Blog do Eliomar

Categorias para Eleições 2016

Dois municípios de MG e um do TO realizam eleições para prefeito neste domingo

Os eleitores das cidades mineiras de Conceição do Rio Verde e Antônio Dias e de Itacajá, no Tocantins, voltarão às urnas neste domingo (3) para eleger prefeitos e vice-prefeitos em novas eleições. Nesses municípios, as eleições de 2016 para os cargos foram anuladas pela Justiça Eleitoral porque o candidato que recebeu a maioria dos votos válidos teve o registro de candidatura indeferido. A votação ocorrerá das 8h às 17h, no horário local.

O Código Eleitoral prevê que devem ocorrer novas eleições sempre que houver, independentemente do número de votos anulados e após o trânsito em julgado, decisão da Justiça que acarrete o indeferimento do registro, a cassação do diploma ou a perda do mandato de candidato eleito em eleições majoritárias (para presidente, governador ou prefeito). As instruções para a realização dessas eleições são estabelecidas por cada Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

O indeferimento do registro de Willian Robson Marques Fraga (Pros), eleito prefeito de Antônio Dias, se deu em razão de sua condenação por improbidade administrativa. Concorrem à prefeitura, neste domingo, Amarildo Rocha (PTC), Andrea Gláucia (Pros), Cléber Mata (PDT), Benedito Lima (PSDB) e Eliane Castro (PT).

A condenação por improbidade administrativa também resultou no indeferimento do registro de candidatura de Adilson Gonçalves de Oliveira Paganelli (PTC), candidato mais votado em Conceição do Rio Verde. Amanhã, disputam o cargo Eloiza Paganelli (PV) e Pedro Paulo (PR).

Em Itacajá será realizada nova eleição porque Manoel de Souza Pinheiro (PSDB) foi impedido pela Justiça Eleitoral de ser empossado. A Câmara de Vereadores rejeitou as contas de quando ele foi prefeito da cidade, entre 2009 e 2012. Concorrem ao cargo neste domingo Cleoman Costa (PR), o próprio Manoel Pinheiro (PSDB), que disputa o pleito suplementar amparado por uma liminar, e Raimundo Coelho (PT).

(Agência Brasil)

TSE concede liminar para candidato mais votado em Saboeiro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu nesta quarta-feira (11) liminar ao candidato mais votado à Prefeitura de Saboeiro, José Gotardo dos Santos Martins (PSD), que não teve os votos computados nas eleições de outubro último.

O candidato mais votado no município do Sertão dos Inhamuns, a 430 quilômetros de Fortaleza, recebeu o apoio do então prefeito Marcondes Ferraz (Pros).

Fato inédito – Dezenas de municípios não sabem quem tomará posse em suas prefeituras

Tomam posse neste domingo (1º) os mais de 63,4 mil candidatos que venceram as eleições de outubro de 2016 e vão ocupar as prefeituras e assembleias legislativas em 5.568 municípios. Entre os prefeitos, 1.384 dos vencedores foram reeleitos, sendo 15 em capitais.

Apesar do fim do processo eleitoral, dezenas de municípios brasileiros começarão o ano sem saber quem os governará pelos próximos quatro anos. São as cidades em que o candidato mais votado teve o registro de candidatura negado pelo Tribunal Regional Eleitoral, mas conseguiram disputar as eleições sob efeito de medidas liminares e aguardam o julgamento de recursos no Tribunal Superior Eleitoral.

O problema é inédito e causa insegurança jurídica nos municípios em que persiste a indefinição. Segundo o TSE, caberá ao juiz eleitoral responsável pela jurisdição de cada uma dessas cidades determinar como proceder, por exemplo, se o candidato eleito poderá tomar posse até a definição final na Justiça.

O problema decorre das mudanças realizadas em 2015 no Código Eleitoral, quando a legislação passou a prever um período mais curto antes do pleito para o registro das candidaturas, encurtando também o tempo para que a Justiça Eleitoral pudesse julgar as impugnações.

