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Serviços financeiros eletrônicos ganham espaço na América Latina

Cada vez mais pessoas na América Latina adotam meios digitais para pagamentos e transações financeiras. A tendência é apontada em estudo realizado pela consultoria IDC sobre o emprego de tecnologias digitais para atividades relacionadas a serviços financeiros. Pouco mais de mil usuários das classes A, B e C foram entrevistados no Brasil, México e na Colômbia. Segundo o levantamento, um terço dos entrevistados afirmou preferir o telefone para pagar contas e transferir dinheiro.

De acordo com o levantamento, a expectativa é de que essas práticas se popularizem ainda mais no futuro. Os entrevistados manifestaram a intenção de fazer mais transações financeiras viz smartphone, como pagar uma conta de cartão de crédito, fazer uma transferência ou quitar um boleto. Da mesma forma, os consultados relataram utilizar cada vez menos agências bancárias para serviços como depositar um cheque ou fazer uma aplicação.

No recorte por idade, o uso de meios digitais é mais frequente entre as pessoas de até 50 anos. Entre os entrevistados, 61% relataram utilizar smartphones para essas operações na faixa de 30 a 39 anos; 58% na faixa de 25 a 29 anos; 53% entre as pessoas com 40 a 49 anos; e 51% entre os entrevistados de 18 a 24 anos. A opção por operações pelo computador também segue essa tendência.

A adesão a meios digitais de pagamento (também chamados de carteiras digitais) varia de acordo com a idade, com mais força entre os jovens. Entre os ouvidos, 66% da faixa entre 18 e 24 anos disseram utilizar esse recurso; 61% na faixa de 25 a 29 anos; 60% entre as pessoas de 30 a 39 anos; e 51% entre os entrevisatados 40 a 49 anos. Já entre os entrevistados com mais de 60 anos, o percentual ficou em 37%.

De acordo com a pesquisa, mais da metade dos entrevistados relatou ter utilizado um smartphone para abrir uma conta ou obter um novo serviço financeiro nos últimos 12 meses. Neste quesito, assim como em outros, o Brasil superou a Colômbia e o México, indicando uma abertura maior dos brasileiros à adoção dessas soluções tecnológicas.

Fatores

Segundo os autores, determinados fatores contribuem para o aumento da popularidade desses meios na região. O primeiro é o caráter extremamente urbanizado dos países, que permite a consumidores e empresários oportunidades de ganho de escala. O segundo é a alta penetração da Internet móvel, próxima de 100%.

“Os smartphones na região ajudam a fundação de serviços bancários móveis. A base saiu de 50 milhões para quase 500 milhões entre 2011 e 2020. O que você pode fazer em um smartphone é diferente do que pode fazer em um telefone”, ressalta o vice-presidente para a América Latina do IDC, Ricardo Villate.

Ele alerta, contudo, que apesar de haver cerca de 480 milhões de aparelhos, ainda não há universalização pelo fato de haver pessoas que contam com dois acessos e outras que ainda não são atendidas por essa tecnologia. As previsões da consultoria indicam que nos próximos anos deve ocorrer uma estagnação no crescimento.

Uma terceira característica que contribui para o desenvolvimento de serviços financeiros digitais na América Latina é a disseminação das redes sociais digitais e os altos índices dos usuários, o que inclui tanto o tempo gasto quanto a intensidade de engajamento nessas plataformas. No plano do sistema financeiro dos países, há um histórico de baixas taxas para tomada de empréstimo na região.

Mercado

A América Latina conta com a atuação de atores globais (PayPal, Mastercard, Google), regionais (MercadoLivre) e nacionais (PagSeguro no Brasil, Nequi na Colômbia e Bitso no México) no mercado de transações financeiras via internet. A PayPal não abre os números de clientes na América Latina, mas tem 286 milhões de clientes globais. Para além de servir como plataforma de pagamento de diversos serviços, como Uber, a empresa vem lançando serviços financeiros, como adiantamentos a comerciantes, empréstimos e transferências entre pessoas em diferentes cidades e países. Este último produto, chamado Xoom, já está em operação no México, Brasil e outros países da região. Além disso, o grupo celebrou parcerias, como com o Itaú no Brasil, e adquiriu parte do MercadoLivre, importante plataforma de comércio eletrônico na América do Sul.

Em entrevista coletiva a jornalistas na sede da empresa, em Nova Iorque, o CEO da PayPal, Dan Schulmer, declarou que a empresa ainda está começando na região e aposta em um crescimento nos próximos anos. “Nós temos mais de 10 milhões contas ativas de consumidores na América Latina. Estamos apenas arranhando a superfície das oportunidades. Temos um crescimento dinâmico na digitalização nessa parte do mundo”, disse.

A Mastercard tem entre suas principais estratégias “o combate ao uso do dinheiro” e aumentar a “penetração dos meios de pagamento”. No Brasil, a empresa avalia como positiva a flexibilização de regras para o setor pelo Banco Central e conta que o objetivo é que os métodos digitais de transações cheguem a 60% do mercado em cinco anos com novas soluções para operações.

“O modelo diferenciado de adquirência, no qual os adquirentes permitem que os valores recebidos pelas maquininhas de cartão sejam depositados em um cartão pré-pago e não em uma conta corrente, por exemplo, também tem colaborado muito para o crescimento. Agora, os pequenos varejistas ou autônomos podem aceitar pagamento via cartão, sem a necessidade de ter uma conta corrente, o que possibilita aumento de vendas e a formalização, fazendo com que toda a economia seja beneficiada”, ressalta João Pedro Paro Neto, Presidente da Mastercard para Brasil e Cone Sul.

O GooglePay também não divulga números de clientes por regiões, mas já chegou a 100 milhões de downloads em um ano e se assenta no uso integrado com outros serviços do conglomerado, como Gmail, YouTube e smartphones com sistemas operacionais Android. O grupo chega, pelo menos, a mais de 2,5 bilhões em todo o mundo. O meio de pagamento é aceito em lojas com tecnologia NFC e no Brasil tem parcerias com instituições financeiras para uso de cartão de débito, como Itaú, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

“E mais do que pagamentos, o Google Pay também traz oportunidades de integrações com transporte público, programas de fidelidade e ingressos. No Brasil, Ingresso.com e Linhas Aéreas Azul já possibilitam o armazenamento de cartões de entrada/embarque no Google Pay”, conta o chefe de parcerias do Google Pay para América Latina, Felipe Cunha.

O PagSeguro, do conglomerado brasileiro UOL, possui atuação nacional e chega a 4,4 milhões de estabelecimentos. Por meio de sua assessoria, a empresa afirmou à Agência Brasil que prevê um crescimento de sua atividade e do mercado de pagamentos digitais, uma vez que o modelo facilita operações para pequenos vendedores. Grande competidora brasileira no setor, a empresa aposta na oferta de soluções para diferentes demandas, como empreendimentos de diferentes tamanhos.

(Agência Brasil)

Por que os capitalistas são coerentes com o capitalismo e o povo não reage?

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Em artigo sobre o acúmulo de riqueza na conformação do trabalhador, a Doutora em Ciência Política e Mestra em Antropologia Social, Nívea Carpes, aponta que “ninguém questiona a distribuição da riqueza na sociedade brasileira, porque a maioria das pessoas almeja ser rica e não pretende ser importunada se chegar lá”. Confira:

Diz um provérbio: alguns preferem comer bem, outros, dormir sossegados. Poucos realmente podem escolher, mas não se trata de escolha, trata-se de um processo de reprodução e formação de sujeitos, ajustados por instituições que impõem modos de vida e lugares sociais.

