Blog do Eliomar

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Assessoria de Imprensa – A serviço de quem?

“A serviço de quem? Ética na assessoria de Imprensa”. Esse é o tema do debate que será realizado nesta segunda-feira, das 18 às 20 horas. O evento ocorrerá no auditório da Biblioteca de Ciências Humanas da UFC (Campus do Benfica) e terá a participação de Ângela Mairnho, assessora de imprensa e componente da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Ceará, e do diretor institucional do Grupo de Comunicação O POVO, Plínio Bortolotti.

O espaço das assessorias de imprensa no Brasil foi dominado por jornalistas na década de 70, em detrimento dos profissionais de relações públicas. Oficialmente, a entrada do jornalista nessa área foi estabelecida a partir do acordo entre a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Conselho Nacional de Relações Públicas, no I Encontro Nacional dos Jornalistas em Assessoria de Imprensa, realizado na década de 80.

No acordo, o Conselho cedia as reservas de mercado das assessorias de imprensa aos jornalistas. Essa concessão fez com que muitos jornalistas passassem a atuar tanto em assessorias como nas redações de veículos de comunicação.

(Com Blog do Plínio Bortolotti)

União quer criar órgão para gerir transposição. Engenheiro cearense é contra

Com o título “Nó górdio da Transposição”, o engenheiro Cássio Borges aborda neste artigo enviado para o Blog a decisão do governo federal de criar um órgão para gerir todo o projeto da transposição do rio São Francisco. Cássio, da Sociedade Amigos do DNOCS, é contra. Confira:

Em recente viagem que empreendemos   a  Salgueiro-PE  para participar de uma reunião com todos os Presidentes dos CREAs do Nordeste, ocasião em que  fizemos  uma palestra sobre o Projeto de Integração da Bacia do Rio São Francisco com as Bacias  de Rios do Nordeste Setentrional,  tomamos  conhecimento de que o gargalo desse empreendimento está no alto custo de sua manutenção e operação. Aliás, diga-se de passagem, isto não nos causou nenhuma surpresa. São quase 800 quilômetros de canais adutores e principais,  açudes,  aquedutos, estações de bombeamento, medidores de vazão, estradas vicinais, etc.

A CHESF-Ccompanhia Hidrelétrica do São Francisco, segundo soubemos, desistiu de assumir a gestão desse Projeto devido a grande  quantidade de usuários para controlar e cobrar pelo uso da água que, convenhamos,  não é de sua especialidade. Este é o grande problema para qualquer  empresa privada que vier a  se instalar na Região visando auferir  lucros, ou pelo menos, não ter prejuízos. Essa organização vai ter que criar uma imensa infraestrutura organizacional nos quatro Estados beneficiados, o que, com certeza, não compensaria financeira e economicamente.

Criar uma entidade federal exclusivamente para esse fim seria uma insensatez já que existe o DNOCS com toda a sua centenária experiência, internacionalmente reconhecida,  e possuidora da maior e mais bem montada infraestrutura  técnica, administrativa e operacional por  toda  Região nordestina. A comprovação desta relevância institucional do DNOCS foi, este ano, reconhecida em reunião do Conselho Mundial da  Água (World Water Council) ao aprovar o seu ingresso naquela entidade internacional.

Estabeleceu-se um princípio de que a saída para resolver todos os problemas hídricos de nossa Região seria a cobrança pelo uso da água ao longo dos rios. Quando se fala em cobrança pelo uso da água não se  comenta o elevado custo operacional, incluindo  pessoal de campo e escritório, além dos custos administrativos.  Como exemplo, a COGERH – Companhia de Gestão e Recursos Hídricos do Estado do Ceará, que dispõe de  cerca de 500 funcionários entre pessoal técnico e administrativo, além de outras entidades estaduais ligadas ao assunto para gerir, apenas, os recursos hídricos do Estado do Ceará.  Quanto custa essa estrutura?  Como é investido o dinheiro que a COGERH arrecada a cada ano (trinta e cinco milhões de reais no ano de 2009) pelo fornecimento de água bruta à CAGECE advinda dos açudes construídos pelo DNOCS?  Qual a participação da COGERH no que concerne ao Termo de Cooperação Técnica celebrado por este órgão com o DNOCS, quando determina a aplicação dos recursos financeiros arrecadados na operação e manutenção das barragens?

Não queremos que as indagações acima  sejam interpretadas como uma reprovação à existência da COGERH que, no nosso entendimento, tem um papel importante a desempenhar em cooperação com o DNOCS, não só nas bacias hidrográficas do  Estado do Ceará, como no gerenciamento do Projeto de Transposição, em nível estadual.  São perguntas que a comunidade  técnica-científica tem que conhecer  as suas respostas e, de forma isenta, de qualquer tipo de interesse,  analisá-las nos seus vários aspectos,  já que aquela Companhia foi citada na reunião do Colégio de Presidentes dos CREAs do Nordeste, realizada em Salgueiro-PE, como um modelo que deve ser imitado pelos demais Estados da Região.   Daí a importância dessa discussão. 

Quanto à  “gestão da água”, isso o DNOCS sempre fez com eficiência e competência, apesar dos parcos  recursos financeiros destinados  para esse específico objetivo. Era, e sempre foi,  uma atividade importante realizada  pelo órgão, desde os primórdios de sua existência, diga-se de passagem, sem alardes e propagandas. Basta olhar para a infraestrutura hídrica, madura e inquestionável, que aquele Departamento Federal  implantou e vem operando desde quando foi criado no ano de 1909, portanto  há mais de 100 anos.  Para quem não sabe, o DNOCS possui o maior acervo de dados hidrométricos (pluviométricos, evaporimétricos  e fluviométricos) da América Latina.  

Para o leitor deste Blog avaliar, o Estado do Ceará tem cerca de  18 bilhões de metros cúbicos de águas acumuláveis  nos açudes públicos e privados,  tanto na área federal como na estadual. Deste total,  o DNOCS monitora 85%, enquanto  a COGERH monitora apenas 15%.   Entretanto,  dos 130 açudes existentes  no Estado do Ceará, o DNOCS monitora 60, enquanto  a  COGERH monitora 70.  Para esse objetivo, graças a sua  estrutura administrativa e de pessoal para as suas diversas atividades,   o DNOCS disponibiliza apenas cinco  funcionários, sendo dois engenheiros, enquanto a COGERH, como dissemos anteriormente,  conta com cerca de 500 funcionários e está anunciando  um concurso público para admissão de mais 65 servidores. Este fato, é importante que seja dito, sem nenhum outro propósito, senão o de demonstrar as autoridades responsáveis pelo êxito social e econômico desse empreendimento,  uma reivindicação de mais de 100 anos da população nordestina,  que não é recomendável criar uma empresa especifica para gerenciá-lo a nível federal, missão esta que poderia ser atribuída a uma Diretoria do DNOCS, sem grandes investimentos, quer seja na área administrativa, como na de pessoal, inclusive no que se refere ao aproveitamento das instalações físicas gerais e equipamentos  daquele Departamento em nossa Região.

