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Urnas eletrônicas poderão ser auditadas uma hora antes do pleito

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Fux, anuncia: as urnas eletrônicas poderão ser auditadas uma hora antes do início da votação nas Eleições 2018. A novidade, segundo adianta, permitirá que algumas instituições e partidos políticos interessados participem dessa “inspeção”, que tem como objetivo dar ainda mais transparência ao processo de votação.

As urnas que passarão pela auditoria serão definidas por amostragem e escolhidas aleatoriamente. As regras para essa nova auditoria, contudo, serão publicadas em resolução do TSE ainda a ser aprovada até o dia 5 de março deste ano pelo Plenário da Corte Eleitoral.

(Com TSE)

Candidato poderá se autofinanciar nas eleições deste ano, aprova TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou nesta terça-feira (13) a resolução que permite o autofinanciamento para campanhas políticas nas eleições de 2018. Com a decisão, candidatos nestas eleições poderão usar o próprio dinheiro em suas campanhas, diante limites de gastos, que vão de até R$ 70 milhões (presidente) a R$ 1 milhão (deputado estadual).

Com relação a doações de campanhas, o TSE reafirmou que os valores somente podem ser efetuados por pessoas físicas, com limite de 10% do rendimento bruto do doador.

Novas regras podem ser definidas pelo TSE até 5 de março.

(Com agências)

Salmito diz que debate sobre a violência passa pela brutal desigualdade social

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O presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Salmito Filho (PDT), disse em sua página no Facebook que o debate sobre a violência no país, nas eleições deste ano, passa pela brutal desigualdade social.

“Por que o Brasil ainda possui um elevado nível de desigualdade social?”, questionou Salmito, que também é sociólogo e professor, ao apontar a brutal desigualdade como um dos vetores da causa da violência.

Ao defender a pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República, Salmito que o ex-governador do Ceará, ex-prefeito de Fortaleza e ex-ministro em dois governos tem conversado com sindicatos, associações, universidades e federações patronal e de trabalhadores.

“Essa brutal desigualdade social em nosso país tem jeito. Só através da boa política, do projeto político, é que nós poderemos superar essa brutal desigualdade”, observou Salmito.

(Foto: Reprodução Fecebook)

Constituição deixa de ser um escudo contra abusos do poder; Vale o que o STF decidir

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Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (11):

Como um novilho laçado por uma sucuri, o País começa a se dar conta de que está sendo asfixiado pelo arrocho progressivo e sufocante da exceção – na visão dos legalistas. Se não conseguir se livrar a tempo do laço, a democracia brasileira sucumbirá ao esmagamento fatal. São inequívocas as evidências de que o último pacto social legitimado pela soberania popular, traduzido na Constituição de 1988, virou bagaço.

A Constituição parece ter deixado de ser um escudo contra eventuais abusos do poder. Muitos veem como enraizada na cabeça de certos magistrados a versão de que ela não é aquilo que foi definido pelo poder constituinte originário, proveniente da soberania popular, mas sim, o que o STF decidir que ela seja – apesar de nenhum de seus membros ter recebido um voto popular sequer.

Já antes do anúncio feito pelo novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luiz Fux, de que pretende modificar o entendimento da lei que trata de registros de candidaturas, de modo a impedir previamente o registro de candidato condenado em 2ª instância, o ex-ministro e cientista político Roberto Amaral, em artigo (“O poder do Judiciário e os dias piores que virão”) já botara a boca no trombone.

“O STF não tem competência para revogar o princípio secular da presunção da inocência e rasgar o inciso LVII do artigo 5º da Constituição (“ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”)”.

Mesmo que esse absurdo se configurasse, seria inútil: embora o Datafolha não tenha dado destaque, sua última pesquisa revelou que 44% dos entrevistados votariam no candidato indicado por Lula (27% com toda certeza e 17% indicaram que poderiam fazê-lo). Provavelmente, seria eleito já no 1º turno.

Ex-deputado Moroni aparece em lista do PT como possíveis parlamentares que votarão pela reforma da Previdência

Em plenária em defesa de Lula e contra a reforma da Previdência, nesta sexta-feira (9), no município de Senador Pompeu, no Sertão do Ceará, a 273 quilômetros de Fortaleza, o Partido dos Trabalhadores  usou a imagem do ex-deputado federal Moroni Torgan, atual vice-prefeito de Fortaleza, como um dos prováveis parlamentares a votar pela reforma da Previdência. Moroni renunciou ao mandato, há pouco mais de um ano, para ser diplomado vice-prefeito.

