Blog do Eliomar

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Revista inglesa lamenta que Dilma dependa de Lula para ganhar as eleições

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“Em editorial na sua edição desta semana, a “Economist” diz lamentar a dependência da candidata presidencial do PT, Dilma Rousseff, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O fato de Dilma depender tanto do apadrinhamento de Lula é lamentável, pois o Brasil precisa de um líder forte e independente”, diz a principal revista de economia e política da Grã-Bretanha.

Segundo a “Economist”, caso seja eleita, Rousseff precisará sair da sombra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “para conseguir a autoridade necessária” ao cargo. A revista diz ainda que Lula “precisa deixá-la se afastar”, uma atitude que seria “seu último presente a país”. Intitulado “A Passagem”, o texto afirma que Lula deu ao Brasil continuidade e estabilidade e que agora ele precisa “dar independência” a sua sucessora.

TRÊS GRAVES PROBLEMAS
Se eleita, Dilma terá de lidar com ao menos três graves problemas, segundo a “Economist”, e a corrupção seria o primeiro. A revista afirma que o PT tem uma “tendência de inchar os órgãos federais com indicados políticos”. A segunda preocupação seria com o papel do Estado na economia –que cresceu no segundo mandato de Lula. O terceiro “teste” é a política externa, por causa da aproximação do presidente com “autocratas” como os presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Para a revista, ainda não está claro se Dilma tem “a força e vontade para lidar com esses problemas”. Em outra matéria, a “Economist” detalha o legado do governo Lula e explica como Dilma se beneficiou dele, apesar de especialistas acreditarem, há um ano, que era impossível transferir sua popularidade.

No entanto, a matéria afirma que a presidenciável não tem o “magnetismo” de Lula nem sua “habilidade de negociar”. Por fim, ela especula sobre como seria o novo governo, apostando em nomes como Antonio Palocci e José Dirceu para integrar seu gabinete.”

(Folha.com)

Militares resgatam presidente do Equador que denuncia tentativa de golpe

“Numa operação com troca de tiros e, segundo a imprensa local, com vários feridos, tropas do Exército invadiram na noite desta quinta-feira um hospital da polícia em Quito e retiraram o presidente Rafael Correa, que estava retido no prédio desde a manhã cercado por manifestantes.

Após se dizer refém e vítima de uma tentativa de golpe de Estado, ele deixou o local escoltado, com uma máscara de gás e em uma cadeira de rodas.”

(O Globo)

Morre ator Tony Curtis

AFP

Carreira marcada por altos e baixos com problemas com cocaína e alcool.

Representantes da família de Tony Curtis informaram que o ator morreu na madrugada desta quinta-feira, aos 85 anos. Curtis estava em casa, no estado de Nevada, quando sofreu um ataque cardíaco. Em julho, o ator já havia sido internado por conta de problemas respiratórios.

Um dos mais populares de Hollywood, Tony atuou em mais de 140 filmes, se tornando um ídolo adolescente da época. Ao lado de Marilyn Monroe, em 1959, protagonizou seu papel mais marcante, em Quanto Mais Quente Melhor. Também estrelou “Houdini” (1953), “Trapézio” (1956), “Acorrentados” (1958), “Anáguas à bordo” (1959), “Spartacus” (1960), “O homem que odiava as mulheres” (1968), “Os vikings” (1958) e “O Grande Impostor” (1961).

(Com Agências Internacionais)

Mineiros chilenos podem ser resgatados em duas semanas

“A fase final das operações para retirar os operários da mina San José, no Chile, pode ser iniciada em duas semanas, de acorco com encarregados do resgate. Trinta e três mineradores estão soterrados desde 5 de agosto.

 – Na próxima semana poderíamos estar em condições de ter todos os elementos necessários para o resgate – afirmou o engenheiro André Sougarret, chefe do resgate.  Tivemos que parar as máquinas por mais de quatro dias devido a problemas nas perfurações – lembrou Sougarret.

