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A nossa culpa na crise do mercado editorial brasileiro

Com o título ” A nossa culpa na crise do mercado editorial”, eis artigo de Jáder Santana, jornalista e editor no O POVO. Ele aborda a situação complicada da Livraria Cultura, por exemplo. Confira:

A crise que o mercado editorial vem enfrentando no Brasil e no mundo não é novidade. No vermelho desde 2012, a Livraria Cultura realizou uma das mais faladas operações financeiras do ano passado, anunciando a aquisição das operações brasileiras da Fnac, ganhando 12 novas lojas em sete estados e diversificando seus negócios. Poucas semanas antes desse anúncio, o presidente da Cultura, Sérgio Herz, havia declarado em entrevista, assumindo o cenário de instabilidade: “Se a Amazon vier aqui dizendo que quer me comprar, eu vou avaliar. Vai pagar bem?”

Em fevereiro último, a Barnes & Noble, maior rede de livrarias dos EUA, anunciou a demissão de 1.800 funcionários em 781 lojas, o que geraria economia de custos de aproximadamente US$ 40 milhões. Em pouco mais de um ano, as ações da empresa registraram uma baixa histórica: caíram de US$ 8,575 para US$ 4,60 por ação. Um dos maiores e mais antigos investidores da casa, David Abrams, vendeu todas as suas ações – cerca de 13% do valor total.

No campo das queixas e justificativas, quase todos os dedos da culpa apontam para a Amazon e sua política predatória de vendas: promoções diárias, grandes investimentos em marketing direcionado e fretes gratuitos. O crescimento da empresa, com um número cada vez maior de lojas físicas em inauguração, subverteu o discurso de que os livros estão fora de moda e de que já quase não se lê.

Mas a corrente da crise enfrentada pela Barnes & Noble, nos EUA, e pela Livraria Cultura, no Brasil, tem um elo ainda mais fraco. As pequenas livrarias, as lojas de bairro, são as que mais prejuízo sofrem nesse cenário de migração para uma experiência virtual de compras. Algumas se esforçam para a criação e consolidação de um calendário de atividades que movimentem o espaço entre as estantes e prateleira. São sobreviventes.

Fazia tempo que havia me rendido às facilidades da Amazon, mas há cerca de um ano decidi voltar a frequentar lojas físicas. Por opção, decidi acabar com as caixas de livros promocionais que chegavam pelos correios e se acumulavam pela casa. Vou à livraria quando preciso de uma nova leitura, escolho a partir da pilha de livros em mãos. É melhor assim. Essa experiência é impagável.

*Jáder Santana

jader.santana@opovo.com.br

Editor do O POVO.

O Ceará e a fofocaria

Com o título “A fofoca como gênero literário”, eis a crônica do jornalista Henrique Araújo, que pode ser conferida no O POVO desta quarta-feira. No texto, ele brinca e afirma que “… instituímos a fofoca como ponto cardeal da cultura com quase um século de antecedência em relação às fake news.” Confira:

No Ceará, a fofoca é mais que atividade comezinha, traquitana verbal ou penduricalho doméstico: é coisa séria. Entre nós, fofocar é gênero literário cultivado desde a chegada dos primeiros portugueses.

Consta que foi na base do disse-me-disse que o aldeamento passou a povoado e deste a vila, de modo que, desde a sua fundação, o Ceará dependeu da fofoca pra se firmar em meio às desavenças políticas e amorosas, impondo-se não pela força ou pelo convencimento, mas pela intriga.

À falta de símbolos sagrados ou ameaças potenciais de estrangeiros, coube à fofoca esse papel social. Por aqui, a catequese sempre se voltou à vida alheia, com a igreja fundada no mundanismo do assunto privado e nossos padres dedicados ao evangelho da alcova.

Novidadeiros, libertamos os escravos antes de todas as províncias do império, flertamos com o modernismo muito antes da Semana de 1922 e instituímos a fofoca como ponto cardeal da cultura com quase um século de antecedência em relação às fake news.