“Não pode votar nessa gente, é um crime votar nesses deputados que estão lá votando contra o trabalhador. E votam em silêncio, não têm nem coragem de se expor. Então vocês têm que se preparar para dar o troco nessa gente nessas eleições”, discursou o deputado federal José Guimarães (PT-CE), líder da Minoria na Câmara Federal, que apontou ainda os deputados Danilo Forte, Raimundo Gomes de Matos, Moses Rodrigues, Vitor Valim, Genecias Noronha, Cabo Sabino e Ronaldo Martins como outros defensores da reforma da Previdência. Valim, inclusive, tem votado contra as propostas do governo Temer, apesar de pertencer ao mesmo partido político.

A plenária foi acompanhada pelo secretário estadual do Desenvolvimento Agrário Dedé Teixeira, além de lideranças de Senador Pompeu, Milhã, Piquet Carneiro, Solonópole, Irapuan Pinheiro e Quixeramobim.

(Fotos:  PT.org / Reprodução)

Decisão do voto impresso volta para Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu com urgência “informações preliminares” ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao Congresso Nacional e à Presidência da República sobre a implantação do voto impresso nas próximas eleições.

A decisão de Gilmar foi feita no âmbito de uma ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que pediu a suspensão da implantação do voto impresso na próxima campanha eleitoral.

Gilmar vai aguardar o envio das informações para decidir posteriormente sobre o pedido de Raquel Dodge para suspender a implantação da medida. Na mesma decisão, o ministro rejeitou o pedido da União Nacional dos Juízes Federais do Brasil (Unajuf) para ingressar na ação como assistente, mas solicitou a juntada de documentos para que a entidade ingresse na condição de “amigo da Corte” – ou seja, podendo apresentar informações e esclarecer questões técnicas na análise do caso.

O voto impresso é uma das exigências previstas na minirreforma eleitoral, sancionada com vetos, em 2015, pela presidente cassada Dilma Rousseff (PT). O TSE estima que 30 mil urnas do novo modelo – de um total de 600 mil – deverão ser utilizadas já em 2018, a um custo estimado de R$ 60 milhões neste ano.

A ação da Procuradoria-Geral da República (PGR) havia sido originalmente distribuída ao ministro Luiz Fux, atual presidente do TSE, que acabou se declarando suspeito no caso. Após uma nova distribuição eletrônica, o processo chegou ao gabinete de Gilmar, que deixou o comando da Corte Eleitoral na terça-feira (6).

Em maio do ano passado, corregedores da Justiça Eleitoral pediram em carta divulgada à imprensa a revogação ou o adiamento do voto impresso.

(Agência Estado)

Tasso é o único nome de peso para palanque de Alckmin no Ceará

Da Coluna Alan Neto, no O POVO deste domingo (4):

Tasso se finge de morto na sucessão do Ceará. Bem ao seu estilo tucano de ser, vai empurrando o problema com a barriga, até o último minuto dos acréscimos. Ele sabe que, nome de peso do PSBD no Ceará, só tem o dele.

Em segundo plano, Luiz Pontes, seu fiel escudeiro. Os demais são fichinhas. Isso posto, se Tasso quiser formar palanque forte pro candidato do partido, o apagado Alckmin.

O chamado “novo” nem mais pensar com a posição tomada pelo capitão Wagner. Este preferiu presidir um partido nanico, do que ser respaldado pela tucanada. Aquela desculpa do apoio ao Bolsonaro foi um tiro no ouvido do PSDB. Pelo sim, pelo não, sem Lula no páreo, o temido Bolsonaro é o segundo das pesquisas.

Salmito diz que Ciro possui ideias inovadoras para projeto nacional, aliadas à experiência de gestão

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O presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Salmito Filho (PDT), destacou neste sábado (3), pelas redes sociais, que Ciro une a experiência administrativa a ideias inovadoras. Confira:

1. Liderança política.

2. Experiência administrativa em gestão pública como Chefe do Executivo municipal de um das maiores capitais do Brasil, estadual de um dos Estados com muito destaque em educação pública (política social) e eficiência fiscal.

3. Experiência administrativa nos rumos da economia do Brasil quando foi Ministro da Fazenda na implantação do Plano Real.

4. Experiência político-administrativa em temas complexos e desafiadores como o da “Transposição das Águas do Rio São Francisco” viabilizando segurança hídrica para milhões de brasileiros do Nordeste Setentrional. Liderou com diálogo, firmeza e maturidade como Ministro da Integração Nacional.