(Agência Brasil)

Santa Quitéria – Tomas Figueiredo tem eleição confirmada pelo presidente do TSE

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, concedeu liminar ao prefeito eleito de Santa Quitéria, Tomas Figueiredo (PMDB), que concorreu à eleição em outubro último em situação sub judice. Ele somou 13.594 votos, contra 9.410 votos de Fabiano Lobo (PDT), que concorria à reeleição.

Tomas Figueiredo era acusado de improbidade administrativa, enriquecimento ilícito e desaprovação de contas pela Câmara Municipal de Santa Quitéria, cidade do Noroeste Cearense, a 222 quilômetros de Fortaleza. Ele agora poderá tomar posse no cargo neste domingo.

(…) “chama a atenção, inicialmente, o fato de o parecer técnico do TCM (nº 72/2013) ter opinado no sentido da aprovação das referidas contas, afastando, inclusive, algumas irregularidades que foram consideradas em desfavor do candidato no julgamento de suas contas pela Câmara de Vereadores. (…) Ante o exposto, defiro o pedido de medida liminar para atribuir efeito suspensivo ativo ao agravo regimental interposto nos autos do REspe nº 104-91/CE até o julgamento definitivo neste Tribunal”, decidiu Gilmar Mendes, diante da medida cautelar impetrada pelo advogado Fernandes Neto.

Salmito prestigia diplomação do prefeito eleito de Ubajara

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O presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Salmito Filho (PDT), prestigiou na tarde desta quinta-feira (15), na Câmara Municipal de Ubajara, no Noroeste do Ceará, a 304 quilômetros da Capital, a diplomação pela Justiça Eleitoral do prefeito eleito Renê de Almeida Vasconcelos, o Renê do Ari (PDT), além do vice-prefeito e vereadores da Legislatura 2017/2020.

Renê do Ari foi eleito em outubro último com 53,4% dos votos (10.082), superando o atual prefeito José Romano do Nascimento, o Zezinho de Ubajara (PP), que somou 5.929 votos.

(Foto: Divulgação)

TRE garante resultado das urnas em Missão Velha

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Na sessão do Tribunal Regional Eleitoral, na tarde desta segunda-feira (21), os juízes eleitorais decidiram, por 5 votos a 1, pela absolvição do vice-prefeito eleito Luiz Rosemberg Macedo (SD), conhecido como Dr. Lorim, na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), ajuizada pelo Ministério Público Eleitoral.

Com a decisão, ficou mantido o resultado do pleito de 2 de outubro, quando foi eleito prefeito de Missão Velha o advogado Diego Gondim Feitosa (PMDB), com 11.691 votos, derrotando o atual prefeito Dr. Tardiny (PT), que obteve 10.166 votos.

Gaudêncio agradece apoio do eleitorado na última votação para Fortaleza

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O vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena, que na última eleição compôs chapa com Capitão Wagner, candidato do PR à Prefeitura de Fortaleza, agradeceu em sua página no Facebook a votação recebida nos primeiro e segundo turnos da eleição. Confira:

Fortalezenses,

Agradeço de coração a todos os colaboradores, voluntários, correligionários, líderes comunitários, apoiadores, ativistas, organizadores e amigos que contribuíram com nossa jornada de campanha nestas eleições de 2016, ora realizando visitas porta a porta, de casa em casa, ora conversando com os vizinhos, amigos e conhecidos ou postando apoio nas redes sociais. Ao mesmo tempo, dizer a todos, que vocês foram imprescindíveis para a ascensão e o fortalecimento da coligação PMDB/PR/PSDB/SD.

Sou grato a todos, homens, mulheres e jovens, criativos, talentosos e dedicados. Sinto orgulho e gratidão pela maravilhosa campanha limpa, honesta, criativa, digna de orgulho, valorizada pela força nas ruas com o movimento voluntário do “EU VIM DE GRAÇA”, que se tornou o grito da juventude demonstrando a garra e a esperança de um futuro diferente e promissor.

