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Bienal do Livro do Ceará homenageia mestres da cultura popular

Cordelistas, repentistas e outros mestres da cultura saíram em cortejo pelos estandes da 12ª Bienal Internacional do Livro do Ceará, no Centro de Eventos, em Fortaleza, apresentando carisma e sagacidade em versos. O pandeiro, o chocalho, o tambor, a viola caipira e a rabeca davam pano de fundo para a apresentação deles, que atraia pessoas ao longo do percurso.

“Cada pessoa é um livro/Merece reflexão/O mundo, a biblioteca/Com enorme dimensão/É oportuna essa frase/Porque serve como base/E tema desta edição”, canta o cordel escrito pelo violeiro e poeta cearense Geraldo Amâncio especialmente para o evento. A publicação foi distribuída entre os visitantes da feira.

O escritor Lira Neto, contou que, quando foi chamado para fazer a curadoria do evento, pensou em valorizar, na programação, “os acervos vivos, o saber coletivo”. “Nesta bienal, nós estamos colocando a dita cultura dos livros em pé de igualdade com as oralidades, com a cultura popular”, destacou.

Esta edição da Bienal reúne expositores de todo o Brasil e deve atrair cerca de 50 mil pessoas por dia. A programação se estende até o dia 23 de abril.

(Agência Brasil)

Tudo pronto para a XII Bienal Internacional do Livro do Ceará

A XII Bienal Internacional do Livro do Ceará será aberta, às 18h30min desta sexta-feira, no Auditório Mestres e Mestras da Cultura do Ceará, no Centro de Eventos. O ato será marcado com cortejo de artistas e homenagem ao mestre Bule Bule, ao poeta e repentista Geraldo Amâncio e ao poeta popular Leandro Gomes de Barros (in memoriam), além do espetáculo de dança “Religare”, da Edisca.

A  Bienal é uma realização da Secretaria da Cultura do Estado, em parceria com o Instituto Dragão do Mar, e apresentada pelo Ministério da Cultura e pelo Bradesco.

A programação vai até o domingo no Centro de Eventos e em múltiplos espaços de Fortaleza, com entrada franca em todas as atividades – inclusive na solenidade de abertura. Serão 10 dias de programação, 125 horas de atividades, com mais de 160 escritores, 300 convidados, 350 editoras e 110 estandes.

As pessoas, os livros e a Bienal

Com o título “As pessoas, os livros e a Bienal”, eis artigo do secretário da Cultura do Ceará, Fabiano Piúba dos Santos, que está no O POVO . Ele destaca a abertura, nesta noite de sexta-feira, no Centro de Eventos, da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará. Confira: 

Cada pessoa um livro; o mundo a biblioteca”. Somos seres compostos de histórias, imaginação, sentimentos, pensamentos, saberes. Cada um de nós é um livro. Juntos compomos uma biblioteca viva, um acervo humano. Tal qual um mote de cordel, apresentamos a XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, de 14 a 23 de abril no Centro de Eventos. Com esse tema na cabeça de Mileide Flores, convidamos Lira Neto, Cleudene Aragão e Kelsen Bravos como curadores, preparando, com os coordenadores de espaços, uma bela e vasta programação.

Os ambientes da Bienal foram pensados para que todas as pessoas possam se encontrar com o universo cultural e educativo do livro e da leitura. São como travessias intergeracionais possíveis entre escritores e leitores nas vindas das crianças com seus pais, professores e avós para programação infantil; dos adolescentes para uma interação criativa no espaço Juventude Fantástica; dos leitores adultos que terão a oportunidade de debater as obras de romancistas, poetas, contistas, cientistas e acadêmicos; dos educadores no Salão do Professor; dos poetas e cantadores na Praça do Cordel; dos Mestres e Mestras da Cultura do Ceará que compartilharão suas artes e ofícios em rodas de saberes; além dos encontros realizados para bibliotecários, agentes de leitura, editores de periódicos literários, ilustradores e gestores de políticas de livro e leitura.

O Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, trabalhou com afinco para oferecer aos cearenses e visitantes uma Bienal voltada para as pessoas. Serão dez dias lindos e envolventes para democratização do acesso ao livro, promoção da leitura e formação de leitores, valorização dos escritores e escritoras e fomento da economia do livro no Brasil. Nossa Bienal é um ambiente de políticas públicas de livro, leitura, literatura e bibliotecas em suas dimensões culturais, educativas, sociais e econômicas.

O acesso é gratuito em todas as atividades. Serão 160 escritores, 300 convidados, 350 editoras, 80 mil títulos expostos, 110 estandes, gerando em torno de 2 mil empregos diretos e indiretos com uma movimentação financeira estimada em R$ 6 milhões, em 13.500m² do Centro de Eventos, que espera que todos nós ocupemos com nossas experiências leitoras e histórias de vidas a XII Bienal Internacional do Livro do Ceará.

*Fabiano Piúba dos Santos,

Secretário da Cultura do Ceará.

XII Bienal Internacional do Livro do Ceará abrirá vez para funcionários do BNB

O Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza terá estande na XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, que será aberta oficialmente às 19 horas desta sexta-feira e se estenderá até o dia 23 deste mês, no Centro de Eventos. Já o espaço do CCBNB receberá, sempre às 19 horas, sete escritores, todos funcionários do Banco do Nordeste ativos ou aposentados, para o programa “Bate-papo com o autor”.

Os escritores serão entrevistados pelo professor de literatura Thalles Azigon e falarão sobre suas obras, carreiras literárias, e processos de criação. Os autores convidados são Jansen Viana, Jeane Ramos, Jorge Pieiro, Nilton Melo Almeida, Mário Nogueira, Simone Pessoa e Thiago de Góes.

O CCBNB-Fortaleza prepara série de outras atividades, como exibição de vídeos, contação de histórias, leitura dramática, cordel e embolada, recital de poesias e exposição de caricaturistas. Diariamente, o estande do Centro Cultural Banco do Nordeste também apresentará três vídeos com programas especiais desenvolvidos no equipamento ou patrocinados.

Durante toda a Bienal, 168 escritores participarão da programação, além de 350 editoras em 110 estandes..

Confira a programação do “Bate-papo com o autor”:

15/04 – Jeane Ramos (Autora de Beija-flor)
17/04 – Mário Nogueira (Autor de Galope Noturno)
18/04 – Jansen Viana (Autor de Cortabunda: o maníaco do Zé Walter)
19/04 – Simone Pessoa (Autora de O Pequeno Hércules e Outras Fábulas Contemporâneas
20/04 – Thiago de Góes (Autor de Cavalo Negro e outras histórias fabulosas)
21/04 – Nilton Melo Almeida (Autor de Judeus no Ceará – Séculos XIX e XX)
22/04 – Jorge Pieiro (Autor de A Menina do Picolé Azul)

Ana Karla Dubiela lança livro no Rio e ganha mimos de Affonso Romano de Sant’Anna

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Ana Karla e Affonso Romano de Sant’Anna, que a recebeu em sua casa, no Rio.

A jornalista e escritora cearense Ana Karla Dubiela lançou, nesta semana, no Rio de Janeiro, seu mais recente livro: “As Cidades de Rubem Braga e W. Benjamin – Flanando entre Rio, Cachoeira e Paris”.

Foi na Livraria Travessa, onde reuniu muitos admiradores e amigos escritores como o poeta e cronista Affonso Romano de Sant’Anna.

Agora é lançar o livro na XII Bienal Internacional do Livro do Ceará dia 19 próximo, a partir das 19 horas, no Centro de Eventos.

(Foto – Divulgação)

Confraria de Leitura chega aos 21 anos nesta segunda-feira

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Crianças e jovens da periferia de Fortaleza trabalham a autoestima e o regionalismo nordestino, diante da literatura de cordel, da música, do teatro, da rádio-escola, de projetos publicitários, além da leitura de livros, jornais e revistas.

