Blog do Eliomar

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Para não esquecer…

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Da Coluna Bric à Brac, no O POVO deste domingo (3), pela jornalista Inês Aparecida:

Quando vejo um grupo de pessoas nas esquinas da cidade portando faixas pedindo a volta dos militares ao poder, fico pensando que, ou eles não haviam nascido na época da Ditadura – se eram, não aprenderam nada na escola (ensino da nossa História foi muito falho) – ou gostam mesmo de regimes autoritários. Falam de um período de bonança, de honestidade, de maravilhas. Não sabem ou não querem saber o que houve, de verdade, naqueles 21 anos.

Jornalista Marcelo Freire, do portal UOL, em abril de 2015 fez um levantamento de dez casos rumorosos acontecidos durante a Ditadura Militar brasileira e que não chegavam ao grande público por causa da censura. Pincei alguns, pra refrescar nossa memória, como o caso de contrabando na Polícia do Exército.

A partir de 1970, dentro da 1ª Companhia do 2º Batalhão da Polícia do Exército, no Rio de Janeiro, sargentos, capitães e cabos começaram a se relacionar com o contrabando carioca. O capitão Aílton Guimarães Jorge, que já havia recebido a honra da Medalha do Pacificador pelo combate à guerrilha, era um dos integrantes da quadrilha que comercializava ilegalmente caixas de uísques, perfumes e roupas de luxo.

Um dos nomes mais conhecidos da repressão, atuando na captura, na tortura e no assassinato de presos políticos, o delegado paulista Sérgio Fernandes Paranhos Fleury foi acusado pelo Ministério Público de associação ao tráfico de drogas e extermínio, relembra o jornalista Marcelo Freire. Pertencia ao Esquadrão da Morte, um grupo paramilitar que cometia execuções. Fleury também era ligado a criminosos comuns, segundo o Ministério Público, fornecendo serviço de proteção ao traficante José Iglesias, o “Juca”, na guerra de quadrilhas paulistanas.

Em 1976, as Redações de jornal já tinham maior liberdade, apesar de ainda estarem sob censura. O jornalista Ricardo Kotscho publicou no “Estado de São Paulo” reportagens expondo as mordomias de que ministros e servidores, financiadas pelo dinheiro público, dispunham em Brasília. Uma piscina térmica banhava a casa do ministro de Minas e Energia, enquanto o ministro do Trabalho contava com 28 empregados. Na casa do governador de Brasilia 6,8 mil pãezinhos teriam sido adquiridos num mesmo dia. Filmes proibidos pela censura, como o erótico “Emmanuelle”, eram permitidos na casa dos servidores que os requisitavam. Na época, os ministros não viajavam em voos de carreira, e sim em jatos da Força Aérea.

E só mais uma: Delfim Netto. Delfim – ministro da Fazenda durante os governos Costa e Silva (1967-1969) e Médici, embaixador brasileiro na França no governo Geisel e ministro da Agricultura (depois Planejamento) no governo Figueiredo – teria beneficiado a empreiteira Camargo Corrêa a ganhar a concorrência da construção da hidrelétrica de Água Vermelha (MG). Anos depois, como embaixador, foi acusado pelo francês Jacques de la Broissia de ter prejudicado seu banco, o Crédit Commercial de France, que teria se recusado a fornecer US$ 60 milhões para a construção da usina hidrelétrica de Tucuruí, obra também executada pela Camargo Corrêa. Para um domingo, já chega de recordações.

BNB tem recursos para a Fraport, nova gestora do aeroporto de Fortaleza

Da Coluna Vertical, do O POVO desta terça-feira:

O Banco do Nordeste terá R$ 12 bilhões para investimentos em obras de infraestrutura em 2018. A informação é do diretor de Planejamento da instituição, Perpétuo Cajazeiras, adiantando que essa verba será aplicada em vários segmentos como energia e aeroportos. Esse valor, de acordo com o diretor, é o mesmo em aplicação neste ano. Ou seja, não houve cortes dentro de um cenário de ajuste fiscal do País.

Indagado se esse dinheiro estará à disposição, por exemplo, da Fraport, a nova gestora do Aeroporto Internacional Pinto Martins, garantiu que sim e que liberações só dependerão dos projetos.

