simples em que mora na periferia e a queimem viva com seus dez gatos (já houve ameaças).

Uma terceira, que se sentia relativamente segura por fazer trabalho assistencial com filhos de criminosos, agora está em pânico pois quebraram todas as lampadas do seu bairro e os faccionários mandaram os trabalhadores pararem uma obra ao lado de sua casa, sob pena de levarem bala.

O transporte coletivo, que é serviço essencial e em grande parte integrado pela frota de ônibus, tem causado imensos problemas a usuários. O Sindiônibus manda recolher os veículos a qualquer hora, deixando a população na rua e a mercê dos bandidos. Pela manhã, muita gente chega atrasada ao trabalho e leva bronca sem ter culpa. Quando chega o fim da tarde não sabe se consegue ônibus para retornar para casa e no dia seguinte começa tudo de novo. Uma senhora cadeirante, de 44 anos, esperou um coletivo por mais de uma hora à noite no terminal do Conjunto Ceará. Ao não conseguir embarcar, ligou para o marido que veio buscá-la e voltou para o Bom Jardim empurrando sua cadeira de rodas, por ruas escuras e em um percurso que demora aproximadamente duas horas.

Em Taquara, município de Caucaia, desde o dia 8 que criminosos cortaram a fiação dos postes e as residências encontram-se sem energia elétrica. Ligações seguidas para a Enel, empresa responsável pela manutenção elétrica e que assumiu serviços após privatização do setor, se mostram inúteis. Situação se repete em outros locais de Fortaleza e Região Metropolitana. Tanto a Enel como o Sindiônibus alegam insegurança para a suspensão no fornecimento de serviços. O lixo também não foi recolhido em vários bairros.

Por toda a periferia, comércios são obrigados a fechar e o toque de recolher é imposto.

Servidores municipais trabalham com medo em postos de saúde e hospitais e a Prefeitura de Fortaleza está sendo cobrada a garantir efetivamente a segurança dos mesmos, coisa que ainda não fez.

Antes dos atuais ataques criminosos, as chacinas, a expulsão de famílias de suas casa, os assassinatos, a tortura e a crueldade se transformaram em rotina na periferia de Fortaleza e em cidades do interior.

E as facções não chegaram a essa posição de domínio sem a cumplicidade do Estado. Desde os desembargadores que venderam liminares para soltar traficantes e que foram “apenados” com aposentadoria compulsória, passando por policiais, agentes penitenciários e outros, a banda podre do Estado tem sua parcela de culpa e esta não é pequena.

O governador Camilo Santana, que hoje culpa presidentes da República por não terem dado atenção ao problema de segurança, agiu da mesma forma e praticou por um bom tempo a política da avestruz na área.

A barbárie mora ao lado e cada vez mais mostra sua cara. Não se sabe até quando os ataques continuarão. Mas para o “zé povinho”, já deu e sobrou.

Não tenho dúvidas que somente com aumento da repressão e política de encarceramento em massa a questão da criminalidade não será solucionada.

O problema da violência só se resolve com mudanças nas relações sociais, tão estruturadas pela cobiça, pelo capital e pelo poder. Nesse contexto, facilitar a posse de armas para os mais privilegiados nada mais é que anunciar uma guerra contra os mais pobres, ou bem dizer, os “zé povinho”. Em um estado e em uma cidade marcada pela gritante desigualdade social, fazer dancinha simulando apontar armas, assim como fazem os endinheirados, é um prenuncio da barbárie que está por vir

Haroldo Barbosa

Jornalista, pós-graduado em Comunicação em Mídias Digitais, filiado à Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

A política da irresponsabilidade

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Da Coluna Gualter George, no O POVO deste domingo (13):

É muito ruim que caminhe para passar em branco, juridicamente falando, a confusão criada por deputados eleitos por São Paulo, à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa daquele estado, ao se utilizarem das redes sociais para fazerem uma “denúncia” sem pé nem cabeça contra o governador cearense Camilo Santana, do PT. E, no caso, apenas por ser do PT.

O notório Kim Kataguiri puxou o grupo, distribuindo pelas redes sociais vídeo no qual denunciava (este foi o termo que utilizou numa entonação especial) que o caos estabelecido no Ceará era resultado de uma engenhosa estratégia política saída da cabeça do próprio Camilo. O objetivo, no final, seria desgastar o recém empossado presidente Jair Bolsonaro (PSL) e inviabilizar a votação de qualquer reforma constitucional no Congresso porque a decretação de intervenção federal seria inevitável. Isso tudo, em meio a um forte blá-blá-blá cujos detalhes pouparei do leitor, porque já tratados em outras análises, aqui mesmo do O POVO, ou, simplesmente, porque ridículos demais para merecerem ainda alguma apreciação.

