Blog do Eliomar

Categorias para Comportamento

Onde está o preconceito?

Em artigo no O POVO deste sábado (11), o procurador de República Rômulo Conrado aponta o preconceito oculto sob as mais variadas justificativas, o que nos torna menos plurais do que deveríamos. Confira:

O Brasil é uma democracia plural, aqui coexistindo pessoas das mais diversas tendências, sendo diferentes as visões de mundo, crenças, cor da pele e situação econômica, entre muitos outros fatores que nos aproximam ou distanciam. Até hoje, contudo, nos deparamos com o preconceito oculto sob as mais variadas justificativas, o que nos torna menos plurais do que deveríamos.

Eles lá, eu aqui: muitos sustentam, em relação aos “diferentes”, não terem nada contra, desde que estejam separados. Trata-se de postura declarada inconstitucional pela Suprema Corte dos Estados Unidos já no ano de 1955, em que se afastou a segregação racial nas escolas, que somente contribuía para perpetuar a desigualdade.

No ano seguinte foi declarada inconstitucional também em relação ao transporte coletivo. Idêntica justificativa também se aplica em relação aos que afirmam não ter preconceitos no que tange à orientação sexual de terceiros. Aqui não cabe falar em tolerância, mas sim em reconhecer a igualdade como um valor e um direito.

Meus filhos quem educa sou eu: a Constituição Federal de 1988 reconhece ser a família a base da sociedade, tendo especial proteção do Estado. Isso não significa, porém, uma exclusividade para fins de doutrinação, já que a sociedade, o Estado e notadamente a escola concorrem para a educação e também para que sejam colocados a salvo de negligência e discriminação.

O problema dos imigrantes é que roubam nossos empregos: muitos acreditam que se acolhermos as pessoas que chegam ao Brasil fugindo de conflitos, como determina nossa Constituição Federal, propiciaremos que roubem empregos de brasileiros. Em todo o mundo, porém, não é possível afirmar, com base em dados estatísticos, tenha ocorrido prejuízo aos nativos com o afluxo de estrangeiros, mas sim a substituição de funções com o surgimento de novas atividades.

É preciso com frequência repensar nossas crenças e ideias.

Rômulo Moreira Conrado, procurador da República

Debate “Homens contra o Machismo” acontece na terça-feira

Na terça-feira (31), a partir das 19 horas, no Instituto Poliglota, acontece mais uma Roda de Homens contra o Machismo. Iniciado no começo de julho, o espaço chega ao terceiro encontro tratando do tema “Masculinidades”, com mediação da escritora Helena Vieira, ativista transfeminista e pesquisadora de Gênero e Sexualidade.

A atividade, aberta ao público – homens e mulheres -, acontece no estacionamento do Instituto Poliglota, que fica na rua Fiscal Vieira, 3657, próximo ao mercado do Joaquim Távora.

(Foto – Divulgação)

Brasil tem dificuldade de atrair jovens para a carreira de professor

O Brasil, assim como outros países da América Latina, tem dificuldade em atrair jovens talentosos para a carreira de professor. Essa é uma das conclusões do estudo Profissão Professor na América Latina – Por que a docência perdeu prestígio e como recuperá-lo?, divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

No Brasil, apenas 5% dos jovens de 15 anos pretendem ser professores da educação básica, enquanto 21% pensam em cursar engenharia. No Peru, o índice dos que pretendem optar pela docência é de menos de 3%, contra 32% que querem se tornar engenheiros. Por outro lado, em países onde a profissão é mais valorizada, o interesse tende a ser maior, como na Coreia do Sul, onde 25% dos jovens têm a intenção de lecionar, e na Espanha, onde o índice chega a quase 20%.

Entre as razões para o desinteresse para atuar na educação básica estão, segundo a pesquisa, os baixos salários. “Mesmo nos últimos anos, após uma década de incrementos nos salários dos professores, eles continuam a ganhar consideravelmente menos do que outros profissionais”, enfatiza o texto.

A partir dos dados das pesquisas domiciliares no Brasil, Chile e Peru, o estudo do BID mostra que os educadores ganham cerca da metade da remuneração de profissionais com formação equivalente. No Equador, a diferença é menor, mas os professores ainda recebem 77% da remuneração de outras áreas. No México, os vencimentos dos trabalhadores da educação é de 83% dos de outros ramos.

Além da questão financeira, o estudo aponta para as condições de trabalho como razão do desinteresse dos jovens pela docência. “Muitas vezes a infraestrutura das escolas latino-americanas é deficiente em relação a equipamentos e laboratórios e até mesmo em termos de serviços básicos”, ressalta o documento.

O estudo menciona as informações levantadas pelo Laboratório Latino-americano de Avaliação da Qualidade da Educação em 2013 sobre escolas de 15 países latino-americanos, incluindo o Brasil. Na ocasião, foi constatado que 20% dos estabelecimentos de ensino não tinham banheiros adequados, 54% não tinham sala para os professores e 74% não contavam com laboratório de ciências.

O estudo aponta ainda que muitos jovens acabam seguindo a carreira docente “por eliminação, não por vocação”. Recuperando dados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2008, a pesquisa destaca que, à época, 20% dos estudantes de ensino superior com foco no magistério haviam feito a opção para ter uma alternativa caso não conseguissem outro emprego e 9% por ser a única possibilidade de estudo perto de casa.