De acordo com o assessor do Ministério do Interior do Chile, Cristian Barra, num prazo de 15 dias as autoridades estarão preparadas para finalizar o resgate “a qualquer momento”. O hospital de campanha e as instalações onde os 33 mineradores receberão o primeiro atendimento médico já estão de prontidão.

Nos próximos dias chegará o cabo que será utilizado para içar a cápsula na qual os soterrados serão resgatados. O material vem da Alemanha.

 (AFP)

Justiça francesa reconhece crime na queda do voo 447 da Air France

“As famílias das 228 vítimas do voo Air France AF-447, desaparecido no Atlântico em 31 de maio de 2009 ao realizar a rota entre Rio de Janeiro e Paris, não precisam mais esperar pelo fim das investigações francesas para buscar uma indenização legal.

O Tribunal de Grande Instância de Var, no sul da França, reconheceu nesta terça-feira, 28, a “existência de um crime” no desastre, que foi definido como “homicídio involuntário” – sem intenção de matar – pela Justiça.

De acordo com a sentença provisória, os problemas ocorridos com os sensores de velocidade (pitot) da marca Thales AA em voos anteriores ao AF-447 são suficientes para configurar um crime.

Erros de aferimento da velocidade em aviões Airbus equipados com as sondas já haviam sido verificados mais de uma dezena de vezes antes do acidente, entre eles pela companhia Air Caraïbes.

Os técnicos da empresa haviam, então, alertado a Airbus, fabricante da aeronave, que o entupimento dos sensores pelo gelo poderia resultar uma cadeia de falhas nos sistemas de navegação do avião.

“A coexistência de falhas anteriores e a falha constatada na noite do acidente, afetando as duas sondas pitot, são suficientes para indicar a existência de um crime caracterizando delito de homicídio involuntário”, diz a sentença.”

(Estadão.com)

Morre fundador do Movimento Madí

O uruguaio Carmelo Arden Quin, fundador do Madí, um dos movimentos artísticos mais importantes da América Latina, morreu nesta segunda-feira aos 97 anos em sua casa na periferia de Paris, informou sua esposa, Sofía Arden Quin. O artista plástico, nascido em 1913 em Rivera Uruguai, perto da fronteira com o Brasil, morreu de forma tranquila em sua casa em Savigny sur Orgue, informou Sofía. Arden Quin é considerado o fundador do Movimento Madí, que nasceu em 1946, em Buenos Aires.

“Sou um pintor Madí. Madí é uma postura filosófica, ética, não política. Uma de suas premissas é que o universo é geométrico, e que a obra não tem um limite estabelecido”, explicou Quin em uma entrevista à AFP em meados de abril.

“Madí nasceu com um manifesto de Arden Quin postulando, entre outras coisas, que a geometria mantém o Universo e que o formato como a forma total deve ser uma criação única. Madi aboliou o quadro, o fez parte essencial da forma da obra”, explicou.
 Um dos museus dedicados ao Movimento Madí se localiza em Sobral, no Ceará, e há projetos para a construção de outro em São Paulo.

(AFP)

DETALHE – O uruguaio Carmelo Arden Quin doou obras suas para o Museu de Sobral, segundo relata em seu Blog, nesta terça-feira, o jornalista, e sobralense, Macário Batista.

Chávez vence eleições, mas perde maioria no Parlamento

“O partido do presidente venezuelano Hugo Chavez venceu as legislativas de domingo, conseguindo 90 dos 165 assentos parlamentares, mas a oposição retirou ao chefe de Estado a hegemonia de dois terços na Assembleia, segundo dados oficiais.

O Parlamento, de câmara única, foi controlado durante cinco anos, após a obtenção de uma esmagadora maioria, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) de Hugo Chávez.

O Presidente pretendia manter o controlo maioritário do parlamento, conseguido em 2005, ano em que a oposição desistiu, argumentando falta de garantias eleitorais.”

