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Desde que o samba é samba…

Em artigo sobre o Dia do Samba, comemorado neste sábado (2), o jornalista e sociólogo Demétrio Andrade, integrante do grupo de samba Academia, ressalta a cultura por trás do ritmo. Confira:

“O samba é pai do prazer, o samba é filho da dor”. Os versos de Gilberto Gil e Caetano Veloso refletem bem o significado ímpar do estilo musical que é a cara do Brasil. Parida em meio à opressão esmagadora das senzalas, a festa oriunda do batuque era a única alternativa possível de alegria e de reafirmação da identidade de um povo banido de sua terra e barbaramente escravizado.

Em todos os seus variados ritmos, o samba caminhou junto com o desenrolar histórico dos percalços e avanços nacionais, é claro, cobrindo os pés descalços do povo negro. O samba foi além das fazendas de cana-de-açúcar e café e subiu os morros. Urbanizou-se em meio às favelas, cantou malandro a malandragem de quem não tinha algum, mostrando – sempre bem-humorado, a hipocrisia residente na vida de quem era obrigado a vestir paletó para sobreviver.

Mesmo perseguido pelas velas acendidas pra Ogum e fichado por vadiagem por portar pandeiros e tamborins, o samba entrou nos salões, colocou madames para dançar, apossou-se do calendário, invadiu o carnaval. Fez as sinhás morrerem de inveja por terem de reconhecer a beleza negra e única de quem seduz balançando as cadeiras, na “dança que é o cio com sabor de ensaio”.

Resiliente, promíscuo e sem preconceito, o samba engravidou ritmos brancos sem camisinha e botou no mundo filhos miscigenados – bossa, choro, samba-rock e outros mais –, sempre guardando a fortaleza do seu DNA. Tal qual os primos americanos jazz e blues, igualmente oriundos da musicalidade negra, elevou a status de deuses poetas e poetisas pobres, doentes e analfabetos, que contrastam até hoje, em sua fisionomia, ao mesmo tempo, as marcas da chibata e a altivez dos predestinados.

Por vender caro sua alegria, o samba é festeiro, mas não ri de graça. É dançante, mas só para iniciados. É democrático, mas exige cadência perfeita na condução, afeita somente aos que se permitem sentir a conexão entre a marcação e os batimentos cardíacos. Um dom único desta minha terra, um Brasil que tornou-se Brasil tendo a tristeza como senhora: “desde que o samba é samba é assim”.

Projeto Jazz em Cena tem apresentação gratuita neste sábado

Para quem gosta de jazz, não pode perder o tributo a Jaco Pastorius, com Miquéias dos Santos, Thiago Almeida, Denílson Lopes e convidados, neste sábado (2), a partir das 19 horas, no Centro Cultural Banco do Nordeste, com entrada gratuita.

Já neste domingo (3), a partir das 18 horas, no Cantinho do Frango, na Aldeota, o show fica por conta de Oscar Arruda e grupo, na interpretação de canções de Leonard Coher. O couvert artístico custa R$ 20.

(Foto – Divulgação)

PIB cresce 0,1% no terceiro trimestre e chega a R$ 1,641 trilhão

O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas no país, fechou o terceiro trimestre de 2017 com alta de 0,1% na comparação com o segundo trimestre, na série ajustada sazonalmente. Foi a terceira alta consecutiva. Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, o crescimento do PIB foi de 1,4%.

Com o resultado do terceiro trimestre do ano, o PIB – em valores correntes – atingiu R$ 1,641 trilhão no terceiro trimestre de 2017 no acumulado do ano, sendo R$ 1,416 bilhões referentes ao Valor Adicionado e R$ 225,8 bilhões dos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios.

Os dados fazem parte das Contas Trimestrais referentes ao terceiro trimestre do ano e foram divulgados hoje (1º), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, o PIB acumulado nos quatro últimos trimestres, no entanto, continua negativo, fechando em 0,2% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Com o resultado do segundo trimestre, o PIB fecha os primeiros nove meses do ano com um crescimento acumulado de 0,6%, em relação a igual período de 2016.

(Agência Brasil)

Quadrinista é proibido de usar boné com estrela vermelha em programa da Rede Globo

Convidado para participar da edição desta terça-feira (28) do programa Conversa com Bial, na TV Globo, o quadrinista Gabriel Bá foi impedido de utilizar um boné com uma estrela vermelha, semelhante ao utilizado pelo ex-líder cubano Fidel Castro. A estrela foi parcialmente coberta por fita isolante durante a gravação da entrevista.

De acordo com Gabriel, gêmeo do também quadrinista Fábio Moon, a produção da atração havia pedido para que símbolos políticos não fossem exibidos nas vestimentas.

Artista foi impedido de usar boné com estrela vermelha
Artista foi impedido de usar boné com estrela vermelha

“‘Evite números para que não haja associação a marcas ou partidos políticos’. Essa foi uma das dicas de vestuário da produção do programa. Mesmo assim, fui com meu boné verde com estrela vermelha, que trouxe do Vietnam. Tenho outros, mas gosto deste, do que ele representa. Foi minha escolha”, escreveu ele em publicação acompanhada de um desenho do boné com fita isolante.

