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Bolsonaro, a imprensa e a noção de público

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Da Coluna Política, no O POVO deste sábado (3), pelo jornalista Érico Firmo:

Os primeiros indicativos da relação do governo eleito com a imprensa preocupam. Nessa relação, Bolsonaro sinaliza para algumas práticas bem antigas, aliadas a métodos repaginados.

Característica que marcou a trajetória da candidatura desde a origem foi a hostilidade com jornalistas. Isso prosseguiu até depois da eleição, com ofensas de assessor a profissionais num grupo de WhatsApp e patada gratuita de futuro ministro até em repórter estrangeira. É um método.

Em uma das primeiras entrevistas após eleito, na Band, Bolsonaro falou sobre a censura ocorrida na ditadura militar. Segundo ele, era permitido criticar o governo. As informações censuradas teriam intenção não de proteger o regime das críticas, mas evitar o envio de mensagens cifradas para que fossem cometidos crimes por grupos subversivos. Um delírio. Esse nem mesmo era o argumento oficial alegado à época. (Em 1975, a primeira versão de Roque Santeiro foi proibida de ir ao ar. O motivo não era mensagem cifrada, mas o fato de escuta telefônica ter flagrado conversa entre o historiador Nelson Werneck Sodré e o escritor Dias Gomes, na qual o autor da novela dizia que Roque era, na verdade, uma versão disfarçada de “O berço do herói”, peça proibida em 1965.)

Bolsonaro justificou a censura, mas não me parece que tenha intenção de censurar a imprensa hoje. Seu método de hostilidade é desacreditar os meios de comunicação. Melhor que controlá-los é atacar a credibilidade deles. Tentar fazer com que as pessoas não acreditem neles. Isso só é possível quando se tem séquito de seguidores fiéis e dispostos a seguir fielmente o líder. Um perigo.

Colocar em prática esse tipo de estratégia não é algo tão novo. O PT tentou fazer o mesmo. Terminou esta campanha se apegando a alguns dos mesmos veículos que tanto combateu. Não muito diferente da eleição anterior, quando reportagem da Folha de S.Paulo sobre o aeroporto no município mineiro de Cláudio já foi arma crucial na campanha contra Aécio Neves (PSDB). Ocorre que, até pelos novos instrumentos disponíveis, isso nunca foi tão eficaz quanto agora.

Esse método não é novo e o outro é do arco da velha. Em entrevista ao Jornal Nacional, Bolsonaro disse com todas as letras que cortará verbas publicitárias como forma de retaliar veículos críticos. Não é novidade e é uma excrescência. Surpreendente é que diga com tanta transparência algo que flerta com a improbidade administrativa. Porque, qual a diferença entre não entregar verba pública a jornal que critica e entregar a quem elogia? Qual a diferença entre isso e um mensalão da imprensa?

Na quinta-feira, 1º, ele mostrou outra face de como pretende combater quem critica. Escolheu os veículos de imprensa que participariam de sua primeira entrevista coletiva. Ficaram fora Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo, Valor Econômico, CBN, O Globo e até a EBC. Num sinal de como deve tratar a empresa pública de comunicação, ele não a deixou entrar na entrevista coletiva. Tiveram acesso TV Globo, Globonews, Record, Band, SBT, RedeTV, Jovem Pan, UOL, G1 e Reuters.

O presidente eleito dá dois recados. Mostra que não entende o caráter público de sua função. E deixa claro que, além das verbas, usará a informação para favorecer determinados veículos, em detrimento de outros cuja postura desagrade.

Pode parecer problema de jornalista. Porém, a hostilidade e a tentativa de controlar a informação é característica comum a todo autoritarismo.

Jornais são barrados na primeira coletiva de Bolsonaro

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Os jornais impressos foram barrados da primeira coletiva do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), na tarde dessa quinta-feira, 1º, em sua casa na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em uma lista regulada por uma policial federal na porta do condomínio, Bolsonaro só permitiu que emissoras de TV (menos a TV Brasil), algumas rádios e dois sites entrassem. O Estado, a Folha de S. Paulo, O Globo e as agências internacionais não puderam passar da guarita do condomínio.
O credenciamento foi feito pelo assessor Tercio Arnaud Tomaz, funcionário da campanha de Bolsonaro, mas lotado no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (PSC), na Câmara do Rio, com o salário de R$ 3.641. Carlos está licenciado do parlamento desde agosto deste ano. Por mensagens pelo Whatsapp, Tercio respondeu aos jornalistas dos veículos barrados que eles não poderiam entrar “por questões de espaço”. Pelo menos 20 repórteres e suas equipes entraram no local. Bolsonaro tem usado sua casa para receber grupos de parlamentares e apoiadores.

Quando jornalistas que participaram da coletiva lhe perguntaram por que alguns veículos tinham sido barrados, Bolsonaro respondeu que “não sei quem marcou isso (coletiva)” e que não mandou restringir ninguém. Desde o episódio da facada, Bolsonaro não tem concedido entrevistas a jornais impressos e privilegiado meios eletrônicos, como emissoras de televisão e rádio.

(Agência Estado)

O POVO é finalista no II Prêmio Policiais Federais de Jornalismo

Thiago Paiva, Fábio Lima e Demitri Túlio.

