Blog do Eliomar

Categorias para Fortaleza antiga

O populismo destrói o Centro de Fortaleza

Editorial do O POVO desta quinta-feira (22), diz que omissão das autoridades permitiu agressões ao Centro pelo comércio irregular. Confira:

A Prefeitura de Fortaleza realizou nessa quarta-feira (21) uma operação para impedir que comerciantes instalem estruturas comerciais nos espaços públicos (calçadas e vias) no entorno da Catedral e do Paço Municipal. Barracas e mercadorias foram apreendidas. Que venham outras e mais outras e que se estendam a todo o Centro.

A referida “feira” encravada na área histórica de Fortaleza é uma extensão do comércio irregular que já tomou quase toda a extensão da Rua José Avelino, de reconhecido valor histórico para a cidade. Trata-se de uma das poucas vias que mantém vestígios dos trilhos montados em pavimento de pedra tosca por onde transitavam os bondes que começaram a funcionar no início do século passado.

O comércio da José Avelino é irregular não somente pela ocupação desordenada do espaço público, mas também em função de ser montado em um bem imaterial tombado. O tombamento definitivo, assinado em 2012, prevê a restauração do calçamento, a padronização das calçadas e a demarcação de onde estavam instalados os trilhos dos antigos bondes.

Resta muito pouco da estrutura que justificou o tombamento. A pavimentação original data da metade do século XIX e usou mão de obra sertaneja afugentada pela grande seca de 1877. As pedras foram extraídas da antiga pedreira do Mucuripe. A inércia do poder público permitiu que praticamente toda a pavimentação, símbolo da formação da cidade, fosse criminosamente retirada.

A ocupação privada e comercial da José Avelino é mais uma entre tantas agressões que se reproduzem no Centro. A omissão das autoridades permitiu que até as ruas de pedestres (Guilherme Rocha e Liberato Barroso) fossem entregues à sanha do comércio irregular. Se o Centro é uma espécie de templo da história urbana da Capital, os vendilhões o tomaram.

Passa da hora de se tomar uma atitude radical para reconquistar esse templo. A ocupação privada da mais importante referência urbana de Fortaleza é fruto de sucessivos gestores públicos de visão populista que acabaram por sujeitar a cidade às falsas demandas por renda e emprego. Nesse ponto, o capitalismo é inteligente. Se há compradores, haverá oferta. Essa equação só não pode se concretizar nos espaços históricos e públicos da já muito sofrida Fortaleza.

Fortaleza antiga e os exemplos do Papa Francisco para a Igreja de hoje

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Eis crônica diária do jornalista e radialista Narcélio Limaverde sobre fatos e coisas que marcaram Fortaleza e sua infância, o que se confunde com a história desta cidade de Nossa Senhora da Assunção: 

Outro dia eu estava pensando, assuntando sobre as coisas antigas da Igreja Católica Apostólica Romana, religião dos meus pais e que eu seguia religiosamente. Por sinal fui coroinha, ou acólito, ou ainda, sacristão da Igreja de São Benedito, conhecida também como Santuário da Adoração Perpetua, comandada pelos Padres Sacramentinos, todos holandeses e que chegaram na rua do Imperador, onde estava a Igreja sem saber patavina de português.

Certo dia uma empregada lá de casa, a Mazé,voltou chorando depois de se confessar com o padre Guilherme, um santo homem, diziam todos. “O que houve, Mazé?!” – perguntou dona Ledinha, minha mãe. “Eu disse para o padre que tinha protestado e ele me ameaçou de excomunhão.” O reverendo pensava que protestar era palavrão, ou nome imoral, como se dizia naquele tempo. A Igreja de São Benedito promovia todos os anos a Semana Eucarística.

Começava as sete, ou dezenove horas, com o canto do Tantum Ergum, preparando para a benção do Santíssimo. E tudo terminava com animadas quermesses, com direito a brigas dos seguidores das rainhas dos partidos Azul e Encarnado. Tudo concluía com o leilão cantado por meu pai: “Vou entregar!”. E gritavam lá da casa de dona Sinhá Pordeus: “100 pro Batelão não levar!”. Batelão morava vizinho. E respondia: “200 para o Heitor Marinho não levar a galinha assada com farofa pra casa”…. Era assim o leilão. No domingo acontecia a procissão. Eu torcendo para ser o turiferário, levando o turíbuclo com muito incenso em direção ao brotaral, mesmo depois de reclamação do Padre Pedro, o superior.

O cortejo era comandado por Dom Antonio de Almeida Lustosa. À sua passagem, as beatas gritavam: “É um santo, é um santo!!”. Dom Antonio, a exemplo de seu antecessor, dom Manuel da Silva Gomes, não conversava com ninguém. Mantinha sua posição de arcebispo sem falar, sempre rezando e rezando. E quem quer que tivesse a ousadia de chegar perto, teria de beijar seu vistoso anelzão de pedra preciosa; E se dom Manuel tinha vestes lindíssimas, ele seguia mesma moda. Todos nós respeitávamos e se alguém não seguisse os ensinamentos dos pais, na minha casa, dona Ledinha e seu Limaverde, receberíamos castigos. Depois de Dom Antonio assumiu o arcebispado, dom José de Medeiros Delgado. Ele parecia mais simples e bom comerciante, pois vendeu o Palácio. Após ele, então, conhecemos um religioso sério, porém bem perto de seu rebanho. Dom Aloísio Lorscheider.

