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Dieta irregular pode aumentar risco de morte por ataque cardíaco

Pessoas que tiveram infarto e mantêm dieta irregular – pulando o café da manhã e jantando perto da hora de dormir – têm de quatro a cinco vezes mais chances sofrer outro ataque cardíaco após 30 dias da alta hospitalar. O dado faz parte de trabalho desenvolvido na Universidade Estadual Paulista (Unesp) com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo (Fapesp).

“Nosso estudo foi o primeiro a detectar esses atos [pular café da manhã e jantar tarde] na população infartada. Foi surpreendente descobrir como isso aumenta muito a chance de eventos ruins – morte ou novo ataque – em curto intervalo de tempo”, afirmou Marcos Minicucci, professor da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB-Unesp) e coordenador do projeto.

O professor destaca que já existia, na literatura científica, estudos que comparavam o hábito de não tomar café da manhã na população em geral com risco cardíaco. “Nosso estudo levanta uma hipótese: talvez esses hábitos ruins tenham uma repercussão muito maior do que na população em geral. No entanto, outros estudos precisam ser feitos para confirmar essa hipótese.”

Os resultados da pesquisa foram publicados no European Journal of Preventive Cardiology. O autor principal do estudo é o pesquisador Guilherme Neif Vieira Musse, que desenvolveu o estudo no mestrado, sob orientação de Minicucci.

O trabalho envolveu pacientes com uma forma particularmente grave de ataque cardíaco, chamado infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (STEMI). Foram avaliados 113 pacientes, entre homens e mulheres, durante um ano, de agosto de 2017 a agosto de 2018. A idade média dos pacientes avaliados na pesquisa foi de 60 anos e 73% eram homens.

Os participantes foram questionados sobre os comportamentos alimentares na admissão em uma unidade de terapia intensiva (UTI). O hábito de não tomar café da manhã foi caracterizado como jejum completo até o almoço, excluindo bebidas, como café e água. O jantar tarde foi definido como uma refeição dentro de duas horas antes de dormir, pelo menos três vezes por semana.

Minicucci aponta que não se sabe ao certo por que esses hábitos de tomar café da manhã e de não jantar perto da hora de dormir são bons. “A principal hipótese é que quem tem um hábito ruim deve ter outros hábitos ruins. Por exemplo, talvez essas pessoas que não tomam café da manhã, fumem mais, talvez elas sejam mais sedentárias, talvez tenham hábitos de vida pior do que a pessoa que toma café da manhã e janta mais cedo”, relacionou.

Ele acrescenta que é preciso investigar, no entanto, outros mecanismos que possam explicar a relação entre hábitos alimentares regulares e doenças cardíacas. “Também achamos que a resposta inflamatória, o estresse oxidativo e a função endotelial podem estar envolvidos na associação entre comportamentos alimentares pouco saudáveis e desfechos cardiovasculares”, afirmou.

(Agência Brasil)

Mortes por insuficiência cardíaca aumentam em adultos mais jovens

As taxas de mortalidade devido à insuficiência cardíaca estão aumentando, e esse aumento é mais proeminente entre os adultos com menos de 65 anos, considerados como morte prematura, segundo um estudo da Northwestern Medicine.

O estudo utilizou dados da ampla gama de dados online dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças para Pesquisa Epidemiológica, que inclui a causa de morte subjacente e contribuinte de todas as certidões de óbito de 47.728 milhões de indivíduos nos Estados Unidos de 1999 a 2017. Pesquisadores analisaram a taxa de mortalidade ajustada por idade para adultos negros e brancos entre 35 e 84 anos que morreram de insuficiência cardíaca.

O estudo mostrou, pela primeira vez, que as taxas de mortalidade por insuficiência cardíaca vêm aumentando desde 2012. O aumento das mortes ocorre apesar dos avanços significativos nos tratamentos médicos e cirúrgicos para insuficiência cardíaca na última década.

O aumento no número de mortes prematuras por insuficiência cardíaca foi maior entre homens negros com menos de 65 anos de idade, e estima-se que 6 milhões de adultos nos Estados Unidos tenham insuficiência cardíaca. É a principal razão pela qual os adultos mais velhos são admitidos em hospitais.

“O sucesso das últimas três décadas em melhorar as taxas de mortalidade por insuficiência cardíaca está agora sendo revertido, e é provável que seja devido às epidemias de obesidade e diabetes”, disse Sadiya Khan, professora assistente de medicina na Escola de Medicina da Universidade Northwestern Feinberg e cardiologista da Northwestern Medicine.

“Dada a população em envelhecimento e as epidemias de obesidade e diabetes, que são os principais fatores de risco para a insuficiência cardíaca, é provável que esta tendência continue a piorar”, disse ela.

Dados recentes mostram que a expectativa média de vida nos Estados Unidos também está diminuindo, o que compõe a preocupação de Khan.

No próximo passo, os pesquisadores vão tentar entender melhor o que causa as disparidades na morte cardiovascular relacionada à insuficiência cardíaca.

O estudo foi publicado na segunda-feira no Diário do Colégio Americano de Cardiologia.

Northwestern Medicine é uma colaboração entre a Northwestern Memorial Healthcare e a Escola de Medicina Northwestern da Universidade Feinberg, que inclui pesquisa, ensino e assistência ao paciente.

(Agência Brasil)

Informação nunca é excessiva, diz sociólogo italiano

Nenhum momento histórico nos oferece mais liberdade e mais possibilidades de realização do que o momento atual, mas ainda assim permanecemos leais a estilos de vida do passado. Essa é a visão do sociólogo italiano Domenico De Masi, que há mais de duas décadas vem observando que a tecnologia oferece às sociedades humanas a oportunidade de promover uma redução na obsessão pelo trabalho e uma recuperação da capacidade de contemplação, ócio e divertimento.