“Ser professor na América Latina não é uma carreira atraente para jovens talentosos do ponto de vista acadêmico. Não se pode ignorar o fato de que muitos futuros professores decidem frequentar um curso de carreira docente exatamente por ser uma carreira mais acessível no aspecto acadêmico, e não necessariamente por terem uma vocação pedagógica”, analisa o estudo.

Esse problema tem, junto com outros fatores, reflexos no desempenho dos estudantes. Os dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), citados pela pesquisa, mostram, por exemplo, que os conhecimentos em leitura, matemática e ciências dos jovens de 15 anos da região está dentro dos 40% dos com pior resultado entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O percentual dos estudantes que não atingem o nível básico das competências é mais do que o dobro da média da OCDE.

(Agência Brasil)

A saia, o bumbum e os chatos

Em artigo no O POVO deste sábado (28), a jornalista Maísa Vasconcelos aponta que “não se pode aceitar a imposição de modelos que objetificam, subestimam capacidades e confundem a percepção do que é ser mulher”. Confira:

A morte da bancária Lilian Quezia Calixto, depois de passar por um procedimento estético com o médico Denis Cesar Barros Furtado, não pode ser somente mais um caso de polícia. Para além de cobrar rigor na punição dos responsáveis, é preciso estarmos dispostos a refletir e tentar entender o que nos leva à busca alucinada, muita vezes cruel, pelo “corpo perfeito”.

Mulheres correspondem a 86,2% dos mais de 20 milhões de procedimentos estéticos em todo o mundo, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética. O Brasil ocupa a segunda posição no ranking dessas intervenções, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Cada vez mais cedo, adolescentes submetem seus corpos a cirurgias estéticas.

Barriga negativa, seios grandes e firmes, bumbum empinado, coxas alongadas, nariz e rosto afilados, púbis e vagina de menina… O que mais? Quase sempre, a “solução” para chegar ao corpo idealizado mostra-se como transformação, ponte para construção da autoestima. Tudo feito de forma rápida, simples, com recuperação em poucos dias, sem cicatrizes. Sonho parcelado, vendido em pacotes.

Não estou dizendo que se deva julgar quem deseja mudar o que lhe incomoda e traz sofrimento. Há saídas possíveis e importantes para alcançar uma felicidade que passa também por ter um corpo que corresponda ao que a mente almeja. Apenas não se pode aceitar a imposição de modelos que objetificam, subestimam capacidades e confundem a percepção do que é ser mulher. Especialmente se há na fabricação desses parâmetros a vontade de dominação masculina.

Na segunda-feira, O POVO chamou atenção para a exploração do corpo feminino no panfleto de uma festa em Beberibe: O “Forró da Mini Saia” oferece prêmio de R$ 150 à mulher com a saia mais curta. O Ministério Público do Ceará notificou promotores do evento. Nos comentários, um leitor escreveu: “O mundo está muito chato!”.

Maísa Vasconcelos, jornalista do O POVO

O mundo mudou, repare

Em artigo no O POVO desta sexta-feira (27), o jornalista Sérgio Falcão ressalta os anseios das novas gerações. Confira:

Os conceitos, certezas e paradigmas vêm mudando, principalmente, a partir do século XXI. A velocidade e profundidade do debate expõem regras e compreensões que não se encaixam nos questionamentos e anseios das novas gerações. O mundo mudou e, se não reparou, é melhor se integrar aos novos tempos.

As profissões de ouro sonhadas pelos pais, no passado, eram na Medicina, Direito e Engenharia. Aos meninos a cobrança nos estudos, quanto às meninas, cuidadas para um bom casamento. As últimas décadas trouxeram o protagonismo feminino e o empoderamento contra o arcaico machismo, no presente e na condução do futuro as mulheres tomaram as rédeas do próprio destino com força, competência e destaque em todas as áreas. Barreiras teimam em permanecer, direitos, igualdade e respeito a todos precisa prevalecer.

O processo de decisão profissional acontece na adolescência, geralmente por influência familiar, numa idade frágil quando o autoconhecimento e percepção do mundo estão sendo elaborados.

Mesmo quando, cada vez mais, testes e orientações vocacionais procuram conduzir à melhor escolha da carreira o risco continua a ser grande. A vida universitária e a realidade do mercado de trabalho são diferentes do imaginado e testam a cada dia as escolhas profissionais.

As frustrações profissionais são, atualmente, mais frequentes, quer por escolhas erradas ou porque já não atendem as necessidades pessoais que se transformam ao longo da vida. O ser humano, como dizia Raul Seixas, é metamorfose ambulante. Passamos a nos permitir a aceitar o erro e, mesmo com as críticas, buscar novos desafios. A felicidade pessoal caminha com a profissional, são indivisíveis.

Mas, o que significa sucesso profissional? Reconhecimento, profissional e financeiro, e satisfação pessoal? Se assim pensarmos, as “boas profissões” estão também e além da tríade dourado, passeiam por todos os campos do conhecimento. Novos comportamentos, mercados, inovações e reinvenções dos modelos atuais vêm descortinando novas profissões e criando oportunidades para quem percebe que a vida é um infindável espaço de possibilidades desde que haja vocação, dedicação e coragem. Como escreve Guimarães Rosa, o que a vida quer da gente é coragem.

Sérgio Falcão, editor-chefe do O POVO.Doc

Segurança é o tema mais debatido pelos brasileiros no Facebook

Assuntos relacionados a segurança e economia são os mais debatidos pelos brasileiros no Facebook. No total, 64 milhões de pessoas geraram quase 1 bilhão de interações no mês de abril. Este tipo de mapeamento nunca foi disponibilizado publicamente pela companhia.