Kim, que será deputado federal pelo DEM a partir de 1º de fevereiro, viu sua tese reproduzida, quase que na totalidade, pela futura colega de Câmara, só que do PSL, Joice Hasselmann, e por uma figura chamada de Artur do Val, popular nas redes sociais pelo canal “MamãeFalei”, uma das cabeças pensantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e que ocupará cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo, também na bancada do DEM. Ele é gaúcho, assim como Joice é catarinense, mas foi ao eleitor paulista que os dois encantaram, ao ponto de o cidadão de alcunha esquisita ter saído das urnas como o segundo mais votado entre todos os candidatos ao parlamento estadual.

De volta à questão inicial, chega a ser antipedagógico que inexista qualquer resposta no campo jurídico à postura das três futuras figuras públicas, no sentido da ocupação de mandatos populares, visto que notórios já o são, ignorando-se a irresponsabilidade que demonstraram na abordagem da crise que vivemos no Ceará. Uma “denúncia”, como trataram eles, sem qualquer prova, sem um lastro concreto sequer de sustentação, nenhum indício ou sinal de que havia base objetiva, mas, repito, apenas movida pelo interesse político de aproveitar o sofrimento do cearense para manter vivo o discurso que tenta responsabilizar um partido, o PT, por tudo de errado que aconteça no País. No caso específico, ironicamente, voltando-se contra um petista permanentemente submetido a pressões internas, exatamente pelo fato de adotar discurso e comportamento em desalinho frequente com as orientações de cúpula. Alvo errado, portanto.

Imaginar que a tentativa de retratação resolveu tudo, com um segundo vídeo no qual Kim Kataguiri admite que errou, diz ter sido procurado por gente do MBL cearense e por pelo menos um político, o senador eleito Luis Eduardo Girão (Pros), para mostrar-lhe que não era bem como havia dito etc, seria menosprezar o enorme estrago que a peça inicial causou. A verdade é que as palavras do jovem líder de direita têm forte penetração em setores da sociedade e sua tese viu-se espalhada de maneira grave. O recuo até atenuou, embora ande longe de reparar por completo o que a “denúncia” fomentou de incorreção acerca das causas reais da crise com a qual nos temos deparado desde os primeiros dias do novo ano.

Kataguari, Hasselmann e o tal de “MamãeFalei” estreiam muito mal na esfera pública institucional com o ato de irresponsabilidade que cometeram. Fazê-los responder por isso, inclusive, seria uma forma didática de mostrar que a nova vida na qual estão entrando oferece muito mais possibilidades do que dispunham antes, nos espaços de comunicação que ocuparam com êxito e lhes trouxe até aqui, embora não lhes garanta carta branca para injuriar as pessoas apenas porque são de partidos contrários e ideologia estranha à sua.

Aliás, se há uma coisa com a qual precisam se acostumar na vida parlamentar, a partir da posse em fevereiro, é com a convivência com o contraditório. Será parte indissociável do cotidiano novo que buscaram.

Juizado Especial Criminal é atacado com explosivos no Montese

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A 7ª Unidade do Juizado Especial Criminal de Fortaleza, no Montese, foi alvo de explosivos, por volta da meia noite desse sábado (12). A entrada do local ficou danificada. Há policiais e guardas municipais na segurança do local.

Logo após o ataque, helicóptero fez sobrevoo pelas imediações.

O juizado fica vizinho ao colégio Castelo Branco. No mesmo quarteirão fica o posto da 3ª Companhia do 6º Batalhão da Polícia Militar.

(O POVO Online / Foto: Jéssika Sisnando)

Deputados aprovam medidas contra o crime organizado no Ceará

Oito projetos de lei e um projetos de lei complementar foram aprovados em sessão extraordinária na Assembleia Legislativa, na noite desse sábado (12), após cerca de sete horas de debates. As propostas, de origem do Governo do Ceará, são de combate ao crime organizado, que nos últimos 12 dias provoca ataques no Estado.

Entre as medidas estão a convocação de policiais militares que estão na reserva para o retorno ao trabalho; aumento da quantidade de horas extras que possam ser pagas aos policiais civis e militares e bombeiros; a criação de lei que recompensa a população por informações que resultem na prevenção de atos criminosos e prisão de bandidos envolvidos nos crimes e a criação de Fundo de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (FSPDS).

