Blog do Eliomar

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Urologistas alertam para uso “recreativo” de remédio contra impotência

O uso prescrito de medicamentos contra a disfunção erétil reativa a vida sexual de homens impotentes e recupera a autoestima. O uso inadequado desses comprimidos, comprados na farmácia sem receita médica, pode fazer mal a saúde, alertam urologistas e outros especialistas.

É o que alerta o especialista Paulo Aguiar, do Conselho Federal de Psicologia, que aponta que esse tipo de comportamento é “um grande sintoma da sociedade”. “Isso [o uso do viagra] preenche vazios e inseguranças do sujeito”, analisou.

Aguiar ressalta que o uso indevido de remédios contra impotência expõe homens clinicamente saudáveis à dependência psicológica e reafirma padrões sociais nem sempre positivos, em que prepondera a virilidade masculina.

Uso recreativo

Alex Sandro Baiense, do Conselho Federal de Farmácia, afirma que “há um abuso do uso desse tipo de medicamento de pessoas que não tem quadro clínico que justifique o uso desse medicamento. Fica mais no campo do uso recreativo, da questão performática para causar impressão”. Ele lembra que a orientação aos farmacêuticos é de que “qualquer medicamento esteja com a indicação adequada”.

“Nenhuma medicação pode ser usada de forma aleatória, simplesmente alguém chegar à farmácia e comprar. Medicina não funciona assim. Medicina funciona quando há consulta médica, tem que ter uma orientação”, aconselha o urologista Carlos da Ros.

“A gente tem um universo pequeno de pessoas que têm contraindicação absoluta de usar esse tipo de medicação, mas há um universo grande de sintomas e sinais que podem ocorrer com o uso da medicação. Quando o paciente não é alertado disso, ele acaba se surpreendendo com o efeito colateral”, acrescenta o urologista Osei Akoamoa Jr.

Lucio Flavio Gonzaga Silva, cirurgião urologista, também condena o uso desnecessário e a falta de consulta ao médico. “Algumas situações contraindicam o uso desses medicamentos. Se você toma sem avaliação médica prévia, você pode estar em uma dessas situações de contraindicação e pode correr riscos graves. Nunca recomendamos o uso recreativo dessas substâncias”, completou.

O antropólogo Rogerio Lopes Azize, professor adjunto do Instituto de Medicina Social (Uerj), avalia que o consumo indevido de medicamentos para a disfunção erétil é sinal dos tempos. “Vivemos no ocidente contemporâneo em uma sociedade do desempenho, no qual nos vemos como um sujeito-empresa, cuja performance deve ser gerida e aprimorada. Isso atravessa e constrói a nossa subjetividade, influencia nossa relação com drogas em termos gerais, legais e ilegais”.

(Agência Brasil)

As ditaduras no dia a dia

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Em artigo sobre desmandos administrativos, o jornalista Nicolau Araújo aponta as ditaduras no dia a dia do cidadão. Confira:

A quatro semanas da posse do novo presidente do Brasil, o discurso da instalação de um regime ditatorial ainda se propaga pelos quatro cantos do país. O temor da perda de direitos constitucionais e de atentados contra a cidadania contradiz os milhões de votos de Jair Bolsonaro, apresentado à maioria de seu eleitorado como a voz da anticorrupção, do combate à impunidade no Código Penal e do resgate do patriotismo.

O que poucos percebem é que o Brasil nunca deixou de viver “ditaduras”, desde a sua redemocratização. A imposição de juros absurdos no cartão de crédito ou cheque especial levou ao endividamento mais da metade da população economicamente ativa. O argumento da livre opção do consumidor pelo uso do crédito com juros abusivos aponta a conivência do governo federal, por meio de uma política salarial defasada, de uma severa carga tributária, da má aplicação dos impostos em políticas públicas e da falta de incentivos fiscais.

As condutas ditatoriais no dia a dia do brasileiro são igualmente perversas no tratamento de patrões ou chefes, que se apresentam acima do bem e do mal. Outras vezes, no absurdo, em abordagens policiais. Não raras, na conduta de motoristas que estacionam em faixas duplas e ainda em vagas para idosos ou deficientes.

Em uma experiência inusitada, vivo atualmente em um condomínio, próximo ao terminal da Messejana, em que o síndico se orgulha de sua administração ditatorial, quando classifica seu “poder absoluto” como resultado de uma estratégia de comando bem sucedida. Recusa de prestação de contas (com comprovantes) são negadas aos condôminos e multas são espalhadas sem sindicâncias ou processos, além, claro, do direito reservado ao síndico de não revelar as testemunhas de acusação, das supostas infrações cometidas pelos condôminos, quase sempre contrários à sua gestão.

Em um de seus primeiros atos, o síndico demitiu o administrador do condomínio e se nomeou para o cargo, com direito ao salário, benefícios (gasolina paga pelos condôminos e alimentação) e carteira assinada pela empresa que terceiriza os serviços. Na prática, o síndico virou funcionário da empresa que deverá, ou deveria, concorrer a futura licitação.

Enquanto isso, o Conselho Fiscal apresenta uma alta rotatividade, diante dos desmandos. O temor, segundo um ex-conselheiro, não é somente a intimidação do síndico para a aprovação das contas sem a apresentação dos comprovantes bancários, mas, sim, a perda de sua própria conduta como cidadão, que já apontava reflexos na família, no trabalho, entre os amigos.

Que o próximo presidente da República não acumule cargos no Executivo e no Legislativo, como também não queira privar o cidadão de informações. Inclusive por meio da imprensa.

Nicolau Araújo

Jornalista

Arroz, feijão e carne são os alimentos mais desperdiçados no Brasil

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) encerrou neste sábado (10), em Brasília, a Semana Nacional de Conscientização sobre Perdas e Desperdícios de Alimentos 2018.

A programação do último dia contou com uma estrutura montada na Central de Abastecimento (Ceasa) da capital federal, e incluiu oferta gratuita de oficinas de combate ao desperdício, com dicas sobre como tirar o melhor aproveitamento de alimentos, evitando o descarte daquilo que ainda pode ser consumido. Ao longo dos últimos dias, exposições e outras oficinas, como a de hortas urbanas, também movimentaram o local.