Artista fez desenho do boné com a estrela proibida
Artista fez desenho do boné com a estrela proibida

“Chegando no estúdio, o pessoal do figurino, respondendo à diretoria do programa, disse que a estrela não ia rolar. Claro que não fiquei contente, mas eu fiz uma escolha antes: a de ir com o boné. Entre entrar com a estrela coberta ou entrar sem boné, escolhi o boné. E escolheria novamente. Poderia ser um tucaninho azul e amarelo ou um número 45, o logo da Adidas ou o escudo do Palmeiras. Seria coberto da mesma maneira. Prefiro ver agora esse debate todo e o povo refletindo do que simplesmente ter entrado sem boné”, completou o artista, um dos autores da adaptação para quadrinhos de Como falar com garotas em festas, baseado em um conto do autor britânico Neil Gaiman.

Outro lado

A Globo rebateu as acusações de ter cometido censura, mas confirmou que não autorizou o uso do boné com a estrela vermelha. “Existe uma orientação geral para que os convidados evitem roupas com marcas aparentes, e símbolos e números que remetam a partidos políticos. Esse cuidado reforça a isenção do programa. Não há qualquer tipo de censura ou restrição ao conteúdo da entrevista. Os convidados discorrem livremente sobre questões políticas e expõem opiniões pessoais”.

(Jornal do Brasil)

Cine Nazaré – Aluna de Jornalismo escreve livro sobre o último cinema de bairro em Fortaleza

Júlia Ionele, aluna do Jornalismo da Universidade Federal do Ceará, fez do trabalho de conclusão de curso um arquivo de memórias de uma Fortaleza que já não existe mais. A estudante, que cursa o oitavo semestre da graduação, escreveu o livro-reportagem sobre o Cine Nazaré, o último cinema de bairro da capital cearense e do Brasil. O livro “Cine Nazaré – Um cinema vivo” busca resgatar a memória coletiva e afetiva do cinema.

O Cine Nazaré abriu as portas no ano de 194. Em 76 anos de funcionamento, foi palco de muitos romances, histórias e lembranças de uma Fortaleza antiga. Resistiu ao período da ditadura militar, ao avanço da tecnologia e da nova forma da organização social. Ele resiste no mesmo lugar, na Rua Padre Graça, no número 65. O espaço é uma saleta cinematográfica com capacidade para oitenta pessoas. Os filmes são projetados com retroprojetores da forma antiga e os clássicos em preto e branco que já não se encontram em quase nenhum acervo da capital.

Memória

A produção narra os 76 anos da história do Cine Nazaré, relatando a vida de Raimundo Carneiro de Araújo, o “Seu Vavá”. Ele é o responsável por manter o cinema vivo até os dias atuais e por conservar todo o maquinário da década de 20 e 30, além do acervo de duas mil películas, títulos que já não são encontrados em nenhum lugar, como O Ébrio, Dio como te amo, Carmen Miranda. O cinema do bairro Otávio Bonfim é um acervo vivo de películas do século passado.

A chegada do cinema falado na capital cearense é datada de 1930. Nesse período, a sociedade passava por mudanças decorrentes do avanço dos investimentos nas áreas de infraestrutura. As salas de cinema foram uma atração para a população. A diversão simples e acessível fez com que as pessoas passassem a frequentar cada vez mais o ambiente cinematográfico.

Os cinemas mais conhecidos de Fortaleza no período citado eram o Cine Majestic (cinema aberto em 1917, por Plácido de Carvalho, no centro de Fortaleza), o Cine Moderno (cinema inaugurado em 1921, pelo grupo Luiz Severiano Ribeiro no centro da cidade) e Cine Polytheama (inaugurado em 1911, levantado no centro de Fortaleza, hoje, no local, está funcionando o Cine São Luiz), sem esquecer a presença de outras salas mais simples, como os presentes nas associações religiosas e leigas.

O avanço da desvalorização do cinema fortalezense reflete não apenas em perdas audiovisuais, mas afetivas e identitárias. Por isso, a importância de recuperar o cinema como instrumento de identidade cultural. A reflexão sobre o cinema permite que a comunidade seja levada a pensar nele como espaço de resistência e memória.

O Livro

O livro está estruturado em quatro capítulos, cada um retratando diferentes fases da vida do cinema. O capítulo um, denominado “Nasce o Cine Nazaré”, traz informações da construção do cinema e dos primeiros anos de funcionamento. O capítulo dois, que recebe o nome “A reabertura do Nazaré”, traz a segunda fase do cinema, no final dos anos 60 e a forma de organização dele. O terceiro, “Cine Nazaré é resistência”, busca trazer a reabertura do cinema nos anos 2000 e a nova forma de funcionamento. Já a última parte do livro, denominada “Cine Nazaré vive”, procura trazer explicações do que será o Cine Nazaré nos próximos anos.

“Eu queria passar pela graduação deixando para as pessoas uma boa história que elas pudessem passar a diante, eu queria mostrar a importância de fazer jornalismo para as pessoas e o Cine Nazaré foi à concretização do sonho de fazer um jornalismo comunitário. O Cine Nazaré vive e por isso, a necessidade de retratá-lo dando oportunidade para que as próximas gerações conheçam a história de um homem que lutou para que a história do Cinema não fosse perdida. O Cine Nazaré vive”, ressaltou Julia.

O livro foi orientado por Ronaldo Salgado, professor e mestre da Universidade Federal do Ceará, o precursor da Revista Entrevista e orientador do livro Cine Diogo – O cinema azul.

(Foto – Divulgação)

Artista plástico cearense expõe “Quatro Estações – Rio São Francisco” na Câmara dos Deputados

O contraste entre a exuberância da natureza e a degradação ambiental resultante da ação humana é a inspiração da nova exposição do Centro Cultural Câmara dos Deputados, assinada pelo artista plástico e geólogo cearense Francisco Ivo. “Quatro estações – Rio São Francisco” traz, em 20 telas, um estudo de caso sobre uma das mais importantes bacias hidrográficas do País, cuja transposição das águas pode chegar ao Ceará em 2018. O trabalho integra a 11ª edição da Mostra de Arte Cidadã da Câmara, aberta à visitação gratuita até 13 de dezembro.