(Foto: Divulgação)

Líderes do PCC não irão para Mossoró

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Da Coluna Eliomar de Lima, no O POVO deste sábado (12), pelo jornalista Demitri Túlio:

De início, o plano da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) era transferir do Ceará 60 líderes das três facções que vinham comandando, de dentro dos presídios, o crime nas ruas de Fortaleza e outros municípios do Ceará. Até ontem, foram removidos, ao todo, 39 para a Penitenciária Federal de Mossoró: 21 do Comando Vermelho (CV) e 18 da Guardiões do Estado (GDE). Pelo menos, por enquanto, segundo uma fonte do governo, a SAP teria desistido de transferir 20 criminosos já relacionados do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A justificativa seria que o sistema aqui daria conta de isolá-los e monitorá-los. A Inteligência do órgão penitenciário teria detectado que os ataques estariam restritos a integrantes do CV e da GDE. Há outra leitura possível. O PCC, diferente das duas facções, tem um melhor nível de organização no cenário do crime no País. A GDE, por exemplo, é uma organização criminosa “doméstica”. Teria sido fundada no Ceará a partir de um racha de lideranças cearenses que teriam se recusado a continuar pagando a “cebola”, uma mensalidade cobrada pelos paulistas. Pois bem, o PCC, por ser mais “nacionalizado” que o CV, poderia decidir aprofundar ainda mais a crise no território cearense. Além, também, de desencadear um efeito dominó pelo resto do País. A análise foi posta na mesa por alguns integrantes do Centro de Inteligência do Nordeste que é sediado em Fortaleza.

De 20 a 26 líderes do PCC estariam isolados em uma cela na CPPL3, com vigilância 24 horas de agentes fortemente armados do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) do Batalhão de Choque da PM cearense. A decisão foi comunicada ao governador Camilo Santana (PT). Embora não entenda de estratégia policial, ele tem de calcular a repercussão política das ações dentro e fora do Ceará.

As análises de informações têm de apontar, por exemplo, o que significa enviar 39 homens do CV e da GDE para a segurança máxima em Mossoró e deixar aqui membros do PCC. Como isso chega para os criminosos na rua, onde as ações não param? No presídio, aparentemente, a situação estaria caminhando para o Estado voltar a ser a lei no interior do sistema penitenciário.

Por trás da suposta neutralidade do PCC na onda de atentados que já dura 11 dias no Ceará, segundo uma fonte, poderia estar o financiamento dos atentados. O PCC estaria colocando na mão da cúpula dos líderes da GDE, fora dos presídios, meios para comprar combustível e outras “armas” usadas nos atentados.

No Ceará, o PCC tem negócios. Em 2005, o furto milionário ao Banco Central foi “patrocinado” pela quadrilha de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Atualmente preso em Presidente Venceslau (SP). Foram roubados do BC R$ 164,7 milhões sem um tiro ou morte. Em Fortaleza, o irmão de Marcola, Alejandro Camacho, foi preso em 2016. E em Aquiraz, ano passado, os líderes Paca e Gegê do Mangue foram justiçados pelo próprio PCC.

Nos 500 celulares apreendidos nos presídios deve haver informações preciosas para a inteligência e emprego do policiamento ostensivo. Mas até aqui, quantos líderes fora dos presídios foram presos? A maior parte dos 309 presos ou apreendidos é massa de manobra, gente usada para tocar o terror e desestruturar serviços básicos na Cidade. Liguei para o secretário Luís Mauro Albuquerque, mas ele disse que estava em reunião e desligou o telefone.

Cinco toneladas de explosivos são apreendidas no bairro Jangurussu neste sábado

Em busca de suspeitos que participavam dos ataques nos últimos dias em Fortaleza, policiais encontraram cerca de cinco toneladas de explosivos em um terreno próximo à casa dos procurados. A apreensão dos materiais ocorreu na manhã deste sábado, 12. A suspeita das fontes ligadas à Polícia Civil é de que a carga seria a mesma que foi roubada em 20 de dezembro, na BR-116, perto do município de Aquiraz, litoral do Ceará.

O POVO Online apurou que cinco pessoas foram detidas durante a operação. Além disso, foram apreendidas munição de calibre 12 e um carregador de pistola. Os materiais encontrados no local estariam sendo utilizados nas explosões que vem acontecendo em Fortaleza e em outras cidades do Estado desde a quarta-feira, 2.