Os jornalistas Thiago Paiva, Demitri Túlio e Fabio Lima, todos do O POVO, são finalistas do II Prêmio Policiais Federais de Jornalismo, concedido pela parceria da Federação dos Policiais Federais (Fenapef) com o Sindicato dos Policiais Federais (Sindipol/DF).

Na categoria Jornalismo Impresso, eles concorrem com três cadernos que formaram o especial “Território à espera de paz”, veiculado nos dias 29, 30 e 31 de janeiro deste ano. A série abordou questões sobre terror imposto pelas facções criminosas na rotina de comunidades da periferia de Fortaleza, e sobre a vida de alunos que abandonaram ou solicitaram a transferência dos locais de estudos por medo ou ameaças sofridas por grupos criminosos. Na última reportagem da série, ganharam destaques o avanço das organizações criminosas no Ceará e no aumento da população de sem teto em Fortaleza, por serem expulsos de suas residências. Alguns moradores tiveram, inclusive, que buscar abrigo nas praças e esquinas da Capital.

Confira as reportagens da série:

*Cotidianos alterados pelas facções

*Violência das facções atravessa escolas

*Refugiados urbanos: a fuga e o abrigo na rua

Fotografia

Fábio Lima é repórter fotográfico desde 1994. Indicado com dois trabalhos na categoria de fotojornalismo, com “Guerra por Território” e “O fracasso das políticas sobre as drogas”(série de fotos), ele destacou que, além de há anos desenvolve trabalho de retratar a realidade vista em pautas policiais e mostrar os cotidianos da violência. “Eu gosto da adrenalina, e de como é possível retratar realidades tão adversas em um mesmo ambiente”.

Fotos do premiadíssimo Fábio Lima que estão concorrendo: 

Jornalismo Impresso

Thiago Paiva é um dos finalistas na categoria Jornalismo Impresso. Há oito anos no O POVO, ele começou a trajetória como estagiário de Política, depois tornou-se repórter de Segurança Pública, e, neste ano, tornou-se repórter do Núcleo de Jornalismo Investigativo. “Estar entre os finalistas, concorrendo com gente tão qualificada, é um reconhecimento do nosso trabalho. Um incentivo para seguir em frente. Nos dá fôlego e ânimo para cumprir o papel que se espera do jornalismo em dias como esses que vivemos”.

“Nessa série de reportagens, mergulhamos no drama das comunidades dominadas por facções criminosas. Mostramos o impacto desse controle cotidiano, os reflexos na evasão escolar, na imposição de condutas e no surgimento dos ‘refugiados urbanos’, conceito que utilizamos para retratar a situação de pessoas que foram expulsas de casa pelas facções. Até hoje, ainda não há política pública que devolva a essas pessoas as mínimas condições de dignidade com as quais viviam. Isso é muito grave e continua a se repetir. Nosso papel é seguir denunciando”, conta.

Para o jornalista e também finalista na categoria de “jornalismo impresso”, Demitri Túlio, a reportagem foi um meio de retratar a realidade de famílias que vivem em comunidades periféricas e que estão entre o meio das disputas das facções criminosas. “A reportagem sobre as disputas dos territórios, na verdade, é um acompanhamento jornalístico sobre o fenômeno das facções desde 2015. Em forma de factualidade ou em série”. Ele acrescenta: “É uma maneira do jornalismo ser ponte entre o poder público e quem sofre com o dia a dia de um bairro dominado ou ameaçado pelo medo criado por esses grupos criminosos. Quadrilhas que criaram musculatura por causa da presença insuficiente do Estado e a segurança social capenga que temos no Ceará”, relata.

Na disputa

A premiação é composta por cinco categorias. Além dos profissionais do O POVO, também foram indicados jornalistas de Correio Braziliense, Jornal A Tribuna, Rádio Gaúcha, CBN Vitoria, CBN Brasília, TV Jornal, TV Record, Intertv Cabugi (Afiliada Rede Globo) e o Jornal Metrópoles. Os vencedores serão conhecidos no dia 22 de novembro de 2018, em Brasília.

(O POVO Online – Com Jullie Vieira)

VAMOS NÓS – Que honra fazer parte da equipe do O POVO, que conta com profissionais desse quilate…Ah, nojentos queridos!!

STF analisará tempo gasto por rádios com programas culturais e jornalísticos

O Supremo Tribunal Federal vai analisar se o decreto que estabelece percentuais mínimos e máximos a serem observados pelas emissoras de rádio na produção e transmissão de programas culturais, artísticos e jornalísticos locais foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988. O tema teve repercussão geral reconhecida por maioria.

No caso em análise, a comissão de licitação desclassificou uma empresa dos procedimentos licitatórios para delegação de serviços de radiodifusão nos municípios de Jupi e Betânia (PE) porque sua proposta técnica não atendeu à condição estabelecida pelo edital relativa ao tempo dedicado a programas culturais, artísticos e jornalísticos locais contida no Decreto 52.795/1963.

A empresa recorreu ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que proveu a apelação com o fundamento de que o artigo 221, inciso III, da Constituição da República é expresso ao atribuir exclusivamente à lei a definição dos percentuais a serem observados pelas emissoras de rádio e televisão na produção e na transmissão de programas locais, não cabendo a regulamentação da matéria por outra espécie normativa.

Portanto, o edital não poderia estipular os limites com base em determinações previstas em decreto não recepcionado pela Constituição. Com isso, declarou a nulidade do certame licitatório.