Os dados foram apresentados pela empresa em um evento sobre internet e eleições, realizado nessa sexta-feira (20), em Brasília. A plataforma mapeia os assuntos discutidos e organiza estes em grandes temas. No monitoramento compartilhado no evento, foram identificados os números de pessoas abordando as questões, o número de interações (curtidas, comentários, compartilhamentos) e o percentual por gênero. Os dados são relativos ao mês de abril.

Diferentemente de pesquisas de opinião, que baseiam suas análises em uma amostra de alguns milhares de entrevistados, o quadro montado pelo Facebook toma como referência a sua base de usuários, que chegou a 127 milhões de pessoas, mais da metade da população brasileira

De acordo com o levantamento, segurança e economia foram os temas mais populares. O primeiro teve 262,2 milhões de interações promovidas por 32,3 milhões de pessoas. Já questões vinculadas ao universo econômico geraram 165,8 milhões de interações envolvendo 30,4 milhões de pessoas.

No ranking de áreas objeto de maior preocupação, os dois temas são seguidos por educação (119,9 milhões de usuários e 26,7 milhões de pessoas), tecnologia (102 milhões e 19,4 milhões), saúde (96 milhões e 25,9 milhões) e habitação (81,3 milhões e 19,7 mihões).

Na divisão por gênero, o tema de maior preocupação das mulheres foi Saúde (65% to total de pessoas interagindo), seguido de Educação (64%) e Habitação, Economia, Meio Ambiente e Gênero (62%). Já a participação de homens foi maior nas conversas virtuais sobre Indústria (47%), Segurança (43%), Agricultura (41%) e Turismo e Transporte (40%).

(Agência Brasil)

DETALHE 1 – A pesquisa mostra o grau de interesse da mulher brasileira pelos temas mais importantes do País, todos com percentuais maiores que os dos homens.

DETALHE 2 – Apesar de todos os temas estarem na esfera política, o brasileiro não se interessa muito em debater os políticos.

Amigos

Em artigo sobre o Dia da Amizade, o sociólogo e jornalista Demétrio Andrade avalia os diversos conceito de amigo. Confira:

Costumo dizer que tenho poucos amigos. É uma palavra que costumo tratar com muito cuidado, diria até com certa reverência. Mas, com o tempo, descobri que isso é muito relativo. O conceito “amigo” ganhou diversas facetas, cada uma delas com suas idiossincrasias próprias. Roberto Carlos, por exemplo, quando fala em ter “um milhão de amigos” o faz dentro de uma realidade tipicamente romântica: uma utopia que fez a alegria, lembro bem, de vários políticos que usaram este verso como slogan.

Aliás, o mundo do poder tem muito isso. Algumas pessoas adoram dizer que são amigos do fulano ou do sicrano mais ou menos influente. É o chamado amigo oportunista: aquele que apertará sua mão enquanto você detiver algum rasgo de superioridade sobre os demais. Como também cantava Nélson Cavaquinho, “Você tendo vida, saúde e dinheiro/Todos lhe querem muito bem/Mas se você fracassar/Pode ter a certeza/Que ninguém vem lhe procurar”. Mas não quero tratar de falsidade aqui, mas de tipologias cordiais.

Tem o amigo do bar. Aquele que na quinta-feira já está cheio de disposição para iniciar os trabalhos. Copos virados aqui e ali, algumas confissões inenarráveis, risos e choros e declarações de amor. O amigo do bar é, de fato, uma delícia, quase uma terapia, um anteparo seguro para se lamentar das agruras da vida ou dividir alegrias.

Tem o amigo do trabalho. A convivência diária, por horas a fio, lhe faz criar uma sensação de quase intimidade – às vezes até íntima demais. É aquele amigo com o qual você resolve os problemas, alcança vitórias profissionais, reclama da burocracia ou daquele colega que não cumpre suas metas. Num mundo esquadrinhado pelo viés econômico, o cara que bate ponto com você cotidianamente não pode ser tratado como qualquer um.

Tem o amigo da escola ou da faculdade ou do local de estudo. Com alguma sorte, você pode cultivar, desde a infância, aquele amigo dos primeiros saberes, dentro e fora da sala de aula. Alguns fazem reuniões anuais no antigo colégio ou em lugares onde possam se confraternizar e lembrar momentos que construíram histórias individuais ou coletivas: a professora, a viagem, o racha na hora do recreio.

Tem o amigo da rua, do condomínio, o famoso vizinho. Minha mãe sempre diz que é fundamental estabelecer laços de confiança com quem mora próximo a você. Muito provavelmente, na hora da urgência, são estes amigos que vão lhe prestar os primeiros socorros. Dar um simples “bom dia” no elevador é essencial para criar um mínimo de interação que vá além das portas e muros.

Poderia citar vários outros exemplos, geralmente vinculados aos locais que normalmente circulamos: igrejas, estádios, clubes, locais de nascimento e tantos outros. Mas há amigos que vão além daquele núcleo inicial, entram na sua casa, na sua vida, lhe acolhem de um jeito tal que se tornam imprescindíveis. E mais: mesmo passando anos e anos sem se ver, os reencontros continuam cheios de cumplicidade e afeto.