(Com Agências)

Geólogo americano fará pesquisas no Ceará sobre impactos do aquecimento global

“O geólogo americano Richard Davis, considerado o maior especialista na atualidade em ambientes costeiros, está no Ceará. Aqui, ele fará pesquisa de campo e ministrará duas palestras na Universidade Federal do Ceará abordando, entre vários temas, o aquecimento global. Davis é professor da University of South Florida. As palestras são abertas ao público.

A primeira palestra, intitulada “Geomorfologia e preservação de corpos literâneos (praias, falésias, dunas)”, será nesta quarta-feira, no Departamento de Geografia da UFC (Bloco 911 – Campus do Pici), às 16 horas. Na sexta-feira, ele irá ao Instituto de Ciências do Mar (Labomar), onde falara sobre a mesma temática, às 14 horas, dentro das comemorações dos 50 anos daquela unidade.
 
Richard Davis integra o grupo de pesquisa “Megageomorfologia e geomorfologia costeira do nordeste setentrial brasileiro”, criado em 2008, selecionado pelo Edital Universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e coordenado pela professora Vanda Claudino Sales, do Departamento de Geografia da UFC. Participam, ainda, desse grupo pesquisadores do Labomar, o professor Alexandre Carvalho Medeiros e o coordenador científico Luís Parente Maria, além de professores do Rio Grande do Norte, Pernambuco e da Flórida.
 
Os pesquisadores da UFC vão a campo, juntamente com Davis, que visitará as praias de Icapuí, Morro Branco, Águas Belas, Iguape, Pecém, Taíba, Paracuru, Lagoinha, Caucaia e Fortaleza. Eles analisarão as formas da paisagem (relevo) dos locais visitados, devendo a missão resultar na elaboração de um artigo científico. Vanda Claudino Sales, que cursou pós-doutorado na University of South Florida, explica que a subida do nível do mar se dá por conta do aquecimento das calotas polares. A média de elevação do nível é de 2 a 4 milímetros por ano (em escala global). Segundo ela, todas as cidades costeiras estão suscetíveis a esse fenômeno.”

(Site da UFC)

Obama diz que Irã terá portas abertas para melhorar relações

“O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dirá ao Irã que, se puder demonstrar as intenções pacíficas de seu programa nuclear, as portas estarão abertas para melhorar as relações com a comunidade internacional, informou a Casa Branca nesta segunda-feira.

Com novas e rígidas sanções das Nações Unidas, Obama usará seu discurso na Assembleia Geral do organismo, na próxima quinta-feira, para pressionar o Irã.

– A porta está aberta para eles terem uma relação melhor com os Estados Unidos e com a comunidade internacional – disse o conselheiro adjunto de segurança nacional da Casa Branca, Ben Rhodes.

– No entanto, para caminhar por esta porta, o Irã terá que demonstrar seu comprometimento em mostrar a intenção pacífica de seu programa nuclear, e cumprir suas obrigações com a comunidade internacional – completou.”

(Globo)

Billy Paul é show!

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Um show incrível. Billy Paul arrasou durante apresentação nesta madrugada de domingo, no Clube Náutico, que comemorou seus 81 anos de fundação. Foram quase duas horas de muita bossa, ginga e descontração, com direito a muita água para um artista consagrado e que mostrou pique aos 76 anos.

Billy Paul, vencedor do Grammy com “Me and Mrs. Jones”, estava no palco com duas vocalistas que também arrasaram. Ele esbanjou estilos: do pop mais convencional ao soul. Mostrou agudos de primeira, sem dispensar a voz baixa e rouca passando romantismo quando foi necessário.

Mas o show foi maravilhoso e cativou um “Náutico” superlotado. Sem falar na apresentação do grupo cearense “Caribbean Kings” – veio depois, que dispensa comentários. O presidente Guedes Neto comemorou o resultado.

