Blog do Eliomar

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Anitta não é nada bobinha

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O contrato fechado entre Warner Music e Anitta, o maior fenômeno musical de 2013 até o momento, prevê o lançamento de cinco CDs – só o primeiro, com tiragem de 60 000 até agora, foi lançado. Por show, atualmente, a cantora está faturando mais de 100 000 reais.

Anitta, a propósito, fechou dois contratos publicitários para o segundo semestre (Telesena e Supermercado Mundial). Outros dois estão sendo negociados.

(Coluna Radar – Veja Online)

Guitarrista Frank Gambale agenda "aula especial" em Fortaleza

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[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=TXp7pgxUu2E[/youtube]

Aos fãs da guitarra, uma boa nova:

Frank Gambale, mitológico guitarrista australiano, estará em Fortaleza no próximo dia 17. Ministrará uma aula especial (“master class”) durante o evento Guitar Meeting.

No Facebook, já em divulgação:

  • Primeiro encontro oficial dos guitarristas de fortaleza. Uma tarde para entrar pra história.

    – Apresentações de grandes guitarristas locais
    – Pocket shows com Malmsteen cover e Mr. Big cover
    – Jam´s Sessions –
    – Sorteios de acessórios para guitarra, tatuagens etc
    – Sorteio de uma super guitarra autografada pelo Edu Aradanuy

    -E para encerrar a tarde com chave de ouro um WorkShop com o Grande Edu Ardanuy.

    Ingressos antecipados:

    – GUITARTRIX ( shopping Avenida)

    – INTERARTE MUSICAL ( centro e jurema)

    Informações:

    8899.4810 – 9948.4810

Dominguinhos será lembrado em Fortaleza com Missa da Ressurreição

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Será celebrada nesta terça-feira, à 19 horas, na Igreja do Otávio Bonfim, a Missa da Ressurreição em memória do cantor e compositor pernambucano Dominguinhos. Ele morreu em São Paulo, aos 72 anos, em decorrência de complicações infecciosas e cardíacas.

O ato litúrgico contará com a participação dos sanfoneiros Waldonys e Adelson Viana. Outros sanfoneiros foram convidados para a celebração.

VAMOS NÓS – Conheci Dominguinhos mais de perto quando tinha como vizinho Seu Eurides, pai do Waldonys, em condomínio na Parquelândia. Era um cabra simples e de muita sensibilidade. A visita dele, ao lado de Waldonys, para ver meu filho Vinícius – hoje com 15 anos, quando se recuperando de tratamento de doença rara, em nosso apartamento, nunca foi esquecida por mim nem por minha Socorro França.

Orquestra Sinfônica da Uece fará apresentação gratuita no TJA

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A Orquestra Sinfônica da UECE (OSUECE), em sua “Série Concertos Sinfônicos”, apresenta-se nesta terça-feira, no Theatro José de Alencar. Sob a regência do maestro Alfredo Barros, fará concerto gratuito, a partir das 19h30min.

Confira o programa:

– G. Fauré (1845-1924): Gavotte, da Suíte Masques et Bergamasques
– A. Correlli (1653-1713): Concerto Grosso N. 4, em Ré Maior (I. Adagio – Allegro; II. Adagio; III. Vivace; IV. Allegro- Presto)
Solistas: Diego Cavalcante, Pedro Oliveira, Violinos e Juliana Aragão, Violoncelo.

– Enio Morricone (n. 1928): Gabriel’s Oboe, da Trilha Sonora do Filme “A Missão”
Solista: Everton Castro, Oboe

– Carl Maria Von Weber (1786-1826): Concertino para Clarineta e Orquestra, em Mi bemol Maior
Solista: Jônatas Gaudêncio

– G. Puccini (1858-1924): “O mio Babbino Caro”, da Ópera Turandot
– G. Donizetti (1797-1848): “Piangete voi… Al Dolce Guidami, da Ópera Anna Bolena
Solista: Liana Fonteles, Soprano

– R. Leoncavallo (1857-1919): “Vesti la Giubba”, da Ópera Il Pagliacci
Solista: Daniel Sombra, Tenor

– O. Lorenzo Fernandez (1897-1948): “Batuque”, da Suite Brasileira Danza di Negri.

Uma conversa inesquecível com Dominguinhos

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Com o título “Pra sempre lembrar”, eis artigo do juiz estadual, professor e escritor Mantovani Colares. Ele fala da perda de Dominguinhos para a Música Popular Brasileira e relata experiência sua com o artista. Confira:

Há momentos onde a privacidade é uma benção, e tudo que se deseja é um quarto repleto de silêncio, uma praça na qual o ruído predominante seja o do farfalhar vindo das árvores, ou mesmo um restaurante praticamente vazio para nos sentirmos clientes exclusivos. Em Brasília, em determinada noite esquecida no calendário do ano de 2008, estávamos eu e dois colegas da época em que trabalhávamos no Conselho Nacional de Justiça – Paulo Régis e Murilo Kieling – desfrutando de um silencioso e inacreditavelmente não povoado restaurante, quando, de repente, senta-se ao lado de nossa mesa o Dominguinhos e um secretário dele. De imediato, acendeu-me um brilho nos olhos, aquele do primeiro instinto de abordagem, mas a razão me deu um puxão de orelhas, a lembrar o hábito civilizado de não importunar artista, ainda mais em restaurante em final de noite, onde o sossego e a refeição quente são as únicas companhias desejáveis.