A União defende, no recurso extraordinário, que tanto a Lei 4.117/1962 (Código Brasileiro de Telecomunicações) quanto o Decreto 52.795/1963 dispõem sobre o tempo a ser destinado aos referidos programas. Sustenta a inexistência de violação à liberdade de expressão, pois estabelecer um percentual mínimo de programação local não significa que se está impondo o conteúdo.

Manifestação

O relator do RE, ministro Luiz Fux, observou que o Plenário do STF, ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.923, de sua relatoria, firmou o entendimento de que é legítima a fixação pela legislação de cotas de conteúdo nacional para canais e pacotes de TV por assinatura. Na ocasião, ele consignou que as cotas de conteúdo nacional consubstanciam meio idôneo para a promoção da cultura e da identidade nacional ao estimular a indústria audiovisual do país.

Para o ministro, o caso em discussão no RE, embora diverso do precedente citado, também envolve o fomento da identidade e da cultura das mais diversas localidades do Brasil. “É imperioso que o STF se manifeste sobre a legitimidade da política pública de cotas de conteúdo local implementada pela legislação ora impugnada”, afirmou.

Outro ponto relevante da controvérsia, segundo Fux, é a respeito do juízo de recepção, pela Constituição da República, de normas anteriores a ela. Em seu entendimento, existindo compatibilidade de conteúdo, a norma infraconstitucional deve ser recepcionada pela Constituição em vigor, independentemente da forma normativa exigida.

“Todo o ordenamento jurídico infraconstitucional é recebido pela Constituição nova desde que com ela seja materialmente compatível. Nesse contexto, a recepção do ordenamento infraconstitucional anterior independe de previsão expressa no texto da Constituição nova”, disse.

O ministro considerou que a matéria tratada no recurso transcende os limites subjetivos das partes, uma vez que a definição sobre a recepção ou não pela Constituição da República de 1988 das determinações contidas no Decreto 52.795/1963, “além de implicar juízo sobre a validade de norma em vigor há décadas em todo o território nacional, poderá impactar, ainda, a radiodifusão de conteúdos culturais, artísticos e jornalísticos regionais e locais, produzidos em milhares de municípios do Brasil, com inegável repercussão para as populações atingidas”.

(Com Assessoria de Imprensa do STF)

A saudade de Rodolfo Espínola

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Os oito anos da morte do jornalista e escritor Rodolfo Espínola serão lembrados nesta terça-feira. A família manda rezar missa, às 18 horas, na Igreja da Paz.

Rodolfo sofreu infarto enquanto dirigia seu veículo. Desgovernado, o automóvel chocou-se contra um poste. Ele deixa saudades, até por ter sido um grande profissional.

SERVIÇO

Paróquia de Nossa da Paz, Rua Visconde de Mauá, 905 – Aldeota.

(Foto -Reprodução)

Chanceler saudita vê histeria internacional após morte de jornalista

O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Adel al-Jubeir, queixou-se hoje (27) de que a resposta internacional pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, cometido há três semanas no consulado saudita em Istambul, na Turquia, tem sido “histérica”.

“A questão tornou-se histérica. As pessoas estão culpando a Arábia Saudita antes de se completar a investigação”, disse Al-Jubeir, em discurso no fórum Diálogo Manama, organizado pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), em Bahrein.

O chanceler saudita reiterou que seu país deixou “muito claro” que investigará o caso, que compartilhará os resultados das investigações e punirá os responsáveis “para assegurar que isso não aconteça novamente”.

O Ministério Público da Arábia Saudita reconheceu, na quinta-feira (25), que a morte de Khashoggi, ocorrida no dia 2 deste mês, foi um assassinato premeditado.

A Turquia pediu que a Arábia Saudita providencie a extradição dos 18 suspeitos do assassinato, para que sejam julgados pelos tribunais turcos.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, que também participa do evento, afirmou que o assassinato de Khashoggi “mina a segurança regional”. “O assassinato de Khashoggi deve preocupar a todos. O fracasso de qualquer nação em aderir às normas internacionais e do Estado de Direito mina a estabilidade regional em um momento em que é necessário”, disse Mattis, em seu discurso.

Apesar das suas declarações sobre Khashoggi, Mattis reiterou o compromisso de seu país com os aliados árabes contra o Irã, ao qual acusou de apoiar a Al Qaeda, além de armar outros grupos terroristas e de ameaçar a segurança marítima.

(Agência Brasil com Agência EFE)

Jungmann determina que PF investigue ameaças a jornalistas da Folha

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, determinou que a Polícia Federal investigue as ameaças sofridas por jornalistas da Folha de S.Paulo após publicação de matéria sobre esquema de envio de mensagens em massa na plataforma WhatsApp para favorecer o candidato Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República.

Em despacho encaminhado ao diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, Jungmann citou uma matéria do próprio jornal sobre as ameaças a que a jornalista Patrícia Campos Mello, que assina a reportagem, estaria sendo alvo.

“[…] tendo tomado ciência de matéria publicada no jornal Folha de São Paulo […] determino que sejam adotadas as providências necessárias à apuração dos fatos e à identificação de autoria, circunstâncias e motivações com eles envolvidas”, disse o ministro no documento enviado à PF.

O ministro acrescentou que, caso sejam confirmadas as acusações apresentadas pelo jornal, “pode-se estar diante da configuração de ilícitos penais, e de direta ofensa à inviolabilidade de correspondência, ao sigilo das comunicações, à prestação de informações e à liberdade de imprensa”.

