Blog do Eliomar

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Camilo pode ter assessoria para mediar relações com governo Bolsonaro

Da Coluna Política, no O POVO desta segunda-feira (7), pelo jornalista Carlos Mazza:

Na posse deste ano, o secretário Élcio Batista (Casa Civil) revelou a jornalistas interesse do novo governo Camilo Santana (PT) em criar uma assessoria específica para mediar relações entre o Palácio da Abolição e o governo Jair Bolsonaro (PSL). Na vaga, alguém mais próximo politicamente do presidente, mas que ainda tivesse interlocução com o governo local.

Questionado durante a posse, no entanto, Camilo afirmou que faria o diálogo ele mesmo, procurando pessoalmente o Planalto, “como já acontecia com Michel Temer”.

A esperança do governador era, de certo, de que as questões políticas ficassem em segundo plano diante das necessidades da população. A prática, no entanto, se mostrou diferente.

Logo no primeiro “diálogo”, Bolsonaro e o vice, general Mourão, aproveitaram toda oportunidade que tiveram para atacar Camilo e seu partido, o PT. E ambos mostraram, pelo andar da carruagem, pouca intenção de mudar a estratégia para encontros futuros.

Talvez seja melhor voltar o plano do assessor de relacionamento.

Camilo e o primeiro prognóstico de inverno

Da Coluna Eliomar de Lima, no O POVO desta segunda-feira (7):

O governador Camilo Santana (PT) marcou para o próximo dia 18 (sexta-feira) uma coletiva no Palácio da Abolição, para falar sobre as perspectivas de chuva no Estado, sob o viés técnico do presidente da Funceme, Eduardo Sávio.

Hora da divulgação do primeiro prognóstico sobre quadra chuvosa no Ceará.

O que se tem, no momento, é a incidência do fenômeno “El Niño” previsto entre fevereiro e março, mas de forma branda, no que abriria para a estimativa de um inverno regular.

É preciso aguardar, no entanto, o comportamento das temperaturas no Atlântico para traçar os cenários de chuvas. Que sejam intensas para amenizar o cenário por aqui, onde o que continua em alta é a ação dos grupos criminosos organizados.

Icapuí e Icó registram ataques de criminosos

A estação ambiental de Icapuí, no Litoral Leste do Ceará, a 202 quilômetros de Fortaleza, foi alvo de incêndio no fim da noite desse domingo (6), provocado por criminosos. O local era utilizado para projetos sociais, voltados à economia sustentável.

Em Icó, no Centro-Sul do Estado, a 375 quilômetros da Capital, criminosos atacaram com rajadas de metralhadora as fachadas da Câmara Municipal e também de uma estação de rádio. A Polícia realizou um cerco na área, mas não localizou os suspeitos.

Em Fortaleza, houve uma tentativa de incêndio contra um supermercado no bairro Panamericano. Uma embarcação do Corpo de Bombeiros foi destruída pelo fogo, na Barra do Ceará, e dois veículos foram incendiados em uma oficina mecânica.

(Fotos: Reprodução)

Ceará: Leviatã enfraquecido, Beemote fortalecido

Em artigo publicado em abril do ano passado, o professor universitário Filomeno Moraes, Doutor em Direito e Mestre em Ciência Política, diz ao Blog que “reproduzo agora o artigo, com muito desprazer, no momento em que o Ceará regrediu ao ‘estado de natureza’, com a vida ‘solitária, sórdida, embrutecida e curta'”. Confira:

Uma das primeiras tentativas modernas de explicar a complexa relação entre indivíduo, sociedade e Estado advém de Thomas Hobbes, principalmente no “Leviatã, ou matéria, forma e poder de uma república eclesiástica e civil” e no “Beemote, ou o longo Parlamento”. As duas obras foram batizadas com metáforas oriundas da Bíblia, dois personagens-monstros, a saber, um dragão ou serpente marinha, o Leviatã, a designar o poder soberano do Estado, que promove a paz; o outro, o Beemote, figurado como um hipopótamo gigante, provocando a divisão e o enfraquecimento do Estado, atiça e promove o conflito que leva à guerra civil.