No Brasil, sempre que os escravagistas entendem que não vale a pena o jogo democrático, avançam com a violência costumeira. É o que voltamos a viver desde 2014, uma desatinada orquestração de neocolonização, depois de breves momentos de uma luz progressista.

O conjunto da sociedade está prejudicado por todos os acontecimentos políticos desde o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, juntamente com eventos que não tem outro motivo que não seja desproteger os direitos do povo, afetar a soberania e saquear as riquezas nacionais. Desde então, não há um dia de estabilidade institucional no Brasil.

Somente os saqueadores nacionais e os interesses internacionais terão benefícios da destruição política, institucional e da polarização da população. Na verdade, a polarização e a destruição da política e das instituições não são ocorrências casuais, esses são recursos reconhecidos pelas análises políticas como formas de abrir a malha de proteção de uma nação. É possível ver um debate muito rico dessas questões nas produções do economista Ha-Joon Chang.

Portanto, a instabilidade política e institucional desse momento só foi possível quando se utilizou uma receita com propósitos claros de desproteger nossa soberania. Nesse caso, “o povo caiu como um patinho” é um bom trocadilho.

Fizemos o serviço para que nossa sociedade se tornasse vulnerável aos interesses internacionais, apoiados pela pusilânime elite brasileira entreguista, que não possui qualquer compaixão por seu povo. Essa é uma recorrência na história brasileira, uma vez que a elite se reproduz com as mesmas características originais, como usurpadores das potencialidades nacionais.

A avareza e a exploração selvagens reeditam um tipo de mandatários que deixa explícitos valores, sentimentos e impressões sobre o mundo. As personalidades que alcançaram destaque, como o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, ou chegaram ao poder nos últimos tempos, como Jair Bolsonaro, deixam claro o desprezo pela população em geral e que são capazes de entregar o próprio povo e tudo que há dentro do país, em troca de benefícios próprios.

Isso mostra que há grandes diferenças nos propósitos de cada classe social. Nascer na alta sociedade, com pessoas de grandes posses, entre os donos dos meios de produção, estes que não vendem sua força de trabalho, é totalmente diferente de nascer em classes sociais de trabalhadores. Da mesma forma, os trabalhadores não são iguais entre si. Há diferentes níveis na classe trabalhadora, dos trabalhadores em atividades com menores qualificações aos trabalhadores com atividades de grande complexidade, com formação específica.

Dentre as tantas loucuras que acompanhamos nos últimos anos, um dos questionamentos fortes é a motivação dos sujeitos de instituições como o Parlamento, o Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Federal, para citar algumas, que somente não enganaram uma pequena parcela da população. Havia um anseio evidente de conduzir à fórceps os destinos do país, conforme as próprias concepções de mundo, alheios à constitucionalidade e à regulação oficial.

Uma das respostas possível vai no sentido de que o capitalismo educa e seleciona os sujeitos de quem precisa, utilizando-se da lei da sobrevivência econômica do mais apto, é o que afirma Weber, ao refletir sobre o espírito do capitalismo. Portanto, as pessoas que vivem do grande capital e para o grande capital, compartilham de uma ética e espírito próprios. Esse estrato de pessoas possui, na estrutura dos seus interesses e do planejamento de suas vidas, a acumulação de riqueza como obstinação, como valor central.

É também com essa razão que tais sujeitos não se desarticulam nunca e mantém interesses comuns com um restrito número de pessoas. Eles têm um projeto de vida, a acumulação, seja de bens materiais ou econômicos, seja de poder para interferir nos diversos aspectos que favorecem os lucros pessoais. É uma minoria formada para praticar a vida dos riscos de mercado dos grandes negociadores.

Nesse sistema, os agentes públicos que ocupam espaços de destaque nas instituições públicas direcionam suas ações no sentido da maximização de ganhos, são os que vivem para o capitalismo. Esses, muitas vezes, são oriundos da classe média alta e farão o serviço sujo, orientados por seus valores miméticos das classes altas, a despeito dos compromissos institucionais assumidos com a sociedade. As instituições são espaços de status e manipulação de cenários que promovem a ascensão a postos de poder, é o caso de Sérgio Moro que abre mão de ser juiz para ser Ministro.

Para as classes altas, tempo é dinheiro, vida é dinheiro, sucesso é dinheiro e todos os projetos do existir estão vinculados à manutenção e à projeção de maiores ganhos. Essas pessoas foram educadas e educam seus filhos para assumirem seus negócios ou para ocuparem os altos postos de poder dentro da sociedade. Eles reproduzem a obstinação por um destino na riqueza. Onde quer que estejam, colocam em prática sua racionalidade monetária.

Do outro lado está o restante da população, entre as classes médias e as mais baixas. Uma boa parcela da classe média anseia pela reprodução dos valores das classes altas, isso não ocorre plenamente por não serem donos dos meios de produção, nem de grandes riquezas, mas também por se tratar de pessoas com distorções na visão a respeito de si mesmos. São os tontos que pensam bastar um determinado padrão de consumo para serem considerados burgueses.

No resumo, tornam-se um arremedo da classe alta em termos de posturas a respeito da vida, mas sem as condições financeiras e decisórias. A classe média é composta pelos profissionais liberais, pelos pequenos proprietários e pelos funcionários públicos.

Entretanto, no Brasil, a maioria busca uma vida com tranquilidade, mais estável e com menos riscos, esse é o povo trabalhador, que apesar de estar impregnado de valores do capitalismo de consumo individualista, sente-se satisfeito em singelas participações dentro da sociedade. Isso é um ponto de desarticulação, uma vez que cada indivíduo possui interesses pontuais e não coletivos.

Nessa lógica, as classes altas nunca são desafiadas, nunca são questionadas, elas são invejadas e desejadas. Uma visão que confere continuidade à explicação divina da riqueza, os bens que lhe foram entregues são uma graça de Deus. Ninguém questiona a distribuição da riqueza na sociedade brasileira. Porque a maioria das pessoas almeja ser rica e não pretende ser importunada se chegar lá. Óbvio que nunca chegarão, mas o sonho aplaca o senso de realidade que poderia estimular o senso crítico que retira as pessoas da apatia.

Nivea Carpes é Doutora em Ciência Política e Mestra em Antropologia Social

Geração atual tem pouco contato com a natureza, alertam especialistas

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Usufruir mais intensamente de cenários naturais é uma das propostas da Sociedade Brasileira de Pediatria e do Instituto Alana, de defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Em maio, as duas instituições divulgaram o manual Benefícios da Natureza no Desenvolvimento de Crianças e Adolescentes.

No documento, destacam que fatores como o planejamento urbano deficiente, o adensamento populacional, a especulação imobiliária e a “supremacia dos carros em detrimento de pedestres ou ciclistas” têm levado ao desaparecimento de espaços verdes nas cidades. Conforme explica Laís Fleury, coordenadora do projeto Criança e Natureza, do Instituto Alana, o manual tem como principal público crianças e adolescentes da zona urbana, por sofrerem mais fortemente os prejuízos resultantes desse cenário.

Ela diz que a infância nesses locais tem como característica um progressivo “confinamento” e que esse estilo de vida provoca impactos grandes na saúde. O conjunto de efeitos citado pela coordenadora é relacionado ao chamado Transtorno de Déficit de Natureza. O termo foi cunhado por um dos co-fundadores do Children & Nature Network, Richard Louv, que escreveu o livro A Ultima Criança na Natureza (Last child in the woods).

Laís defende que o contato com a natureza promove o desenvolvimento integral das crianças porque “sua linguagem é o brincar”. “Principalmente o brincar espontâneo. É através dele que a criança se conhece, compreende o mundo. O brincar passa muito pelo corpo, que é uma linguagem de conhecimento que ela vai desenvolvendo quando está crescendo”, acrescenta.

