Blog do Eliomar

Categorias para Literatura/Filmes

Arena Castelão ganha livro nesta quinta-feira

foto livro castelão

Com a chegada da Copa do Mundo, a Arena Castelão se torna o principal estádio nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, diante da programação de seis jogos na competição. Para destacar o feito, o livro “Arena Castelão – Governador Plácido Castelo” será lançado nesta quinta-feira (22), às 9 horas, na própria praça esportiva.

A publicação é uma iniciativa do escritório de arquitetura Vigliecca & Associados, responsável pelo projeto que renovou o Castelão, e conta com apoio do Governo do Ceará. Além de aspectos históricos indispensáveis a um estádio de 40 anos, o livro se difere dos demais na literatura esportiva porque traz ainda detalhes dos projetos de arquitetura e engenharia da maior praça esportiva dos cearenses. Os autores são o arquiteto Héctor Vigliecca, os engenheiros Sérgio Stolovas e Flávio D´Alambert e o jornalista Ciro Câmara.

“Uma Arena tão importante e que dá tanto orgulho aos cearenses merecia uma publicação à altura. O relevante deste livro é sua abrangência, já que ele não fala apenas do passado do estádio ou da obra de modernização. Ele servirá também como fonte de pesquisa para os cearenses, inclusive para historiadores e arquitetos”, destaca o secretário Especial a Copa 2014 no Ceará, Ferruccio Feitosa, que assina um dos artigos do livro, ao lado do governador Cid Gomes e do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin.

Um livro aborda a trajetória de mulheres do mundo

45 1

manoel fomnsca

O médico Manoel Fonseca lançará nesta quinta-feira, às 19 horas, no Ideal Clube, o livro “Benditas & Guerreiras”.

O livro, o quarto que Fonseca lança, aborda a trajetória de mulheres que lutaram pelas liberdades. Na lista, Olga Benário e Rosa de Luxemburgo. Audifax Rios ilustrou a publicação. A ex-vereadora Rosa da Fonseca, irmã do autor, fará a apresentação.

Nessa lei de Nilto, apenas saudade. O legado vira eternidade

50 1

niltomaciel

Com o título “Nilto Maciel: quando se tornou imortal”, eis a bela homenagem que o também escritor Raymundo Netto fez, em seu Blog, para o amigo que teve o corpo sepultado nesta manhã de sexta-feira, no Cemitério Parque da Paz. Mas, claro, o legado será eterno.Confira:

“Ora, deixemos esses passados mortos e vivamos o presente. Uliyana chegaria dentro de alguns minutos e eu a pensar em escritores medíocres. Entreguei-me, de olhos fechados, a fantasiar suas feições. Por que teria me procurado? Informou-me, por telefone, ter percorrido quase toda Fortaleza: da estátua de Iracema à feirinha de artesanato da Beira-mar, do centro cultural Dragão do Mar aos caranguejos da praia do Futuro. E por quais vias você me descobriu, ó czarina de meus delírios pós-soviéticos? Ofereceu-se para vir ao Monte Castelo, onde moro. Pode ser agora? Pode ser a qualquer hora. Passadas cinco páginas de Tchekhov, um táxi branco e reluzente deixou diante de minha mansão a mais estonteante das raparigas russas de todas as eras. Joguei o contista sobre o diário e corri a abraçá-la. Trazia livrinho dentro da bolsa vermelha: O senhor pode me dar autógrafo? Percebi logo tratar-se de exemplar da edição russa de Carnavalha.”(…)