(Foto – Paulo Moska)

Qual o futuro do Jornalismo Impesso?

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ALAN RUSBRIDGER

Eis artigo que captamos do Blog Gente de Mídia, do querido Nonato Albuquerque que, por sua vez, captou de uma dica do twitter da jornalista Fátima Sudário, editora do O POVO. O título é por demais sugestivo e vale a epenas ser lido, digerido e discutido nas redações e nas faculdades da área.

O futuro do jornalismo digital

Joseba Elola, IHU – Instituto Humanitas Unisinos

 Rusbridger dirige o prestigioso jornal britânico The Guardian, que conta com o segundo site de fala inglesa mais visitado do mundo entre os jornais de qualidade. Ele sempre está à frente de seu tempo, um visionário, um viciado em novas tecnologias. Ele afirma que o iPad e os aplicativos do iPhone são grandes passos na revolução digital das mídias.

 

Alan Rusbridger teve, há um ano, em suas mãos uma informação que não podia publicar. Referia-se a uma empresa petrolífera. Estava amarrado de pés e mãos por uma ordem judicial. Assim que pôde, pôs uma mensagem em seu Twitter – rede social de mensagens curtas – que, lembra, dizia algo como: “Desculpem, não podemos publicar a história de uma companhia que eu não posso nomear por razões que não posso dizer”.

Rusbridger conta que, em questão de 24 horas, os usuários do Twitter se encarregaram de desvendar de que companhia se tratava, quais eram os documentos comprometedores e o que impediu o jornal britânico de publicar a reportagem.

A bola se tornou tão grande que a história acabou estourando, e foram revelados os abusos ambientais e contra a saúde em que a empresa petrolífera Trafigura da Costa do Marfim havia incorrido.

Essa é a força da revolução digital. Estas são as vantagens das novas ferramentas. Quem afirma com entusiasmo é Alan Rusbridger, diretor do lendário jornal britânico The Guardian, um jornalista radicalmente convencido de que o melhor ainda está para vir, de que as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias nos levarão a um melhor jornalismo.

O site do seu jornal, guardian.co.uk, é o segundo mais importante do mundo dentre os jornais de qualidade de fala inglesa, atrás do The New York Times. Afirma ter 35 milhões de usuários únicos, um terço deles norte-americanos. O velho jornal de Manchester, que nasceu em 1821, é hoje referência da esquerda que mora do outro lado do Atlântico.

Rusbridger se senta em uma cadeira perto da enorme janela que ilumina o seu escritório. Seu cabelo está um pouco bagunçado, não usa gravata, não aparenta ter nem de longe seus 56 anos de idade. Dá a impressão de ser um homem sereno. Faz dez minutos de ioga todas as manhãs e toca piano e clarinete. Além disso, é um autêntico friki, no sentido mais tecnológico do termo, um autêntico viciado nos dispositivos da nova geração. A primeira coisa que ele fez foi pegar o gravador digital com o qual esta entrevista foi gravado e observá-lo atentamente. Virou-o, passou as mãos. “Hum, deve ser um modelo muito recente”, reflete.

“O Twitter é a ferramenta jornalística mais poderosa que apareceu nos últimos… hum… dez anos”, afirma, depois de vacilar e pensar bem se são dez, quinze ou vinte anos. Ele fala olhando para as águas do canal que passa debaixo do seu escritório, situado em um rutilante edifício de vidro, plantado no meio de uma velha Londres de marca industrial.

“Quando o Twitter apareceu, pensei que isso não tinha nada a ver com o jornalismo. Fui tão estúpido. Durante três meses, pensei: ‘Sou muito velho para isso’. ‘Só 140 caracteres, deu’. Eu estava completamente errado. Os meios de comunicação que tiverem uma visão muito estreita do que é o jornalismo e de como ele é feito estão condenados”.