Na casa das famílias brasileiras, arroz, carne vermelha, feijão e frango são os alimentos mais jogados fora, segundo a Secretária de Articulação Institucional e Cidadania do MMA, Rejane Pieratti. Ela explica que planejamento é fundamental para se evitar o desperdício.

“Começo planejando o que eu preciso comprar. A maioria das pessoas vai ao supermercado e compra coisa que não vai usar e vai perder dentro da geladeira”, afirmou, em entrevista à Rádio Nacional de Brasília. Os dados mais recentes da Organização das Nações Unidas (ONU)sobre o desperdício no país datam de 2013. Naquele ano, o Brasil desperdiçou mais de 26 milhões de toneladas de alimentos. Estima-se que, em todo o mundo, o volume anual de alimentos jogados fora seja de 1,3 bilhão de tonelada.

(Agência Brasil)

Mototaxistas revelam “livramentos”, após orações em grupo

Todas as manhãs, no bairro Messejana, nas proximidades da rodoviária e do terminal de ônibus, um grupo de mototaxistas faz orações há cerca de 10 meses. A prática passou a chamar a atenção de outros trabalhadores, que passaram a integrar o grupo. E o número só aumenta.

O pregador André Pereira, 37, que há nove anos está na “misericórdia de Deus e na graça do Evangelho”, disse que a oração é para “livramento”, diante dos riscos do trabalho sobre duas rodas. O próprio pregador também trabalha de moto, na função de entregador.

“Tenho 10 acidentes de moto e nenhum osso quebrado. Em um desses acidentes, fui arremessado a cerca de 80 quilômetros por hora”, afirmou. “Esses homens (mototaxistas) estão aqui, quando muitos deles carregam pessoas na garupa de suas motos, sem conhecer a índole dos passageiros. Mas o Senhor tem dado misericórdia”, ressaltou Pereira, ao garantir que pessoas de qualquer crença pode participar do “momento de comunhão”. “A gente para por Deus… é um momento com Deus”, completou.

O mototaxista José Paulino, há oito anos na atividade, lembrou que foi assaltado, ao desembarcar um passageiro no município de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, e que o assaltante informou que teria que matá-lo, pois não poderia deixar a vítima como testemunha.

Ao lembrar das orações, segundo o mototaxista, o assaltante teria dito: “Mas vou te livrar dessa”. E levou somente o dinheiro, o celular e a moto da vítima. Horas depois, de acordo ainda com o mototaxista, o veículo foi localizado.

“Já tive vários outros livramentos”, relatou Paulino.

(Foto: Leitor do Blog)

Pesquisa constata desinformação de médicos sobre homossexualidade

Um estudo recente de três pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) evidenciou o desconhecimento de médicos heterossexuais quanto à homossexualidade. Visando identificar percepções equivocadas que podem prejudicar o atendimento de pacientes, Renata Corrêa-Ribeiro, Fabio Iglesias e Einstein Francisco Camargos questionaram 224 profissionais atuantes no Distrito Federal, a partir de um roteiro de perguntas formuladas por estudiosos norte-americanos.

Ao final do experimento, constatou-se que os participantes acertaram, em média, apenas 11,8 dos itens (65,5% das 18 respostas dadas). Alguns deles atingiram somente dois acertos.

O número de erros foi maior entre católicos e evangélicos, que indicaram 11,43 alternativas corretas, em média. A pontuação dos médicos que informaram ter outras religiões ou nenhuma foi de 12,42 acertos.

Os participantes tinham, em média, 42 anos de idade, e eram majoritariamente mulheres (149 profissionais – 66,5%). À época da aplicação do questionário, a maioria (208 pessoas – 92,9%) exercia a atividade após concluir a residência médica.

Os autores do artigo, intitulado O que médicos sabem sobre a homossexualidade? e publicado no início do ano, destacam que a sociedade médica tem alertado, há algum tempo, para comportamentos de profissionais da categoria que podem prejudicar o atendimento do segmento LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexuais). Com medo de serem hostilizadas, as pessoas pertencentes a esses grupos podem acabar deixando, por exemplo, de fazer consultas periódicas, tão importantes na detecção de doenças em estágio inicial.

Riscos

O estudo constatou problemas como falta de treinamento de profissionais de saúde, que têm dificuldade de abordar questões relacionadas à sexualidade, presença de barreiras e práticas institucionalizadas consideradas preconceituosas. Segundo os autores, a desinformação dos profissionais de saúde aumenta o risco de adoecimento mental, suicídio, câncer e de contração de doenças sexualmente transmissíveis.

Em alguns casos, apontou a pesquisa, a rejeição dos profissionais de saúde leva à evitação ou ao atraso no atendimento, ao ocultamento da orientação sexual, ao aumento da automedicação ou à busca de informações fora da rede médica, por meio de farmácias, de revistas, de amigos e da internet. Alguns pacientes só procuram o médico em situações de emergência ou em casos extremos, por receio de enfrentarem discursos homofóbicos, humilhações, ridicularizações e quebra de confidencialidade.

Erros

A questão que apresentou o maior percentual de erro, ressaltaram os pesquisadores, foi a 14, que pedia para classificar a informação de que quase todas as culturas têm mostrado ampla intolerância contra os homossexuais, considerando como “doentes” ou “pecadores”. Nesse caso, 154 médicos (68,8%) erraram a pergunta e julgaram o item verdadeiro, 37 médicos (16,5%) indicaram-no como falso, acertando a questão, e 33 (14,7%) não souberam responder.

Um total de 34,4% dos entrevistados não soube responder se a homossexualidade era doença (item 6), 4,9% responderam que sim. O item 10, que afirmava que uma pessoa se torna homossexual por conta própria, foi considerado verdadeiro por 32,1% dos médicos, e 13,8% não souberam responder. “Essa resposta revelou que quase metade dos médicos desconhecia os vários aspectos biopsicossociais relacionados à homossexualidade e a atribuía simplesmente a uma escolha feita pelo indivíduo”, escreveu o grupo de cientistas.

