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Cuidados importantes que se deve ter com seus investimentos

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Em artigo sobre capital para investimento, o Mestre em Gestão Empresarial e consultor financeiro Fabiano Mapurunga aponta que sempre se deve calcular as estimativas de resultado antes de tomar a decisão de qual modalidade de investimento a escolher. Confira:

Conseguir reservar algum capital para fazer investimentos, não tem sido uma tarefa muito fácil nos últimos tempos. Porém, continua sendo uma importante atitude para a manutenção da saúde financeira de pessoas físicas e jurídicas, tanto para realizar sonhos futuros, quanto para se proteger de uma possível baixa em seus negócios. Para lhes ajudar a ter um entendimento mais claro sobre como agir com seu capital para investimentos, vamos fazer algumas considerações que julgamos serem importantes para seu conhecimento:

1 – Poupar e Investir são as mesmas coisas?

Tais palavras parecem ser sinônimos, porém têm conceitos completamente distintos. Poupar é uma ação que objetiva apenas a guarda e proteção do seu dinheiro, sem que isso represente uma evolução do seu capital. Temos como exemplo clássico a poupança, pois a mesma, historicamente, apenas mantem seu capital praticamente estável. Para embasar esta constatação, basta observarmos o rendimento que a mesma vem apresentando: atualmente o rendimento da poupança é igual a 70% da Selic (hoje 6,5% a.a.), mais a Taxa Referencial (TR) (Banco Central do Brasil, 2018). Como a Selic está hoje em 6,5% a.a. e a TR está zerada, temos a poupança rendendo 4,55% a.a.. Tal “rentabilidade” não expressa ganho de capital e logo não faz seu dinheiro crescer, mesmo que esta não sofra incidência de imposto de renda.

Já Investir, é uma ação que objetiva o aumento da sua riqueza por intermédio dos ganhos de capital auferidos com sua rentabilidade. Podemos citar como exemplos algumas ações multimercado e alguns fundos de ações. O fato de você resolver comprar um terreno com a promessa de vendê-lo por valor bem superior, também pode ser considerado um investimento, mas temos que considerar alguns outros fatores para entender se será ou não um bom investimento.

2 – O tripé RENTABILIDADE, RISCO E LIQUIDEZ, não pode ser encontrado na mesma linha

Para se investir e se esperar ter um real ganho de capital, o investidor precisa, antes de tudo, conhecer qual é o seu perfil para começar a procurar as alternativas de investimento, que melhor se adequem ao seu perfil. Logo, ele terá que entender que não se pode encontrar em um mesmo investimento: alta RENTABILIDADE, com baixo RISCO e grande LIQUIDEZ. Ele terá que, pelo seu perfil, entender qual a sua capacidade de aceitar os riscos, e por quanto tempo ele pode ter seu capital retido na instituição financeira. O seu agente financeiro, tem obrigação de lhe fazer um estudo para entender quais são as suas prioridades, e de conhecer o seu perfil, para lhe sugerir as melhores opções.

3 – Procure sempre entender quais os indexadores que servem de base para seu investimento e como incidirá o imposto de renda sobre este investimento

Saibam que quando se fala em rendimento de renda fixa, não significa que sua rentabilidade será fixa, mas apenas que o percentual pré-determinado pelo agente financeiro, onde você contratou aquele investimento, é fixo, porém o indexador é variável. Como exemplo disso temos o CDB (Certificado de Depósito Bancário), onde o indexador é o CDI (Certificado de Depósito Interbancário). O CDI se baseia na nossa taxa básica de juros a Selic, logo, quanto menor esta última, menor será o CDI e menor será a rentabilidade deste CDB.

Outro ponto a se considerar, é a incidência do imposto de renda. Alguns investimentos como as LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e as LCA (Letra de Crédito Agrário), não têm incidência de imposto de renda, porém, estes exigem que seu capital investido fique retido na instituição financeira por algum período sem que você, em alguma necessidade, possa dispor do mesmo. Já para a maioria dos CDB, não há período de trava, ou seja, seu capital possui liquidez quase que imediata, mas há incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), para aplicações de menos de 30 dias, e de imposto de renda. Quanto maior o período que seu investimento ficar neste CDB, menor será a incidência do imposto de renda como demonstrado a seguir:

 

Este assunto possui várias nuances, contudo estas que apresentei, já lhes darão um bom apoio para os ajudar a negociar melhor com seus agentes financeiros. Procurem sempre calcular as suas estimativas de resultado antes de tomar a decisão de qual modalidade de investimento irão escolher.

*Fabiano Mapurunga,

Mestre em Gestão Empresarial e consultor financeiro.

A CNBB e o diálogo

Editorial do O POVO deste sábado (21) aponta posição da CNBB nas eleições deste ano. Confira:

A organização católica mais influente do país, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), conclui hoje a sua 56ª assembleia geral, em Aparecida (SP). No entanto, ontem a entidade já divulgou importante documento, com o título “Eleições 2018: Compromisso e Esperança”, no qual orienta o eleitor católico a não dar seu voto a candidatos ficha-suja, ou aos que usam o mandato para desfrutar do foro privilegiado. Para a CNBB, não devem ser eleitos ou reeleitos os candidatos em busca desse ou de outros benefícios pessoais.

É de se lembrar que foi a Comissão Brasileira de Justiça e Paz, da CNBB, que lançou o documento “Combatendo a corrupção eleitoral”, que incluía o projeto para proibir candidatos condenados na Justiça de participarem das eleições. Seguiu-se uma campanha que culminou com um abaixo-assinado contendo 1,6 milhão de assinaturas em favor do projeto da Ficha Lima.

A proposta obteve apoio dos principais partidos do Congresso, como o PT, PSDB e MDB, e teve votação unânime na Câmara dos Deputados. Em 2010, a lei estava aprovada e foi sancionada pelo então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Raras vozes se manifestaram contra a proposta. Um dos argumentos dos oponentes argumentava que era errado apenar um político antes do trânsito em julgado do processo a que estivesse submetido. A mesma polêmica que se desenrola atualmente, em outras circunstâncias.

Hoje, muitos parlamentares e partidos parecem arrependidos pelo apoio ao projeto, pois tentam emplacar candidaturas, mesmo com pendências na Justiça. A senadora Gleisi Hoffmann (PT), o presidente Michel Temer (MDB) e o senador Aécio Neves (PSDB), por exemplo, são investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), devido à prerrogativa de foro. Sem contar Lula (PT), já condenado em segunda instância – portanto, ficha suja para efeitos legais -, mas que ins iste na candidatura à Presidência.