5. Reúne um conjunto de ideias inovadoras em um Projeto Nacional de Desenvolvimento para o Brasil. Ele vem percorrendo o Brasil há alguns meses submetendo tais idéias e acolhendo as contribuições em universidades, entidades de classes, fóruns, ect.

6. Reúne uma biografia de quase 35 anos de trajetória política como mandatos no legislativo e no executivo além de ter sido professor de Direito, trabalhar como advogado, dando palestra e executivo na iniciativa privada. Tal biografia com um capital ético de destaque sem sequer ter sido denunciado por indício de corrupção.

Confiram no vídeo abaixo com sua capacidade de comunicar sendo direto e sincero.

Capitão Wagner “sai de cima do muro” e acerta palanque de Bolsonaro no Ceará

Depois de um “namoro” longo, o deputado estadual Capitão Wagner (PR) acertou palanque do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) no Ceará, em encontro com Julian Lemos, vice-presidente nacional do PSL – partido que deverá lançar candidatura de Bolsonaro à Presidência da República –, nesta quarta-feira, 31 de janeiro. “Iniciamos mais do que um namoro. Já é um compromisso de palavra firmado aí no Ceará”, disse Julian ao O POVO Online.

De saída do PR para assumir a presidência do Pros no Ceará, Capitão Wagner explica que a justificativa fundamental para aliança com Bolsonaro é identificação com “maior parte” dos ideais políticos e propostas de governo. “A gente não vê, a nível nacional, qualquer candidato a presidente que defenda pelo menos parte do que eu acredito. Então, tenho que apoiar alguém que defenda a maioria”, argumenta.

Segundo Wagner, que é pré-candidato ao cargo de deputado federal, a aproximação já se desenrolava “há um tempo”, e se aguardava apenas “essa decisão” do PSL de firmar aliança. O contato com Julian Lemos já havia se iniciado “no ano passado”.

“Eles querem que a gente faça um trabalho aqui, de coligação na proporcional, juntando candidatos para (o legislativo) federal e estadual, e fazer a campanha do Bolsonaro”.

Para a candidatura e para a imagem política de Wagner no Ceará, a ligação formal ao deputado federal Jair Bolsonaro traz tanto bônus como ônus, ambos imediatos.

Por um lado, ele celebra um aceno à “grande parte” de sua militância e eleitorado que se identificam com as propostas e ideais de Bolsonaro. “Resolvi atender minha militância que, de fato, veste a camisa sem receber nada; (esses) também são militantes do Bolsonaro. Acho que a grande maioria vai ficar satisfeita”, avalia o deputado estadual.

Por outro, reconhece que não só deve sofrer críticas duras de outra parte de eleitores, “opinião da imprensa” e “setores da sociedade” antipáticos à ideia de candidatura de Bolsonaro, como já sente repercussão política dos grandes nomes de oposição no Ceará. “Eles se preocupam com a repercussão disso. Muitos ainda defendem meu nome para o governo, ainda que esteja cada vez mais distante pelas circunstâncias. Imagino que se tiver algum desgaste, será natural. Acho que a gente ganha muito mais do que perde”.

No entender de Wagner, a decisão de fechar um palanque cara a cara com o PSL representa uma saída “de cima do muro”. “Seja qual fosse minha posição eu apanharia. Mesmo se ficasse calado”, diz.

Agente de ligação entre Wagner e Bolsonaro, o novo presidente PSL no Ceará, Heitor Freire, garante que a aliança já está sacramentada: “O prego foi batido e a ponta foi virada. Vai ser capitão lá e capitão cá” (Bolsonaro é capitão da reserva do Exército e Wagner capitão da reserva da Polícia Militar).

A decisão vem após histórico ainda recente de Wagner de simpatia a pautas de esquerda e até composição de palanque com Elmano de Freitas (PT), quando candidato à Prefeitura de Fortaleza, em 2012. Heitor garante que será uma “composição de direita”; já Wagner diz ainda continuar “se identificando como político de centro”, mais inclinado à direita.

“Têm situações que são ligadas à esquerda que me identifico, como defesa dos direitos trabalhador. Isso a esquerda que construiu, historicamente. O Bolsonaro defende os servidores, especialmente os de segurança pública, e me identifico bastante também”, explica Wagner.

Com a composição de palanque de Bolsonaro no Ceará, Wagner descarta conselhos e desejo do senador Tasso Jereissati (PSDB), que via no deputado estadual nome de força para o Governo do Estado, e, como reconhece, cria um desafeto entre os líderes de oposição no Estado.