“Quando está em um ambiente aberto, ao ar livre, a forma como [a criança] se comunica é através do corpo. Quando está presente em um ambiente com bastante espaço, numa praia, por exemplo, ela sente, naturalmente, vontade de correr, de pular, e esses são os verbos da infância. Ela se sente convidada, dialoga, é uma criança que, fisicamente, tende a ser mais saudável, tende a não ter problema com sobrepeso, porque está em constante movimento, desenvolvendo a força motora, a coordenação, o equilíbrio”, pontua.

Segundo Laís, ao incorporar atividades ao ar livre ao cotidiano dos filhos, os pais geram benefícios adicionais, no âmbito da saúde mental. “A gente sabe, intuitivamente, do poder restaurativo que a natureza tem. Adultos, quando estão cansados, passam tempo na natureza, na floresta, isso nos regenera. E é a mesma coisa para as crianças. Esse bem-estar, esse poder regenerativo que a natureza tem é algo que impacta, de maneira muito positiva, a saúde da criança”, frisa Laís.

A especialista ressalta que uma pessoa, ao crescer com vivências que valorizam a biodiversidade, ano após ano, passa a prezar por uma rotina de hábitos mais sustentáveis. “Além de proporcionar para as crianças uma alegria de poder brincar, é uma experiência relacionada a valores humanos, de desenvolvimento de ética, de respeito ao outro, ao meio ambiente, de contemplação do belo”, afirma.

(Agência Brasil)

Aplicativo FaceApp pode abrir porta para abusos com dados dos usuários

Nos últimos dias, imagens de pessoas em versões mais velhas delas mesmas viraram a nova febre das redes sociais no país. O responsável por isso foi o aplicativo Faceapp, ferramenta para edição e aplicação de filtros a imagens, como a simulação das faces em idades mais avançadas ou em outros gêneros. Contudo, seu funcionamento e suas normas internas podem abrir espaço para abusos no uso e compartilhamento dos dados de seus usuários.

O FaceApp está disponível nas lojas de aplicativos Play Store (para o sistema operacional Android) e Apple Store (para o sistema operacional iOS). Na loja Play Store no Brasil estava listado em julho como o principal aplicativo na categoria gratuitos. Com nota 4,5 de 5, no momento da publicação desta reportagem, o app chegava perto de 1 milhão de downloads.

O programa é anunciado como uma ferramenta para melhorar fotos e criar simulações por meio de filtros. Nos modelos de edição há possibilidades de mudar cores do cabelo, aplicar maquiagem ou estilos de barba e bigode, entre outros. O sistema de inteligência artificial do app informa que pode encontrar “o melhor estilo para você”.

Política de privacidade

A política de privacidade do app traz informações sobre quais dados são coletados e quais são os usos possíveis. Segundo o documento, são acessados as suas fotos e “outros materiais” quando você posta. Quais outros materiais? O documento não detalha. A empresa adota serviços de análise de dados (analytics) de terceiros para “medir as tendências de consumo do serviço”. O que isso significa? Não fica claro.

“Essas ferramentas coletam informação enviada pelo seu aparelho ou por nosso serviço, incluindo as páginas que você acessa, add-ons e outras informações que nos auxiliam a melhorar o serviço”, diz o documento. São utilizados também mecanismos de rastreamento como cookies, pixels e beacons (que enviam dados sobre a navegação para a empresa e parceiros dela).

As informações “de log” também são enviadas, como quando o indivíduo visita um site ou baixa algo deste. A empresa também insere mecanismos para identificar que tipo de dispositivo você está usando, se um smartphone, tablet ou computador de mesa. Podem ser veiculados anúncios por anunciantes parceiros ou instalados cookies dessas firmas.

Por meio dessas tecnologias a sua navegação passa a ser totalmente rastreada. Segundo a empresa, contudo, esse volume de informação é reunido sem que a pessoa seja identificada. “Nós coletamos e usamos essa informação de análise de forma que não pode ser razoavelmente usado para identificar algum usuário particular”, informa o app.

As políticas de privacidade afirmam que a informação não é vendida ou comercializada, mas listam para quem a informação reunida pode ser compartilhada para as empresas do grupo que controla o Faceapp, que também poderão utilizá-las para melhorar os seus serviços. Também terão acesso empresas atuando na oferta do serviços, que segundo o documento, o farão sob “termos de confidencialidade razoáveis”. O que são termos razoáveis? O usuário não tem como saber.

O compartilhamento poderá ser feito para anunciantes parceiros. Se a empresa for vendida, ela poderá repassar as informações aos novos acionistas ou controladores. De acordo com o documento, mudanças nos termos podem ser feitas periodicamente, sem obrigação de aviso aos usuários. Assim, a empresa possui um leque amplo de alternativas de compartilhamento sem que o usuário saiba quem está usando suas informações e para quê.

Riscos

A diretora da organização Coding Rights, Joana Varon, avalia que o uso do app traz uma série de riscos e viola a legislação brasileira ao afirmar que poderá ser regido por leis de outros países, inclusive o Artigo 11º do Marco Civil da Internet (Lei Nº 12.965).

Joana considera a política de privacidade do FaceApp muito permissiva, uma vez que não é possível saber quais dados serão utilizados, como e por quais tipos de empresas. Entretanto, ela acrescenta que certamente a empresa responsável e seus “parceiros” trabalham os registros reunidos para alimentar sistemas de reconhecimento facial, uma vez que o app gera um poderoso banco de dados, não só de fotos dos usuários como de outras pessoas para as montagens (como de amigos ou de celebridades).

Ela diz que isso resulta em um problema grave, uma vez que as tecnologias de reconhecimento facial têm se mostrado abusivas, como nas aplicações de segurança pública. As preocupações levaram cidades a banir esse tipo de recurso, como San Francisco, nos Estados Unidos, ou São Paulo, que proibiu o uso da tecnologia no metrô.

“As pessoas ficam empolgadas mas no fim tem uma finalidade muito além do que só essa brincadeira, que nem é tão clara. É claro que imagens estão sendo utilizadas para aperfeiçoar o reconhecimento facial, tecnologia que tem se mostrado totalmente nociva. Não é só identificação de pessoas, mas do humor e outras características que não são comuns a outros tipos de dados biométricos, como digital”, explica.

Venda de dados

Para Fábio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky, é possível que essas imagens acabem sendo empregadas em usos problemáticos. “Por utilizar inteligência artificial para fazer as modificações a partir do reconhecimento facial, a empresa dona do app pode vender essas fotos para empresas desse tipo, além desses dados facilmente caírem nas mãos dos cibercriminosos e serem utilizados para falsificar nossas identidades”, diz.

Assolini diz que os usuários devem tomar cuidado sobre como disponibilizam suas imagens para reconhecimento facial ou até mesmo publicamente. “Temos que entender essas novas maneiras de autenticação como senhas, já que qualquer sistema de reconhecimento facial disponível a todos pode acabar sendo usado tanto para o bem quanto para o mal”.

Dados expostos

Na opinião do coordenador do grupo de pesquisa Estudos Críticos em Informação, Tecnologia e Organização Social do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), Arthur Bezerra, o argumento da parte de muitos usuários de que não haveria problemas no Faceapp, uma vez que os dados das pessoas já estão expostos na internet não procede.

“Embora plataformas como o Google e o Facebook tenha uma enorme gama de dados sobre nós, cada empresa busca formar seu banco de dados. E o Faceapp é desenvolvido por uma empresa russa, então quando você faz o download, você está compartilhando suas informações com uma nova companhia que você não sabe qual é. Se eu dissesse por alguém para me dar a senha do Facebook, a pessoa provavelmente não daria, pois todo mundo tem uma dimensão privada da sua vida”, disse.