O resultado sabemos que não foi o que queríamos e almejávamos  e para o qual tanto batalhamos. Sem dúvida alguma lamentamos, especialmente pelos propósitos que compartilhamos, pela visão de futuro para nossa cidade, por um novo e moderno modelo político administrativo para Fortaleza.

Obtivemos 47% dos votos, demonstração inequívoca de que praticamente metade da população fortalezense investiu suas esperanças e seus sonhos na compreensão das nossas propostas por uma Fortaleza melhor, mais justa, mais humana e solidária, especialmente para com nossos irmãos mais carentes e necessitados. Ainda não foi desta vez que se deu a alternância do poder tão salutar para a democracia e o desenvolvimento da nossa cidade.

Com a certeza do dever cumprido e a honra de ter sido seu candidato a vice-prefeito, estarei sempre à disposição dos nossos milhares de apoiadores para os próximos embates, pois como bem expressava a denominação da nossa coligação, capitaneada pelo nosso prefeito, guerreiro, herói, homem de fibra, militar exemplar, amigo Capitão Wagner, “JUNTOS SOMOS MAIS”, vamos prosseguir nessa jornada acreditando que juntos seremos cada vez mais fortes, que a luta continua e que vale a pena lutar pelo ideal de uma sociedade mais justa e igualitária.

Que Deus abençoe nossa cidade e nossa gente.

Gaudencio G. de Lucena

As eleições nos EUA e as principais diferenças do processo eleitoral brasileiro

Os Estados Unidos escolherão, nesta terça-feira, seu novo presidente. A disputa, que tem como os dois principais candidatos – de um lado, Donald Trump, dos republicanos, e, do outro, Hillary Clinton, dos democratas, têm características bem diferentes das eleições brasileiras. “Temos o voto de colégio eleitoral, a candidatura avulsa, o financiamento pela internet, o voto facultativo, a possibilidade de votação antes do dia do pleito, além do sistema arcaico de recepção dos votos entre as principais características das eleições dos EUA que diferem das realizadas aqui no Brasil”, afirma a advogada eleitoralista Isabel Mota.

Um detalhe importante e que já difere em muito das eleições brasileiras é a candidatura avulsa. “O instituto da candidatura avulsa é permitido nos EUA e significa que qualquer cidadão pode se lançar candidato mesmo que não seja filiado a nenhum partido político”, explica Isabel. A existência do voto facultativo é outra grande distinção. “Lá, não é obrigatório o eleitor comparecer às urnas no dia do pleito”, alerta a advogada. Além disso, o processo eleitoral segue por meses, com várias etapas.

“Como mais uma particularidade das eleições nos EUA podemos citar o financiamento por crowdfunding, nossa conhecida vaquinha aqui no Brasil. É livre a doação de pessoas físicas. Já empresas e sindicatos são vedados para esse modelo de doação”, diz Isabel.

Existência do colégio eleitoral e eleições indiretas configuram mais distinções. “Os cidadãos votam nas prévias e escolhem candidatos dentro dos próprios partidos. Daí, saem tanto o candidato vencedor de cada partido quanto os delegados que farão parte do colégio eleitoral. A votação dos eleitores servirá para indicar aos seus delegados escolhidos quem é candidato de sua preferência. E, na prática, esses delegados é que elegerão o candidato vencedor. No geral, eles seguem o partido que o indicou na escolha do seu voto, mas abre uma brecha para haver diferença entre os votos populares e o resultado das eleições”, explica. Além disso, cada estado tem, de acordo com sua população e representação no Congresso, um número determinado de eleitores.

O dia das eleições nos EUA também é fixado por lei, na terça após a primeira segunda-feira de novembro. “Mas existe uma diferenciação importante lá. A possibilidade de, em alguns estados, votar antecipadamente, pessoalmente ou pelo correio”, frisa.

Por fim, Isabel destaca o formato arcaico do sistema eleitoral americano. “A votação por cédula, bem como a possibilidade de votar antecipadamente, além do sistema de voto indireto, tornam o processo de contagem dos votos algo bastante lento, permitindo um resultado oficial apenas no mês seguinte”.