Mais expressiva que o cordel, mais popular que o forró, mais pegajosa que a rapadura, a fofoca é símbolo nosso. Como o artesanato em palhinha, o potinho de areia colorida ou o baião de dois com peixe frito, alimenta as engrenagens do ethos cearense, a ponto de denominar a própria Capital.

A operação semântica, conduzida pelas boas e más línguas, combina dois vocábulos, resultando no neologismo “Fofocaleza”, nome pelo qual a cidade atende a uma de suas vocações mais urgentes: dar a conhecer a vida de outrem por meio da disseminação não autorizada de fatos verídicos ou inventados.

Elemento coesivo, a fofoca cumpre assim função vital. Numa terra agreste onde cada metro quadrado já é um feudo e em toda esquina há um VAR do poderoso de plantão, a fofoca é também estratégia de sobrevivência. Na política ou na cultura, na economia ou na literatura, no trabalho ou no amor, exercitá-la é um ato de força da coletividade sobre o indivíduo.

Signo dúbio, a fofoca também é vanguardista. Como gênero literário, representa a escrita de si e dos outros, uma das vertentes mais em voga na literatura contemporânea, capaz de mimetizar acontecimentos sem de fato dizer se se trata de verdade ou mentira. Ora, ao fofoqueiro interessa sobretudo essa zona cinzenta na qual não se distinguem quem é o emissor da fofoca e quem é o personagem-alvo, restando apenas a zoada.

Nesse sentido, o Ceará, como já vem fazendo com a energia eólica, tem desperdiçado o grande potencial econômico da fofoca. Afinal, dos sete mitos fundadores da cearensidade (a fofoca, a hospitalidade, o humor, a macheza, a matutice, o recalque e a viçagem), ela é que mais se destaca.

É injustificável, por exemplo, a falta de uma “Flifoca” (Festa Literária da Fofoca), um “Focal” (micareta dedicada apenas ao gênero), uma “Foloca” (maloca da fofoca) ou um “Fofoca Vip” (evento no qual forrozeiros se juntam para emitir juízos morais sobre a vida privada de Wesley Safadão, dividindo-se entre facções pró-Mileide e pró-Thyane).

Também inacreditável que, entre dezenas de tapiocarias, esmalterias e gelaterias, não tenha surgido ainda um empreendedor de visão para apostar num negócio genuinamente cearense: a “fofocaria”.

*Henrique Araújo,

Jornalista do O POVO.

Vem aí o VI Congresso de Escritores, Poetas e Leitores do Ceará

Vem aí o VI Congresso de Escritores, Poetas e Leitores do Ceará. O evento, uma realização do Grupo Cultural Chocalho, em clima de 34 anos de existência, ocorrerá nos dias 24 e 25 de julho, na Casa José de Alencar.

Na programação, com início a partir das 9 horas, haverá lançamento de livros, palestras, exibição de filmes e muita música, informa o organizador do evento, professor e poeta Auriberto Cavalcante. Ele diz que o congresso comemora também o Dia do Escritor – 25 de julho.

Confira a programação completa:

Boca de Cachorro Louco – Um relacionamento abusivo

A segunda edição do livro Boca de Cachorro Louco, da escritora cearense Kah Dantas, será lançada nesta quinta-feira, às 19 horas, em evento na Vândala Cafés e Cervejas. A publicação apresenta um relato de uma história dolorida que, ao ser narrada no momento em que acontece, poderia ser confundida com uma história de amor intenso se não fosse, na verdade, um relacionamento abusivo.

Kah realiza um registro autobiográfico necessário para os nossos dias. O livro foi publicado em edição artesanal, em 2016, e vendeu mais de 600 cópias. A nova leva de exemplares foi impressa em edição feita pelo Selo Editorial Aliás, coletivo artístico de Fortaleza.

Perfil

Kah Dantas nasceu em 1991, é cearense, graduada em Letras pela Universidade Federal do Ceará e mestre em Literatura Comparada pela mesma instituição. Ler, escrever e comer são suas paixões desde sempre, e ela também adora viajar. Tem alguns contos publicados e premiados em concursos literários nacionais, apresenta seus textos sob a identidade literária Conta, Kah! (Tumblr e Instagram), tem um blog chamado Orgasmo Santo e este é o seu primeiro romance.