A exposição, em breve, poderá ser trazida ao Ceará, pois está inscrita em editais de cultura locais. Antes de Brasília, parte da obra do cearense foi destaque em exposição individual no Memorial à República de Maceió, em Alagoas, entre novembro e dezembro do ano passado.

Em “Quatro estações – Rio São Francisco”, a técnica da pintura em óleo sobre tela ajuda o visitante a compreender as transformações no Velho Chico ao longo dos 2.700km de sua extensão, desde a nascente, em Minas Gerais, até a foz, entre Alagoas e Sergipe. As telas retratam não só a beleza dos cânions, da fauna e da flora, mas também os ciclos de desenvolvimento socioeconômico que acabaram cobrando um alto preço ao rio.
Obras como “Máquina imperial”, “Pontes do Velho Chico”, “Luz para todos” e “Transposição”, para citar apenas alguns exemplos, chamam a atenção para os efeitos positivos e negativos do progresso sobre a região.

A formação em Geologia do artista confere um tom especializado às pinceladas. Nas telas “Lajeados e Bromélias”, “Corrupião” e “Guaramiranga”, por exemplo, Francisco Ivo explica que a diversidade observada na bacia hidrográfica só foi possível graça à complexidade dos relevos e aos múltiplos habitats gerados durante uma longa história geológica, climática e biológica.

Quatro Estações

O estudo de caso sobre o São Francisco integra projeto anterior do pintor cearense, batizado de “Quatro estações”. Inspirado na obra “As Quatro Estações”, do compositor italiano Antônio Vivaldi, Francisco Ivo pintou as primeiras telas da série, pensando nas condições ambientais em que o planeta se encontrava no século XVIII.

Cada estação é associada a um fenômeno ou processo humano com impacto no meio ambiente, como a ocupação urbana, o consumo desenfreado, a industrialização e o desmatamento. Foi com base nessa concepção que Ivo decidiu expandir a série de pinturas e realizar o estudo de caso sobre a bacia hidrográfica, ampliando o olhar sobre a dicotomia natureza-degradação e trazendo a realidade do Velho Chico para sua coleção.

O Artista

Membro da Academia Cearense de Ciências, Letras e Artes do Rio de Janeiro, Francisco Ivo estudou desenho de arquitetura e produziu suas primeiras pinturas nos anos 1980, tendo a arte NAIF como inspiração. Em 1987, concluiu o curso de Geologia e, em seguida, mudou-se para o Rio de Janeiro, fixando residência em Niterói. Cursou aulas de pintura na Sociedade Brasileira de Belas Artes, no Rio. Em 2016, deu início a exposições individuais por seleção.

A trajetória do artista Francisco Ivo traz curiosidades. É trineto de uma importante personagem da história política cearense, Fideralina Augusto Lima, conhecida como “a matriarca de Lavras da Mangabeira”. Personagem forte, em uma época na qual a política era totalmente comandada por homens, Dona Fideralina teve sua história contada em livro de Dimas Macêdo, lançado em outubro (bit.ly/2A2wBwF). Antes, inspirou romance da escritora Rachel de Queiroz, no livro “Memorial de Maria Moura”. Dona Fideralina era avó de Sinhá D´Amora, figura importante das artes plásticas no Ceará e do Brasil, que acabou por também influenciar a veia artística de Francisco Ivo, seu sobrinho-neto.

Urca abre exposição “Gigantes do Kariri – Um voo pela Paleoarte”

Será aberta nesta terça-feira, 21, às 19 horas, a exposição itinerante “Gigantes do Kariri – Um Voo pela Paleoarte”. O evento será realizado por meio do Geopark Araripe, através da Pró-reitoria de Extensão da Universidade Regional do Cariri (Urca), e a Shanadú Ateliê Escola.

O evento, segundo informa a assessoria de imprensa da Urca, será aberto oficialmente pelo reitor Patrício. A exposição será realizada no Salão da Terra, no Campus do Pimenta.

Também estarão presentes no ato de abertura, o diretor do Geopark, Nivaldo Soares, e a curadora da exposição, Edvânia Martins. Às 19h30, haverá visita à exposição e, em seguida, um coquetel no pátio da reitoria.

(Foto – Divulgação)

Prefeitura de Fortaleza promete mais dois Cucas

Dois novos Cucas (Centros Urbanos de Cultura, Arte, Ciência e Esporte) vão ser construídos pelo prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT): um no Pici e outro no Conjunto José Walter, informa o coordenador de Políticas Públicas de Juventude, Júlio Brizzi.

Ele observa, no entanto, que a obra é para o ano que vem, pois os processos relacionados aos projetos e futura licitação ainda estão em andamento.

Nos Cucas, a Prefeitura oferece cursos dos mais variados para os jovens, que vão da informática básica e teatro às prática de vários esportes.

Há também um Cuca previsto para o bairro Vicente Pinzon, mas que deve ser entregue só ao final da gestão.

DETALHE – Os Cucas são um projeto da Era Luizianne Lins. Deveriam estrar operando seis unidades. Hoje só três estão oferecendo seus serviços: Jangurussu, Barra do Ceara´e Mondubim.