Polêmicas

Modas como a do FaceApp já levantaram preocupações antes. Foi o caso do desafio dos 10 anos, que virou febre no Facebook no início do ano e provocou questionamentos pela alimentação de sistemas de reconhecimento facial. No ano passado, o Ministério Público abriu um inquérito para saber se a adoção dessa tecnologia pelo Facebook violava ou não a legislação.

Iniciativas em diversos países – como Estados Unidos, China e Rússsia – vêm sendo criticadas por defensores de direitos dos usuários. Empresas do setor, como a Microsoft, chegaram a pedir publicamente a regulação dessas soluções técnicas. No Brasil, o início da aplicação desses recursos pelo Sistema de Proteção ao Crédito no ano passado também foi acompanhado de receios.

(Agência Brasil)

ONU e organismos internacionais defendem liberdade de expressão online

Relatores para a liberdade de expressão da Organização das Nações Unidas (ONU) e de outros organismos internacionais divulgaram uma declaração conjunta apontando os desafios para a garantia do direito à comunicação da sociedade na próxima década e as medidas a serem adotadas por governos, Parlamentos e empresas de modo a assegurar esse exercício.

Além do relator da ONU, David Kaye, o documento foi assinado pelos relatores da Organização dos Estados Americanos (OEA), Edison Lanza, da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Harlem Desir e da Comissão Africana sobre os Direitos Humanos e das Pessoas (ACHPR), Lawrence Mute.

O texto afirma a necessidade de Estados terem leis e outros tipos de normas para assegurar a liberdade de expressão no cenário atual, promovendo um ambiente de mídia mais plural e diverso. Esses devem estar de acordo com padrões internacionais, limitando as restrições à liberdade de expressão, bem como estabelecer formas de garantir a proteção de jornalistas.

Tais legislações devem ter mecanismos para incentivar veículos independentes e serem fiscalizadas e conduzidas por órgãos reguladores independentes das influências de governos de plantão e que realizem uma supervisão apropriada do setor privado.

A declaração conclama autoridades e outros setores a construir uma Internet livre, aberta e inclusiva. Isso passa por reconhecer o acesso à web como um direito fundamental, combater a derrubada das conexões (shutdowns), assegurar a neutralidade de rede (o tratamento não discriminatório do tráfego de dados) e elaborar políticas de fomento à conectividade, especialmente em segmentos populacionais sem recursos para tal.

O texto também assinala a importância de iniciativas para proibir a vigilância ilegal e arbitrária, bem como o uso de ferramentas não transparentes por empresas, como as de spyware (pequenos programas que rastreiam a navegação dos usuários de Internet). Diversos sites e aplicações (como Facebook e Google) monitoram o que os seus usuários fazem não somente quando estão utilizando seus serviços, mas por meio de diversos recursos (como cookies instalados no computador).

(Agência Brasil)

OIT adota nova convenção contra assédio e violência no trabalho

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aprovou uma nova convenção e um texto de combate à violência e ao assédio no ambiente de trabalho. O documento, acompanhado por uma recomendação, foi aprovado no último dia da Conferência da OIT alusiva aos 100 anos da entidade e divulgado nesta sexta-feira (21).

A convenção reconhece que a violência e o assédio no trabalho configuram violações ou abuso aos direitos humanos, constituindo ameaça à igualdade de oportunidades, e são “inaceitáveis e incompatíveis com o trabalho digno”. As informações foram publicadas na página da OIT.

“O documento define violência e assédio como comportamentos, práticas ou ameças que visam, resultam ou se aproximam de prejuízos físicos, psicológicos, sexuais ou econômicos [aos trabalhadores]. Lembramos aos Estados-Membros que eles têm a responsabilidade em promover um ambiente geral de tolerância zero [a esses comportamentos]”, informa o texto da OIT.

Os novos padrões internacionais de trabalho, segundo a organização, visam a proteger trabalhadores e empregados, independentemente dos tipos de contrato, e incluem pessoas em treinamento, estagiários, aprendizes, voluntários e candidatos a emprego.

A convenção entrará em vigor 12 meses após a ratificação de pelo menos dois Estados membros. A recomendação, também aprovada, provê linhas gerais de como aplicar a convenção. Segundo a OIT, esta é a primeira nova convenção aprovada desde 2011, quando foi adotada a Convenção dos Trabalhadores Domésticos.

O encontro da OIT contou com a presença de 5.700 delegados, representantes de governos, trabalhadores e empregadores, dos 187 países que formam a organização.

(Agência Brasil)

Exposição contínua à tela do computador pode afetar crianças e jovens

A tecnologia atual disponível para telas e mídias em geral oferece benefícios, mas também pode trazer riscos para a saúde de crianças e adolescentes. A exposição às telas de computadores, celulares e tablets por crianças e adolescentes pode afetar o sono, a atenção, o aprendizado, o sistema hormonal (com risco de obesidade), a regulação do humor (com risco de depressão e ansiedade), o sistema osteoarticular, a audição, a visão. Tasmbém há riscos de exposição a grupos de comportamentos de risco e a contatos desconhecidos, com possibilidade de acesso a comportamentos de autoagressão, tentativas de suicídio e crimes de pedofilia e pornografia.

O alerta é da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que lançou nesta semana a publicação Uso saudável de telas, tecnologias e mídias nas creches, berçários e escola com o objetivo de compartilhar conhecimento científico com pedagogos, professores e educadores sobre o uso correto da tecnologia para o desenvolvimento neuropsicomotor satisfatório na infância e na adolescência.

“Torna-se essencial que cuidadores e educadores priorizem atividades que auxiliem o aproveitamento do potencial dessas crianças e, portanto, o uso consciente das telas é fundamental. As escolas são fonte de conhecimentos e possuem papel importante em fornecer bons exemplos para pais e cuidadores. O seguimento das diretrizes que protegem e estimulam as crianças de forma adequada pode gerar mudanças significativas em toda a sociedade”, destacou a SBP.

Tempo de exposição

A recomendação de exposição a mídias para crianças menores de dois anos é tempo zero, pois as evidências das pesquisas mostram que as interações sociais com os cuidadores são muito mais eficazes e estimulantes para o desenvolvimento da linguagem, da inteligência, da interação social e das habilidades motoras. Também proporcionam momentos de aprendizagem global, capacidade de resolução de problemas e habilidade de controle emocional, tornando a criança um adulto mais saudável e resiliente.

Para crianças de 2 a 5 anos de idade, a recomendação é de 1 hora por dia de permanência, ao todo, à frente de televisões, celulares, tablets e videogames. Acima dessa idade é recomendável o tempo de até 2 horas. O acesso deve ser monitorado e permitido apenas ao que é liberado para cada idade, respeitando-se a classificação indicativa, além de evitar conteúdos de violência, sexual e de comportamentos inadequados.

Dentre as conclusões apontadas pelo trabalho, está a necessidade de adequação da Lei nº 12.965 de 23 de abril de 2014, que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da internet no Brasil para atividades em escolas e creches. A ideia é garantir o pleno desenvolvimento das crianças e protegê-las dos excessos e perigos do mau uso dos recursos tecnológicos na era digital.

“Os nativos da Era Digital têm direito à utilização e desfrute dos recursos tecnológicos para sua aprendizagem e auxílio ao seu desenvolvimento, mas as famílias e as instituições precisam se adequar, no sentido de diminuir os riscos do mau uso dessas ferramentas”, observam os especialistas.

O texto mostra, a partir de um estudo científico, que crianças de 6 meses a 3 anos, cujos cuidadores usavam livros com hábito frequente de leitura dirigida e linguagem gestual, exibiram mais conhecimento sobre os significados dos símbolos linguísticos.