Mas a CNBB avança ainda mais, afirmando que também não merecem ser eleitos os políticos que “se rendem a uma economia que coloca o lucro acima de tudo e não assumem o bem comum como sua meta, nem os que propõem e defendem reformas que atentam contra a vida dos pobres e sua dignidade”. A CNBB propõe, assim, um debate ético e não sobre nome de candidatos. No momento em que o país vive sob intensa polarização, o documento é uma página de bom senso – independentemente de se concordar ou não com seu conteúdo – pois se trata de um chamado ao diálogo.

Grandes fortunas escapam da taxação

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Com o título “Grandes fortunas escapam da taxação”, eis artigo do jornalista Plínio Bortolloti, que pode ser conferido no O POVO desta quinta-feira. Eita País desigual este nosso… Confira:

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, este mês – com a publicação do acórdão -, a extinção de uma ação direta de inconstitucionalidade por omissão (ADO), iniciada pelo governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). O governador pedia que o STF determinasse ao Congresso a edição de uma lei complementar instituindo a cobrança de impostos sobre grandes fortunas, prevista no artigo 153, inciso VII, da Constituição Federal.

Segundo o governador, a ausência da cobrança pela União vem prejudicando os estados, que ficam sem o reparte que lhes cabe. A decisão, rejeitando o requerimento, foi proferida em 2017, por Alexandre de Moraes. Segundo o ministro, Dino não teria demonstrado suficientemente o vínculo do Maranhão com o pedido de criação de um tributo federal, por isso extinguiu o processo.

Por coincidência, o professor Paulo Feldmann, da Faculdade de Economia e Administração da USP, publicou artigo (Folha de S.Paulo, 16/4/2018) defendendo o aumento da taxação para “famílias muito ricas”. Segundo ele, somente assim será possível cobrir o rombo das contas públicas, sem a reforma da Previdência. O professor cita as “inúmeros distorções” do imposto de renda, sendo uma das principais a que fixa a alíquota de 27,5 % para todos que recebem rendimentos acima de R$ 4.664 por mês. Feldmann mostra que sobre os “muito ricos” incide alíquota efetiva de IR de apenas 6%, sendo que, para uma das faixas da classe média (renda entre R$ 30 mil e R$ 40 mil), recai o percentual de 12%. “Com a simples mudança na alíquota efetiva dos muito ricos, passando dos atuais 6% para 9%, conseguiríamos arrecadar cerca de R$ 186 bilhões a mais por ano”.

Já escrevi pelos menos uma dezenas de artigos mostrando como é injusta a tributação no Brasil, e como a classe média cai no conto pueril do “impostômetro”. Algumas vezes sou chamado de “petista”, outras , de “comunista”. Mas corrigir esse tipo de distorção deveria chamar-se apenas justiça.Há vários projetos de taxação das grandes fortunas tramitando no Congresso. Um deles, do então senador Fernando Henrique Cardoso (1989), que não o pôs em votação quando o PSDB esteve no governo. O PT também tem projetos no mesmo sentido, mas esqueceu-se deles no período em que ocupou a Presidência. Por que será?

*Plínio Bortolotti

plinio.pab@gmail.com

Jornalista do O POVO.

Orgia de intolerâncias

Em artigo no O POVO deste domingo (15), a Psicóloga, pedagoga e sexóloga Zenilce Vieira Bruno aponta que “na era da informação de massas e da política espetacular, a informação nos satura antes que a reflexão e a dinâmica social encontrem alguma solução”. Confira:

Em nossa cultura, em nosso tempo, tolerância e bom senso tornaram-se valores obsoletos. Parecemos uma sociedade que perdeu o interesse pelo futuro. Essa apatia indica que não existem projetos coletivos que deem sustentação e sentido à vida das pessoas. Modificar esse tipo de atitude, supõe resgatar valores éticos que se coloquem a serviço do bem estar do gênero humano. Narcísicos, perversos e fanáticos empurram a humanidade para uma destruição de valores e da própria vida. “A tragédia em cena já não nos basta” diz Artaud, assistimos ao vivo e em cores as destruições que procedem da orgia de intolerâncias humanas.

Cada época desenvolve suas próprias formas de patologias. O mundo atual sofre de um mal-estar que parece exigir um olhar diagnóstico cuidadoso. A atitude humana perante o estar no mundo tem se degradado espantosamente. A vida vem sendo tratada como algo simples e desprezível, que dela se faz uso para fins “naturalmente” destrutivos. Um tipo de atitude que vem sendo fortalecida num contexto em que crescem os narcisismos e as intolerâncias, promovendo uma depreciação crescente do cordial, do relacional, do amoroso. Desde que a felicidade passou a ser buscada apenas nas coisas, no consumo, na ostentação, no parecer, no poder, e não dentro do sujeito e nas relações que estabelece, o outro foi perdendo seu lugar de parceiro e começou a ser visto como concorrente, como rival.

Na era da informação de massas e da política espetacular, a exaustão é permanente. A informação nos satura antes que a reflexão e a dinâmica social encontrem alguma solução. Somos invadidos por uma multiplicidade de imagens destrutivas que nos deixa sem fôlego. Ansiamos pelo oxigênio da paz. Mas a paz que se quer para si, para o mundo, para os povos, terá de começar por cada um de nós. Teremos que reaprender o gosto pelo ético, pelo relacional, pelo amoroso e processar corajosamente transformações internas que instalem em nós a vontade da paz, o exercício da tolerância, a capacidade do perdão.

Faz-se necessário o exercício cotidiano de desculpar, de tolerar, de cascavilhar menos as faltas do outro, de perdoá-lo nos pequenos deslizes. “Se isto parecer muito difícil, vale à pena lembrar o que Cristo falou aos fariseus, reconhecendo o quanto eles eram hipócritas: “Atire a primeira pedra quem não tiver pecado”. Necessitamos processar sempre passagens na vida. Que ensaiemos, portanto, passar do estado de raiva, de ódio, de intolerância, para um estado de compreensão do humano, em suas falhas e encantamentos. Somos todos maravilhosos e destrutivos. Capazes de amor e ódio. Cabe dar destino ao que somos. Cabe nos apropriarmos do que queremos ser e fazer. Perdoar é abrir mão do ódio e permitir que a vida continue.

Desigualdades persistentes

Editorial do O POVO neste sábado (14) aponta que a desigualdade agravou-se no Ceará, diante da concentração de renda. Confira:

O estudo “Rendimento de Todas as Fontes”, divulgado esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), confirma uma constatação histórica: o Brasil continua sendo o País das desigualdades de renda, no que se refere às diferenças devido ao sexo, cor e raça e instrução escolar.

Ressalte-se que existem diferenças nos conceitos de “desigualdade” e “pobreza”. Entretanto, no Brasil, as duas coisas se entrelaçam de maneira perversa, criando um quadro grave, que urge ser superado.