 

Crianças fazem produção artística de exposição baseada nas obras de Romero Britto

Crianças do ensino infantil da Expansão Educacional Creche Escola produziram nesse sábado (18), no Cambeba, uma exposição de pinturas baseadas nas obras de Romero Britto, artista plástico pernambucano, de renome internacional, radicado nos Estados Unidos.

A artista plástica Francisca Leonisia explicou à neta qual o real sentido e o valor de uma obra de arte. Já a criança, que tem 3 anos e está concluindo o infantil II, ficou orgulhosa de encontrar a peça que pintou, com a devida orientação pedagógica. A educação artística nas escolas está como disciplina obrigatória, mas algumas instituições não agregam o conteúdo à programação educacional.

O evento foi aberto ao público e não somente aos pais de alunos. A escola também arrecadou leite em pó que será doado à Casa de Apoio Sol Nascente, no mês de dezembro, quando haverá uma nova programação interna que visa estender a campanha de doação de leite.

(Foto: Divulgação)

Lei do Silêncio deverá ser sancionada na quarta-feira, no Dia do Músico

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A nova Lei do Silêncio no município de Fortaleza deverá ser sancionada pelo prefeito Roberto Cláudio na quarta-feira (22), quando o país comemora o Dia do Músico. Aprovada na terça-feira (14), a nova lei visa adequar o crescimento da cidade com a expansão cultural.

De acordo com o propositor da matéria, vereador Eron Moreira (PP), a lei ainda continua respeitando o cidadão e agora também passa a dar mais direitos e oportunidades para que músicos exerçam sua profissão.

“Tinha muito equipamento, instrumento de trabalho apreendido. E os instrumentos são o ganha pão dessas pessoas, que colocam comida em suas mesas através da música. O que fazemos hoje é contemplar essa justa demanda da sociedade”, ressaltou Eron Moreira, que presidiu a comissão que debateu as propostas da nova lei.

Consciência Negra – Acarape recebe Virada Cultural neste fim de semana

“Antes a abolição da escravatura. Agora a ebulição dos libertos”, diz Margarida Lima, organizadora da II edição da Virada Cultural, citando Gilberto Gil. O evento, criado para fortalecer grupos artísticos do Maciço de Baturité, região conhecida por ser pioneira no fim da escravidão, acontece neste sábado (18) e no domingo (19), no fim de semana que antecede o Dia da Consciência Negra, celebrado na segunda-feira (20).

A programação é composta por oficinas como “Criação em Dança a partir da afro-ancestralidade”, “Teatro Brincante de dentro para fora” e “Cinema de Bolso”, durante o dia e espetáculos teatrais como “A moça que virou cobra”, o experimento sensorial “Janelas do Maciço” e apresentações musicais durante a noite. Tudo com foco na valorização da cultura afro-brasileira.

“O evento busca tornar acessível a arte e a cultura popular”, explica Margarida. “Acreditamos que a abolição não erradicou a escravidão e não devolveu a identidade roubada dos negros. Por isto precisamos sempre construir abolições até que um dia nossa região se identifique culturalmente como povos descendentes dos negros e índios que um dia ocuparam este território e deram contribuições gigantescas para a construção étnica do Maciço de Baturité”, completa.

A Virada acontece em diversos espaços em Acarape, desde o Salão Paroquial Juvenal de Carvalho, Paço Municipal, Escola de Ensino Fundamental José Neves de Castro até Praça da Matriz, onde serão as apresentações. Além de receber o apoio cultural de vários segmentos como Prefeitura Municipal de Acarape, Secretaria Municipal de Guaiúba, ONG Amigos da Arte de Guaramiranga e contar com a participação de coletivos de Redenção, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), entre outros.

(Virada Cultural / Foto: Divulgação)

Zelo com o patrimônio cultural, algo que Fortaleza precisa aprender

Com o título “Cultura como ativo da sociedade”, eis artigo do empresário Roberto Macêdo, conselheiro da Confederação Nacional da Indústria. No texto, que pode ser conferido também no O POVO, ele faz um relato do zelo de cidades europeias por seu patrimônio cultural, algo que Fortaleza precisa aprender. Confira:

Diante de todas as manifestações de imediatismo, de individualismo e de atenção exagerada ao materialismo, presentes no mundo atual, fiquei pensando no quanto algumas sociedades valorizam o seu patrimônio imaterial, sua memória e sua história. Estivemos dessa vez em Praga, Viena e Munique e pudemos observar o quanto essa preocupação com a cultura é um traço comum nessas três cidades de diferentes países.

O meu interesse nesse olhar se tornou mais forte quando passamos a aplicar nas visitas a museus, igrejas, logradouros históricos, monumentos e espaços culturais os conhecimentos adquiridos por minha filha e genro em um cuidadoso planejamento que antecedeu a nossa viagem.

Esse preparação que meus filhos tiveram o cuidado de ter foi para mim um diferencial em relação às minhas muitas idas e vindas pelo mundo, sempre pressionado pela questão tempo, seja nas viagens a negócio, seja até mesmo naquelas de lazer.

Com as informações pesquisadas, fizemos nossas próprias andanças, percorrendo ruas a qualquer hora do dia ou da noite, sempre com a sensação de estarmos seguros, porque o turista é visto nesses lugares como um tipo especial de cliente da sociedade.

Assim, imbuídos dessa compreensão, os cidadãos cuidam da preservação dos bens públicos de forma complementar à ação dos governos. Os bens culturais são antes de tudo encarados como destinados ao usufruto de quem mora ali e, também, como meio inteligente de gerar riqueza para as pessoas do lugar.