Sobre a cobrança pelo uso da água  não vemos que seja uma solução miraculosa como se apregoa para resolver  todos os problemas dos recursos hídricos do Estado do Ceará e do Nordeste.  No caso do Projeto de Interligação da Bacia do Rio São Francisco com as Bacias do Nordeste Setentrional o que se pretende cobrar e arrecadar provém da  diminuta vazão de 26  m3/s captada no Rio São Francisco. Na nossa  opinião falta bom senso de quem defende este ponto de vista, mas consideramos válida sua aplicação nos caudolosos rios   perenes do sul do Brasil,  onde a vazão disponível, isto é, a vazão utilizável,  se faz de forma restrita às suas respectivas bacias hidrográficas, sem a necessidade de transportar a água a longas distâncias.  Não é o caso do Projeto de Interligação  do Rio São Francisco que vai transportar  26 m3/s que se diluirão por longos de intermináveis canais, atravessando extensas áreas secas dos sertões nordestino, em quatro Estados de nossa Região. Para se ter uma ideia da importância desse Projeto, basta compará-lo com o Projeto da Adutora do Oeste que o DNOCS idealizou e construiu, em parceria com o Estado de Pernambuco, transportando do Rio São Francisco menos de 1 (um) m3/s  beneficiando 13 municípios  daquele Estado e 6 do Estado do Piauí, num total de 272 mil pessoas. Estamos comparando apenas a grandeza das vazões em ambos os projetos e mostrando que iniciativas deste tipo, mesmo com vazões relativamente pequenas,  são importantes para a nossa Região e, porque não dizer,  para o próprio vale do Rio São Francisco.

No nosso  entendimento, esta questão da cobrança pelo uso da água e de se eleger um organismo para  gerir  esse  importante Projeto merece uma  consistente análise e profunda reflexão.  Ademais, em um ano de bom inverno esse Projeto, com certeza,  não será utilizado. Igualmente, se tivermos uma sequência de anos com chuvas acima da média, da mesma forma, ele ficará em parte ou no todo ocioso,  não haverá, portanto,  cobrança pelo uso da água. Na realidade, o Projeto São Francisco somente vai funcionar   em períodos críticos de dois, três, cinco e até seis anos consecutivos, como os que já ocorreram em nossa Região.

A principal função desse Projeto é a de promover uma sinergia na utilização dos açudes da Região que poderão aumentar o seu aproveitamento hídrico em, aproximadamente, 30% de  suas atuais disponibilidades. Atualmente os reservatórios do Nordeste são operados de forma conservadora mantendo  um  provisionamento, ou reserva  estratégica da água, como faz o DNOCS, em face das imprevisíveis intempéries da natureza,  o que resulta na perda de  grande parte das disponibilidades hídricas dos açudes pelo efeito  incontrolável da evaporação.

O leitor não deve ficar assustado com o título deste artigo, pois o termo “nó górdio” “significa resolver um problema complexo de maneira simples e eficaz”, mesmo porque nós somos um dos primeiros técnicos a defender este projeto importantíssimo para a nossa Região. Entretanto, é  preciso que estes assuntos, aqui levantados, sejam examinados por pessoas capazes e experientes, que conheçam profundamente as características hidrológicas de nossa Região, devendo serem  isentas e imunes à  influências políticas de partidos ou de governo,   que primem pela ética e pelo patriotismo no  Serviço Público.

* Cássio Borges é engenheiro civil, Diretor Técnico Científico da Sociedade dos Amigos do DNOCS-SOAD  e ex-representante do DNOCS no  Comitê de Estudos Integrado.

Entidades médicas protestam contra redução do ICMS das bebidas alcoólicas

A decisão do governo estadual de reduzir o ICMS sobre bebidas alcoólicas está gerando polêmica entre as entidades médicas. Elas consideram essa decisão um “contrasenso” e na “contramão” das práticas adotadas em todo o mundo de sobretaxar o produto para inibir seu consumo. Isso, porque os impostos não conseguem cobrir os gastos em saúde provocados pelos efeitos do alcoolismo.

O Sindicato dos Médicos do Estado, a Associação Médica Cearense, o Conselho Regional de Medicina e a Academia Cearense de Medicina prometem pressionar, no ãmbito do Poder Legislativo, para verem essa matéria derrubada.

OAB Nacional critica a criação de conselhos de comunicação

“A iniciativa de estados de propor a criação de conselhos de comunicação para regulamentar a atuação da mídia foi criticada hoje pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O presidente nacional da entidade, Ophir Cavalcante, disse que a decisão contraria a Constituição. Segundo ele, é uma forma de limitar a liberdade de imprensa no país.

O Ceará foi o primeiro estado a tomar a iniciativa. Na semana passada, a Assembleia Legislativa cearense aprovou a criação de um conselho, vinculado à Casa Civil, com a função de “orientar”, “fiscalizar”, “monitorar” e “produzir relatórios” sobre a atividade dos meios de comunicação, em suas diversas modalidades. A Bahia, o Piauí, Alagoas e São Paulo também estudam a proposta.

A criação dos conselhos foi uma recomendação da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que ocorreu no final de 2009. Para os defensores da proposta, os conselhos funcionarão para impedir que ocorra manipulação de setores econômicos e que a sociedade seja prejudicada.

“Não podemos tolerar iniciativas que, ainda que de forma disfarçada, tenham como objetivo restringir a liberdade de imprensa. A OAB vai ter um papel crítico e ativo no sentido de ajuizar ações diretas de inconstitucionalidade contra a criação desses conselhos”, afirmou Ophir.

Para OAB, a criação de conselhos estaduais é um fato “extremamente preocupante”. “Isso aparenta ser um movimento concertado entre vários líderes políticos com o intuito de restringir o papel da imprensa”, disse Ophir.

Em Alagoas, há uma proposta em análise que transforma o conselho consultivo em deliberativo. No Piauí, existe a ideia de instituir o órgão para acompanhar o cumprimento das regras de radiodifusão. Na Bahia, o objetivo é vincular o conselho à Secretaria de Comunicação Social do Estado. Em São Paulo, está em tramitação uma proposta semelhante à aprovada no Ceará.”