Capitão Wagner também identifica que poderá haver distanciamento do protagonismo na decisão de um nome que faça frente à Camilo Santana (PT). A participação no palanque da oposição também fica comprometida.

“Se esse bloco de partido de oposição tiver um candidato a governador, eu vou defender. Vamos estar juntos, mas eu vou apenas subir no palanque para prestar apoio, e não montar um”, diz Wagner, explicando que a divergência com a oposição no Ceará, guiada pelos tucanos e encabeçada por Tasso, é de “âmbito federal”, e não estadual.

Nesse âmbito estadual, Wagner diz ao O POVO Online ainda acreditar na possibilidade de candidatura de Tasso Jereissati, ao revelar que, ainda que a postura pública do tucano seja de negar pretensão, “não é essa postura que ele apresenta nos bastidores ”.

Já para Heitor Freire, a equação de oposição no Estado é simples: “nossa oposição será de uma verdadeira direita”, jogando PSDB para o outro espectro ideológico. “No nosso caso, será uma oposição de direita liderada no Brasil pelo Bolsonaro. As ideias do Capitão Wagner se encaixam muito bem.”

Conforme Capitão Wagner, está programada ainda uma reunião em Brasília, “logo depois do Carnaval”, “com o próprio Bolsonaro”, para definir uma vinda do presidenciável ao Ceará e outros detalhes do palanque para as eleições.

(O POVO Online / Repórter Daniel Duarte / Foto: Divulgação)

Raquel Dodge diz que MP está pronto para garantir aplicação da Ficha Limpa

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse hoje (1º) que o Ministério Público Eleitoral (MPE) vai atuar em 2018 para coibir a corrupção e garantir a aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições deste ano. Sem citar nomes, a procuradora falou sobre o assunto na abertura dos trabalhos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que retornou nesta quinta-feira do recesso.

Segundo Raquel Dodge, o MPE também continuará a fiscalizar o cumprimento à lei e à igualdade de condições entre todos os candidatos nas eleições de outubro.

“[O MP] estará pronto para coibir a corrupção e a fraude eleitoral, para que a Lei da Ficha Limpa prevaleça e para que os recursos públicos que compõem os diversos fundos eleitorais sejam corretamente aplicados”, afirmou a procuradora.

A sessão do TSE também foi marcada pelo fim do mandato do ministro Gilmar Mendes na presidência da Corte eleitoral, após dois anos no cargo. A partir do dia 6 de fevereiro, o tribunal será comandado pelo ministro do STF Luiz Fux.

(Agência Brasil)

Partidos rejeitam proposta do PT de aliança de esquerda

O PCdoB, o PDT e o PSOL, que manifestaram apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula no julgamento do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), afirmam que não vão aderir à proposta do PT de uma “ampla” aliança de esquerda na eleição presidencial deste ano. Apesar de defender o direito de Lula se candidatar novamente ao Planalto, os dirigentes partidários ouvidos pelo Estado disseram que não vão desistir das candidaturas próprias, o que deve pulverizar o campo ideológico na disputa.

Ao insistir na candidatura de Lula, a Executiva Nacional do PT aprovou resolução que defende “uma ampla e sólida aliança” da esquerda em torno do líder petista. O documento foi divulgado na quinta-feira passada, um dia depois de a 8.ª Turma do TRF-4 confirmar a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e ampliar a pena imposta a Lula para 12 anos e 1 mês de prisão. Com a condenação pelo colegiado, a tendência é de que Lula – líder nas pesquisas de intenção de voto – seja enquadrado na Lei da Ficha Limpa e fique inelegível.

O PT promete levar a candidatura do ex-presidente até às últimas consequências, mas os antigos aliados PCdoB e PDT não aceitam abrir mão das pré-candidaturas presidenciais da deputada gaúcha Manuela D’Ávila e do ex-ministro Ciro Gomes, respectivamente.

(Estadão)

Lula pode ser candidato?

Em artigo no O POVO deste sábado (27), o procurador-chefe do Ministério Público Federal no Ceará, Rômulo Conrado, avalia que a restrição à candidatura de Lula não se dá de forma automática, mas sim depende de decisão a ser proferida pela Justiça Eleitoral. Confira:

As eleições presidenciais que se aproximam são marcadas por perguntas as mais diversas, algumas das quais apresentam interpretações jurídicas bastante controvertidas: o ex-presidente Lula poderá ser candidato? O que acontecerá caso venha a se candidatar?