Violência contra LGBTI no Brasil

Em 2017, 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) foram mortos em crimes motivados por LGBTIfobia. O número, apurado pelo Grupo Gay da Bahia, é o maior desde o início da série do monitoramento, que começou a ser elaborado pela entidade há 38 anos. O índice representa um aumento de 30% em relação a 2016.

Pelo mundo, a comunidade LGBTI tem conseguido galgar avanços na proteção a seus membros contra perseguições e ataques. Em setembro, a Índia descriminalizou a homossexualidade. A despenalização, que tinha como fundamento uma lei britânica de 150 anos, foi garantida por decisão da Suprema Corte do país.

(Agência Brasil)

Na contramão da História

Em artigo no O POVO deste sábado (13), a jornalista Regina Ribeiro aponta que os “discursos em torno do que temos chamado de direita brasileira mais parece uma epidemia de cegueira histórica e social que quer impor pela violência que seja, ou por quaisquer outros métodos um modelo de família, de povo, de País”. Confira:

Dia desses, li um artigo da atriz e escritora Fernanda Torres no qual ela narrava a luta pessoal que trava há anos com a filosofia. No texto, abordava a dificuldade de encarar algumas leituras que parecem prescindir de outras e como as larga, para depois retomá-las. Senti-me em plena identificação. Há anos que luto para ler Espinosa. Comecei com Ética e abandonei a leitura até o lançamento de A nervura do real, de Marilena Chauí, que eu dei início na esperança de retornar ao próprio filósofo. Não avancei muito. Isso até semana passada, quando li A tirania do amor, de Cristóvão Tezza.

Foi o novo livro de Tezza que me abriu uma nova vontade de retornar Espinosa, desta vez com determinação. O personagem central de A tirania do amor é um economista, Otávio Espinhosa que, no pior de sua vida, decide abandonar por completo a vida sexual. Criado apenas pelo pai, Espinhosa é um gênio da matemática. Consegue fazer de cabeça qualquer operação complexa do tipo a raiz quadrada de qualquer número absurdo. Quando jovem, escrevera um livro de autoajuda, A Matemática da Vida, assumindo um pseudônimo de Kelvin Oliva. Numa só tacada, o autor aborda o imbróglio político em vigor no Brasil e os dilemas das elites interesseiras que nos regem, tudo isso sem perder o bom humor e ainda com um toque filosófico.

Esse Espinhosa de ficção me fez querer voltar a Espinosa de verdade, o filósofo escorraçado da própria comunidade judaica, em 1656, aos 23 anos, por ousar ter pensamentos próprios sobre Deus e religião. Isso aconteceu bem antes dele escrever Ética e o Tratado Teológico-Político, esse último, sim, foi o que motivou um escarcéu em nível ainda maior, mesmo que tenha sido publicado anonimamente. Se a excomunhão tinha feito dele um homem que devia ser evitado e combatido por suas ideias nefastas para o povo, após o Tratado, que contém o que hoje chamamos de era secular, tornou-se a bem dizer um verdadeiro inimigo da reunião dos Países Baixos.

Desde o último fim de semana, estou às voltas, portanto, com Um livro forjado no inferno, do filósofo Steven Nadler, que se propõe a contar a história da obra que mudou a forma de concebermos e defende a não participação de eclesiásticos nos negócios do Estado e que apresenta uma nova leitura para a Bíblia e o Espinosa chamava de uma verdadeira religião. Era o século XVII, mas enquanto leio sobre o ambiente em que Espinosa viveu, não há como não pensar nos religiosos contemporâneos que insistem em defender um Evangelho que esteja de acordo com o barbarismo em torno da campanha de Bolsonaro.

Espinhosa estava frente a frente com os dilemas do seu século: o que fazer com o conservadorismo religioso diante do liberalismo econômico da época. No Brasil de hoje o que temos é uma tentativa de empurrar um falso liberalismo que não respeita as liberdades em nome de um conservadorismo perigoso. O que isso produziu até o momento foi uma violência, um ódio que alguns sequer tentam dissimular, e agressões que não mais se conformam com a retórica beligerante das mídias sociais e que estão extravasando em corpos reais. Espinosa lutou pela liberdade de filosofar. No Brasil, se instalou uma luta surda e cega para que não tenhamos mais tal liberdade, conquistada a duras penas há séculos de construção social e política.

Aliás, os discursos em torno do que temos chamado de direita brasileira mais parece uma epidemia de cegueira histórica e social que quer impor pela violência que seja, ou por quaisquer outros métodos um modelo de família, de povo, de País. Estamos visivelmente na contramão da História.

Regina Ribeiro

Jornalista do O POVO

Corrupção não é uma nota de pé de página da história, diz Barroso

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, disse que a corrupção não é uma nota de pé de página da história. “Ela [a corrupção] desvia recursos que não vão para serviços públicos, que não vão para serem redistribuídos. Ela cria uma relação pervertida entre cidadania e o Estado. Cria um ambiente generalizado de desconfiança em que todo mundo pensa que pode passar o outro para trás. Estão errados os progressistas que pensam assim”, comentou.

Segundo Barroso, há dois tipos de corruptos: os que não querem ser punidos e os que são os que não querem ficar honestos, apesar dos escândalos já divulgados no país. Este segundo tipo, na opinião do ministro, são os piores. “Acaba sendo uma batalha muito difícil, quando não muito solitária, quando se precisa enfrentar os progressistas, a elite e os corruptos. Mesmo assim, acho que esse trem já saiu da estação e doravante, cada vez menos, a sociedade vai aceitar este modo desonesto com que se faz política e negócios no Brasil”, disse.

O ministro também destacou os altos índices de violência no Brasil. “Nos tornamos o país mais violento do mundo, com 63 mil homicídios por ano. É mais do que morre na guerra da Síria. É um número quase invisível, porque são pessoas pobres, de baixa escolaridade, negras. O país não pode conviver com estes índices de violência, portanto, precisamos ter isso na agenda brasileira e diagnosticar a causa dessas mortes e o que precisamos fazer para superar estes números que nos envergonham tanto quanto a corrupção”.

