Blog do Eliomar

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Bárbara de Alencar para adolescentes

Com o título “Bárbara de Alencar vive!”, eis artigo do pesquisador e poeta Gilmar Chaves. Ele conta como elaborou livro sobre essa personagem, só que buscando agora o públcio adolescente. Confira:

A história de vida de Bárbara de Alencar é muito cativante pelos traços universais do feminino bravio que carrega, por sua paixão pela política e por sua gesta heróica.

No início do ano 2000, me debrucei sobre os fatos para construir uma narrativa histórica adornada pelas vergas da oralidade e das lendas, e de um laborioso trabalho bibliográfico, extraindo desses marcos da pesquisa, episódios inusitados.

Nascida no século 18 (11/02/1760), Bárbara de Alencar, ou dona Bárbara do Crato, como assim se tornou conhecida, me embrenhou nas trilhas do nosso processo colonizatório, conduzindo-me pela mão à tentativa de desvendar sua ancestralidade em terras brasileiras e portuguesas, conviver com sua família, ouvir sua fala, cavalgar as margens dos rios e sentir a dor que ela, três de seus filhos, um irmão, um dos cunhados, e muitos outros que aderiram a construção do ideário republicano, sofreram em cárceres imperiais do Ceará, de Pernambuco e da Bahia.

Parte dessa travessia histórica está impressa no livro A Invenção de Bárbara de Alencar, que escrevi para adolescentes. Mais de dezessete mil exemplares já foram distribuídos em Escolas Públicas urbanas e rurais, e Assentamentos, realizando assim em torno de trezentas palestras, Bárbara de Alencar e a construção do sentimento de cidadania.

Ainda este ano, faremos mais 52 palestras, contempladas pelo X Edital Mecenas do Ceará, da Secult, e será publicada a narrativa para o público adulto, sobre a qual me debrucei durante longos quinze anos.

A importância única dessa mulher de vanguarda, profética no fundo do seu ser, é, portanto, um exemplo para os tempos atuais.

*Gylmar Chaves,

gilmarchaves@hotmail.com

Pesquisador, escritor e poeta.

Romance policial será lançado no Cantinho do Frango

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“Os Presságios Bulímicos” é o nome do livro que o jornalista Pedro Costa lançará às 19 horas desta quinta-feira, no Cantinho do Frango. Trata-se de um romance policial que se passa em Fortaleza. “No coração da Aldeota, conhecemos a advogada criminal, Lia Caruso. A trama detetivesca começa a se desenrolar a partir daí”, conta o autor.

Entram em cena personagens envolvidos em uma história de mistério e suspense. Um homicídio precisa ser desvendado. Sob o manto de mais um crime banal desenha-se o retrato de muitos problemas imersos de uma metrópole em ebulição.

Algo fica mal explicado e cabe a Lia Caruso, com a ajuda de seu grupo de amigos, dar termo a um processo enérgico de combate ao crime organizado.

SERVIÇO

*Cantinho do Frango – Rua Torres Câmara, 71.

*Editora Substância – R$ 40,00.

Escritora cearense abre a VII Bienal Rubem Braga no Espírito Santo

A escritora e jornalista Ana Karla Dubiela, com quem estudamos na UFC, abrirá, nesta noite de quarta-feira, em Cachoeira de Itapemirim (ES), a VII Bienal Rubem Braga. Ela dará palestra e lançará o livro “As Cidades de Rubem Braga e W. Benjamin”.

O livro é o último de uma trilogia sobre o escritor capixaba. A traição das elegantes pelos pobres homens ricos – uma leitura da crítica social em Rubem Braga foi lançado em 2007, há 10 anos. Em 2010 veio Um coração postiço, a formação da crônica de Rubem Braga.

As Cidades costura um encontro fictício de Braga com o poeta francês Charles Baudelaire e o filósofo e crítico literário alemão Walter Benjamin.

(Foto – Divulgação)

Academia Fortalezense de Letras ganhará mais três imortais

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Tales de Sá e sua amada, Valéria Studart.

Irapuan Diniz Aguiar, conselheiro da OAB do Ceará, o secretário estadual do Meio Ambiente, Artur Bruno, e o controlador da Rede de Ensino FB, Tales de Sá Cavalcante, tomarão posse, nesta quarta-feira, como membros da Academia Fortalezense de Letras.

O ato ocorrerá a partir das 19 horas, no Palácio da Luz, sob o comando do presidente dessa academia, José Augusto Bezerra.