(Agência Brasil)

Cid Gomes despachará no Palácio da Abolição em 2011

O governador Cid Gomes (PSB) vai mesmo transferir a sede do governo para o Palácio da Abolição no começo de 2011. Confirmou, nesta segunda-feira, sua assessoria, acrescentando que o prédio passa por ampla reforma já em fase de conclusão.

Atualmente, Cid despacha no Palácio Iracema, mas não ficou acertado ainda o que esse local abrigará quando o gabinete do governador fizer a transferência.

O objetvio do governador é resgatar a importância do Palácio da Abolição não só como a sede oficial, mas como um dos importantes símbolos a memória do Estado.

UFC participa de seminário indígena

“A Universidade Federal do Ceará participa do Seminário Nacional de Educação Superior Indígena e do XV Seminário de Formação Superior Indígena de Roraima, cujo tema é “Consolidando uma política nacional de educação superior indígena”. Esses eventos ocorrem  até quarta-feira, na Universidade Federal de Roraima, em Boa Vista. A iniciativa é do Instituto Insikiran, da UFRR, em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação.

A UFC é representada pelo professor Babi Fonteles, coordenador dos Cursos de Magistério Indígena Tremembé Superior (MITS) e Misi-Pitakajá. O professor indígena tremembé Getúlio Santos, coordenador indígena do MITS, representará os alunos. Apesar de as duas licenciaturas terem surgido em 2008, a UFC já se constitui uma referência na área, com dois cursos implementados.

Na primeira quinzena de outubro, a UFC participou do Seminário Nacional “Interculturalidade e Formação de Professores Indígenas: análise das experiências em curso”, organizado pelo Observatório da Educação Escolar Indígena da UFMG, em parceria com a Secad. O encontro discutiu as experiências de Licenciaturas Indígenas no País para subsidiar a elaboração das Diretrizes Curriculares visando à formação de professores indígenas, a serem propostas ao Conselho Nacional de Educação (CNE).”

(Site da UFC)

Barracas da Praia do Futuro – Uma questão também cultural

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Eis artigo do jornalista Magela Lima intitulado “O Futuro da Praia do Futuro”. Ele aborda a polêmica decisão da Justiça Federal de mandar retirar todas as barracas de praia dessa banda da orla fortalezense. Confira:

Há quem tenha se acostumado a pensar e entender a Geografia como uma área do conhecimento interessada essencialmente por mapas, números, composições de solo, relevo, questões climáticas e afins. Há, no entanto, uma Geografia quietinha, discreta, focada, sobretudo, em conceitos de ordem cultural, que se avivou muito claramente, para mim, ao logo da última semana a partir da polêmica em torno das barracas da Praia do Futuro.

A decisão do juiz José Vidal Silva Neto determinando a retirada das 154 barracas que ocupam a faixa de praia não mexe só com os espaços físico, territorial e público de Fortaleza. Mexe, decisivamente, com o espaço cultural dessa cidade que, por vezes, teima em não querer ter cultura.

Foi ler as notícias nos jornais para que me viesse à lembrança a discussão da francesa Nelly Richard sobre o valor simbólico que a experiência cotidiana imprime aos espaços.

Em resumo, ela discrimina duas possibilidades de compreensão. Diz que place (lugar) é um território desprovido de sentido; e que space (espaço), ao contrário, é aquele em que, com o tempo, fica impregnado de valores. Eis aí a questão-chave para se debater o futuro da Praia do Futuro. Não se trata de pensar as barracas como um índice do excesso e do desrespeito ao uso do espaço, em tese, público. Elas são mais. Embora irregulares, elas são a cara de Fortaleza, nosso cartão-postal, nosso Cristo Redentor.

Claro, onde não há regras, impera o reino da esperteza. Há, sim, empresários ali mal intencionados, que construíram verdadeiros castelos numa terra que julgavam ser de ninguém. Enganaram-se. A Praia do Futuro tanto é uma faixa territorial pertencente à União, como é também um patrimônio de Fortaleza. E, como tal, deve ser tratada. A legalidade, acredito, é plenamente possível sem que se ponham a baixo as nossas barracas. Sobretudo, se cada um e todos dessa cidade compreenderem o sentido do que é “nosso”.

Magela Lima – Editor-executivo (interino) do Núcleo de Cultura e Entretenimento

magela@opovo.com.br

Novo ministro do STF pode sair até dezembro. Cearense está no páreo

“O novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), para a vaga de Eros Grau, que se aposentou, será indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até dezembro. Logo depois da eleição presidencial, o presidente vai consultar o sucessor ou sucessora para tomar a decisão. Isso não quer dizer, no entanto, que o julgamento do Ficha Limpa será concluído este ano. O novo ministro poderá pedir vista.

Estão no páreo o cearense Cesar Asfor Rocha, do STJ, o advogado e federal José Eduardo Cardozo (SP), Luiz Edson Fachin, o ministro do STJ Luiz Fux, e Teori Albino Zavascki.”

(Informe JB – JB Online)

Canindé investe em pavimentação

Canindé – O prefeito de Canindé, Claudio Pessoa (PSDB), acompanhado de secretários, vereadores e lideranças, assinou um pacote de ordens de serviços voltados para a pavimentação de vbárias ruas do município.

Com essas ações, já são onze as ruas atendidas, num total de 30, que serão beneficiadas com calçamento em pedra tosca. Segundo Pessoa, virá também o saneamento básico, exigência dos moradores.

ESP-CE muda data de seleção e deixa 900 inscritos em expectativa

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A prova de seleção para Residência Médica da Escola de Saúde Pública do Estado, marcada para 7 de novembro, foi adiada para 12 de dezembro, o que pegou os inscritos de surpresa. Essa mudança foi comunicada no último dia de inscrições – sexta-feira última.

Os inscritos na seleção – mais de 900 candidatos, querem saber os motivos do adiamento, já que não foi liberado nada nesse sentido por parte da comissão organizadora do certame.

DETALHE – O dia 12 de dezembro cai na mesma data de provas da Residência Médica para o SUS de São Paulo. Muitos cearenses já estavam inscritos também nessa seleção.

Beto Studart em revista

O empresário Beto Studart é o destaque da revista Público A, em sua edição de número 14, que será lançada, com coquetel, nesta quarta-feira, a partir das 20 horas, no Regina Diógenes Gourmet  – Pátio Cocó.

De espírito arrojado e com trânsito também na área política, Beto Studart é ainda adepto da chamada responsabilidade social. Apoia projetos filantrópicos sem querer a velha publicização. A revista dedica a capa a esse senhor que, acima de tudo, tem como marcas o otimismo e a simplicidade.

