Blog do Eliomar

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Edições Demócrito Rocha e a Flipinha

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Regina e Elândia tomaram a rota da Flipinha.

A editora-executiva de Edições Demócrito Rocha (EDR), jornalista Regina Ribeiro, e a gerente de operações da EDR, Elândia Farias, estão participando da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), no Rio de Janeiro, que entra no seu segundo dia nesta quinta-feira.

A EDR marcará presença também na programação da Flipinha, a feira infantil paralela de Paraty, através da\ divulgação do livro “O mistério da professora Julieta” da escritora Socorro Acioli, vencedora do Prêmio Jabuti de Literatura Infantil.

Já a Flip abordará urbanismo, cidadania, poesia e prosa à tradição literária russa entre seus temas centrais nesse seu segundo dia. O circuito alternativo traz debates sobre ilustração, sociedade e literatura, políticas públicas para a leitura, além de lançamento de livros e apresentações de teatro e cinema. Cerca de 50 autores de 15 países participam da Flip. Pela primeira vez, a Rússia estará presente na mostra.

(Com Agência Brasil/Foto – Paulo MOsKa)

Feira literária Internacional de Paraty homenageia Millôr Fernandes

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“Se é gostoso faz logo, amanhã pode ser ilegal”; “Inúmeros artistas contemporâneos não são artistas e, olhando bem, nem são contemporâneos” ou mesmo “O Brasil é realmente muito amplo e luxuoso. O serviço é que é péssimo”, são exemplos de algumas das incontáveis frases irreverentes e sempre atuais e bem-humoradas do homenageado da 12ª edição da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) que começa hoje (30) na cidade do litoral fluminense.

Tradutor de outros gênios da literatura, como Shakespeare e Ibsen, cartunista, jornalista, teatrólogo, romancista, roteirista, e, sobretudo, um defensor bem-humorado da liberdade de expressão, Millôr Fernandes, que morreu em 2012, e suas múltiplas facetas serão relembradas e celebradas em atividades ao longo dos cinco dias de evento que termina domingo (3).

O curador da Flip, Paulo Werneck, explicou que a escolha por Millôr, diante de uma lista de possibilidades de homenageados, se deu após conversas com vários participantes e parceiros do evento em anos anteriores. “Cada vez que aparecia o nome dele, os olhinhos das pessoas brilhavam e percebemos que havia algo de muito caloroso e que poderia ser uma homenagem diferente”, disse ele. As homenagens vão de mesas de debate, peças teatrais e lançamento de livros a filmes roteirizados por ele. A Flip vai até domingo.

(Com Agência Brasil)

Morre o escritor Ariano Suassuna

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O escritor e dramaturgo Ariano Suassuna morreu nesta quarta-feira (23), aos 87 anos. Susassuna havia sido internado no Real Hospital Português, em Recife (Pernambuco), após sofrer AVC hemorrágico na última segunda-feira (21). Suassuna, que teve o estado de saúde agravado na noite dessa terça-feira (22), foi vítima de uma parada cardíaca por volta das 17h40min.

Seu estado de saúde era considerado grave e ele respirava com ajuda de aparelhos. O escritor tinha sido internado por volta das 20 horas de segunda-feira com sangramento intracraniano e foi submetido a uma cirurgia de emergência. Em agosto do ano passado, Suassuna foi internado com um quadro de aneurisma cerebral, detectado em ressonância magnética.

(O POVO Online)

Agonia

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Em crônica enviada ao Blog, o jornalista Nicolau Araújo faz homenagem ao Dia do Amigo, neste domingo (20). Confira:

Era noite da véspera do casamento da sinhazinha Maria com o seu noivo Alberto, quando ouvi um barulho na janela do quarto da noiva, que ficava na parte de cima da casa.

Com cuidado, subi as escadas e entrei escondido no quarto. Era Alberto, que forçava a janela segurando um crucifixo em uma das mãos.

– Eu não falei que encontraria o crucifixo de minha mãe! Sorriu o satisfeito noivo, diante da preocupada noiva, que temia em interromper o sono do pai, coronel Andrade, famoso no sertão por preservar o moral e os bons costumes, além de já ter surrado mais de cinquenta homens, dentre os quais cinco ex-noivos da sinhazinha.

– Pois é. Tive que cometer esta ousadia em invadir o seu quarto para manter a tradição da minha família. Noiva na minha família tem que casar com este crucifixo para ter um lar feliz. Foi assim com minha tataravó, com minha bisavó, minha avó, com mamãe e agora você! Sorriu novamente o noivo, com a sensação da missão cumprida.