Sobre o FNE, que é o Fundo Constitucional do Nordeste, Cajazeiras adiantou: o BNB colocará, ano que vem, à disposição do Ceará, R$ 2,6 bilhões, deixando claro que “isso não é teto, mas piso”. Pelo visto, 2018 promete. Desde que o empresariado apresente projetos realizáveis, é claro.

(Foto – Alcides Freire)

Caetano Veloso processa o ator Alexandre Frota

O cantor Caetano Veloso e a empresária Paula Lavigne decidiram entrar com processo contra o ator Alexandre Frota e o Movimento Brasil Livre (MBL). Segundo o jornal Folha de S.Paulo, eles deram entrada nas ações judiciais após o MBL sugerir, nas redes sociais, que o cantor teria cometido pedofilia.
Caetano e Paula começaram a se relacionar quando ela tinha 13 anos e ele, 40. Em publicação no Facebook, o MBL escreveu que o casal não tinha procuração falar em nome do povo brasileiro sobre censura e liberdade de expressão, “ou então valores morais e crianças”.
Os processos pedem indenização de R$ 100 mil para Caetano e R$ 100 mil para Lavigne, conforme a advogada Simone Kamenetz informou para a Folha. As ações foram apresentadas no último dia 10.
Em nota, a empresária afirma que o processo é de indenização, “e diz respeito aos ataques e às ofensas que essa turma está fazendo por discordar da opinião em relação ao que entendemos como tentativa de impor censura à liberdade de expressão”. Lavigne diz que está disponível para debate, e afirma que, assim como Caetano, não vai aceitar ofensas e incitação ao ódio, “como tem sido feito pelo MBL, Alexandre Frota, Kim Kataguiri e outros”.
Alexandre Frota publicou vídeo, no Twitter, afirmando que recebeu a ação judicial na tarde deste sábado, 21. Ele diz que está sendo processado por não concordar com a exposição com um artista nu no Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo. “Eu estive presente dentro da exposição, e durante 52 minutos lá fiquei. Inclusive, a exposição foi fechada ainda que por algumas horas porque eu estava lá dentro em sinal de repúdio”, disse.

Temer vetará emenda que censura internet nas eleições

O presidente Michel Temer decidiu vetar a emenda do deputado Áureo (SD/RJ) que permitia a censura na internet durante o período eleitoral. A emenda foi aprovada na madrugada de ontem pelo Congresso na reforma política.

A informação é do colunista Lauro Jardim, do O Globo.

O anúncio oficial será feito hoje à tarde. Mais cedo, Áureo, vendo a péssima repercussão do seu intento autoritário, já dissera que pediria a Temer que vetasse sua emenda.

Reforma Política- Emenda permite censura na internet durante eleições

Uma emenda inserida na votação da reforma política, ontem de madrugada, acendeu a luz vermelha de empresas de tecnologia para a possibilidade de censura na internet durante o período eleitoral. O projeto foi aprovada agora à tarde no Senado e irá, amanhã, para sanção presidencial. A informação é do colunista Lauro Jardim, do O Globo.

A emenda, de autoria do deputado Aureo (SD/RJ), permite a qualquer usuário obter a remoção de conteúdo “de discurso de ódio, disseminação de informações falsas ou ofensa em desfavor de partido ou candidato” sem a necessidade de ordem judicial.

Plataformas como Google, Facebook ou Twitter serão obrigadas a derrubar o conteúdo com base numa simples notificação, em até 24h. As empresas ainda serão obrigadas a fazer a “identificação pessoal do usuário que a publicou”.

No texto, fica claro que apenas a denúncia será o suficiente para a remoção do conteúdo, sem autorização judicial.

Estabelece a emenda:

“A denúncia de discurso de ódio, disseminação de informações falsas, ou ofensa em desfavor de partido, coligação, candidato ou de habilitado conforme o art. 5 c, feita pelo usuário de aplicativo ou rede social na intenet, por meio do canal disponibilizado para esse fim no próprio provedor, implicará suspensão, em no máximo 24 horas, da publicação denunciada até que o provedor certifique-se da identificação pessoaldo usuário que a publicou, sem fornecimento de qualquer dado do denunciado ao denunciante, salvo por ordem judicial”.

