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Confraria de Leitura chega aos 21 anos nesta segunda-feira

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Crianças e jovens da periferia de Fortaleza trabalham a autoestima e o regionalismo nordestino, diante da literatura de cordel, da música, do teatro, da rádio-escola, de projetos publicitários, além da leitura de livros, jornais e revistas.

É o projeto Confraria de Leitura, no bairro Canidezinho, que nesta segunda-feira (10) chega aos 21 anos de atividade, por meio do trabalho voluntário do professor João Teles de Aguiar.

“Neste 10 de abril faz 21 anos que sonhamos com uma ideia. E a tiramos do papel. Dela surgiu o projeto Confraria de Leitura, que leva livros e sonhos para a periferia de Fortaleza, que cativa alunos e lhes dá a chance de imaginar a vida com paz e cultura. No projeto, os livros deixam de ser apenas livros. Viram magia. Viram algo muito maior. O Confraria de Leitura semeia amor, paz, autoestima e desejos… de um mundo melhor, de uma sociedade mais justa”, comentou o professor ao Blog.

Poeta Braúlio Bessa lançará em Fortaleza seu primeiro livro

Poeta, palestrante, declamador, o escritor Bráulio Bessa (31) lançará seu primeiro livro – “Poesia com Rapadura”, na próxima semana: no dia 10, no Espaço Manhattan; e dia 11, na Livraria Leitura, ambos no Shopping Rio Mar Fortaleza. Inspirado na poesia de Patativa do Assaré, Bráulio traz nesse primeiro livro pensamentos em forma de poesias que o tornaram reconhecido nacionalmente.

Com prefácio do conterrâneo poeta, escritor e historiador Nicodemos Napoleão e orelha da jornalista Fátima Bernardes, “Poesia com Rapadura” (Editora CENE, 152 págs, R$ 39,90), vai levar o leitor para um dos sentimentos mais preciosos do autor, a sua cumplicidade com a poesia nordestina, falando dos dramas dos dias atuais, como a violência e o preconceito, até temas caros ao cancioneiro sertanejo, como a fé e o amor.

O título do livro é o mesmo do quadro onde o poeta apresenta seus textos no programa matinal da TV Globo Encontro com Fátima Bernardes, atualmente um dos maiores sucessos de audiência da emissora, onde além de declamar cordéis e poesias, também participa de bate-papo com os convidados, artistas, personalidades, anônimos, sempre dando uma visão bem-humorada, artística e nordestina dos acontecimentos e temas.

(Foto – Divulgação)

XII Bienal Internacional do Livro do Ceará já está agendando visita das escolas

Frei Beto é um dos escritores confirmados no evento.

A XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, da Secretaria da Cultura do Estado, em parceria com o Instituto Dragão do Mar e o Ministério da Cultura, que acontece de 14 a 23 de abril próximo, no Centro de Eventos, está com inscrições abertas para agendamento de escolas públicas e privadas para visitas de estudantes. Os Interessados em participar devem acessar o site da Secult,www.secult.ce.gov.br, e clicar no link “Bienal do Livro – Agendamento de visitas”.

A Bienal Internacional do Livro é um dos principais momentos do calendário cultural do Ceará e do Brasil, com uma ampla programação, referência de qualidade quanto a livro, leitura, arte, cultura e pensamento, reunindo grandes escritores e outros artistas do Ceará, do Brasil e do exterior.

As inscrições seguirão abertas até 10 de abril ou até serem preenchidas todas as vagas. O período de visitação dos grupos de estudantes e professores à Bienal vai de 15 a 23 de abril, com dois horários pela manhã (das 9 às 10 horas) e quatro à tarde (13h, 14h, 15h e 16h). O período de permanência dos estudantes na Bienal será de duas horas. Cada grupo de 20 estudantes precisará estar acompanhado por um professor.