Criação do Conselho Estadual de Comunicação Social na pauta da OAB nacional

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O caso do projeto de indicação que cria o Conselho Estadual de Comunicação Social, cuja autoria é a deputada petista Rachel Marques, está na pauta desta segunda-feira, em Brasília, do encontro do Colégio de Presidentes de OABs estaduais.

O presidente da OAB-CE, Valdetário Monteiro, que participará das discussões, voltou a classificar a matéria como “inconstitucional” e um absurdo às liberdades.

O projeto, inclusive, já recebeu sinalização da parte do governador Cid Gomes (PB) de que não será sancionado.

Presidente do Sinduscon/CE disputará reeleição

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon), Roberto Sérgio, é candidato à reeleição. Ele diz que tomou essa decisão incentivado por segmentos da área que avaliam como positiva sua gestão, principalmente na luta que empreende para tirar o “Programa Minha Casa, Minha Vida” do governo federal, do papel no Estado. 

A tendência é um pleito de chapa única.. O pleito foi marcado para o dia 4 de novembro.

Feliz aniversário, Fagner!

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O cantor e compositor cearense Raimundo Fagner completou 61 anos de vida no último dia 13. Vários fãs não se esqueceram da data. O professor Fernando Machado Albuquerque, de Coreaú, nos mandou mensagem com o título “Simplesmente, Fagner” exaltando o artista. Confira:

Quero, com essa prosa-poética, prestar-lhe uma singela homenagem, como forma de parabenizá-lo e, principalmente, claro, reverenciá-lo, porquanto se trata de um dos maiores cantores e compositores vivos do Ceará. Desse nosso Ceará arretado, celeiro de personagens ilustres nas mais diversas searas do conhecimento humano.

Traduzir Fagner é uma obrigação “porque eu sou cearense, porque sou brasileiro/sou apaixonado pelo meu lugar/eu trago no peito um amor verdadeiro/eu sou da Terra da Luz, eu sou do Ceará!”.

Desde a adolescência, aprendi a ouvir Fagner. Fui amadurecendo e, com a maturidade, descobri nele o prazer de desvendar algo sobre o existencialismo humano, muito embora outro poeta cearense, ou melhor, outro titã de nossa poesia – no caso, Francisco Carvalho, tenha afirmado que “é preciso reconhecer que a poesia é hoje um teatro sem platéia, uma ribalta às moscas.”

Talvez Francisco Carvalho quais dizer que predominam na atualidade composições musicais sem letra, formando uma imensa babel, com trocadilhos de gosto duvidoso. Todavia passam rápido como nuvens de verão. Já a palavra trabalhada, a linguagem carregada de elementos figurativos, com significações várias, presente constantemente em Fagner, representa arte literária, de conteúdo perene, para ser lida, cantada e ouvida em qualquer época.

Só quem ama, como disse Bilac, é capaz de ouvir e entender as estrelas. Quem curte poesia pura, de qualidade, conversa com Deus, com o cosmos, com o infinito e navega por mares nunca dantes navegados, sem nunca ter perdido o senso. 

Que Fagner saiba que ele representa, para o Brasil, e, sobretudo, para nós do Ceará, uma árvore abundante, cujos frutos são saboreados toda vez que escutamos, detidamente, sua voz maviosa.

* FERNANDO MACHADO ALBUQUERQUE,  

Analista Judiciário Adjunto, professor e acadêmico de Direito. E fã.

Pedro Fiúza comandará PSDB de Fortaleza

O empresário Pedro Fiúza, que foi vice na chapa de governador do tucano Marcos Cals, será o novo presidente do PSDB de Fortaleza. A informação é dada por ele, acrescentando que seu objetivo é oxigenar a legenda na Capital e prepará-la para o embate eleitoral de 2012. Atualmente, esse comando está sem titular depois que a ex-deputada estadual Tânia Gurgel saiu, alegando problemas de relação com o então dirigente Carlos Matos.

Pedro Fiúza espera ganhar assim maior visibilidade política, dentro da estratégia acertada pela cúpula estadual tucana de apostar na formação de novas lideranças e trabalhar nomes que possam ter condições de competir eleitoralmente. Fiúza, no entanto, não se define como postulante à Prefeitura.

Após Ceará, mais três Estados querem criar conselhos de comunicação

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“Pelo menos mais três Estados se preparam para criar conselhos de comunicação com o objetivo de monitorar a mídia, a exemplo do já ocorrido no Ceará, informa reportagem de Elvira Lobato, publicada nesta segunda-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

O governo de Alagoas, do PSDB, estuda transformar um conselho consultivo em deliberativo, com poder semelhante ao do cearense.

No Piauí, um grupo de trabalho nomeado pelo ex-governador Wellington Dias (PT) propôs a criação de órgão para, entre outras funções, vigiar o cumprimento das regras de radiodifusão.
Na Bahia, governada pelo PT, o conselho seria vinculado à Secretaria de Comunicação Social do Estado.

Nos três casos, há envolvimento do Executivo. Em São Paulo, tramita projeto similar ao do Ceará. A criação dos conselhos foi recomendação da Conferência Nacional de Comunicação, convocada pela gestão Lula.

Entidades da área criticam as iniciativas. A Abert (do setor de rádio e TV) teme a simulação de “clamor para justificar” o controle social sobre a mídia pelo governo federal.”

(Folha Online)

Carro da Arquidiocese de Fortaleza envolve-se em acidente com vítima na BR-222. Padre é encontrado morto

Um acidente envolvendo um carro da marca Gol (NUS-9131) pertencente à Arquidiocese de Fortaleza, foi registrado nesta madrugada de segunda-feira, na BR 222, quilômetro 77, no município de São Luís do Curu.

O motorista, um senhor gordo, cabelos grisalhos e aparentando entre 50 e 60 anos, foi encontrado morto dentro do carro com vários ferimentos, segundo a Polícia Rodoviária Federal.

O carro estava fora da pista e abalroado numa cerca de madeira de uma casa, segundo a policia Rodoviaria Federal, que aguarda a chegada do rabecão.

ATUALIZAÇÃO – Segundo a Polícia Rodoviária Federal e a Arquidiocese, no carro está o corpo do padre Josenir, da Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo do Socorro, situada no bairro Alto Alegre, em Fortaleza.