Nesta semana, De Masi falou com a Agência Brasil, pouco antes de lançar seu novo livro no Rio de Janeiro, durante um evento na Casa Firjan. Intitulada Uma simples revolução, a obra apresenta um panorama histórico da evolução do conceito de trabalho e propõe que nos reorientemos em direção a uma civilização menos ocupada em busca do dinheiro e do poder e mais ociosa, voltada à introspecção, à criatividade e à convivência. Trata-se de uma continuidade de suas reflexões sobre o “ócio criativo”, conceito que ganhou centralidade em um best-seller que Domenico De Masi lançou em 2000.

O sociólogo classifica a atual sociedade como pós-industrial e faz a defesa da adoção do home office e da diluição das fronteiras entre o lazer e um trabalho mais prazeroso e produtivo, com maiores intervalos de descanso. Além promover mais qualidade de vida, a tecnologia carrega, em sua visão, potencial para fortalecer a democracia. Para De Masi, a intensa circulação de fake news revela uma democratização do uso da mentira ao mesmo tempo que nos coloca o desafio de aumentar a capacidade humana para decodificar as informações.

Agência Brasil – O senhor tem defendido que a tecnologia nos permite reduzir o tempo dedicado ao trabalho, mantendo ou até aumentando a produtividade. Trata-se de um exemplo de uso positivo da tecnologia, nos fazendo mais felizes e aumentando nossa qualidade de vida. Ao mesmo tempo, o senhor aponta que, quanto mais próximo da pré-história, mais distante estamos da violência, sinalizando que o avanço da tecnologia também nos leva a viver conflitos sobre novos prismas. Temos visto recentemente o aumento dos discursos de ódio nas redes sociais. O futuro da sociedade tecnológica concretamente está nos apontando para qual direção?

Domenico De Masi – Quando nos referimos ao trabalho, podemos notar que a tecnologia avança geralmente de forma mais benéfica. As sociedades humanas sempre estiveram muito ligadas à tecnologia. Começamos com aparatos tecnológicos bastante simples. Por exemplo, os martelos, a serra. Depois, descobrimos a tecnologia mecânica. Depois, a eletromecânica que já nos permitiu produzir os automóveis, a energia elétrica. E também começa a substituir determinadas funções desempenhadas por humanos. Mais tarde, chegaram as tecnologias digitais e, com isso, substituímos muitos empregados. De outro lado, cria-se novas áreas para trabalhadores intelectuais de nível superior que serão responsáveis por desenvolver a inteligência artificial. Então, a tecnologia tem assumido, em nosso lugar, atividades pesadas, barulhentas, incômodas e perigosas. O acesso à tecnologia traz ainda outros efeitos positivos. No emprego da farmacologia, por exemplo, permite a possibilidade de curar muitas doenças. Aplicado à cirurgia, também se mostrou muito útil. Mas infelizmente, pode ser aplicada também à violência, com o uso das armas e a promoção das guerras. Nós usamos a tecnologia seja para o bem, seja para o mal. E, quanto mais potente é a tecnologia, mais ela serve tanto para promover o amor como o ódio. A questão é que as tecnologias são guiadas pelos cérebros das pobres pessoas, que precisam usar a racionalidade e a emoção de modo a evitar que causem danos.

Agência Brasil – O Brasil aprovou em 2017 um projeto de reforma trabalhista amplo, no qual se regulamentou pela primeira vez o home office no país.

De Masi – Já era hora. Para chegar do Leblon até aqui, gastei uma hora. Para voltar, outra hora. Gastei duas horas com o tráfego urbano. O tráfego no Brasil, no Rio e ainda mais em São Paulo, é absurdo. Não é possível viver em uma cidade onde se gasta uma hora para se mover de uma parte para outra. A única solução é o teletrabalho (home office). Não há outra solução.

Agência Brasil – A crítica que sua obra direciona a estilos de vida que já poderiam ter sido superados se baseia no escasso tempo que eles deixam para o lazer, a reflexão e a contemplação. Ao mesmo tempo, há teóricos que relacionam, em alguma medida, nossas vidas aceleradas e sem tempo com o intenso fluxo de informação do mundo globalizado. O excesso de informação não traz desafios para nossa capacidade de reflexão e contemplação?

De Masi – A informação nunca é excessiva. Quanto mais melhor. É melhor haver excesso de informação do que uma carência de informação. Durante períodos ditatoriais, as informações se reduzem, não aumentam. Durante períodos de democracia, a informação aumenta. Hoje, graças ao social network, graças à internet, a informação é democratizada. Todos podem dizer a todos a realidade. Curiosamente, também todos podem dizer mentiras a todos. E esta é a verdadeira democracia. Antes, as mentiras só podiam ser ditas por diretores de jornais e pessoas importantes. Na democracia, todos podem dizer mentiras.

Agência Brasil – Há pesquisadores se indagando se o excesso de informação tem gerado apatia. Você não concorda com essa premissa?

De Masi – O excesso de informação pode criar convulsão, desorientação. Mas é excesso em relação a quê? Excesso em relação à capacidade de filtrar a informação, de decodificar a informação. Não devemos reduzir nenhum tipo de informação. Devemos aumentar a capacidade humana de analisar a informação e decodificá-la.