A emenda foi aprovada apesar de o Marco Civil da Internet estabelecer um sistema de remoção de conteúdo mediante análise judicial.

— A emenda obriga as plataformas a criar um mecanismo de remoção de conteúdo. E remover a partir da notificação. É o contrário do que diz o Marco Civil, que prevê a remoção de conteúdo apenas com ordem judicial — diz Luiz Fernando Moncau, do Center for Internet and Society da Universidade de Stanford e ex-coordenador do CTS da FGV do Rio.

 

O POVO recorre nesta quarta-feira contra decisão que favorece juiz

O advogado do Grupo de Comunicação O POVO, Will Robson Sobreira disse que irá entrar hoje com recurso para tentar reverter decisão que barra conteúdo do O POVO, do juiz José Coutinho Tomaz Filho, da 10ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza. Em caráter liminar, o magistrado determinou que as matérias sobre investigação de suposta venda de liminares nos plantões do Judiciário cearense e o nome de um dos investigados fossem tirados do ar. Isso inclui matérias de meses atrás.

O jornal também está proibido de citar o nome do juiz. Caso a ordem fosse descumprida, a multa diária seria de R$ 500. “O jornal sequer teve direito de se manifestar. O juiz recebeu, analisou e já deu a liminar. Não é definitivo. Por isso que ele pode rever. Essa será nossa primeira manifestação no processo”, explica o advogado.

Will Robson afirma que entrará com agravo de instrumento no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJ-CE), mas espera que a decisão seja revista ainda na primeira instância. De acordo com ele, o argumento da defesa é de que a decisão fere a Constituição e determinações do Supremo Tribunal Federal que garante a liberdade de imprensa. “Principalmente quando o interesse social é maior que o individual”, justifica.

O advogado informou que, se o processo demorar muito no TJCE, um recurso deverá ser encaminhado diretamente ao STF, já que ele argumenta que houve descumprimento de decisão prévia do órgão, que serve de base de conduta para os magistrados de todo o País.

Durante todo o dia de ontem, o jornal recebeu apoio de leitores, internautas, jornalistas e entidades de comunicação e em defesa da liberdade de imprensa.

Em entrevista à Rádio POVO/CBN, a jornalista Adísia Sá, ex-presidente da Associação Cearense de Imprensa (ACI), criticou a decisão do juiz. Ela comparou a censura ao tempo aos anos de governo militar. “Isso é censura, uma ignominia”, disse. Em nota, a medida também foi repudiada pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ).

“As associações denunciam que cada uma das medidas judiciais e seu conjunto constituem evidente violação à Constituição Federal. As entidades signatárias esperam que a decisão judicial seja revista imediatamente em instância superior do Judiciário cearense”, afirmaram.

(O POVO – Repórter Isabel Filgueiras)

Adísia Sá repudia censura ao Jornal O POVO

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A jornalista Adísia Sá, ombudsman emérita do O POVO, repudiou, nesta quarta-feira, a decisão  do juiz José Coutinho Tomaz, da 10ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza, que proibiu o jornal O POVO de citar o nome do magistrado investigado no escândalo da suposta venda de liminares em plantões do Tribunal de Justiça do Estado. O esquema foi desarticulado pela Operação Expresso 150, da Polícia Federal.

“Isso é censura, uma ignominia”, desabafou Adísia Sá, também ex-presidente da Associação Cearense de Imprensa (ACI), em seu comentário diário no programa O POVO no Rádio, apresentado pelo jornalista Luiz Viana na Rádio O POVO/CBN. Ela considerou a medida um absurdo, pois lembra tempos da ditadura.

“Quem é isso, doutor juiz? Tá rasgando seu diploma? – insistiu Adísia, lamentando a que ponto se chegou. “Isso é uma vergonha”, reiterando que o jornal está sob o peso da censura. “Mande me prender, doutor juiz, eu quero colocar mais isso no meu currículo”, acentuou a jornalista.

