Blog do Eliomar

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Uma carta. Uma porta

Eis uma beleza de crônica da escritora Socorro Acioli. O título é de uma sensibilidade ímpar – “Uma carta. Uma porta”. Está no O POVO desta terça-feira, mas, também, neste Blog que admira essa menina que se fez mundo. Confira:

Professor Ronaldo, o senhor lembra a primeira e a única vez em que pedi alguns minutos para conversar na sua sala, em particular? Foi no ano 2000. A sua turma de quinto semestre do curso de Jornalismo da UFC estava trabalhando a todo vapor na preparação de mais uma revista Entrevista, a vermelha. Um dos entrevistados seria o frade dominicano Frei Betto, e era sobre ele que eu queria conversar.

Aos oito anos de idade, lancei um livro chamado O Pipoqueiro João. Escrevi como quem brinca. A transformação da ideia em livro aconteceu com a ajuda do Gabriel, nosso mais famoso livreiro, e do cineasta Rosemberg Cariry.

Nasceu um livro, e eu achava que uma escritora estava nascendo também, mas me disseram que não. Que eu deveria fazer outra coisa, ter uma profissão de verdade. Ser médica, advogada. Que ser escritor não é trabalho. Acreditei. E sepultei meus planos, mesmo sabendo que era aquilo que a vida me pedia.

O lançamento de O Pipoqueiro João aconteceu na escolinha da Nildes Alencar, irmã do Frei Tito de Alencar Lima. Ela mandou o livro para o amigo de seu irmão, o Frei Betto.

Eu não sabia quem era Frei Betto, mas ele respondeu dizendo que ficou muito preocupado com a vida do João. E que o desfecho feliz no final o deixou aliviado. Ele foi o único adulto que prestou atenção ao imenso perigo que o João correu no mundo das bruxas, por isso guardei sua carta. Mas também porque ele dizia que Deus me deu o dom de escrever, e eu precisava cuidar disso com “fome e sede de justiça”.

Obrigada, professor Ronaldo. Agora é sua vez de escrever seus livros, esses filhos de papel que espalhamos pelo mundo

– Eu não tenho o direito de impedir esse encontro.

Participei da entrevista, dei uma cópia da carta para o Frei Betto – que não lembrava dela, mas também ficou emocionado. Uma das coisas que ele mais falou foi sobre a ausência de trabalhos biográficos sobre Frei Tito. Uma semana depois, o Lira Neto convidou-me para escrever um dos títulos da coleção Terra Bárbara, e eu disse sim. Escrevi sobre Frei Tito. Lancei o livro em 2001 e nunca mais parei de publicar. Já são vinte e dois livros. E Frei Betto é hoje um pai para mim, padrinho de minha filha, ídolo e amigo.

Quando o senhor estiver lendo essa carta-crônica, eu estarei em Paris para o lançamento de meu livro Sainte Caboche, no Salão do Livro, na Sorbonne, e em outras cidades francesas. Tudo porque, no ano 2000, sua mão abriu uma porta, e eu tive muita força e coragem para passar por ela.

Sou apenas uma de tantas pessoas transformadas pelo seu amor à Narrativa. Obrigada, professor Ronaldo. Agora é sua vez de escrever seus livros, esses filhos de papel que espalhamos pelo mundo. Escreva, Ronaldo, cheio de fome e sede de justiça. A missão continua. Abra a porta.

  • Soicorro Acioly

Estátua de Rachel de Queiroz é alvo do vandalismo

A estátua de Rachel de Queiroz, fincada na Praça dos Leões, no Centro de Fortaleza, está novamente sem os óculos. A turma do vandalismo carregou e deixou a certeza de que o patrimônio da cidade continua ao léu.

É aquela história: a Prefeitura reforma praças, coloca equipamentos, mas, tudo fica sem segurança e sem monitoramento eletrônico.

(Foto – Paulo MOska)

Narrativas biográficas serão tema de workshop em Fortaleza

Um mergulho intensivo dentro do universo de textos biográficos – perfil, biografia, autobiografia, memória, narrativa de viagem, ensaio pessoal – em estilo de Jornalismo Literário. Essa é a proposta do workshop Narrativa Biográficas, que está com inscrições abertas em Fortaleza, para quem tem interesse em escrever histórias de vida – a própria ou de terceiros – ou memórias e histórias organizacionais centradas em pessoas.