Para este pensador político inglês do século XVII, os indivíduos (competitivos, desconfiados e vaidosos), antes de constituída a sociedade e o Estado, viviam num “estado de natureza”, estabelecendo verdadeira “guerra que é de todos os homens contra todos” e partilhando “nenhum prazer na companhia dos outros”. No entanto, por meio de um contrato social, em que se destacam, em primeiro lugar, a associação entre os indivíduos e, em segundo, a sujeição consentida de todos ao poder do Estado, os indivíduos evitaram, no limite, o fim da própria espécie humana e afastaram o “constante medo e perigo da morte violenta”

A ideia hobbesiana de que, em última instância, a segurança é dever fundamental do Estado não perdeu a força e transcendeu o tempo em que foi formulada, estando consignado na Constituição Federal brasileira, inclusive, que se garantirá aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à segurança. De fato, os tempos modernos estão indelevelmente marcados pelo consenso de que o poder político é aquele que está em condições de recorrer, em última instância, à força ou coerção física, ou, como ressalta Max Weber, no ensaio “A política como vocação”, o Estado contemporâneo é uma comunidade humana, que, dentro dos limites de determinado território, reivindica “o monopólio do uso legítimo da violência física”.

No Brasil atual, o poder do Estado, tomado este numa acepção mais ampla, passa por severo relativismo na capacidade de formular, decidir e implementar a política de segurança pública, observando-se, em unidades federativas subnacionais, situação extremamente mais grave ou mesmo desesperadora. Com certeza, o Estado do Ceará é uma delas, e, em Fortaleza, é onde mais se materializam os índices de dissolução do poder estadual. A capital do Estado e a sua região metropolitana têm-se destacado, a crer nos meios de comunicação, ora como campeã de mortes violentas ora como refúgio tranquilo de “capi” de organizações nacionais e multinacionais. E, renitentemente, vítima do “constante medo e perigo da morte violenta”.

Aqui, o Leviatã foi cercado perigosamente pelo Beemote, o monstro da guerra e da desintegração social. Capitalistas selvagens de diversos jaezes de negócios criminosos, cujos exércitos de operadores são em grande medida arregimentados nos bolsões de pobreza, abandono e preconceito, desestabilizam o cotidiano urbano, relativizam as instituições estatais e fazem a sociedade retornar ao estado de natureza. Em tal guerra, como em outras, a primeira vítima é a verdade. Consequentemente, meias-verdades, pós-verdades, inverdades campeiam, oriundas do poder político oficial: aqui é o chefe do governo a afirmar que está tudo sob controle, ou numa formulação canhestra da lei newtoniana da Física a proclamar que a cada ação haverá uma reação, ali é o secretário da segurança a produzir um atacadão de afirmações patéticas e de diatribes ao Estado de Direito, acolá outra autoridade a proclamar que nos cárceres desta terra reina uma paz… de cemitério. Acima de tudo, espraia-se pela sociedade e, pior, pelos fautores do crime e da desordem, a desconfiança de que as forças da ordem não têm força, que o poder político está atarantado e que a delinquência, contra o Estado ou entremeada no Estado, progride.

Para a reflexão, lembre-se que Hobbes, no “Leviatã”, no capítulo denominado “da condição natural da humanidade relativamente à sua felicidade e miséria”, diz que, sem o Estado, “a vida do homem é solitária, sórdida, embrutecida e curta”. No Estado do Ceará, ter-se-á o engenho e arte necessários para, suplantando a situação a que se chegou, reverter o caminho da barbárie e retomar o caminho da civilização? Ou se caminhará na marcha batida de volta ao estado de natureza, de vida solitária, sórdida, embrutecida e curta?

Filomeno Moraes

Cientista Político. Professor da Unifor e da UECE. Doutor em Direito na USP, Mestre IUPERJ e livre-docente em Ciência Política UECE

Secitece realiza transmissão de cargo de secretário nesta segunda-feira

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A Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará (Secitece) realiza nesta segunda-feira (7), a partir das 9 horas, a cerimônia de transmissão de cargo de secretário a Inácio Arruda. A solenidade, que será realizada no auditório da Secitece e contará com a participação da ex-titular da pasta, Nagyla Drumond, dirigentes e colaboradores das instituições vinculadas à Secitece e do Sistema Estadual de Ciência e Tecnologia.