Bienal 2017: autores já confirmados

Entre os autores já confirmados para a Bienal Internacional do Livro do Ceará 2017 estão:

  • Adelaide Gonçalves – Pesquisa e ensaio
  • Ademir Assunção – Literatura – poesia e letra de canção / Jornalista
  • Affonso Romano de Sant’Anna – Literatura – ficção
  • Almir Mota – Literatura infantil
  • Ana Miranda – Literatura – ficção
  • André Neves – Literatura infantil – autor e ilustrados
  • Angela Escudeiro – Literatura infantil, contos / Bonequeira
  • Angela Gutierrez – Literatura – romance
  • Benita Prieto – Literatura infantil – autora e contadora de histórias
  • Bule Bule – Literatura – cordel, repente, letra de canção
  • Cristovão Tezza – Literatura – ficção
  • Daniel Galera – Literatura – ficção
  • Daniel Munduruku – Literatura – ficção
  • Dimas Macedo – Literatura – poesia, ensaio, crítica literária
  • Eliane Brum – Literatura – jornalismo
  • Eugênio Leandro – Literatura – romance, conto, letra de canção
  • Fernanda Meireles – Literatura – conto, fanzine, novos meios
  • Flavio Paiva – Literatura – poesia, conto, letra de canção, literatura infantil
  • Frei Betto – Literatura – ensaio
  • Gylmar Chaves – Literatura – poesia e romance
  • Gilmar de Carvalho – Literatura – ficção / Pesquisa – ensaio
  • Horácio Dídimo – Literatura – poesia e ficção / ensaio
  • Ignácio de Loyola Brandão – Literatura – ficção
  • Isabel Lustosa – Literatura – ficção e não ficção
  • Jefferson Assunção – Literatura – ensaio
  • Jorge Pieiro – Literatura – conto, crônica, ensaio
  • José Augusto Bezerra – Bibliófilo, presidente da Academia Cearense de Letras. / Literatura – ensaio
  • José Castilho Marques Neto – Filosofia – ensaio
  • Leonardo Sakamoto – Jornalismo / Literatura – contos
  • Luiz Antonio Simas – Pesquisa – biografia e ensaio
  • Luiz Ruffato – Literatura – ficção
  • Marcelino Freire – Literatura – poesia
  • Márcia Tiburi – Literatura e filosofia – ficção
  • Marina Colasanti – Literatura – ficção
  • Mary Del Priore – Literatura – historiografia – gênero
  • Natercia Pontes – Literatura – contos
  • Natercia Rocha – Literatura – contos e poesia
  • Nei Lopes – Literatura – contos e letra de canção / Pesquisa – ensaio
  • Oswald Barroso – Literatura – ficção, poesia, letra de canção / Pesquisa – ensaio
  • Paulo Lins – Literatura – romance
  • Pedro Salgueiro – Literatura – conto
  • Raymundo Netto – Literatura – conto, crônica, romance
  • Renato Janine Ribeiro – Literatura – filosofia e educação
  • Ricardo Aleixo – Literatura – poesia, letra de canção e dramaturgia
  • Ricardo Guilherme – Literatura – ficção/dramaturgia
  • Ricardo Kelmer – Literatura – conto, poesia, roteiro, letra de canção
  • Rosemberg Cariry – Literatura – poesia, ficção, dramaturgia, ensaio
  • Sérgio Rodrigues – Literatura – ficção
  • Socorro Acioli – Literatura – ficção
  • Tércia Montenegro – Literatura – ficção
  • Valter Hugo Mãe – Literatura – ficção.

(Foto – El País)

Artigo comemora 130 anos do livro que eternizou Sherlock Holmes

Com o título “Nem tão elementar assim, meu caro”, eis artigo que Mantovanni Colares, juiz estadual e professor universitário, manda para o Blog. Ele fala de Sherlock Holmes e da sua admiração por esse personagem que, mesmo sem existir, fez surgir um museu com sua história. Confira:

Há exatos 130 anos chegava às livrarias do Reino Unido o romance “A Study in Scarlet”; eu o traduziria como “Estudando em Escarlate”, para manter o jogo fonético do sibilar dos “ss” do início das duas palavras no inglês, mas preferiram o sem graça “Um Estudo em Vermelho”. Era um pequeno e despretensioso livro do desconhecido médico jovem escocês que, – soube-se mais tarde –, na falta de clientela em seu consultório, utilizava seu tempo livre a escrever coisas. Arthur Conan Doyle era seu nome, e talvez muitos não se dêem conta, só com essa indicação, do gigantismo da personagem por ele criada, ao ponto de levar alguns a crer que a ficção chegou, de fato, a existir.

Sherlock Holmes. Agora todos compreendem do que se trata. Desconheço uma personagem literária que, mesmo sem jamais ter existido, fez surgir um museu com sua “história” e objetos pessoais. Sim, objetos pessoais de um “ser” que nunca foi de fato alguém, pois ali estão a famosa lupa, o cachimbo tipo calabash e o chapéu de caçador (deerstalker cap), na figura imaginada por Sidney Paget, o artista que ilustrou algumas das histórias de Conan Doyle. O museu, em Londres, fica exatamente na Baker Street, 221B, endereço no qual a própria Scotland Yard, nos romances e contos sherlockianos, por vezes se socorria ante uma envergonhada incapacidade de dissolver mistérios.