É certo que, no Ceará, a renda média aumentou de R$ 1.403 para R$ 1.503 em 2017 (período a que se refere o estudo), porém, a desigualdade agravou-se no Estado. O índice Gini, que mede a concentração de renda, subiu de 0,553 (2016) para 0,560 (2017). A tabela tem uma escala que vai de zero (igualdade total) a 1 (completa desigualdade, com apenas uma pessoa como sendo detentora de toda a riqueza). Assim, quanto mais perto do número um, maior é a desigualdade. Na região Nordeste a diferença entre ricos e pobres é maior ainda: o indicador, que era de 0,545 em 2016, subiu para 0,559 em 2017.

Tomando-se como referência todo o País, o quadro permanece grave nesse quesito. O grupo do 1% mais rico teve rendimento médio mensal de R$ 27.213; para a metade mais pobre da população, a renda mensal ficou em R$ 754. Outro dado que mostra o profundo fosso que separa os brasileiros mais ricos dos mais pobres, revela que os 10% da população com os maiores rendimentos ficam com 43,3% da renda; sendo que para os 10% mais carentes resta 0,7% do total.

Quando se observa do ponto de vista de gênero, continuam persistindo as desigualdades. O rendimento médio dos homens foi de R$ 2.410; o das mulheres, R$ 1.868. Quanto à cor e a raça, o IBGE verificou que o rendimento médio mensal dos trabalhadores brancos foi de R$ 2.814, em 2017. Das pessoas pardas, de R$ 1.606 – e das pretas ainda menor, R$ 1.570.

Para o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, “nós somos praticamente cinco países em um só, demonstrado pelo retrato de cada uma das cinco regiões”. Assim, o grande desafio do Brasil é transformar-se em um único e sólido País, sem as profundas diferenças que separam regiões e pessoas. Para isso seria necessário que os brasileiros se propusessem a um grande acordo nacional para enfrentar o problema. Pode ser difícil e demorado, mas talvez seja uma boa fórmula para pacificar o País.

O Ceará sangra

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Em artigo no O POVO deste sábado (14), a defensora pública estadual Roberta Madeira Quaranta, diretora da Escola Superior da Defensoria Pública do Ceará, aponta a busca equivocada da solução da crise na segurança pública, a partir de grupos de WhatsApp. Confira:

Muitas pessoas têm cobrado da Defensoria Pública uma “nota de pesar” pelo acontecido esta semana com a jovem Cecília, brutalmente assassinada quando, cedo pela manhã, dirigia-se até seu local de trabalho.

Ora, como membro desta instituição lhes respondo: se fôssemos fazer a reivindicada nota de “pesar” ou de “protesto”, tínhamos que colocar para todos os aproximadamente 15 cidadãos de nossa cidade, que são assassinados todos os dias, um por um!

Não podemos fazer uma nota de pesar casuística para a jovem Cecília e deixar de fazê-la, por exemplo, para o rapaz que morreu assassinado na mesma data no Morro Santiago. Fora tantos outros crimes que, muitas vezes, sequer entram para as estatísticas. Pregamos a igualdade e ela será a bússola de nossas ações!

Por outro lado, acredito que para que possamos honrar a memória de Cecília e de todos as outras pessoas que engrossam os números das estatísticas da violência em nosso Estado, não bastam meras “notas” institucionais… É preciso ação!

Não sou especialista em segurança pública e nem em planos de emergência e crise, mas não acho, sinceramente, que a solução possa partir de grupos de WhatsApp, por mais de boa-fé que a iniciativa possa ter. O Estado é uma grande máquina, com quem só poderemos lutar (no sentido de cobrar) em nível institucional (e não meramente individual).

Nesse sentido, entendo que essa iniciativa tem que partir, primeiramente, dos dirigentes das instituições, tais como Defensoria Pública, Ministério Público, Poder Judiciário, OAB e todas as que a elas puderem se somar, para que, a partir daí, seja traçado um plano estratégico e convocados todos os seus membros e os cidadãos de forma geral.

Infelizmente, a verdade é que, já faz um bom tempo, nossa sociedade anda desorganizada e imensamente polarizada com os últimos acontecimentos políticos…ninguém se entende!

Portanto, está na hora de as instituições, juntas, chamarem o Estado à sua responsabilidade e se somarem a ele para, todos juntos, pensarmos soluções para esses problemas, que tem tornado a vida dos cidadãos do Ceará (que de pacífico não tem nada) insustentável!.

O reajuste no compulsório bancário será refletido em menores taxas cobradas pelos bancos?

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Em artigo sobre a medida do Banco Central no depósito compulsório, o Mestre em Gestão Empresarial e consultor financeiro Fabiano Mapurunga avalia a redução na alíquota de recolhimento compulsório sobre os depósitos à vista. Confira:

No dia 28 de março deste, o Banco Central do Brasil (BC) anunciou a redução na alíquota de recolhimento compulsório sobre os depósitos à vista, que passou de 40% para 25%. Tal fato acarretará na liberação de mais R$ 25,7 bilhões para que os bancos possam operar.

O depósito compulsório serve como uma válvula de medição e regulação sobre os recursos disponíveis na economia, a fim de aproximar as taxas praticadas pelos bancos à taxa de juros básica da economia (Selic). Tal alíquota é praticada por exemplo na poupança, que antes era de 21% e agora passou a ser de 20% na modalidade rural, nas demais modalidades passou de 24,5% para 20% (Banco Central; 2018). O cliente ao fazer um depósito em uma poupança, obriga ao banco a fazer uma reserva junto ao Banco Central de parte deste recurso, não podendo este ser usado em nenhum tipo de operação. Logo, quanto maior for a alíquota do compulsório, mais dinheiro os bancos precisam deixar retidos no Banco Central sem que este entre no seu ciclo produtivo convencional.

Além da redução da alíquota de compulsório, o Banco Central também aumentou a faixa de isenção deste, que antes era de R$ 70 Milhões e agora é de R$ 200 milhões em depósitos. Tal medida beneficia mais ainda os bancos menores.

Com tais medidas os bancos podem dar vários destinos para os recursos disponíveis, inclusive os utilizar no mercado de crédito e reduzir seus spreads, com isso a população teria juros menores. Bem, estamos falando de um efeito lógico e reflexivo, onde um fornecedor de crédito, tem seus insumos mais baratos e agora poderá praticar menores preços para seus clientes finais, porém ainda não estamos percebendo este efeito direto.

Os bancos também contam hoje com o aumento significativo do uso dos canais eletrônicos por seus clientes, ou seja, o aumento da digitalização dos processos faz com que, cada vez mais os clientes trabalhem para os bancos, com isso eles vêm reduzindo o número de agências físicas e por conseguinte de pessoal, os fazendo ter uma grande queda em seus custos transacionais e tendendo cada vez mais a elevar a sua rentabilidade.