Ontem (24), o jornal pediu investigação da PF, por meio de representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além de Patrícia, o jornal afirma que outros dois jornalistas que participaram da apuração da reportagem também vêm sofrendo ataques.

No dia 19 de outubro, a Folha publicou reportagem denunciando um esquema de compra de envio estruturado de mensagens em massa no aplicativo WhatsApp que seria bancado por empresários favoráveis a Bolsonaro. Os contratos chegariam até R$ 12 milhões. Bolsonaro e executivos citados na reportagem negaram qualquer envolvimento.

Patrícia Campos Mello teve sua conta de WhatsApp invadida. Os hackers enviaram mensagens a favor do candidato do PSL para contatos armazenados. Além disso, ela recebeu ameaças por telefone de números desconhecidos.

Ainda de acordo com a Folha, circularam imagens entre grupos de apoiadores de Bolsonaro incitando eleitores a confrontar a jornalista em uma palestra marcada para o dia 29, além de uma montagem onde ela apareceria abraçada ao candidato do PT, Fernando Haddad. Patrícia Campos Mello teve de fechar sua conta no Twitter, passando a permitir apenas interação com seguidores autorizados.

(Agência Brasil)

O POVO é finalista em prêmio internacional que reconhece o melhor design para jornal

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O POVO está entre os cinco finalistas do Prêmio ÑH, que elege anualmente o melhor design para jornais na Espanha, Portugal e América Latina. O anúncio do vencedor deve ocorrer durante festa nesta quinta-feira em Buenos Aires, na Argentina.

O projeto do jornal cearense tem a responsabilidade do editor-executivo do Núcleo de Design do O POVO, Gil Dicelli.

Concorrem com O POVO os seguintes periódicos: Colombiano, da Colômbia; El Correo, Hiruka e Las Províncias, estes da Espanha; Jornal de Notícias, Jornal de Leiria y Região de Leiria, estes de Portugal; e La Voz del Interior (Argentina)

Folha de S.Paulo aciona TSE e pede que PF apure ameaças a profissionais

O jornal Folha de S. Paulo informou hoje (24) que entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando que a Polícia Federal (PF) investigue ameaças a profissionais do veículo. Após a publicação de reportagens investigativas sobre a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), a autora da matéria, jornalista Patrícia Campos Mello, recebeu centenas de intimidações e ofensas sobretudo via redes sociais. Outros dois jornalistas que participaram da apuração da reportagem também vêm sofrendo ataques, acrescentou o jornal em comunicado. O diretor do Instituto Datafolha, Mauro Paulino, foi alvo de ameaças por redes sociais e em sua casa.

A Folha disse ter identificado uma “ação orquestrada contra a liberdade de expressão”. Segundo o jornal, os ataques se alastraram por grupos de apoio ao presidenciável do PSL no WhatsApp.

No dia 19 de outubro, a Folha publicou reportagem denunciando um esquema de compra de envio de mensagens em massa no aplicativo WhatsApp que seria bancado por empresários favoráveis a Bolsonaro. Os contratos chegariam até R$ 12 milhões. Bolsonaro e executivos citados na reportagem negaram qualquer envolvimento.

A compra de mensagens pró-Bolsonaro no aplicativo de celular motivou ações junto ao TSE, que investiga o caso com apoio da Polícia Federal (PF). Por causa da abertura dessas investigações, a presidente do TSE, ministra Rosa Weber, e outros ministros foram ontem (23) ameaçados e xingados em vídeo divulgado nas redes sociais. O autor do vídeo, coronel da reserva Carlos Alves, já é alvo de inquérito da PF, aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), após receber solicitação do próprio Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministério do Exército também condenou as declarações do coronel da reserva e afirmou que ele não representa as posições da Força, além de informar que sua conduta já é alvo de apuração na esfera militar.

Perseguição a jornalistas

A autora da reportagem sobre o disparo em massa de mensagens pró-Bolsonaro, Patrícia Campos Mello, teve sua conta de WhatsApp invadida. Os hackers enviaram mensagens a favor do candidato do PSL para contatos armazenados. Além disso, ela recebeu ameaças por telefone de números desconhecidos.

Ainda de acordo com a Folha, circularam imagens entre grupos de apoiadores de Bolsonaro incitando eleitores a confrontar a jornalista em uma palestra marcada para o dia 29, além de uma montagem onde ela apareceria abraçada ao candidato do PT, Fernando Haddad. Patrícia Campos Mello teve de fechar sua conta no Twitter – passando a permitir apenas interação com seguidores autorizados..

No domingo (21), o candidato Jair Bolsonaro (PSL) afirmou a seus seguidores que “a Folha de S. Paulo é o maior fake news do Brasil, imprensa vendida”. O candidato criticou o jornal diversas vezes em razão da reportagem publicada. Em entrevista à Rádio Justiça, a advogada do PSL, Karina Kufa, afirmou que a denúncia não tem base documental e que qualquer caso de apoio espontâneo não teve anuência do candidato.