Nossos filhos funcionaram para a Tânia e para mim como desbravadores digitais da nossa expedição, chegando até a nos indicar, por meio de aplicativos, o tamanho das filas dos lugares que queríamos visitar. Tivemos assim a oportunidade de usar a tecnologia disponível para nos orientar.

Foi bom vivenciar calmamente com o meu grupo familiar a movimentação de pessoas pelos centros vivos das cidades, andando a pé e circulando de bicicleta, como algo que já faz parte de seu cotidiano. Lembrei-me com esperança dos primeiros passos que Fortaleza tem dado no sentido de criar hábitos saudáveis de mobilidade.

Nossa cidade, que tem o potencial e uma grande aspiração de ser um centro turístico global, tem muito o que aprender com as experiências de combinação dos ativos culturais com a dinâmica econômica e social, promotores de qualidade de vida, de bem-estar e de desenvolvimento sustentável.

*Roberto Macêdo

roberto@pmacedo.com.br

*Empresário e conselheiro da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Tudo pronto para a I Bienal Internacional do Teatro do Ceará

Tudo pronto para a I Bienal Internacional de Teatro do Ceará (BITCE). Com o tema “Teatro, Mito e Feminino: Conexões”, o evento será aberto nesta terça-feira, às 9 horas, com a participação especial de “Um canto à vida”, com as Mulheres Vitoriosas do Projeto Amazonas/Projeto Iracema GEEON-UFC, no Centro Cultural Banco do Nordeste.

A BITCE abrange nesta edição quatro cidades e ocorrerá em duas partes, uma agora em novembro e a outra em março de 2018. Em sua primeira fase, contemplará a Espanha e o Brasil (Amazônia, Bahia, Ceará e Pernambuco) e terá como palco as cidades de Fortaleza (14 a 20/11), Juazeiro do Norte (17 e 18/11), e Crato (19 e 20/11).

A segunda parte do evento vem com a Itália, França, Portugal e Brasil, incluindo além dos três municípios a cidade de Sobral (8 a 20/03 de 2018). Agora em novembro serão 57 apresentações com a participação de 44 grupos/artistas entre pesquisadores/criadores, solistas, técnicos, assistentes, produtores e equipes do projeto. Toda a programação é gratuita e classificação etária 18 anos.

Programação

Em Fortaleza a Bienal passará por três equipamentos culturais. Primeiro no Centro Cultural BNB (CCBNB) onde ocorrerá a abertura oficial, às 9 horas. Após a solenidade começa o seminário que leva o titulo do evento tendo como moderadora Camila Silveira da Coordenadoria de Mulheres do estado do Ceará. Participam Adelice Souza (Universidade Federal da Bahia); Cecilia Raiffer (Universidade Regional do Cariri); Hebe Alves (Universidade Federal da Bahia); Nilze Costa e Silva (BR/CE); e Rejane Reinaldo (BR/CE) que chegam com temas instigantes para debater histórias e mitos que passam por Barbara de Alencar, Beata Maria de Araújo, personagens femininas do dramaturgo Nelson Rodrigues, mulheres guerreira amazonas e gênero como performance.

Além do seminário acontecem quatro apresentações no CCBNB. Por volta das 13 horas, começa o Experimento Cênico: Cassandra – Lua Ramos (BR-CE). E sem perder o ritmo, às 17 horas, é a vez do Experimento Cênico As troianas – Francinice Campos (BR-CE) – Cia Palmas. Às 19 horas, a programação segue com a Aula-Espetáculo: kali, um drama-oração de Adelice Souza (BR-BA). E às 21 horas, o encontro fecha com o ETNOCENA – Experimentos Cênicos – Ritual de encerramento – poetas e Rappers: intervenção das Minas do FCH2.

A Bienal continua e se instala no Centro Cultural Belchior na quarta-feira (15/11), das 9 às 12 horas e das 14 às 17 horas – com atividades de Multiresidências/ Intercâmbios entre Criadores/ Vivências estéticas poéticas éticas técnicas por Cecilia Raiffer da Universidade Regional do Cariri (URCA) que vai abordar o tema: A imagem propulsora na criação da cena teatral. Terminando aqui, o espaço do evento passa a ser no Teatro da Boca Rica, às 19 horas, com o Espetáculo Amazônicas, poéticas do mundo (Mitologia Indígena Desana Kehiripõrã)- Acácia Mié Pantoja da Gama (BR/ AM).

E na quinta-feira (16/11), no mesmo local, às 19 horas, o público pode assistir o espetáculo: Obscena. Um encontro com Hilda Hilst, de Fabiana Pirro (BR-PE). Depois entra em cena, às 21 horas, ETNOCENA – EXPERIMENTOS CÊNICOS – Ritual de encerramento. Na programação Kombi do Bem apresenta: Ouri com Raquel Diógenes (BR/CE) e Carlos Hardir (BR/CE) – Etnocena; Gabriela Savir (BR/CE) e Carolina Rebouças (BR/CE) – Ghetto Roots: um canto poético a Dandara, a guerreira dos Palmares; e Djuena Tikuna (BR/AM) – artista indígena, cantora e atriz da tribo Tikuna da Amazônia.

(Foto – Divulgação)

Mãe da música nordestina – Cineteatro São Luiz realiza show 10 anos sem Marinês

Voz feminina da música nordestina, coroada por Luiz Gonzaga como Rainha do Xaxado (dança típica dos cangaceiros de Lampião), Marinês é homenageada no palco do Cineteatro São Luiz, neste domingo (12), a partir das 18 horas. Quem fará a homenagem, que marca os 10 anos de saudade de Marinês, é a cantora e compositora Sabrina Vaz, que iniciou carreira solo tendo como objetivo a restauração musical da cantora Marinês – a qual muito se assemelha -, e o músico Marcos Farias, filho do sanfoneiro Abdias dos Oito Baixos e de Marinês. Os ingressos podem ser adquiridos a preços populares: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia).