Era assim a vida animada e fantástica de Nilto Maciel, na sua casa no Monte Castelo, onde residia sozinho, balançando na cadeira em frente à TV, lendo as centenas de livros que lhe chegavam pelo correio, ou debruçado num computador a alimentar famintos blogs e a escrever todotempo o tempotodo.
Por vezes, já pela noitinha, após a sua sopa e remédios — éramos vizinhos—, ligava apenas para saber se podia desligar seu computador moderno, cheio de mensagens alienígenas, ou se eu achava que daria tempo de retirar dele um valioso pendrive sem o risco de perder a sua irreparável “obra completa”.
Deitado num travesseiros de sonhos, ou de ficções, acordava com a cabeça pintada de contos, crônicas, romances, ou mesmo daquelas piadinhas infames ou irônicas que os amigos se acostumaram a ouvir em suas ligações, nas quais com a voz disfarçada, meio gutural, dizia:
— Meu amigo… estavam agora mesmo falando mal de você… Sabe quem foi?
— Não, Nilto… (Sempre) Não, Nilto… Fala logo… O que foi?
E ele ria uma gargalhada quase que dramática, divertindo-se, e comentava causos que nunca sabíamos se eram verdades ou mentiras. Com ele, sempre era assim, nunca se podia ter a completa certeza. Hoje, durante a triste nova da tarde, tive essa mesma impressão: Será essa apenas mais uma marmota do Nilto Maciel? Verdade ou mentira?
Havia lá suas coisas, seus livros cuidadosamente separados nas prateleiras, sua cadeira de balanço, seus óculos, o fone e os controles da TV ao lado dela. O computador ligado, assim como a luz da sala, provavelmente ele ainda trabalhava, notívago que era. No sofá, a toalha com o brasão do Fortaleza e uma calça, deixada sempre a postos, para o caso de aparecer visita. No quarto, uma coleção de dvds, uma surpresa para as filhas, num deles um adesivo remetia à sua querida “Tusa”. Desabei com isso.
Na cozinha, ao trancar a janela, pude ouvir o eco ainda fresco de sua voz: “Netto, quer uma coca-cola, quer? Eu pego a sua coca-cola… Ou quer alguma coisa mais forte?”
Ao lado, na poltrona, a mala feita, separada com antecedência para ir ao Encontro de Literatura Fantástica, em Sobral, onde abriria o evento. No jardim, livros envelopados que ele nunca lerá, de amigos que ele sempre divulgou em seu blog, dentre eles Enéas Athanázio, Geraldo Jesuíno e Francisco Miguel Moura. Pensei muito num fantasma que me atormenta. Lembrei das vezes que conversamos sobre isso. Como ele nunca reconheceu esse fantasma, nunca me levou a sério. “Era a vida, Nettó.”
Hoje, assisti à saída silenciosa de Nilto de sua casa, deixando para sempre os seus livros colecionados durante a vida de literatura e os seus arquivos de uma obra completa que nós também não conheceremos. O vi carregado e imaginei que, ao invés de homens simples do IML, eram aqueles seus admiradores leais, carregando-o nos braços para um pomposo carro à espera da glória da imortalidade (leia-se não esquecimento) almejada por todo persistente escritor. Acenei timidamente, da sala de visitas, entendendo ser aquela a última vez que nos encontraríamos ali. Lamentei, claro, todos os momentos perdidos, mas prefiro agora pensar no que fizemos e rimos juntos.
Vai-se Nilto Maciel, que nos últimos anos de sua vida esforçou-se para não ser esquecido, publicando um livro atrás do outro, inclusive fortuna crítica e memórias. Vai, mas não vai de todo, deixa aqui a sua voz, os seus pensamentos mais ousados, as fantasias, a sua arte, a transgressão e a loucura de viver “sem fronteiras” a sua paixão literária.
Nilto, vai com Deus, irmãozinho. Fica a sua falta, mas a lembrança nos brilha mais.
* Raymundo Netto,
escritor e amigo.

Escritor Nilto Maciel será sepultado às 10 horas

35 1

foto nito maciel

O corpo do escritor e pesquisador cearense Nilto Maciel, 69, será sepultado nesta sexta-feira (2), a partir das 10 horas, no cemitério Parque da Paz. Segundo a família, não haverá velório. Ele foi encontrado morto, na quarta-feira (30), na casa onde morava, no bairro Monte Castelo. O laudo sobre a causa da morte será divulgado em até 30 dias pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce).