(Agência Brasil)

ONU: uso excessivo de remédios pode matar 10 milhões ao ano até 2050

Relatório de entidades ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado hoje (29), alerta que o uso excessivo de medicamentos e os consequentes casos de resistência antimicrobiana podem causar a morte de até 10 milhões de pessoas todos os anos até 2050.

O prejuízo à economia global, segundo o documento, pode ser tão catastrófico quanto a crise financeira que assolou o mundo entre 2008 e 2009. A estimativa é que, até 2030, a resistência antimicrobiana leve cerca de 24 milhões de pessoas à extrema pobreza.

Atualmente, pelo menos 700 mil pessoas morrem todos os anos devido a doenças resistentes a medicamentos – incluindo 230 mil por causa da chamada tuberculose multirresistente.

“Mais e mais doenças comuns, incluindo infecções do trato respiratório, infecções sexualmente transmissíveis e infecções do trato urinário estão se tornando intratáveis”, destacou a Organização Mundial da Saúde (OMS) por meio de comunicado.

“O mundo já está sentindo as consequências econômicas e na saúde à medida em que medicamentos cruciais se tornam ineficazes. Sem o investimento dos países em todas as faixas de renda, as futuras gerações terão de enfrentar impactos desastrosos da resistência antimicrobiana descontrolada”, completou a entidade.

O relatório recomenda, entre outras medidas, priorizar planos de ação nacionais para ampliar os esforços de financiamento e capacitação; implementar sistemas regulatórios mais fortes e de apoio a programas de conscientização para o uso responsável de antimicrobianos e investir em pesquisa e no desenvolvimento de novas tecnologia,s para combater a resistência antimicrobiana.

(Agência Brasil)

O preconceito nosso de cada dia

Em artigo no o POVO desta segunda-feira (29), a jornalista Neivia Justa aponta que os padrões geral preconceitos, diante da busca pela referência do que é “normal” ou o “ideal” a ser alcançado. Confira:

Você se considera uma pessoa preconceituosa? Antes de ceder à tentação de responder um retumbante “não”, te convido a refletir. Certamente, não nascemos preconceituosos. Mas será possível existir um ser humano adulto que não tenha algum tipo de opinião ou sentimento concebido sem exame crítico?

O preconceito é algo que aprendemos, por pensamentos e palavras, atos e omissões. Quem nos ensina? O grupo social do qual fazemos parte. É pelo exemplo inicial dos nossos pais, familiares, amigos e professores que vamos formando nossos conceitos prévios ou sentimentos hostis, assumidos em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio.

E por que fazemos isso? Porque somos regidos por uma máquina de julgamentos, chamada cérebro, que trabalha o tempo todo reconhecendo padrões e, assim, economizamos tempo e energia para garantir nossa sobrevivência como raça, nossa integridade física e nosso pertencimento à sociedade. Como assim? Nosso cérebro é formado por dois sistemas: o sistema reptiliano/límbico e o neocórtex.

Cerca de 80% das decisões imediatas que tomamos todos os dias acontecem, de maneira inconsciente, por meio do sistema primitivo (reptiliano/límbico). É esse sistema que determina nossos instintos e emoções. Menos de 20% das escolhas que fazemos cotidianamente passam pelo crivo do neocórtex, onde acontece nosso processo de raciocínio, reflexão e ponderação consciente.

E por que buscamos padrões? Porque eles são a nossa referência do que é “normal” ou o “ideal” a ser alcançado. Sempre que algo foge aos padrões socialmente aceitos, que aprendemos e incorporamos ao longo da vida, invariavelmente nos causa estranheza. Estigmatizamos tudo aquilo que tem alguma característica diferente das que havíamos previsto. E é exatamente aí que nascem nossos preconceitos.

Como diria Caetano Veloso, “… quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto, chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto… É que Narciso acha feio o que não é espelho…”.

Vamos abrir espaço nas nossas vidas para incluir a diversidade e as diferenças?

Neivia Justa

Jornalista, executiva e criadora do movimento #ondestãoasmulheres

O sábado de silêncio

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Em artigo no O POVO deste sábado (20), a Doutora em Direito e professora da UFC Juliana Diniz aponta que “o reforço dos vínculos de fraternidade, a unidade em respeito às diferenças e a fé no potencial da virtude são os alicerces de uma compreensão cristã de humanidade”. Confira:

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, publicada no O POVO, pelo menos 32% dos brasileiros acreditam que não vale a pena conversar com quem tem visão política divergente. Cerca de um terço da população desconfia da capacidade da palavra de mediar e convencer, um dado que indica o descrédito da democracia entre nós. A incapacidade de dialogar aponta para a morte do sentido de política como espaço comum, onde sujeitos livres conduzem o conflito de forma organizada. Ao renunciar à capacidade de dizer corremos o risco de mergulhar no arbítrio e na desordem.

Como saída a esse desencanto social, compartilho com o leitor uma reflexão sobre a simbologia da Páscoa que vai além da liturgia religiosa e se concentra em seu sentido ético. Essa meditação reconhece a importância de se manter viva a utopia como caminho para uma transformação efetiva da sociedade. De certa forma, a mensagem pascal é a síntese de fé em um ideal que se alimenta da força do discurso, inspirando a ação humana para a realização do bem e do justo.

Segundo a narrativa bíblica, depois da Paixão da Sexta-feira Santa, guardou-se o silêncio. O sábado simboliza esse momento de recolher-se em preparação para o anúncio da Boa-Nova: a ressurreição do filho de Deus, que inaugura um novo tempo. No domingo, o Cristo transcende a morte física para renascer como palavra, deixada para ser compartilhada como alimento e luz. A palavra é a força viva que transforma, protege o espírito contra a dor da adversidade e da perseguição. O cristianismo se funda em uma visão de mundo onde o verbo é o princípio, a salvação e o futuro.