Anualmente presenciamos os demonstrativos de lucro dos bancos onde os mesmos apresentam crescimentos em progressões geométricas de seus indicadores como ROI (Retorno sobre o Investimento), o que faz os seus acionistas ficarem cada vez mais felizes e a grande massa de clientes tomadores de recursos ainda não tão contentes.

Poderíamos discorrer várias linhas sobre como os bancos vem melhorando sua rentabilidade em nosso país, mas prefiro deixar esses pontos em aberto para mais reflexões futuras, o que gostaria de deixar claro neste artigo é que precisamos ficar continuamente vigilantes e procurar perceber se essas entidades vão nos beneficiar com reduções de juros e tarifas, proporcionais aos benefícios que a redução do compulsório está lhes beneficiando.

Defendo que devemos nos utilizar da malha bancária como ferramenta impulsionadora do nosso ciclo financeiro, mas defendo mais ainda a justa medida de preços entre os agentes econômicos, pois a sobreposição exagerada de lucro de alguns em detrimento da redução de lucro de outros, causa assimetrias de resultados que vêm levando muitas empresas a encerrar suas atividades por não conseguirem ajustar seus custos operacionais e seus custos financeiros em sua margem de lucro esperada.

Fabiano Mapurunga

CEO da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Gestão Empresarial. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria

Quem não pede nem opinião pode exigir apoio incondicional?

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Em artigo publicado no site Brasil 247, o professor do departamento de Filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora, Doutor em Psicologia e filósofo Gustavo Castañon aponta que Lula não ouviu Ciro Gomes nas decisões que desgastaram o então governo do petista, Confira:

Lula pediu opinião do Ciro antes do Mensalão? Pediu quando deu Furnas para o Cunha? Quando loteou a Petrobrás entre “aquela gente”? Quando o PT hegemonizou a esquerda brasileira na base do dinheiro de doação empresarial em vez de fazer a reforma política? Quando traiu Ciro e não o deixou ser candidato nem no PSB? Quando com 80% de popularidade em vez de convidar ele ou qualquer outro para vice da Dilma colocou na linha de sucessão um quadrilheiro conhecido? Quando depois do undécimo apoio de Ciro o PT traiu 54.5 milhões de votos apoiando (ou obrigando Dilma a?) um choque de juros que ajudou a atirar o país na pior recessão de sua história? Quando pediu Meirelles ministro da Fazenda?

Que nada.

Coisa nenhuma.

Então vejam, não há um centímetro da carreira de Ciro que o PT tenha dado para ele. Quem apoia Lula há vinte anos com capital político próprio é Ciro. Tudo o que o PT e Lula ganharem de Ciro agora, é bônus track.

Tem que lamber os beiços, companheirada, que Ciro não está colocando a mão na cara de todo mundo e usando os adjetivos da direita. Que Ciro fale toda vez que perguntado que acha Lula inocente da acusação do triplex. Que acha que a prisão de Lula é injusta e inconstitucional. Que mande mensagem de solidariedade e lembre sempre o bem que Lula fez ao Brasil. Que diante da prisão intempestiva de Moro, quando estava fora do país, tenha mandado a São Bernardo a pessoa mais próxima na vida para prestar-lhe solidariedade, seu irmão. Que queira entrar numa cela de Polícia Federal para visitá-lo no seu momento mais radiativo e frágil. Que não trate o PT com os adjetivos que todos os outros candidatos a presidente exceto Manuela e Boulos tratam.

Olha que banquete de generosidade companheirada!

Que vinte anos de banquete de generosidade!

Ciro não seguirá a pauta e eventos do PT porque é uma questão de sinalização política de que ele não é liderado de Lula nem responde ao PT. É por isso que não foi ao evento do Circo Voador mas tenta visitar o Lula em Curitiba: porque o primeiro é agenda do PT e o segundo é agenda dele.

Ciro quando perguntado respondeu que achava considerar Lula um preso político uma “forçada de mão”? Eu acho um erro, mas e daí? Isso se compara a um único dos erros do PT? Ele não quer e não está em posição de confrontar as instituições, quer ser o candidato do restauro das instituições.

Pelo jeito nem o PT nem José Eduardo Cardoso acham Lula preso político, pois pediram para ele se entregar ao invés de levá-lo a uma embaixada que é o que perseguidos políticos fazem. É Ciro que tem que sequestrá-lo contra sua vontade? Assumir o discurso que Lula não assume pois espera instâncias superiores?

Isso é o que Ciro fez vinte anos, mas agora o candidato de verdade é ele, não Lula. O resultado dos acordos e genialidade política de Lula foram sua desabilitação e encarceramento.

O PSB lançando o carrasco de Dirceu e Genoíno não recebe do PT o tratamento que temos recebido através de tantos blogueiros, articulistas e prepostos do partido.

É esse tipo de comportamento que construiu no Brasil o ódio ao e o isolamento do PT, não somente a campanha da Rede Globo.

Não querem apoiar, que seja, mas respeitem o passado e ao menos, se não consideram o PDT mais aliado, respeitem um concorrente do campo no momento.

Deixem Ciro tentar o caminho dele em paz, com respeito, ataquem o neoliberalismo e a dissolução da ordem institucional, não quem também está combatendo isso do seu jeito, ou respondam por mais essa decisão do PT com o futuro de nossas crianças para a história.

A prisão após a segunda instância e a vontade de todos

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Em artigo no O POVO desta segunda-feira (9), o professor da UFC e sociólogo André Haguette aponta que “a questão da prisão em segunda instância se apresenta como uma oportunidade de construir o novo, escolhendo a igualdade de condição como princípio norteador de nossa cidadania”. Confira:

É preciso nos convencermos que a questão da prisão após a condenação em segunda instância transcende o caso peculiar de Luís Inácio Lula da Silva; ela tem um alcance genérico, visando uma justiça administrada igualmente para todos os réus, sem distinção nenhuma. Simpatizantes ou opositores do ex-presidente hão de abandonar suas visões partidárias e específicas para entender que estamos diante de uma causa muito maior que diz respeito à própria construção da nação. Como disse Raquel Dodge, procuradora-geral da República, “justiça que tarda é justiça falha” e, muitas vezes, é justiça que não se consuma. Está além de qualquer razoabilidade que um réu passe por quatro instâncias judiciais condenatórias antes que sua pena seja efetivamente executada haja visto que em países de democracia consolidada como os Estados Unidos, a França e a Alemanha, para citar somente esses exemplos, a sentença é executada após condenação nas primeiras instâncias sem que o princípio balizador de presunção de inocência seja ferido. É que são países que prezam pela igualdade de condição diante da lei, ao contrário do Brasil que criou o instituto de quatro degraus e outros recursos a pretexto de defender o mesmo princípio básico de presunção de inocência embora esse instituto só faça pavimentar o caminho da prescrição da pena de réus ricos ou poderosos, caminho vedado à grande maioria dos acusados que, numa alta percentagem, padecem em prisões calamitosas sem sequer ter sido julgados.