Vencedor do prêmio “Eça de Queiroz”, em 1999, categoria novela, União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro, com o livro Vasto Abismo, Nilto Maciel escreveu mais de 20 obras e também foi o vencedor de outros oito prêmios.

Ele morava só e era esperado para a abertura de um encontro sobre literatura fantástica, em Sobral, na Região Norte do Estado.

Nascido em Baturité, Nilto Maciel dedicava-se à literatura cearense. Organizou dois volumes de contos. Estreou com o livro Itinerário e foi co-editor da revista O Saco na década de 1970. Nilto, com Lúcia Maciel Martins (tia deste repórter do Blog), deixa quatro filhas (Fernanda, Menita, Nioche e Aretuza).

Morte de García Márquez é lamentada na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura

foto garcía marquez

Na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, a notícia da morte do escritor colombiano Gabriel García Márquez foi recebida com tristeza. No meio de uma mesa de debates, foi o poeta Zé Carlos Vieira quem deu a notícia. A plateia lamentou. “Acabo de receber a notícia da morte de Gabriel García Márquez. Isso é muito triste para a gente, muito triste para a literatura”.

Gabriel García Márquez morreu nessa quinta-feira (17), em casa, na Cidade do México, aos 87 anos. Ele nasceu em Aracataca, na Colômbia, no dia 7 de março de 1927. Além de escritor, era também jornalista. Entre seus livros mais conhecidos, estão Cem Anos de Solidão e O Amor nos Tempos do Cólera. Foi também ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1982.

(Agência Brasil)

Tecnologias estão dando mais chances para novos escritores

Os escritores da Nova Geração de Ficcionistas Brasileiros, Michel Laub, Luisa Geisler, Verônica Stigger e José Rezende, disseram nesse domingo (13), na 2ª Bienal do Livro e da Literatura, em Brasília, que as novas tecnologias proporcionaram mais oportunidades para novos escritores virem à tona. Isso não significa, entretanto, que está mais fácil consolidar uma carreira como escritor.

“Ao mesmo tempo em que a internet oferece mais visibilidade, muita gente acaba publicando e, portanto, existe muita coisa disponível. Assim, é mais difícil um leitor ser atraído por um texto que possa, a princípio, parecer estranho”, explicou Laub. “Se a pessoa tem talento ela rapidamente é reconhecida, mas a tecnologia não faz com que os escritores de hoje sejam melhores do que os de 50 anos atrás. A história muda e o leitor muda, mas sempre haverá uma seleção do que é bom ou ruim por parte do público”, completou o escritor e jornalista.

A influência de novos formatos, como e-books (livros digitais, comprados e lidos na tela de tablets ou formatos semelhantes) preocupa José Rezende, mediador do debate. Embora goste das novas possibilidades de acesso à literatura, ele teme que trilhas sonoras ou pequenos filmes sejam usados no meio dos textos. Luisa e Verônica, no entanto, não acreditam que essa possibilidade de interatividade possa ser algo prejudicial. “Acho que o nosso limite é sempre forçar questionamentos sobre algo ser ou não literatura. Às vezes pode ser diferente, mas nem por isso, deixaria de ser uma experiência literária”, disse Verônica.

(Agência Brasil)

Meio século de caminhada socialista

Em artigo no O POVO deste sábado (22), o jornalista Luiz Henrique Campos comenta livro de Gilvan Rocha, em que a esquerda socialista não reconhece seus erros nos sombrios anos de repressão no Brasil. Confira:

Terminei de ler esta semana o livro Meio Século de Caminhada Socialista, escrito por Gilvan Rocha. O autor, hoje com 72 anos, publicou a obra em 2008, mas nada mais atual para um momento no qual se discute os 50 anos da derrubada do governo de João Goulart. Para quem não sabe, o pernambucano Gilvan Rocha iniciou sua trajetória de luta aos 16 anos, meio que por acaso, empurrado para uma grande passeata de estudantes secundaristas em Recife, no ano de 1958.