Para o ministro, uma das causas da violência pode ser a falta de investimentos efetivos na educação básica, que, apesar de ter registrado avanços, não foram suficientes para as necessidades da população.

“A educação é tratada com descuido no Brasil. Na economia todo mundo quer saber quais são os nomes e quais são os projetos pelo mundo para sair da recessão. Na educação ninguém debateu, ninguém pensou quais são os melhores nomes”, disse. “Acho que em um país polarizado nós devemos buscar denominadores comuns e acho que um projeto suprapartidário patriótico de curto, médio e longo prazo para a educação básica é capaz de unificar o país”.

De acordo com Barroso, um projeto como esse seria capaz de unir setores da esquerda à direita com o objetivo de elevar o nível educacional brasileiro e preparar a nova geração para um país melhor.

(Agência Brasil)

Fiu-fiu – Nova lei de importunação sexual pune assédio na rua

Sob aclamação de profissionais do sistema jurídico e de grupos de defesa dos direitos das mulheres, foi sancionada pela Presidência de República a lei que criminaliza os atos de importunação sexual e divulgação de cenas de estupro, nudez, sexo e pornografia. A pena para as duas condutas criminosas é prisão de 1 a 5 anos.

A importunação sexual foi definida em termos legais como a prática de ato libidinoso contra alguém sem a sua anuência “com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”. A nova tipificação substituiu a contravenção penal de “importunação ofensiva ao pudor” e já foi aplicada esta semana na cidade de São Paulo em ocorrências no transporte público.

A promotora de Justiça, Valéria Scarence, que integra do Núcleo de Gênero do Ministério Público de São Paulo, destaca que a nova lei representa o terceiro marco jurídico importante na área de defesa das mulheres, depois da edição das leis da Maria da Penha e do Feminicídio.

“Essa lei surge em razão de duas graves lacunas da nossa legislação que não previa especificamente nem a conduta de importunação sexual, conhecida vulgarmente como assédio na rua, e a conduta de divulgação de cena íntima ou cena de estupro. São fatos de muita gravidade, mas que não encontravam correspondente na lei. Os efeitos já se sentem imediatamente. Já foram feitas várias prisões, toda a população está comentando, então essa lei vem ao encontro do anseio da população”, avalia a promotora.

Valéria exemplifica alguns casos de importunação sexual: beijo roubado ou forçado, passar a mão, “encoxar” no ônibus ou metrô e fazer cantadas invasivas. Ela acrescenta que este crime também pode ser identificado nos casos, já ocorridos, em que homens ejacularam sobre mulheres no sistema de transporte público. Mas, dependendo da situação, a conduta pode ser tipificada como estupro, se ocorrer uso da força, por exemplo.

(Agência Brasil)

Atitude sem preço – Jovem aprendiz ensina honestidade dos grandes

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Durante cinco dias, João Mateus guardou uma cédula de 10 reais, até devolvê-la a um passageiro usuário do Terminal de Messejana. Operador de uma das bilheterias de acesso ao terminal, o jovem aprendiz passou o troco de 50 reais, mas, na pressa do passageiro e no grande movimento do horário de pico, o homem não colheu todo o troco, deixando 10 reais entre os papéis sobre o balcão.

Na impossibilidade de encontrar o passageiro entre centenas de pessoas nas três plataformas, o jovem aprendiz comunicou o ocorrido e ficou com a cédula para entregar o passageiro, assim que o visse, pois sabia de suas características.

Quase uma semana depois, João Mateus devolveu o dinheiro ao passageiro, que havia sentido falta do troco completo, mas achou que havia perdido a quantia em outro espaço. Surpreso com a atitude do jovem, o passageiro relatou a atitude de João Mateus, mas não quis ser identificado na matéria.

“A honestidade não é algo que devemos nos vangloriar, é apenas a obrigação de alguém de caráter íntegro”, disse Mateus que busca efetivação no cargo, após 10 meses de na função.

(Foto: Leitor do Blog)

Álcool matou mais de 3 milhões de pessoas no mundo em 2016, aponta OMS

O consumo de álcool foi o responsável pela morte de mais de 3 milhões de pessoas no mundo em 2016, representando uma em cada 20 mortes. O alerta é da Organização Mundial da Saúde (OMS). O relatório global sobre o consumo global de álcool e suas consequências adversas para a saúde aponta que os homens representam mais de três quartos das mortes. No geral, o uso nocivo do álcool causa mais de 5% das doenças no mundo.

Segundo a OMS, 28% das mortes relacionadas ao álcool são resultado de lesões, como as causadas por acidentes de trânsito, autolesão e violência interpessoal; 21% se devem a distúrbios digestivos; 19% a doenças cardiovasculares e o restante por doenças infecciosas, câncer, transtornos mentais e outras condições de saúde.

Mundialmente, o álcool foi responsável por 7,2% das mortes prematuras (de pessoas com menos de 69 anos) em 2016. Além disso, 13,5% mortes entre pessoas entre 20 e 29 anos de idade são atribuídas ao álcool.

A estimativa da organização é que 237 milhões de homens e 46 milhões de mulheres sofram com transtornos relacionados ao consumo de álcool, com maior prevalência entre homens e mulheres na região Europeia (14,8% e 3,5%, respectivamente) e na região das Américas (11,5% e 5,1%, respectivamente). O relatório indica que os transtornos por uso de álcool são mais comuns em países de alta renda.

“O álcool frequentemente fortalece as desigualdades entre e dentro dos países, dificultando a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que exige que as desigualdades sejam reduzidas. Danos provocados por uma determinada quantidade de bebida é maior para os consumidores mais pobres e suas famílias do que para consumidores mais ricos. Este padrão de maior “dano por litro” é encontrado para muitos prejuízos causados pelo álcool”, aponta o relatório.

Consumo

A estimativa da OMS é que 2,3 bilhões de pessoas consumam álcool atualmente. O consumo representa mais da metade da população das Américas, Europa e Pacífico Ocidental.