É o projeto Confraria de Leitura, no bairro Canidezinho, que nesta segunda-feira (10) chega aos 21 anos de atividade, por meio do trabalho voluntário do professor João Teles de Aguiar.

“Neste 10 de abril faz 21 anos que sonhamos com uma ideia. E a tiramos do papel. Dela surgiu o projeto Confraria de Leitura, que leva livros e sonhos para a periferia de Fortaleza, que cativa alunos e lhes dá a chance de imaginar a vida com paz e cultura. No projeto, os livros deixam de ser apenas livros. Viram magia. Viram algo muito maior. O Confraria de Leitura semeia amor, paz, autoestima e desejos… de um mundo melhor, de uma sociedade mais justa”, comentou o professor ao Blog.

Poeta Braúlio Bessa lançará em Fortaleza seu primeiro livro

Poeta, palestrante, declamador, o escritor Bráulio Bessa (31) lançará seu primeiro livro – “Poesia com Rapadura”, na próxima semana: no dia 10, no Espaço Manhattan; e dia 11, na Livraria Leitura, ambos no Shopping Rio Mar Fortaleza. Inspirado na poesia de Patativa do Assaré, Bráulio traz nesse primeiro livro pensamentos em forma de poesias que o tornaram reconhecido nacionalmente.

Com prefácio do conterrâneo poeta, escritor e historiador Nicodemos Napoleão e orelha da jornalista Fátima Bernardes, “Poesia com Rapadura” (Editora CENE, 152 págs, R$ 39,90), vai levar o leitor para um dos sentimentos mais preciosos do autor, a sua cumplicidade com a poesia nordestina, falando dos dramas dos dias atuais, como a violência e o preconceito, até temas caros ao cancioneiro sertanejo, como a fé e o amor.

O título do livro é o mesmo do quadro onde o poeta apresenta seus textos no programa matinal da TV Globo Encontro com Fátima Bernardes, atualmente um dos maiores sucessos de audiência da emissora, onde além de declamar cordéis e poesias, também participa de bate-papo com os convidados, artistas, personalidades, anônimos, sempre dando uma visão bem-humorada, artística e nordestina dos acontecimentos e temas.

(Foto – Divulgação)

XII Bienal Internacional do Livro do Ceará já está agendando visita das escolas

Frei Beto é um dos escritores confirmados no evento.

A XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, da Secretaria da Cultura do Estado, em parceria com o Instituto Dragão do Mar e o Ministério da Cultura, que acontece de 14 a 23 de abril próximo, no Centro de Eventos, está com inscrições abertas para agendamento de escolas públicas e privadas para visitas de estudantes. Os Interessados em participar devem acessar o site da Secult,www.secult.ce.gov.br, e clicar no link “Bienal do Livro – Agendamento de visitas”.

A Bienal Internacional do Livro é um dos principais momentos do calendário cultural do Ceará e do Brasil, com uma ampla programação, referência de qualidade quanto a livro, leitura, arte, cultura e pensamento, reunindo grandes escritores e outros artistas do Ceará, do Brasil e do exterior.

As inscrições seguirão abertas até 10 de abril ou até serem preenchidas todas as vagas. O período de visitação dos grupos de estudantes e professores à Bienal vai de 15 a 23 de abril, com dois horários pela manhã (das 9 às 10 horas) e quatro à tarde (13h, 14h, 15h e 16h). O período de permanência dos estudantes na Bienal será de duas horas. Cada grupo de 20 estudantes precisará estar acompanhado por um professor.