O fato é que, tal qual os bens materiais, é necessário cultivar um patrimônio imaterial. Uma economia de afetos. Pudera o mundo ter mais pessoas que priorizassem o amor aos amigos que suas contas bancárias. Até porque, creio eu, você pode até ter a ilusão de comprar amigos com dinheiro (e aí, meu caro, é torcer pro seu pote de ouro não acabar). Mas quem tem amigos mesmo, de verdade, sabe que eles simplesmente não tem preço.

Demétrio Andrade, sociólogo e jornalista

Nascimentos na China caem 3,2% em 2017

O número de nascimentos caiu 3,2% na China em 2017 em relação ao ano anterior, ao atingir 17,58 milhões de bebês, segundo números divulgados pela Comissão Nacional de Saúde e citados pela imprensa estatal.

O ano anterior, 2016, tinha sido o primeiro após o final da política do filho único e na China houve 18,46 milhões de nascimentos, com um aumento de 11,5% sobre o exercício precedente.

No entanto, esse efeito positivo só durou um ano no número global de nascimentos. Mesmo assim, 51% dos bebês nascidos durante 2017 não eram o único filho da família, acrescentam os dados de hoje.

O governo chinês eliminou a partir do dia 1º de janeiro de 2016 a política do filho único a fim de combater o envelhecimento demográfico, permitindo que as famílias tivessem dois filhos.

No entanto, apesar do aumento inicial do primeiro ano, a forte queda do segundo e da primeira metade de 2018 está levando as autoridades a pensar em eliminar todos os limites à natalidade, segundo informou a imprensa, algo que poderia ocorrer inclusive este ano.

Após o final da política do filho único, implantada em 1979, os nascimentos não aumentaram o esperado pelas autoridades devido, conforme declarações de várias fontes, à falta de habitação nas grandes cidades e de serviços como educação ou saúde.

(Agência EFE)

Para quê ter vergonha na cara? – Postagem de procuradora no Twitter será investigada

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) abriu hoje (4) uma reclamação disciplinar para apurar a conduta da procuradora da República Monique Cheker, que atua no Ministério Público Federal (MPF) em Petrópolis (RJ).

O processo foi aberto a partir de uma solicitação de um dos integrantes do colegiado para avaliar possível falta funcional da procuradora ao postar uma mensagem na rede social Twitter.

Ontem (3), Monique postou uma mensagem na qual dizia: “Não há limite. Vamos pensar: os caras são vitalícios, nunca serão responsabilizados via STF ou via Congresso e ganharão todos os meses o mesmo subsídio. Sem contar o que ganham por fora com os companheiros que beneficiam. Para quê ter vergonha na cara?”.

Segundo informações da assessoria de comunicação do CNMP, após a postagem, o conselheiro Luiz Fernando Bandeira de Mello pediu formalmente à corregedoria do órgão a abertura da reclamação disciplinar contra a procuradora. Em seguida, o ministro do STF Gilmar Mendes também pediu providências ao corregedor nacional do Ministério Público, Orlando Rochadel, por meio de uma mensagem enviada para o celular do corregedor. Mendes também falou em nome do ministro Dias Toffoli, segundo o conselho.

Com abertura da reclamação, o processo será distribuído a um integrante auxiliar da corregedoria, que vai analisar o caso. Não há prazo para a conclusão da tramitação.

Após a publicação, a procuradora Monique Checker se defendeu das acusações e disse que não se referiu a ministros do STF . “Não há menção a ministros do STF”, afirmou.

DETALHE – Em abril deste ano, a procuradora se envolveu em polêmica, após comentar a prisão do ex-presidente Lula: Em direção ao IML. Vão fazer teste de alcoolemia?

(Agência Brasil)

Não tem graça, é misoginia e nos envergonha

Em artigo no O POVO deste domingo (24), a jornalista Lucinthya Gomes avalia a postura de torcedores brasileiros, na Copa da Rússia, diante do constrangimento imposto a cidadãs russas. Confira:

O vídeo em que torcedores brasileiros, na Copa do Mundo da Rússia, cercam uma mulher e se referem à cor de sua genitália viralizou nas redes sociais porque o momento é outro. Por mais velhas que sejam a atitude machista e a naturalização da “brincadeira de homens de bem que não tiveram a intenção de ofender”, a repercussão do lamentável episódio deixou clara a mensagem: a cena não tem graça, é misoginia e nos envergonha.

Por outro lado, assusta que esse tipo de “brincadeira” tenha sido praticado por outros grupos, de outros países, com tantas outras vítimas. Algo tão trivial, que chegou a ser filmado e, como num gesto que parece de orgulho e digno de aplauso, vem sendo compartilhado por seus próprios autores em suas redes. Tão banal, quanto espantoso.

Até que os autores começaram a ser identificados e, depois de tamanha pressão social, começou-se a falar em responsabilização. Como disse antes, o momento é outro. As empresas e instituições já começam a entender que não compensa estarem vinculadas a tais atitudes. Que bom.

Contudo, como se estivéssemos sempre no movimento de um passo para frente e outro para trás, surgem as tentativas de justificar o que não se aceita mais. Com o risco de serem punidos, os responsáveis tentam inverter a situação e se colocar como vítimas. Não são. E é neste basta que espero que o pêndulo descanse. Não dá mais para tratar como atos inocentes a humilhação e o constrangimento de mulheres.

ONU Mulheres condena assédio promovido por brasileiros na Rússia

O escritório brasileiro da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) divulgou nota nessa sexta-feira (22) condenando as práticas de assédio e constrangimento promovidas por torcedores brasileiros na Copa da Rússia.