Perfil

Isabel Mota é advogada cearense, especialista em Direito Eleitoral. Sócia-proprietária da Mota Advogados Associados, atua prioritariamente nas áreas do Direito Eleitoral, Administrativo e Municipal. Uma das fundadoras e conselheira fiscal da Academia Brasileira de Direito Eleitoral de Político (Abradep); participou da criação e é membro da Instituição Brasileira de Direito Público (Ibdpub).

É um equívoco supor que a influência de um partido de massas de esquerda se resuma ao jogo eleitoral

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Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (6):

Os setores conservadores transbordam de euforia com o refluxo da esquerda – sobretudo do PT – nas eleições municipais. Já festejam o fim do partido.

É um equívoco supor que a influência de um partido de massas de esquerda se resuma ao jogo eleitoral. Ela vai muito além, pois esse tipo de organização política é a expressão de uma realidade social profunda, e esta não pode ser revogada por eventuais derrotas eleitorais, decretos do Executivo, decisões do Judiciário ou pela repressão.

O PT foi derrotado porque a economia foi paralisada e o povo revoltou-se – com razão – por perder as conquistas que havia obtido nos governos petistas. O sistema sabia que essa era a única forma de afastar a massa do PT. Por isso, fez de tudo para ajudar a levar a economia para o buraco. Ao mesmo tempo, fabricou e divulgou massivamente a narrativa que Dilma e o partido foram os responsáveis exclusivos pelo desastre.

O PT cometeu vários erros: abandonou o trabalho político junto à sua base social; adotou pontos do programa adversário, depois de tê-los condenado na eleição presidencial; não zelou pelo compromisso ético originário e não democratizou o sistema de concessão pública da mídia eletrônica, deixando incólume sua monopolização pelos grandes interesses privados.

A PEC 241, que visa estabelecer um teto para a despesa pública por 20 anos é a culminação do golpe: muda o modelo econômico voltado para os segmentos sociais mais desprotegidos, adotando outro, voltado para os mais ricos, sem consultar os eleitores.

Prefeito eleito de Cruz, no Ceará, tem patrimônio 324 vezes superior ao PIB do município

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Muitos municípios brasileiros elegeram, no pleito deste ano, prefeitos com renda declarada muito maior que seus próprios produtos internos brutos (PIBs). O PIB de um município é formado pela soma de suas riquezas, e mais da metade (51,8%) dos prefeitos eleitos em 2016 declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônios correspondentes a mais que o dobro das riquezas das cidades que governarão.

Uma pesquisa feita pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) revelou que 15,2% (782) deles declararam patrimônio dez vezes maior que o PIB do município pelo qual se elegeram. Em 32 municípios – a maior parte nas regiões Centro-Oeste e Nordeste –, os prefeitos eleitos declararam um patrimônio 100 vezes maior que o PIB.

Um dos maiores expoentes dessa estatística está em Mato Grosso. O prefeito de São José do Xingu, Luiz Carlos Castelo, tem um patrimônio 369 vezes o PIB do município que assumirá em 2017. A maior parte do seu patrimônio declarado de R$ 51,7 milhões se refere a cabeças de gado, equipamentos agrícolas e imóveis. O PIB de São José do Xingu é R$ 140 mil.

Já Jonas Muniz, novo prefeito de Cruz, no Ceará, tem patrimônio de R$ 40,3 milhões, segundo última atualização do site do TSE. O município tem PIB de R$ 124,4 mil. O patrimônio de imóveis, veículos, dentre outros, soma um valor 324 vezes superior às riquezas de sua cidade.

A pesquisa do Inesc também mostrou um número de mulheres eleitas muito inferior ao de homens. Foram apenas 11% de mulheres eleitas para prefeituras. Considerando todos os 68.755 prefeitos e vereadores eleitos, as mulheres representam 13,4% (9.226).