A existência de quatro instâncias é não somente um exagero como é uma excrecência a ser abatida para que possamos aceder a um regime de justiça efetivamente republicano.

O tema da prisão após condenação em segunda instância chega às mentes e aos corações de todos em um momento crítico da convivência brasileira quando todas as desigualdades e injustiças explodem e a rota a seguir parece, de tão incerta, um impasse. O fim da prisão em segunda instância significará o apagar do único farol a iluminar a possibilidade de uma justiça democrática; significará, mais uma vez, os triunfo de poderosos e a escravidão de todos; significará o atolamento no atraso que a justiça nunca superou.

Não há espaço para o casuísmo de uma revisão da decisão tomada pelo STF há menos de dois anos. O manifesto assinado por uns 2.500 advogados é estarrecedor de tanto defender descaradamente interesses privados em detrimento do bem comum. Tem-se a oportunidade de optar entre as “vontades particulares” e a “vontade de todos”. O país mantém todas as instituições formais da democracia liberal, mas, na realidade, são instituições viciadas de tanto beneficiar uma classe econômica e política minoritária, sem implantar uma igualdade de condição.

A questão da prisão em segunda instância se apresenta como uma oportunidade de construir o novo, escolhendo a igualdade de condição como princípio norteador de nossa cidadania. O manifesto assinado por uns 5.000 juízes e procuradores mostra a constitucionalidade da medida e aponta uma porta de saída da crise. Essa porta, a do Bem Comum, é estreita, mas não o suficiente para que os ministros do STF não possam por ela passar.

A justiça considerou as acusações, mas a História, em algum momento, o absolverá

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Em postagem nas redes sociais, a advogada Valéria Estrela relata o que representou a prisão de Lula na história da sua família. Confira:

O dia de ontem foi muito triste pra mim. Como jurista, entendi a decisão do Supremo e não esperava ser diferente em razão das decisões anteriores sobre o julgamento em segunda instância.

Porém como pessoa, especificamente neste caso, eu lamento pela realidade dos fatos. Eu vim do sertão da Paraíba, de uma cidade pequena com 18 mil habitantes. Sou filha de professora da rede pública e de um pequeno comerciante.

Vi na minha infância pessoas da zona rural em tempos ou não de seca, sem esperança alguma de uma vida melhor, perambularem como pedintes e com expressão de fome, pela falta de oportunidades.

Depois, já adulta, quando voltava ao sertão, num tempo em que esse homem que foi preso ontem estava no governo, pude testemunhar uma realidade diferente da que vi na infância.

Vi oportunidades melhores para famílias pobres, vi pessoas fazendo universidade e, principalmente, não vi pessoas mendigando em tempos de seca.

A justiça considerou as acusações, mas a História, em algum momento, o absolverá.

Minha mãe foi sempre eleitora dele e ontem eu a vi, mesmo em um quadro de avançado de Alzheimer, rezar por ele. Só tenho a pedir a Deus que o proteja e fortaleça seu espírito!

Luther king: 50 anos

Editorial do O POVO deste domingo (8) aponta que as homenagens a Luther King devem servir para a reflexão dos entraves à igualdade de direitos e de oportunidades. Confira:

As homenagens a Martin Luther King pela passagem do cinquentenário de sua morte (ele foi assassinado no dia 4 de abril de 1968, na cidade de Memphis, Estados Unidos) estendeu-se por toda a semana. Em diversas partes do mundo lembrou-se a figura do líder antissegregacionista, defensor dos direitos civis e herói da causa da humanidade, que tornou-se um gigante da História.

Como sempre acontece com os reformadores sociais, ele enfrentou perseguições, preconceitos, campanhas de desmoralização, por parte do establishment, depois de “pintado” como figura perigosa a ser evitada pelos “homens de bem”. Assim aconteceu também com Nelson Mandela.

Para as gerações atuais é inimaginável que pudesse ser classificada como democracia uma sociedade como a americana, na qual um contingente de sua população vivia segregada por causa da cor da pele, não podendo frequentar o mesmo ambiente dos brancos, inclusive nos espaços e serviços públicos.Em 1º de dezembro de 1955, em Montgomery, começaria a reviravolta: uma mulher negra, chamada Rosa Parks, seguia viagem, sentada, em um ônibus, quando o motorista exigiu que ela se levantasse para que um homem branco se sentasse em seu lugar – isso era determinado por lei. Parks recusou-se a sair e acabou indo parar na delegacia. Esse feito provocou a revolta da comunidade negra.

Luther King, que já era pastor, passou a liderar manifestações pacíficas contra a prisão de Parks e a encabeçar a luta contra as leis segregacionistas, que terminariam, depois de muitos enfrentamentos e perseguições, na promulgação da Lei de Direitos Civis, que proibiu a discriminação racial nos Estados Unidos, em 2 de julho de 1964.As homenagens a Luther King devem servir para a reflexão da sociedade sobre os entraves que por acaso impeçam sua conformação a um modelo político de igualdade de direitos e de oportunidades para todos os cidadãos, sem esquecer a defesa das lideranças inconformistas, que lideram os processos de transformação e são, eventualmente, perseguidos.

A análise de crédito e o controle da inadimplência

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Em artigo sobre crise no caixa em empresas, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Gestão Empresarial, aponta que a inadimplência nasce no ato da abertura do limite de crédito do cliente. Confira:

Hoje muitas empresas vêm sofrendo com o fantasma da inadimplência por “N” fatores, como o elevado índice de desemprego, o descontrole financeiro dos seus clientes, a falta de planejamento financeiro destes, diminuição repentina da renda, atrasos nos salários etc. O Brasil fechou o ano de 2017 com 60 milhões de inadimplentes, este número representa 39,6% da população com idade entre 18 e 95 anos (SPC Brasil). Esse elemento indesejado e pernicioso que ajuda a corroer o caixa das empresas pode ser em muito, amenizado pelo uso eficiente de uma boa política de análise de crédito, pois a inadimplência nasce no ato da abertura do limite para o seu cliente, e fazer uma boa leitura prévia do histórico desse cliente ajudará a entender melhor quanto você pode liberar de crédito para o mesmo.