“É inaceitável a intenção deliberada de alguns torcedores brasileiros de assediar sexualmente mulheres durante a Copa do Mundo, valendo-se de constrangimento, engano, e assim violando os direitos humanos das mulheres”, afirmou a representante da entidade, Nadine Gasman, no comunicado.

Segundo ela, ao utilizar palavras de baixo calão, torcedores reduziram as mulheres a objetos sexuais em um exemplo de como a misoginia “assume diferentes formas e não tem fronteiras, ocorrendo em um evento que se propõe a promover a integração dos povos e a união pelo esporte”.

Desde o início da Copa, circularam nas redes sociais diferentes registros em que torcedores brasileiros constrangem e assediam mulheres. Em um dos casos, brasileiros se aproveitam do fato do desconhecimento do português de uma mulher russa para induzi-la a pronunciar termos ofensivos.

(Agência Brasil)

Demitido – Torcedor brasileiro alega que russas gravaram vídeo “por livre e espontânea vontade”

689 6

O torcedor brasileiro Felipe Wilson não tem mais o que comemorar na Copa da Rússia, mesmo que o Brasil conquiste o título do hexa. É que o então supervisor da companhia aérea Latam foi avisado de demissão, diante da má conduta contra mulheres russas, expostas em vídeo gravado por um amigo do torcedor, quando elas tentam falar o português na frase “eu quero dar a b… para vocês”.

“Todas as atitudes do vídeo foram feitas por livre e espontânea vontade de ambas as partes, de maneira descontraída, como uma brincadeira. Em nenhum momento, elas foram coagidas a fazer algo que não quisessem”, comentou o torcedor brasileiro, em entrevista ao UOL Esporte.

De acordo com Wilson, seus familiares e amigos entenderam o momento de “descontração”. “Não esperava que um momento de descontração tomasse tamanha proporção negativa em minha vida. Este tipo de atitude não pertence à minha conduta. Estou tendo o apoio de amigos e familiares para que esta situação termine o mais rápido possível. Peço desculpas aos ofendidos, em especial à sociedade russa”, disse.

(Com Agências / Foto: Reprodução)

Sobre coisas que duram

Em artigo sobre as atuais relações humanas, o jornalista e sociólogo Demétrio Andrade aponta que “não se casa mais. Não se namora. Não se ama mais”. Confira:

Minha mãe criou os quatro filhos com o mesmo liquidificador. Até um dia destes, ela usou o o aparelho pra fazer vitamina pros netos. Uma base de ferro, com mais de 40 anos de frequência diária e funcionando perfeitamente. Pois bem. Coisa de dois anos atrás, uma TV lá de casa sumiu com a imagem. Fui na autorizada e me informaram que não havia mais peças de reposição. Mais que isso: me aconselharam a, como se se diz na Parquelândia, pegar a televisão e “rebolar no mato”.

Contrariando o mercado, encontrei – por pura sorte, diga-se de passagem – um sucateiro que tinha a peça para reposição. A parte mais brilhante da minha sala continua a resplandecer firme e forte. O que mais me deixou indignado é ter sido informado que qualquer fabricante só é obrigado a fornecer peças durante, no máximo, oito anos. Isso mesmo. Prazo maior, você ficará na mão de sucateiros, como eu.

Desculpem, mas caí na tentação de traçar um paralelo deste fato com as relações humanas atuais. Não se casa mais. Aposta-se como no jogo do bicho. Não se namora. Fica-se. Não se ama mais. Acha-se que. Não se monta uma empresa. Terceiriza-se. O “longo prazo” não se usa nem quando se investe dinheiro. A bolsa de valores não é mais somente um indicador econômico: é uma referência sentimental. Como diria o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na obra “Amor líquido”, vivemos tempos em que nada é feito para durar, com relacionamentos que escorrem entre os dedos.

Temos dificuldade de comunicação afetiva e isso gera medo e/ou insegurança. As relações terminam tão rápido quanto começam, as pessoas pensam terminar com um problema cortando seus vínculos, mas o que fazem mesmo é criar problemas em cima de problemas. O poeta Pualo Leminski ensina: “no fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto. A partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela silêncio perpétuo. (…). Mas problemas não se resolvem, problemas têm família grande, e aos domingos saem todos passear: o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas”.

Nestes mundo de incertezas e individualista, temos relacionamentos instáveis e flexíveis. No mundo virtual é fácil desconectar-se, pois as pessoas estão sendo tratadas como bens de consumo, ou seja, caso haja defeito descarta-se – ou até mesmo troca-se – por “versões mais atualizadas”. Mas no real paga-se um preço alto.

Nélson Rodrigues costumava dizer que “todo amor é eterno e, se acaba, não era amor”. Longe de ser tão incisivo e de pregar indiossincrasias amorosas, lembro que todo evento futuro é uma construção. E toda construção, se não depender somente da pura sorte, tem vínculo estreito com o trabalho, a crença, o cuidado e a cumplicidade relacional. Não sei se hoje, na rapidez cotidiana, estamos preparados para este tipo de investimento, já que é sempre mais fácil o descarte.

Evidente que tudo muda, mas a dialética relacional da humanidade está bem longe da simplicidade. A economia dos sentimentos não guarda, nem de longe, semelhança com a objetificação mercantilizada da convivência social. Mesmo que não seja duradoura, porém, ela tende a ser intensa, em todas as suas formas.