Os números vão de encontro à lógica da lei que determina o número mínimo de mulheres candidatas por partido. Carmela avalia que as candidaturas de mulheres são as menos dotadas de investimento dos partidos, que as colocam apenas para cumprir a cota mínima. Apesar do aumento de 10% nas candidaturas de mulheres nos últimos oito anos, o número de eleitas teve um acréscimo bem menor, de 1%.

Além disso, existe a questão racial. Do total de prefeitas eleitas, 457 (71,29%) são brancas, 168 (26,21%) pardas, 10 (1,56%) pretas, 5 (0,78%) amarelas e 1 (0,16%) indígena. Do total de vereadoras eleitas, 4.862 (66,67%) são brancas, 2.536 (32,83%) são pardas, 330 (3,85%) são pretas, 38 (0,52%) são amarelas e 21 (0,23%) são indígenas.

(Agência Brasil)

Bolsa Família: 13 mil beneficiários devem atualizar dados após doação eleitoral

O Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário anunciou nesta quinta-feira (3) a convocação de 13 mil beneficiários do Bolsa Família que tiveram o pagamento suspenso em outubro após cruzamento de dados do Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que identificou doações eleitorais incompatíveis com a renda declarada por eles.

O levantamento revelou indícios de contradição em doações de campanha feitas por 16 mil beneficiários. Desse total, o ministério identificou 3 mil pessoas que já haviam sido excluídas do programa por não se enquadrarem mais nas regras. Os demais 13 mil terão agora que atualizar os dados cadastrais para ter o benefício desbloqueado.

Os beneficiários do Bolsa Família não são proibidos de fazer doações de campanha, mas, segundo o   ministério, o repasse tem que ser coerente com a renda declarada pelas famílias no Cadastro Único. De acordo com a pasta, há indícios de uso indevido dos CPFs dos cadastrados no programa por terceiros.

As famílias que tiveram o benefício do Bolsa Família suspenso foram notificadas por mensagem no extrato de pagamento e terão seis meses para fazer a atualização cadastral no setor responsável pelo programa nos municípios. É necessário apresentar documentação de toda a família e o comprovante da doação eleitoral, se for o caso.

Quem não apresentar justificativa nesse prazo terá o benefício cancelado e quem não se enquadrar mais nos critérios do programa será desligado. Nos casos de pessoas que não fizeram doação de campanha, mas tiveram o CPF incluído entre os doadores, é preciso comunicar o erro à gestão do Bolsa Família no município em que reside.

(Agência Brasil)

As eleições municipais e o novo mapa político do Ceará

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Em artigo enviado ao Blog, o professor da UFC e sociólogo João Arruda avalia as eleições em Fortaleza. Confira:

As eleições municipais deste ano, em um dos seus efeitos mais imediatos, redesenhou o novo mapa político em nosso Estado.

Na Capital, o prefeito Roberto Cláudio firma-se, com a sua reeleição, como uma forte liderança da Região Metropolitana de Fortaleza e passa exercer o papel de uma das grandes referências políticas do Ceará. O seu grupo político, liderado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes, consolida, mais ainda, a sua hegemonia política no Ceará, com influência sobre um território que abriga mais de 70% da sua população, potencializando, em consequência, a candidatura de Ciro Gomes à Presidência, em 2018.

No sentido inverso, os grandes perdedores desta eleição municipal no Ceará foram os senadores Eunício Oliveira e Tasso Jereissati, arquitetos e financiadores da candidatura do deputado estadual Capitão Wagner. Com mais esta derrota, somando-se as derrotas em municípios estratégicos como Juazeiro do Norte, Crato, Iguatu, Sobral, Caucaia e Fortaleza, eles desidratam, em um processo de maneira quase irreversível quando o horizonte é a disputa de 2018.

Eunício, que tinha a pretensão de disputar o Governo do Estado novamente ou, na pior das hipóteses, tentar a sua reeleição para o Senado, saiu extremamente enfraquecido. Sem grande espaço de manobra, se quiser um novo mandato, terá que se candidatar a uma vaga de deputado federal, situação que lhe garantirá um imprescindível foro privilegiado para se livrar da lava-jato e para continuar os seus rendosos negócios com o Governo Federal.