Repercussão

A Federação Nacional dos Jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo emitiram nota na semana passada em que condenaram os ataques a Patrícia Campos Mello e a profissionais do jornal. “Avessos ao debate e à crítica pública, essenciais numa sociedade democrática, os agressores querem sufocar a liberdade de imprensa e calar qualquer voz que levante questionamentos dirigidos a seu candidato. É a própria democracia que está sendo atingida quando a repórter é atacada”, diz o texto.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo também se manifestou em favor da profissional, reconhecida pela sua experiência e contribuição para a imprensa brasileira. “Retaliar jornalistas em função de sua atividade profissional não atinge apenas o(a) comunicador(a) em questão; traz prejuízos à sociedade como um todo, inclusive aos que praticam os ataques”, pontua a associação.

No início do mês, a Abraji divulgou levantamento em que identificou pelo menos 130 agressões a profissionais de imprensa cobrindo eleições. Foram 75 ataques por meios digitais, como redes sociais, e 62 físicos.

A Agência Brasil entrou em contato com a Polícia Federal para obter informações sobre o pedido do jornal e aguarda retorno. O TSE informou que a denúncia da Folha tramita em sigilo.

(Agência Brasil)

Eleições do Brasil – Imprensa internacional observa com críticas o pleito

Candidatos à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A seis dias do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, a imprensa internacional analisa o cenário político nacional a partir de uma possível vitória do candidato Jair Bolsonaro (PSL) sobre Fernando Haddad (PT). Os principais jornais dos Estados Unidos, do Reino Unido, da Itália e da Argentina destacam de forma crítica a vitória de Bolsonaro.

Sob o título Triste escolha do Brasil, o The New York Times publicou editorial em que informa que Bolsonaro tem grandes chances de ser eleito no próximo domingo (28) e classificando o cenário como “uma perspectiva assustadora”.

O jornal norte-americano se refere ao candidato como alguém com “visões repulsivas” e cita episódios polêmicos, como a discussão com a deputado Maria do Rosário (PT-RS). Em 2003, os dois trocaram acusações no Salão Verde da Câmara dos Deputados quando a deputada chamou Bolsonaro de “estuprador” e ele respondeu dizendo que “ela não merecia ser estuprada.

Seguindo a mesma linha, o italiano Corriere della Sera cita Bolsonaro como “líder de extrema-direita” e “anti-ambientalista”, ao fazer referência a declarações do candidato envolvendo acordos internacionais sobre o clima e exploração da Amazônia. Com Bolsonaro eleito, o jornal é categórico sobre o futuro do Brasil. “O Brasil recuaria meio século, retornando aos anos ‘dourados’ da ditadura militar”.

O britânico Financial Times destaca a necessidade de mudanças políticas e econômicas no cenário brasileiro e traz Bolsonaro com grandes chances de ser eleito presidente “da oitava maior economia do mundo” no próximo domingo (28). O jornal se refere ao candidato do PSL como “Trump dos trópicos”, numa alusão ao presidente norte-americano Donald Trump, e cita Bolsonaro como “abertamente misógino, racista e autoritário”.

Em tom mais ameno, a edição de ontem (21) do jornal argentino Clarín estampa manifestações pró-Bolsonaro no Rio de Janeiro e destaca o candidato como favorito no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras. O periódico traça uma rápida biografia de Bolsonaro, se referindo ao capitão da reserva como “nostálgico da ditadura militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985” e congressista de carreira.

(Agência Brasil)

Sindicato dos Jornalistas entrega Carta da Fenaj a Haddad

A presidente do Sindjorce e Haddad.

A diretora da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e presidenta do Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce), Samira de Castro, entregou ao candidato a presidente pelo PT, Fernando Haddad, a Carta Aberta da FENAJ aos presidenciáveis. Nela, a federação reafirma a importância do Jornalismo para a democracia e apresenta propostas para a área das comunicações.

A entrega ocorreu em Juazeiro do Norte, no último sábado à tarde, onde o candidato teve atividade de campanha e o Sindjorce, com a participação da FENAJ, realizava o seu I Encontro Regional de Jornalistas do Cariri.

(Foto – Divulgação)

Khashoggi: vítima da tirania

Editorial do O POVO deste domingo (21) aponta a liberdade de expressão como sentença de orte de jornalista árabe. Confira:

O mundo não cansa de externar o seu horror ao tomar conhecimento dos detalhes horripilantes da morte, sob tortura, dentro do consulado da Arábia Saudita na Turquia, do jornalista do Washington Post, Jamal Khashoggi. Ele foi visto entrando, no último dia 2, na sede da representação diplomática de seu país, em Istambul – onde acorrera para obter um documento – e nunca mais foi visto. Sabe-se, agora, que foi detido, no interior prédio, torturado (teve os dedos de uma das mãos decepados cruamente), decapitado e teve seu corpo retalhado. Tudo praticado por agentes da polícia política da monarquia saudita. Supostas razões: artigos críticos ao príncipe herdeiro de um regime absolutista paparicado pelo Ocidente.

Ele não era propriamente um dissidente, mas sim, um jornalista crítico, inconformado com os padrões medievais do regime. Tanto que teve de abandonar o país, em 2017, por conta da pressão das autoridades locais. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, 32, parece não ter gostado de sua “insolência”. Embora desde que assumiu a direção do gabinete real tenha anunciado tímidas reformas modernizadoras, no entanto, reprimiu, ao mesmo tempo, e levou à prisão ativistas do movimento pelos direitos humanos, feministas, intelectuais e artistas inconformistas.