Também no Jangurussu, policiais encontraram um depósito clandestino com sete mil litros de combustível, na última quarta-feira, 9. O local serviu como centro de distribuição dos materiais para pessoas responsáveis pelos ataques a ônibus, prédios e equipamentos públicos e privados.

Segundo boletim anunciado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), até a manhã deste sábado, cerca de 330 pessoas foram presas por participação nos atos criminosos. Completando 11 dias, a onda de violência no Ceará registra mais de 190 ataques. (O POVO Online / Foto: WhatsApp)

ATUALIZAÇÃO – “Parabenizo nossa polícia pela operação que resultou na apreensão de 5 toneladas de material explosivo num depósito clandestino e na prisão de 5 pessoas, até aqui. Foi mais um duro golpe contra o crime. Até a tarde de hoje 336 pessoas já foram capturadas por envolvimento em ações criminosas no Estado. Ressalto aqui o grande trabalho que vem sendo realizado pelas nossas forças de segurança, em total parceria com tropas federais e estados parceiros. Agradeço, também, o imprescindível apoio da Justiça e do MP. O trabalho não para. Tudo para dar mais segurança à nossa população e proteger o patrimônio. Todos contra o crime!”, postou o governador Camilo Santana, por meio do Facebook.

Avião ultraleve cai na praia de Águas Belas, em Cascavel, e piloto morre

Um avião ultraleve caiu na praia de Águas Belas, no município de Cascavel, a 62 km da Capital, na manhã deste sábado, 12. O piloto da aeronave, Tarcísio Tibúrcio Frota Filho, de 63 anos, morreu no acidente. Não foram encontradas outras vítimas. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 8h15min mas, quando chegou ao local, o piloto já havia falecido.

O ultraleve era feito de materiais “artesanais”, como madeira, madeirite e cano de pvc. A suspeita do Corpo de Bombeiros é de que uma das asas da aeronave caiu devido à chuva no local, causando a queda do avião.

(O POVO Online / Foto: WhatsApp)

Combate ao crime – Convocação dos deputados se estende até o dia 17

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Com a presença de 31 parlamentares, a Assembleia Legislativa do Ceará começou a debater, na tarde deste sábado (12), em sessão extraordinária, a mensagem do governador Camilo Santana, que busca medidas de combate aos ataques sofridos pelo Estado, nos últimos 11 dias. A convocação é estendida até a próxima quinta-feira (17), podendo voltar a debater qualquer outra matéria no período.

Entre as nove matérias estão a convocação de policiais de reserva, a questão de horas extras e gratificação de denúncias que levem à prevenção de crimes e à prisão dos envolvidos.

(Foto: Divulgação)

Bolsonaro defende que ataques no Ceará sejam considerados terrorismo

O presidente Jair Bolsonaro defendeu hoje (12) que ações criminosas ocorridas no Ceará sejam consideradas terrorismo. A manifestação do presidente em favor do PLS 272/2016 foi feita por meio de sua conta pessoal no Twitter, às 7h deste sábado (12), ao comentar situação no Ceará.

“Ao criminoso não interessa o partido desse ou daquele governador. Hoje ele age no Ceará, amanhã em São Paulo, Rio Grande do Sul ou Goiás. Suas ações, como incendiar, explodir, … bens públicos ou privados, devem ser tipificados como terrorismo”, disse o presidente.

Bolsonaro também chamou de “louvável” e defendeu o projeto de lei, de autoria do senador Lasier Martins (PSD-RS), que endurece a Lei nº 13.260 que tipifica o conceito de terrorismo e regulamenta atuação de combate do Poder Público. Conforme o projeto, em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, fica classificado como terrorismo “incendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir meios de transporte ou qualquer bem público ou privado, com o objetivo de forçar a autoridade pública a praticar ato, abster-se de o praticar ou a tolerar que se pratique, ou ainda intimidar certas pessoas, grupos de pessoas ou a população em geral.”

O PLS 272/2016 também criminaliza “interferir, sabotar ou danificar sistemas de informática ou bancos de dados, com motivação política ou ideológica, com o fim de desorientar, desembaraçar, dificultar ou obstar seu funcionamento.”

Em outubro passado, o governo federal instituiu uma força-tarefa de Inteligência para o enfrentamento ao crime organizado no Brasil. O grupo, sob a coordenação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), tem como função “analisar e compartilhar dados e de produzir relatórios de inteligência com vistas a subsidiar a elaboração de políticas públicas e a ação governamental no enfrentamento a organizações criminosas que afrontam o Estado brasileiro e as suas instituições.”