Bienal 2017: autores já confirmados

Entre os autores já confirmados para a Bienal Internacional do Livro do Ceará 2017 estão:

  • Adelaide Gonçalves – Pesquisa e ensaio
  • Ademir Assunção – Literatura – poesia e letra de canção / Jornalista
  • Affonso Romano de Sant’Anna – Literatura – ficção
  • Almir Mota – Literatura infantil
  • Ana Miranda – Literatura – ficção
  • André Neves – Literatura infantil – autor e ilustrados
  • Angela Escudeiro – Literatura infantil, contos / Bonequeira
  • Angela Gutierrez – Literatura – romance
  • Benita Prieto – Literatura infantil – autora e contadora de histórias
  • Bule Bule – Literatura – cordel, repente, letra de canção
  • Cristovão Tezza – Literatura – ficção
  • Daniel Galera – Literatura – ficção
  • Daniel Munduruku – Literatura – ficção
  • Dimas Macedo – Literatura – poesia, ensaio, crítica literária
  • Eliane Brum – Literatura – jornalismo
  • Eugênio Leandro – Literatura – romance, conto, letra de canção
  • Fernanda Meireles – Literatura – conto, fanzine, novos meios
  • Flavio Paiva – Literatura – poesia, conto, letra de canção, literatura infantil
  • Frei Betto – Literatura – ensaio
  • Gylmar Chaves – Literatura – poesia e romance
  • Gilmar de Carvalho – Literatura – ficção / Pesquisa – ensaio
  • Horácio Dídimo – Literatura – poesia e ficção / ensaio
  • Ignácio de Loyola Brandão – Literatura – ficção
  • Isabel Lustosa – Literatura – ficção e não ficção
  • Jefferson Assunção – Literatura – ensaio
  • Jorge Pieiro – Literatura – conto, crônica, ensaio
  • José Augusto Bezerra – Bibliófilo, presidente da Academia Cearense de Letras. / Literatura – ensaio
  • José Castilho Marques Neto – Filosofia – ensaio
  • Leonardo Sakamoto – Jornalismo / Literatura – contos
  • Luiz Antonio Simas – Pesquisa – biografia e ensaio
  • Luiz Ruffato – Literatura – ficção
  • Marcelino Freire – Literatura – poesia
  • Márcia Tiburi – Literatura e filosofia – ficção
  • Marina Colasanti – Literatura – ficção
  • Mary Del Priore – Literatura – historiografia – gênero
  • Natercia Pontes – Literatura – contos
  • Natercia Rocha – Literatura – contos e poesia
  • Nei Lopes – Literatura – contos e letra de canção / Pesquisa – ensaio
  • Oswald Barroso – Literatura – ficção, poesia, letra de canção / Pesquisa – ensaio
  • Paulo Lins – Literatura – romance
  • Pedro Salgueiro – Literatura – conto
  • Raymundo Netto – Literatura – conto, crônica, romance
  • Renato Janine Ribeiro – Literatura – filosofia e educação
  • Ricardo Aleixo – Literatura – poesia, letra de canção e dramaturgia
  • Ricardo Guilherme – Literatura – ficção/dramaturgia
  • Ricardo Kelmer – Literatura – conto, poesia, roteiro, letra de canção
  • Rosemberg Cariry – Literatura – poesia, ficção, dramaturgia, ensaio
  • Sérgio Rodrigues – Literatura – ficção
  • Socorro Acioli – Literatura – ficção
  • Tércia Montenegro – Literatura – ficção
  • Valter Hugo Mãe – Literatura – ficção.

(Foto – El País)

Artigo comemora 130 anos do livro que eternizou Sherlock Holmes

Com o título “Nem tão elementar assim, meu caro”, eis artigo que Mantovanni Colares, juiz estadual e professor universitário, manda para o Blog. Ele fala de Sherlock Holmes e da sua admiração por esse personagem que, mesmo sem existir, fez surgir um museu com sua história. Confira:

Há exatos 130 anos chegava às livrarias do Reino Unido o romance “A Study in Scarlet”; eu o traduziria como “Estudando em Escarlate”, para manter o jogo fonético do sibilar dos “ss” do início das duas palavras no inglês, mas preferiram o sem graça “Um Estudo em Vermelho”. Era um pequeno e despretensioso livro do desconhecido médico jovem escocês que, – soube-se mais tarde –, na falta de clientela em seu consultório, utilizava seu tempo livre a escrever coisas. Arthur Conan Doyle era seu nome, e talvez muitos não se dêem conta, só com essa indicação, do gigantismo da personagem por ele criada, ao ponto de levar alguns a crer que a ficção chegou, de fato, a existir.