(Foto – Divulgação)

Um comentário sobre FHC

Com o título “Das classes às narrativas”, eis artigo do professor universitário André Haguette (UFC). Ele comenta resenha do último livro do ex-presidente FHC. Confira:

Leio numa resenha na revista Veja que, no seu último livro, Crise e Reinvenção da Política no Brasil, Fernando Henrique Cardoso estabelece uma distinção entre a sociedade moderna, mais fixa e previsível, e uma sociedade nova nascida nos anos 1990 e na qual o Brasil estaria entrando, a sociedade contemporânea, em fase acelerada de evolução — com seus avanços tecnológicos na nanotecnologia, na Internet, na robotização, as grandes empresas pulverizando suas fábricas entre diferentes países ao mesmo tempo em que os mercados se interconectam —, tudo com o objetivo de “concentrar os centros de criatividade, dispersar a produção em massa para locais de mão de obra abundante e barata e unificar os mercados, sobretudo financeiros”. “Sociedades novas não quer dizer ‘boas sociedades’”, segundo opina Fernando Henrique. A globalização produzirá ganhadores e perdedores. Na nova sociedade, as classes sociais não têm a preeminência de antes, no papel de grande divisor das lutas políticas; ganharam a concorrência de fatores de identidade como o gênero, a raça, a religião, a orientação sexual. Os sindicatos e os partidos perderam terreno para os movimentos e, sobretudo, para o indivíduo informado e conectado.

Com certeza me reconheço na descrição dessa passagem de um tipo de sociedade para outro, eu que me sinto mais confortável diante da televisão (moderna) do que com a Internet (contemporânea). Mas nessa travessia do moderno, isto é, do coletivo (economia de massa, partidos, sindicatos, classes sociais, planejamento, desenvolvimento, valores vividos como perenes, destino predestinado) ao indivíduo (gênero, raças, mulheres, minorias, grupos de interesse, corporativismos, donos de planos de saúde, de escolas, mercadorias personalizadas, fetichismo da saúde e da juventude, representações e narrativas) vejo que o Brasil perde duas vezes. A primeira, por nunca ter resolvido sua indecente contradição entre capital e trabalho. Em época de classes sociais, sindicatos e partidos políticos, a desigualdade e a pobreza ficaram incólumes; riqueza e poder continuaram familísticos, corporativos e regionais, jamais chegando a uma industrialização e urbanização capazes de incluir as massas.

Assim perdemos o momento histórico “mais fixo e previsível” para entrar, despreparados, no universo precário, fragmentário e “líquido” do reino do indivíduo, que Fernando Henrique considera, de modo utópico (“wishful thinking?”), mais “participante” do que “egoísta”.

E aí estamos nós a tatear nessa nova sociedade, atordoados, perdidos, estressados e sem uma economia, nem saúde, educação, Justiça, segurança de massa, num mundo das individualidades, das diferenças, das minorias, das narrativas etnográficas diversificadas e do mapeamento das divisões territoriais de bairros, da violência, da cultura! Como construir essa sociedade contemporânea em cima da areia movediça de nossa modernidade desperdiçada? Como desfrutar de narrativas individuais quando nossa modernidade nunca se concluiu e as classes sociais continuam a ser a grande narrativa que ninguém mais quer entoar?

*André Haguette

haguetteandre@gmail.com

Sociólogo e professor titular da UFC.

Academia Sueca decide não entregar o Nobel de Literatura

A Academia Sueca, organização que escolhe os agraciados pelo Nobel de Literatura, não vai anunciar o ganhador de 2018 por causa de um escândalo de abuso sexual que atingiu a instituição. A informação é da agência EFE.

Em um comunicado, a academia diz que a decisão foi tomada por causa do estado atual “reduzido” da Academia e da “perda de confiança pública” na casa. Diz ainda que precisa rever seus estatutos e práticas e questões de conflito de interesses.

No centro da decisão está um escândalo sexual que começou a vir à tona há seis meses, quando surgiram denúncias de agressão sexual, feitas por 18 mulheres, contra um fotógrafo francês, Jean-Claude Arnault, que dirige um projeto financiado pela Academia Sueca e era um dos homens mais influentes da cena cultural de Estocolmo.

Entre as autoras das denúncias estão integrantes da academia (o equivalente sueco à Academia Brasileira de Letras) e mulheres de integrantes. Arnault é casado com a poeta e escritora Katarina Frostenson, também da Academia Sueca. Várias das supostas vítimas disseram que foram vítimas de agressão sexual em instalações da própria Academia.

Leitores em perigo

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Em artigo no O POVO deste sábado (28), a jornalista Regina Ribeiro avalia o novo Programa Nacional do Livro Didático. Confira:

Na última quarta-feira, 25, as principais editoras brasileiras travaram um debate acirrado com o Ministério da Educação (MEC). Em pauta estava o nível de “instrumentalização” da literatura nas escolas da rede pública. Em vias de execução, o novo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD Literário), que definirá as compras governamentais dos livros de literatura para as faixas que vão o desde o ensino infantil até o nível médio, traz mudanças radicais.