Toda empresa gasta muita energia em cuidar de tudo para que seu serviço e/ou produto saia competitivo para o mercado: organiza quadro de funcionários, lutando arduamente para que todos estejam devidamente regularizados, integrados e felizes, procura investir em sistemas que os ajudem a controlar seus estoque e produção, tentam diariamente conquistar mais mercado, aguerridamente buscam entregar a melhor qualidade possível. Tudo isso é muito esforço para no final deixar seu lucro se esvair pelo buraco da inadimplência, e o pior é saber que tudo poderia ter sido amenizado se a empresa tivesse dedicado uma pouco mais de tempo e dinheiro, para em criar uma melhor rotina de avaliação de crédito de seus clientes.

Não há uma receita de bolo que se possa empregar e já sair uma política de crédito completamente eficaz. Apesar de não ser uma tarefa fácil de se executar, ela deve ser construída e precisamos sempre saber dosar os impactos das medidas protecionistas, pois qualquer exagero também pode afastar bons clientes.

Resolvi delinear aqui 5 pontos que podem ser utilizados em suas governanças para lhes apoiar a tratar melhor as suas liberações de crédito, reduzindo assim suas inadimplências. São eles:

1 – Faça um bom levantamento de informações sobre seu cliente

Procure informações com alguns fornecedores dele, veja o tempo de constituição da empresa e outras informações que possam denotar o seu histórico de compras.

2 – Faça uso dos 5 C´s do Crédito

2.1. Caráter: é um ponto muito subjetivo, porém você deve tentar perceber o real interesse que seu cliente tem em cumprir com o seu compromisso.

2.2. Capacidade: procure entender se o negócio do seu cliente apresenta condições financeiras de arcar com o compromisso. Essa avaliação exige que se colete algumas informações como faturamento, prazo médio de pagamento e recebimento, etc.

2.3. Capital: procure entender a saúde financeira do cliente. Verifique se há restrições e de que tipo são.

2.4. Condições: pondere sempre a situação macroeconômica do nosso país para verificar como está o comportamento do mercado daquele cliente.

2.5. Colateral: procure ver se o cliente tem outras atividades e perceba se ele realmente está dando atenção ao negócio da empresa.

3 – Construa um manual padronizado com as regras bem claras, treine sua equipe sobre todos os processos e se certifique que será usado em todas as filias, caso as possua.

4 – Parta para a implementação da sua política de crédito

De posse do manual e do uso dos 5 C´s do crédito, comece a implementar por algum tempo e assim você irá formar uma base de informações de seus clientes. Quanto mais informações você tiver em sua base, mais eficaz será sua política de crédito.

5 – Faça uma análise dos resultados obtidos e corrija o rumo se necessário

Agora que já teremos uma base de dados mais consistentes, conforme o item 4, podemos avaliar os resultados que obtivemos e criar comparativos para entendermos o que deve ser corrigido em nossa política de crédito. Percebam que o processo não é estanque, ele vai se aperfeiçoando na medida que enxergamos os resultados.

Acredito que essas informações os ajudarão a estruturar suas políticas de crédito.

Fabiano Mapurunga

CEO da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Gestão Empresarial. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria

“Vai ser bom”

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Em artigo sobre a prisão do ex-presidente Lula, o jornalista e integrante do PT, Waldemir Catanho, avalia as consequências no País, em relação às políticas sociais. Confira:

Com Lula preso o Brasil vai finalmente deslanchar. E não é só a corrupção que vai se acabar.

Vai ser bom porque o salário mínimo vai subir mais e mais e passar a ter um valor decente. É a Petrobrás que não terá mais que se preocupar com a exploração do pré-sal, agora entregue às petroleiras estrangeiras.

As universidades públicas também vão se desenvolver mais, pois não serão mais gratuitas e terão sua sustentação garantida com a cobrança de mensalidades aos alunos.

A saúde então, essa seguramente vai melhorar. Vamos devolver para Cuba todos esses médicos que vieram de lá para propagar o comunismo aqui em nossa terra. Vamos poder incrementar o mercado de planos de saúde, inclusive a preços populares e parar de jogar dinheiro fora com o SUS.

O Bolsa família, essa praga que só alimenta a preguiça de quem não quer trabalhar, terá uma redução progressiva e isso certamente vai melhorar a vida nas periferias das grandes cidades e nos municípios pobres do norte e Nordeste.
Com Lula preso vai ser bom também porque o governo poderá fazer novas reformas trabalhistas, que, embora retirem direitos e renda dos trabalhadores, podem gerar mais empregos. Afinal os patrões vão ganhar mais e gastar menos com os funcionários e sempre é melhor um emprego ruim do que emprego nenhum.

Com Lula preso vai ser bom também para as aposentadorias. Vai se poder se fazer uma boa reforma da previdência que vai acabar essa farra de todo mundo começar a trabalhar com 16 anos de idade e se aposentar com 55, 56 anos, depois de apenas 40 anos de trabalho. Com a reforma a gente vai se aposentar só depois dos 75, 78, 80… Não vai ser todo mundo que vai conseguir, mas quem chegar lá vai ter garantido o pagamento de suas aposentadorias e isso vai ser muito bom. E se seu filho ou neto não conseguir se aposentar pelo INSS, daqui a 20 ou 30 anos, isso não será um problema. Tem a opção da previdência privada, cujo mercado vai crescer com a reforma. Certamente eles poderão pagar por essa previdência vendida pelo Bradesco e pelo Itaú.

Outra coisa que é boa é que com Lula preso e sem ser candidato à presidência, ficará mais livre o caminho para a venda da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, dos Correios, da Eletrobrás, das nossas hidrelétricas e de nossas terras para estrangeiros. Até aquela base de Alcântara e a Casa da Moeda a gente vai poder vender. Afinal nada disso nos serve muito mesmo. Só serve pra corrupção. Melhor vender para americanos e chineses que sabem lidar melhor com tudo isso, demitindo boa parte dos funcionários dessas empresas. Isso vai ser bom.

A segurança pública, a educação, a cultura, a assistência social, tudo vai melhorar mesmo com menos recursos. Ano passado Temer congelou esses gastos pelos próximos 20 anos para evitar desperdícios. Reduzindo os gastos sociais o governo garante o pagamento ao mercado financeiro dos juros da dívida pública. E isso é bom porque os mercados ficam calmos com os banqueiros garantindo seus lucros e investindo novamente no nosso mercado financeiro para ganhar ainda mais. Lula iria atrapalhar tudo isso só porque ele acha um absurdo esse congelamento. Ele acha que o Brasil precisa gastar mais construindo novas escolas profissionalizantes e universidades públicas. Fazendo casas populares, através do Minha Casa Minha Vida. Ou pagando pra jovem pobre estudar no exterior, através do ciência sem fronteiras. Desperdícios. Muito mais vantajoso guardar o dinheiro para o mercado financeiro.