Adauto Bezerra lamenta derrota de Tasso

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A política, os políticos principalmente, ainda tratam Adauto Bezerra como indispensável às suas necessidades. Alguns bajulam mesmo, de acordo com a demanda. Batem na porta, apertam sua mão ou o assediam para pedir apoio ou dinheiro mesmo. Não foi nesta última eleição que isso deixou de acontecer. Na anterior para a sucessão estadual, isso também se deu. Leia a entrevista que você saberá dos personagens. Aos 84 anos, com vários mandatos de deputado estadual, federal e 35 anos após ter assumido como governador do Ceará, o coronel continua poderoso.

Nestas Páginas Azuis, Adauto comenta pela primeira vez publicamente como é ver Tasso Jereissati ser sucedido politicamente – ou, ao pé da letra, assisti-lo perder uma eleição. Senador até dezembro próximo, Tasso derrotou o coronel na acirrada campanha de 1986 ao governo do Estado. “Tasso não é um homem para voltar a ser enclausurado. (…) Acho que não era a hora da substituição dele”.

O coronel confessa não ter ligado para ele após o desfecho das urnas para não parecer desforra. “Não telefonei porque poderia até pensar ‘o Adauto me telefonar na hora da minha derrota?’, ‘será que é vingança do Adauto dizer isso, porque eu o derrotei?’. Não se trata disso. Foi grande governador, grande senador”.

Adauto admite que nunca esqueceu a pecha que ganhou 24 anos atrás, “força do atraso”, dada pelos adversários. Não usou a palavra vingança, mas confessou numa resposta curta: “Eu aguardei”. Em seguida, relata o pedido feito pessoalmente em seu apartamento por Ciro Gomes – “o mais cáustico” na época, segundo descreve. Era para que o coronel declarasse apoio ao irmão dele, Cid, quando saiu eleito ao governo, em 2006.

A rotina de Adauto hoje é ocupada de voluntarismo, negócios e família. Às 7h30min, abre seu expediente como mordomo (gestor das contas) da Santa Casa de Fortaleza. Vangloria-se hoje de ter “compromissos a pagar, mas dívidas atrasadas, nenhum centavo”. Nos fins de semana, ajuda jovens dependentes de drogas no Eusébio.

Também não deixa de ir ao seu Bic Banco diariamente, despachar, atender pedidos de dinheiro e favores ou ler. Quando a equipe do O POVO chegou, meia hora atrasada por causa de engarrafamentos, Adauto folheava, pelo meio, a biografia do jornalista cearense Lira Neto sobre o Padre Cícero. “Tenho que conhecer o homem, né? Eu o vi morto”. O Padim era amigo de seus pais.

Pela disposição de Adauto em falar – sobre brigas de Virgílio com o ex-governador Gonzaga Mota, sobre sua saúde e de quando fez o testamento num leito cirúrgico, sobre os filhos, sobre violência, a morte de sua sobrinha no Paraguai – sobre muita coisa, é recomendável ler a íntegra da entrevista no portal O POVO Online (www.opovo.com.br).

O POVO – Vamos começar a entrevista já falando sobre o senador Tasso Jereissati?

Adauto Bezerra – Eu poderia dar uma ideia? Por que não começamos lá do passado?

OP – Claro. Pois por qual parte o senhor quer começar?

Adauto – Comecei minha vida pública quando fui eleito pela primeira vez em 1958.

OP – Qual era o partido?

Adauto – UDN (União Democrática Nacional). Aí vieram os governos Parsifal Barroso, Virgílio Távora, Plácido Castelo, veio César Cals, o Adauto Bezerra, Virgílio de novo, Gonzaga Mota…

OP – Aí veio a eleição que o senhor disputou com o Tasso, em 1986.

Adauto – Lembro que quando saí do governo fui deputado federal. Vim ser vice do “Totó” (ex-governador Gonzaga Mota, 1983-1987).

OP – Como o senhor virou político?

Adauto – No meu caso, foi um acaso. Eu era tenente e meu irmão Humberto também. Servíamos em Recife. A campanha era a de 1954. Meu pai foi vereador, presidente da Câmara de Juazeiro do Norte. O candidato à época era meu padrinho José Geraldo da Cruz. Em maio, plena campanha, meu pai teve um infarto. Foi fulminante, ele morreu. Daí, o Zé Geraldo, que era o prefeito, estava em Recife e foi à minha procura e do Humberto. “Perdi a minha campanha, meu compadre acaba de morrer e não tenho mais pra onde sair. Talvez tenha até que desistir”. Eu e Humberto conversamos: “vamos honrar o compromisso do pai”. A vitória foi maravilhosa. Como éramos gêmeos, viramos “Os Bezerras”, “Os meninos”, “Os tenentes” que ganharam a eleição. Aí começou o nome a entrar na onda da especulação.

OP – Quantos anos tinha?

Adauto – 28 anos. Era primeiro tenente. O Zé Geraldo, eleito prefeito e empossado, venho transferido para Fortaleza e ele me pediu para ajudar e eu ser o ponto de contato dele (em Fortaleza) para a prefeitura. No final disse “meu afilhado, você vai ser deputado. Juazeiro não tem deputado”. Já tinha sido promovido a capitão, 29 anos, meu nome cresceu na cidade. Não tinha experiência. Pra surpresa minha fui o mais votado de Juazeiro.

OP – A que o senhor atribui ter sido o mais votado?

Adauto – Meu pai. “É o filho do Zé Bezerra”. Comprei um Jeep 1954. Rodei todo o Cariri, distrito por distrito, só voltava à noite. Geralmente ia fardadinho. O Jeep parava, eu ficava em pé. Daqui a pouco tinha 20 pessoas e eu dava o recado. A UDN elegeu 16 e fui o oitavo mais votado. Na segunda eleição, já fui o mais votado do Estado. Na terceira, mais votado. Na quarta, o mais votado. Na escolha para governador, veio o Petrônio Portela (político piauiense) sondar quais seriam os melhores candidatos para levar ao presidente Geisel. Era 1974. Fui escolhido. A comunicação foi por telefone.

OP – A comparação pode parecer esdrúxula, mas o senhor vê alguma semelhança na carreira política dos irmãos Adauto e Humberto e dos irmãos Cid e Ciro?

Adauto – Pode até parecer. É que eu e o Humberto somos iguais em tudo. Às vezes, num almoço, eu com meu prato e ele afastado, quando terminamos, o que estava no meu prato estava no dele. Somos irmãos quase siameses. Eles às vezes distoam. Você não vê que o Ciro é mais língua solta? Ao passo que o Cid é calmo, tranquilo, sereno, ouve muito, fala pouco. É o comportamento de cada um.

OP – Qual é a sensação de perder uma eleição?