O consumo médio diário de pessoas que bebem álcool é de 33 gramas de álcool por dia, o equivalente a dois copos (cada um de 150 ml) de vinho, uma garrafa grande de cerveja (750 ml) ou duas doses (cada uma de 40 ml) de bebidas destiladas. A Europa registra o maior consumo per capita do mundo, embora esse tenha diminuído em mais de 10% desde 2010.

O estudo aponta que, nas regiões da África, Américas, Mediterrâneo Oriental e Europa, a porcentagem de consumidores diminuiu desde 2000. No entanto, aumentou na região do Pacífico Ocidental de 51,5% em 2000 para 53,8% hoje e permaneceu estável no sudeste da Ásia.

Perfil

Em todo o mundo, 27% dos jovens com idade entre 15 e 19 anos consomem álcool atualmente. As taxas de consumo são mais altas entre os jovens de 15 a 19 anos na Europa (44%), seguidas das Américas (38%) e do Pacífico Ocidental (38%). Globalmente, 45% do total de álcool é consumido na forma de bebidas alcoólicas. A cerveja é a segunda bebida em termos de consumo puro de álcool (34%), seguida do vinho (12%).

Por outro lado, o estudo indica que mais da metade (57% ou 3,1 bilhões de pessoas) da população global com 15 anos ou mais se absteve de consumir álcool nos últimos 12 meses.

A perspectiva da OMS é que até 2025, o consumo total de álcool per capita em pessoas com 15 anos ou mais de idade aumente nas Américas, no Sudeste Asiático e no Pacífico Ocidental.

“É improvável que isso seja compensado por quedas substanciais no consumo nas outras regiões. Como resultado, o consumo total de álcool per capita no mundo pode chegar a 6,6 litros em 2020 e 7,0 litros em 2025, a menos que as tendências crescentes de consumo de álcool na Região das Américas e no Sudeste Asiático e no Pacífico Ocidental sejam interrompidas e revertidas”, afirma o relatório.

O consumo de álcool entre as mulheres diminuiu na maioria das regiões do mundo, exceto nas regiões do sudeste asiático e do Pacífico Ocidental, mas o número absoluto de mulheres que bebem atualmente aumentou no mundo.

Ao todo, 95% dos países têm impostos sobre o consumo de álcool, mas menos da metade deles usa outras estratégias, como a proibição de vendas abaixo do custo ou descontos por volume. A maioria deles tem algum tipo de restrição à publicidade de cerveja, com proibições totais mais comuns para televisão e rádio, mas menos comuns para a internet e mídias sociais.

(Agência Brasil)

Cearense denuncia professora por preconceito contra nordestinos no Twitter e ela é demitida

Após postar reportagem denunciando a atuação de facção criminosa na proibição de campanha de candidato à Presidência em área da Cidade, uma jornalista cearense teve o post replicado no Twitter com insultos preconceituosos contra nordestinos. Uma mulher, identificada na rede social como @RezendeLorac, afirmou: “Por isso tem que separar norte e sul. Se f*** esses nordestinos alienados. Fiquem com os presidentes comunistas perfeitos de vocês.” Após repercussão do caso, a mulher deve ter a demissão do cargo de professora da rede municipal oficializada em breve pela Prefeitura de Teresópolis, no Rio de Janeiro.

O comentário da mulher foi registrado pela jornalista cearense Camila Soares. “Pesquisei para ver se havia outros tweets no mesmo nível e achei alguns. Pensei que ela fosse mais uma dessas contas falsas e não era”, relata. Em resposta à ameaça da cearense, que afirmou ter feito a denúncia do caso, a mulher disse que “poderia ficar à vontade para denunciar porque ela tinha uma conta reserva”.

A jornalista denunciou a mulher usando o registro das publicações como prova ao Ministério Público Federal (MPF), à Polícia Federal (PF) e ao Safernet, ONG que defende os direitos humanos na internet.

Depois de postar no Twitter sobre a oficialização da denúncia, com novo perfil e usuário, a mulher tentou se desculpar. “Logo depois, no Twitter que tinha sido denunciado, ela reativou a conta pra me pedir perdão e também para retirar as denúncias, mas eu não retiro nenhuma (denúncia). Daí disse que estava arrependida, que era cristã, que não deveria ter feito aquilo, que não sabia que era ofensivo, que lamentava”, conta Camila.

Ao pesquisar nas redes sociais com os dados encontrados no Twitter, Camila encontrou perfis da agressora no Facebook e Instagram. Com as informações contidas nas redes sociais, conseguiu descobrir o nome da mulher, cidade e profissão: trata-se de moradora de Teresópolis-RJ, professora funcionária da Secretaria de Educação do município. O POVO Online opta por não divulgar o nome da mulher.

Com as informações, Camila então contatou a Prefeitura da Cidade e a Secretaria da Educação de Teresópolis. Após três dias do caso, a Prefeitura informou a Camila que a autora dos insultos foi advertida e teria a demissão oficializada em breve. A informação foi confirmada pela Prefeitura ao O POVO Online. A Prefeitura informou que a funcionária fazia parte de programa chamado Operação Trabalho, mas que “por problemas de enquadramento”, seria desligada.

A cearense esperava que a professora fosse responsabilizada por seus atos, porém não com demissão. “Ela desdenhou quando disse que eu poderia denunciar à vontade porque ela tinha uma conta reserva. Melhor que ela ser demitida é que ela seja suspensa e que o Município realize, de algum modo, uma atividade escolar de valorização do Nordeste, talvez, a realização de uma semana escolar do Nordeste, aproveitando que o dia 8 de outubro”.

Com dados do Facebook, O POVO Online tentou contato com a mulher para saber o posicionamento da mulher após a repercussão do caso. Porém, não houve retorno às mensagens e ligações até o fechamento desta matéria.

(O POVO Online / Repórter Samuel Pimentel)

Governo elabora primeiro protocolo para tratamento de obesidade

O Ministério da Saúde abriu uma enquete pública para elaborar o primeiro Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para tratamento de casos de obesidade e sobrepeso. O documento poderá receber contribuições de representantes da sociedade civil e profissionais de saúde até o próximo dia 11 de setembro.