Graças à força do gênio e do trabalho humanos, esse propósito utópico pode ser vislumbrado em espaços como a magnífica Catedral de Notre-Dame, que resistiu ao fogo nesta semana: em seu interior, nenhuma beleza tem função meramente decorativa, cada nota musical ou cena insculpida na pedra anunciam a visão luminosa de um mundo transformado pelo verbo. O reforço dos vínculos de fraternidade, a unidade em respeito às diferenças e a fé no potencial da virtude são os alicerces de uma compreensão cristã de humanidade e síntese dessa utopia civilizatória. É a essa ideia tão libertadora que me apego para desejar ao leitor a renovação da sua esperança na palavra e na Política. Feliz Páscoa!

Juliana Diniz

Doutora em Direito e professora da UFC

Papa pede respeito à diversidade

Em encontro com estudantes, neste fim de semana, o papa Francisco pediu respeito à diversidade. Francisco disse aos estudantes que não tenham medo “das diversidades” e lembrou que “o diálogo entre as diferentes culturas enriquece um país, enriquece a pátria, e nos faz olhar para uma terra de todos e não só para alguns”.

Outro dos conselhos do papa aos estudantes de Roma foi que “na vida afetiva são necessárias duas dimensões: o pudor e a fidelidade”. Francisco recomendou “amar com pudor e não descaradamente, e ser fiel”, e acrescentou que “o amor não é um jogo e é a coisa mais bela que Deus nos doou”.

Além disso, o papa aconselhou os estudantes a “nunca deixar de sonhar grande e
desejar um mundo melhor para todos”.

(Agência Brasil)

Droga – Papa Francisco pede a estudantes que deixem o vício do celular

Durante discurso para estudantes do instituto público Ennio Quirino Visconti, escola secundária clássica de Roma, o papa Francisco pediu aos jovens, nesse sábado (13), no Vaticano, que se “libertem da dependência” do telefone celular, que é “como uma droga.”
“Libertai-vos da dependência do celular! Por favor!”, clamou Francisco. Ele explicou “que os telefones celulares são um grande progresso de grande ajuda, e é preciso usá-los, mas quem se transforma em escravo do telefone perde a sua liberdade”.
O papa lembrou que “o telefone celular é uma droga” que “pode reduzir a comunicação a simples contatos”.
“A vida é comunicar e não somente simples contatos”, disse Francisco, que também pediu aos estudantes que lutem contra o assédio escolar, que é como “uma guerra”, e confessou que lhe dói saber que, em muitos colégios, existe este fenômeno.
Por ocasião da visita da escola ao Vaticano, o pontífice aludiu a um ensinamento de Santo Agostinho, doutor da Igreja Católica, em latim: “in interiore homine habitat veritas” – “A verdade vive no interior do homem”.
(Agência Brasil)

Mais da metade dos brasileiros está acima do peso

Uma pesquisa do Ministério da Saúde indica que 53% da população brasileira estão com excesso de peso e 45,8% praticam uma atividade física insuficiente. Os valores foram registrados na Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).

Feito em 2017, o estudo envolve entrevistas feitas por meio do telefone, com participação da Associação Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Os números estão longe da meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) que pretende reduzir a inatividade física em 15% até 2030, em todo o mundo.

Segundo pesquisa da OMS em 2018, o número de pessoas que faziam atividades insuficientes totalizava 1,4 bilhão de pessoas. “Acredita-se que um em cada cinco adultos e quatro em cada cinco adolescentes não praticam atividade física de forma suficiente”, disse o diretor de Normas e Habilitação dos Produtos da ANS, Rogério Scarabel.

Neste fim de semana, quando se comemoram o Dia da Atividade Física (6) e o Dia Mundial da Saúde (7), a ANS lança o projeto Movimentar-se É Preciso. Por meio do seu Programa de Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos de Doenças (Promoprev), a agência está estimulando as operadoras de saúde a realizarem programas voltados a atividades físicas para seus beneficiários nestes dois dias.

(Agência Brasil)

Quando eu falar, ele será sem nome

Em artigo no O POVO deste sábado (23), a Doutora em Direito e professora da UFC Juliana Diniz avalia a atitude da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, que se recusou a pronunciar o nome do terrorista que invadiu uma mesquita no país e matou 50 pessoas. Confira:

No último 15 de março, um atirador invadiu a mesquita de Al Noor, na cidade de Christchurch, Nova Zelândia. No espaço religioso da mesquita, uma comunidade de muçulmanos se dedicava pacificamente à prática de sua fé. O invasor abriu fogo, matando 50 pessoas e deixando dezenas de feridos. Considerado pelo governo um ato terrorista, o atentado foi transmitido ao vivo pela internet a partir de uma câmera fixada no capacete do atirador.

A primeira-ministra da Nova Zelândia é Jacinda Ardern, uma mulher de 38 anos. Não é a primeira vez que escrevo sobre ela. Em 29 de setembro, mencionei um episódio simbolicamente forte: Jacinda levou seu bebê de colo a uma reunião da Assembleia Geral da ONU. Nesta semana, em seu primeiro discurso ao Parlamento após o atentado, Ardern proferiu a frase do título. Declarando sua recusa em conceder qualquer notoriedade ao atirador, ela disse: ele será, quando eu falar, sem nome.