Este era popular, atendia telefonemas dos jornalistas e participava de todos os acontecimentos da cidade, mediando inclusive os conflitos, como o dos professores, com greve de fome na Secretaria de Educação, na rua Tibúrcio Cavalcante. Quando houve aquele trágico desastre na serra da Aratanha, em Pacatuba, onde morreram muitos cearenses queridos, incluindo o empresário Edson Queiroz, fui até a serra e encontrei Dom Aloísio dirigindo seu Fusquinha e apaziguando, consolando os familiares desesperados com o acontecido. Foi ele que conseguiu um sepultamento coletivo no Parque da Paz.

Depois de Dom Alosio, dom Cláudio Hummes e, após este, o atual, Dom José Antonio. Retornou então o ritual antigo – a dificuldade de se falar com o antistite – bispo antigamente. E vou pensando tudo isso enquanto via o Papa Francisco segurando uma maletinha e entrando no avião que o conduziu ao Rio de Janeiro, onde aconteceu aquela festa. O Papa Francisco não admitiu distancia do povão, beijava as crianças e dava a mão para os que chegavam mais próximos. Usou até um ditado nosso: “Bota mais água no feijão!”. E um chargista chegou até a escrever que o Papa pediu para abrir a porta do avião em pleno voo”. Brincadeiras à parte, o Papa disse que os bispos não tivessem posição de príncipes, que os padres fossem para as favelas, que ficassem bem perto dos pobres. Aí fico pensando. Será que as cousas realmente vão se modificar e os padres da Igreja Católica cearense, com as honrosas exceções, vão ficar num pedestal, cada vez mais longe dos seus fiéis?

O Papa Francisco não somente disse o que deveria ser feito, mas fez e deu o exemplo. Outro bispo antigo, dom Helder Câmara, o “Santo Dom Helder”, assim como dom Aloísio, dizia, em outras palavras, mas com o mesmo significado: ” O importante não é mandar fazer, o importante é dar o exemplo.

* Narcélio Limaverde,

Jornalista e radialista.

Pedra fundamental do Santuário de Fátima era lançada há 60 anos

Da coluna O POVO Há 60 Anos, no O POVO deste sábado (29):

“Constituiu outra grandiosa e significativa concentração religiosa em louvor a Nossa Senhora de Fátima a solenidade de lançamento da pedra fundamental do seu santuário, ontem realizada na rua 13 de Maio.

Moradores de todos os bairros da capital cearense para ali acorreram, ás primeiras horas da manhã, viajando em automóveis, ônibus e a pé. Generosas e espontâneas ofertas em dinheiro foram deixadas, para a construção, elevando-se tais espórtulas a perto de vinte mil cruzeiros”.

Livro resgata um pouco da Fortaleza Antiga

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“Viva Fortaleza”, o segundo livro do Projeto Memórias da Cidade, será lançado, às 19 horas desta terça-feira, no Memorial da Cultura Cearense de Arte e Cultura, na Praia de Iracema. Na ocasião abertura de exposição homônima.

O livro faz uma documentação iconográfica e afetiva da Capital entre 1950 e 2010. Um trabalho primoroso da editora Terra da Luz, sob coordenação de Patricia Veloso.

Uma exposição sobre Fortaleza 285 anos

Dentro da festa dos 285 anos de fundação de Fortaleza, o Shopping Benfica inscreve, no período de 14 a 17 deste mês, para concurso de fotografias sobre a cidade. A inscrição é gratuita e o primeiro colocado ganhará uma máquina fotográfica Sony Profissional.

De acordo com Marcirlene Pinheiro, superintendente do Shopping Benfica, as melhores fotografias poderão ser conferidas numa exposição que ocorrerá de 19 a 30 deste mês, no Espaço Cultural desse polo de compras.

Fortaleza antiga – Excelsior Hotel

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Eis aí o Excelsior Hotel, no fim da década de 30. No alto do prédio, as bandeiras das nações. Continua fincado na Praça do Ferreira, acomodando agora a sede do Crea-CE. Foi o primeiro prédio alto da cidade. Com sete andares e construído em alvenaria em 1931.

(Imagem Brasil)

Fortaleza antiga – Lá vem o bonde!

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Eis um bonde elétrico circulando no Centro de Fortaleza em em meados do Século XX. Na altura do depósito, o bonde dobrava à esquerda e, depois de cerca de 50 metros, na rua 24 de Maio, parava na esquina da rua Castro e Silva.