Certamente um rapaz de vinte e seis anos, ao criar aquele que inicialmente ira ser chamado de Sherringford Holmes, mas logo batizado definitivamente como Sherlock – inspirado em seu velho e astuto professor Joe Bell –, jamais imaginou que um dia não somente se tornaria escritor de tempo integral (full-time writer), como prisioneiro da própria personagem, chegando mesmo a decretar a morte de sua criação, pois pretendia escrever outras histórias que não as daquele Detetive, e o fez em memorável cena de luta corporal de Holmes com James Moriarty, seu inimigo maior, nas convulsivamente perigosas Cataratas de Reichenbach, na Suiça. Entretanto, Doyle se viu forçado a trazê-lo de volta à vida e aos livros, diante de um pedido de “ressurreição” impossível de ser negado, eis que feito nada menos do que pela Rainha da Inglaterra.

O que explica o sucesso de Sherlock? Conan Doyle afirmou que estava cansado de ler romances policiais nos quais o autor escondia dados, e assim trapaceava com o leitor, ao revelar na última página o assassino, com elementos jamais fornecidos nas páginas anteriores. Assim, o Escritor se propôs a nada esconder quando da narrativa da história, de modo que todos poderiam chegar às mesmas conclusões firmadas por Holmes ao desvendar o mistério.

Certamente a esse detalhe não se resume o sucesso da obra. Penso que nossa admiração se sobrepõe à vergonha por nunca percebermos o óbvio. Todos nos sentimos como John Hamish Watson, o médico narrador das histórias, aparentemente desprovido de inteligência, e que servia de ponte para o brilho de Holmes. Watson, o único capaz de se aproximar do excêntrico Detetive Particular criador da chamada Ciência da Dedução (Science of Deduction), com suas marcas pessoais tidas por muito como detestáveis: arrogante, solitário, exímio tocador de violino, hábil boxeador, e que se entregava ao hábito de consumir cocaína – legalmente permitida à época – durante os angustiantes hiatos de tempo nos quais desgraçadamente não havia qualquer desafio a enfrentar, até que surgia um caso, e Holmes despertava para a vida, restando ao previsível John aguardar o fecho do mistério com o arremate humilhante, um “elementar meu caro Watson”, jocosa interjeição a mostrar quão simples eram os aparentemente intrincados enigmas.

Acontece que em nenhum dos quatro romances ou dos cinquenta e seis contos dedicados ao detetive número um do romance policial, consta a expressão “elementar, meu caro Watson”. Sherlock Holmes se dirigia ao amigo com um protocolar “meu caro doutor” (my dear doctor), ora em tom de ironia, ora com distância de pensamento, quando se encontrava mergulhado em enigmas submetidos à sua invariável mente elucidadora de mistérios.

Somos todos Watson, indefesos ante o talento de Holmes, e perplexos – porém inexplicavelmente encantados – com sua personalidade desprovida de qualquer interesse pelo humano, e sim por escaninhos dos quebra-cabeças decorrentes de assassinatos e crimes diversos.

Holmes é o protótipo da inteligência impossível de ser alcançada. Watson é o retrato de nossa elogiável sensibilidade com os dramas humanos, porém de uma inútil capacidade para se chegar ao fundo da mente criminosa e, por isso mesmo, desalentadora. No fim das contas, Holmes tem um tributo de humanismo bem mais relevante do que o pretendido por Watson, pois é Sherlock quem livra a sociedade de criminosos. Na arte, como na vida, nem tudo é tão elementar assim, meu caro.

*Mantovanni Colares,

Juiz de Direito, Professor Universitário e escritor, e se descobriu um apaixonado pela literatura aos 17 anos, ao ler Arthur Conan Doyle.

Ana Miranda vira tema de coletânea

Será lançado nesta quinta-feira, às 18h30min, no foyer do Theatro José de Alencar, o livro “Ana Miranda entre histórias e ficções: estudos críticos”.

Trata-se de uma coletânea que reúne 17 artigos sobre a produção literária da escritora cearense Ana Miranda. A obra reúne trabalhos de pesquisadores oriundos da UFC, Uece, UVA E Unilab.