Com vários pontos de discórdia, o que pareceu mais complexo foram exigências do edital para que as obras literárias inscritas tragam paratextos sobre o livro e o autor além da obrigatoriedade de manuais para o professor, com explicações detalhadas sobre a obra e atividades em sala de aula. Os paratextos deveriam constar em livros a partir do 1º ano do ensino fundamental. Os manuais para todas as etapas.

A explicação da diretora do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Renilda Peres de Lima, foi a de que “muito professores não sabem usar um livro de literatura em sala de aula” e que os textos complementares ajudariam os docentes com a tarefa de “incentivar a leitura” nos estágios iniciais da vida escolar. A proposta do MEC para os paratextos provocou uma onda de incompreensão na sala quando houve a sugestão, por parte dos técnicos, de que a linguagem desse material complementar pudesse ser “acessível tanto aos alunos quanto aos professores”.

Você deve estar se perguntando: existe algum problema nisso? Por que os professores não deveriam receber esse material de apoio? Os paratextos são prejudiciais aos alunos que recebem os livros? Essa não é uma resposta fácil, mas nesse caso específico concordo inteiramente com o presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Marcos Pereira, ao afirmar, durante o encontro, ser necessário estabelecer a diferença entre estratégias de marketing das editoras e uma política nacional de “instrumentalização da literatura”, imposta oficialmente por meio de editais.

Vou um pouco além. Quando a diretora do FNDE admite que um professor da rede básica não sabe lidar com um livro de literatura, isso já representa uma tragédia para o País num momento em que as novas gerações têm o desafio de competir com máquinas. Quando a solução oferecida para esse estágio de “desletramento” nacional concentra forças em manuais e paratextos é possível perceber o fosso das desigualdades se ampliando ainda mais.

No próprio edital vê-se certa incongruência que ronda o novo projeto literário para a rede pública. Enquanto o documento estipula que a leitura da literatura deve incentivar os estudantes a fazerem “uma reflexão sobre si próprios, os outros e o mundo que os cerca”, os acessórios impõem uma leitura única do texto, cercada de apetrechos pedagógicos que já provaram — não apenas no Brasil, mas na França, Inglaterra, Estados Unidos —, que não tornam a leitura um hábito prazeroso nem formam leitores de uma vida inteira.

Do ponto de vista pedagógico, reconheço ferramentas que contribuem de forma decisiva para a mediação da leitura. Mas isso é muito diferente de tratar a literatura como algo que pode ser enquadrado em manuais. Não apenas a literatura corre perigo. Uma nova geração de leitores — ainda que poucos — pode simplesmente desaparecer.

Irapuan Aguiar, advogado e articulista do Blog, agora é da Academia Fortalezense de Letras

Advogados Humberto Cunha, Djalma Pinto e Irapuan Diniz Aguiar.

Articulista deste Blog, o advogado e professor Irapuan Diniz Aguiar acaba de ser informado pelo cúpula da Academia Fortalezense de Letras (AFL) de que vai integrar como membro essa entidade.

Irapuan Aguiar ocupará a cadeira que tem como patrono o escritor e poeta Moreira Campos.

“Partilho esta notícia com o dileto amigo”, diz, em comunicado, Irapuan, no que comemoramos também essa conquista.

BNB fomenta encontro sobre incursão do brega na Literatura

Gênero musical brasileiro comparado ao twist e às baladas de rock dos anos 1960 nos EUA, o brega tem avançado para outras linguagens artísticas. Para falar sobre a incursão do brega na Literatura, o Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza promoverá um diálogo entre dois escritores que já levaram o tema para suas obras de ficção: Thiago de Góes e Ricardo Kelmer, autores de Contos Bregas e Trilha da Vida Loca, respectivamente.

O encontro, segundo a assessoria de imprensa do Banco do Norcdeste, está marcado para terça-feira, às 15h30min, no CCBNB (Centro). A entrada é gratuita.

Ambos os autores escreveram histórias fictícias inspiradas ou epigrafadas por versos de canções populares imortalizadas por cantores como Waldick Soriano, Reginaldo Rossi e Fernando Mendes, entre outros ícones da música brega.

Perfil dos convidados

Thiago de Góes é jornalista e escritor potiguar, radicado em Fortaleza. Tem três livros de contos publicados: “Contos Bregas”, “Lobas, Deusas e Ninfetas” e “Cavalo Negro e Outras Histórias Fabulosas”. Sua literatura é uma forma de subverter a banalidade do cotidiano.