Elas também obtiveram melhores resultados na avaliação da linguagem e das habilidades sociais, comparadas com outro grupo que passava o mesmo tempo de leitura em aplicativos infantis de estímulo à linguagem e em programas e vídeos educativos na TV e smartphones.

Para a entidade, o estudo mostra que a interação cuidador-criança e as brincadeiras livres não podem e não devem ser amplamente substituídas pela tecnologia do século XXI. A interação entre crianças e adultos e entre as próprias crianças é fundamental para o desenvolvimento e a socialização.

“A SBP entende que a tecnologia, quando usada de forma adequada e apropriada, é uma ferramenta que pode melhorar a vida diária das crianças e ajudá-las em todas as facetas do seu desenvolvimento. Mas, quando usada de forma inadequada, abusiva ou sem planejamento, a mídia pode ocupar o espaço de atividades importantes para o desenvolvimento infantil, como o brincar, a interação face a face, o tempo familiar de qualidade, as brincadeiras ao ar livre, os exercícios físicos, o tempo de inatividade e o ócio criativo”, afirmam os especialistas.

Monitoramento

A SBP recomenda que as escolas e as famílias possam atuar em conjunto com as equipes de saúde no sentido de monitorar rigorosamente o tempo de exposição à tela em casa e na escola, de forma que a soma não ultrapasse o limite recomendado. Recomenda-se também programar os dispositivos para acesso apenas a conteúdo de alta qualidade com eficácia de aprendizagem demonstrada, discutido em equipe no planejamento pedagógico.

Outros conselhos da SBP sugerem o envolvimento ativo dos pais, cuidadores e professores, tanto na leitura digital quanto na leitura de livros, que melhoram a aprendizagem das crianças pela experiência; e a orientação aos familiares sobre a relevância de regras domésticas claramente estabelecidas e cumpridas e os limites para as crianças.

(Agência Brasil)

Dieta irregular pode aumentar risco de morte por ataque cardíaco

Pessoas que tiveram infarto e mantêm dieta irregular – pulando o café da manhã e jantando perto da hora de dormir – têm de quatro a cinco vezes mais chances sofrer outro ataque cardíaco após 30 dias da alta hospitalar. O dado faz parte de trabalho desenvolvido na Universidade Estadual Paulista (Unesp) com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo (Fapesp).

“Nosso estudo foi o primeiro a detectar esses atos [pular café da manhã e jantar tarde] na população infartada. Foi surpreendente descobrir como isso aumenta muito a chance de eventos ruins – morte ou novo ataque – em curto intervalo de tempo”, afirmou Marcos Minicucci, professor da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB-Unesp) e coordenador do projeto.

O professor destaca que já existia, na literatura científica, estudos que comparavam o hábito de não tomar café da manhã na população em geral com risco cardíaco. “Nosso estudo levanta uma hipótese: talvez esses hábitos ruins tenham uma repercussão muito maior do que na população em geral. No entanto, outros estudos precisam ser feitos para confirmar essa hipótese.”

Os resultados da pesquisa foram publicados no European Journal of Preventive Cardiology. O autor principal do estudo é o pesquisador Guilherme Neif Vieira Musse, que desenvolveu o estudo no mestrado, sob orientação de Minicucci.

O trabalho envolveu pacientes com uma forma particularmente grave de ataque cardíaco, chamado infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (STEMI). Foram avaliados 113 pacientes, entre homens e mulheres, durante um ano, de agosto de 2017 a agosto de 2018. A idade média dos pacientes avaliados na pesquisa foi de 60 anos e 73% eram homens.

Os participantes foram questionados sobre os comportamentos alimentares na admissão em uma unidade de terapia intensiva (UTI). O hábito de não tomar café da manhã foi caracterizado como jejum completo até o almoço, excluindo bebidas, como café e água. O jantar tarde foi definido como uma refeição dentro de duas horas antes de dormir, pelo menos três vezes por semana.

Minicucci aponta que não se sabe ao certo por que esses hábitos de tomar café da manhã e de não jantar perto da hora de dormir são bons. “A principal hipótese é que quem tem um hábito ruim deve ter outros hábitos ruins. Por exemplo, talvez essas pessoas que não tomam café da manhã, fumem mais, talvez elas sejam mais sedentárias, talvez tenham hábitos de vida pior do que a pessoa que toma café da manhã e janta mais cedo”, relacionou.

Ele acrescenta que é preciso investigar, no entanto, outros mecanismos que possam explicar a relação entre hábitos alimentares regulares e doenças cardíacas. “Também achamos que a resposta inflamatória, o estresse oxidativo e a função endotelial podem estar envolvidos na associação entre comportamentos alimentares pouco saudáveis e desfechos cardiovasculares”, afirmou.

(Agência Brasil)

Mortes por insuficiência cardíaca aumentam em adultos mais jovens

As taxas de mortalidade devido à insuficiência cardíaca estão aumentando, e esse aumento é mais proeminente entre os adultos com menos de 65 anos, considerados como morte prematura, segundo um estudo da Northwestern Medicine.

O estudo utilizou dados da ampla gama de dados online dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças para Pesquisa Epidemiológica, que inclui a causa de morte subjacente e contribuinte de todas as certidões de óbito de 47.728 milhões de indivíduos nos Estados Unidos de 1999 a 2017. Pesquisadores analisaram a taxa de mortalidade ajustada por idade para adultos negros e brancos entre 35 e 84 anos que morreram de insuficiência cardíaca.

O estudo mostrou, pela primeira vez, que as taxas de mortalidade por insuficiência cardíaca vêm aumentando desde 2012. O aumento das mortes ocorre apesar dos avanços significativos nos tratamentos médicos e cirúrgicos para insuficiência cardíaca na última década.

O aumento no número de mortes prematuras por insuficiência cardíaca foi maior entre homens negros com menos de 65 anos de idade, e estima-se que 6 milhões de adultos nos Estados Unidos tenham insuficiência cardíaca. É a principal razão pela qual os adultos mais velhos são admitidos em hospitais.

“O sucesso das últimas três décadas em melhorar as taxas de mortalidade por insuficiência cardíaca está agora sendo revertido, e é provável que seja devido às epidemias de obesidade e diabetes”, disse Sadiya Khan, professora assistente de medicina na Escola de Medicina da Universidade Northwestern Feinberg e cardiologista da Northwestern Medicine.

“Dada a população em envelhecimento e as epidemias de obesidade e diabetes, que são os principais fatores de risco para a insuficiência cardíaca, é provável que esta tendência continue a piorar”, disse ela.

Dados recentes mostram que a expectativa média de vida nos Estados Unidos também está diminuindo, o que compõe a preocupação de Khan.

No próximo passo, os pesquisadores vão tentar entender melhor o que causa as disparidades na morte cardiovascular relacionada à insuficiência cardíaca.

O estudo foi publicado na segunda-feira no Diário do Colégio Americano de Cardiologia.

Northwestern Medicine é uma colaboração entre a Northwestern Memorial Healthcare e a Escola de Medicina Northwestern da Universidade Feinberg, que inclui pesquisa, ensino e assistência ao paciente.

(Agência Brasil)

Informação nunca é excessiva, diz sociólogo italiano

Nenhum momento histórico nos oferece mais liberdade e mais possibilidades de realização do que o momento atual, mas ainda assim permanecemos leais a estilos de vida do passado. Essa é a visão do sociólogo italiano Domenico De Masi, que há mais de duas décadas vem observando que a tecnologia oferece às sociedades humanas a oportunidade de promover uma redução na obsessão pelo trabalho e uma recuperação da capacidade de contemplação, ócio e divertimento.