A prisão de Lula também pode resolver de uma vez por todas o problema do campo. Da outra vez que ele foi presidente se começou a gastar muito dinheiro com pequeno produtor rural e com agricultura familiar. Foram gastos bilhões com reforma agrária e isso não foi bom. O bom é investir apenas nos grandes proprietários. Eles é que produzem com qualidade. Não deve existir o pequeno. O pequeno deve vender sua terra e ir trabalhar pro grande. É assim que tudo vai ficar bom.

Direitos humanos! Preocupação com mulheres, LGBTs, negros? Isso tudo é coisa de viado, maconheiro e amigo de bandido. Com a prisão do Lula a gente pode se livrar de tudo isso e isso também vai ser bom!

Pausa. Se você acredita que tudo que está escrito aqui vai realmente ajudar a eliminar a miséria e a desigualdade em nosso país, comemore a decisão do juiz Moro. Você também pode comemorar se acha que o certo é o país ser desigual mesmo, porque, afinal de contas, é tudo uma questão de mérito das pessoas conseguirem viver bem.

Mas se você discorda. Se se indigna com a injustiça e com a desigualdade. Se quer construir uma sociedade em que todos e todas tenham garantidos a dignidade e a liberdade em nosso país, não se abata. Perceba que o que está em jogo é muito mais que a decisão de Moro. Está em jogo que tipo de país você, seus filhos e netos vão ter no futuro.

Nossa luta não tem como não ser longa. Lembre que não se constrói um novo um país e um novo modelo de sociedade em poucos dias. Não se faz isso sem luta, sem sacrifícios, sem resistência. É assim que realmente vamos ter um país bom.

Quem ganha e quem perde com Lula fora da disputa 2018?

Expedida por Sérgio Moro nesta semana, ordem de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) coloca em jogo bem mais do que a própria liberdade do petista. Líder em todos os cenários de pesquisas para a eleição de 2018, Lula tem hoje sua candidatura por um fio, em nova condição que promove verdadeira “virada de mesa” no tabuleiro eleitoral.

Segundo especialistas ouvidos pelo O POVO, principal beneficiado com uma possível saída de Lula da disputa seria o pré-candidato do PDT, o ex-ministro Ciro Gomes. “Todos os candidatos de esquerda acabam recebendo essa transferência de votos, mas isso acaba sendo mais vantagem para o Ciro”, avalia o cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Mackenzie.

Segundo ele, Ciro se diferenciaria de outros candidatos à esquerda, como Guilherme Boulos (Psol) e Manuela D’Ávila (PCdoB), pela maior estrutura e bancada do PDT. “Além de ele ser o que tem mais traquejo político, é o com o partido com mais estrutura. Apesar de muitas vezes suas falas acabarem prejudicando o seu desenvolvimento, é quem traz o maior simbolismo dentro da esquerda, que fica mais em evidência”, avalia.

Já o principal prejudicado, diz, seria o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ). “Bolsonaro se consolidou como o anti-Lula, o total oposto. A saída dele das eleições esvazia parte desse discurso”, fala. “Bolsonaro desidrata, mas não desaparece, porque suas ideias seguem com receptividade.” Prando destaca, também, baque da prisão em candidaturas do PT. “Dentro do partido ninguém empolga tanto quanto Lula como candidato”, considera.

“Tem que se ver também qual o limite da transferência dos votos. Não dá para imaginar que o Lula consiga transferir todos os 30% de intenção que ele tem para qualquer um que ele indique. Fosse assim, todas as suas indicações em eleições passadas teriam sido vitoriosas, o que não foi verdade. O próprio Fernando Haddad, apontado como pré-candidato, não conseguiu se reeleger”, avalia.

Na linha mais ao centro, candidato visto com maiores chances de crescimento com a saída de Lula é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). “Até porque o PSDB é dos maiores partidos nas últimas eleições, fora que o partido tem conseguido, muito com a força de São Paulo, levar o seu candidato ao segundo turno nas eleições”, responde.

Para a advogada Cristiane Britto, especialista em direito eleitoral, no entanto, pode ocorrer o contrário com relação a Bolsonaro. Segundo ela, a hipótese mais provável é que os principais beneficiados com a mudança sejam o deputado e Marina Silva (Rede). “A tendência é que os eleitores de esquerda migrem para Marina. Então, como o Bolsonaro já está na frente, a tendência é que eles polarizem.”

A pouca participação de Marina no debate eleitoral até agora, diz Cristiane, seguiria estratégia da candidata. “É questão de estratégia política, não querer levar vantagem diante de fato histórico e controverso como prisão de ex-presidente.”

Visto como destino de votos a Lula, Ciro Gomes rebateu ontem críticas por sua ausência em atos do petista. “Não sou puxadinho do PT e não serei jamais”, disse.

(O POVO – Repórter Carlos Mazza)

Presidente da Fiec: “Sentimento renovado de brasilidade”

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Com o título “Sentimento renovado de brasilidade”, eis artigo do presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Beto Studart. Ele aborda o cenário político e o caso do pedido de prisão de Lula. Confira:

As decisões tomadas esta semana pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo juiz Sergio Moro, entram para a história do Brasil como marcos históricos fundamentais no combate à impunidade. Estamos vivenciando um quadro político de muitas dificuldades com reflexos diretos na economia do País.

Cenário este que surge a partir do aparelhamento estatal por gestores públicos, que ramificaram a corrupção em grandes empresas nacionais. Isso tinha que acabar de maneira exemplar.

A descoberta dessas ilicitudes pela Operação Lava Jato, se por um lado mostrou o que de fato acontecia nos escaninhos do poder, também gerou no seio da sociedade brasileira uma descrença nos homens públicos e na política como instrumento de transformação. O resultado desse desmonte acabou por se espraiar por outras instituições, criando um sério risco de perda de credibilidade, o que seria desastroso para o nosso futuro.

Nessa linha, cito o Judiciário, poder montado em uma cultura que ainda privilegia a morosidade e a complacência, situações que na maioria das vezes se tornam incompatíveis com os anseios do cidadão comum pelo cumprimento da justiça. É nesse sentido, que as decisões tomadas pelo STF e o juiz Moro, se colocam para nós, empresários preocupados com os destinos do País, como gestos paradigmáticos.

Nós, que trabalhamos com dignidade, posso dizer que nos sentimos renovados em nosso sentimento de brasilidade. Entramos de fato em um novo momento, que nos traz a esperança e a confiança de investidores por melhores dias para o Brasil. Temos a certeza de que essa luta contra a corrupção tem ainda um longo caminho a ser percorrido. Mas o ponto fundamental, e aqui a questão não se trata de fulano ou beltrano, é que retomamos a esperança da justiça equânime. Esse deve ser o nosso norte de agora em diante. Como empresários, sabemos o quanto é importante a segurança jurídica na aplicação da lei e para a chegada de novos investimentos ao Brasil.