Segundo o Ministério, o objetivo é aprimorar e qualificar o atendimento e a conduta terapêutica de pacientes na atenção básica e especializada no Sistema Único de Saúde (SUS). A pasta alerta que a adoção do protocolo pode contribuir para prevenir e controlar a obesidade e o sobrepeso no país, além de garantir mais segurança e efetividade clínica e científica aos profissionais de saúde.

A obesidade é uma das doenças que mais tem crescido nos últimos anos em nível global. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que os índices de obesidade e sobrepeso quase triplicaram desde 1975. Em todo o mundo, existem pelo menos 650 milhões de obesos. No Brasil, um em cada cinco pessoas estão obesas e mais da metade da população das capitais estão com excesso de peso, segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).

O impacto sobre o Sus também tem crescido. Em 2012, a rede pública realizou pouco mais de mil cirurgias bariátricas e reparadoras de pacientes obesos. O número de intervenções subiu para 8,1 mil, em 2016, segundo o Ministério da Saúde.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia convocou a participação de endocrinologistas na elaboração do protocolo. A Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) também se manifestou favorável à contribuição dos nutrólogos para elaborar o protocolo, devido à preocupação com a gravidade e o aumento da doença na população.

“A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, que vai desde meio ambiente até condição de alimentação, meios de saúde e até genética. Por ser considerada uma doença crônica, infelizmente, se você para de tratar, ela volta. Ela é responsável por mais de 30 patologias, desde a hipertensão, diabetes, colesterol elevado, infarto, acidente vascular cerebral e até câncer”, alertou Dimitri Homar, representante da regional da Abran, em Brasília.

Uma das demandas que o especialista coloca é a volta de medicamentos de baixo custo que auxiliavam no tratamento da obesidade e foram retirados do mercado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Ministério da Saúde explicou que a enquete garante a participação popular desde a primeira etapa do processo de elaboração do protocolo, que ainda deve passar por consulta pública para deliberação final.

(Agência Brasil)

Pesquisa mostra que 58% dos brasileiros não têm investimentos

Pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostra que 58% dos brasileiros não têm nenhum investimento financeiro. Segundo o levantamento, dos 42% que têm alguma aplicação, apenas 9% fizeram algum aporte em 2017.

A pesquisa revela ainda que mais da metade dos brasileiros não conhece produtos de investimento. Em respostas espontâneas, ou seja, sem opções de escolha, apenas 45% da população disseram conhecer um ou mais tipos de produtos, com destaque para a poupança, citada por 32%.

A compra ou a quitação do imóvel próprio é o principal objetivo do retorno das aplicações financeiras do investidor brasileiro.

De acordo com o levantamento da Anbima, 31% dos investidores pretendem comprar ou quitar parcelas de imóvel ou terreno; 15%, guardar para emergências; 11%, comprar carro, motocicleta ou caminhão; 10%, fazer uma viagem; 7%, investir em negócio próprio; 6%, investir em estudos; 6%, deixar para os filhos ou investir no futuro deles; 6%, construir ou reformar a casa; 5%, usar na velhice ou aposentadoria; e 5%, manter o valor do dinheiro e ir usando quando precisar.

(Agência Brasil)

Levantamento mostra que índice de fumantes nas empresas caiu 9,4%

Um levantamento feito por uma empresa especializada em inteligência em saúde e segurança do trabalho com base nos resultados de 92 mil exames ocupacionais de todo o país, entre janeiro de 2016 e junho de 2018, mostra que o índice de fumantes nas empresas analisadas caiu 9,4% no período e que, principalmente, os jovens entre 18 e 24 anos estão deixando de fumar.

Os dados, divulgados hoje (29) para lembrar o Dia Nacional de Combate ao Fumo, indicam que a população acima de 25 anos tem 2,4 vezes mais fumantes. Do total de pessoas entrevistadas, 4.904 eram fumantes em janeiro de 2016 (5,3%) e passaram a ser 4.441 em junho de 2018 (4,8% ).

O estudo também descobriu que o número de fumantes que reportaram estar sob estresse foi 85% maior que o de não fumantes, que também relataram problemas de sono (127%).”É normal associar o fumo a questões respiratórias. O mais interessante desse estudo foi verificar o impacto do tabagismo no nível de estresse e na qualidade do sono desses profissionais analisados. Os dados chamam a atenção para efeitos colaterais não muito debatidos, que são causados diretamente pelo hábito”, disse o diretor-médico da RHMED, Geraldo Bachega.

Segundo informações do Ministério da Saúde, cerca de 12% da população brasileira ainda é de fumantes, o que representa 21 milhões de pessoas. Os prejuízos decorrentes do consumo do cigarro e seus derivados gera um prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões ao país. Deste total, R$ 39,4 bilhões são com custos médicos diretos e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos, relacionados à perda de produtividade, provocadas por morte prematura ou por incapacitação de trabalhadores.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é responsável por 63% das mortes relacionadas a doenças crônicas não transmissíveis no mundo e a principal causa de mortes evitáveis. Os dados indicam que o cigarro é responsável por 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema), 30% por diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero, estômago e fígado), 25% por doença coronariana (angina e infarto) e 25% por doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral).

O tabagismo é ainda um dos fatores de risco para o desenvolvimento de tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras doenças. O uso do fumo pode também causar a perda de sensibilidade, insuficiência respiratória e infarto.

(Agência Brasil)

Estudo mostra ligação entre álcool e suicídio na faixa de 25 a 44 anos

Um estudo feito pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) divulgado este ano em um jornal científico reforçou a ligação entre o consumo de álcool e o suicídio. Foram analisados 1,7 mil casos na cidade de São Paulo entre 2011 e 2015 a partir de exames toxicológicos e mais de 30% das vítimas apresentavam diferentes concentrações de teor alcoólico no sangue. Entre os homens essa porcentagem chegou a 34,7%. A maior parte dos analisados (49%0 corresponde a adultos jovens, com idade entre 25 e 44 anos. Dentro dessa faixa etária mais de 61% apresentavam álcool no sangue.