Nesta semana, De Masi falou com a Agência Brasil, pouco antes de lançar seu novo livro no Rio de Janeiro, durante um evento na Casa Firjan. Intitulada Uma simples revolução, a obra apresenta um panorama histórico da evolução do conceito de trabalho e propõe que nos reorientemos em direção a uma civilização menos ocupada em busca do dinheiro e do poder e mais ociosa, voltada à introspecção, à criatividade e à convivência. Trata-se de uma continuidade de suas reflexões sobre o “ócio criativo”, conceito que ganhou centralidade em um best-seller que Domenico De Masi lançou em 2000.

O sociólogo classifica a atual sociedade como pós-industrial e faz a defesa da adoção do home office e da diluição das fronteiras entre o lazer e um trabalho mais prazeroso e produtivo, com maiores intervalos de descanso. Além promover mais qualidade de vida, a tecnologia carrega, em sua visão, potencial para fortalecer a democracia. Para De Masi, a intensa circulação de fake news revela uma democratização do uso da mentira ao mesmo tempo que nos coloca o desafio de aumentar a capacidade humana para decodificar as informações.

Agência Brasil – O senhor tem defendido que a tecnologia nos permite reduzir o tempo dedicado ao trabalho, mantendo ou até aumentando a produtividade. Trata-se de um exemplo de uso positivo da tecnologia, nos fazendo mais felizes e aumentando nossa qualidade de vida. Ao mesmo tempo, o senhor aponta que, quanto mais próximo da pré-história, mais distante estamos da violência, sinalizando que o avanço da tecnologia também nos leva a viver conflitos sobre novos prismas. Temos visto recentemente o aumento dos discursos de ódio nas redes sociais. O futuro da sociedade tecnológica concretamente está nos apontando para qual direção?

Domenico De Masi – Quando nos referimos ao trabalho, podemos notar que a tecnologia avança geralmente de forma mais benéfica. As sociedades humanas sempre estiveram muito ligadas à tecnologia. Começamos com aparatos tecnológicos bastante simples. Por exemplo, os martelos, a serra. Depois, descobrimos a tecnologia mecânica. Depois, a eletromecânica que já nos permitiu produzir os automóveis, a energia elétrica. E também começa a substituir determinadas funções desempenhadas por humanos. Mais tarde, chegaram as tecnologias digitais e, com isso, substituímos muitos empregados. De outro lado, cria-se novas áreas para trabalhadores intelectuais de nível superior que serão responsáveis por desenvolver a inteligência artificial. Então, a tecnologia tem assumido, em nosso lugar, atividades pesadas, barulhentas, incômodas e perigosas. O acesso à tecnologia traz ainda outros efeitos positivos. No emprego da farmacologia, por exemplo, permite a possibilidade de curar muitas doenças. Aplicado à cirurgia, também se mostrou muito útil. Mas infelizmente, pode ser aplicada também à violência, com o uso das armas e a promoção das guerras. Nós usamos a tecnologia seja para o bem, seja para o mal. E, quanto mais potente é a tecnologia, mais ela serve tanto para promover o amor como o ódio. A questão é que as tecnologias são guiadas pelos cérebros das pobres pessoas, que precisam usar a racionalidade e a emoção de modo a evitar que causem danos.

Agência Brasil – O Brasil aprovou em 2017 um projeto de reforma trabalhista amplo, no qual se regulamentou pela primeira vez o home office no país.

De Masi – Já era hora. Para chegar do Leblon até aqui, gastei uma hora. Para voltar, outra hora. Gastei duas horas com o tráfego urbano. O tráfego no Brasil, no Rio e ainda mais em São Paulo, é absurdo. Não é possível viver em uma cidade onde se gasta uma hora para se mover de uma parte para outra. A única solução é o teletrabalho (home office). Não há outra solução.

Agência Brasil – A crítica que sua obra direciona a estilos de vida que já poderiam ter sido superados se baseia no escasso tempo que eles deixam para o lazer, a reflexão e a contemplação. Ao mesmo tempo, há teóricos que relacionam, em alguma medida, nossas vidas aceleradas e sem tempo com o intenso fluxo de informação do mundo globalizado. O excesso de informação não traz desafios para nossa capacidade de reflexão e contemplação?

De Masi – A informação nunca é excessiva. Quanto mais melhor. É melhor haver excesso de informação do que uma carência de informação. Durante períodos ditatoriais, as informações se reduzem, não aumentam. Durante períodos de democracia, a informação aumenta. Hoje, graças ao social network, graças à internet, a informação é democratizada. Todos podem dizer a todos a realidade. Curiosamente, também todos podem dizer mentiras a todos. E esta é a verdadeira democracia. Antes, as mentiras só podiam ser ditas por diretores de jornais e pessoas importantes. Na democracia, todos podem dizer mentiras.

Agência Brasil – Há pesquisadores se indagando se o excesso de informação tem gerado apatia. Você não concorda com essa premissa?

De Masi – O excesso de informação pode criar convulsão, desorientação. Mas é excesso em relação a quê? Excesso em relação à capacidade de filtrar a informação, de decodificar a informação. Não devemos reduzir nenhum tipo de informação. Devemos aumentar a capacidade humana de analisar a informação e decodificá-la.

(Agência Brasil)

ONU: uso excessivo de remédios pode matar 10 milhões ao ano até 2050

Relatório de entidades ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado hoje (29), alerta que o uso excessivo de medicamentos e os consequentes casos de resistência antimicrobiana podem causar a morte de até 10 milhões de pessoas todos os anos até 2050.

O prejuízo à economia global, segundo o documento, pode ser tão catastrófico quanto a crise financeira que assolou o mundo entre 2008 e 2009. A estimativa é que, até 2030, a resistência antimicrobiana leve cerca de 24 milhões de pessoas à extrema pobreza.

Atualmente, pelo menos 700 mil pessoas morrem todos os anos devido a doenças resistentes a medicamentos – incluindo 230 mil por causa da chamada tuberculose multirresistente.

“Mais e mais doenças comuns, incluindo infecções do trato respiratório, infecções sexualmente transmissíveis e infecções do trato urinário estão se tornando intratáveis”, destacou a Organização Mundial da Saúde (OMS) por meio de comunicado.

“O mundo já está sentindo as consequências econômicas e na saúde à medida em que medicamentos cruciais se tornam ineficazes. Sem o investimento dos países em todas as faixas de renda, as futuras gerações terão de enfrentar impactos desastrosos da resistência antimicrobiana descontrolada”, completou a entidade.

O relatório recomenda, entre outras medidas, priorizar planos de ação nacionais para ampliar os esforços de financiamento e capacitação; implementar sistemas regulatórios mais fortes e de apoio a programas de conscientização para o uso responsável de antimicrobianos e investir em pesquisa e no desenvolvimento de novas tecnologia,s para combater a resistência antimicrobiana.

(Agência Brasil)

O preconceito nosso de cada dia

Em artigo no o POVO desta segunda-feira (29), a jornalista Neivia Justa aponta que os padrões geral preconceitos, diante da busca pela referência do que é “normal” ou o “ideal” a ser alcançado. Confira:

Você se considera uma pessoa preconceituosa? Antes de ceder à tentação de responder um retumbante “não”, te convido a refletir. Certamente, não nascemos preconceituosos. Mas será possível existir um ser humano adulto que não tenha algum tipo de opinião ou sentimento concebido sem exame crítico?

O preconceito é algo que aprendemos, por pensamentos e palavras, atos e omissões. Quem nos ensina? O grupo social do qual fazemos parte. É pelo exemplo inicial dos nossos pais, familiares, amigos e professores que vamos formando nossos conceitos prévios ou sentimentos hostis, assumidos em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio.