A situação do senador Tasso Jereissati também ficou bastante complicada. Político com grande serviço prestado ao Ceará, ele saiu das eleições com uma imagem bastante chamuscada. Refém do ódio aos Ferreira Gomes, Tasso não teve o menor escrúpulo em se aliar ao senador Eunício e em afiançar um projeto e uma candidatura atrasada e corporativa, antítese de tudo que historicamente defendeu. Para quem entrou na política pela porta da frente, desafiando Coronéis, capitulou diante da História, aliando-se a um projeto pessoal de um capitão de polícia na reserva e que hoje devasta as pilastras de sustentação de uma corporação com extensa folha de serviços prestados ao Ceará.

A aliança política do Tasso não foi assimilada pelos seus eleitores e, muito menos, pelos seus admiradores e colaboradores de seus três governos. Os cearenses têm registrado em sua memória, os dias de pânico provocado pelo motim da Polícia Militar. Por ironia, como governador, Tasso Jereissati foi a primeira grande vítima da indisciplina e da quebra da hierarquia na Polícia Militar, gênese do atual projeto corporativo liderado hoje pelo Capitão da reserva Wagner Sousa. Legitimar esse movimento, em nome de uma desforra pessoal é, no mínimo, se apequenar e negar a sua biografia política. Seus tradicionais eleitores registraram, nas redes sociais, a sua estranheza com essa opção nada ortodoxa. A debandada dos seus alinhados poderá ser irreversível.

Luizianne Lins foi outra grande vítima desse tsunami político que se abateu sobre as hostes oposicionistas. Com um sofrível desempenho nas urnas, produto da péssima avaliação que os fortalezenses fizeram das suas duas gestões como prefeita, Luizianne parece ser uma política em fase terminal quando se fala de cargo executivo. Para piorar esse quadro, o seu apoio velado dado à candidatura do Capitão, também produto do ódio que nutre aos Ferreira Gomes e ao prefeito Roberto Cláudio, irritou muitas figuras expressivas do PT e setores expressivos do seu eleitorado.

O Capitão Wagner foi o único que, de imediato, não registrou perdas políticas ou eleitorais. Mesmo com uma expressiva votação, ele tem no seu projeto político um limitador intrínseco. Como qualquer outro movimento corporativista, o seu projeto termina por ficar circunscrito aos limites restritos da corporação, dificultando uma aliança com amplos setores da sociedade cearense.

O Capitão Wagner demonstrou pouco ou quase nada entender da administração pública em latu sensu. Nem mesmo no campo da segurança conseguiu apresentar uma proposta sequer que fosse exequível e eficiente. Não vou nem me referir à estúpida idéia de colocar guardas municipais armados dentro de coletivos para combater a criminalidade.

Pelo visto, nesse novo quadro pós-eleição municipal, o grupo político liderado pelos irmãos Ferreira Gomes sai extremamente revigorado para os futuros embates políticos em nosso Estado. Ciro Gomes, uma das grandes expressões políticas do grupo, teve o seu percurso ladrilhado para a sua caminhada rumo às eleições presidenciais em 2018. O prefeito Roberto Cláudio, com a sua reeleição, consolida a liderança na Região Metropolitana de Fortaleza e se firma como uma das maiores expressões políticas do Ceará, fortalecido e legitimado para singrar, no médio prazo, novos e grandes horizonte políticos.

Salmito destaca que Câmara Municipal realizou todas as sessões durante as eleições

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O presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Salmito Filho (PDT), destacou nesta quinta-feira (3) a lisura dos 43 vereadores, que não deixaram de realizar sessões na Câmara Municipal, assim como respeitaram as divergências das coligações partidárias.

O presidente do Legislativo ressaltou ainda a presença da Força Nacional no último domingo (30), em Fortaleza, quando o eleitor se sentiu seguro para manifestar seu desejo nas urnas.