Adauto – Sempre tive uma vida pensando no melhor e também no pior. Sabendo subir a escada degrau por degrau, e sabendo que depois do último degrau você tem que descer. Tem que saber a hora certa. Quando não sabe, o próprio tempo se encarrega de dizer. Tive 32 anos de mandato, deputado federal, estadual, governador e vice-governador. Dei a minha cota. Outro veio. Veio o Tasso. E faço justiça: até a minha época, a política era mais de clientelismo.

OP – O senhor aceita a crítica?

Adauto – Eu fiz, fiz. É autocrítica. Vamos raciocinar. Você é um prefeito, mora a 400 km de Fortaleza e quer falar com o governador. É barrado, não entra. Nunca fiz isso, mandava entrar. Podia atrasar, ficava esperando, mas atendia. E todos pediam um empregozinho. Era a professora, o delegado, servente, vigia, essas coisas. O Tasso fez uma inovação. “Sou administrador, cada prefeito cuide de sua administração e eu vou fazer a minha”. Ficou meio distante, se isolou. Vamos reconhecer, ele foi um bom governador, um bom senador. Não posso deixar de reconhecer.

OP – O senhor votou nele?

Adauto – A minha idade… (Risos) Eu fui dispensado.

OP – Era o momento de Tasso ter sido alijado de um cargo público?

Adauto – Não. Acho que ele é muito jovem para dizer “vou desistir, não quero mais, vou cuidar dos meus netos”. Eu não diria isso. Ele pode aparecer de novo na crista da onda e voltar a ser governador, senador. Pra que dizer isso?

OP – O senhor acha que ele disse isso por mágoa?

Adauto – Ele começou com 60 e poucos por cento e caiu, seguiu numa linha de descida. Ele sempre foi muito ligado aos Ferreira Gomes. E no final os dois não votaram nele. Deve ter ficado com algum ressentimento. O próprio Lúcio também, poderia estar unido. Mas isso é um direito de todos. Ninguém quer ficar subordinado a vida inteira. Quer autonomia. Isso é natural de toda atividade.

OP – O Tasso perdeu para o Lula?

Adauto – Foi.

OP – É histórico na política do Ceará quando o Gonzaga Mota passa para o outro lado e resolve apoiar Tasso. Seria similar a hoje?

Adauto – Eu era o vice-governador e disse muitas vezes “Gonzaga Mota, você é governador porque o Virgílio indicou seu nome. A força era dele”. “Mas Adauto, eu quero ter meu partido, quero ser um chefe político também”. “É um direito seu, mas não dá para você conviver sem rompimento?”. “Mas o Virgílio não me dá espaço”. “Fique à vontade, eu fico com o Virgílio porque comecei com ele e vou começar com ele”. “Mas Adauto, poderíamos ficar nós dois”. “Não, se você quiser ficar, vamos ficar os três”. Ele dizia: “faço todo acordo com você, não quero é com o Virgílio no meio”. “Então você não me terá porque não vou abandonar o Virgílio”. Meu pai começou com o pai do Virgílio, comecei com o Virgílio, por que eu iria largar esse homem? Não havia perigo.

OP – Que leitura o senhor faz desse cenário, onde está se consolidando um grupo muito forte politicamente, o dos Ferreira Gomes?

Adauto – O pessoal diz que o ciclo de poder não ultrapassa 20 anos. Quando se chega aos 20 anos de poder, tem 20 de realizações. Não passou 20 anos de graça, porque foi julgado 20 anos. Aí chegou a época de não ser mais reeleito. Acabou? Não. As obras vão falar. Tasso não é um homem para voltar a ser enclausurado. O que faltou? Comunicação.

OP – O senhor chegou a manter contato com o Tasso?

Adauto – Não telefonei porque poderia pensar “o Adauto me telefonar na hora da minha derrota?”, “será que é vingança do Adauto dizer isso, porque eu o derrotei?”. Não se trata disso. Olha o que falei, grande governador, grande senador. Acho que não era a hora da substituição dele. Ele ainda tem muito o que fazer. Chegou a hora de descer a escada.

OP – E o que o senhor acha dos novos senadores?

Adauto – Peço a Deus que eles (José Pimentel e Eunício Oliveira, eleitos) se comportem muito bem, que pelo menos cheguem ao que o Tasso chegou, por ter representado muito bem o Estado. E o Cid, digo a vocês, ninguém melhor do que ele para governar o Estado atualmente.

OP – Se o senhor tivesse votado nessa eleição, teria sido nele?

Adauto – Com toda certeza. Quer ver o telegrama que mandei pra ele? (Pede à secretária o telegrama. Quando o gravador é religado, começa contando uma história ocorrida em sua sala). Veio um deputado aqui, tive pena dele. Ô baixinho pra trabalhar.

OP – Quem é?

Adauto – Heitor Férrer (deputado estadual reeleito, do PDT). Esse rapaz chegou aqui com um pacotinho de santinhos na mão. Um por um, entregando. “Mas Heitor, o que é isso?”. “Minha campanha é essa, não tenho dinheiro, não tenho nada. Tudo que consegui até agora foram R$ 12 mil”. Aí dei uma ajuda pra ele. Esse menino pulou (levanta as mãos), “coronel, o senhor me salvou”. É um rapaz sério, bom deputado. É de oposição, mas não é por oposição. Dá o fato.

OP – Quem mais o senhor ajudou?

Adauto – Meu sobrinho José Arnon (deputado federal reeleito, do PTB).

OP – O Cid veio pedir ajuda?

Adauto – Não.

OP – O Lúcio Alcântara veio?

Adauto – Estou meio distante dele. Não veio, não.

OP – Marcos Cals apareceu?

Adauto – Quero muito bem àquele rapaz. Deveria ter sido preparado para ser o candidato, mas o pegaram de última hora e jogaram dentro do rio que só tinha piranha. (Exibe o telegrama enviado a três candidatos e pede que seja lido).

OP – (O primeiro foi para Cid Gomes) “Sua reeleição é fruto de um trabalho feito com inteligência, espírito público, honestidade e competência. Parabéns”. (O segundo foi para Heitor Férrer) “Mais uma vez seu trabalho é reconhecido pelo povo que você representa com seriedade, espírito público, honestidade e competência. Parabéns”. (O terceiro, para Tin Gomes, vice-prefeito de Fortaleza, eleito deputado estadual, do PHS). “Faço votos que seu espelho na Assembleia seja meu grande amigo João Frederico”.

Adauto – Era o pai dele, foi meu colega deputado e era um grande deputado. É isso. Puxei saco de alguém aqui?

OP – Quando foi acusado de fazer parte das “forças do atraso” (em 1986), como se sentiu?

Adauto – O Ciro era o mais cáustico sobre isso. O Tasso também usou. Eu aguardei…

OP – Preferiu ouvir calado?