A frase é poderosa pelo que carrega de significado – ela sintetiza não só um conjunto de valores como uma postura pública. Um atentado não se reduz à violência pura e simples. Ele pretende ter um sentido, por isso se situa no campo do discurso. Ao praticar um ato terrorista, o que um sujeito ou grupo almeja é a disseminação de uma ideia pela performance. A violência assume uma estética bárbara para, pela hiperexposição midiática, enunciar. No episódio de Christchurch, o ato enuncia a anti-imigração e a recusa do direito à diferença.

A resposta de Ardern foi irrepreensível. Ao discurso terrorista negador dos valores da democracia moderna (igualdade, solidariedade, liberdade), a primeira-ministra impôs a sombra do desaparecimento. Recusou-lhe nome, face, voz. Ao país, sua resposta foi o compromisso com o endurecimento da legislação sobre venda de armas e a promoção de campanha de devolução voluntária de armamentos. À comunidade islâmica, Ardern ofereceu, sobretudo, uma profunda e consciente sensibilidade. Se não é possível conhecer o sofrimento dos irmãos muçulmanos, disse ela, é possível solidarizar-se com a sua dor e vivê-la como experiência de trauma coletivo. Um trauma que só deve levar à afirmação do princípio de fraternidade que está na gênese da ideia de Estado de Direito. A todo o mundo, Ardern lembrou a potência de uma ideia ainda revolucionária: us together, ser junto, nós.

Sancionada lei que proíbe casamento antes dos 16 anos de idade

Foi sancionada a lei que altera o Código Civil e proíbe o casamento de menores de 16 anos de idade (Lei 13.811/19). O código permitia o casamento de menores de 16, desde que autorizado pelos pais, para evitar cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez.

A mudança partiu de um projeto de lei (PL 7119/17) da ex-deputada Laura Carneiro (RJ), aprovado pela Câmara dos Deputados no ano passado.

Na ocasião, Laura Carneiro divulgou números alarmantes sobre o casamento infantil – 877 mil crianças se casaram no Brasil até os 15 anos de idade, sendo 88 mil com 10 anos de idade. “Não se sabe os motivos desses casamentos, eventualmente podem ter ocorrido fraudes, por exemplo, a questão da Previdência, pode ter ocorrido a venda da criança sexualmente, existem abusos sexuais que são esquecidos com o casamento e com a reparação financeira. Existem vários motivos que levam a esse casamento”, declarou.

Campanha da ONU

A relatora do projeto no Plenário da Câmara, deputada Maria do Rosário (PT-RS), ressaltou que a medida atende a uma campanha da Organização das Nações Unidas (ONU) para que os países tenham legislações nacionais sobre o tema. “O Brasil é um dos países com alto número de crianças e adolescentes vivendo com homens adultos, maritalmente. Isso leva ao abandono da escola, à gravidez precoce, à violência sexual cotidiana e, muitas vezes, ao próprio feminicídio”, afirmou.

A nova lei não muda a situação de homens e mulheres que tenham entre 16 e 18 anos. Estes só podem se casar se tiverem a autorização de pais ou responsáveis, já que ainda não atingiram a maioridade civil.

(Agência Câmara Notícias)

Uma besta chamada Desejo

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Em artigo no O POVO deste sábado (9), a jornalista Regina Ribeiro aponta quer Bolsonaro “tem uma obsessão por sexo envolto num discurso puritano, de proteção à família e às crianças, mas que parece encobrir a besta fera de alguns desejos que correm soltos em torno” do presidente. Confira:

A cena tinha um quê de bizarrice. O então candidato Jair Bolsonaro passou a mostrar o livro enquanto dava uma entrevista para um grupo de apoiadores em Curitiba. Levantou-se. Assumiu o púlpito do auditório. Antes, disse que o livro que tinha nas mãos estava sendo distribuído para crianças de seis anos nas escolas e como tinha sido impedido de mostrá-lo durante sua entrevista no Jornal Nacional, da Rede Globo, faria naquele momento. (A entrevista em si já havia lhe rendido alguns frutos durante a campanha presidencial no ano passado). O candidato então abriu as páginas do livro.

“Vejam isso aí. Você enfia o dedo numa página e aparece o pinto do menino. Vejam o que vão fazer com as nossas crianças”. Ele havia esperado o momento certo para fazer aquele experimento diante das câmeras. O episódio transformava o homem adulto num menino, “petit Jair” – como sugeriu de forma bem humorada, a autora francesa do livro, Hélène Bruller – “descobrindo o próprio pinto”.

O livro “Aparelho Sexual & Cia”, a bem da verdade, foi lançado na França em 2001, por Bruller e o escritor suíço, Zep. Chegou ao Brasil cinco anos depois, editado pela Companhia das Letras. Trata-se de uma obra destinada a pais e professores sobre educação sexual para crianças e adolescentes que nunca foi distribuído em escola nenhuma, tampouco fez parte de kit algum. O livro está esgotado há anos. O episódio não foi apenas bizarro, ele deu o tom da sexualização da campanha bolsonarista, que também fez distribuir em vídeos uma tal mamadeira em forma de pênis que, da mesma forma, seria distribuída nas escolas.

O primeiro e segundo parágrafos deste texto foram escritos no dia 6 de setembro do ano passado, dia em que o candidato do PSL fora esfaqueado em Minas Gerais. Por respeito ao momento triste vivido pelo País e por Bolsonaro, desisti do artigo que fazia uma crítica à forma como o tema da sexualidade estava sendo tratada na campanha e escrevi outro no qual lamentava o ataque ao candidato. Não tive coragem de abordar o que eu considerava visíveis “transtornos sexuais” da campanha, num momento em que o homem estava entre a vida e a morte num hospital.