Depois disso, graças à aliança entre “socialistas”, trabalhistas, “comunistas”, reacionários e trabalhistas, chegou a fazer campanha para Cid Feijó Sampaio, usineiro ultra-direitista da UDN, contra Etelvino Lins, do PSD, que representava na visão de seus opositores a “oligarquia dos coronéis” em Pernambuco. A chapa udenista venceu, mas o jovem Gilvan, até então mero cumpridor de tarefas do PCB, não entendia muito o real sentido daquela vitória. A partir desse questionamento se vê como dissidência do partidão, fazendo parte da tentativa de implantar uma guerrilha no interior de Goiás, no ano de 1962. É claro que esse intento foi um fracasso.

A sequência biográfica de Gilvan Rocha desde então é marcada por fugas, troca de nomes e o exílio, que o levou também a vivenciar a Revolução dos Cravos, em 1974, em Portugal. A sua rica história de vida, porém, não é mote desse artigo. Mais do que episódios tensos apresentados na obra, o que chama a atenção é a reflexão proposta sobre os erros da chamada esquerda socialista, que para ele seria também culpada pelos longos e sombrios anos de repressão que se seguiram a abril de 1964. Primeiro por ter embarcada, acriticamente, no que Gilvan declara ter sido uma tentativa de luta nacional reformista, e jamais em prol da implantação do socialismo. Segundo, por menosprezar a possibilidade de uma contra-revolução, e por fim, ao considerar que o grande inimigo era o imperialismo americano, esquecendo a dicotomia de classes como ponto central.

Gilvan cobra com dureza autocrítica das esquerdas, que preferem culpar os inimigos ao contrário de reconhecer seus erros. O livro é crítico a Miguel Arraes e ao líder das ligas camponesas, Francisco Julião. Tudo com conhecimento de causa, pois Gilvan vivenciou por dentro esses embates. Tai um bom debate.

História da índia Iracema é contada em 18 totens no espigão da João Cordeiro

foto livro urbano 140310 inauguração

O prefeito Roberto Cláudio e o secretário de Turismo (Setfor) Salmito Filho entregaram na noite dessa segunda-feira (10) o projeto Livro Urbano, no espigão da rua João Cordeiro, na Praia de Iracema.

Os principais trechos da obra Iracema, do cearense José de Alencar, estão contados em 33 capítulos, por meio de 18 totens espalhados ao longo do espigão, com 2,3 metros de altura cada. O projeto Livro Urbano recebeu recursos do Ministério do Turismo, na ordem de R$ 305,9 mil, mediante emenda do deputado federal Arnon Bezerra.

Prefeitura de Fortaleza inaugura projeto que conta a história da índia Iracema

A Prefeitura de Fortaleza entrega nesta segunda-feira (10), a partir das 17 horas, o projeto Livro Urbano, que conta a história resumida do livro Iracema, uma das mais importantes obras do escritor cearense José de Alencar. A solenidade será no espigão da rua João Cordeiro, na Praia de Iracema, contará com a presença do prefeito Roberto Cláudio e do secretário de Turismo (Setfor), Salmito Filho.

Em trinta e três capítulos, os principais trechos da obra do cearense José de Alencar estarão em dezoito totens espalhados ao longo do espigão, com 2,3 metros de altura cada. O projeto Livro Urbano recebeu recursos do Ministério do Turismo, na ordem de R$ 305,9 mil.

Entre os convidados para a solenidade de entrega do projeto que conta a obra de José de Alencar estão representantes da Academia Brasileira de Letras e da Academia Cearense de Letras.