Adauto – Eu aguardei… (faz uma pausa) e esperei o tempo passar. Mas um dia, lá no meu apartamento, chega o Ciro. Foi pedir para eu fazer parte do apoio ao irmão dele, o Cid. “Vou apoiar”. Na primeira eleição do Cid (ao governo estadual, em 2006).

OP – Qual foi sua reação?

Adauto – “Vou apoiar, vou trabalhar. Rapaz muito bom”. E trabalhei muito (principalmente na região do Cariri). Não guardo ressentimento de nada. A vida é curta, você tem que pensar no melhor, fazer o bem. Vou ficar com rancor e ódio? Aquilo faz mal a mim.

OP – O senhor deixou de ajudar quem o criticou?

Adauto – Nunca entrou uma pessoa aqui para dizer “coronel, me dê uma ajuda para comprar um remédio” e eu não dar. Quer saber quantas pessoas eu abasteço com remédio? (Volta a chamar a secretária). Chega doente, pra fazer cirurgia, comprar remédio, mas eu dou o remédio. Não dou o dinheiro. Chegam pessoas que todo mês a gente dá remédio pra elas. (Pergunta para sua secretária, Tercimar) É você que compra?

Tercimar – Sou eu que compro. E o senhor que paga (risos).

Adauto – Tem um bocado.

Tercimar – No mínimo quatro semanalmente.

Adauto – Tem até mulher de deputado. É mensalidade mesmo. Porque se a gente não der, morrem. Todos são casos de câncer.

Tercimar – Vêm pedidos de ajuda, de gás, passagens…

OP – Parece que o senhor ainda não deixou de ser governador?

Adauto – (Risos) Não. A minha sala é cheia toda vida?

Tercimar – Constantemente. Agenda, então, lotada.

OP – Quando o senhor encontrou com o Ciro, lembrou a ele que tinha sido chamado de força do atraso? Ele pediu desculpas?

Adauto – Não, nunca pediu desculpas. Para mim o assunto nunca existiu. O assunto que ele levou lá era eu apoiar o irmão dele.

OP – Em algum momento teve vontade de revidar?

Adauto – A única coisa que eu e meu irmão temos um pouco de diferença é o temperamento. Ele me chama de “irmã Paula”, porque tudo que vem aqui eu procuro ajudar. Ele não. Eu não fui atrás dele, ele veio à minha procura.

OP – Como avalia o governo Lúcio?

Adauto – O Lúcio? (Pausa) É o seguinte: o Lúcio é inteligente. Como senador, bem melhor que como governador. Porque governador tem que ter decisão. Certo ou errado, quem decide é o governador. O Lúcio é mais “vamos deixar, vamos ver, se for possível a gente faz”. Não é meu sistema.

OP – E a Era Lula?

Adauto – O Lula foi e é um bom presidente. O Lula fez a estabilidade econômica do País. O Lula fez com que o empresário pudesse trabalhar com mais tranquilidade. Os bancos do Nordeste e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) puderam injetar mais recursos gerando mais riqueza e mais emprego. Ninguém pode negar, foi um bom presidente.

OP – Quais são seus afazeres, normalmente?

Adauto – Às sete e meia estou na Santa Casa. Às 9h30min aqui (no Bic Banco). Saio ao meio-dia. Vou pra casa almoçar. Às duas, volto e dou o segundo expediente aqui. Às cinco e meia, a massagista vai lá ou vou na academia. Ou então vou caminhar.

OP – Na Beira Mar?

Adauto – Beira Mar. Mas não levo segurança comigo, não.

OP – Vai só?

Adauto – Vou. Quem quiser pegar um velho de 84 anos pode vir. Não vou correr (risos). Só vou pedir “não precisa bater, o que você quer…”.

OP – O senhor não tem medo de ser sequestrado?

Adauto – Eu? De jeito nenhum. Não adianta, querendo sequestrar não há quem evite.

OP – Coronel, tenho curiosidade num assunto bastante delicado para sua família.

Adauto – Não, tudo bem.

OP – É a sobre a morte de sua sobrinha Ana Amélia (assassinada no Paraguai, em agosto de 2002). O episódio foi fatalidade, tentativa de sequestro? Houve algo mais além do que veio a público?

Adauto – As Polícias do Paraguai e daqui apuraram. Mas chegaram à conclusão que quiseram parar o carro para roubar. Tentativa de assalto. Quando meteram o tiro, era para o carro parar e fazer o assalto, mas acertou a menina.

OP – Aceitaram como fatalidade?

Adauto – Fatalidade.

OP – A família contratou alguém para investigar lá?

Adauto – Se tem sabido quem era, cabôco tinha morrido. Tinha. Trazia pra cá, ia fazer o enterro bonito dele.

OP – Chegaram a dizer alguma vez que o senhor estava em lista de sequestrável?

Adauto – Eu? (risos) A Polícia Federal pegou uma gravação entre pistoleiros. Um dizia pro outro: “Ninguém vai se meter com os coronéis. Porque eles são bons e não tem problema nenhum. Ninguém pode mexer lá com eles”. Foi a notícia que me chegou.

OP – Alguém pensou em sequestro, mas outro descartou logo.

Adauto – Sou muito amigo do Mainha (Ildefonso Maia Cunha, condenado por homicídios no Ceará, que hoje cumpre pena em regime aberto). Muito amigo não, conheço o Mainha. Nos apertos ele vem aqui. Ou vai em Guaramiranga. Não é muito melhor se ter uma fonte de informação como o Mainha do que ter um inimigo como o Mainha? Sabe como ele se identifica (à secretária)? Professor Diógenes.

OP – Como compara a criação de seus primeiros filhos e do filho mais novo, de nove anos?

Adauto – Os mais antigos, eu cometi um erro grande, porque me dediquei demais à política e esqueci um pouco a criação deles. Com esse agora, não. Ele é muito ligado a mim. Ele viajou e, para cada dia, deixou uma mensagem pra mim. No café da manhã está lá a mensagem dele. Não é bom?

OP – O senhor se sente bem tendo sido pai já na terceira idade?

Adauto – É um atestado vivo que tenho para mostrar que ainda estou firme (risos).

OP – O senhor bebe ou fuma?

Adauto – Não bebo nem fumo. A gente vai levando, o tempo passando, não sinto nada. Quase morri. Fiz uma cirurgia, aí tive medo.

OP – Cirurgia de quê?