Responder a essas perguntas passa pela análise das inelegibilidades previstas pela Lei Complementar nº 64/90, a qual estabelece em seu artigo 1º, I, e, 4, serem inelegíveis os que tenham sido condenados por decisão transitada em julgado ou oriunda de órgão colegiado, como o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por crimes contra a administração pública, pelo prazo de oito anos desde a condenação.

Basta ao reconhecimento da inelegibilidade a condenação pelo órgão colegiado, não mais sendo necessário, desde o advento da Lei da Ficha Limpa, seja essa decisão transitada em julgado, podendo ser reconhecida ainda que cabível recurso para os tribunais superiores ou dentro do próprio tribunal do qual surgiu a condenação.

Ocorre que o reconhecimento da restrição à candidatura não se dá de forma automática, mas sim depende de decisão a ser proferida pela Justiça Eleitoral nos autos do processo de registro de candidatura. Assim, uma vez registrando a pretensão de se candidatar, o que deverá fazer até o dia 15 de agosto de 2018, poderá ser proposta perante o Tribunal Superior Eleitoral, órgão ao qual compete o julgamento dos registros dos candidatos a Presidente da República, ação de impugnação de registro de candidatura pelo Ministério Público, outros candidatos, partidos ou coligações. Tal processo deverá ser julgado até o dia 17 de setembro, último dia no qual poderá se verificar sua substituição por outro candidato.

Tem-se ainda permissivo legal expresso para que sejam suspensos os efeitos de eventual decisão condenatória, assegurado pela Lei da Ficha Limpa, a qual possibilita em seu artigo 26-C que o tribunal competente para o julgamento de recurso, seja o Superior Tribunal de Justiça, seja o Supremo Tribunal Federal, poderá suspender os efeitos da inelegibilidade caso constate existir plausibilidade na pretensão recursal.

O que pode haver de novo

Da Coluna Política, no O POVO deste sábado (27), pelo jornalista Érico Firmo:

Dentro de seis meses, estarão ocorrendo convenções para oficializar candidaturas. Decisões terão de ser tomadas. É pouco tempo para aparecer alguém que não esteja no cenário. O tempo de campanha ficou mais curto. No passado, era de seis meses. Caiu para três e agora é de um mês e meio. Mais complicado ainda para alguém de fora do circuito se apresentar. Do que está aí, o que pode ser a novidade?

No bloco governista, Henrique Meirelles (PSD) tenta se viabilizar, sem grande entusiasmo do Palácio do Planalto. Simpatias por ele não faltam no meio empresarial. Terá estrutura e apoios importantes. Mas, de voto, por enquanto tem 1% a 2% das intenções. Para se viabilizar, depende de resultados na economia. Dificilmente terá alguma chance se a reforma da Previdência não for aprovada. Se for, ele terá o desgaste que sempre existe para quem mexe em aposentadorias.

Luciano Huck surgiu como principal nome de fora do meio político tradicional. Escreveu artigo no qual disse que não entrará na disputa, mas, em entrevista publicada pelo Valor Econômico nesta quinta-feira, 25, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou que o apresentador não desistiu de verdade de concorrer. É conhecido, popular, mas a disposição do eleitorado nacional de apostar em uma celebridade para governar é duvidosa.

O próprio Bolsonaro tenta se passar por novidade. É deputado há sete mandatos. Tem 28 anos de Câmara. Tomou posse quando Fernando Collor era presidente. Passou pela era FHC, pela era Lula. No governo de Dilma Rousseff (PT), o desgaste de mais de uma década de administrações de esquerda criaram o ambiente para o surgimento de um nome forte à direita. Então, Bolsonaro radicalizou ainda mais seu discurso e atraiu uma geração de admiradores. São adeptos fiéis, mas insuficientes para elegê-lo. Tem o desafio de ampliar o eleitorado. Aproveita-se do desencanto geral da política para se vender como alguém alheio a esse meio. Porém, popularidade conquistada com discurso agressivo costuma ter teto baixo.

O fato é que há espaço para surgimento de algo diferente. Resta saber o quão disposto o eleitor estará a arriscar. Se votará no imprevisível, em alguém recém-aparecido. Isso já aconteceu em 1989 e não terminou bem.

Com Wagner de Bolsonaro, Tasso poderá apelar para Domingão

Da Coluna Alan Neto, no O POVO deste domingo (21):

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) entrou naquela do “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Inventou o Capitão Wagner como o “novo”. Tiro no pé. Capitão é Bolsonaro até a medula.

Como o PSDB não tem outro nome que empolgue – a não ser o do Tasso – o jeito é ir atrás do Domingão (ao Palácio da Abolição). Se o palanque do Alckmin for depender do Domingão, está frito e… mal pago.