Lancei o aviso aos amigos sobre quem estava ao lado, e o giro de cabeça deles foi imediato. Ninguém se atreveu a sugerir a aproximação, nos segundos seguintes que duraram horas. Eu suspirei e enfrentei a tarefa que poderia se transformar num desastre: “vamos lá!”, anunciei em voz firme como um espartano, embora por dentro o menino gritasse desesperado para não dar vexame. Ao chegarmos os três à borda da mesa, com vestes opressoras de paletó e gravata, indicativas de burocratas prestes a estragar a refeição do adorado sanfoneiro, tal cenário o induziu a erguer o olhar, experiente olhar, acostumado às indiscrições, certamente antevendo a péssima escolha quanto ao local até então vazio, com a provável sensação de que fora ludibriado pelo instinto, e tragado para uma armadilha habitada por impertinentes curiosos.

“Dominguinhos”, me arrisco, “Fernando Pessoa disse que toda carta de amor é ridícula, mas muito mais ridículo é quem nunca escreveu uma carta de amor. Pois eu acho que todo fã é ridículo, mas muito mais ridículo é quem nunca se declarou ser fã de alguém. E nós somos seus fãs…”. Ele deu uma aberta gargalhada e disse: “vamos sentar…”. A refeição ainda não estava posta à mesa, o que nos encorajou a atender ao convite. “Sou cearense, e esse meu colega também, e esse outro é do Rio”. “Ah, então é gente que conhece música”, ele pronunciou. Arrematei, sem medo: “a sua conheço não só as mais famosas, como também me comovo com outras. É o caso de Xote da Navegação, uma de suas parcerias com o Chico Buarque”. Ele interrogou-me, meio incrédulo: “é?”, ao que respondi não com palavras, e sim em ousada cantoria: “eu vejo aquele rio a deslizar, o tempo a atravessar meu vilarejo…”, e os sorriso nos olhos dele me comoveu. O nervosismo, porém, me fez esquecer alguns trechos da letra (e olha que sou chicólatra!), mas ele gentilmente ia complementando os versos finais ante minha traidora memória, na medida em que eu cantava: “com o nome paciência, vai a minha….”, e ele “embarcação!”, continuava eu: “pendulando como o tempo, e tendo igual…”, e ele “destinação!”.

Foi memorável. Os meus amigos, porém, impacientes, arremataram: “é… mas tem uma que não podemos esquecer…”, e começou o Murilo: “Estou, de volta pro meu aconchego…”, e para nosso espanto, alegria e emoção, Dominguinhos entoou esse verdadeiro hino do reencontro, e ficamos ali, por alguns minutos a cantar todos juntos, “querendo, um sorriso sincero, um abraço….”. Até que, por bendita lucidez, nos demos conta que já estávamos abusando da acolhida, e subitamente nos levantamos, agradecemos e nos despedimos. Nesse instante, hesitei, mas não me contive: “Dominguinhos, eu quero lhe dizer que uma das músicas mais tocantes que conheço é Contrato de Separação, ela é extraordinária…”. Ele olhou fixamente e exclamou: “mas essa quase ninguém conhece!”. Não perdi o mote: “Eu sei, é uma pena, porque ela é uma pérola, como vocês (a música é dele e de Anastácia) foram buscar inspiração para imaginar alguém fazendo com a saudade um contrato de separação!? E a saudade se negando a aceitar esse contrato, chegando a sorrir dessa ilusão!? Em seguida vêm os versos: ‘e por ser ilusão / é mais difícil de apagar’! E a música termina dizendo que, ao invés de fazer um contrato com a saudade, o jeito foi ‘brigar com a lembrança / pra não mais lembrar’…. Que beleza, hem!?”. Ele me disse um obrigado tão verdadeiro, que ainda posso ouvir a sonoridade de sua fala mansa e cativante.

E agora que ele se foi, vejo que de fato é impraticável negociar com a saudade; seja por contrato, seja com desavença. A saudade de Dominguinhos nos confirma ser impossível brigar com a lembrança pra não mais lembrar.

* Mantovanni Colares é juiz estadual, professor universitário e escritor.

Sugestão para conferir:

Xote da Navegação – http://www.youtube.com/watch?v=dAo4KeFjCoE

Contrato de Separação – http://www.youtube.com/watch?v=pGObuWWmwJY