Sherlock Holmes. Agora todos compreendem do que se trata. Desconheço uma personagem literária que, mesmo sem jamais ter existido, fez surgir um museu com sua “história” e objetos pessoais. Sim, objetos pessoais de um “ser” que nunca foi de fato alguém, pois ali estão a famosa lupa, o cachimbo tipo calabash e o chapéu de caçador (deerstalker cap), na figura imaginada por Sidney Paget, o artista que ilustrou algumas das histórias de Conan Doyle. O museu, em Londres, fica exatamente na Baker Street, 221B, endereço no qual a própria Scotland Yard, nos romances e contos sherlockianos, por vezes se socorria ante uma envergonhada incapacidade de dissolver mistérios.

Certamente um rapaz de vinte e seis anos, ao criar aquele que inicialmente ira ser chamado de Sherringford Holmes, mas logo batizado definitivamente como Sherlock – inspirado em seu velho e astuto professor Joe Bell –, jamais imaginou que um dia não somente se tornaria escritor de tempo integral (full-time writer), como prisioneiro da própria personagem, chegando mesmo a decretar a morte de sua criação, pois pretendia escrever outras histórias que não as daquele Detetive, e o fez em memorável cena de luta corporal de Holmes com James Moriarty, seu inimigo maior, nas convulsivamente perigosas Cataratas de Reichenbach, na Suiça. Entretanto, Doyle se viu forçado a trazê-lo de volta à vida e aos livros, diante de um pedido de “ressurreição” impossível de ser negado, eis que feito nada menos do que pela Rainha da Inglaterra.

O que explica o sucesso de Sherlock? Conan Doyle afirmou que estava cansado de ler romances policiais nos quais o autor escondia dados, e assim trapaceava com o leitor, ao revelar na última página o assassino, com elementos jamais fornecidos nas páginas anteriores. Assim, o Escritor se propôs a nada esconder quando da narrativa da história, de modo que todos poderiam chegar às mesmas conclusões firmadas por Holmes ao desvendar o mistério.

Certamente a esse detalhe não se resume o sucesso da obra. Penso que nossa admiração se sobrepõe à vergonha por nunca percebermos o óbvio. Todos nos sentimos como John Hamish Watson, o médico narrador das histórias, aparentemente desprovido de inteligência, e que servia de ponte para o brilho de Holmes. Watson, o único capaz de se aproximar do excêntrico Detetive Particular criador da chamada Ciência da Dedução (Science of Deduction), com suas marcas pessoais tidas por muito como detestáveis: arrogante, solitário, exímio tocador de violino, hábil boxeador, e que se entregava ao hábito de consumir cocaína – legalmente permitida à época – durante os angustiantes hiatos de tempo nos quais desgraçadamente não havia qualquer desafio a enfrentar, até que surgia um caso, e Holmes despertava para a vida, restando ao previsível John aguardar o fecho do mistério com o arremate humilhante, um “elementar meu caro Watson”, jocosa interjeição a mostrar quão simples eram os aparentemente intrincados enigmas.

Acontece que em nenhum dos quatro romances ou dos cinquenta e seis contos dedicados ao detetive número um do romance policial, consta a expressão “elementar, meu caro Watson”. Sherlock Holmes se dirigia ao amigo com um protocolar “meu caro doutor” (my dear doctor), ora em tom de ironia, ora com distância de pensamento, quando se encontrava mergulhado em enigmas submetidos à sua invariável mente elucidadora de mistérios.