Desde 2012 a taxa de suicídio em brasileiros de 15 a 29 anos subiu quase 10% de acordo com a edição de 2010 do Mapa da Violência, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a segunda causa mundial de mortes entre pessoas dessa faixa etária – mais de 90% estão ligados a distúrbios mentais.

Segundo o psiquiatra Teng Chei Tung, coordenador dos Serviços de Pronto-Socorro e Interconsultas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, sob efeito do álcool as pessoas podem apresentar diminuição da capacidade de julgamento, do senso crítico e do autocontrole, assim como tendem a adotar comportamentos agressivos. Esse efeito pode ser ainda maior entre os adolescentes.

“O cérebro do adolescente ainda está em desenvolvimento e os efeitos do álcool são mais nocivos nessa idade, com impacto ainda maior sobre a tomada de decisões e o autocontrole. Estamos falando de uma faixa etária em que o imediatismo é mais evidente e a exposição ao álcool pode ser mais perigosa quando pensamos no risco para o suicídio”, explicou.

De acordo com Tung, é possível desenvolver programas educativos sobre o consumo de drogas e álcool entre os jovens, mas é preciso lembrar que há outros fatores que também merecem atenção como o bullying e transtornos psiquiátricos, como a depressão. “É importante lembrar que um transtorno mental como a depressão pode alterar a percepção que o indivíduo tem da realidade. Por isso, os casos de suicídio não devem ser encarados como expressão do livre-arbítrio.”

(Agência Brasil)

Onde está o preconceito?

Em artigo no O POVO deste sábado (11), o procurador de República Rômulo Conrado aponta o preconceito oculto sob as mais variadas justificativas, o que nos torna menos plurais do que deveríamos. Confira:

O Brasil é uma democracia plural, aqui coexistindo pessoas das mais diversas tendências, sendo diferentes as visões de mundo, crenças, cor da pele e situação econômica, entre muitos outros fatores que nos aproximam ou distanciam. Até hoje, contudo, nos deparamos com o preconceito oculto sob as mais variadas justificativas, o que nos torna menos plurais do que deveríamos.

Eles lá, eu aqui: muitos sustentam, em relação aos “diferentes”, não terem nada contra, desde que estejam separados. Trata-se de postura declarada inconstitucional pela Suprema Corte dos Estados Unidos já no ano de 1955, em que se afastou a segregação racial nas escolas, que somente contribuía para perpetuar a desigualdade.

No ano seguinte foi declarada inconstitucional também em relação ao transporte coletivo. Idêntica justificativa também se aplica em relação aos que afirmam não ter preconceitos no que tange à orientação sexual de terceiros. Aqui não cabe falar em tolerância, mas sim em reconhecer a igualdade como um valor e um direito.

Meus filhos quem educa sou eu: a Constituição Federal de 1988 reconhece ser a família a base da sociedade, tendo especial proteção do Estado. Isso não significa, porém, uma exclusividade para fins de doutrinação, já que a sociedade, o Estado e notadamente a escola concorrem para a educação e também para que sejam colocados a salvo de negligência e discriminação.

O problema dos imigrantes é que roubam nossos empregos: muitos acreditam que se acolhermos as pessoas que chegam ao Brasil fugindo de conflitos, como determina nossa Constituição Federal, propiciaremos que roubem empregos de brasileiros. Em todo o mundo, porém, não é possível afirmar, com base em dados estatísticos, tenha ocorrido prejuízo aos nativos com o afluxo de estrangeiros, mas sim a substituição de funções com o surgimento de novas atividades.

É preciso com frequência repensar nossas crenças e ideias.

Rômulo Moreira Conrado, procurador da República

Debate “Homens contra o Machismo” acontece na terça-feira

Na terça-feira (31), a partir das 19 horas, no Instituto Poliglota, acontece mais uma Roda de Homens contra o Machismo. Iniciado no começo de julho, o espaço chega ao terceiro encontro tratando do tema “Masculinidades”, com mediação da escritora Helena Vieira, ativista transfeminista e pesquisadora de Gênero e Sexualidade.

A atividade, aberta ao público – homens e mulheres -, acontece no estacionamento do Instituto Poliglota, que fica na rua Fiscal Vieira, 3657, próximo ao mercado do Joaquim Távora.

(Foto – Divulgação)

Brasil tem dificuldade de atrair jovens para a carreira de professor

O Brasil, assim como outros países da América Latina, tem dificuldade em atrair jovens talentosos para a carreira de professor. Essa é uma das conclusões do estudo Profissão Professor na América Latina – Por que a docência perdeu prestígio e como recuperá-lo?, divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

No Brasil, apenas 5% dos jovens de 15 anos pretendem ser professores da educação básica, enquanto 21% pensam em cursar engenharia. No Peru, o índice dos que pretendem optar pela docência é de menos de 3%, contra 32% que querem se tornar engenheiros. Por outro lado, em países onde a profissão é mais valorizada, o interesse tende a ser maior, como na Coreia do Sul, onde 25% dos jovens têm a intenção de lecionar, e na Espanha, onde o índice chega a quase 20%.

Entre as razões para o desinteresse para atuar na educação básica estão, segundo a pesquisa, os baixos salários. “Mesmo nos últimos anos, após uma década de incrementos nos salários dos professores, eles continuam a ganhar consideravelmente menos do que outros profissionais”, enfatiza o texto.

A partir dos dados das pesquisas domiciliares no Brasil, Chile e Peru, o estudo do BID mostra que os educadores ganham cerca da metade da remuneração de profissionais com formação equivalente. No Equador, a diferença é menor, mas os professores ainda recebem 77% da remuneração de outras áreas. No México, os vencimentos dos trabalhadores da educação é de 83% dos de outros ramos.

Além da questão financeira, o estudo aponta para as condições de trabalho como razão do desinteresse dos jovens pela docência. “Muitas vezes a infraestrutura das escolas latino-americanas é deficiente em relação a equipamentos e laboratórios e até mesmo em termos de serviços básicos”, ressalta o documento.