O workshop avançado de JL centrado em narrativas biográficas será ministrado por Edvaldo Pereira Lima,  jornalista, professor e diretor do curso pioneiro de pós-graduação em Jornalismo Literário no país. Dentre os temas abordados na oficina estão: a arte e a tecnologia narrativa de contar histórias de pessoas, storytelling e sua matriz inspiradora para todas as formas de comunicação focadas em pessoas, a Jornada do Herói para escritores de vidas, o legado da rica tradição do Jornalismo Literário, dentre outros.

As aulas serão realizadas no auditório do HG Office, nos dias 22 e 23 de abril (no sábado das 9 às 18 horas e, no domingo, das 9 às 17 horas, com intervalo para almoço). A carga horária será de 15 horas. As vagas são limitadas (40).

SERVIÇO

*Interessados em participar devem fazer sua inscrições no link: http://edvaldopereiralima.com.br/Fortaleza/

(Foto – Divulgação)

STF concede isenção para livros eletrônicos

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (8) isentar livros eletrônicos, os chamados e-books, do pagamento de impostos. Por unanimidade, os ministros decidiram estender o benefício que já é concedido a livros e jornais impressos. De acordo com a Constituição, é vedado aos estados e à União instituir impostos sobre livros, jornais, periódicos e papel de impressão.

A decisão da Corte também abrange os leitores de livros eletrônicos, os e-readers. Os ministros julgaram um recurso do governo do Rio de Janeiro contra decisão da Justiça do estado, que estendeu a imunidade a uma enciclopédia jurídica armazenada em um CD digital.

A decisão do STF põe fim a inúmeras decisões judiciais divergentes sobre a validade da imunidade a livros eletrônicos. O entendimento dos ministros deverá ser aplicada a mais de 50 ações que aguardavam o posicionamento da Corte sobre o assunto.

(Agência Brasil)

Escritora cearense é finalista no The Los Angeles Times Book Prizes

A escritora cearense Socorro Acioli foi indicada ao The Los Angeles Times Book Prizes, uma das premiações literárias mais nobres dos Estados Unidos. Ela concorre na categoria Young Adult Literature com o livro The Head of the Saint, versão em inglês de A Cabeça do Santo. A tradução é de Daniel Hahn. Os finalistas da premiação foram anunciados nesta quarta-feira e os vencedores serão conhecidos no dia 21 de abril.

O The Los Angeles Times Book Prizes concede prêmios em onze categorias desde 1980. Concorrem com Socorro os autores Julie Berry com The Passion of Dolssa; Frances Hardinge com The Lie Tree; John Lewis, Andrew Aydin e Nate Powell com March: Book Three; e Meg Medina com Burn, Baby, Burn.

A Cabeça do Santo é um dos livros mais importantes da carreira de Socorro e foi publicado no Brasil em 2014 pela Cia. das Letras. Além de ser finalista do LA Times Book Prizes, a tradução do livro foi escolhida como um dos 50 melhores livros de 2016 pela Biblioteca Pública de Nova York, e um dos 40 melhores pelo United States Board on Books for Young People (USBBY), além de constar na lista dos melhores livros de 2016 do Center for the Study of Multicultural Children’s Literature.

“É uma felicidade estar como finalista de um prêmio que é um dos mais importantes dos Estados Unidos, um prêmio que tanta gente que eu admiro já ganhou – como a J.K Rowling e o John Green”, afirma Socorro. Ela lembra da importância de ter um livro “genuinamente brasileiro, com um texto brasileiro e com uma temática brasileira” concorrendo de igual para igual com as publicações do mercado americano.

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“Não é uma vitória só minha. É uma vitória dos meus editores do Brasil, da minha agente literária, do tradutor, da editora inglesa (Hot Key) que foi a primeira a acreditar do potencial do livro para o público estrangeiro”, explica. A editora americana Dellacorte Press comprou os direitos de publicação da Hot Key. Em março, durante o Salão do Livro de Paris, Socorro Acioli vai lançar Sainte Caboche, a versão francesa do A Cabeça do Santo.

A narrativa de A Cabeça do Santo é inspirada em uma situação real. No município de Caridade, a 96 quilômetros de Fortaleza, há uma estátua de Santo Antônio, padroeiro da cidade, que foi construída no alto de um morro, mas a cabeça, por erro de cálculo, permanece no chão até hoje. Socorro folheava as páginas do O POVO quando a notícia chamou atenção e inspirou a escrita do romance.

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Serviço
A cabeça do santo
Companhia das Letras
Autora: Socorro Acioli
Quanto: R$ 37,90

 

  • Do Blog Leituras da Bel aqui.