Até terça-feira passada não imaginava que pudesse voltar a esse assunto tão delicado, mas que é uma marca do presidente. É possível dizer hoje que Nosso Presidente tem uma obsessão por sexo envolto num discurso puritano, de proteção à família e às crianças, mas que parece encobrir a besta fera de alguns desejos que correm soltos em torno do mandatário da nossa Nação. Apenas isso justifica a postagem do vídeo feito por Jair Bolsonaro no Twitter, onde ele tem 3,7 milhões de seguidores, incluindo adolescentes e jovens.

O presidente afirma que não se sentia “confortável” em postar o vídeo obsceno. No entanto, já sabemos: a verdade não é o forte de Jair. Se dissesse a verdade, diria “tenho um imenso prazer em postar essas imagens”. Apenas o prazer faz um ser humano agir com tamanha desenvoltura diante dos deslimites. O prazer que ele tanto luta para disfarçar, encobrir, condenar. Um prazer visivelmente patológico, que torna suas exposições nesse campo um mar de destempero, infâmia, vileza. Mas ainda um prazer.

Regina Ribeiro

Jornalista do O POVO

Bolsonaro diz pelo Twitter que vai processar ator José de Abreu

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Em resposta ao ator José de Abreu, que o chamou de fascista, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que irá processá-lo. A conversa aconteceu no Twitter durante polêmica pelo vídeo obsceno publicado pelo presidente em sua conta pessoal.

Na manhã desta quarta-feira, 6, enquanto participava das manifestações que condenavam a publicação do presidente, José de Abreu respondeu a um tweet que anunciava indicativos do “fim dos tempos” se colocando como meteoro e usando a hashtag #ZeDeAbreuPRESIDENTE, campanha que começou no Twitter após se autoproclamar presidente do País.

Algum tempo depois, o ator marcou Jair Bolsonaro em novo ataque: “Alo, @jairbolsonaro, seu meteoro chegou! Sou eu, seu fascista! (SIC)”. O presidente o respondeu com o aviso do processo: “Estamos processando alguns e este “meteoro” será o próximo!”, disse ele.

Estamos processando alguns e este “meteoro” será o próximo!

Compartilhamento

Bolsonaro compatilhou em sua conta pessoal um vídeo em que um homem insere o dedo no próprio ânus. Logo depois, abaixa a cabeça enquanto outro rapaz o urina. O presidente associou o vídeo a uma festa de Carnaval.

André Fernandes

Em defesa de Bolsonaro, o cearense André Fernandes, deputado estadual pelo PSL, discutiu hoje pelo Twitter com Kim Kataguiri, um dos principais líderes do Movimento Brasil Livre (MBL).

Kataguiri disse que haveria “muitas” e “boas razões” para fazer críticas ao Carnaval. Mas ponderou: “Isso não justifica mostrar uma obscenidade para milhões de famílias por meio de uma rede social sob o pretexto de criticar a festa. Isso não é postura de conservador”.

Para o deputadso cearense, “ser conservador é exatamente isso, repudiar tudo que afete a normalidade de um casal criado por Deus e a inocência de nossas crianças”. Depois seguiu contra Kataguiri: “Agora pare de ser covarde, durante a campanha você só faltou chupar o Bolsonaro e agora vive o atacando! Covarde!”

(O POVO Online)

Direito do consumidor – Hering terá de explicar uso de reconhecimento facial

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) notificou a empresa de roupas Hering solicitando esclarecimentos sobre coleta e tratamento de dados de clientes em uma “loja conceito” da marca. A entidade quer avaliar se há violações a direitos do consumidor e à privacidade das pessoas que frequentam a unidade.

A empresa inaugurou no Shopping Morumbi, em São Paulo, uma loja chamada Hering Experience, que conta com diversos recursos tecnológicos de personalização para o usuário. Sistemas monitoram a reação de clientes às roupas, utilizando tecnologia de reconhecimento facial. A marca anunciou que a “experiência” no local seria utilizada para publicidade personalizada.

O Idec, no entanto, quer entender como esses recursos funcionarão e como se dará a coleta, o armazenamento e o tratamento dos dados. O instituto suspeita que a iniciativa possa incorrer em uma série de violações dos direitos de quem frequenta a loja.

O primeiro ponto é a ciência dos clientes acerca do que está sendo coletado e de que maneira tais registros são aplicados. “Queremos saber como empresa pede consentimento, se ela tem procedimento neste sentido, se avisa o cliente”, explicou à Agência Brasil a pesquisadora de direitos digitais do Idec Bárbara Simão. A falta de informação adequada, acrescenta, seria compreendida como um desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor (CPC).

Segundo a pesquisadora, o monitoramento dos clientes para aferir a reação a roupas sem que estes saibam ou tenham autorizado pode configurar prática abusiva. “Se isso não tiver consentimento do consumidor é um tipo de pesquisa de mercado compulsória, ele entra lá e participa sem saber o que está acontecendo”, avalia.

Outro problema seria a violação à privacidade dos clientes. Um exemplo é a inclusão de mecanismos de reconhecimento facial na loja. Tal recurso coleta dados biométricos dos clientes, considerados “sensíveis” pelo Instituto e pela recém-aprovada, mas ainda não vigente, Lei Geral de Proteção de Dados. De acordo com Bárbara Simão, mesmo sem a vigência da Lei, a privacidade é direito garantido na Constituição e determinadas práticas podem ser enquadradas como violações

O Instituto se preocupa também com as formas de armazenamento das informações, o tratamento dos dados, se eles são compartilhados com alguma outra empresa ou ente ou se são cruzados com outras bases de dados de propriedade da Hering.