“Pisa na Fulô” e “Peba na Pimenta” são algumas das primeiras canções que ficaram conhecidas através da voz de Marinês, seguidos por mais de 45 discos gravados, todos com grandes sucesso. Como disse Gilberto Gil: “Marinês é a grande mãe da música nordestina”.

Na homenagem, que integra a programação especial do equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), alusiva ao dia da cultura, Marinês e a cultura nordestina são celebradas em um lindo espetáculo.

(Secult)

Câmara Municipal debaterá atraso no pagamento dos editais da Secultfor

Por iniciativa do vereador Guilherme Sampaio (PT), a Câmara Municipal realizará audiência pública para discutir, a partir das 14h30min desta quarta-feira, o pagamento dos editais da Secretaria da Cultura de Fortaleza e parcerias que envolvem o meio artístico local.

O vereador atendeu a um pleito do Fórum de Linguagens Artísticas e dos proponentes selecionados no último Edital das Artes, em 2016, que, enfrentando sérias dificuldades em dialogar com a Secultfor acerca do pagamento.

A Secultfor já havia se comprometido com um cronograma de pagamento parcelado dos atrasados, mas acabou não cumprindo o que foi acordado. Essa audiência recebeu ainda o apoio do Fórum Cearense de Teatro.

R$ 1 bilhão – Banco do Nordeste passa a financiar produção audiovisual

O presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), anunciou nesta segunda-feira (6) o credenciamento do Banco do Nordeste para atuar como agente financeiro do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), diante dos recursos de R$ 200 milhões por ano, até 2022.

Cineastas, roteiristas, produtores e atores passaram a ser benefiados, desde a última sexta-feira (3), quando a medida foi foi publicada no Diário Oficial da União.

Eunício Oliveira defendeu que o BNB se colocasse à disposição da Agência Nacional do Cinema (Ancine) para fortalecer a cultura nordestina.

O Fundo Setorial do Audiovisual é uma categoria de programação específica do Fundo Nacional de Cultura – FNC, utilizado no financiamento de programas e projetos voltados para o desenvolvimento das atividades audiovisuais.

III Corredor Cultural do Benfica terá até bloco de Carnaval

O Corredor Cultural Benfica vai dar prosseguimento à sua programação nos dias 11 e 12 deste mês de novembro, com pluralidade de linguagens, acesso gratuito e o objetivo de incentivar o fortalezense a ocupar o bairro universitário para vivenciar a cultura. A informação é da assessoria de imprensa da Universidade Federal do Ceará.

Tudo começa na manhã de sábado (11), a partir das 8h30min, com o projeto Brincarmóvel – Brinquedoteca Itinerante. O ônibus, projeto de extensão do Instituto de Educação Física e Esportes (Iefes) da UFC, dispõe de um verdadeiro “arsenal” de brinquedos e jogos para diversas faixas etárias e uma salinha de cinema, onde os pequenos poderão assistir a desenhos infantis e sessões de contação de história com a Associação Carne Seca de Arte.

Na área externa, as crianças encontrarão parquinho inflável, pula-pulas, jogos de tabuleiro e o apoio dos monitores do Curso de Educação Física da UFC. Instalado nos jardins da Reitoria (Avenida da Universidade, 2853, Benfica), o equipamento funcionará no sábado (11), das 8h30min às 11h30min, e no domingo (12), das 8 às 13 horas.

Música

O fim da tarde de sábado (11) dá início à programação musical do Corredor Cultural Benfica com apresentação do grupo Miraira, às 17 horas, na Concha Acústica da Reitoria. Laboratório cênico-musical de ensino, pesquisa e extensão em folclore e cultura popular, é formado por estudantes e professores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (Ifce), além de membros da comunidade. Ao longo de 35 anos de história, seu trabalho transdisciplinar de resgate e difusão de elementos da cultura tradicional brasileira já ganhou os palcos em nove estados.

Às 17h30min, a atração será a banda Pulso de Marte, vencedora do II Festival de Música da Juventude de Fortaleza, cuja final ocorreu no dia 21 de outubro, na última edição do Corredor Cultural do Benfica. Com vocais femininos fortes e um mix de indie rock, MPB, pop rock, hardcore e rock alternativo, o grupo apresenta na Concha Acústica as músicas de seu primeiro CD, A busca.

Em seguida, às 18 horas, será anunciado o resultado da premiação dos melhores trabalhos dos Encontros Universitários da UFC, realizados de 8 a 10 de novembro no Campus do Pici.

A atração seguinte será o Grupo de Música Percussiva Acadêmicos da Casa Caiada, projeto vinculado ao Curso de Música da UFC (Fortaleza). Coordenado pela professora Catherine Furtado, o grupo costuma representar a UFC no desfile oficial do carnaval de Fortaleza e promete colocar o público para dançar com seus maracatus e sambas-enredo.

Bloco Luxo da Aldeia

O bloco carnavalesco Luxo da Aldeia é o quarto show da noite. O grupo homenageia, em ritmo de marchinhas, frevos, sambas e maracatus, a identidade cearense com um repertório de talentos locais de todas as épocas, como Lauro Maia, Evaldo Gouveia, Petrúcio Maia, Ednardo, Fausto Nilo e Fagner.