Somos todos Watson, indefesos ante o talento de Holmes, e perplexos – porém inexplicavelmente encantados – com sua personalidade desprovida de qualquer interesse pelo humano, e sim por escaninhos dos quebra-cabeças decorrentes de assassinatos e crimes diversos.

Holmes é o protótipo da inteligência impossível de ser alcançada. Watson é o retrato de nossa elogiável sensibilidade com os dramas humanos, porém de uma inútil capacidade para se chegar ao fundo da mente criminosa e, por isso mesmo, desalentadora. No fim das contas, Holmes tem um tributo de humanismo bem mais relevante do que o pretendido por Watson, pois é Sherlock quem livra a sociedade de criminosos. Na arte, como na vida, nem tudo é tão elementar assim, meu caro.

*Mantovanni Colares,

Juiz de Direito, Professor Universitário e escritor, e se descobriu um apaixonado pela literatura aos 17 anos, ao ler Arthur Conan Doyle.

Ana Miranda vira tema de coletânea

Será lançado nesta quinta-feira, às 18h30min, no foyer do Theatro José de Alencar, o livro “Ana Miranda entre histórias e ficções: estudos críticos”.

Trata-se de uma coletânea que reúne 17 artigos sobre a produção literária da escritora cearense Ana Miranda. A obra reúne trabalhos de pesquisadores oriundos da UFC, Uece, UVA E Unilab.

A organização do trabalho é de Cyntia Kelly Barroso Oliveira e Fernanda Maria Diniz da Suilva. A publicação é da Universidade Federal do Ceará.

*Mais sobre Ana Miranda aqui.

Uma carta. Uma porta

Eis uma beleza de crônica da escritora Socorro Acioli. O título é de uma sensibilidade ímpar – “Uma carta. Uma porta”. Está no O POVO desta terça-feira, mas, também, neste Blog que admira essa menina que se fez mundo. Confira:

Professor Ronaldo, o senhor lembra a primeira e a única vez em que pedi alguns minutos para conversar na sua sala, em particular? Foi no ano 2000. A sua turma de quinto semestre do curso de Jornalismo da UFC estava trabalhando a todo vapor na preparação de mais uma revista Entrevista, a vermelha. Um dos entrevistados seria o frade dominicano Frei Betto, e era sobre ele que eu queria conversar.

Aos oito anos de idade, lancei um livro chamado O Pipoqueiro João. Escrevi como quem brinca. A transformação da ideia em livro aconteceu com a ajuda do Gabriel, nosso mais famoso livreiro, e do cineasta Rosemberg Cariry.

Nasceu um livro, e eu achava que uma escritora estava nascendo também, mas me disseram que não. Que eu deveria fazer outra coisa, ter uma profissão de verdade. Ser médica, advogada. Que ser escritor não é trabalho. Acreditei. E sepultei meus planos, mesmo sabendo que era aquilo que a vida me pedia.

O lançamento de O Pipoqueiro João aconteceu na escolinha da Nildes Alencar, irmã do Frei Tito de Alencar Lima. Ela mandou o livro para o amigo de seu irmão, o Frei Betto.

Eu não sabia quem era Frei Betto, mas ele respondeu dizendo que ficou muito preocupado com a vida do João. E que o desfecho feliz no final o deixou aliviado. Ele foi o único adulto que prestou atenção ao imenso perigo que o João correu no mundo das bruxas, por isso guardei sua carta. Mas também porque ele dizia que Deus me deu o dom de escrever, e eu precisava cuidar disso com “fome e sede de justiça”.

Obrigada, professor Ronaldo. Agora é sua vez de escrever seus livros, esses filhos de papel que espalhamos pelo mundo

– Eu não tenho o direito de impedir esse encontro.