Segundo a Secretaria de Segurança do Ceará, 319 pessoas foram presas até o momento. Todas elas autuadas em flagrante por participação nos atos criminosos registrados no estado desde o dia 2 de janeiro.

(Agência Brasil)

Concessionária na Washington Soares sofre explosão criminosa neste sábado

A concessionária Honda Nova Luz, localizada na avenida Washington Soares, sofreu ataque na manhã deste sábado, 12. Criminosos acionaram bomba dentro da loja. Ninguém se feriu e o local teve danos materiais. Um suspeito, Danilo Barbosa de Assis, 22, foi preso em flagrante com uma pistola .40.

Na fuga, os suspeitos abandonaram um veículo VW Up branco. Danilo Barbosa foi detido na avenida Avenida Edilson Brasil Soares e conduzido para a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Ele foi autuado em flagrante pelos crimes de dano, explosão, receptação, porte ilegal de arma de uso restrito e por integrar organização criminosa.

As forças de segurança realizam diligências à procura de outros suspeitos envolvidos.

Com mais um ataque registrado contra uma torre de transmissão neste sábado, o Ceará vive a mais longa crise de segurança pública já registrada. No 11º dia da onda de violência no Ceará, 330 pessoas já foram detidas por participação nos ataques criminosos no Estado, segundo informações repassadas pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Nas últimas horas, 11 suspeitos foram capturados na participação dos atos criminosos ocorridos na Capital e no interior.

(O POVO Online)

Combate ao crime – Deputados se reúnem na tarde deste sábado

Deputados estaduais se reúnem na tarde deste sábado, a partir das 14 horas, em sessão extraordinária, para deliberação da mensagem do governador Camilo Santana, sobre medidas de combate ao crime organizado, que hoje chega ao 11º dia de ataques no Ceará.

Entre as medidas estão a convocação de policiais de reserva, aumento da quantidade de horas extras, além da recompensa em dinheiro para quem denunciar crimes em andamento que resulte em prevenção e prisão dos envolvidos.

(Foto: Arquivo)

Torre de transmissão de energia elétrica é derrubada

Vários bairros de Fortaleza ficaram sem fornecimento de energia elétrica, na madrugada deste sábado (12), após criminosos derrubarem uma das torres de transmissão de energia, no anel viário próximo à Ceasa, na estrada que dá acesso ao bairro Messejana.

A área foi isolada por causa de vários cabos de alta tensão espalhados pela pista. A Polícia acredita que, mais uma vez, os criminosos utilizaram dinamites.

Pessoas próximas ao local do ataque relataram que ouviram duas explosões.

(Fotos: WhatsApp)

Um pacto contra o inimigo comum, o crime

Editorial do O POVO desta sábado (12) avalia o posicionamento do governador Camilo Santana, diante dos ataques de criminosos no Estado. Confira:

Ontem, quando esta guerra em andamento no Ceará entre a sociedade local e as forças de segurança contra o crime organizado alcançou o décimo dia, e sem ainda nenhuma perspectiva de um possível fim, o governador Camilo Santana (PT) voltou a defender a necessidade de “uma pactuação nacional” para rever a legislação penal brasileira.

Ele é a favor de enquadrar como atos terroristas os ataques criminosos que se sucedem no Estado. Nos primeiros dez dias da crise atual, as ações se espalharam na Capital e em pelo menos 43 municípios. O governador argumenta que a pena aplicada a quem comete terrorismo é mais severa que a de quem é acusado, por exemplo, apenas por dano ao patrimônio ou por um incêndio provocado intencionalmente.

É a forma que Camilo vislumbra para endurecer o enfrentamento às ações desmedidas que vêm sendo praticadas contra a civilidade cearense. Hoje à tarde, mesmo num sábado, os deputados estaduais participarão de sessão extra na Assembleia Legislativa do Ceará para votar um pacote de medidas contra a onda de violência. Serão propostas que deverão dar mais resguardo ao trabalho policial e ampliar o espectro de culpa a quem é ligado a facções criminosas.

Ontem, em entrevista ao jornalista Luiz Viana, da rádio O POVO/CBN, Camilo afirmou que “é preciso rever as leis nesse País. Nossa legislação está falha, são leis frouxas”. O momento não é mesmo de declarações comedidas. Não se pode medir, numa mesma régua, o ato de quem danificou um bem daquele que cometeu este ilícito manuseando explosivos. Mesmo com artefatos de fabricação rudimentar, são bombas que destroem estruturas físicas de uso público, interrompem o tráfego em ruas e avenidas e suspendem serviços essenciais, como transporte coletivo ou fornecimento da rede elétrica. Mesmo quando falham e não conseguem ser detonadas, já causam o pavor coletivamente.