Ubiratan Aguiar assume a presidência da Academia Cearense de Letras

O ex-presidente do Tribunal de Contas da União e advogado Ubiratan Aguiar tomará como presidente da Academia Cearense de Letras. A cerimônia ocorrerá às 19 horas desta quinta-feira, no Palácio da Luz (Centro)

Ele entra no lugar de José Augusto Bezerra e promete interiorizar as ações da ACL, bem como interagir com demais academias de letras existentes no Estado.

(Foto – Paulo MOska)

Iracema vai desfilar na Beia Flor

Com o título “Iracema na Beija Flor”, eis artigo de José Borzacchiello, geógrafo e professor emérito da UFC. Ele aborda, a partir de uma metáfora, a situação de tantas brasileiras que, apesara das injustiças, estão conseguido seu espaço. Confira:

Iracema não resistiu e caiu no samba. Atravessando os 800 metros de pista do sambódromo, puxando o enredo “A virgem dos lábios de mel – Iracema”, a linda virgem de Tupã brilhará no carnaval carioca de 2017. Mas nem tudo é samba na vida das múltiplas Iracemas pelo Brasil afora. Corajosas e intrépidas, as mulheres enfrentam as agruras do cotidiano com força incomum. Decepcionadas ou abandonadas por seus companheiros, vão à luta e assumem seus lares dando conta de tudo sozinhas. No Brasil são mais de 40% de lares em que as mulheres são chefes de família, com jornadas duras, intermináveis.

Cuidar da família, manter a casa, dar conta da cozinha, da roupa lavada, de encaminhar as crianças para as creches ou escolas, correr aos postos de saúde e trabalhar em atividade geradora de renda. Essa Iracema é heroica, estoica. A atividade profissional muitas vezes é feita em casa, preparando alimentos para fora, costurando, bordando, qualquer coisa exige dela uma atenção redobrada. Se falhar ou errar no que faz, corre o risco de perder a oportunidade de continuar trabalhando. Num corre-corre interminável, dá um passa-fora numa criança, repreende outro, atende vizinhas que sempre dão uma mãozinha na hora dos apuros.

Essas mulheres são impulsionadas por uma força de vontade, uma capacidade de fazer e alimentam, além de tudo, o germe da vida gregária, associativa. Independente do Facebook ou do WhatsApp, conseguem, pela informação boca a boca, palmilhar o “caminho das pedras” para reclamarem direitos, descobrir onde comprar com preços mais competitivos, bem como saber de festas e comemorações. Na hora do sofrimento, ao contrário de Iracema, não se entregam ao desânimo. Podem ficar abaladas nos maus momentos, mas logo, param, buscam diferentes formas de solução e vão em frente.

Não é sina nem predestinação, entretanto, paixão e sedução continuam atraindo mulheres que se entregam aos diferentes Martins na ânsia de replicarem cenas dos folhetins que invadem as telas das tevês. Sonham, vivem aqueles momentos e, a cada dia, aumenta o número de lares desfeitos pelo abandono do cônjuge. Sofrem, sofrem muito. No meio da curtição da dor, caem na real, levantam, “sacodem a poeira” e partem pra outra. Só que agora é diferente. Ela dá às ordens. comanda, é chefe de família, dona de seu destino e faz isso com força, vontade e convicção.

Iracema vai cair no samba na Beija-Flor. A bela e sedutora tabajara merece a homenagem. Destaco as Iracemas contemporâneas, mulheres de fibra, afoitas e conscientes da necessidade de se instituírem como sujeito, como seres sociais concretos com enorme capacidade de fazer acontecer. O samba passa pela avenida, Iracema fica mostrando sua independência, seu destemor, sua energia transformadora, geradora de um ser que chegou e veio para ficar. Do livro Iracema, de José de Alencar, publicado em 1865, de onde surge a bela índia cearense como protagonista, à mulher guerreira de nossos dias sai do imaginário poético e ocupa o cotidiano concreto da realidade brasileira, machista, injusta e desigual.

José Borzacchiello da Silva

borzajose@gmail.com

Geógrafo e professor emérito da UFC

Há 100 anos nascia o escritor norte-americano Sidney Sheldon

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Autor de livros como “A Outra Face”, “O Outro Lado da Meia-Noite”, “A Ira dos Anjos” e “Se Houver Amanhã”, o escritor norte-americano Sidney Schechtel, mais conhecido como Sidney Sheldon, se notabilizou no gênero suspense, quando também escreveu outras 14 obras, todas na lista de livros mais vendidos. Ele vendeu 300 milhões de livros, em 51 idiomas e em mais de 180 países.

O escritor, que faria 100 anos neste sábado (11), também escreveu e dirigiu seriados para a tevê. Os mais famosos foram “Jeannie é um gênio” e “Casal 20”. Com 139 capítulos, em cinco temporadas (1965-1970), “Jeannie é um gênio” alcançou picos de audiência.