Selvagens à Procura de Lei

Presença confirmada no festival Lollapalooza Brasil 2018, a banda cearense Selvagens à Procura de Lei fecha a programação noturna do dia 11 com uma união perfeita entre rock e pop. Os músicos apresentam o show do álbum Praieiro (2016). Residente em São Paulo desde o ano passado, com público fiel, a banda tem uma história de proximidade com a UFC, tendo feito parte da seletiva universitária do Festival UFC de Cultura em 2011.

Na manhã de domingo (12), a música continua com a Camerata de Violões do Ifce, que se apresenta às 9h30min no palco montado na Avenida da Universidade. Às 10h30min, o mesmo palco recebe uma compilação de trabalhos artísticos apresentados na IV Mostra ICA, organizada pelo Instituto de Cultura e Arte da UFC.

Às 11 horas, a atração é o grupo Palmerê, iniciativa da Cia. Bate Palmas, que trabalha com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social residentes no bairro Conjunto Palmeiras. Há quase uma década, o projeto vem formando crianças na área de percussão alternativa e convencional, tendo dois grupos de batuque infantil e uma banda musical de alunos veteranos.

Dança

Os amantes da dança terão de acordar cedo no domingo (12) para marcar presença em um aulão de dança de salão. A formação será ministrada às 8 horas, no palco principal montado na Avenida da Universidade, pela Entre Abraços Escola de Dança.

Às 10 horas, o mesmo palco recebe a Escola de Ballet da UFC, com apresentação de coreografias clássicas. Ligado ao Instituto de Educação Física e Esportes (Iefes) da UFC, o grupo atende à demanda pela formação em balé para adultos, ofertando desde 2013 aulas gratuitas no Campus do Pici. A escola apresenta o espetáculo Novelos, cujo apanhado de coreografias clássicas aborda, com delicadeza e força, a luta pelos direitos das mulheres. As peças são trechos oriundos de obras como Dom Quixote, A bela adormecida e O lago dos cisnes.

Esportes

Como nas duas edições anteriores, a Rua Paulino Nogueira será interditada para receber o espaço destinado à prática de jogos tradicionais e esportes de rua, como futebol e basquete. As atividades são abertas a todas as faixas etárias e contam com o suporte do Departamento de Educação Física do Ifce.

O Ifce marca presença ainda por meio de duas atividades abertas nas modalidades de capoeira (às 9 horas) e muay thai (10h) nos jardins da Reitoria. A primeira prevê apresentação dos instrumentos utilizados na roda de capoeira e um aulão com aquecimento, demonstração técnica e roda de capoeira. Não há restrição de idade. Já na de muay thai, está prevista uma apresentação da filosofia dessa arte marcial, além de demonstração técnica e noções básicas da luta. Ambas serão ministradas por equipes do Ifce.

CINEMA – Na manhã de domingo (12), a partir das 9h30min, o auditório da Reitoria sediará o Cine Debate do Observatório de Políticas Públicas da UFC. Na ocasião, será exibido o documentário Defensorxs (2015, 86 minutos) e haverá bate-papo com os realizadores da Nigéria Filmes.

Circo e Sarau

As risadas estarão garantidas, a partir das 9 horas do domingo (12), com a trupe do projeto Palco Aberto, que terá como picadeiro os jardins da Reitoria. Até as 12 horas, mímicos e palhaços reunirão adultos e crianças para entretê-los com muito humor e artes circenses, como malabares, trapézio de chão e acrobacias. Também às 9 horas, em outra área dos jardins, a Associação Carne Seca de Arte promoverá um pocket show instrumental e o sarau literomusical Viva Palavra.

Oficinas

Quatro oficinas serão ofertadas na manhã de domingo (12): “Artesanato em nó” (ás 8 horas), “Bonecas de pano” (9h30min), “Grafite” (9h30min) e “Quadrinhos” (8h30min). As três primeiras serão realizadas nos jardins da Reitoria, e a última, no Departamento de Arquitetura da UFC (Avenida da Universidade, 2890, Benfica). As inscrições poderão ser realizadas on-line, por meio de formulário eletrônico ou no horário e local das formações até o preenchimento das vagas disponíveis.

Feiras e exposições

Durante a manhã do dia 12, na Avenida da Universidade, os amantes dos livros poderão conferir expositores de diversas livrarias, com exemplares novos e usados à venda. Designers, artistas plásticos e artesãos participarão do Mercado de Economia Criativa, com produtos autorais nas áreas de arte, moda e decoração. Completa o leque de atrações na via uma exposição de bicicletas personalizadas.

Já a Feira de Orquídeas, com comercialização de diferentes espécies dessa família de flores, perfumará novamente os jardins da Reitoria. Os corredores do prédio, por sua vez, serão ocupados pela Feira de Artefatos, com itens como rádios, discos, antiguidades e objetos colecionáveis em geral.

Ainda nos jardins, estará montada a exposição UFC 60 anos, coleção de registros documentais e fotográficos da Universidade, organizados sob a curadoria do Memorial da UFC. O setor realizará, paralelamente, uma visita orientada à Reitoria, que prevê a observação de ambientes externos e internos com suporte de historiadores.

SERVIÇOS

Na noite de sábado (11), na lateral da Concha Acústica da Reitoria (Avenida da Universidade, 2853, Benfica), será montado um espaço de redução de danos da Rede Cuca, com distribuição de preservativos e de material informativo sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), além da realização de teste rápido para detecção do vírus HIV e de outras ISTs, como hepatites e sífilis.