2018 já mudou panorama da eleição no Ceará

Da Coluna Política, no O POVO deste sábado (20), pelo jornalista Érico Firmo:

Os 20 dias decorridos do ano que começa foram suficientes para mover peças importantes na sucessão estadual do Ceará e provocou transformações profundas na oposição. Um movimento já vinha em curso e se consolidou: o MDB deixou o bloco que se contrapõe ao governador Camilo Santana (PT) na Assembleia Legislativa.

Capitão Wagner (PR), por sua vez, anunciou que será candidato a deputado federal, deixando de lado a hipótese de concorrer a governador. O deputado estadual anunciou ainda que deixará o PR e se filiará ao Pros.

Ontem, O POVO Online antecipou que Heitor Férrer se reuniu com dirigentes da Rede Sustentabilidade e discutiu a possibilidade de deixar o PSB para ingressar na Rede.

Enquanto isso, nos últimos dias, Camilo Santana retomou a agenda pública. Neste fim de semana, reúne o secretariado para organizar o ano eleitoral.

O saldo até agora é de um governo muito bem situado, mais pelas circunstâncias políticas que pelas realizações administrativas. O governador tem bases sólidas para se mover, enquanto a oposição está sem rumo. Aliás, cada um está preocupado com a própria vida —ou a própria sobrevivência.

Eunício já se debandou para o lado de Camilo. O peemedebista odeia os Ferreira Gomes e é igualmente odiado. Porém, aparentemente acha ainda pior perder eleição. Por isso, articula as condições para ser reeleito. Presidente do Senado não conseguir sequer segurar o mandato não é menos que um vexame.

Wagner desistiu de ser candidato a governador para concorrer a deputado federal. Assim, praticamente assegura uma vaga, no lugar de se arriscar a uma disputa dificílima, com grande chance de ficar sem mandato a partir do ano que vem. O Capitão mostrou que não tem nada de kamikaze.

Tasso Jereissati (PSDB), com mais quatro anos de mandato pela frente, não demonstra, até aqui, lá muito interesse pela disputa.

Quanto a Heitor, está preocupado com a hipótese de aliança do seu PSB com o grupo do governador. Disse que quer ficar no PSB, mas está inseguro diante das incertezas nacionais e da perspectiva estadual que indica aliança com o bloco governista. Ao Blog do Eliomar de Lima, ele disse que, caso o partido garanta a ele liberdade de atuação, fica no PSB.

Seria assim: o partido apoiaria Camilo Santana, estaria ao lado dos Ferreira Gomes. Porém, Heitor não seria obrigado a subir em palanque nenhum e faria seu discurso de oposição. Foi assim quando ele estava no PDT, durante os governos de Lúcio Alcântara e Camilo Santana. Nos dois momentos, a sigla estava na base governista, e Heitor se mantinha opositor.

Em resumo, a oposição desistiu de um projeto coletivo e cada um tenta salvar a própria pele.

Bolsonaro 2018, Ciro 2002

Da Coluna Política, no O POVO deste sábado (13), pelo jornalista Érico Firmo:

Jair Bolsonaro (PSC-RJ) fez daqueles atos capazes de destruir uma candidatura. Pelo menos foi assim no passado. O Brasil se acostumou a ouvir absurdos. Até há pouco tempo, candidatos tinham discurso e imagem medidos, calculado por publicitários. Como esquecer da construção do “Lulinha paz e amor” por Duda Mendonça, da Carta ao Povo Brasileiro? Bolsonaro, por outro lado, cresceu com disparates. Acostumou seu eleitor a absurdos e assim ganhou projeção. Conteúdo bizarro costuma ter plateia em alguns ambientes online.

A questão é se Bolsonaro poderá seguir falando o que bem entender ou se há um limite de tolerância. Questionado sobre os gastos com auxílio-moradia, apesar de possuir residência própria em Brasília, o deputado que quer ser presidente respondeu à repórter de forma grosseira, agressiva. De maneira que pretendeu ofender. “Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio-moradia eu usava pra comer gente, tá satisfeita agora ou não? Você tá satisfeita agora?”. Ele respondeu assim a uma mulher. Não sei se falaria desse modo caso o entrevistador fosse um homem.