E por que fazemos isso? Porque somos regidos por uma máquina de julgamentos, chamada cérebro, que trabalha o tempo todo reconhecendo padrões e, assim, economizamos tempo e energia para garantir nossa sobrevivência como raça, nossa integridade física e nosso pertencimento à sociedade. Como assim? Nosso cérebro é formado por dois sistemas: o sistema reptiliano/límbico e o neocórtex.

Cerca de 80% das decisões imediatas que tomamos todos os dias acontecem, de maneira inconsciente, por meio do sistema primitivo (reptiliano/límbico). É esse sistema que determina nossos instintos e emoções. Menos de 20% das escolhas que fazemos cotidianamente passam pelo crivo do neocórtex, onde acontece nosso processo de raciocínio, reflexão e ponderação consciente.

E por que buscamos padrões? Porque eles são a nossa referência do que é “normal” ou o “ideal” a ser alcançado. Sempre que algo foge aos padrões socialmente aceitos, que aprendemos e incorporamos ao longo da vida, invariavelmente nos causa estranheza. Estigmatizamos tudo aquilo que tem alguma característica diferente das que havíamos previsto. E é exatamente aí que nascem nossos preconceitos.

Como diria Caetano Veloso, “… quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto, chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto… É que Narciso acha feio o que não é espelho…”.

Vamos abrir espaço nas nossas vidas para incluir a diversidade e as diferenças?

Neivia Justa

Jornalista, executiva e criadora do movimento #ondestãoasmulheres

O sábado de silêncio

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Em artigo no O POVO deste sábado (20), a Doutora em Direito e professora da UFC Juliana Diniz aponta que “o reforço dos vínculos de fraternidade, a unidade em respeito às diferenças e a fé no potencial da virtude são os alicerces de uma compreensão cristã de humanidade”. Confira:

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, publicada no O POVO, pelo menos 32% dos brasileiros acreditam que não vale a pena conversar com quem tem visão política divergente. Cerca de um terço da população desconfia da capacidade da palavra de mediar e convencer, um dado que indica o descrédito da democracia entre nós. A incapacidade de dialogar aponta para a morte do sentido de política como espaço comum, onde sujeitos livres conduzem o conflito de forma organizada. Ao renunciar à capacidade de dizer corremos o risco de mergulhar no arbítrio e na desordem.

Como saída a esse desencanto social, compartilho com o leitor uma reflexão sobre a simbologia da Páscoa que vai além da liturgia religiosa e se concentra em seu sentido ético. Essa meditação reconhece a importância de se manter viva a utopia como caminho para uma transformação efetiva da sociedade. De certa forma, a mensagem pascal é a síntese de fé em um ideal que se alimenta da força do discurso, inspirando a ação humana para a realização do bem e do justo.

Segundo a narrativa bíblica, depois da Paixão da Sexta-feira Santa, guardou-se o silêncio. O sábado simboliza esse momento de recolher-se em preparação para o anúncio da Boa-Nova: a ressurreição do filho de Deus, que inaugura um novo tempo. No domingo, o Cristo transcende a morte física para renascer como palavra, deixada para ser compartilhada como alimento e luz. A palavra é a força viva que transforma, protege o espírito contra a dor da adversidade e da perseguição. O cristianismo se funda em uma visão de mundo onde o verbo é o princípio, a salvação e o futuro.

Graças à força do gênio e do trabalho humanos, esse propósito utópico pode ser vislumbrado em espaços como a magnífica Catedral de Notre-Dame, que resistiu ao fogo nesta semana: em seu interior, nenhuma beleza tem função meramente decorativa, cada nota musical ou cena insculpida na pedra anunciam a visão luminosa de um mundo transformado pelo verbo. O reforço dos vínculos de fraternidade, a unidade em respeito às diferenças e a fé no potencial da virtude são os alicerces de uma compreensão cristã de humanidade e síntese dessa utopia civilizatória. É a essa ideia tão libertadora que me apego para desejar ao leitor a renovação da sua esperança na palavra e na Política. Feliz Páscoa!

Juliana Diniz

Doutora em Direito e professora da UFC

Papa pede respeito à diversidade

Em encontro com estudantes, neste fim de semana, o papa Francisco pediu respeito à diversidade. Francisco disse aos estudantes que não tenham medo “das diversidades” e lembrou que “o diálogo entre as diferentes culturas enriquece um país, enriquece a pátria, e nos faz olhar para uma terra de todos e não só para alguns”.

Outro dos conselhos do papa aos estudantes de Roma foi que “na vida afetiva são necessárias duas dimensões: o pudor e a fidelidade”. Francisco recomendou “amar com pudor e não descaradamente, e ser fiel”, e acrescentou que “o amor não é um jogo e é a coisa mais bela que Deus nos doou”.

Além disso, o papa aconselhou os estudantes a “nunca deixar de sonhar grande e
desejar um mundo melhor para todos”.

(Agência Brasil)

Droga – Papa Francisco pede a estudantes que deixem o vício do celular

Durante discurso para estudantes do instituto público Ennio Quirino Visconti, escola secundária clássica de Roma, o papa Francisco pediu aos jovens, nesse sábado (13), no Vaticano, que se “libertem da dependência” do telefone celular, que é “como uma droga.”
“Libertai-vos da dependência do celular! Por favor!”, clamou Francisco. Ele explicou “que os telefones celulares são um grande progresso de grande ajuda, e é preciso usá-los, mas quem se transforma em escravo do telefone perde a sua liberdade”.
O papa lembrou que “o telefone celular é uma droga” que “pode reduzir a comunicação a simples contatos”.
“A vida é comunicar e não somente simples contatos”, disse Francisco, que também pediu aos estudantes que lutem contra o assédio escolar, que é como “uma guerra”, e confessou que lhe dói saber que, em muitos colégios, existe este fenômeno.
Por ocasião da visita da escola ao Vaticano, o pontífice aludiu a um ensinamento de Santo Agostinho, doutor da Igreja Católica, em latim: “in interiore homine habitat veritas” – “A verdade vive no interior do homem”.
(Agência Brasil)

Mais da metade dos brasileiros está acima do peso

Uma pesquisa do Ministério da Saúde indica que 53% da população brasileira estão com excesso de peso e 45,8% praticam uma atividade física insuficiente. Os valores foram registrados na Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).

Feito em 2017, o estudo envolve entrevistas feitas por meio do telefone, com participação da Associação Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Os números estão longe da meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) que pretende reduzir a inatividade física em 15% até 2030, em todo o mundo.

Segundo pesquisa da OMS em 2018, o número de pessoas que faziam atividades insuficientes totalizava 1,4 bilhão de pessoas. “Acredita-se que um em cada cinco adultos e quatro em cada cinco adolescentes não praticam atividade física de forma suficiente”, disse o diretor de Normas e Habilitação dos Produtos da ANS, Rogério Scarabel.

Neste fim de semana, quando se comemoram o Dia da Atividade Física (6) e o Dia Mundial da Saúde (7), a ANS lança o projeto Movimentar-se É Preciso. Por meio do seu Programa de Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos de Doenças (Promoprev), a agência está estimulando as operadoras de saúde a realizarem programas voltados a atividades físicas para seus beneficiários nestes dois dias.

(Agência Brasil)

Quando eu falar, ele será sem nome

Em artigo no O POVO deste sábado (23), a Doutora em Direito e professora da UFC Juliana Diniz avalia a atitude da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, que se recusou a pronunciar o nome do terrorista que invadiu uma mesquita no país e matou 50 pessoas. Confira:

No último 15 de março, um atirador invadiu a mesquita de Al Noor, na cidade de Christchurch, Nova Zelândia. No espaço religioso da mesquita, uma comunidade de muçulmanos se dedicava pacificamente à prática de sua fé. O invasor abriu fogo, matando 50 pessoas e deixando dezenas de feridos. Considerado pelo governo um ato terrorista, o atentado foi transmitido ao vivo pela internet a partir de uma câmera fixada no capacete do atirador.