A campanha eleitoral nas redes sociais

Com o título “Eu vi no face”, eis boa reflexão que nos oferece o jornalista Luiz Viana. Ele aborda a campanha eleitoral que dominou as redes sociais, com seus efeitos positivos e negativos. Confira:

Bastava olhar o celular pra sentir o bafo da campanha eleitoral no cangote. Que alívio que terminou, né? Convenhamos: enchia o saco, mas, às vezes, até rendia boas gargalhadas. Fato é que a disputa eleitoral migra rapidamente para as redes sociais. Tomando gradativamente um espaço antes dominado pela mídia tradicional, pela rua e pelo programa obrigatório do rádio e TV.

Mas afinal, fechadas as urnas, sem aquele calor da disputa, até que ponto esse movimento influenciou na decisão de voto e fez a cabeça do eleitor? Em termos de quantidade de informação, parece que sim, mas em qualidade…

Fiz uma pesquisa informal com jovens que votaram pela primeira vez e a grande maioria diz que acompanhou a eleição mais pelo Whatsapp que pela TV. Também afirmaram que não dá pra confiar no que circula nas redes. A baixaria dos ataques da campanha em Fortaleza ajuda a fortalecer a tese da falta de confiança. A influência do conteúdo digital é relativizada pelo fator credibilidade.

Na nossa jovem democracia, é grave a crise de representação. Os políticos, depois de eleitos, se distanciam dos eleitores e tomam decisões incongruentes com as propostas de campanha e com a vontade do eleitor. Nesse sentido, a internet é muito bem-vinda por ajudar a envolver a população no debate sobre os rumos da política.

Mas como esperar coisa boa das redes sociais, terreno fértil para maledicências, fofocas, mentiras? Tudo isso é fruto da própria natureza da Internet: livre, sem censura. Muitas vezes, como na campanha, as falsas notícias corriam feito fogo de palha. Mas não passavam no teste da credibilidade. O eleitor, que não é bobo, só confiava numa postagem depois de vê-la publicada no portal da mídia tradicional. Isso sim influencia o voto!

O uso das mídias sociais na política não é, por si, um ganho à democracia. Mas pode acelerar o amadurecimento da consciência política. É uma tendência no mundo inteiro. O bom disso tudo é que a realidade impõe um novo modelo de relacionamento entre políticos e população, quase um novo pacto matrimonial.

Ainda bem que estas novas formas de comunicação mobilizam e inserem as pessoas no debate eleitoral. Oxalá possam também diminuir a secular distância entre políticos e eleitores e mostrar quem é que manda na relação.

*Luiz Viana

luizviana@opovo.com.br

Jornalista do O POVO e apresentador do programa O POVO no Rádio, das POVO/CBN.

Eleições Municipais podem ser anuladas em 147 cidades

O jornal O Globo destaca que, dos candidatos a prefeito mais votados no primeiro turno, 147 não obtiveram registro até agora. Eles entraram com recursos judiciais e devem ter a situação definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o fim de dezembro.

Em caso de indeferimento definitivo do registro, será necessário realizar nova eleição no município, de acordo com a minirreforma eleitoral aprovada recentemente pelo Congresso Nacional. A situação ocorre em 22 estados.

“Agora a lei não permite mais que o segundo lugar assuma, em se tratando de anulação da eleição, haverá a realização de eleição suplementar, e isso certamente no futuro vai estimular a judicialização gratuita, que é muito comum até aqui. Esse é um esforço que temos que fazer até dezembro, para definirmos todas as situações”, afirmou o presidente do TSE, Gilmar Mendes.

Roberto Cláudio diz não ser super-herói, mas faz o melhor que pode

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O prefeito reeleito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), afirmou, em clima de festa da vitória no comitê central de campanha (Bairro Cocó), que não é “um super-herói” para resolver, do dia para a noite, todos os problemas da cidade, mas ” ser um humano que faz o melhor que pode, com virtudes e defeitos.”

A declaração foi recebida de forma empolgada por militantes. Roberto Cláudio derrotou o Capitão Wagner, que usava a figura do “Capitão América” em sua campanha, com 678.847 votos (53,57% dos votos válidos).