Demétrio Andrade,

jornalista e sociólogo

Um país é maior do que uma crise, sempre

Editorial do O POVO desta segunda-feira (18) aponta o desânimo do brasileiro com a atual realidade do País. Confira:

Acumulam-se as informações colhidas nas pesquisas realizadas por institutos acreditados que confirmam um momento de desalento do brasileiro como poucas vezes há registrado na história do País. Um quadro preocupante, alarmante em alguns aspectos, e que exige uma estratégia de reversão que parecerá ineficaz se entendermos, como sociedade, ser uma tarefa unicamente de governo ou de políticos. É a alma do brasileiro que está ferida, significando que lidamos com um problema maior do que os efeitos de uma crise conjuntural que, como todas as outras, um dia será superada.

O instituto Datafolha, que foi às ruas das cidades brasileiras entre os dias 9 e 15 de maio último, colheu números assustadores. Um deles, para exemplificar o desafio que está posto: cerca de 43% da população adulta do País manifestou desejo de morar no exterior.

Quase a metade, demonstrando-se ainda mais absurdo que o índice suba a 62% quando o público consultado tem o limite de 24 anos de idade, ou seja, entre os jovens.

Há uma parte do sentimento captado que se pode atribuir ao efeito direto de um momento que acumula crises simultâneas e graves em quase todas as áreas importantes à vida do cidadão. A economia anda mal, a política experimenta fase de grande fragilização, as instituições de segurança não conseguem se impor sobre as instâncias marginais e, o que afeta de maneira definitiva a esperança no amanhã, o Judiciário nunca esteve tão exposto e questionado na sua credibilidade. Um conjunto de fatores que dificultam qualquer olhar otimista acerca do momento que o País vive e quanto às suas perspectivas quando se olha em direção ao futuro.

Um quadro grave? Sim. Preocupante? Claro. Porém, mesmo que a proporção fuja a uma certa lógica média nos momentos de depressão coletiva de um País, à medida em que as dificuldades econômicas, políticas e da vida pública em geral sejam superadas, e elas o serão, tais índices cairão e se poderá discutir com maior serenidade as necessidades de uma arrumação que nos permita ter de volta a alma autêntica do brasileiro, povo que tem sabido trabalhar limites e adversidades acreditando sempre no amanhã melhor.

O pessimismo não é de todo ruim, especialmente quando calcado numa realidade inegavelmente dura, mas uma sociedade precisa dosá-lo de maneira que não mate sonhos e nem inviabilize futuros. O Brasil é muito maior do que qualquer crise.

Rússia: hospitalidade ou preconceito?

Editorial do O POVO neste domingo (17) aborda a proibição da Rússia de manifestação homoafetiva na Copa. Confira:

Vendida como uma festa de congregação entre os povos, a Copa do Mundo de Futebol costuma expor – para o bem e para o mal – características e costumes menos comentadas dos países onde se realiza.

Também é ocasião para o governante do país-sede tentar melhorar a sua imagem perante os seus cidadãos e o mundo. É o que busca fazer o presidente russo, Vladimir Putin, devido aos problemas internos e externos que enfrenta. Depois dos 5 a zero que Rússia aplicou na Arábia Saudita, Putin discursou: ”Nós amamos o futebol. A Rússia é um país aberto, hospitaleiro e amigável”.

Porém, nem tanto. Há muita intolerância contra os adversários do regime e repressão aos homossexuais. Na quinta-feira, o ativista britânico Peter Tatchell, fazia manifestação solitária e pacífica na proximidades da Praça Vermelha, segurando um cartaz com os dizeres: “Putin não age contra a tortura de homossexuais na Chechênia”. Ele foi detido pela polícia e liberado logo depois.

Desde 2013 existe na Rússia uma lei que proíbe “propaganda gay”. A coisa é tão séria que o governo brasileiro preparou um Guia Consular do Torcedor Brasileiro com alertas sobre o comportamento a ser observado na Rússia, principalmente os LGBTs. O guia alerta, por exemplo, para que se evitem “demonstrações homoafetivas em ambientes públicos”, atitude que ser enquadrada em “propaganda de relações sexuais não tradicionais feita a menores”, que pode resultar em multa e deportação.

A Fifa proíbe qualquer tipo de discriminação durantes os jogos, mas nada faz para proteger torcedores de tais abusos. A entidade não pode, é verdade, interferir nas leis do país, mas pode fazer pressão, como fez contra o Brasil, para que bebidas alcoólicas pudessem ser vendidas em estádios, por exemplo. Portanto, a Fifa poderia demandar um pouco mais de esforço para que a Copa, seja, de fato, uma festa da alegria e da celebração da diversidade entre as diversas nacionalidades, independentemente de preferência política, de etnia, cor, ou de orientação sexual.

O valor da existência

Em artigo no O POVO deste domingo (17), o psiquiatra Cleto Pontes alerta para a publicização ao suicídio. Confira:

Estudos têm demonstrado, vezes e mais vezes, que a forma como você aborda e dá publicidade ao suicídio pode trazer consequências irreversíveis. Quando ocorrem em comunidade escolar, por exemplo, ou em cidades com predominância de imigrantes, experts chamam suicídio clusters, tornam-se contagiantes e modelo social. A propagação na mídia motiva o ato, principalmente, na população jovem.

O suicídio ou o seu reflexo de forma contundente faz esta aferição. Entre o desejo de morrer e se matar, existe uma vala abissal. De um lado a vontade cristalina de viver e do outro as armadilhas, o paradoxo de existir, ou seja, o absurdo em grego. São quatros pecados, seguindo uma linha teológica: pensamento, palavra, obra e omissão. O primeiro tende a universalidade; o segundo, a um apelo velado ou não, mas, sincero; o terceiro a uma falha na comunicação e, finalmente, a banalização como sendo o pior pecado. São trilhas comuns no nosso dia a dia terapêutico.