Aliás é um selo editorial independente, que surgiu em 2017 com o objetivo de publicar livros, zines e outras publicações artesanais nos mais diversos gêneros, com ênfase na literatura e nas artes visuais. Nossa proposta inclui a publicação de mulheres (cis e trans) nas conexões produtivas do livro e da literatura, buscando viabilizar a inserção de autoras (inéditas ou não) com temáticas que valorizem o papel fundamental da mulher na construção e na potencialidade de territórios mais livres, justos e igualitários.

SERVIÇO

*Casa Vândala (Rua Instituto do Ceará, 164 – Benfica)

*Informações: @selo.alias e @contakah

(Foto – Bruna Sombra)

Escritora Cláudia Carvalho lança “O Poder das Lagartixas”

A escritora Cláudia Carvalho lançará nesta quinta-feira,às 18h30min, na Livraria Cultura, “O Poder das Lagartixas”. Trata-se de um romance que destaca o protagonismo feminino. No ato, haverá um sobre o tema “O protagonismo feminino ontem e hoje”. Também consta no roteiro a apresentação musical da cantora Shirley Cordeiro.

Cláudia Carvalho é uma das mais aplaudidas escritoras cearenses, romancista e contista premiada. O seu novo livro “O Poder das Lagartixas” conta uma saga familiar, com duas linhas de tempo entre o passado e o contemporâneo, tendo em destaque o protagonismo feminino com personagens muito marcantes. O texto é envolvente, permeado por ganchos que prendem a atenção do leitor ao longo dos diferentes fios narrativos, incluindo amor e sexo, paixão e vingança, passado e presente, realidade e ficção.

“Há uma participação importante de um personagem conhecido do sertão, um nome histórico masculino, cuja identidade vai sendo revelada aos poucos. Traz questionamentos sobre sua vida, seus amores e sua morte, e embora seja um romance de ficção histórico, o livro tem também uma pegada contemporânea. Passa por um componente regional, embora não sendo regionalista. Os temas e as situações abordadas são universais”, explica Claudia Carvalho.

SERVIÇO

*Livraria Cultura – Avenida Dom Luiz, 500, Aldeota. Entrada franca.

*Mais informações – 4008-0800.

(Foto – Divulgação)

Gonzaga Mota disponibiliza mais de 700 publicações ao público

O ex-governador Gonzaga Mota promoverá neste sábado, das 9 às 19 horas, a Feira de Livros dos Escritores Cearenses. Vai colocar à disposição dos interessados, em sua Livraria, mais de 700 publicações.

SERVIÇO

*Livraria dos Escritores do Ceará – Avenida Santos Dumont, 3130 – Bairro Aldeota.

(Foto – Divulgação)

Escritora cearense integra júri internacional

A escritora Socorro Acioli, de “A cabeça do santo” e “Diga Astrasgud”, foi anunciada recentemente como integrante da edição 2019 do júri do NSK Neustadt Prize, dos Estado Unidos, uma das premiações mais importantes voltadas ao universo da literatura infantil. A lista de nove votantes é formada, além de Socorro, por autores dos Estados Unidos, Irlanda, Canadá e México.

“É um prêmio de muito prestígio, e estar nesse júri foi uma experiência incrível para mim. Recebi o livro dos autores finalistas e tive a oportunidade de conhecer uma gama de escritores que eu não conhecia”, reconhece Socorro, que já foi publicada nos Estados Unidos, na França e no Reino Unido.

Seu primeiro romance, A cabeça do santo, foi finalista do Los Angeles Times Book Prize, além de ter sido selecionado como um dos 50 melhores livros de 2017 pela Biblioteca Pública de Nova York. “Sempre que acontece algo assim, um trabalho fora do Brasil, me sinto com a missão e responsabilidade de não ser só pessoa física, mas de representar o meu país e, principalmente, a minha língua”, conta ela, que está preparando um novo romance.