Já no domingo (12), das 8 às 12 horas, o posto de atendimento da Ciclofaixa de Lazer estará mais uma vez à disposição do público, com aferição de pressão arterial, teste de glicemia e distribuição de mudas. Também haverá equipes realizando emissão de bilhete único, cadastramento nos sistemas municipais de transporte compartilhado e solicitação de vagas especiais de estacionamento (idosos e pessoas com deficiência). Os atendimentos serão realizados por equipes da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos da Prefeitura Municipal de Fortaleza.

Igualdade social e o fim do ensino privado

Em artigo no O POVO deste domingo (5), o professor da UFC e sociólogo André Haguette defende o capital cultural como combate à desigualdade social no Brasil. Confira:

Nas últimas semanas, este jornal publicou vários excelentes artigos apontando a urgência de diminuir a desigualdade no Brasil e isso por vários motivos que vão do necessário aumento da produtividade do trabalhador à diminuição da violência e à excelência ética. Quanto menor a desigualdade social de um país, maiores a produção de riqueza e a distribuição de renda e melhor a qualidade de vida. Quanto a isso, todos estão de acordo. Mas nenhum desses artigos se aventurou a explicar o que fazer para diminuir a desigualdade social entre nós. Vou tentar apontar caminhos.

Em primeiro lugar, dar continuidade às iniciativas tomadas por FHC e ampliadas pelos governos de Lula: contínuo aumento real do salário mínimo e transferência de renda via diversos programas sociais, desde que não haja transferência maior para os ricos por meio de subsídios, perdão de dívidas, Refis e “coisinhas” do gênero.

Em segundo, empreender uma reforma fiscal realmente justa e redistributiva, isto é, progressiva, que incida mais sobre o patrimônio e a renda do que sobre o consumo cotidiano, embora se tributasse fortemente o consumo de luxo. Todos os países hoje desenvolvidos seguem esse caminho fiscal (menos os Estados Unidos que, como é notório, são fortemente desiguais e racistas).

O terceiro caminho é mais arrochado e vai parecer ao leitor um “absurdo”, mas foi seguido por vários países como a Finlândia e o Canadá (Québec), entre outros. Sabe-se que a melhor forma de aumentar a renda e promover uma mobilidade social ascendente é através do “capital cultural”. Quem não tem capital cultural (educação, escolaridade) é candidato a uma vida precária e vulnerável; pelo contrário, quem desfruta de uma boa educação formal é candidato a ser “alguém” na vida. As classes altas e médias sabem muito bem disso: construíram redes de escolas particulares para seus filhos, abandonando a escola pública à sua própria sorte. A mais efetiva maneira de aumentar o grau de igualdade social é fornecer aos filhos de todas as classes sociais uma mesma escola de qualidade. Daí a necessidade de extinguir o ensino particular e universalizar o ensino público para todos. Com a chegada das classes com alto capital cultural, a escola pública elevaria seu padrão de qualidade, assim como a melhor rede universitária é a pública.

Uma quarta política, essa praticada por um grande número de países, consiste também na eliminação de nosso duplo sistema de saúde: extinção do atendimento médico privado para a consolidação do sistema público (SUS) para todos sem exceção, assim como o Canadá e a Inglaterra fizeram com excelência.

Hoje há uma febre nas classes médias e altas para fugir de um Brasil pobre, em crise e violento. O que os países de destino pretendido têm a oferecer, senão uma sociedade com igualdade social invejável, onde é bom viver? Por que não construir uma sociedade semelhante aqui, no Brasil? Essa sociedade poderá ser alcançada se dotarmos os nossos concidadãos de um sistema fiscal progressivo, de um mesmo capital cultural, via escolarização única, e um sistema de saúde público também único que atenda a todos igualmente. Defender esses caminhos é sonhar acordado? Não, é querer percorrer caminhos semelhantes àqueles que outros países trilharam com sucesso.

UFC manda nota sobre MAUC

Da Coluna Vertical, do O POVO desta sexta-feira:

Sobre a nota “Uma biblioteca fora do lugar”, publicada ontem nesta Vertical, o reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Henry Campos, enviou comentário. A íntegra pode ser lida em www.opovo.com.br/colunas/vertical: “Desejo, inicialmente, lamentar o nível de desinformação de quem considera inapropriada a existência de um acervo de livros em um museu de arte. A biblioteca do Museu de Arte da UFC (MAUC) existe há algum tempo e, para abriga-la condignamente, nenhum espaço está sendo subtraído daquele destinado à exposição do acervo artístico.

Continua: “No momento, o MAUC passa por uma série de reformas, que inclui a renovação completa do equipamento de ar condicionado e adequações arquitetônicas necessárias para abrigar, dentro em breve, uma importante exposição do nosso Curso de Design. Ao mesmo tempo, a instituição, dentro em breve, de um Conselho Curador, e a parceria que vem sendo construída com o Instituto Dragão do Mar a Secretaria da Cultura do Governo do Estado, constituem sólida base para criar uma sociedade de apoio ao MAUC, concretizando assim um antigo projeto”.

O reitor prossegue: “A alegação de que o equipamento está ‘alheio aos movimentos artísticos’ e ao turismo desmorona diante de iniciativas como o intercâmbio e parcerias estabelecidas com o Governo do Estado, Unifor e MASP, que expuseram ou expõem preciosas obras de nosso valioso acervo. O Museu também tem participado da programação do Corredor Cultural do Benfica (a ser reproduzido em novembro e dezembro). Depositamos plena confiança no diretor, o professor Pedro Eymar, que não permaneceria no cargo não fora sua competência, seriedade e compromisso institucional”.