– Você é louco, quer acordar o meu pai?! Não dava para esperar pela manhã? Desesperou-se a noiva, tratando de empurrar o noivo de volta para a janela.

– Calma, você sabe que eu sou supersticioso. O noivo não pode ver a noiva no dia do casamento, antes da cerimônia. Além disso, seria muito azar o seu pai acordar. A gente não está fazendo nada… Justificou Alberto.

– Que barulheira é essa, aí? Gritou um vozeirão do outro lado da parede, já se deslocando para o quarto da sinhazinha.

Naquele instante não sei o que estrondava mais, se as passadas do coronel, com seus dois metros de altura e 140 quilos de peso, ou se as aceleradas batidas dos corações dos noivos.

Com um metro e sessenta e cinco centímetros de altura e pouco mais de sessenta quilos de peso, Alberto saltou para debaixo da cama de sinhazinha, como um campeão olímpico de mergulho. Ao cruzar seu olhar com o meu, o noivo quase não consegue sufocar o grito de pavor.

– Que murmúrios eram esses que eu ouvi do meu quarto? Reclamou o coronel, com um chicote na mão.

Com as mãos trêmulas, olhar assustado e apertando o crucifixo contra o peito, sinhazinha gaguejou: – Eu apenas estava rezando para a felicidade de nossa família, painho…

Olhando para os quatro cantos do quarto e com uma respiração ofegante, o coronel insistiu: – Antes de entrar no quarto eu ouvi um barulho debaixo desta cama, vamos ver o que é…

Antes que o terror aumentasse, sai debaixo da cama e comecei a fazer a maior bagunça no quarto, inclusive rasgando o tapete persa pelo o qual o coronel pagou uma fortuna.

– Cachorro maldito! O que você faz no quarto da minha filha, quando deveria estar cuidando da segurança da fazenda?! Chutou-me o coronel para fora do quarto, ainda aplicando-me duas seguras chicotadas.

No dia seguinte não me surpreendi ao ficar de fora da festa que salvei. Preso no canil, sentia o cheiro do churrasco no ar. Porém, quase no final da festa, não pude esconder a emoção ao ver sinhazinha Maria e o seu noivo Alberto entrarem no canil com um grande pernil de porco. Senti-me recompensado.

Livro Itinerário da Violência ganha segunda edição

Após 36 anos, será lançada a segunda edição do livro “Itinerário da Violência”, de autoria do deputado Paes de Andrade. A iniciativa é do gabinete do deputado Daniel Oliveira. O selo agora é da Edições Livro Técnico, de Sérgio Braga, e a nova edição está sendo organizada pelo jornalista Francisco Bezerra e o escritor Juarez Leitão.

O livro foi um dos maiores libelos contra a ditadura militar implantada no Brasil com o Golpe de 1964. Paes, ao lado de emedebistas históricos como Chico Pinto, Fernando Lira, Alencar Furtado,Marcos Freire, Lysâneas Maciel entre outros, fundou o chamado grupo dos autênticos, bloco parlamentar eleito em 1970 e que desempenhou papel decisivo para a derrubada do regime militar.

A reedição sai em ano emblemático, pois 2014 marca 50 anos do Golpe de Estado, que derrubou João Goulart, e 35 anos da Lei da Anistia.

Dilma lamenta morte de João Ubaldo Ribeiro

“A presidenta Dilma Rousseff destacou hoje (18) que a literatura brasileira “perde um grande nome”, com a morte do escritor João Ubaldo Ribeiro. Em nota, a presidenta prestou solidariedade aos familiares, amigos e leitores.

João Ubaldo Ribeiro morreu na madrugada de hoje (18), aos 73 anos, em casa, na cidade do Rio de Janeiro.

Vítima de embolia pulmonar, o escritor era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e ocupava a cadeira 34 desde 1994. Jornalista e cientista político, ele foi autor de mais de 20 livros, publicados em 16 países. Entre suas principais obras estão Sargento Getúlio (1971), Viva o Povo Brasileiro (1984) e O Sorriso do Lagarto (1989).”

(Agência Brasil)

Escritor João Ubaldo Ribeiro morre aos 73 anos no Rio de Janeiro

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foto joão ubaldo

O escritor João Ubaldo Ribeiro morreu na madrugada desta sexta-feira (18), aos 73 anos, em casa, na cidade do Rio de Janeiro. Ele era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e ocupava a Cadeira 34 desde 1994. Jornalista e cientista político, ele foi autor de mais de 20 livros, publicados em 16 países.