A primeira-ministra da Nova Zelândia é Jacinda Ardern, uma mulher de 38 anos. Não é a primeira vez que escrevo sobre ela. Em 29 de setembro, mencionei um episódio simbolicamente forte: Jacinda levou seu bebê de colo a uma reunião da Assembleia Geral da ONU. Nesta semana, em seu primeiro discurso ao Parlamento após o atentado, Ardern proferiu a frase do título. Declarando sua recusa em conceder qualquer notoriedade ao atirador, ela disse: ele será, quando eu falar, sem nome.

A frase é poderosa pelo que carrega de significado – ela sintetiza não só um conjunto de valores como uma postura pública. Um atentado não se reduz à violência pura e simples. Ele pretende ter um sentido, por isso se situa no campo do discurso. Ao praticar um ato terrorista, o que um sujeito ou grupo almeja é a disseminação de uma ideia pela performance. A violência assume uma estética bárbara para, pela hiperexposição midiática, enunciar. No episódio de Christchurch, o ato enuncia a anti-imigração e a recusa do direito à diferença.

A resposta de Ardern foi irrepreensível. Ao discurso terrorista negador dos valores da democracia moderna (igualdade, solidariedade, liberdade), a primeira-ministra impôs a sombra do desaparecimento. Recusou-lhe nome, face, voz. Ao país, sua resposta foi o compromisso com o endurecimento da legislação sobre venda de armas e a promoção de campanha de devolução voluntária de armamentos. À comunidade islâmica, Ardern ofereceu, sobretudo, uma profunda e consciente sensibilidade. Se não é possível conhecer o sofrimento dos irmãos muçulmanos, disse ela, é possível solidarizar-se com a sua dor e vivê-la como experiência de trauma coletivo. Um trauma que só deve levar à afirmação do princípio de fraternidade que está na gênese da ideia de Estado de Direito. A todo o mundo, Ardern lembrou a potência de uma ideia ainda revolucionária: us together, ser junto, nós.

Sancionada lei que proíbe casamento antes dos 16 anos de idade

Foi sancionada a lei que altera o Código Civil e proíbe o casamento de menores de 16 anos de idade (Lei 13.811/19). O código permitia o casamento de menores de 16, desde que autorizado pelos pais, para evitar cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez.

A mudança partiu de um projeto de lei (PL 7119/17) da ex-deputada Laura Carneiro (RJ), aprovado pela Câmara dos Deputados no ano passado.

Na ocasião, Laura Carneiro divulgou números alarmantes sobre o casamento infantil – 877 mil crianças se casaram no Brasil até os 15 anos de idade, sendo 88 mil com 10 anos de idade. “Não se sabe os motivos desses casamentos, eventualmente podem ter ocorrido fraudes, por exemplo, a questão da Previdência, pode ter ocorrido a venda da criança sexualmente, existem abusos sexuais que são esquecidos com o casamento e com a reparação financeira. Existem vários motivos que levam a esse casamento”, declarou.

Campanha da ONU

A relatora do projeto no Plenário da Câmara, deputada Maria do Rosário (PT-RS), ressaltou que a medida atende a uma campanha da Organização das Nações Unidas (ONU) para que os países tenham legislações nacionais sobre o tema. “O Brasil é um dos países com alto número de crianças e adolescentes vivendo com homens adultos, maritalmente. Isso leva ao abandono da escola, à gravidez precoce, à violência sexual cotidiana e, muitas vezes, ao próprio feminicídio”, afirmou.

A nova lei não muda a situação de homens e mulheres que tenham entre 16 e 18 anos. Estes só podem se casar se tiverem a autorização de pais ou responsáveis, já que ainda não atingiram a maioridade civil.

(Agência Câmara Notícias)

Uma besta chamada Desejo

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Em artigo no O POVO deste sábado (9), a jornalista Regina Ribeiro aponta quer Bolsonaro “tem uma obsessão por sexo envolto num discurso puritano, de proteção à família e às crianças, mas que parece encobrir a besta fera de alguns desejos que correm soltos em torno” do presidente. Confira:

A cena tinha um quê de bizarrice. O então candidato Jair Bolsonaro passou a mostrar o livro enquanto dava uma entrevista para um grupo de apoiadores em Curitiba. Levantou-se. Assumiu o púlpito do auditório. Antes, disse que o livro que tinha nas mãos estava sendo distribuído para crianças de seis anos nas escolas e como tinha sido impedido de mostrá-lo durante sua entrevista no Jornal Nacional, da Rede Globo, faria naquele momento. (A entrevista em si já havia lhe rendido alguns frutos durante a campanha presidencial no ano passado). O candidato então abriu as páginas do livro.

“Vejam isso aí. Você enfia o dedo numa página e aparece o pinto do menino. Vejam o que vão fazer com as nossas crianças”. Ele havia esperado o momento certo para fazer aquele experimento diante das câmeras. O episódio transformava o homem adulto num menino, “petit Jair” – como sugeriu de forma bem humorada, a autora francesa do livro, Hélène Bruller – “descobrindo o próprio pinto”.

O livro “Aparelho Sexual & Cia”, a bem da verdade, foi lançado na França em 2001, por Bruller e o escritor suíço, Zep. Chegou ao Brasil cinco anos depois, editado pela Companhia das Letras. Trata-se de uma obra destinada a pais e professores sobre educação sexual para crianças e adolescentes que nunca foi distribuído em escola nenhuma, tampouco fez parte de kit algum. O livro está esgotado há anos. O episódio não foi apenas bizarro, ele deu o tom da sexualização da campanha bolsonarista, que também fez distribuir em vídeos uma tal mamadeira em forma de pênis que, da mesma forma, seria distribuída nas escolas.

O primeiro e segundo parágrafos deste texto foram escritos no dia 6 de setembro do ano passado, dia em que o candidato do PSL fora esfaqueado em Minas Gerais. Por respeito ao momento triste vivido pelo País e por Bolsonaro, desisti do artigo que fazia uma crítica à forma como o tema da sexualidade estava sendo tratada na campanha e escrevi outro no qual lamentava o ataque ao candidato. Não tive coragem de abordar o que eu considerava visíveis “transtornos sexuais” da campanha, num momento em que o homem estava entre a vida e a morte num hospital.

Até terça-feira passada não imaginava que pudesse voltar a esse assunto tão delicado, mas que é uma marca do presidente. É possível dizer hoje que Nosso Presidente tem uma obsessão por sexo envolto num discurso puritano, de proteção à família e às crianças, mas que parece encobrir a besta fera de alguns desejos que correm soltos em torno do mandatário da nossa Nação. Apenas isso justifica a postagem do vídeo feito por Jair Bolsonaro no Twitter, onde ele tem 3,7 milhões de seguidores, incluindo adolescentes e jovens.

O presidente afirma que não se sentia “confortável” em postar o vídeo obsceno. No entanto, já sabemos: a verdade não é o forte de Jair. Se dissesse a verdade, diria “tenho um imenso prazer em postar essas imagens”. Apenas o prazer faz um ser humano agir com tamanha desenvoltura diante dos deslimites. O prazer que ele tanto luta para disfarçar, encobrir, condenar. Um prazer visivelmente patológico, que torna suas exposições nesse campo um mar de destempero, infâmia, vileza. Mas ainda um prazer.

Regina Ribeiro

Jornalista do O POVO