O governador não está errado ao cobrar a atualização do Código Penal Brasileiro. É necessário que todos os Estados e os poderes Legislativo e Judiciário rediscutam o tema conjuntamente. Há demandas. O crime não segue as linhas imaginárias territoriais.

A segurança pública não é uma atribuição que caiba mais tão somente aos Estados, porque ainda é assim que está dito na regra constitucional. A União deve assumir sua responsabilidade na questão (e já se deu um passo inicial com a criação do Sistema Único de Segurança Pública – SUSP). Também não se deve tirar proveito da situação fragilizada do cidadão para inserir, no meio do mesmo balaio de mudanças, propostas que punam a diferença de ideias e não a guerra contra o crime. Não é a democracia que está em debate, esta deve seguir inatingível, inabalável.

O inimigo a ser enfrentado é o crime organizado e é ele que deve perder poder. Se a transferência de 39 presidiários líderes de suas organizações criminosas já ajuda a desestabilizar o outro lado (outros ainda irão nos próximos dias), é preciso secar fontes financeiras e derrubar castelos que as quadrilhas montaram nos últimos anos. Os episódios de terror social precisam ser estancados.

Mais três líderes e facções criminosos são transferidos para presídio de segurança máxima de Mossoró

A Justiça Federal do Rio Grande do Norte aceitou a transferência de mais três presos do sistema penitenciário do Ceará. Marigebio Ferreira de Freitas, Francisco Robério Ferreira Martins e Douglas Feitosa, apontados como líderes da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE), irão nesta sexta-feira, 11, para o prisão de segurança máxima de Mossoró. Na noite desta quinta, o presídio federal já havia recebido 15 detentos da mesma organização criminosa. E na última terça-feira, 21 integrantes do Comando Vermelho.

Com as três novas transferências, o Governo do Ceará considera que isolou 39 homens que comandavam de dentro dos presídios cearenses o tráfico de drogas, uma rede de assassinatos dolosos e a onda de ataque que já dura dez dias em Fortaleza e outros municípios.

Dos três, Francisco Robério Ferreira Martins é o único que já experimentou ser confinado em uma penitenciária federal também por “coordenar ações da GDE, mesmo dentro de uma unidade prisional” do Ceará. Também conhecido por Robertinho do Pantanal, ele foi preso por receptação de mercadoria, tráfico de drogas, homicídios e porte ilegal de armas.

Marigebio Ferreira de Freitas, apelidado de Shureck, é “traficante e homicida atuante no bairro do Jangurussu”, bairro pobre da periferia de Fortaleza. A descrição é da ficha anexada na decisão judicial que o removeu.

Inicialmente, os detentos do sistema carcerário do Ceará ficarão 20 dias na cadeia de Mossoró. Depois, provavelmente, seguirão para a Penitenciária Federal de Catanduvas (Paraná) ou outro presídio com regras mais rígidas.

A medida, solicitada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público Estadual, é uma das estratégias para sufocar os ataques das facções criminosos registrados no Ceará e que já duram dez dias.

De acordo com a decisão judicial, o presídio de Mossoró não é um local indicado para a transferência de presos oriundos do Nordeste. Especialmente do Ceará, por causa da proximidade geográfica. No entanto, “diante da situação de emergência” concedeu-se a remoção. Depois de 20 dias, nova mudança para outra região do País.

(O POVO Online – Demitri Túlio e Cláudio Ribeiro/Foto – Evilázio Bezerra)

Ônibus vão operar com frota reduzida em Fortaleza a partir das 20 horas desta sexta-feira

A frota de ônibus na volta para casa será reduzida a partir das 20 horas desta sexta-feira, 11 de janeiro (11). Essa é uma medida de segurança anunciada no fim da tarde da quinta, 10, pela Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) e pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus). Durante o dia, 100% dos ônibus estavam circulando na cidade, segundo informou a Etufor.

A operação da quinta-feira, em que foi reduzido a frota de ônibus para 30% a partir das 20 horas, funciona também para esta sexta. A partir das 21 horas, as topiques devem parar de circular por medida de segurança. Continuará havendo policiais fardados e à paisana dentro do interior dos veículos.

(O POVO Online / Repórter Larissa Carvalho)