Entre suas principais obras estão Sargento Getúlio (1971), Viva o Povo Brasileiro (1984) e O Sorriso do Lagarto (1989). João Ubaldo Ribeiro recebeu, em 2008, o Prêmio Camões, concedido pelos governos de Portugal e do Brasil, para autores que contribuem para o enriquecimento da língua portuguesa.

Ribeiro também venceu, por duas vezes, o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Em 1972, conquistou o Jabuti de Melhor Autor, por Sargento Getúlio. Em 1984, venceu na categoria Melhor Romance, com Viva o Povo Brasileiro.

(Agência Brasil)

UFC lança edição português-alemão do romance “O Quinze”

rachel de queiroz

Eterna Rachel de Queiroz.

Será lançada na próxima quarta-feira, às 18h30min, nos jardins da Reitoria da UFC, a edição bilíngue português-alemão do romance “O quinze”, da cearense Rachel de Queiroz (1910-2003).

A edição especial – Um novo olhar sobre O quinze de Rachel de Queiroz (Ein neuer Blick auf Rachel de Queiroz’ das Jahr 15 – Diegroße Dürre), inclui o fac-símile da obra de 1930 e 11 ensaios.

O trabalho foi organizada pelas professoras Maria Elias e Ingrid Schwamborn e pelo presidente da Academia Cearense de Letras, José Augusto Bezerra. O selo é das Edições UFC.

(Site da UFC/Foto – OPOVO)

Beco do Cotovelo com veia cultural

O livro “Um Varão de Plutarco – A saga de Chagas Barreto”, de autoria do engenheiro César Barreto, será lançado no tradicional ‘Beco do Cotovelo”, em Sobral (Zona Norte), no dia 5 de julho. Nessa data, Sobral estará completando 242 anos.

Haverá, na ocasião, show de Ivan Frota, com transmissão ao vivo para toda Região Norte pelas rádios Tupinamba e Regional de Sobral. 

César Barreto lança novo livro abordando trajetória de dois políticos sobralenses

O escritor sobralense Cesar Barreto Lima, ex-deputado estadual constituinte, lançará nesta sexta-feira, às 19 horas, no Clube Náutico, o livro “Um Varão de Plutarco: a saga de Chagas Barreto Lima”. A obra, redigida em parceria com o historiador Marcelo Barreto Alves, retrata as trajetórias política de dois homens públicos sobralenses: Chagas Barreto e Cesário Barreto, pai e filho, respectivamente. O primeiro próspero comerciante da cidade de Sobral de cujo prestígio conseguiu levar o então presidente da República, Marechal Castelo Branco, a visitar Sobral em 1965. O segundo elegeu-se prefeito e deputado federal.

A obra, com farta ilustração, traz fac-símiles da Sapataria Ideal, na ortografia original vendem-se “bollas e pneus ns 1, 3 e 5 chuteiras e apitos para foot-ball a preços módicos”; “fabricante de calçados, malas e arreios, importação e exportação de couros”; traz ainda o Brasão das Armas dos Barrettos grafado com dois “r” e dos “t” e revela que a família está entrelaçada com ramos das famílias Melos, Vasconcelos, Ferreira da Costa, Viriato de Medeiros, Távora, Pinheiros. Há farta iconografia.

Padre Reginaldo Manzotti realiza pregação e divulga livro em Fortaleza

foto reginaldo manzotti fortaleza

Um público estimado de 2,5 mil pessoas acompanhou na manhã deste domingo (25), no Siara Hall, no bairro Edson Queiroz, a pregação do padre Reginaldo Manzotti, que desde a sexta-feira (23) se encontra em Fortaleza.

Também neste domingo, Manzotti divulgou o livro Milagres, da trilogia Sinais do Sagrado. A obra conta a passagem bíblica que relata a transformação da água em vinho durante as Bodas de Caná e seu significado no nosso dia a dia.

Arena Castelão ganha livro nesta quinta-feira

foto livro castelão

Com a chegada da Copa do Mundo, a Arena Castelão se torna o principal estádio nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, diante da programação de seis jogos na competição. Para destacar o feito, o livro “Arena Castelão – Governador Plácido Castelo” será lançado nesta quinta-feira (22), às 9 horas, na própria praça esportiva.