(Allen Morrison, de Nova York)

Fortaleza Antiga – Garagem Elite

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Em 1921, a firma J. Thomé de Saboya estabeleceu-se na rua Barão do Rio Branco nºs 51 e 53 e Major Facundo nº 48, ocupando todo o quarteirão pela rua Castro e Silva, negociando com automóveis e seus acessórios, denominando-se o estabelecimento, “Garage Elite” com a capital de 300:000$000 (trezentos contos de réis). A firma pertencia a José Tomé de Saboya e Silva e tinha como gerente José Amaro Coelho Cintra. O prédio foi construído pelo arquiteto Jacinto Matos. A firma vendia automóveis e peças, além de vender a gasolina “Montano” e alugar carros para casamentos, batizados, etc.

Essa foto data de 1923 e foi batida no canto noroeste do cruzamento da rua Barão do Rio Branco com rua Castro e Silva. O prédio é o que se vê à esquerda da foto.

(Arquivo Nirez)

Fortaleza Antiga – Ferro Carril

Posto Central da Companhia Ferro Carril, em 1912.

 
A Companhia Ferro Carril do Ceará, criada na década de 1870, ganhou autorização de funcionamento de D.Pedro II, através do decreto Nº 5110 de 09  de outubro de 1872. Após alterações em seus estatutos aprovados pela Pricesa Isabel em 1877, a Ferro Carril entrou em pleno funcionamento.
 
No dia 25 de abril de 1880, às sete horas da manhã a Ferro Carril inaugurou o serviço de transporte público em Fortaleza com bondes puxados por burros. Saindo da Praça da Assembléia, eles percorriam os trilhos da linha da Estação e do Matadouro Público.
 
(Fonte: De Ônibus: Cento e quarenta anos nas estradas e cidades do Ceará – Federação dos transportes, Cepimar. 2008)
(Colaboração – Marcos Almeida)

Coluna "Das Antigas", do O POVO, vira tema de monografia no Curso de Letras da Uece

Do querido jornalista Demitri Túlio (O POVO), recebemos cumprimentos pelos 4 anos deste Blog, no que ficamos felizes, pois o temos como um dos grandes profissionais da nova geração, além de pessoa comprometida com a cidadania.

Bem, Demitri Túlio, que escreve no O POVO a coluna semanal “Das Antigas”, esteve nesta manhã de quarta-feira, no Centro de Humanidades, da Universidade Estadual do Ceará. Ali, acompanhou a defesa de uma monografia no curso de Letras – Área de Lingúistica, que enfocou o estilo de sua coluna. O trabalho intitulado “O Modo fortalezense de ser: Uma análise do ethos discursivo nas crõnicas Das Antigas de Demitri Túlio”, foi elaborado pelo professor André Monteiro de Castro.

Fortaleza antiga – Casa de João Gentil

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Hoje vemoa a casa de um dos homens ricos de Fortaleza, o senhor João da Frota Gentil; Ficava na Avenida da Universidade, 2995, em frente à Igreja dos Remédios.
A casa foi demolida pela UFC anos depois e, atualmente, no local funcionam vários departamentos da Instituição e a Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura (FCPC).
(Colaboração Marcos Almeida)

Fortaleza antiga – Padaria Americana

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Eis a Padaria Americana, propriedade de Josué Teixeira de Abreu, que se situava na rua Joaquim Magalhães, 2293. A foto mostra também os benjamins na calçada e duas de suas caminhonetas General Motors Company (GMC). 
 
(Fonte: “O Benfica de Ontem e de Hoje” de Francisco de Andrade Barroso/ Foto – Arquivo Nirez)
(Colaboração – Marcos Almeida) 

Arquivo de Nirez vai à praça

“O Arquivo Nirez vai à Praça do Ferreira contar um pouco da história de Fortaleza, por meio de documentário e exposição de fotos sobre a cidade. Isso ocorrerá dia 17 próximo, às 18 horas, dentro das comemorações do centenário do Teatro José de Alencar.

O documentário conta em vídeo a viagem de Manoel Jacaré , de jangada ao Rio de Janeiro reivindicar direitos trabalhistas a Getúlio Vargas, a inauguração do Cine São Luiz, a história da TV Ceará (Canal 2) e o primeiro filme sobre Fortaleza, entre outras atrações. A novidade nessa iniciativa é que o documentário estará à disposição, gratuitamente, para qualquer comunidade, escola, empresa ou sindicato.

O contato deve ser feito pelos telefones 8748-1505/9907-7157. A Secretaria da Cultura do Estado e o BNB garantem o apoio.

(Coluna Vertical, do O POVO)

Fortaleza antiga – Igreja do Rosário

Praça General Tibúrcio – 1908
 
Nessa foto, podemos observar a Igreja do Rosário, considerada a mais antiga de Fortaleza. Do lado direito, vemos o Hotel Brasil e a parede próxima a uma palmeira dá com a parte dos fundos da Assembléia Legislativa, hoje Museu do Ceará. O bonde que aqui aparece possivelmente fazia a linha Outeiro (atual Aldeota), Praia de Iracema ou Prainha.
 
(Colaboração – Marcos Almeida)