Questionada pela Agência Brasil, a Hering informou por meio de sua assessoria que recebeu a notificação, está “entendendo os questionamentos” e vai se pronunciar dentro do prazo estipulado pelo Idec.

(Agência Brasil)

Plenário pode votar projeto que tipifica crime de assédio moral no trabalho

O projeto de lei que tipifica o crime de assédio moral no trabalho é o destaque do Plenário da Câmara dos Deputados nesta última semana de fevereiro. O Projeto de Lei 4742/01, do ex-deputado Marcos de Jesus, inclui o novo crime no Código Penal. Os deputados farão sessões na segunda-feira (25).

Será analisado o substitutivo aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) em 2002, que caracteriza o crime de assédio moral no trabalho como depreciar sem justa causa, de qualquer forma e reiteradamente, a imagem ou o desempenho de servidor público ou empregado em razão de subordinação hierárquica funcional ou laboral.

A tipificação inclui ainda como crime o fato de tratar o funcionário com vigor excessivo, colocando em risco ou afetando sua saúde física ou psíquica. A pena proposta é de detenção de um a dois anos.

(Agência Câmara Notícias)

Senado aprova projeto que proíbe casamentos de menores

O Senado aprovou hoje (19) o projeto que proíbe o casamento de menores de 16 anos. O texto mantém a exceção, preservada no Código Civil, na qual pais ou responsáveis de jovens com 16 e 17 anos podem autorizar a união.

A proposta é de autoria da ex-deputada federal Laura Carneiro (MDB-RJ).

A medida atende às orientações da Organização das Nações Unidas (ONU) . De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), na última década, foram evitados 25 milhões de casamentos de menores de idade.

A agência da ONU informou que a proporção de mulheres que se casam enquanto crianças diminuiu 15% na última década, descendo de uma em quatro meninas para, aproximadamente, uma em cada cinco.

(Agência Brasil)

Canibal – Rosa Weber pede manifestação de ministro da Educação sobre entrevista

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber concedeu nessa quinta-feira (14) prazo de 10 dias para que o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, se manifeste sobre declarações dadas em uma entrevista à revista Veja. A manifestação do ministro é facultativa.

“Ante o exposto, determino a notificação do Ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez, para que responda, querendo, à presente interpelação no prazo de 10 (dez) dias”, decidiu a ministra.

A solicitação foi motivada por uma interpelação judicial criminal protocolada na Corte pelo advogado Marcos Aldenir Ferreira Rivas. Segundo Rivas, em entrevista publicada pela revista, no dia 6 de fevereiro, Vélez disse que “o brasileiro viajando é um canibal”. No entendimento do advogado, o ministro cometeu o crime de calúnia.

Na decisão, a ministra explicou que, após a manifestação do ministro, o pedido de explicações será devolvido ao advogado, que poderá ou não oferecer uma queixa-crime posteriormente.

“Enfatizo que o ato judicial que analisa a interpelação criminal não emite juízo de valor sobre o conteúdo debatido, uma vez que representa típica providência de contenção cognitiva”, afirmou.

O Ministério da Educação informou que o ministro ainda não foi notificado. Assim que for, ele responderá.

(Agência Brasil)

5,6 milhões de brasileiras não vão ao ginecologista, aponta pesquisa

Pelo menos 5,6 milhões de brasileiras não costumam ir ao ginecologista-obstetra, 4 milhões nunca procuraram atendimento com esse profissional e outras 16,2 milhões não passam por consulta há mais de um ano, indicou uma pesquisa da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) em parceria com o Datafolha, divulgada hoje (12).

Segundo a pesquisa Expectativa da Mulher Brasileira Sobre Sua Vida Sexual e Reprodutiva: As Relações dos Ginecologistas e Obstetras Com Suas Pacientes, o resultado mostra que 20% das mulheres com mais de 16 anos correm o risco de ter um problema sem ao menos imaginar. Foram entrevistadas 1.089 mulheres de 16 anos ou mais de todas as classes sociais, em todo o país.

Entre as mulheres que já foram ao ginecologista, seis a cada dez (58%) são atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto 20% passam pelo médico particular e outras 20% têm plano de saúde. Quando questionadas sobre qual especialidade médica é a mais importante para saúde da mulher, 68% citam a ginecologia, principalmente por mulheres que usam atendimento particular ou convênio. Em seguida, mencionam clínica geral e cardiologia.

“Sete em cada dez mulheres têm o ginecologista como seu médico de atenção para cuidar da especialidade e para cuidar da saúde de um modo geral. Não é diferente em outros países. É como se a ginecologia fosse a porta de entrada da mulher para a assistência básica de saúde. É muito comum a mulher que tem problemas que não são propriamente ginecológicos marcar consulta com o ginecologista e ele encaminhar para outro especialista”, explicou o presidente da Febrasgo, César Eduardo Fernandes.

O levantamento mostra ainda que nove de cada dez brasileiras costumam ir ao ginecologista – principalmente as que utilizam atendimento particular e convênio. Metade delas vai ao médico, sendo metade uma vez ao ano. Já 2% não têm frequência definida, 5% nunca foram e 8% não costumam ir.

Quando se trata do acesso ao ginecologista entre aquelas que já passaram por consulta, a média da idade para a primeira vez é de 20 anos e os motivos foram a necessidade de esclarecer algum problema ginecológico (20%), a gravidez ou a suspeita dela (19%) e a prevenção (54%). Normalmente quem as motivou a procurar o médico foram mulheres próximas (57%), a mãe (44%) ou mesmo a iniciativa própria (24%).