O juiz determinou ainda a retirada de todas as matérias publicadas envolvendo o nome do magistrado e da operação. Determinou também multa no valor de R$ 500,00 em caso de descumprimento da determinação.

  • Leia mais sobre o assunto aqui.

Lula e a guilhotina

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Com o título “Lula e a guilhotina”,eis artigo do advogado e professor Marcelo Uchoa, em defesa do ex=-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que deve depor, nesta quarta-feira, em São Paulo, como investigado no caso de triplex em Guarujá bancado por empreiteira. Confira:

Por fim chega a semana em que a massa ignara, anestesiada pelo coro alienante da grande mídia, poderá assistir ao constrangedor episódio de prestação de depoimento do ex Presidente Lula à Justiça paulista. Um expediente que se dará em audiência de caráter nitidamente intimidatório, produto de um processo judicial vexatório patrocinado por um membro do Ministério Público, dublê de bom samaritano, há muito conhecido da própria Justiça, pelos arroubos de insensatez e o excessivo cometimento de arbitrariedades.

A semana em que o Brasil poderá ver um ataque indigesto ao maior brasileiro de todos os tempos, que apesar das inúmeras adversidades que a vida lhe impôs saiu-se vencedor pela integridade de sua luta e coerência de caráter. O Lula da Silva, que de retirante nordestino a operário do ABC paulista, tornou-se o maior e mais importante sindicalista do mundo. Que de destacado sindicalista à importante liderança política, gestou um dos mais sólidos e idealistas partidos políticos de esquerda do planeta. Que de dirigente partidário à presidente da República, resgatou 30 milhões de conterrâneos da linha de miséria absoluta, consagrando-se como referência única de estadista, admirado em mais de uma centena de países, paparicado como “o cara” pelos mais influentes Chefes de Estado da atualidade, com mérito “honoris causa” reconhecido por dezenas das mais tradicionais academias universitárias mundiais.

O mesmo Lula que, há pouco mais de seis anos, deixava o Palácio do Planalto consagrado nos braços do povo, por haver agregado ao Brasil um ritmo de desenvolvimento econômico inusitado, distribuindo, sobretudo às populações mais vulneráveis do país, um pouco de dignidade humana. O presidente do Bolsa Família, do Pré-Sal e das novas refinarias, do resgate da indústria naval, das novas universidades e institutos federais tecnológicos, do Prouni, do Fies, dos concursos públicos, do Minha Casa Minha Vida, do Luz para Todos, do Farmácia Popular, das UPAS, da transposição do Rio São Francisco, da Transnordestina, da Ferrovia Norte Sul, do primeiro brasileiro no espaço, do Brasil credor do FMI, líder do G21, do BRICS, do país da Copa do Mundo, das Olimpíadas. O presidente que resgatou a esperança de dias melhores, que levantou a autoestima da nação, dando aos brasileiros a satisfação de sentir-se mais importante no mundo, pela primeira vez, por razões não esportivas.

A tentativa de incriminação de Lula, forçada a todo custo pelos “triplex de 80 m2”, pelos “barquinhos de alumínio”, pelas “chácaras de fim de semana”, etc, é contra Lula e contra tudo isso que ele agregou ao país. Contra ele, pelo preconceito, o engasgue de ter que admitir que não foi um branco rico letrado, mas, sim, um Silva operário pobre, retirante nordestino, que revigorou o país. E contra tudo o que agregou, única e exclusivamente porque o Brasil estava encontrando o seu caminho de prosperidade, estava prestes a consolidar, no presente, o futuro historicamente prometido, mas jamais materializado.

Se erros podem ser atribuídos ao ex Presidente Lula, um deles, sem dúvida alguma, foi acreditar que seria possível governar contemporizando interesses da classe trabalhadora e da elite aristocrática. Infelizmente, a história recente do país provou que a luta de classes não permite meio termo. Jamais seria suficiente para os yuppies do mercado financeiro (em outros períodos da história, senhores de engenho, mineiros do ouro, barões do café) lucrar solidamente com a especulação bancária, seria preciso deixar o povo no seu devido lugar de pobreza, na periferia do Estado. Cidadania, jamais!