Participei da entrevista, dei uma cópia da carta para o Frei Betto – que não lembrava dela, mas também ficou emocionado. Uma das coisas que ele mais falou foi sobre a ausência de trabalhos biográficos sobre Frei Tito. Uma semana depois, o Lira Neto convidou-me para escrever um dos títulos da coleção Terra Bárbara, e eu disse sim. Escrevi sobre Frei Tito. Lancei o livro em 2001 e nunca mais parei de publicar. Já são vinte e dois livros. E Frei Betto é hoje um pai para mim, padrinho de minha filha, ídolo e amigo.

Quando o senhor estiver lendo essa carta-crônica, eu estarei em Paris para o lançamento de meu livro Sainte Caboche, no Salão do Livro, na Sorbonne, e em outras cidades francesas. Tudo porque, no ano 2000, sua mão abriu uma porta, e eu tive muita força e coragem para passar por ela.

Sou apenas uma de tantas pessoas transformadas pelo seu amor à Narrativa. Obrigada, professor Ronaldo. Agora é sua vez de escrever seus livros, esses filhos de papel que espalhamos pelo mundo. Escreva, Ronaldo, cheio de fome e sede de justiça. A missão continua. Abra a porta.

  • Soicorro Acioly

Estátua de Rachel de Queiroz é alvo do vandalismo

A estátua de Rachel de Queiroz, fincada na Praça dos Leões, no Centro de Fortaleza, está novamente sem os óculos. A turma do vandalismo carregou e deixou a certeza de que o patrimônio da cidade continua ao léu.

É aquela história: a Prefeitura reforma praças, coloca equipamentos, mas, tudo fica sem segurança e sem monitoramento eletrônico.

(Foto – Paulo MOska)

Narrativas biográficas serão tema de workshop em Fortaleza

Um mergulho intensivo dentro do universo de textos biográficos – perfil, biografia, autobiografia, memória, narrativa de viagem, ensaio pessoal – em estilo de Jornalismo Literário. Essa é a proposta do workshop Narrativa Biográficas, que está com inscrições abertas em Fortaleza, para quem tem interesse em escrever histórias de vida – a própria ou de terceiros – ou memórias e histórias organizacionais centradas em pessoas.

O workshop avançado de JL centrado em narrativas biográficas será ministrado por Edvaldo Pereira Lima,  jornalista, professor e diretor do curso pioneiro de pós-graduação em Jornalismo Literário no país. Dentre os temas abordados na oficina estão: a arte e a tecnologia narrativa de contar histórias de pessoas, storytelling e sua matriz inspiradora para todas as formas de comunicação focadas em pessoas, a Jornada do Herói para escritores de vidas, o legado da rica tradição do Jornalismo Literário, dentre outros.

As aulas serão realizadas no auditório do HG Office, nos dias 22 e 23 de abril (no sábado das 9 às 18 horas e, no domingo, das 9 às 17 horas, com intervalo para almoço). A carga horária será de 15 horas. As vagas são limitadas (40).

SERVIÇO

*Interessados em participar devem fazer sua inscrições no link: http://edvaldopereiralima.com.br/Fortaleza/

(Foto – Divulgação)

STF concede isenção para livros eletrônicos

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (8) isentar livros eletrônicos, os chamados e-books, do pagamento de impostos. Por unanimidade, os ministros decidiram estender o benefício que já é concedido a livros e jornais impressos. De acordo com a Constituição, é vedado aos estados e à União instituir impostos sobre livros, jornais, periódicos e papel de impressão.

A decisão da Corte também abrange os leitores de livros eletrônicos, os e-readers. Os ministros julgaram um recurso do governo do Rio de Janeiro contra decisão da Justiça do estado, que estendeu a imunidade a uma enciclopédia jurídica armazenada em um CD digital.

A decisão do STF põe fim a inúmeras decisões judiciais divergentes sobre a validade da imunidade a livros eletrônicos. O entendimento dos ministros deverá ser aplicada a mais de 50 ações que aguardavam o posicionamento da Corte sobre o assunto.

(Agência Brasil)