Qualquer teórico ou teoria unifocal, tende a cometer erro e a grave com repercussão, a priori ou a posteriori. Três judeus que se tornaram agnósticos, debruçaram-se no tema suicídio. E. Durkheim, o maior deles, diz que o “fato social” era destituído de subjetividade.

Na sua visão sociológica objetiva, a sociedade define os quatros tipos de suicídios: anômico, egoístico, altruístico e fatalista. Vulgarmente diríamos: pau era pau e pedra era pedra. Difícil explicar a sua morte precoce em 1917, meses depois que o seu querido filho André morreu na Primeira Grande Guerra.

K. Marx publicou um opúsculo “sobre o suicídio”, em 1846, baseado em estatísticas de Jacques Peuchet, e tirou lições que impõem de forma contrária a lei sociológica de Durkheim, ou seja, a miséria protege do suicídio, valorizando assim o conceito de “existência social”, invertendo o conceito de R. Descartes sobre a consciência, cogito ego sum. Marx teve vários filhos, educando três filhas sobreviventes. Em 1863, a filha mais velha, Jenny, morreu de uma enfermidade, diferentemente das duas mais novas que se suicidaram. A morte dela o levou para eternidade no mesmo ano.

Para construir a sua doutrina , S. Freud também não hesitou em “matar” Moisés, afim de arregimentar o seu rebanho dantes hipnotizado e com ele psicanalisado. Para isto evitava o suicídio como o diabo foge da cruz. Thanatos era o seu inconsciente mal trabalhado, ele se dizia neurótico de carteirinha, e Eros a sua deificação. Em 19 38, embora totalmente debilitado por câncer de mandíbula, era o homem mais poderoso da Áustria não alinhado ao Hitler, daí usar a sua frase de efeito: fujo para Londres para morrer em liberdade. Uma ano depois com seu médico particular e sua filha, babá eterna, tomou a injeção letal. Devemos falar de eutanásia se o desejo é valorizar ainda mais a língua alemã e eternizar a doutrina psicanalítica e suas franquias, pois, o suicídio não condiz com a valorização que se faz de um gênio e muito menos a sua imagem idealizada.

Cleto Pontes, psiquiatra

Eu não soube me conter…

Editorial do O POVO deste domingo (10) aponta a predisposição dos poderosos em se corromper, em qualquer campo da atividade humana. Confira:

É difícil saber se o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, foi sincero ou era mais uma estratégia da defesa, ao fazer a seguinte confissão perante o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal: “Eu não soube me conter diante de tanto poder e tanta força política”.

Porém, sendo verdadeiro ou não o seu “arrependimento”, como classificou Bretas a declaração de Cabral, a sua assertiva revela uma verdade que pode ser observada entre boa parte dos homens que estão em posição de muito mando. “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente, de modo que os grandes homens são quase sempre homens maus”, é uma frase famosa, atribuída a Lord Acton (1834-1902), jornalista e historiador britânico, que resume a predisposição dos poderosos, em qualquer campo da atividade humana.

Esse foi o comportamento do ex-governador, segundo suas próprias palavras – no período em que governo o estado do Rio -, ao admitir ter praticado a desonestidade, a “soberba” e a “promiscuidade” com empresários. Ele negou, no entanto, ter pedido suborno, mas reconheceu ter-se apropriado de sobras de caixa dois de campanhas políticas. Disse ter arrecadado R$ 500 milhões em “doações” para suas campanhas e de aliados. Afirmou que, de “maneira vaidosa”, queria “fazer” (eleger) prefeitos, vereadores e deputados. Do valor arrecadado, disse ter ficado com R$ 20 milhões para uso pessoal. A história de Cabral, a sua ostentação, faz parte da vida política brasileira e de muitos funcionários públicos privilegiados. Não se afirma aqui, de modo algum, genericamente, que servidores e políticos sejam corruptos. Porém, muitos se igualam na vaidade e na sensação de poder, o que pode levar a abusos, ainda que legais.

Basta verificar os salários que recebem e a quantidade de privilégios de que dispõe um parlamentar em Brasília para se obter um exemplo desse tipo de excesso. Talvez o depoimento de Sérgio Cabral possa servir de alerta para que alguns ocupantes de altos postos observem para onde pode levar a sensação de extremo poder, que não estabelece limites entre o bom e o mau, o certo e o errado.

Tempo gasto em computadores afeta bem-estar de jovens, diz pesquisa

Ficar em frente a telas para navegar na internet, acessar redes sociais ou jogar videogame tem impacto negativo no bem-estar de adolescentes. A tese é de uma pesquisa conduzida por três acadêmicos das universidades da Georgia e de San Diego, nos Estados Unidos. Os investigadores analisaram dados de um levantamento anual feito no país com respostas de mais de 1 milhão de meninos e meninas.

Os pesquisadores observaram os índices de bem-estar, entendido como uma sensação a partir de diversos critérios, e identificaram uma queda brusca, desde 2012, em aspectos como autoestima, satisfação com a vida e felicidade. O estudo revelou também redução no sentimento de satisfação como um todo, menos entusiasmo dos jovens na relação com amigos e na diversão e queda da sensação de segurança.