(Prefeitura de Fortaleza)

As Crônicas do Ruy

ruyeliane marzano

Ruy e Eliane Marzano.

O jornalista Ruy Lima, do Grupo O POVO de Comunicação, conta os dias para lançar seu livro de crônicas “Mademoiselle k e Outras Histórias”. No conteúdo, há crônicas das mais curiosas e engraçadas. Uma delas, “Como negociar a sogra e a cama de solteiro”.

O lançamento será dia 17 deste mês, às 19 horas, no “Seu Boteco”. Gil Dicelli responde pela capa, enquanto a ilustração ficou por conta do Carlus Campos. A “orelha” da publicação é da diretora-executiva do O POVO, Fátima Sudário.

(Foto – Blog Beleza, do O POVO Online)

 

A Cabeça do Santo

foto livro socorro acioli

A escritora cearense Socorro Acioli fará o lançamento do livro “A Cabeça do Santo”, neste domingo (23), a partir das 17 horas, na Livraria Cultura (avenida Dom Luís, 1010), no bairro Meireles.

O livro conta a história de um viajante que consegue abrigo na cabeça da estátua de Santo Antonio e consegue ouvir os pedidos das mulheres que procuram casamento.

O anjo

foto anjo

Na Hora do Anjo, eis um conto enviado ao Blog de autoria do jornalista Nicolau Araújo para reflexão. Confira:

Em sua passagem de morte, um homem buscou a luz que avistara. Ao centro da entrada de uma caverna, por onde irradiava a luz, havia um anjo com uma espada, que lhe abriu as asas.

– Negaste ajuda a quem te pediu. Zombaste da ingenuidade e abusaste das tuas qualidades. O que tens a dizer em teu favor? Indagou o anjo, em um abrir e fechar de asas.

– Lamento e me arrependo. É só o que posso dizer. Afirmou o homem.

O anjo então deu um passo para o lado e disse:

– Podes passar.

O anjo se recolocou à frente da luz, diante da aproximação do segundo homem.

– Prometeste o que a ti não cabia, abusaste de juras, abandonaste quem em ti confiou toda uma vida. O que tens a dizer?

Cabisbaixo, o homem nada falou. Mas lágrimas revelaram a sua vergonha.

O anjo então deu um passo para o lado e disse:

– Podes passar.

Na aproximação do terceiro homem, o anjo se recolocou à frente da luz:

– Exploraste os mais humildes, enganaste…

– Um momento, interrompeu o homem. Vi o que você fez com aqueles infelizes e vejo que você quer fazer o mesmo comigo. Por que você não destaca o que de bom fizemos em vida, ao invés de nos cobrar as fraquezas?

– Continue. Interessou-se o anjo, no abre e fecha de suas asas.

– Fui eu quem coloquei leitos em hospitais públicos, diante de uma calamidade. Fui eu também quem distribui presentes para crianças pobres, em um dia de Natal. Também mandei construir um abrigo para idosos de ruas. E agora tenho que justificar alguns erros que nem lembro mais?

– Assim como tu, aqueles também realizaram boas ações. Mas, ao contrário de ti, eles as carregaram no coração. Não em suas mentes. Retorna.

O mundo e o viveiro

Em conto enviado ao Blog, o jornalista Nicolau Araújo nos faz refletir sobre os nossos ideais para 2014. Afinal, você habita o mundo ou um viveiro? Confira:

No alto de um vale, havia um grande viveiro com inúmeras espécies de pássaros. Todas as aves nasceram e cresceram sob os cuidados de um velho e solitário fazendeiro. O orgulho do cativeiro, porém, era um novo e avermelhado canário, que se destacava dos demais, por causa de seu belo e forte canto.

Um dia, o velho fazendeiro, seduzido pelo canto de um selvagem pássaro azul, resolveu armar um alçapão para capturar a livre ave do vale. Horas depois, o passarinho azul fora atraído pela estranha armadilha e ficou preso no alçapão.