Rusbridger dá um exemplo recente para explicar a força da revolução digital. Há duas semanas, o The New York Times publicou uma obscura matéria sobre Rupert Murdoch e escutas ilegais. Revelava que um jornalista do tabloide News of the World, de propriedade de Murdoch, havia feito grampos para obter informações e que o então diretor do jornal, Andy Coulson, hoje diretor de comunicação do novo primeiro-ministro, David Cameron, estava a par disso. “Durante 48 horas, ninguém neste país fez eco da história”, relata Rusbridger. “Nem a BBC nem a Sky News disseram alguma coisa. No entanto, no Twitter, milhares de usuários clamavam: ‘O que está acontecendo que isso não virou notícia?’. Chegou um momento em que o poder das pessoas fez com que a história se tornasse impossível de ignorar por parte da mídia. E esse é apenas um exemplo”.

Eis a entrevista.

Está claro que os meios de comunicação tradicionais estão falhando em alguma coisa, estão fazendo alguma coisa errada…
Sim. Aí está o Wikileaks, que se converteu em uma marca confiável, o site para filtrar documentos. O que aconteceu para que os jornais tradicionais tenham sido superados, do ponto de vista da confiança das pessoas, por um australiano e um grupo de hackers localizados em diferentes partes do mundo? O que eles fizeram e o que nós não fizemos?

Talvez os meios de comunicação tradicionais se misturaram muito com o poder político com o econômico, com as grandes empresas? Talvez se esqueceram do que é preciso relatar?
As pessoas gostariam que nós investigássemos essas grandes empresas, esses centros de poder, que fizéssemos reportagens das boas. Mas esse tipo de jornalismo é caro, e pensamos que não é muito sexy, e por isso deixamos de fazê-lo.

A ironia aflora. Rusbridger, de discurso límpido e clarividente, não pode ser mais britânico: acompanha o início de cada intervenção com esses pequenos gaguejos tão característicos do inglês mais polite.

Ele defende que, precisamente por esse abandono de funções da imprensa tradicional, uma Internet aberta e colaborativa é essencial: “Essa filosofia de estar aberto, publicar, relacionar, de fazer com que a informação esteja disponível, é uma ideia simples e poderosa. Como um meio de comunicação, você tem duas opções: você pode fazer parte desse mundo aberto ou dizer: ‘O que fazemos é tão valioso que vamos esconder aqui'”.

No que se refere ao seu meio de comunicação, ele é claro: “O conservador, agora, é ser radical. Pensando no futuro do The Guardian, para conservá-lo, devo ser conservador ou radical com a Internet? Vendo as possibilidades de futuro do papel, que não parecem ser muito boas, se eu quero ser conservador na questão de proteger o The Guardian, meu instinto me diz que devo ser mais radical no digital”.

Você é um firme defensor da web aberta e tem clareza de que os sites pagos não são o caminho a seguir.
É o que o meu instinto me diz. A web é uma questão de estar aberto, de vincular informação. Jornalisticamente, eu acho que é melhor fazer parte desse sistema: se você está aberto e colabora, toda a informação que existe ali fará com que você ganhe em riqueza, em poder e lhe dará recursos que você não vai conseguir por sua própria conta. Assim, acho que há um imperativo jornalístico e outro financeiro para estar aberto. Lincando a outros sites, publicando talvez materiais de outros, tornamo-nos uma plataforma de conteúdo e não só em editores do nosso. Acho que essa é uma ideia que tem muita força.

Instinto, instinto. Rusbridger pronuncia essa palavra seis vezes durante a entrevista. Foi seu instinto que o levou a apostar sem rodeios na web em 1998. Desde o início, no The Guardian, tinham clareza de que precisavam de tecnologia e de uma boa equipe de desenvolvedores. Investiram mais de 12 milhões de euros na construção de um site sob medida. Apostaram logo na interatividade, na vertente social, abraçaram os blogs.