A publicação é uma iniciativa do escritório de arquitetura Vigliecca & Associados, responsável pelo projeto que renovou o Castelão, e conta com apoio do Governo do Ceará. Além de aspectos históricos indispensáveis a um estádio de 40 anos, o livro se difere dos demais na literatura esportiva porque traz ainda detalhes dos projetos de arquitetura e engenharia da maior praça esportiva dos cearenses. Os autores são o arquiteto Héctor Vigliecca, os engenheiros Sérgio Stolovas e Flávio D´Alambert e o jornalista Ciro Câmara.

“Uma Arena tão importante e que dá tanto orgulho aos cearenses merecia uma publicação à altura. O relevante deste livro é sua abrangência, já que ele não fala apenas do passado do estádio ou da obra de modernização. Ele servirá também como fonte de pesquisa para os cearenses, inclusive para historiadores e arquitetos”, destaca o secretário Especial a Copa 2014 no Ceará, Ferruccio Feitosa, que assina um dos artigos do livro, ao lado do governador Cid Gomes e do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin.

Um livro aborda a trajetória de mulheres do mundo

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O médico Manoel Fonseca lançará nesta quinta-feira, às 19 horas, no Ideal Clube, o livro “Benditas & Guerreiras”.

O livro, o quarto que Fonseca lança, aborda a trajetória de mulheres que lutaram pelas liberdades. Na lista, Olga Benário e Rosa de Luxemburgo. Audifax Rios ilustrou a publicação. A ex-vereadora Rosa da Fonseca, irmã do autor, fará a apresentação.

Nessa lei de Nilto, apenas saudade. O legado vira eternidade

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Com o título “Nilto Maciel: quando se tornou imortal”, eis a bela homenagem que o também escritor Raymundo Netto fez, em seu Blog, para o amigo que teve o corpo sepultado nesta manhã de sexta-feira, no Cemitério Parque da Paz. Mas, claro, o legado será eterno.Confira:

“Ora, deixemos esses passados mortos e vivamos o presente. Uliyana chegaria dentro de alguns minutos e eu a pensar em escritores medíocres. Entreguei-me, de olhos fechados, a fantasiar suas feições. Por que teria me procurado? Informou-me, por telefone, ter percorrido quase toda Fortaleza: da estátua de Iracema à feirinha de artesanato da Beira-mar, do centro cultural Dragão do Mar aos caranguejos da praia do Futuro. E por quais vias você me descobriu, ó czarina de meus delírios pós-soviéticos? Ofereceu-se para vir ao Monte Castelo, onde moro. Pode ser agora? Pode ser a qualquer hora. Passadas cinco páginas de Tchekhov, um táxi branco e reluzente deixou diante de minha mansão a mais estonteante das raparigas russas de todas as eras. Joguei o contista sobre o diário e corri a abraçá-la. Trazia livrinho dentro da bolsa vermelha: O senhor pode me dar autógrafo? Percebi logo tratar-se de exemplar da edição russa de Carnavalha.”(…)