Adauto – Fui às bodas de ouro do Ivens Dias Branco (empresário). Ele lá serviu um vinho muito bom. Eu talvez tenha exagerado. Fui dormir, duas da manhã acordei com isso (descreve uma palpitação cardíaca mais acelerada). “Silvana (esposa), abra a janela, não tô me sentindo bem. Ligue para o doutor Cabeto” (cardiologista Carlos Roberto Martins Rodrigues). Ele disse que eu tinha o átrio muito acelerado, “vai ficar na UTI. Está 98% entupido no braço direito e 75% no esquerdo. O senhor não pode mais sair do hospital”.

OP – Quando foi isso?

Adauto – Há dois anos. No dia 16 de outubro. “Vai ter que operar”. Eu disse: “Cabeto, vamos pra São Paulo?”. Ele falou que eu não podia sair daqui porque na viagem de avião, eu não suportaria. Nesse período de espera você apavora um pouco. Aí eu disse “Cabeto, eu queria ir lá em casa, escrever. Queria fazer um testamento”. “Não tem problema, chama o cartório”.

OP – Teve medo de morrer?

Adauto – Ora, mas… Foi o (pessoal do) Cartório Machado. Chegou lá, eu disse o que queria. Botei uma (ponte) mamária e uma safena.

OP – O que a gente não perguntou que o senhor acha que deveria ter sido perguntado?

Adauto – Esta é uma pergunta muito boa (risos). O que eu me esqueci? (mais risos) Olha, a vida é muito curta. Você pensa que 84 anos… eles se passaram sem eu sentir que passaram. E o que me resta é muito pouco, então… olhe para o vizinho, veja o que pode estar faltando, dê uma ajuda. Se ele caiu, dê a mão. Humildade. Ninguém pode ser arrogante, prepotente. Porque as coisas acontecem. Quando você menos espera pode estar em cima de uma cama, desenganado, a qualquer hora pode desaparecer e o que você leva? Será que leva? A vida termina aqui? E a outra? Fernando Pessoa já dizia: A vida é uma grande reta, mas lá na frente é uma curva. O corpo fica na curva e o espírito continua. Para onde é que vai?

OP – O senhor tem medo de viajar nessa curva?

Adauto – Não tenho porque sei que tenho que ir mesmo. O que peço a Deus é para não ser aquele doente prostrado, que viva na mão dos outros, dando trabalho. Se for, acabou. Às vezes eu penso em ser cremado, não sei pra quê enterro.

PERFIL

José Adauto Bezerra nasceu em 3 de junho de 1926, em Juazeiro do Norte, 20 minutos depois do irmão gêmeo Humberto. Ambos seguiram carreira militar e, de volta ao Ceará, entraram na política. Adauto foi deputado estadual (1958-1975). Foi indicado governador pelo presidente Geisel (1975-1978). Formou a tríade dos coronéis-governadores, com Virgílio Távora e César Cals. Foi deputado federal (1979-1982) e vice na chapa com o governador Gonzaga Mota. Em 1986, perdeu a disputa ao governo para Tasso Jereissati. Na era Collor, presidiu a Sudene (1990-1991).  política, os políticos principalmente, ainda tratam Adauto Bezerra como indispensável às suas necessidades. Alguns bajulam mesmo, de acordo com a demanda. Batem na porta, apertam sua mão ou o assediam para pedir apoio ou dinheiro mesmo. Não foi nesta última eleição que isso deixou de acontecer. Na anterior para a sucessão estadual, isso também se deu. Leia a entrevista que você saberá dos personagens. Aos 84 anos, com vários mandatos de deputado estadual, federal e 35 anos após ter assumido como governador do Ceará, o coronel continua poderoso.

(O POVO)

ACC leva homem do fotossensor para falar sobre seu caso de sucesso

A Associação Comercial do Ceará promoverá nesta segunda-feira, a partir das 7h45min, em sua sede, palestra do ex-presidente do Centro Industrial do Ceará, Baltazar Neto. Ali, ele estará  como empresário bem sucedido.

Baltazer Neto falará sobre a atuação de sua empresa que explora o serviço de fotossensor em Fortaleza.

A palestra integra o programa “Casos de Sucesso”, que a Associação Comercial do Ceará (ACC) vem tocando neste ano. O objetivo é também a troca de experiências empresariais.

Cid e Luizianne unidos por Dilma

“Lado a lado, o governador Cid Gomes (PSB) e a prefeita Luizianne Lins (PT) pediram votos para a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) em carreata, ontem, depois de quase quatro meses sem dividirem espaços públicos pela cidade. Até então, eles vinham fazendo campanhas isoladas e cada um sempre seguia um rumo diferente do outro.

A realização do evento foi decidida em reunião no último sábado entre as duas lideranças. Esse foi o primeiro encontro entre eles para tratar da agenda de campanha de Dilma em Fortaleza.

Com concentração em frente às obras do Hospital da Mulher – construção da Prefeitura que já gerou discursos polêmicos da oposição contra a prefeita por conta do atraso – a carreata percorreu cerca de 30 km, terminando na Praça 31 de Março, na Praia do Futuro.

Além de Cid e Luizianne, os senadores eleitos Eunício Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT) também participaram do evento, junto com vereadores e deputados estaduais e federais aliados ao governador e à prefeita.

Cid afirmou que nesta semana a campanha pró-Dilma também vai se concentrar no Interior do Estado, com manifestações promovidas pelas lideranças locais dos municípios. “Nós já realizamos uma grande carreata no Cariri e organizamos uma série de encontros regionais de apoio à Dilma, que se encerrou neste sábado em Sobral. Agora teremos atividades na Capital”, disse o governador.

Tanto Luizianne quanto Cid confirmaram caminhada da candidata do PT, amanhã, que terá concentração na Praça do Ferreira. Os dois também prometeram comparecer ao evento de campanha.

O governador justificou a ausência do irmão Ciro Gomes (PSB) na carreata. Segundo Cid, o irmão está fazendo campanha para Dilma pelo resto do Brasil, já que é um dos coordenadores nacionais da campanha da petista. Ciro e Luizianne são desafetos políticos – eles já protagonizaram diversas trocas de críticas em público.

Resultado nas urna

Apesar da agenda repleta de atividades de mobilização em prol da candidata do PT e das pesquisas eleitorais apontarem vantagem de até 12 pontos de Dilma sobre o tucano José Serra (PSDB), a prefeita prefere não falar de vitória antes do resultado nas urnas. Para ela, o clima de “já ganhou” não pode atrapalhar a militância petista na última semana de campanha.

Sem salto 

“Eu não gosto de salto alto na política. Temos que esperar o resultado no próximo domingo para comemorarmos a vitória de Dilma”, ponderou Luizianne.”

(O POVO)