O processo de integração entre a cultura digital dos recém-chegados e os jornalistas do papel foi paulatino, lento, medido. Esse, diz, é um dos fatores que ajudam a explicar seu sucesso: “Se você faz a integração muito depressa, você oprime as pessoas do papel. Você tem que deixar que as pessoas assimilem as coisas pouco a pouco”.

Há quatro anos, em um momento em que algumas companhias de comunicação cortavam o acesso de seus funcionários ao Facebook para evitar distrações, Rusbridger obrigou seus jornalistas a abrir uma página na rede social, a colocar fotos, vídeos. E fez o mesmo há dois anos com o Twitter. Ele diz que, dos 640 jornalistas da redação que elaboram o The Guardian, o The Observer (jornal dominical) e o site, 90% já são “jornalistas digitais”.

Como vocês vão competir com os meios da nova era, que contam com quadros de funcionários muito mais estreitos? Devemos esperar novas perdas de postos de trabalho nos jornais?
Eu não sei qual vai ser a renda, por isso não sei a resposta a essa pergunta. Neste momento, o dinheiro não está aí, mas a indústria pode mudar… Meu instinto me diz que será difícil manter o tamanho dos quadros que tivemos no passado.

De fato, aqui no The Guardian houve cortes de funcionários, e, no ano passado, 50 jornalistas abandonaram a casa. Essa é a parte mais difícil do processo?
Em dois anos, perdemos 80 pessoas, mas todos os que foram embora fizeram isso voluntariamente. Não tivemos que fazer demissões obrigatórias. É muito difícil, perdemos pessoas muito valiosas, mas todos optaram por ir embora.

O The Guardian arrecadou no ano passado 48,6 milhões de euros por meio do seu braço digital (cerca de 10% das receitas, tendo faturado 490 milhões de euros). Vendeu 120 mil aplicativos para o iPhone, programas que permitem a leitura do jornal no celular da Apple. “Estamos só há seis meses na revolução dos aplicativos”, diz. “É cedo para saber de que modo eles vão mudar o mundo”.

Rusbridger adora o iPad: “Ele oferece uma forma fantástica de consumir notícias. É um passo adiante na revolução digital, o primeiro dispositivo em dez anos que lhe obriga a voltar a imaginar como você ordena a informação, como você encontra seu caminho nele, como você o mistura com outras mídias”. O The Guardian está cozinhando em fogo baixo o seu aplicativo para o iPad. Rusbridger não quer um aplicativo “retro”, como o do The New York Times ou do Financial Times. Ele pensa que o novo dispositivo requer uma nova linguagem.

“Sou um viciado em tecnologia, é preciso ser. Eu compro tudo o que sai. Os novos leitores, os novos telefones. Até você não os provar e os sentir, não sabe como funciona a coisa”. Para explicar o momento em que nasceu seu vício pelos dispositivos eletrônicos, ele se levanta, solícito, e começa a vasculhar entre as caixas de papelão atrás da sua mesa de trabalho. Orgulhoso, extrai de seu cemitério de velhos aparelhos o seu primeiro computador, um Tandy TRS-80.

Seu fascínio pela tecnologia nasceu no dia em que essa relíquia caiu em suas mãos. Foi em 1984. Descobriu uma ferramenta que lhe permitia enviar suas crônicas com o número de palavras exato: os editores já não amputariam o fim de suas colunas, onde ele costumava alojar as suas piadas.

Tal era a sua experiência, que, em 1986, em uma viagem para cobrir a visita da família real à Austrália, conseguiu sozinho transmitir uma crônica por telefone: para isso, se pôs em contato direto com a empresa telefônica australiana, conseguiu um código e telefonou para uma pequena empresa londrinense que era a única capaz de converter esse código e redirecioná-lo a um computador da redação do The Guardian. Ele conseguiu transmitir sua crônica em dez minutos. Ditá-la por telefone, como se costumava fazer então, teria levado 90 minutos. “Devemos ser inteligentes com todas as novas plataformas que estão surgindo e encontrar a forma de adaptar o nosso jornalismo e as plataformas ao software e aos hábitos dos leitores”.