Ao observar a agitação da selvagem ave azul na armadilha, o velho ainda hesitou em colocá-la no viveiro, junto aos domesticados e cantadores pássaros. Mas a sedução pelo canto do vale foi mais forte e o viveiro recebeu o seu primeiro morador não nascido no cativeiro.

Porém, triste com a perda da liberdade, o pássaro azul nunca chegou a soltar sequer um pio, diante dos vários estrilos do grande viveiro. Após observar o silêncio do novo morador, já há alguns dias, o orgulhoso canário avermelhado se aproximou e, com uma irônica melodia, perguntou-o:

– Você não sabe cantar?

– Sei… Respondeu o pássaro azul, em um único suspiro.

– Então, por que nunca ouvimos o teu canto? Pois, se tu não sabes, o canto é a maior qualidade de nós, os pássaros! Intrigou-se o canário.

– Não! Manifestou-se a selvagem ave. A maior qualidade dos pássaros é voar!

– E os pássaros voam?! Agitaram-se os demais pássaros do cativeiro, acostumados apenas a saltar diante dos poleiros, devido ao pouco espaço do viveiro para tantas aves.

– É claro que voamos, é da nossa natureza. Ressaltou o pássaro azul, tentando encontrar espaço, para uma demonstração.

– É mentira! Interrompeu o canário. Os pássaros cantam, não voam. E começou a estrilar.

Mas o pássaro azul insistiu no voo das aves e começou a contar suas aventuras de quando era livre, com a tristeza da saudade. Mesmo com a implicância do canário, muitos pássaros se sensibilizam com as histórias da selvagem ave e começaram a parar de cantar, um a um.

Assustado com o silêncio no viveiro, pois somente o canário insistia em manter o canto, o velho fazendeiro imaginou que, talvez, o pássaro azul tivesse levado alguma desconhecida doença para as outras aves. E resolveu se livrar da ave do vale, libertando-a do cativeiro.

Para a surpresa do viveiro, o pássaro selvagem voou, cantou e prometeu retornar para libertar a todos.

– Ele não vai voltar. Não mantenham a esperança, vamos voltar a cantar. Gritou o canário, tentando disfarçar a sua surpresa com o que acabara de presenciar.

No entanto, três dias depois, ao final de uma tarde silenciosa, o pássaro azul retornou ao viveiro na companhia de um amigo pica-pau para cumprir a sua promessa.

Rapidamente o pica-pau começou a bicar a madeira que sustentava as grades do viveiro. Bicou, bicou, até provocar uma abertura no cativeiro.

– Vamos, meus amigos. Chamou o pássaro azul. Venham conhecer a liberdade.

Mas, timidamente, os pássaros chegavam até a abertura do cativeiro e recuavam.

– Estamos com medo, disseram. Nós não sabemos voar. Voar não é para nós, pois nunca fomos livres. Vamos cair.

– É claro que vocês sabem voar, insistiu a selvagem ave. É da nossa natureza, apenas sigam os seus instintos.

– Vocês vão cair! Vocês vão morrer! Agitou-se o canário cantador.

– Ninguém vai cair, garantiu o pássaro azul. Nós temos asas e uma natureza, libertem o desejo de voar.

Encorajada por um sentimento de liberdade, a primeira ave do cativeiro bateu suas asas, se desequilibrou, quase caiu, mas conseguiu recuperar a confiança e voou. Voou, voou e cantou como nunca antes.

– É verdade! Os pássaros voam, que delícia é a liberdade! Gritou do alto, encorajando outras aves.

Uma a uma foi deixando o cativeiro, com a mesma alegria de liberdade. Até restar somente o canário.

– Você não vem? Perguntou o pássaro azul.

– Não, vou ficar. Já tenho o meu belo canto, não preciso voar para me sentir livre. Respondeu o orgulhoso canário.

– O seu canto é belo, é verdade. Mas tenho certeza que, se você for livre, ficará ainda mais belo. Insistiu a ave do vale.