Por menos que isso, candidato com chances reais de vitória já despencou miseravelmente. Estou a pensar em Ciro Gomes em 2002. Ele chegou a ganhar ares de quase favorito em determinado momento. Foi destruído por uma fala grosseira, machista, agressiva. Ao lado de sua então esposa, Patrícia Pillar, ele foi questionado por jornalista sobre qual o papel dela na campanha. Pergunta fácil, feita para o candidato deitar e rolar. Podia falar do grande trabalho dela, do papel cultural, da inteligência. Saiu-se com esta: “A minha companheira tem um dos papéis mais importantes, que é dormir comigo. Dormir comigo é um papel fundamental”.

Ciro não é burro e logo percebeu o clima de constrangimento, diante de algumas dezenas de jornalistas. Tentou remendar: “Evidentemente eu estou brincando. Essa minha companheira tem uma longa tradição de manejar assuntos sociais, tem muita inteligência, muita sensibilidade”. O desastre estava feito. Isso somado a uma briga ao vivo com ouvinte de rádio minou sua candidatura. Criou imagem de desequilíbrio, tudo que não se quer de um presidente.

Bolsonaro foi pior ainda. Se não consegue responder com tranquilidade a questionamento simples sobre suas verbas parlamentares, como não reagirá às cobranças muito mais contundentes e rotineiras a que se submete um presidente?

Em outros tempos, Bolsonaro já seria praticamente um ex-candidato. Esse tipo de postura deu o apoio que tem, mas freia seu crescimento. A evolução patrimonial põe em questão a imagem de integridade que tenta alardear. Além do que, candidatos com ideias extremas costumam não ter sucesso eleitoral.

Nos últimos 16 anos, porém, o Brasil mudou demais. Talvez tenha perdido um pouco da noção do que é absurdo, do que é bizarro.

Temer diz que eleitor votará em outubro na “segurança e na serenidade” do candidato e aponta Alckmin

O presidente Michel Temer diz acreditar que o eleitor brasileiro vai votar na “segurança e na serenidade” em outubro, o que não apenas ajuda a desenhar o perfil dos candidatos à Presidência com chances de vitória como leva a uma conclusão: “As pessoas estão cansadas de tudo isso (a confluência de crises) e vão querer a continuidade, a manutenção do nosso programa de governo, que está recuperando a economia e a tranquilidade. Ninguém quer aventura”.

Em conversa no Palácio do Jaburu, residência oficial, Temer elogiou o governador Geraldo Alckmin (PSDB), admitiu preferir que o ministro Henrique Meirelles (PSD) continue na Fazenda a disputar a eleição e opinou que o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) tende a disputar a reeleição à Presidência da Câmara, mas “só tem a ganhar” ao se movimentar pela sucessão presidencial.

Segundo Temer, Alckmin preenche os requisitos de “segurança e serenidade”. Quanto à falta de apoio do governador nos piores momentos do presidente, nas duas denúncias do ex-procurador-geral Rodrigo Janot, Temer relevou: “Não sei exatamente por que, mas nunca fui rancoroso. Ele (Alckmin) deve ter tido os motivos dele, e isso passou”. Ambas as denúncias – uma sob acusação de corrupção passiva e outra por obstrução da Justiça e organização criminosa – foram barradas pela Câmara no ano passado.

Para Temer, é o oposto: é conveniente estar fora do País no dia 24, data em que está marcado o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4). Ele, porém, decidiu ir a Davos, entre os dias 22 e 25, porque deve integrar o seleto grupo de chefes de Estado e de governo com direito a discurso no Congress Hall, o auditório principal do fórum, com cerca de 1,5 mil lugares. Além do brasileiro, que vai falar da evolução e dos indicadores positivos da economia desde a crise de 2015 e 2016, devem discursar ali também o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os líderes da Índia e, possivelmente, da Argentina.

(Estadão)

De Bolsomito a Bolsominto

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Em artigo no O POVO desta quinta-feira (11), o jornalista Plínio Bortolotti comenta sobre o patrimônio financeiro do deputado Jair Bolsonaro, adquirido com a política. Confira:

Deve ter sido assombroso para os aduladores de Jair Bolsonaro descobrir que o cândido deputado guarda alguns esqueletos no armário. Ou talvez nem liguem muito. Para seus seguidores isso será considerado apenas detalhe, pois o importante é mantê-lo como a figura representativa do “conservador nos costumes e liberal na economia”.

Pois não é que a Folha de S. Paulo – a imprensa sempre a importunar quem está quieto – fez levantamento em cartórios do Rio e Brasília e descobriu que o deputado e três de seus filhos (também políticos) são proprietários de 13 imóveis no valor de R$ 15 milhões? A rigor, não haveria problema nenhum, pois quem tem dinheiro pode usá-lo do jeito que achar melhor: guardar em malas ou investir em imóveis.