Inácio Arruda iniciou sua vida pública nos anos 80. Foi vereador, deputado estadual, deputado federal e senador. Participou da administração do Governo do Estado do Ceará, na primeira gestão do governador Camilo Santana, como secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, de janeiro de 2015 a abril de 2018.

(Foto: Arquivo)

Ceará transfere 20 chefes de facções para presídios federais

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O governo federal, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), disponibilizou 60 vagas em presídios federais de segurança máxima para detentos que estão no em penitenciárias do Ceará. O estado vive, há seis dias, uma onda ataques contra veículos, órgãos públicos, agências bancárias, estabelecimentos comerciais e equipamentos de segurança.Os atentados, organizados por facções criminosas, com forte atuação dentro dos presídios, seriam uma represália ao anúncio do governo estadual de medidas para endurecer as regras no sistema carcerário estadual.

Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária do Ceará, um preso já foi transferido e outros 19 estão sendo embarcados nas próximas horas, totalizando 20 transferências de forma imediata. A identidade dos detentos não foi divulgada, mas são lideranças das facções que atuam no estado, vinculadas a grupos como o Comando Vermelho (CV) e Guardiões do Estado (GDE). Também não foi informado para quais dos cinco presídios federais os presos estão sendo remanejados. O governo analisa a transferência de mais presos ao longo dos próximos dias.

A população carcerária do estado ultrapassa os 29,5 mil detentos, incluindo presos provisórios e aqueles dos regimes semiaberto e fechado. O número total de vagas, no entanto, é de pouco mais de 13 mil, somando todas as unidades prisionais do estado, uma superlotação de quase 60% da capacidade, segundo os dados mais recentes do governo do estado.

Em varredura nos presídios do estado nos últimos dias, foram apreendidos, segundo o governo, cerca de 400 celulares e alguns aparelhos de televisão, em número não informado. Não houve registro de incidentes nas unidades e, em duas delas, as visitas foram suspensas ao longo do fim de semana, por razões de segurança.

Nesse domingo (6), a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) do Ceará confirmou a prisão de 110 suspeitos de envolvimento nos ataques criminosos dos últimos dias. A Polícia também informou a morte de ao menos três pessoas, supostamente em confronto com as forças de segurança.

Ajuda federal reduz ataques

Agentes da Força Nacional de Segurança também estão atuando nas ruas da capital desde sábado (5). A reportagem da Agência Brasil registrou a presença do efetivo em algumas avenidas e terminais de ônibus da capital. No terminal Antônio Bezerra, no bairro de mesmo nome, os agentes federais davam suporte à segurança do local, de onde partiam e chegavam ônibus urbanos que circularam pela capital ao longo do dia. Uma equipe de três policiais militares escoltava cada veículo coletivo.

De acordo com balanço do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o número de ataques em Fortaleza e região metropolitana caiu nas primeiras 24 horas de atuação da Força Nacional de Segurança Pública.

Os ataques, que chegaram a 45 na quinta-feira (3) e 38 no sábado (5), caíram para 23 neste domingo (6), informou a pasta, em nota. Ao todo, a Força Nacional participa de ações de segurança com um efetivo de 330 homens e 20 viaturas, em ações de patrulhamento ostensivo, preventivo e repressivo em pontos importantes como terminais rodoviários e vias de grande circulação. Os agentes federais permanecerão no estado pelo prazo inicial de 30 dias, que poderá ser prorrogado.

(Agência Brasil)

No combate a facções, ninguém é de oposição

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O deputado estadual eleito Soldado Noelio (PROS) está visitando os quarteis da Polícia Militar, tanto da Capital como do Interior do Ceará. Ele oferece apoio aos profissionais que estão atuando na operação de combate ao crime organizado.

O parlamentar já atuou diretamente no combate ao crime no Ceará como policial e diz saber “como este momento é delicado”. Segundo ele, um momento que requer “união dos governantes e também total apoio aos profissionais da segurança pública para que eles possam desenvolver seu papel.”

Ele segue a cartilha do deputado federal eleito e presidente do PROS do Estado, Capitão Wagner: nada de críticas, mas apoio neste momento de dificuldades a todos. “Reconhecemos que as decisões tomadas pelo governador, nos últimos dias, são de extrema importância e necessárias para que o crime organizado se enfraqueça. É preciso moralizar o Estado”, diz Noelio.