Roberto Cláudio lamentou ter sido “ofendido” e “atacado” pelo seu adversário político, mas lembrou que , em nenhum momento, baixou o nível da campanha em respeito à população de Fortaleza.

Mas a noite também foi de agradecimentos. O prefeito reeleito agradeceu os apoios dos ex-governadores Ciro e Cid Gomes, do governador Camilo Santana, do seu vice, Moroni Torgan, e do presidente da Câmara Municipal, Salmito Filho. Destacou o apoio da militância e prometeu corrigir o que está errado em sua gestão e continuar tocando projetos importantes para Fortaleza nos planos da educação, saúde e mobilidade urbana.

Roberto Pessoa diz que Célio Studart usou da coligação e sumiu no apoio a Capitão Wagner

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Para o presidente de honra do PR, Roberto Pessoa, o advogado e vereador eleito por Fortaleza, Célio Studart (SD), usou a oposição da coligação PR/SD para se promover e depois sumir da campanha de Capitão Wagner, neste segundo turno.

Segundo Roberto Pessoa, em debate na noite deste domingo (30), na TV Diário, Célio Studart tirou proveito da força política de Capitão Wagner, no primeiro turno, mas sumiu logo após o resultado da eleição para a Câmara Municipal de Fortaleza.

De acordo ainda com Roberto Pessoa, a coordenação de campanha de Capitão Wagner foi informada que o vereador eleito teria ido a São Paulo, quando foi surpreendida com foto de Studart em apoio a Roberto Cláudio.

Pessoa disse que a coordenação acionou o deputado federal Genecias Noronha (SD-CE), que seria padrinho político do advogado, e pediu explicações da atitude do vereador eleito. Pessoa afirmou que Célio Studart retirou o apoio a Roberto Cláudio, mas também em nada ajudou a Capitão Wagner.

Curitiba tem o primeiro prefeito eleito neste segundo turno

O ex-ministro Rafael Greca (PMN) é o primeiro prefeito eleito no país, neste segundo turno. Com a apuração praticamente concluída, Greca não mais seria alcançado por Ney Leprevost (PSD) à Prefeitura de Curitiba.

Greca já foi prefeito de Curitiba no início dos anos 1990, depois foi eleito como deputado federal e chegou a ser ministro da República.

(com agências)

PF deve investigar áudio falso sobre atuação da PM nestas eleições

De acordo com o promotor de justiça eleitoral, Marcus Renan Palácio, já houve requisição de abertura do inquérito policial para apurar quem gravou e compartilhou o áudio.

“Saiu agora na frequência onde o Ministério Público baixou, dizendo que pode sim agora, com uma ocorrência de menos cem metros, cria-se a ocorrência via Ciops e vai para o enfrentamento. Vai dar certo, irmão”, diz a falsa gravação.

2.500 oficiais do exército foram destacados para atuar neste 2º turno das eleições em Fortaleza e a atuação da Polícia Militar foi modificada, após denúncia de juízes eleitorais sobre suposta interferência da Polícia Militar no 1º turno. Os policiais militares continuam a fazer a ronda e policiamento normalmente, mas só atenderão a ocorrências criminais.

Os oficiais do exército, por sua vez, estão presentes em todas as zonas, cobrindo os crimes eleitorais, como boca de urna. Conforme O POVO Online apurou, algumas viaturas da PM estiveram paradas, visto que só poderiam circular após serem acionadas. Caso seja registrado uma ocorrência criminal, o oficial do exército aciona a Polícia Militar, via Ciops, o coronel e promotor que julgam como ele deve proceder.

Uma fonte, que não quis se identificar, informou ao O POVO que não houve nenhuma determinação que determinasse nova forma de atuação da PM.

O secretário adjunto da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, coronel Lauro Prado, corrobora que o áudio é falso. “A Polícia Militar age em toda parte de crime eleitoral e comum, a qualquer hora, mas fora da área (de 100 metros) da seção eleitoral”.

(O POVO Online)