Mas Bolsonaro, quando iniciou-se na política, em 1988, era um modesto capitão do Exército, cujos bens declarados resumiam-se a uma moto e um carro velhos e dois lotes de pequeno valor. Pode-se dar a ele o benefício da dúvida: em 30 anos, a família, sendo econômica, poderia ter ajuntado os recursos, ainda que isso não seja muito comum. Porém, o boom dos negócios da família Bolsonaro começou há dez anos, aí já fica mais difícil explicar o crescimento acelerado do patrimônio.

Nos últimos 13 anos – afirma a Folha – somente o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSC-RJ) negociou 19 imóveis e fez “transações relâmpago” na atividade. Quando entrou na política (2002), tinha um Gol 1.0; hoje tem dois apartamentos e uma sala que, segundo a prefeitura, valem R$ 4 milhões. Mas, talvez, ele seja um “Ronaldinho” dos imóveis, a exemplo de Lulinha nos negócios.

Frente aos fatos, a reação de Bolsonaro e filhos foi a mesma de qualquer político: classificaram a reportagem da Folha de “calúnia” e “mentira”, mas não responderam a nenhuma das perguntas enviadas pelo jornal, pedindo explicações sobre o crescimento do patrimônio familiar.

Os bolsonaristas, enlouquecidos para ver Lula condenado pela suposta propriedade de um triplex, que lhe teria sido dado como suborno, deveriam ter o mesmo comportamento com seu ídolo, exigindo provas de sua lisura.

Tasso veta apoio a Bolsonaro no palanque da oposição

O impasse que ainda indefine o nome da oposição que concorrerá ao Governo do Estado passa pela disputa presidencial. Isso porque o senador Tasso Jereissati (PSDB) indicou o nome do deputado estadual Capitão Wagner (PR) para o cargo, mas com uma condição: não pode haver, no seu palanque, apoio a Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL ao Executivo Nacional. A informação é de Fracini Guedes, presidente do PSDB Ceará.

De acordo com Francini, não houve a exigência, por parte da sigla tucana, de que Wagner apoie o candidato do PSDB à presidência — até o momento, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin —, como informou o deputado. O que houve, na verdade, foi um veto ao nome do Bolsonaro.

“Não houve essa condição de palanque fechado, mas o Tasso não concorda com o Bolsonaro. A oposição apoiar outros nomes não seria um problema, o problema seria ter pessoas (no palanque) que apoiam o Bolsonaro”, afirmou. Questionado pelo porquê, Franceni foi sucinto: “Nós achamos que ele não é bom para o País”.

Para Wagner, no entanto, a proibição do nome de Bolsonaro é que é um problema. “Grande parte da minha militância voluntária, que são aquelas pessoas que vão para a rua, vestem a camisa, seguram a bandeira de graça, até porque não posso pagar, é de eleitores do Bolsonaro”, avalia.

Além do eleitorado, ele acredita que também perderia o apoio de partidos que poderiam apoiá-lo, “como o PHS do (deputado federal) Cabo Sabino, que não abre mão de apoiar o Bolsonaro”. Francini rebate: “Naturalmente, uma grande parte da militância do Wagner apoia o Bolsonaro, mas, por outro lado, quando ele receber o apoio de outros partidos, a militância dele vai aumentar”.

Embora repita que não há uma condição de apoio a Alckmin, Francini argumenta que apoio de Wagner ao governador de São Paulo seria natural. “A bandeira dele não será segurança? E qual é o Estado mais seguro do País? São Paulo”.

Do outro lado, o deputado estadual evita relacionar o problema apenas ao nome de Bolsonaro e volta a defender o palanque aberto. “Somos um bloco com mais de um candidato a presidente. Nós temos o Henrique Meirelles (PSD), o Geraldo Alckmin (PSDB) e o Bolsonaro (atual PSC). Se nós não acordarmos entre os partidos um palanque aberto, onde cada um pode pedir voto para o seu candidato, nós teremos vários constrangimentos durante a campanha”, argumenta.

Ele lembra que o lado adversário também deve passar por dilema parecido. “No palanque do (governador) Camilo Santana (PT), vai ter gente defendendo o Lula e gente defendendo o Ciro Gomes (PDT), mas eles vão ter que acertar isso antes para evitar constrangimento. É o que também temos que fazer”, defende.

A assessoria de imprensa de Tasso foi procurada, mas não quis comentar o caso.

DETALHE – No Ceará, quem apoia Bolsonaro é o deputado federal Cabo Sabino.

(O POVO / Repórter Letícia Alves)