“Nós entendemos que a razão da primeira consulta não deveria ser por problemas ginecológicos ou gravidez. Acredito que falta da parte dos educadores e dos médicos esclarecer que a mulher deve ir na primeira consulta assim que iniciar seu período de vida menstrual ou até antes disso para entender quais são os eventos de amadurecimento puberal que ela tem para que possa ter noção de como deverá ser a sua habitualidade menstrual, para receber orientação sobre doenças sexualmente transmissíveis, iniciação sexual, métodos contraceptivos”, ressaltou Fernandes.

De acordo com as informações da pesquisa, entre aquelas que não costuma ir ao ginecologista, as razões mais alegadas são ‘não preciso ir, pois estou saudável (31%)’ e ‘não considero importante ou necessário ir ao ginecologista (22%)’. Há ainda aquelas que dizem não ter acesso ao médico ginecologista ou não haver esse especialista na localidade onde residem (12%), ter vergonha (11%), ou não ter tempo (8%).

(Agência Brasil)

Instragram proíbe publicação de imagens de autoflagelação

O Instagram anunciou que passará a ter mecanismos para restringir imagens que estimulem a autoflagelação e o suicídio. Imagens de pessoas se machucando, como atos de cortar partes de corpo, serão proibidas na rede social.

As medidas foram uma reação à morte de uma adolescente de 14 anos no Reino Unido, no mês passado. Após o suicídio, o caso gerou questionamentos sobre o papel do Instagram, pela presença no perfil da moça de conteúdos mostrando formas de autoflagelação e relacionados ao suicídio. O pai da jovem, em entrevista a veículos de mídia, responsabilizou diretamente a plataforma.

Além disso, outros conteúdos relacionados a essas práticas, inclusive textos, não serão disponibilizadas nas buscas. Essas mensagens, contudo, não serão removidas das redes sociais. O Instagram justificou que a publicação de mensagens nesse sentido pode ter um papel de expressão em pessoas que estejam convivendo com sofrimento e sentimentos como esses.

Antes, a plataforma já proibia conteúdos que promovessem essas práticas. Mas permitia mensagens relacionadas à admissão delas (como uma pessoa relatando um desejo ou uma tentativa), como forma de alertar amigos e familiares para reagir e prestar apoio.

Orientações de especialistas

Segundo o Facebook, empresa controladora do Instagram, as mudanças foram formuladas a partir do diálogo com especialistas no tema, de diferentes países. Eles teriam indicado o efeito negativo da circulação de imagens de práticas de autoflagelação, como cortes. Elas “podem ter um potencial de promover não intencionalmente a autoflagelação, mesmo quando são compartilhadas no contexto da admissão da prática ou no caminho para uma recuperação”, explicou o diretor global de Segurança do Facebook, Antigone Davis.

Ele acrescentou que a equipe das plataformas ainda avalia como tratar imagens de cicatrizes. Segundo o diretor, os especialistas consultados indicaram ainda polêmicas nos estudos acadêmicos sobre os efeitos desse tipo de imagem em pessoas suscetíveis a cometer algum ato relacionado à prática.

As duas redes sociais, completou Davis, continuarão fornecendo recursos para dar apoio em situações de sofrimento, como a disponibilização, de forma acessível., de “linhas de ajuda” a pessoas nas plataformas.

(Agência Brasil)

Brasil, as cinzas do golpe

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Em artigo no O POVO desta sexta-feira (1º), o cineasta e escritor Rosemberg Cariry aponta que a nação brasileira se encontra em processo de desconstrução acelerada. Confira:

Basta um olhar mais atento sobre os noticiários, para perceber que o mundo vive abalado por uma grave crise civilizacional, em que o poder econômico e as manifestações da thanatos-política estão devorando vidas e destinos, territórios de paz e liberdade, nestes tempos de agonia da modernidade e de imposição aterrorizante do projeto neoliberal, em escala global, onde se agiganta o império dos simulacros e das maldades, palco do grande fracasso da promessa igualitária e fraterna dos iluministas.

Por ser campo de experimento de extremadas perversidades, que ferem a sua autonomia como nação, o Brasil, como País periférico, parece estar em transe. Por força de um jogo de articulação e desestabilização política e econômica, feito em bastidores. De golpe em golpe, temos hoje um governo ilegítimo que destrói os direitos sociais, a educação, a saúde, a cultura, a natureza, a dignidade e a vida, empurrando de volta à miséria mais de setenta milhões de brasileiros.

A nação brasileira se encontra em processo de desconstrução acelerada. Em pouco tempo, foi invadida por uma onda crescente de obscurantismo e neofascismo, pautada no ódio e no egoísmo, na violência e no arbítrio. Acirrada a desigualdade social e ante a falta de horizontes melhores, tudo isso transborda no noticiário cotidiano, como em um filme de horror. No entanto, não se trata de nenhuma ficção, a opressão é real, a dor é real, a injustiça é real; a miséria, a violência e a desesperança que tomam conta do povo brasileiro mais pobre são muito reais.

Como símbolo desse tempo temos as chamas devorando o Museu Nacional, onde estavam guardados tesouros culturais e científicos do Brasil e da humanidade. Mais de 20 milhões de itens viraram cinzas. Sim, é verdade: vivemos no País da corrupção. Mas a palavra corrupção pode ser compreendida em várias acepções, inclusive a de trair a pátria e o povo. De golpe em golpe, chegamos à decomposição. De um “País do futuro” passamos a ser o “País sem nenhum futuro”, posto que nem mesmo um passado nos é dado possuir.

Rosemberg Cariry

Cineasta e escritor