Em que ponto da revolução digital nos encontramos agora?
Ainda estamos em uma fase incrivelmente precoce. Por isso, é cedo para dizer que as operações digitais nunca vão poder sustentar o jornalismo, ou para dizer que não vemos claro o plano de negócios. Não há por que tomar decisões drásticas tão cedo.

Os diretores de jornais, na nova era digital, parecem ser menos independentes do que antes das exigências do negócio e das pressões das empresas jornalísticas. Concorda?
Sim, acho que é verdade. É porque tudo se tornou mais complicado. Não digo que antes fosse fácil, mas você sabia de onde vinha o dinheiro: publicidade e exemplares vendidos. Agora, as decisões tem a ver com a tecnologia, o jornalismo e a publicidade. São mais tridimensionais. Os diretores têm que intervir mais nessa conversa, e isso nos distrai da tarefa de editar.

E nesse sentido, combinando essa menor independência com o fato de que a tecnologia abre novas portas, você diria que hoje fazemos um jornalismo melhor do que no passado?
Sim. O The Guardian está chegando a um público infinitamente maior do que antes. O seu impacto e sua influência internacionais são muito maiores. Usando as ferramentas que estamos empregando, o que oferecemos aos leitores é mais amplo, mais profundo e responde a mais perguntas do que nunca.

> Alan Rusbridger, diretor do The Guardian desde 1995 e editor-chefe da Guardian News & Media, 56 anos.

> Repórter, colunista, assistente de direção do The Guardian. Rusbridger passou por todos os postos. Foi correspondente em Washington do jornal London Daily News.

> Os dados. O site do The Guardian tem 35 milhões de usuários únicos. É o segundo site mais importante entre os jornais de qualidade de fala inglesa, depois do The New York Times. Um terço de seus usuários únicos estão na América do Norte. O jornal imprime 286 mil exemplares.

> Sua aposta. Está cozinhando em fogo baixo um aplicativo para o iPad. Diz que um novo suporte requer uma nova linguagem.

> Ele. É casado e tem duas filhas. Faz dez minutos de ioga por dia e toca piano e clarinete.

(Fonte – jornal El País (12/09/2010); com tradução de Moisés Sbardelotto e revisão do IHU On-Line.

Ex-secretário da Segurança Pública da Colômbia dará palestra em Fortaleza

O ex-secretário da Segurança Pública de Bogotó (Colômbia), Hugo Acero, estará em Fortaleza em novembro próximo. Aqui, ele vem expor, no auditório da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), o projeto que contribuiu para melhorar os índices de violência dessa cidade e que chegou a ganhar reconhecimento internacional.

Na proposta de Acero, não há segredo: o investimento precisa ser na área social, a melhor prevenção contra o aumento da violência. Acero atende a um convite do Centro Industrial do Ceará, confirmou, nesta sexta-feira, o ex-presidente e diretor dessa entidade, Robinson Castro e Silva.

Expansão econômica do Brasil pode estar perdendo fôlego

“O Brasil começa a dar “sinais mais fortes” de que sua expansão econômica está perdendo o fôlego e já pode ter atingido o seu pico, afirma a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em um estudo divulgado nesta segunda-feira.

No relatório sobre o Indicador Composto Avançado (ICA, LCI na sigla em inglês), a organização também afirma que a desaceleração no ritmo de crescimento nos próximos meses é observada de maneira mais forte na maioria dos países ricos.

O ICA analisa mensalmente as tendências econômicas para os próximos seis meses.

“No Canadá, na França, na Itália, na Grã-Bretanha, na China e na Índia, uma desaceleração no ritmo de crescimento para os próximos meses é verificada de maneira mais forte em relação ao último estudo”, diz a OCDE.