A organização do trabalho é de Cyntia Kelly Barroso Oliveira e Fernanda Maria Diniz da Suilva. A publicação é da Universidade Federal do Ceará.

*Mais sobre Ana Miranda aqui.

Uma carta. Uma porta

Eis uma beleza de crônica da escritora Socorro Acioli. O título é de uma sensibilidade ímpar – “Uma carta. Uma porta”. Está no O POVO desta terça-feira, mas, também, neste Blog que admira essa menina que se fez mundo. Confira:

Professor Ronaldo, o senhor lembra a primeira e a única vez em que pedi alguns minutos para conversar na sua sala, em particular? Foi no ano 2000. A sua turma de quinto semestre do curso de Jornalismo da UFC estava trabalhando a todo vapor na preparação de mais uma revista Entrevista, a vermelha. Um dos entrevistados seria o frade dominicano Frei Betto, e era sobre ele que eu queria conversar.

Aos oito anos de idade, lancei um livro chamado O Pipoqueiro João. Escrevi como quem brinca. A transformação da ideia em livro aconteceu com a ajuda do Gabriel, nosso mais famoso livreiro, e do cineasta Rosemberg Cariry.

Nasceu um livro, e eu achava que uma escritora estava nascendo também, mas me disseram que não. Que eu deveria fazer outra coisa, ter uma profissão de verdade. Ser médica, advogada. Que ser escritor não é trabalho. Acreditei. E sepultei meus planos, mesmo sabendo que era aquilo que a vida me pedia.

O lançamento de O Pipoqueiro João aconteceu na escolinha da Nildes Alencar, irmã do Frei Tito de Alencar Lima. Ela mandou o livro para o amigo de seu irmão, o Frei Betto.

Eu não sabia quem era Frei Betto, mas ele respondeu dizendo que ficou muito preocupado com a vida do João. E que o desfecho feliz no final o deixou aliviado. Ele foi o único adulto que prestou atenção ao imenso perigo que o João correu no mundo das bruxas, por isso guardei sua carta. Mas também porque ele dizia que Deus me deu o dom de escrever, e eu precisava cuidar disso com “fome e sede de justiça”.

Obrigada, professor Ronaldo. Agora é sua vez de escrever seus livros, esses filhos de papel que espalhamos pelo mundo

– Eu não tenho o direito de impedir esse encontro.

Participei da entrevista, dei uma cópia da carta para o Frei Betto – que não lembrava dela, mas também ficou emocionado. Uma das coisas que ele mais falou foi sobre a ausência de trabalhos biográficos sobre Frei Tito. Uma semana depois, o Lira Neto convidou-me para escrever um dos títulos da coleção Terra Bárbara, e eu disse sim. Escrevi sobre Frei Tito. Lancei o livro em 2001 e nunca mais parei de publicar. Já são vinte e dois livros. E Frei Betto é hoje um pai para mim, padrinho de minha filha, ídolo e amigo.

Quando o senhor estiver lendo essa carta-crônica, eu estarei em Paris para o lançamento de meu livro Sainte Caboche, no Salão do Livro, na Sorbonne, e em outras cidades francesas. Tudo porque, no ano 2000, sua mão abriu uma porta, e eu tive muita força e coragem para passar por ela.

Sou apenas uma de tantas pessoas transformadas pelo seu amor à Narrativa. Obrigada, professor Ronaldo. Agora é sua vez de escrever seus livros, esses filhos de papel que espalhamos pelo mundo. Escreva, Ronaldo, cheio de fome e sede de justiça. A missão continua. Abra a porta.

  • Soicorro Acioly

Estátua de Rachel de Queiroz é alvo do vandalismo

A estátua de Rachel de Queiroz, fincada na Praça dos Leões, no Centro de Fortaleza, está novamente sem os óculos. A turma do vandalismo carregou e deixou a certeza de que o patrimônio da cidade continua ao léu.

É aquela história: a Prefeitura reforma praças, coloca equipamentos, mas, tudo fica sem segurança e sem monitoramento eletrônico.

(Foto – Paulo MOska)

Narrativas biográficas serão tema de workshop em Fortaleza

Um mergulho intensivo dentro do universo de textos biográficos – perfil, biografia, autobiografia, memória, narrativa de viagem, ensaio pessoal – em estilo de Jornalismo Literário. Essa é a proposta do workshop Narrativa Biográficas, que está com inscrições abertas em Fortaleza, para quem tem interesse em escrever histórias de vida – a própria ou de terceiros – ou memórias e histórias organizacionais centradas em pessoas.