A última contribuição de Khashoggi no Washington Post (“O que o mundo árabe precisa é de mais liberdade de expressão” – publicada postumamente) recebeu um comentário muito pertinente de sua editora-chefe, Karen Attiah: “Este artigo reflete perfeitamente seu compromisso e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade para a qual parece que ele deu a vida”. Nele, o jornalista lamentava: “Os árabes [com exceção da Tunísia] não recebem informações ou estão mal informados. Não podem falar adequadamente e muito menos falar em público sobre as questões que afetam a região e sua vida cotidiana”.

Ainda em 2014 ele protestara contra a onda de prisões de ativistas: “Existe uma maneira melhor para o reino evitar as críticas do Ocidente: simplesmente libertar ativistas de direitos humanos e interromper as prisões desnecessárias que prejudicaram a imagem da Arábia Saudita”.

Exaltar a memória de mais este mártir da liberdade de imprensa é alertar os povos a não baixar a guarda contra a tirania, pois nunca se sabe qual é sua próxima investida. Antes prevenir, do que tentar remediar tardiamente.

Arábia Saudita: jornalista morreu em briga no consulado de Istambul

A Procuradoria-Geral da Arábia Saudita afirmou, após investigações preliminares, que o jornalista Jamal Khashoggi, que desapareceu no dia 2 de outubro, morreu em uma briga dentro do consultado saudita em Istambul, na Turquia, segundo informou a agência de notícias pública SPA.

Outros veículos de imprensa do governo também anunciaram as demissões de dois funcionários de altos cargos, sem mencionarem se há relação com o caso.

Khashoggi foi ao consulado para buscar documentos que necessitava para se casar com a namorada turca. De acordo com a agência, a conversa entre o jornalista e as pessoas que o receberam derivou uma “briga” e uma “luta corporal” que causaram a morte.

A Procuradoria-Geral garantiu que as investigações continuarão e que 18 pessoas de nacionalidade saudita estão presas de forma preventiva pelo caso até que se conheça “toda a verdade” e que “todos os envolvidos neste caso sejam levados à Justiça”.

Uma fonte anônima citada pela agência SPA afirmou que os suspeitos viajaram a Istambul para se reunir com Khashoggi porque havia informações que o jornalista se dispunha a retornar à Arábia Saudita, depois de ter permanecido no exílio pelas críticas feitas à realeza saudita.

Segundo essa mesma fonte, a conversa entre os suspeitos e o jornalista não ocorreram como estava previsto, o que gerou a briga.

Enquanto eram divulgados os resultados das investigações preliminares, a televisão estatal saudita anunciou as demissões do subdiretor dos serviços secretos do país, Ahmad Asiry, e do membro do Conselho Real Saud Qahtany, sem oferecer mais detalhes sobre os motivos nem a relação de ambos com o caso Khashoggi.

(Agência Brasil com Agência EFE)

O que fazer quando o policial mata?

Da Coluna Política, no O POVO deste sábado (20), pelo jornalista Érico Firmo:

O programa Debates do Povo, na rádio O POVO CBN, tem cumprido papel de trazer a discussão que não existe entre os candidatos a presidente. Por toda a semana, foram discutidas as propostas para educação, segurança pública, economia, saúde e direitos humanos. Os debatedores eram defensores das propostas de cada candidato.

Ontem, o debate reuniu o vereador Soldado Noélio (Pros), deputado estadual eleito e apoiador de Jair Bolsonaro (PSL), e o deputado estadual reeleito Renato Roseno (Psol), que apoia Fernando Haddad (PT) neste segundo turno. Em dado momento, a discussão enveredou para uma das questões mais complicadas propostas nesta campanha: uma espécie de licença para os policiais matarem sem terem de responder por isso.

Bolsonaro ecoa ideia recorrente. E perigosa. Colocando as coisas no lugar: Polícia é profissão de extremo risco e, quando em perigo, o policial tem não apenas direito, como precisa se defender. Não deve esperar o criminoso atirar primeiro. Não precisa dar a chance de ser morto antes de se defender. Isso é o mínimo de garantia que se precisa dar a um agente público.

O que não significa que mortes em abordagens policiais não devam ser averiguadas. É preciso saber se não houve despreparo, se não houve excesso. Se a morte não foi em vão. Essa investigação não pode ter pressuposto de culpa. Deve ser criteriosa e justa. Não dá é para dizer: mata livremente e sem se preocupar, que a situação não será nem mesmo examinada. Isso não interessa a policiais corretos, que agem dentro da lei, que não abusam de suas prerrogativas. Isso interessa àqueles, dentro da Polícia, que agem como criminosos e se tornam bandidos. Que acham que estão acima da lei e, no lugar de se tornar agentes de segurança, são agentes da violência.

O deputado eleito Soldado Noélio disse que policiais estão morrendo por deixarem de atirar, com medo de punição. Se isso ocorre, é absurdo. Não se pode ter policiais amedrontados, sentindo-se ameaçados. Porém, desconheço tal situação, ao menos no Ceará.

Foram assassinados este ano nove policiais no Estado. Sabe quantos estavam em abordagem? Zero. Nenhum. O único que foi considerado morto em serviço se deslocava do trabalho para casa.

Uma dessas nove mortes ocorreu em 28 de agosto, quando cabo da PM correu em direção de colegas para pedir ajuda, após reagir a assalto. Porém, eles acreditaram se tratar de criminoso e mataram o cabo. Teve mais. Em 11 de junho, estudante universitária foi morta por policiais, na avenida Washington Soares, quando o carro no qual estava com a filha teria sido confundido com veículo roubado. Em agosto, jogador de sinuca foi morto por policiais, supostamente porque o taco teria sido confundido com arma. Nesta semana, O POVO mostrou que partiu da arma de um policial a bala que matou operador de call center em maio. Ele estava parado no cruzamento quando uma perseguição policial passou por ele.