Os finalistas do NSK Neustadt Prize devem ser divulgados ainda durante este mês, e o vencedor será revelado em outubro. O prêmio, que existe desde 2003 e tem caráter bienal, já foi laureado a oito escritores.

Socorro Acioli participa do Festival Vida&Arte, em Fortaleza, relançando seu último livro, Diga Astrasgud (Editora Dummar). O evento está marcado para o domingo, 24, a partir das 15 horas, no Café Lúcia Dummar, no Centro de Eventos do Ceará.

(O POVO – Repórter Jáder Santana)

Festival Vida & Arte – Confira a programação literária

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Saiu a programação do Festival Vida&Arte no que diz respeito ao segmento da Literatura. O evento, que ocorrerá de 21 a 24 deste mês de junho, no Centro de Eventos.reunirá escritores cearenses e estrangeiros, além de gestores culturais e convidados especiais.

Na programação, palestras, lançamentos de obras, sessões de autógrafos, debates e oficinas que jogam luz sobre a produção literária. Inês Pedrosa e José Eduardo Agualusa, dois nomes internacionais da literatura, são presenças confirmadas.

A programação terá ainda lançamentos e relançamentos de livros de escritoras como Juliana Diniz, Marília Lovatel e Socorro Acioli.

SERVIÇO

*Confira a programação aqui.

Jornalista Luís Sérgio Santos lança a biografia de Parsifal Barroso

O Instituto Myra Eliane lançará, nesta terça-feira (5), às 19 horas, na Livraria Cultura, a biografia do ex-governador Parsifal Barroso, que chegou a ser também senador e deputado. O autor é o professor e jornalista Luís Sérgio Santos. A obra faz parte das comemorações do aniversário de 60 anos da eleição do biografado para o executivo estadual.

Para o autor, o Governo de Parsifal (1959-1963) é um traço na historiografia do Ceará. “Normalmente se pula do governo Sarasate para o governo Virgílio Távora e isso me chamou a atenção. Foram três anos de pesquisa intensa. Dei minha contribuição preenchendo esse vazio e resgatando a incrível e precoce história de Parsifal”, afirma.

A obra

O livro ‘Parsifal – Um Intelectual na Política’ destaca o percurso da vida de um dos maiores políticos na história do país, tanto sua vida profissional quanto pessoal e intelectual. Antes de governar o Ceará, foi o ministro mais jovem do então presidente, Juscelino Kubitschek, à frente da pasta estratégica do Trabalho, Indústria e Comércio, em tempos turbulentos, com greves em todos os setores. Sua atuação como docente também comprova o escopo de suas ideias, amparadas por seus estudos de ciências sociais e História do Brasil e da região.

Eleito Governador em 1958, sobre Virgílio Távora, Parsifal teve uma gestão marcada pelo planejamento. Trouxe energia elétrica para o sul do Ceará, criou a Secretaria de Saúde, criou as bases da Universidade Estadual do Ceará (Uece) com a Escola de Veterinária, reestruturou a Secretaria de Educação, entre outros feitos descritos na obra.

Instituto Myra Eliane

O Instituto Myra Eliane, fundado em 2016 com base em Fortaleza (CE), atua no fomento à educação. Na frente editorial, já são três obras lançadas: a reedição do livro O Cearense (Parsifal Barroso), Olga Barroso – Na vanguarda da vida (Juarez Leitão), e Parsifal – Um intelectual na política.

SERVIÇO

*Livraria Cultura – Avenida Dom Luís, 1010 – Loja 8 – Aldeota

*Mais Informações – (85) 3456.3262

Biografia de Meghan Markle chega ao Brasil neste mês

Meghan Markle tem apenas 36 anos, mas acaba de ganhar uma biografia. Escrito por Andrew Morton, biógrafo da princesa Diana, o livro chega ao Brasil neste mês.

A informação é do jornalista Lauro Jardim, colunista do O Globo.

“Meghan: a princesa de Hollywood que conquistou a Inglaterra”, da editora Seoman, tem entrevistas com a família, amigos e professores da atriz, além de contar detalhes do início do romance com o príncipe Harry.