DETALHE – O vereador Julierme Sena (PROS) trabalhou, com policial civil, até o fim da manhã deste domingo nas ações de combate às facções. Circulou, inclusive, com equipe por bairros como a Bela Vista e nossa Parquelândia.

(Foto – Divulgação)

Onda de violência – 38 municípios cearenses já relataram ataques

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Desde o início da onda ataques, provocada por criminosos, na madrugada da última quarta-feira (2), em Fortaleza e Região Metropolitana, 38 municípios já relataram ter sofrido algum tipo de ação criminosa, por meio das redes sociais.

Em Ibaretama, no sertão cearense, a 130 quilômetros de Fortaleza, o município perdeu todos os equipamentos que serviam à população, desde transporte escolar a carro-pipa.

Em Limoeiro do Norte, no Baixo Jaguaribe, a 190 quilômetros da Capital, a torre de uma operadora de telefonia foi danificada e 12 municípios ficaram com a comunicação comprometida.

Em Acaraú, no Noroeste do Estado, a 238 quilômetros de Fortaleza, os dois ônibus escolares foram incendiados.

Presidente do Sindiônibus e a onda de ataques criminosos em Fortaleza

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Em sua página no Facebook,  presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira, fala sobre o cenário atual de Fortaleza, com ataques criminosos e o transporte coletivo. Confira:

Venho a público dizer que sinto muito por esta difícil situação de insegurança que Fortaleza atravessa e por todos os impactos que nossos cidadãos vêm sofrendo em decorrência disto, especialmente quanto à precariedade causada ao serviço de transporte público.
Sempre em sintonia com os órgãos públicos de segurança, temos trabalhado intensamente no Sindiônibus e empresas associadas procurando criar estratégias para manter alguma oferta de transporte. Porém, diante da intensidade e quantidade de ataques criminosos, nestes momentos a oferta possível de serviços fica muito aquém das necessidades da população fortalezense, maior prejudicada por estes ataques.

Todos os dias nossos ônibus estão preparados e nossos funcionários estão prontos na expectativa de poder atender à população. A avaliação da segurança é permanente para identificar oportunidades seguras de aumentar gradativamente a oferta de transporte até a normalidade. Desde o dia 02/01/19, já tentamos algumas vezes retomar o serviço pleno ou ampliar, porém novos ataques causam perda de controle e recuo.

Chegamos a um ponto em que precisamos contar com o apoio da polícia para embarcar policiais nos ônibus, o que limita muito nossa capacidade de ofertar serviços. Neste momento, graças ao apoio da polícia, podemos contar com com 136 ônibus em 81 linhas operando, o que é muito pouco mesmo para um domingo, que normalmente tem cerca de 700 veículos circulando.

A queima de um ônibus prejudica toda a população, pois a reposição de cada um leva vários meses e isso traz sérios impactos negativos ao desempenho normal do sistema de transportes. Financeiramente o prejuízo é exclusivo das empresas, que muitas vezes nem têm condições de repor um ônibus em momento não previsto em seu planejamento financeiro, por não dispor do dinheiro ou do crédito disponível para uma operação financeira que não se encaixa na sua capacidade de pagamento.

Aproveito a oportunidade para deixar claro que não existe seguro para vandalismo em frotas de ônibus. Não há nenhum meio de amortecer o impacto financeiro causado às empresas.

Também é importante entender que outro grave prejuízo para as empresas decorre de estar impedida de exercer sua atividade, única fonte de receita para arcar com seus compromissos. Mais da metade do que arrecadamos é destinado a despesas com funcionários, que precisam receber normalmente, independente de as empresas não estarem arrecadando nestes dias.

Reitero à nossa população, especialmente a nossos clientes, que todos sentimos muito. Agradecemos sinceramente a nossos funcionários, em especial motoristas, cobradores e equipes de controle operacional, que se desdobram para fazer seu melhor e às vezes precisam enfrentar o medo para atender à população da melhor maneira possível.

Ainda, reitero minha confiança nas nossas forças de segurança para restabelecer rapidamente a normalidade no nosso estado para que nosso povo possa trabalhar em paz para reverter qualquer perda ocorrida neste triste período.

*Dimas Barreira,

Presidente do Sindiônibus/Fortaleza.