Alguém acha mesmo que os responsáveis por esses desastres, essas trapalhadas trágicas, não deve nem ser chamado a esclarecer o assunto? Essas mortes devem ficar por isso mesmo?

Dodge diz ao Supremo que Lula não pode conceder entrevistas na prisão

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o pedido feito pelos jornalistas Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, e Florestan Fernandes para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conceda entrevistas dentro da prisão.

No parecer, a procuradora defendeu a liberdade de expressão e de imprensa, mas ressaltou que, em algumas situações, há a possibilidade de proibir que presos concedam entrevistas.

Para Dodge, entre as finalidades da condenação de presos está o objetivo de cumprimento da pena “com discrição e sobriedade”. “O fato é que ele [Lula] é um detento em pleno cumprimento de pena e não um comentarista de política”, disse a procuradora.

“Conclui-se que a proibição de que Luiz Inácio Lula da Silva conceda entrevistas em áudio e/ou vídeo, apesar de ser restritiva da sua liberdade de expressão, é medida proporcional e adequada a garantir que as finalidades da pena a ele imposta sejam concretizadas, sendo, portanto, compatível com a ordem jurídica do país”, disse.

No início do mês, uma guerra de decisões liminares sobre os pedidos terminou com a decisão do presidente do STF, Dias Toffoli, que impediu a concessão das entrevistas.

Desde 7 de abril, Lula cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão em Curitiba, imposta pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP).

(Agência Brasil)

Cid Carvalho receberá o Troféu Imprensa José de Alencar da CDL de Fortaleza

O ex-senador Cid Carvalho será o homenageado deste ano durante a festa da entrega do Prêmio CDL de Comunicação 2018. Ele receberá o Troféu Imprensa José de Alencar, quando serão premiados as reportagens com o tema “Centro da Cidade: Uma cidade no Centro”. O ato ocorrerá no próximo dia 30 de novembro, na sede da Câ,ara de Dirigentes Lojistas. A informação é da assessoria de imprensa da CDL.

Cid Saboia de Carvalho é também radialista, jornalista e advogado. Natural de Fortaleza, formado em Direito pela UFC no ano de 1967, trabalhou como professor dos cursos de Direito e de Comunicação Social nessa Instituição, escreveu mais de 30 livros e foi eleito senador constituinte com 950.231 votos, em 1986.

Após deixar o Senado em janeiro de 1995, Cid Carvalho continuou a dedicar-se à advocacia e às aulas de comunicação na universidade, além de apresentar o programa político diário Antenas e rotativas, na Rádio Cidade, da qual também foi diretor. No rádio, exerceu ainda atividades de cronista desportivo na Rádio Uirapuru, de apresentador na Rádio Assunção e de âncora do programa Rádio Notícia Verdes Mares, na Verdinha.

Cid Carvalho também é membro da Academia Cearense de Letras e da Academia Centrista de Letras, além de ter presidido a Associação de Profissionais da Crônica Desportiva e ter sido conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) — seccional do Ceará.

Jornalismo

O 13º Prêmio CDL de Comunicação será entregue em seis categorias: Jornalismo Impresso, Webjornalismo, Telejornalismo, Fotojornalismo, Radiojornalismo e Cinegrafia.

As inscrições desta edição devem ser feitas somente on line no site da CDL de Fortaleza (www.cdlfor.com.br) até o dia 30 de outubro.

Premiações

Será concedido um valor de R$ 45 mil em prêmios, distribuídos da seguinte forma:

– 1º lugar em Jornalismo Impresso: R$ 10 mil;

– 1º lugar em Telejornalismo: R$ 10mil;

– 1º lugar em Radiojornalismo: R$ 10 mil;

– 1º lugar em Fotojornalismo: R$ 5 mil;

– 1º lugar em Cinegrafia: R$ 5 mil;

– 1º lugar em Webjornalismo: R$ 5 mil;

Sorteio viagem

Todos os participantes, cujos nomes constam das respectivas fichas de inscrição, concorrerão ainda, por meio de sorteio, realizado no mesmo dia, a uma viagem para Morro de São Paulo. A premiação dará direito a passagem aérea Fortaleza/Salvador/Fortaleza, transfer Salvador/Morro de São Paulo/Salvador e hospedagem com três noites, para duas pessoas, com direito a café da manhã. O ganhador poderá usufruir da viagem até o dia 31 de janeiro de 2019.

SBT é condenado a indenizar a desembargador Luiz Zveiter

Veicular notícias de forma sensacionalista, sem prova do conteúdo, configura abuso da liberdade de informação jornalística, propiciando ao ofendido pedir reparação dos danos causados. Assim entendeu a juíza Ana Paula Pontes Cardoso, da 46ª Vara Cível do Rio de Janeiro, ao condenar o SBT, o jornalista e o editor a indenizarem em R$ 100 mil o desembargador Luiz Zveiter, ex-presidente do TJ-RJ, informa o site Consultor Jurídico.