O workshop avançado de JL centrado em narrativas biográficas será ministrado por Edvaldo Pereira Lima,  jornalista, professor e diretor do curso pioneiro de pós-graduação em Jornalismo Literário no país. Dentre os temas abordados na oficina estão: a arte e a tecnologia narrativa de contar histórias de pessoas, storytelling e sua matriz inspiradora para todas as formas de comunicação focadas em pessoas, a Jornada do Herói para escritores de vidas, o legado da rica tradição do Jornalismo Literário, dentre outros.

As aulas serão realizadas no auditório do HG Office, nos dias 22 e 23 de abril (no sábado das 9 às 18 horas e, no domingo, das 9 às 17 horas, com intervalo para almoço). A carga horária será de 15 horas. As vagas são limitadas (40).

SERVIÇO

*Interessados em participar devem fazer sua inscrições no link: http://edvaldopereiralima.com.br/Fortaleza/

(Foto – Divulgação)

STF concede isenção para livros eletrônicos

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (8) isentar livros eletrônicos, os chamados e-books, do pagamento de impostos. Por unanimidade, os ministros decidiram estender o benefício que já é concedido a livros e jornais impressos. De acordo com a Constituição, é vedado aos estados e à União instituir impostos sobre livros, jornais, periódicos e papel de impressão.

A decisão da Corte também abrange os leitores de livros eletrônicos, os e-readers. Os ministros julgaram um recurso do governo do Rio de Janeiro contra decisão da Justiça do estado, que estendeu a imunidade a uma enciclopédia jurídica armazenada em um CD digital.

A decisão do STF põe fim a inúmeras decisões judiciais divergentes sobre a validade da imunidade a livros eletrônicos. O entendimento dos ministros deverá ser aplicada a mais de 50 ações que aguardavam o posicionamento da Corte sobre o assunto.

(Agência Brasil)

Escritora cearense é finalista no The Los Angeles Times Book Prizes

A escritora cearense Socorro Acioli foi indicada ao The Los Angeles Times Book Prizes, uma das premiações literárias mais nobres dos Estados Unidos. Ela concorre na categoria Young Adult Literature com o livro The Head of the Saint, versão em inglês de A Cabeça do Santo. A tradução é de Daniel Hahn. Os finalistas da premiação foram anunciados nesta quarta-feira e os vencedores serão conhecidos no dia 21 de abril.

O The Los Angeles Times Book Prizes concede prêmios em onze categorias desde 1980. Concorrem com Socorro os autores Julie Berry com The Passion of Dolssa; Frances Hardinge com The Lie Tree; John Lewis, Andrew Aydin e Nate Powell com March: Book Three; e Meg Medina com Burn, Baby, Burn.

A Cabeça do Santo é um dos livros mais importantes da carreira de Socorro e foi publicado no Brasil em 2014 pela Cia. das Letras. Além de ser finalista do LA Times Book Prizes, a tradução do livro foi escolhida como um dos 50 melhores livros de 2016 pela Biblioteca Pública de Nova York, e um dos 40 melhores pelo United States Board on Books for Young People (USBBY), além de constar na lista dos melhores livros de 2016 do Center for the Study of Multicultural Children’s Literature.

“É uma felicidade estar como finalista de um prêmio que é um dos mais importantes dos Estados Unidos, um prêmio que tanta gente que eu admiro já ganhou – como a J.K Rowling e o John Green”, afirma Socorro. Ela lembra da importância de ter um livro “genuinamente brasileiro, com um texto brasileiro e com uma temática brasileira” concorrendo de igual para igual com as publicações do mercado americano.

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Veja a lista completa de finalistas

“Não é uma vitória só minha. É uma vitória dos meus editores do Brasil, da minha agente literária, do tradutor, da editora inglesa (Hot Key) que foi a primeira a acreditar do potencial do livro para o público estrangeiro”, explica. A editora americana Dellacorte Press comprou os direitos de publicação da Hot Key. Em março, durante o Salão do Livro de Paris, Socorro Acioli vai lançar Sainte Caboche, a versão francesa do A Cabeça do Santo.

A narrativa de A Cabeça do Santo é inspirada em uma situação real. No município de Caridade, a 96 quilômetros de Fortaleza, há uma estátua de Santo Antônio, padroeiro da cidade, que foi construída no alto de um morro, mas a cabeça, por erro de cálculo, permanece no chão até hoje. Socorro folheava as páginas do O POVO quando a notícia chamou atenção e inspirou a escrita do romance.