Ricardo Kelmer é escritor, roteirista e letrista musical. Mora em Fortaleza e São Paulo. Produtor do Bordel Poesia (sarau e festa) e do projeto Letra de Bar. Apresenta-se em bares e teatros com shows musicais-literários. Ateu e democrata incondicional. Adepto do amor e das relações livres.

SERVIÇO

*CCBNB – Rua Conde d’Eu, 560. Centro.

*Entrada franca.

(Foto – Divulgação)

Livro sobre Thomaz Pompeu será lançado em Fortaleza

De autoria do jornalista e pesquisador Jáder Santana (O POVO), será lançado nesta quinta-feira, às 19 horas, o livro Thomaz Pompeu. O ato ocorrerá na Livraria Leitura, no Shopping RioMar Fortaleza.

A publicação, da Editora Dummar, é uma biografia de um cearense que foi empresário, jurista e que, durante a 2ª Guerra Mundial, conseguiu fotografar o quebra-quebra que se instalou no Centro de Fortaleza quando afundaram navios brasileiros.

Haverá debate com Thaís Jorge, jornalista e pesquisadora da UFC, com mediação da também jornalista Iana Soares, editora de imagem do O POVO).

(Foto – Paulo MOska)

Biografia de Parsifal Barroso será lançada no dia 15 de maio em Fortaleza

Luís-Sergio Santos e sua Isabela Martin.

O livro “Parsifal: um intelectual na política”, de autoria do professor Luís-Sérgio Santos (UFC), será lançado em Fortaleza, dia 15 de maio próximo, às 19 horas, na Livraria Cultura. A publicação vem com o selo da Editora Escrituras (SP) e do Instituto Myra Eliane, presidido por Igor Queiroz Barroso.

Esta biografia preenche uma lacuna na historiografia do Ceará: narra a trajetória política do mais jovem ministro do presidente Juscelino Kubitschek. Eleito governador do Ceará, Parsifal Barroso foi o marcante político que costurou a coligação “União pelo Ceará” que elegeu Virgílio Távora governador. Ou seja, Parsifal derrotou VT em 1958 e ajudou a elegê-lo governador em 1962.

O livro tem 464 páginas e por ele desfila importante período da história do Ceará e do Brasil.

SERVIÇO

*Livraria Cultura – Avenida Dom Luís, 1.010 – Aldeota.

De ficção e realidade

Editorial do O POVO deste domingo (1º) avalia o filme sobre a Lava Jato, produzido pela Netflix. Confira:

Como tudo o que acontece no Brasil atualmente, não passaria sem protestos a série O Mecanismo, inspirada na operação Lava Jato, assunto que também já havia gerado o filme Polícia Federal – A lei é para todos, de Marcelo Antunes, do mesmo jeito alvo de polêmica.

A série, produzida pela Netflix e dirigida por José Padilha, conta o início da operação que ainda investiga o maior esquema de corrupção no Brasil. A primeira temporada termina com a prisão de empreiteiros participantes da rede criminosa.

Apresentada como “obra de ficção inspirada em fatos reais”, a série traz personagens identificáveis para quem acompanha os acontecimentos políticos. E os problemas começam aí. Padilha passou a ser recriminado por, supostamente, falsear a realidade, principalmente ao pôr na boca do personagem João Higino (o ex-presidente Lula) a famosa frase de Romero Jucá, qual seja, a necessidade de “estancar a sangria” da Lava Jato.

Janete Ruscov, a personagem que representa Dilma Rousseff, aparece no filme em situações comprometedoras, das quais a ex-presidente não participou. Assim, Dilma passou a acusar Padilha de espalhar “fake news”.

Em favor do diretor diga-se que suas investidas não se restringiram aos personagens petistas. Thames (Temer) e Lúcio Lemes (Aécio Neves) são apresentados como golpistas e conspiradores. Mas a questão é: pode-se exigir de um filme, de um quadro ou de um livro que eles respeitem os “fatos”, quando o próprio conceito de obra de arte pressupõe liberdade total para criar a sua própria realidade, inclusive aquela descolada da verdade factual?

Assim, pode uma série de ficção – ainda que inspirada em fatos reais – ser acusada de produzir informação fraudulenta?

A resposta óbvia é não. Agora, protestos contra a obra também são livres. E, talvez Padilha fizesse melhor se se dispusesse a responder as críticas sem desqualificar o interlocutor, como fez com a ex-presidente Dilma, a quem acusou de “não saber ler”, por ter desconsiderado o alerta no início dos episódios.

Aceitar críticas e saber diferenciar ficção e realidade ajudaria a desarmar os espíritos.