Iracema registra chuva de 126 milímetros

Choveu, neste domingo, em 33 municípios cearenses de acordo com boletim divulgado pela Funceme. A maior delas se registrou em Iracema, com 126 milímetros.

Em Fortaleza, o tempo continua de alta temperatura.

Confira:

Iracema (Posto: Bastioes) : 126.0 mm

Pedra Branca (Posto: Pedra Branca) : 86.0 mm

Mombaça (Posto: Mombaca) : 52.0 mm

Quiterianópolis (Posto: Baixio) : 33.0 mm

Tauá (Posto: Vera Cruz) : 32.0 mm

Meruoca (Posto: Meruoca) : 29.0 mm

Tauá (Posto: Marruas) : 25.3 mm

Iracema (Posto: Canafistula) : 25.0 mm

Forquilha (Posto: Forquilha) : 22.0 mm

Ipueiras (Posto: America) : 20.4 mm

A crise e suas razões

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Editorial do O POVO deste domingo (6) aponta que é impossível localizar as saídas para o grande problema que nos aflige sem que, antes, localizemos as razões que o fizeram nascer, crescer e atingir a dimensão que agora torna a sociedade cearense refém de uma perturbação organizada que precisa ter um fim. Confira:

É sempre importante que se busque entender as causas de situações como a que temos vivido nos últimos dias e horas no Ceará, com uma onda de ataques a ônibus, veículos, prédios e estruturas públicas, organizados, ao que se sabe, por facções criminosas que agem por ordens partidas de dentro das unidades prisionais. É preciso reconhecer que as autoridades estaduais e federais têm adotado as medidas emergenciais que parecem necessárias dentro de um quadro de caos que as ações criminosas tentam estabelecer. Com êxito em momentos determinados, é preciso admitir.

Material que está publicado nesta edição, em reportagem assinada pelos repórteres Cláudio Ribeiro, Thiago Paiva e Eduarda Talicy, cumpre este objetivo de procurar identificar as motivações de todo o cenário dramático e analisá-lo. Discute a raiz da situação, buscando ouvir especialistas e autoridades para, observando a crise a partir de suas causas possíveis, fazer um debate que enfatize as alternativas de soluções. No emergencial, não há dúvida, o caminho é o reforço do aparato estatal para o combate necessário às intervenções violentas, mas, passada a fase mais aguda, o quadro exige inteligência e a melhor leitura para uma reversão efetiva e perdurável da crise desafiadora.

Parece claro que cometeu-se erros lá atrás que nos conduziram à situação preocupante destes dias. Ao mesmo tempo, também se demonstra certo que a reação dos criminosos tem a ver com decisões governamentais acertadas, algumas adotadas antes, outras em vias de efetivação, como resultado natural de uma mudança de comando na administração do setor, o que impõe à sociedade uma certa paciência, dentro do que for possível tê-la, como gesto de apoio aos agentes públicos duramente empenhados no esforço de restabelecer a ordem.

Será impossível reencontrar a normalidade e fazê-la permanente, em termos consistentes, sem uma boa reflexão acerca do que nos trouxe à realidade que assombra a todos. De qualquer maneira, reconforta, caso este seja um termo aplicável diante do que assistimos acontecer aos nossos olhos, perceber que de alguma forma o que se vive tem a ver, também, com atitudes concretas adotadas no sentido de fazer prevalecer o Estado sobre a marginalidade, no sentido do que é interesse público, sem pactos, sem acordos e sem tréguas fabricadas.

O POVO cumpre um papel fundamental no equilíbrio do acompanhamento da situação crítica ao fazer uma análise minimizando as factualidades, sem desconsiderá-las, em nome de um mergulho mais profundo na crise. É impossível localizar as saídas para o grande problema que nos aflige sem que, antes, localizemos as razões que o fizeram nascer, crescer e atingir a dimensão que agora torna a sociedade cearense refém de uma perturbação organizada que precisa ter um fim. E, estamos certos, terá.

André Fernandes diz admirar Camilo, mas governo passou a mão na cabeça do crime organizado

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O deputado estadual André Fernandes (PSL), em suas redes sociais, diz que admira o governador Camilo Santana (PT) por ter nomeado o secretário Luís Mauro, para a Administração Penitenciária. Também por ele ter solicitar as forças de segurança nacional.