– Sou o melhor de todos no canto, mas não tenha certeza se serei tão bom no voar. Deixe-me em paz, você já me trouxe muitos problemas. Esquivou-se o canário.

E o pássaro azul partiu de volta para o alto do vale, onde todos os dias viveu intensamente a liberdade, na companhia dos novos amigos.

Ao final de todas as tardes, quando o vale então silenciava, de muito longe os pássaros ouviam o triste canto de um solitário canário, o canto de quem não teve a humildade e a coragem de seguir a sua natureza.

Nicolau Araújo, jornalista

Fortaleza assistirá a um documentário sobre Guimarães Rosa

guimaraes-rosa

“Outro Sertão”, documentário sobre o período em que o escritor Guimarães Rosa viveu na Alemanha nazista, será exibido pela primeira vez em Fortaleza no próximo dia 14. Isso ocorrerá dentro do I Festival Internacional de Biografias (FIB). Lançado neste ano, o documentário foi o vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Brasília e Prêmio do público na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo como Melhor Documentário Nacional. As cineastas Adriana Jacobsen e Soraia Vilela, diretoras do filme, participarão de debate após a exibição, que terá início às 18 horas com acesso gratuito.

O FIB acontecerá de 14 a 17 no Estoril e entorno, reunindo os mais importantes biógrafos brasileiros da atualidade. É apresentado pelo Ministério da Cultura e Banco do Nordeste, numa realização do Instituto de Referência da Imagem e do Som – IRIS e Governo Federal. A promoção é da Prefeitura de Fortaleza, com apoio da Secretaria Estadual de Cultura.

SERVIÇO

Mais informações: (85) 3235-4063. E-mail: contato@festivaldebiografias.com.br.

O Festival é apresentado pelo Ministério da Cultura e Banco do Nordeste, numa realização do Instituto de Referência da Imagem e do Som – IRIS e Governo Federal. Produção Executiva: Quitanda das Artes. Promoção: Prefeitura Municipal de Fortaleza. Apoio Cultural: Secretaria Estadual de Cultura, via

"O Alquimista" é o terceiro na lista dos mais vendidos

“Um fenômeno de longevidade, O Alquimista, de (é preciso mesmo dizer de quem?) Paulo Coelho, aparece nesta semana em terceiro lugar na lista dos mais vendidos de ficção (trade fiction paperback) no The New York Times.

À sua frente, 50 Tons de Cinza e Morte Súbita, novo livro de JK Rowling. O livro de E. L. James está há 79 semanas na lista; o de Rowling há oito e o de Coelho há 270 semanas.”

(Coluna Radar – Veja Online)

Tércia Montenegro é finalista do Prêmio Portugal Telecom de Literatura

igorfmelo

“A professora Tércia Montenegro, do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Ceará, é finalista do Prêmio Portugal Telecom de Literatura, na categoria “Conto ou Crônica”, com seu quarto livro de contos, O tempo em estado sólido (Grua Editora), escrito entre 2009 e 2010.

A divulgação dos livros que disputam a final da edição 2013 do Prêmio foi feita na noite da última segunda-feira (9). Concorrem com Tércia, na mesma categoria, os escritores: Sérgio Sant’Anna, com Páginas sem glória (Companhia das Letras); Cintia Moscovich, com Essa coisa brilhante que é a chuva (Record); e Noemi Jaffe, com A verdadeira história do alfabeto (Companhia das Letras).

Os vencedores desta e das categorias “Romance” e “Poesia” serão anunciados em novembro, assim como o ganhador do Grande Prêmio Portugal Telecom. Cada um vai receber R$ 50 mil. Ao todo, 450 livros foram inscritos no Prêmio. O júri havia selecionado, para a semifinal, 63 obras. Destas, 12 são as finalistas.”

(Site da UFC/Foto – Igor de Melo)