Outro equívoco foi subdimensionar o risco que princípios como “liberdade de imprensa” e “liberdade de expressão” poderiam causar ao processo democrático. Liberdade alguma pode se confundir com autoritarismo, porque direito algum a liberdade pode ser interpretado de maneira absoluta. Quando os veículos de comunicação de um país se concentram em monopólios privados, com interesses comerciais e financeiros como os de qualquer instituição bancária, não há como garantir-se que a informação seja distribuída de maneira isenta. Apenas um controle social e a quebra do monopólio poderiam evitar as distorções que permitiram e continuam permitindo, p. ex, que uma Globo, uma Veja, uma Folha digam o que bem querem, sem qualquer responsabilidade com a verdade.

Um terceiro erro foi negligenciar o robustecimento do Judiciário e do Ministério Público, tolerando, pari passo, o enfraquecimento do Executivo e do Legislativo, face os argumentos de corrupção administrativa e de falência moral parlamentar. Entregar para a atividade judiciária e ministerial o controle da atividade política significa delegar a pessoas sem legitimidade (via voto), não raramente, sem qualquer afinidade com o jogo democrático, a responsabilidade pela condução das incógnitas sociais que apenas o debate amplo e aberto pode resolver. A alegação do critério da meritocracia para justificar a intervenção desmedida de juízes e membros do ministério público nos processos políticos chega a ser perniciosa, pois há prejuízos imensuráveis para democracia quando se deixa de interpretar o mundo pelo idealismo, para interpreta-lo segundo a letra fria dos vade mecum.

É importante que se saiba, neste momento, que são pessoas que, muito provavelmente, nunca fizeram movimento autêntico de classe, jamais leram poemas de Bertold Brecht em praça pública, não participaram de manifestações sob mira policial, sequer discursaram alguma vez inflamadamente diante de públicos hostis; são burocratas concursados, alienados politicamente e abduzidos pela midiatização dos grandes grupos de comunicação, que estão, sob pretexto de “salvar” o Brasil (salvar para quem?), brincando de fazer política, e escoltando à guilhotina o ex Presidente Lula. Que trabalhadores, pobres e explorados, em geral, deste país abram os olhos, pois não é possível que não haja uma confrontação radical e impetuosa contra essa tentativa descarada da elite reacionária nacional de enlamear a biografia mais extraordinária já construída por um brasileiro em toda história do Brasil, para, em ato contínuo, enterrar em cova rasa tudo o que de bom foi conquistado neste país, nos últimos quase 15 anos.

* Marcelo Uchoa,

Advogado, Professor Doutor em Direito/UNIFOR.

Ex-deputada federal Moema São Thiago quer indenização como ex-presa política

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Na pauta de julgamentos da Comissão de Anistia Vanda Sidou, nesta sexta-feira, vai entrar um processo de pedido de indenização encaminhado pela ex-deputada federal Moema São Tiago.

Moema, bom lembrar, lutou contra o regime militar, foi deputada federal pelo PDT e hoje mora em Brasília, onde trabalha na assessoria do PSDB nacional.

A reunião ocorrerá na sede da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado, a partir das 14 horas, sob comando do advogado Mário Albuquerque.

Projeto resgata memória oral da ditadura no Ceará

Com o tema “Ditadura e Família”, prossegue nesta quinta-feira, a partir das 9 horas, no Auditório Murilo Aguiar, da Assembleia Legislativa, o Projeto Oral por Verdade e Justiça, da Associação 64/68 Anistia, que vem resgatando fatos históricos do regime militar, por meio de entrevistas  e relatos de ex-presos políticos e parlamentares cassados do Ceará.

Nessa edição, de acordo com Mário Albuquerque, presidente da Associação 64/68 Anistia, serão enfocadas especialmente duas famílias que, por seu entrelaçamento, foram mais duramente atingidas pela repressão ditatorial: Serra Azul e Fonseca.

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Professora Helena Serrazul é sobrevivente.

Três irmãs Serra Azul foram presas e torturadas juntamente com seus respectivos maridos, e tiveram filhos também atingidos pela mão do arbítrio.

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Professora Rosa da Fonseca é sobrevivente.