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Serviço
A cabeça do santo
Companhia das Letras
Autora: Socorro Acioli
Quanto: R$ 37,90

 

  • Do Blog Leituras da Bel aqui.

Ubiratan Aguiar assume a presidência da Academia Cearense de Letras

O ex-presidente do Tribunal de Contas da União e advogado Ubiratan Aguiar tomará como presidente da Academia Cearense de Letras. A cerimônia ocorrerá às 19 horas desta quinta-feira, no Palácio da Luz (Centro)

Ele entra no lugar de José Augusto Bezerra e promete interiorizar as ações da ACL, bem como interagir com demais academias de letras existentes no Estado.

(Foto – Paulo MOska)

Iracema vai desfilar na Beia Flor

Com o título “Iracema na Beija Flor”, eis artigo de José Borzacchiello, geógrafo e professor emérito da UFC. Ele aborda, a partir de uma metáfora, a situação de tantas brasileiras que, apesara das injustiças, estão conseguido seu espaço. Confira:

Iracema não resistiu e caiu no samba. Atravessando os 800 metros de pista do sambódromo, puxando o enredo “A virgem dos lábios de mel – Iracema”, a linda virgem de Tupã brilhará no carnaval carioca de 2017. Mas nem tudo é samba na vida das múltiplas Iracemas pelo Brasil afora. Corajosas e intrépidas, as mulheres enfrentam as agruras do cotidiano com força incomum. Decepcionadas ou abandonadas por seus companheiros, vão à luta e assumem seus lares dando conta de tudo sozinhas. No Brasil são mais de 40% de lares em que as mulheres são chefes de família, com jornadas duras, intermináveis.

Cuidar da família, manter a casa, dar conta da cozinha, da roupa lavada, de encaminhar as crianças para as creches ou escolas, correr aos postos de saúde e trabalhar em atividade geradora de renda. Essa Iracema é heroica, estoica. A atividade profissional muitas vezes é feita em casa, preparando alimentos para fora, costurando, bordando, qualquer coisa exige dela uma atenção redobrada. Se falhar ou errar no que faz, corre o risco de perder a oportunidade de continuar trabalhando. Num corre-corre interminável, dá um passa-fora numa criança, repreende outro, atende vizinhas que sempre dão uma mãozinha na hora dos apuros.

Essas mulheres são impulsionadas por uma força de vontade, uma capacidade de fazer e alimentam, além de tudo, o germe da vida gregária, associativa. Independente do Facebook ou do WhatsApp, conseguem, pela informação boca a boca, palmilhar o “caminho das pedras” para reclamarem direitos, descobrir onde comprar com preços mais competitivos, bem como saber de festas e comemorações. Na hora do sofrimento, ao contrário de Iracema, não se entregam ao desânimo. Podem ficar abaladas nos maus momentos, mas logo, param, buscam diferentes formas de solução e vão em frente.

Não é sina nem predestinação, entretanto, paixão e sedução continuam atraindo mulheres que se entregam aos diferentes Martins na ânsia de replicarem cenas dos folhetins que invadem as telas das tevês. Sonham, vivem aqueles momentos e, a cada dia, aumenta o número de lares desfeitos pelo abandono do cônjuge. Sofrem, sofrem muito. No meio da curtição da dor, caem na real, levantam, “sacodem a poeira” e partem pra outra. Só que agora é diferente. Ela dá às ordens. comanda, é chefe de família, dona de seu destino e faz isso com força, vontade e convicção.

Iracema vai cair no samba na Beija-Flor. A bela e sedutora tabajara merece a homenagem. Destaco as Iracemas contemporâneas, mulheres de fibra, afoitas e conscientes da necessidade de se instituírem como sujeito, como seres sociais concretos com enorme capacidade de fazer acontecer. O samba passa pela avenida, Iracema fica mostrando sua independência, seu destemor, sua energia transformadora, geradora de um ser que chegou e veio para ficar. Do livro Iracema, de José de Alencar, publicado em 1865, de onde surge a bela índia cearense como protagonista, à mulher guerreira de nossos dias sai do imaginário poético e ocupa o cotidiano concreto da realidade brasileira, machista, injusta e desigual.

José Borzacchiello da Silva

borzajose@gmail.com

Geógrafo e professor emérito da UFC