Era assim a vida animada e fantástica de Nilto Maciel, na sua casa no Monte Castelo, onde residia sozinho, balançando na cadeira em frente à TV, lendo as centenas de livros que lhe chegavam pelo correio, ou debruçado num computador a alimentar famintos blogs e a escrever todotempo o tempotodo.
Por vezes, já pela noitinha, após a sua sopa e remédios — éramos vizinhos—, ligava apenas para saber se podia desligar seu computador moderno, cheio de mensagens alienígenas, ou se eu achava que daria tempo de retirar dele um valioso pendrive sem o risco de perder a sua irreparável “obra completa”.
Deitado num travesseiros de sonhos, ou de ficções, acordava com a cabeça pintada de contos, crônicas, romances, ou mesmo daquelas piadinhas infames ou irônicas que os amigos se acostumaram a ouvir em suas ligações, nas quais com a voz disfarçada, meio gutural, dizia:
— Meu amigo… estavam agora mesmo falando mal de você… Sabe quem foi?
— Não, Nilto… (Sempre) Não, Nilto… Fala logo… O que foi?
E ele ria uma gargalhada quase que dramática, divertindo-se, e comentava causos que nunca sabíamos se eram verdades ou mentiras. Com ele, sempre era assim, nunca se podia ter a completa certeza. Hoje, durante a triste nova da tarde, tive essa mesma impressão: Será essa apenas mais uma marmota do Nilto Maciel? Verdade ou mentira?
Havia lá suas coisas, seus livros cuidadosamente separados nas prateleiras, sua cadeira de balanço, seus óculos, o fone e os controles da TV ao lado dela. O computador ligado, assim como a luz da sala, provavelmente ele ainda trabalhava, notívago que era. No sofá, a toalha com o brasão do Fortaleza e uma calça, deixada sempre a postos, para o caso de aparecer visita. No quarto, uma coleção de dvds, uma surpresa para as filhas, num deles um adesivo remetia à sua querida “Tusa”. Desabei com isso.
Na cozinha, ao trancar a janela, pude ouvir o eco ainda fresco de sua voz: “Netto, quer uma coca-cola, quer? Eu pego a sua coca-cola… Ou quer alguma coisa mais forte?”
Ao lado, na poltrona, a mala feita, separada com antecedência para ir ao Encontro de Literatura Fantástica, em Sobral, onde abriria o evento. No jardim, livros envelopados que ele nunca lerá, de amigos que ele sempre divulgou em seu blog, dentre eles Enéas Athanázio, Geraldo Jesuíno e Francisco Miguel Moura. Pensei muito num fantasma que me atormenta. Lembrei das vezes que conversamos sobre isso. Como ele nunca reconheceu esse fantasma, nunca me levou a sério. “Era a vida, Nettó.”
Hoje, assisti à saída silenciosa de Nilto de sua casa, deixando para sempre os seus livros colecionados durante a vida de literatura e os seus arquivos de uma obra completa que nós também não conheceremos. O vi carregado e imaginei que, ao invés de homens simples do IML, eram aqueles seus admiradores leais, carregando-o nos braços para um pomposo carro à espera da glória da imortalidade (leia-se não esquecimento) almejada por todo persistente escritor. Acenei timidamente, da sala de visitas, entendendo ser aquela a última vez que nos encontraríamos ali. Lamentei, claro, todos os momentos perdidos, mas prefiro agora pensar no que fizemos e rimos juntos.
Vai-se Nilto Maciel, que nos últimos anos de sua vida esforçou-se para não ser esquecido, publicando um livro atrás do outro, inclusive fortuna crítica e memórias. Vai, mas não vai de todo, deixa aqui a sua voz, os seus pensamentos mais ousados, as fantasias, a sua arte, a transgressão e a loucura de viver “sem fronteiras” a sua paixão literária.
Nilto, vai com Deus, irmãozinho. Fica a sua falta, mas a lembrança nos brilha mais.
* Raymundo Netto,
escritor e amigo.

Escritor Nilto Maciel será sepultado às 10 horas

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foto nito maciel

O corpo do escritor e pesquisador cearense Nilto Maciel, 69, será sepultado nesta sexta-feira (2), a partir das 10 horas, no cemitério Parque da Paz. Segundo a família, não haverá velório. Ele foi encontrado morto, na quarta-feira (30), na casa onde morava, no bairro Monte Castelo. O laudo sobre a causa da morte será divulgado em até 30 dias pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce).

Vencedor do prêmio “Eça de Queiroz”, em 1999, categoria novela, União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro, com o livro Vasto Abismo, Nilto Maciel escreveu mais de 20 obras e também foi o vencedor de outros oito prêmios.

Ele morava só e era esperado para a abertura de um encontro sobre literatura fantástica, em Sobral, na Região Norte do Estado.

Nascido em Baturité, Nilto Maciel dedicava-se à literatura cearense. Organizou dois volumes de contos. Estreou com o livro Itinerário e foi co-editor da revista O Saco na década de 1970. Nilto, com Lúcia Maciel Martins (tia deste repórter do Blog), deixa quatro filhas (Fernanda, Menita, Nioche e Aretuza).

Morte de García Márquez é lamentada na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura

foto garcía marquez

Na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, a notícia da morte do escritor colombiano Gabriel García Márquez foi recebida com tristeza. No meio de uma mesa de debates, foi o poeta Zé Carlos Vieira quem deu a notícia. A plateia lamentou. “Acabo de receber a notícia da morte de Gabriel García Márquez. Isso é muito triste para a gente, muito triste para a literatura”.

Gabriel García Márquez morreu nessa quinta-feira (17), em casa, na Cidade do México, aos 87 anos. Ele nasceu em Aracataca, na Colômbia, no dia 7 de março de 1927. Além de escritor, era também jornalista. Entre seus livros mais conhecidos, estão Cem Anos de Solidão e O Amor nos Tempos do Cólera. Foi também ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1982.

(Agência Brasil)