De acordo com a juíza, o SBT não produziu prova de que o desembargador participou do “escândalo dos precatórios” no estado, conforme noticiado em novembro de 2017. Segundo a magistrada, ainda que tenha retirado do ar o link que dava acesso à reportagem, “sua veiculação comprovadamente ocorreu, tendo faltado cautela aos réus”.

Para a juíza, o caso não trata apenas de mero aborrecimento porque a situação afeta “profundamente o equilíbrio psicológico da pessoa mencionada, causando-lhe duradouro abalo em seu bem estar, revolta e frustrações”. A decisão determinou que SBT retire as reportagens do site e de qualquer outra mídia social, sob pena de multa diária de R$ 1 mil.

De acordo com a reportagem, “o escândalo dos precatórios”, que teria sido feito pelo ex-governador Sérgio Cabral, contou com apoio da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e do Poder Judiciário. A principal reclamação do desembargador é sobre um trecho em que aparece uma faixa com citação ao “homem forte do Tribunal de Justiça, o ex-presidente Luiz Zveiter”.

Para Zveiter, a reportagem tenta vincular seu nome com supostos favorecimentos, “ligando-o a fatos ocorridos anos após a sua gestão na Presidência do Tribunal de Justiça, procurando associá-lo ao que a matéria rotula como ‘golpe dos precatórios’, sem base em qualquer elemento probatório”.

Além disso, o magistrado apontou no processo que o Sindicato dos Servidores do Judiciário, que formulou a denúncia, enviou carta aos jornalistas reafirmando que o desembargador “não tinha qualquer relação com os fatos noticiados na matéria, de forma que o seu nome e imagem foram nela inseridos de forma tendenciosa e maliciosa”.

Arábia Saudita ameaça reagir caso seja punida por sumiço de jornalista

A Arábia Saudita ameaçou hoje (14) adotar represálias caso seja punida pelo desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi, que entrou no consulado saudita em Istambul para buscar documentos no dia 2 de outubro e nunca mais voltou.

“O reino afirma que, caso seja alvo de alguma medida, responderá com ações maiores”, afirmou uma fonte do governo saudita, sob anonimato, à agência oficial “SPA”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou ontem (13) que aplicará uma “punição severa” contra a Arábia Saudita caso seja confirmado o assassinato do jornalista no consulado.

“O reino expressa total rejeição a qualquer ameaça e tentativa de miná-lo, seja ameaçando com sanções econômicas, usando pressões políticas ou repetindo acusações falsas que não enfraquecerão o reino, suas firmes posições e seu status árabe, islâmico e internacional”, disse a fonte em comunicado.

As imprensas turca e americana informaram nos últimos dias que o governo saudita enviou a Istambul uma equipe para assassinar Khashoggi, colunista do jornal americano The Washington Post, que foi ao consulado para buscar documentos necessários para se casar com a namorada turca.

No comunicado, a fonte garantiu que o resultado desses “esforços fracos” de minar o reino serão “um fracasso” e considerou que a economia do país só poderia ser afetada “pelo impacto da economia global”.

A bolsa de valores saudita desabou 7% neste domingo, devido ao temor dos investidores sobre possíveis sanções por parte dos Estados Unidos.

A fonte saudita também agradeceu o apoio recebido de países árabes “irmãos” e de outras vozes internacionais que tiveram “sabedoria e paciência e buscam a verdade” em vez de tentarem “se basear em rumores”.

Ontem, o ministro do Interior saudita, o príncipe Abdulaziz bin Saud bin Naif bin Abdul Aziz, negou categoricamente que a Arábia Saudita tenha ordenado o assassinato do jornalista.

Khashoggi, antigamente próximo à monarquia saudita, se distanciou no ano passado, quando o atual príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, ascendeu a posições de poder.

(Agência Brasil com Agência EFE)

ONU exige “a verdade” sobre desaparecimento de jornalista saudita

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, exigiu “a verdade” sobre o desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi, visto pela última vez no dia 2 ao entrar no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia.

Em entrevista à emissora britânica BBC, Guterres expressou o temor de que esse tipo de desaparecimento ocorra de maneira mais frequente e seja considerado como algo “normal”.

Khashoggi, forte crítico ao governo de Riad, desapareceu no último dia 2, mas a Arábia Saudita chamou de “mentirosas” e acusações “sem fundamento” as informações sobre o assassinato do jornalista no consulado saudita.

“Precisamos saber exatamente o que aconteceu e precisamos saber exatamente quem é o responsável”, disse Guterres à “BBC”, em Bali, por ocasião da reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“No momento em que essas situações se multiplicam, acredito que necessitamos encontrar uma maneira de que a responsabilidade por esses atos também seja exigida”, ressaltou o secretário.

Ele admitiu estar “preocupado” com o fato de que esse tipo de desaparecimento seja considerado “normal” e ressaltou que é “essencial” garantir que a comunidade internacional “diga claramente que isso não pode acontecer”.

Em sua opinião, uma vez esclarecido o que ocorreu, os governos deveriam responder de maneira “apropriada” sobre se participariam de uma conferência de investimento prevista para este mês em Riad.

O desaparecimento de Khashoggi, que escrevia para o jornal The Washington Post, gerou indignação contra o reino saudita.

A BBC afirma que uma fonte de segurança turca, cuja identidade não foi revelada, indicou que funcionários de seu país parecem ter material em áudio e vídeo que demonstra que Khashoggi foi assassinado nas instalações do consulado saudita.

(Agência Brasil com Agência EFE)