Duas irmãs e um irmão Fonseca também passaram pelo mesmo tormento, com seus cônjuges também presos e torturados e igualmente filhos alvo dessas repressões.

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O Projeto Oral por Verdade e Justiça – relatos de ex-presos políticos e parlamentares cassados perseguidos pela ditadura militar no Ceará é uma realização da Assembléia Legislativa do Ceara /INESP, com o apoio do Ministério da Justiça/Comissão de Anistia/Projeto Marcas da Memória e da Associação 64 / 68 – Anistia.

50 Anos do Golpe – Ex-presos políticos falam sobre luta contra a ditadura militar

Nesta quarta-feira, a partir das 19 horas, será lançado o documentário “A Mesa Vermelha”. O lançamento ocorrerá no Espaço O POVO de Cultura e Arte e faz parte de uma programação que lembra os 50 anos do golpe de 64.

Ainda nesse ato, a presença de Mário Albuquerque e Inocêncio Uchoa, ex-presos políticos que lutaram contra a ditadura militar. Eles darão um testemunho sobre esse período. Na mediação dessa conversa os jornalistas Isabel Andrade e José Aflaudísio Dantas.

Comissão da Verdade das Universidades ouvirá ex-funcionário da White Martins

Lourival Almeida de Aguiar (Zito) é o próximo ex-preso político a ser ouvido pela Comissão da Verdade das Universidades do Estado do Ceará, que coleta depoimentos sobre arbitrariedades ocorridas durante a Ditadura Militar no Brasil. O encontro da Comissão acontecerá nesta quarta-feira, às 15 horas, na sala de reuniões da Vice-Reitoria da UFC.

Segundo a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado e da Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou, Lourival Almeira nasceu em 26 de maio de 1946 e pertenceu à diretoria do Centro dos Estudantes Secundaristas do Ceará (CESC), na segunda metade dos anos 60. Era aluno do Curso de Administração da UFC quando foi preso, em 1970, em operação conjunta envolvendo as polícias Federal, Militar e Civil.

Acusado de pertencer à Fração Bolchevique-Trotskysta, foi torturado e ficou preso por 10 meses no 5º Batalhão e no Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS). Demitido de seu emprego na White Martins, continuou sendo perseguido por todo o período de vigência da ditadura.

(Com UFC)

O caso do jovem amarrado nu a um poste e a polêmica dos pros e contras

Com o título “Bater ou debater? Eis a questão…”, taí o artigo semanal que o jornalista e sociólogo Demétrio Andrade manda para o Blog. Ele aborda o cenário do contraditório na sociedade com seus temas e debates e cita a polêmica em torno de uma comunicadora e o caso de jovem nu e acorrentado a um poste. Desnundando estigmas, preconceitos? Confira:

Durante muitos anos, quando participava – mal e porcamente, diga-se de passagem – do movimento estudantil na Universidade Federal do Ceará, acreditava que era fundamental para qualquer debate a compreensão ideológica da conjuntura: quem falava, com qual interesse, por qual posição política. A cartilha marxista exigia dos militantes de esquerda uma saudável criticidade e, ao mesmo tempo, uma vigilância ativa sobre as opiniões contrárias.

Passados os anos e vendo Lula e Dilma no poder, observo que este hábito – ou vício – foi barbaramente ampliado. Saiu das rodas acadêmicas e bares, ganhando a grande imprensa e as redes sociais. Qualquer que seja a questão, há uma preocupação tácita em classificar – ou desclassificar – o argumento ou o debatedor: direita ou esquerda, conservador ou progressista, reacionário ou revolucionário. Tais adjetivos, apesar de ajudarem a situar alguns papéis sociais dentro de uma conjuntura complexa, acabam por apresentar limites claros ao aprofundamento de polêmicas ou mesmo à realização de algumas boas idéias.

Por um lado, continuo achando importante reconhecer e explicitar posições ideológicas. Acho bem mais honesto, do ponto de vista da política, quando pessoas, instituições e mesmo veículos de comunicação defendem claramente seus pontos de vista. Considero positivo retirar da imprensa o papel de vestal da imparcialidade e da objetividade. A população tem o direito de saber de onde veio e porque uma determinada matéria foi ampliada, reduzida, prolongada ou censurada.