O estudo menciona as informações levantadas pelo Laboratório Latino-americano de Avaliação da Qualidade da Educação em 2013 sobre escolas de 15 países latino-americanos, incluindo o Brasil. Na ocasião, foi constatado que 20% dos estabelecimentos de ensino não tinham banheiros adequados, 54% não tinham sala para os professores e 74% não contavam com laboratório de ciências.

O estudo aponta ainda que muitos jovens acabam seguindo a carreira docente “por eliminação, não por vocação”. Recuperando dados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2008, a pesquisa destaca que, à época, 20% dos estudantes de ensino superior com foco no magistério haviam feito a opção para ter uma alternativa caso não conseguissem outro emprego e 9% por ser a única possibilidade de estudo perto de casa.

“Ser professor na América Latina não é uma carreira atraente para jovens talentosos do ponto de vista acadêmico. Não se pode ignorar o fato de que muitos futuros professores decidem frequentar um curso de carreira docente exatamente por ser uma carreira mais acessível no aspecto acadêmico, e não necessariamente por terem uma vocação pedagógica”, analisa o estudo.

Esse problema tem, junto com outros fatores, reflexos no desempenho dos estudantes. Os dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), citados pela pesquisa, mostram, por exemplo, que os conhecimentos em leitura, matemática e ciências dos jovens de 15 anos da região está dentro dos 40% dos com pior resultado entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O percentual dos estudantes que não atingem o nível básico das competências é mais do que o dobro da média da OCDE.

(Agência Brasil)

A saia, o bumbum e os chatos

Em artigo no O POVO deste sábado (28), a jornalista Maísa Vasconcelos aponta que “não se pode aceitar a imposição de modelos que objetificam, subestimam capacidades e confundem a percepção do que é ser mulher”. Confira:

A morte da bancária Lilian Quezia Calixto, depois de passar por um procedimento estético com o médico Denis Cesar Barros Furtado, não pode ser somente mais um caso de polícia. Para além de cobrar rigor na punição dos responsáveis, é preciso estarmos dispostos a refletir e tentar entender o que nos leva à busca alucinada, muita vezes cruel, pelo “corpo perfeito”.

Mulheres correspondem a 86,2% dos mais de 20 milhões de procedimentos estéticos em todo o mundo, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética. O Brasil ocupa a segunda posição no ranking dessas intervenções, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Cada vez mais cedo, adolescentes submetem seus corpos a cirurgias estéticas.

Barriga negativa, seios grandes e firmes, bumbum empinado, coxas alongadas, nariz e rosto afilados, púbis e vagina de menina… O que mais? Quase sempre, a “solução” para chegar ao corpo idealizado mostra-se como transformação, ponte para construção da autoestima. Tudo feito de forma rápida, simples, com recuperação em poucos dias, sem cicatrizes. Sonho parcelado, vendido em pacotes.

Não estou dizendo que se deva julgar quem deseja mudar o que lhe incomoda e traz sofrimento. Há saídas possíveis e importantes para alcançar uma felicidade que passa também por ter um corpo que corresponda ao que a mente almeja. Apenas não se pode aceitar a imposição de modelos que objetificam, subestimam capacidades e confundem a percepção do que é ser mulher. Especialmente se há na fabricação desses parâmetros a vontade de dominação masculina.

Na segunda-feira, O POVO chamou atenção para a exploração do corpo feminino no panfleto de uma festa em Beberibe: O “Forró da Mini Saia” oferece prêmio de R$ 150 à mulher com a saia mais curta. O Ministério Público do Ceará notificou promotores do evento. Nos comentários, um leitor escreveu: “O mundo está muito chato!”.

Maísa Vasconcelos, jornalista do O POVO

O mundo mudou, repare

Em artigo no O POVO desta sexta-feira (27), o jornalista Sérgio Falcão ressalta os anseios das novas gerações. Confira:

Os conceitos, certezas e paradigmas vêm mudando, principalmente, a partir do século XXI. A velocidade e profundidade do debate expõem regras e compreensões que não se encaixam nos questionamentos e anseios das novas gerações. O mundo mudou e, se não reparou, é melhor se integrar aos novos tempos.

As profissões de ouro sonhadas pelos pais, no passado, eram na Medicina, Direito e Engenharia. Aos meninos a cobrança nos estudos, quanto às meninas, cuidadas para um bom casamento. As últimas décadas trouxeram o protagonismo feminino e o empoderamento contra o arcaico machismo, no presente e na condução do futuro as mulheres tomaram as rédeas do próprio destino com força, competência e destaque em todas as áreas. Barreiras teimam em permanecer, direitos, igualdade e respeito a todos precisa prevalecer.

O processo de decisão profissional acontece na adolescência, geralmente por influência familiar, numa idade frágil quando o autoconhecimento e percepção do mundo estão sendo elaborados.

Mesmo quando, cada vez mais, testes e orientações vocacionais procuram conduzir à melhor escolha da carreira o risco continua a ser grande. A vida universitária e a realidade do mercado de trabalho são diferentes do imaginado e testam a cada dia as escolhas profissionais.

As frustrações profissionais são, atualmente, mais frequentes, quer por escolhas erradas ou porque já não atendem as necessidades pessoais que se transformam ao longo da vida. O ser humano, como dizia Raul Seixas, é metamorfose ambulante. Passamos a nos permitir a aceitar o erro e, mesmo com as críticas, buscar novos desafios. A felicidade pessoal caminha com a profissional, são indivisíveis.

Mas, o que significa sucesso profissional? Reconhecimento, profissional e financeiro, e satisfação pessoal? Se assim pensarmos, as “boas profissões” estão também e além da tríade dourado, passeiam por todos os campos do conhecimento. Novos comportamentos, mercados, inovações e reinvenções dos modelos atuais vêm descortinando novas profissões e criando oportunidades para quem percebe que a vida é um infindável espaço de possibilidades desde que haja vocação, dedicação e coragem. Como escreve Guimarães Rosa, o que a vida quer da gente é coragem.

Sérgio Falcão, editor-chefe do O POVO.Doc