Ao buscar as causas da redução, chegaram à conclusão que quanto maior o uso de computadores e dispositivos eletrônicos, menor o bem-estar relatado pelos adolescentes entrevistados. Aqueles que usam meios eletrônicos por seis horas ou mais tiveram índices de infelicidade quase o dobro da média.

As atividades de maior impacto negativo foram: navegar na internet, jogar videogame e acessar redes sociais. Os adolescentes que gastam muito tempo em redes sociais apresentaram índice 68% maior de infelicidade. O efeito negativo sobre o bem-estar foi maior entre os adolescentes de menor idade do que entre os mais próximos da vida adulta.

Já aqueles jovens que passam menos tempo em frente a telas e que realizam outras atividades se disseram mais felizes. Entre as atividades relacionadas estão estudos, passeios, prática de esportes e interações sociais presenciais com a família, amigos e conhecidos.

“A combinação de interações sociais presenciais menores (que estimulam o bem-estar) e o uso de comunicações eletrônicas mais constante (que impactam negativamente o bem-estar) podem ser duas causas possíveis e relacionadas do declínio do bem-estar psicológico”, afirmam os autores no estudo.

Um dos fatores que estimularam o maior consumo de serviços eletrônicos, na avaliação dos autores é a disseminação de smartphones. Segundo o estudo, a presença de smartphones entre adolescentes pulou de 37% em 2012 para 73% em 2015. Além disso, o tempo crescente que os jovens gastam no uso de dispositivos eletrônicos tem impacto na qualidade do sono e pode, acrescentam os autores, levar ao vício.

(Agência Brasil)

Do massacre diário aos nossos policiais

Em artigo no O POVO deste sábado (19), o sociólogo Márcio Pessoa aponta uma cobrança da sociedade, da mídia e do próprio governo para que policiais desrespeitem protocolos de segurança durante ações de risco. Confira:

Há várias décadas, policiais são massacrados em nossa sociedade. É um massacre silencioso, mas eficaz. Algo que os brutaliza, que os transforma em quase-máquinas. Há espaço restrito para refletirem sobre valores morais e condutas éticas.

No último dia 13 de maio, uma policial deu um exemplo do massacre que sofre: ao ver um assaltante agir em frente a uma escola, sacou sua arma e disparou contra o criminoso. Minha intenção neste texto será tentar entender o motivo de ela ter agido.

Como a própria Polícia Militar divulga sempre, ninguém deve reagir a um assalto, visto que as chances – estatísticas – de algo dar errado são altas, ou seja, na maioria das vezes em que alguém reage, acaba sendo ferido ou morto. Agora, peço que lembre de todos os casos recentes de policiais que reagiram a assaltos em seus momentos de folga. Lembre também dos casos em que os policiais atiraram sem a justificativa de se defender, como o caso do policial que confundiu um macaco hidráulico com uma arma.

Por que esses policiais, e todos os outros que agiram dessa forma – com ou sem sucesso –, agiram assim? Por que vale a pena atirar, colocando vidas em risco, estando em desvantagem, com o filho no colo, rodeado de mães, de inocentes etc?

A resposta, a meu ver, é porque há um massacre à subjetividade de cada policial que é praticado por várias instituições: pela mídia, que cobra que os policiais reajam, visto que a audiência atualmente é medida por sangue; pela corporação polícia, que extraoficialmente não vê com bons olhos policiais que não reagem; pelo governo, que homenageia policiais que reagiram de forma bem-sucedida (sobre as punições às reações malsucedidas o governo nunca se manifesta); e até mesmo, talvez, por você, leitor/a, que assiste a vídeos de reações policiais e bate palma de forma acrítica, desconsiderando que, apesar de ter sido bem-sucedida, pode ter desrespeitado protocolos de ação policial.

Dessa forma, me solidarizo com cada um dos policiais brasileiros, visto que, silenciosamente, são massacrados dia após dia. Torço para que as instituições mudem seus comportamentos irresponsáveis e passem a tratar os policiais com mais respeito, pois só respeitando os direitos básicos desses profissionais teremos uma polícia que verdadeiramente respeita e é respeitada pela sociedade.

Pesquisa diz que 95% dos internautas navegam na web enquanto veem TV

Assistir à TV e navegar na internet ao mesmo tempo tornou-se um hábito de praticamente todas as pessoas com acesso à web. Segundo pesquisa do Instituto Ibope Conecta, 95% dos brasileiros na rede mundial de computadores têm essa prática como parte do cotidiano. Em 2015, quando houve levantamento semelhante, o índice era de 88%.

Esse hábito se dá principalmente pelo celular. Dos entrevistados, 81% afirmaram usar um dispositivo móvel quando navegam e ficam ligados na TV. Na edição anterior do estudo, o índice era de 65%. Já o computador de mesa perdeu espaço. O percentual de pessoas que dividem a atenção entre esse equipamento e a televisão caiu de 28% para 16% na comparação entre as duas pesquisas.

Mas o que fazem as pessoas enquanto assistem TV? Segundo o levantamento, a maioria acessa redes sociais (53%), como Facebook, WhatsApp e Instagram. Uma parcela menor (44%) aproveita para navegar passando o tempo durante os comerciais. Além destes, 34% disseram usar o tempo para resolver outras coisas e 9% relataram usar a web para interagir com a transmissão.

A pesquisa foi realizada em abril e entrevistou 2 mil brasileiros que acessam a internet. A amostra abrangeu pessoas das classes A, B, C e D de todas as regiões do Brasil.

(Agência Brasil)