Mas o parlamentar não dispensou um a crítica: Para ele o Governo passou a mão na cabeça da criminalidade.

Dois suspeitos são mortos em confronto com a Polícia na Granja Portugal

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(ATUALIZAÇÃO – 13h02min)

Dois homens foram mortos na madrugada deste domingo (6), na Granja Portugal, durante confronto com a Polícia, após perseguição pelas ruas do bairro. Um outro suspeito conseguiu fugir. Ele foram encontrados pelos agentes quando estariam tentando atear fogo em posto de atendimento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

No veículo ocupado pelos suspeitos, a Polícia encontrou um galão de gasolina e cinco coquetéis molotov.

Até o momento, os nomes dos suspeitos não foram divulgados. Os homens estavam com coletes à prova de bala.

(Fotos: WhatsApp)

O Caminho que levou Zezinho ao secretariado

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Da Coluna Gualter George, no O POVO deste domingo (6):

A intenção do governador Camilo Santana foi clara, embora os resultados do seu movimento político ainda não pareçam assim tão cristalinos. Incomodava o Palácio da Abolição a perspectiva de o comando do Poder Legislativo permanecer com Zezinho Albuquerque, do PDT, pelo quarto mandato consecutivo, coisa inédita na nossa história política. Um aliado, do qual não se tem queixas a fazer pelo comportamento adotado à frente da Assembleia, a maior parte do tempo com o petista já no cargo, mas, convenhamos, há momentos em que a mudança se torna quase que uma imposição. O sentimento é de que a coisa chegou ao seu limite, na perspectiva de todos.

Os sinais de incômodo foram chegando até Zezinho, por caminhos diversos, e acabaram captadas por ele, um político de larga experiência. Coincidência ou não, por essa época começou a tomar corpo uma resistência mais forte à ideia de entregar ao MDB a secretaria das Cidades, objeto de cobiça de muitos partidos e aliados pelo expressivo volume de recursos que deverá administrar pelos próximos anos. O que se avalia é que, no caso dos projetos vinculados à pasta, existe um maior grau de certeza quanto à execução nos próximos anos do que estava programado, independente das dúvidas naturais advindas da chegada de um novo grupo ao comando do poder federal após o histórico resultado de 2018 na disputa pela Presidência da República.

Houve, no clima da transição, em determinado momento, uma forte simpatia à ideia de oferecer ao neoaliado Eunício Oliveira, derrotado em seu projeto de reeleição ao Senado, a possibilidade de indicar alguém para uma pasta grande, expressiva, capaz de satisfazer o seu tamanho político.

Correspondente, por exemplo, a quem atualmente ocupa a presidência de uma casa do Congresso, o que não é pouca coisa. Neste ponto da conversa é que começou a surgir a opção da secretaria das Cidades, bem aceita por interlocutores quando colocada no campo da conjectura.

O cenário começou a ser redesenhado quando anunciou-se um acerto entre parlamentares das bancadas de PDT e PP para que coubesse a esta última sigla indicar o nome que iniciaria o segundo mandato de Camilo à frente da pasta. Ninguém poderá dizer que, publicamente, percebeu uma ação de Zezinho Albuquerque no sentido de alimentar este movimento, mas, podem acreditar, aconteceu. Ainda mais, lembre-se, porque o PP do Ceará é presidido pelo deputado federal eleito AJ Albuquerque, que, o sobrenome trai, é da família do presidente da Assembleia. Filho dele, para ser mais preciso.

O final da história, sabemos, é que Zezinho Albuquerque ocupa a Secretaria das Cidades (ela mesmo), enquanto o MDB de Eunício, no primeiro escalão, ficou com a Controladoria (Aluisio Carvalho) e a Sesporte (Rogério Pinheiro).

Claro que a novela terá novos capítulos, um dos quais, já com data marcada, se desenrolará no dia 1º de fevereiro com a escolha do novo presidente da Assembleia. A preço de hoje, estão colocadas pra valer as opções Tin Gomes (preferido dos deputados) e Evandro Leitão (com a simpatia de Camilo e familiares de peso), mas ninguém ficará surpreso se, ao final, um outro nome surgir, a história do tercius, como solução pacificadora da base. E, para surpresa de ninguém, todo o processo estará conduzido pelo próprio Zezinho, a pedido do governador. É aquela velha história política de que, ao final, eles acabam se entendendo.