Para Sheldon, “a graça da série estava na tensão sexual do patrão e Jeannie”. Mesmo assim, o escritor disse em uma entrevista que não sabia se criaria Jeannie, caso voltasse no tempo.

Jornalista Branca Sobreira lança o livro “Vinte”

branca

A jornalista e escritora Branca Sobreira lançará, às 19 horas desta quinta-feira, o livro “Vinte”. O ato ocorrerá na Livraria Leitura, no Shopping RioMar Fortaleza.

Estreante, Branca Sobreira discute na publicação as relações humanas. “Cada conto, por vezes minúsculo, é responsável por delinear um universo próprio: o das relações interpessoais. O movimento é o balançar de uma onda, constante”, diz ela.

(Foto – Divulgação)

Lira Neto lançará “História do Samba – 1º Volume” neste mês

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O escritor e jornalista Lira Neto lançará o livro A História do Samba, 1º volume de três, neste mês de fevereiro, no Rio. A informação é do autor, que passou férias com a família no Ceará.

Lira Neto, no entanto, avisou que pretende lançar o livro também em Fortaleza. A data não está definida, mas faz questão de cumprir essa agenda em sua terra.

Pode, no entanto, segundo a Secretaria da Cultura do Ceará, ser durante a Bienal Internacional do Livro do Ceará. Lira, bom lembrar, é da curadoria do evento, que ocorrerá em abril, no Centro de Eventos

Um recado para o prefeito Roberto Cláudio

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Eis artigo do professor João Teles de Aguiar, criador do Projeto Confraria de Leitura, que incentiva crianças da rede pública a ler. O título é “Mas o que é leitura?” Confira:

A leitura é o abrir-se de cortinas, é a luz em todo o palco da vida. Sem leitura o menino ou homem feito pouco ou nada saberá. Sem ela a menina ou mulher não conhecerá tantos outros mundos reluzentes. A leitura vem sempre acompanhada de magia, encanto, paisagens e muitas viagens.

Daí não se conceber que uma cidade – Fortaleza ou outra qualquer – viva sem bibliotecas ou outros lugares para leituras sedutoras e benfazejas.

Os livros são grandes amigos. Daqueles que trazem pra nossa vida muito do que se chama por aí de felicidade. Quando se tem uma comunidade sem livros e leitura, tem-se a certeza de que os estudos continuarão mambembes e irresolutos.

O grande educador pernambucano Paulo Freire fala (em sua obra) de “leitura de mundo”. Essa compreensão ampla do entorno da vida ninguém tem sem muita leitura.

Espero que Fortaleza – que deveria puxar o carro das mudanças nesses temas – possa mudar o curso da História e ampliar seu espaço diminuto de leitura. As crianças precisam, os professores pedem, a vida exige.

Que o senhor prefeito abra olhos e ouvidos pra realidade, que saia da mesmice e transforme nossa cidade em um lugar de leitura prazerosa e bonachã!

*João Teles de Aguiar

Professor de História, pós-graduado em Docência e coordenador do Projeto Confraria de Leitura.

Ziraldo fará sessão de autógrafos em Fortaleza

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O cartunista Ziraldo realizará a sua primeira sessão de autógrafos de 2017 em Fortaleza. Será no dia 16 deste mês, a partir das 18h30min, na Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi. Ele lançará seu mais novo trabalho: Meninas. No encontro, os fãs do “Menino maluquinho” poderão ficar mais perto do autor, além de registrar o momento com fotos.

A obra Ziraldo aborda a fase mágica da infância das garotas, que vai dos 7 aos 11 anos. “Nessa fase, meninos e meninas são os dois seres mais fantásticos do mundo porque são fascinantes”, conta Ziraldo. Essa fascinação já apareceu em toda sua exuberância no livro O Menino Maluquinho, o maior fenômeno editorial do autor, que já vendeu mais de 3,5 milhões de exemplares desde seu lançamento em 1980. Agora ele acredita que repetirá o mesmo êxito com Meninas, sua mais nova criação, lançado pela Editora Melhoramentos

É o segundo livro do autor que mergulha no universo das meninas e, segundo ele, nasceu da mesma fonte do primeiro, Menina das Estrelas, lançado em 2007. Tudo começou com a provocação de uma pequena leitora, em uma seção de autógrafos em Vitória (ES). A menina perguntou por que em seus livros, Ziraldo só falava de meninos… “Respondi que era porque menina eu não sei como é que vive, não sei como é que sofre. De menino eu entendo muito mais”, conta o autor.