Por outro, é tedioso acompanhar qualquer debate no qual os envolvidos agem como torcedores de times de futebol: quem está comigo é bom, quem está contra mim é ruim. Paciência. Fica evidente que a discussão não chegará a lugar algum. Mais do que isso: em pouco tempo, é comum observar o ódio destilado pelas palavras, iniciativas interessantes sendo abandonadas sem serem devidamente examinadas – porque pertencem à posição A ou B – e a democracia, o respeito ou outro e a liberdade de expressão sendo vilipendiados.

Não vou usar aqui como exemplo os embates entre oposição e governo. Prefiro citar algo que considero mais grave. Em comentário feito na noite de 4/2, no Jornal do SBT, a apresentadora Rachel Sheherazade defendeu a “justiça” feita pela própria população aplicada a um adolescente de 16 anos acusado de cometer furtos no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro. O garoto foi preso nu a um poste com o pescoço acorrentado por uma trava de bicicleta, além de ter parte da orelha cortada.

Rapidamente, apareceram milhares de pessoas nas redes sociais condenando ou exaltando tal posição. Pouco foram os argumentos razoáveis. O que vi foi o ódio escorrendo pelos dois lados. Num contexto dominado pela violência, é natural que a população se revolte. Dentro de um contexto específico, num momento de raiva ou agindo sob violenta emoção, é possível que alguns apelem para o linchamento como alternativa. Mas defender isso de forma fria, num veículo de abrangência nacional, que se beneficia de uma concessão pública, chamando o jovem de “marginalzinho” e aconselhando quem é contra a “adotar um bandido” é incitar o crime, rasgar a Constituição e negar princípios elementares de humanidade.

Jamais defenderia, igualmente, a cassação do direito de a apresentadora ressaltar seus pontos de vista. Desde que dentro de limites éticos razoáveis. E jamais usaria adjetivos que denegrissem sua honra. E faria isso não porque ela é uma comunicadora reconhecida. Faria simplesmente porque por trás da sua lógica de pedra preconceituosa, há um ser humano. Assim como havia um ser humano no jovem linchado, mesmo com tantas passagens pela polícia. O faria nem que fosse para me diferenciar dos animais.

O detalhe mais significativo disto tudo? A violência, suas causas, conseqüências e ações práticas para inibi-la passaram ao largo. Novamente.

* Demétrio Andrade
Jornalista e sociólogo

Vereador diz que mendigo deveria virar ração para peixes e defende censura e pena de morte

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O pronunciamento do vereador de Piraí (RJ), José Paulo Carvalho de Oliveira, o Russo (PTdoB), é um dos vídeos mais divulgados este mês nas redes sociais, depois que o parlamentar disse que mendigo deveria “virar ração para peixe”. A declaração ocorreu durante um comentário do vereador das mudanças na Constituição do Brasil. “Por que mendigo tem que votar? Acho que não tem que votar mesmo não”, comentou. “Agora o cara querer dar direito a mendigo? Para com isso…”, ressaltou.

O vereador lamentou que o Brasil não tenha pena de morte, “mesmo que isso custasse a vida de inocentes”, alegou o parlamentar, ao assegurar que atualmente morrem mais inocentes. Russo sugeriu que traficantes, como Fernandinho Beira Mar, deveriam estar mortos. “Um cara desse já deveria ter tomado um tiro na testa há muito tempo”, sugeriu.

O parlamentar também propôs o retorno da censura nas novelas e nos comerciais veiculados na tevê, diante da exploração de cenas de sexo. “Imagens nojentas… Aí você não sabe porque uma criança cresce e vira um marginal depois. (…) O neguinho da favela lá, não come, não tem o que comer… quer ser bandido”.

Somente após a repercussão negativa nas redes sociais é que o vereador se desculpou, nessa terça-feira (29), por ter sugerido que mendigo deveria virar ração para peixe.

VAMOS NÓS – Haverá punição para essa postura do vereador que, nessa terça-feira, sabendo da repercussão de suas baboseiras, avisou que quer pedir desculpas publicamente.