O inimigo com rosto e a onda de atentados no Ceará

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Com o título “Inimigo com rosto”, eis artigo do radialista Cláudio Teran. Ele aborda a onda de ataques criminosos no Ceará e suas possíveis origens e omissões. Confira:

O bandido conhecido como Marcola, fundador do PCC, foi preso em 2002 em solo cearense: Fortaleza. Não estava a passeio. Naquele tempo já tratava de organizar e descentralizar a atuação do crime.

Levado para SP onde foi condenado e cumpre pena, continuou agindo. O PCC virou franquia, se espalhou pelo país, e ele manda e desmanda. De onde? De dentro da cadeia! O governo sabe, o Congresso sabe, o Judiciário. E nada acontece!

O que foi feito de lá para cá visando impedir que o crime se sindicalizasse no país até chegar a esse ponto em que nos encontramos hoje?

Da costela do PCC surgiram outras facções as quais os governos estaduais e o federal até
bem pouco negavam sua existência, enquanto eles avançavam na desordem, violencia e na intimidação.

Os comandados do crime são jovens demais. Em média têm entre 15 e 25 anos. Como foi a infância deles e o que os levou ao crime?

Tenho visto e acumulado muitas opiniões de todos os lados: situação, oposição, governos, candidatos, bancada da bala, polícia, pitaqueiros…Mas podem observar, ninguém sabe o que fazer!

Com a Força nacional nas ruas daqui, e aquela intervenção do Exército no RJ o crime continuou com sua organização, tentáculos, e bilhões, uma montanha infindável de bilhões que circulam na rede bancária formal. Sim!

Que providências o país tomou ou vai tomar para enfraquecer os caras tomando-lhes o dinheiro que move a indústria da criminalidade?

Quando é que oposição e situação finalmente se unirão para mexer nas leis garantindo o mais draconiano confinamento dos que têm a empáfia de comandar o crime de dentro da cadeia, e com a proteção legal do Estado?

Vai aparecer opiniões propondo que se mate todo mundo. Ah que ótimo! Mataremos dez e surgirão 50, 100, empoderados e encorajados pela certeza de que o crime compensa.

Falta ao Brasil enxergar que a tragédia é social e não policial. Falta compreender que a reação e a repressão têm de funcionar como complementos de uma estratégia que privilegie a prevenção, a investigação e as ações perenes que impeçam o florescimento da criminalidade.

Quando será?

*(Por Cláudio Teran, radialista).

MP do Ceará divulga nota pública sobre atentatos no Estado

O Ministério Público do Ceará divulgou, neste sábado, uma nota pública acerca dos ataques criminosos, informando sobre o Gabinete de Crise já instalado. Confira:

Sobre os graves eventos criminosos atentatórios à paz e harmonia do povo do estado do Ceará, o Ministério Público do Estado do Ceará comunica que desde a manhã do dia 03/01 promove reuniões regulares com a coordenação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Núcleo de Investigação Criminal (NUINC) e promotores da Corregedoria dos Presídios a fim de acompanhar as ações que vêm sendo desenvolvidas no Ceará para controlar e combater de forma efetiva a onda de criminalidade que assolou inicialmente a capital de nosso estado e em seguida algumas cidades do interior.

O MPCE também participa ativamente do Gabinete de Situação formado no Estado, onde, além das forças de segurança e inteligência locais, participam a Polícia Federal, Agência Brasileira de Inteligência, Polícia Rodoviária Federal, Tribunal de Justiça do Ceará e Secretaria Municipal de Segurança Cidadã da PMF.

Um Gabinete de Crise institucional foi criado no âmbito do MPCE para que a instituição tenha controle em tempo real de ameaças e ações criminosas que possam ser encetadas contra a própria instituição e os trabalhos que vem desenvolvendo no combate às organizações criminosas no estado.

O MPCE acompanha todo o desenrolar da crise que acomete o Estado, cônscio do dever maior da instituição de adotar todas as providências para tentar cessar os atos criminosos que atentem contra a paz e a segurança da sociedade cearense.

*Procuradoria Geral de Justiça do Ceará.