“Sinais mais fortes também emergiram no Japão, nos Estados Unidos e no Brasil, mostrando que a expansão pode perder o fôlego”, afirma o relatório.

Para os cálculos do ICA, a OCDE se baseia em diferentes indicadores econômicos de curto prazo ligados ao PIB, como a produção industrial.

O nível de 100 pontos é utilizado como referência para classificar a intensidade da atividade econômica dos países.”

(BBC)

Filósofo Edgar Morin participará de conferência em Fortaleza

A Conferência Internacional “Os Sete Saberes para uma Educação do Presente”, que ocorrerá de 21 a 24 próximos, no Hotel Praia Centro, com a participação do sociólogo e filósofo Edgar Morin, superou expectativas em matéria de inscrições. A promoção é da representação da Unesco no Brasil e realização da Universidade Estadual do Ceará e Universidade Católica de Brasília. “Uma negociação está sendo feita para  abrir  mais vagas em espaços de teleconferência”, informa a professora Lucia Helena Fonseca Granjeiro, do Comitê Organizador.

O encontro internacional acontece dez anos depois de lançada a obra “Os Sete Saberes para uma Educação do Futuro”, de autoria de Edgar Morin, elaborada a pedido da Unesco, o organismo das Nações Unidas voltado para a Educação, Ciência e Cultura. Os tópicos da obra nortearão o programa da Conferência. São eles: As cegueiras do conhecimento; Os princípios do conhecimento pertinente; Ensinar a condição humana; Ensinar a identidade terrena; Enfrentar as incertezas; Ensinar a compreensão; A ética do gênero humano.

Ao final do evento, será produzido um documento a ser encaminhado à Assembléia Geral das Nações Unidas com recomendações e sugestões para a Educação, informa Lúcia Helena Granjeiro.

SERVIÇO

* Para mais informações, acesse o site www.uece.br/setesaberes.

(Também com site Agência da Boa Notícia)

"The New York Times" já admite edição só na internet

“O presidente do Conselho de Administração da The New York Times Company e publisher do jornal The New York Times, Arthur Sulzberger Jr., admitiu em público, pela primeira vez, que o futuro de um dos mais influentes jornais do mundo, fundado em 1851, será com a publicação de notícias e imagens exclusivamente em plataformas digitais. Em conferência realizada esta semana, em Londres, Sulzberger Jr. deixou claro que o fim das edições em papel é uma tendência irreversível.

A mudança do impresso para o digital é um tema muito debatido na atualidade na mídia mundial. O JB, em atitude pioneira, já é 100% digital desde o dia 1º deste mês (leia a íntegra no JB Digital).

– É certo que vamos parar de imprimir o New York Times em algum momento, em data a ser definida – afirmou Sulzberger Jr., segundo notícia publicada no site do New York Observer – Daily Transor, sob o título “Arthur Sulzberger Jr. admite o inevitável”.

O executivo deixou claro que já se pensa em como deverá ser desenvolvida a próxima etapa do informativo na web, onde já mantém um site.

– Os leitores poderão ler artigos gratuitamente, mas o volume maior de conteúdo será pago – adiantou Sulzberger Jr, que não quis prever quando espera ver o jornal exclusivamente na internet, segundo texto divulgado no site do Business Insider, intitulado “Sulzberger admite: `Vamos parar a impressão do New York Times no futuro’”.

Segundo o site Business Insider, o NYT gasta US$ 200 milhões/ano com a redação. A geração de receita online seria de US$ 150 milhões/ano. Sulzberger Jr. disse que o modelo da futura operação “está evoluindo”, e confirmou que o New York Times e o Google trabalham juntos numa ferramenta batizada como Primeiro Clique Livre, que servirá como degustação para leitores que, em seguida, poderão tornar-se assinantes do jornal digital. O The New York Observer escreve também que o NYT planeja incrementar o sistema de pagamento pelo acesso a partir do próximo ano.”

(JB Online)