Foram, portanto, dias históricos, nos quais a sociedade lavou a alma e renovou a crença no Brasil. Mas é preciso que continuemos vigilantes, pois as melhores lições se dão através dos exemplos, e muitos outros precisam ser dados.

*Beto Studart

presidencia@sfiec.org.br

Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

De ficção e realidade

Editorial do O POVO deste domingo (1º) avalia o filme sobre a Lava Jato, produzido pela Netflix. Confira:

Como tudo o que acontece no Brasil atualmente, não passaria sem protestos a série O Mecanismo, inspirada na operação Lava Jato, assunto que também já havia gerado o filme Polícia Federal – A lei é para todos, de Marcelo Antunes, do mesmo jeito alvo de polêmica.

A série, produzida pela Netflix e dirigida por José Padilha, conta o início da operação que ainda investiga o maior esquema de corrupção no Brasil. A primeira temporada termina com a prisão de empreiteiros participantes da rede criminosa.

Apresentada como “obra de ficção inspirada em fatos reais”, a série traz personagens identificáveis para quem acompanha os acontecimentos políticos. E os problemas começam aí. Padilha passou a ser recriminado por, supostamente, falsear a realidade, principalmente ao pôr na boca do personagem João Higino (o ex-presidente Lula) a famosa frase de Romero Jucá, qual seja, a necessidade de “estancar a sangria” da Lava Jato.

Janete Ruscov, a personagem que representa Dilma Rousseff, aparece no filme em situações comprometedoras, das quais a ex-presidente não participou. Assim, Dilma passou a acusar Padilha de espalhar “fake news”.

Em favor do diretor diga-se que suas investidas não se restringiram aos personagens petistas. Thames (Temer) e Lúcio Lemes (Aécio Neves) são apresentados como golpistas e conspiradores. Mas a questão é: pode-se exigir de um filme, de um quadro ou de um livro que eles respeitem os “fatos”, quando o próprio conceito de obra de arte pressupõe liberdade total para criar a sua própria realidade, inclusive aquela descolada da verdade factual?

Assim, pode uma série de ficção – ainda que inspirada em fatos reais – ser acusada de produzir informação fraudulenta?

A resposta óbvia é não. Agora, protestos contra a obra também são livres. E, talvez Padilha fizesse melhor se se dispusesse a responder as críticas sem desqualificar o interlocutor, como fez com a ex-presidente Dilma, a quem acusou de “não saber ler”, por ter desconsiderado o alerta no início dos episódios.

Aceitar críticas e saber diferenciar ficção e realidade ajudaria a desarmar os espíritos.

O cárcere está em todos nós

Em artigo no O POVO deste sábado (31), o professor da UFC e sociólogo Paulo Henrique Martins sugere o resgate dos afetos positivos de solidariedade, da gentileza e dos cuidados com a democracia como forma de superar os cárceres imaginários que separam os “maus” e os “bons” cidadãos. Confira:

A modernidade ocidental se apoiou em duas ideias, a do destino e a da ciência. A do destino assegurava uma finalidade cosmológica; a da causalidade, a do progresso científico e técnico. Ambas as imagens, explica V. Flusser, no seu Pós-História (2011), visavam legitimar um processo de objetivação cultural da modernidade que, aparentemente, seria guiada por uma ética implícita. Mas a modernidade começou a ter falhas de memórias.

Auschwitz (o campo de concentração nazista onde se assassinavam os judeus) foi um dos primeiros grandes aparelhos do século XX que contribuíram para o colapso da modernidade. Auschwitz brotou diretamente do fundo da cultura ocidental, dos seus valores e conceitos.

Depois deste evento muitos outros surgiram: os campos de palestinos, de refugiados na Europa e, também, as penitenciárias no Brasil. O ministro Jungmann reconhece que estes aparelhos não são mais dominados pelo Estado, mas pelos traficantes. Porém, os cárceres não estão fora da sociedade, eles refletem nossos valores culturais e nossas decisões políticas.

Os cárceres revelam redes de cooptação e colaboração que se estendem para além dos muros e apenas ilusoriamente separam os “maus” e os “bons” cidadãos. Todos somos cúmplices do aparelho quando admiramos o “jeitinho brasileiro” ou nutrimos discriminações com negros(as) e pobres. Todos vivemos os cárceres ao ligar a TV diariamente para curtir amedrontados, mas com prazer, o ressentimento e o ódio nosso com relação àqueles que nomeamos de “vilões”. Pois somente assim podemos nos livrar cinicamente das responsabilidades de sermos co-autores dos cárceres que estão também em nós.

A saída? Resgatar um valor que foi fundamental para a modernidade, o da liberdade – de cada um e de todos. Apenas a valorização desta utopia e de seus efeitos práticos pode ajudar a liberar afetos positivos de solidariedade, gentileza e cuidados com a democracia.

Cuidados importantes para que o dinheiro não escoe sem rumo da sua empresa

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Em artigo sobre empreendedorismo e investimentos o Mestre em Gestão Empresarial e consultor financeiro Fabiano Mapurunga explica o motivo da falta de dinheiro para pagar obrigações, apesar do bom faturamento. Confira:

Se você alguma vez já sentiu que, apesar de estar faturando bem, não consegue entender porque continua faltando dinheiro para pagar suas obrigações em dia, saiba que grande parte dos empreendedores tem este mesmo sentimento. Por isso, procurei reunir algumas dicas para lhes ajudar a resolver esta questão:

1 –Procure criar seus controles para ter parâmetros a seguir

Nós temos a necessidade de entender nossa posição atual, para sabermos se estamos perto ou longe de chegar ao nosso destino. Uma das maneiras que podemos fazer para resolver isso é utilizando, por exemplo, um GPS o qual vai nos indicando o caminho e a distância para o ponto de chegada.

Em sua gestão financeira, não é muito diferente do exemplo acima. É necessário que se saiba apurar criteriosamente seus gastos e suas receitas, e assim se criar um controle destes. Não se pode simplesmente acreditar que se precisa excluir despesas e aumentar suas receitas, sem que se conheça quais os efeitos que estas ações vão causar em seu fluxo financeiro e em seu negócio como um todo.

Posso apontar que grande parte dos empreendedores acaba confundindo o seu dinheiro pessoal com o da sua empresa, e isto é como um veneno que se toma aos poucos, pois vai minando seu caixa.

Não é uma tarefa muito prazerosa ficar controlando todas as suas entradas e saídas de caixa, mas é vital que se faça, pois sem isso se torna muito complicado fazer qualquer tipo de análise, para se tomar qualquer decisão com segurança. Por tanto, procure se utilizar da tecnologia para lhe ajudar e se cerque de profissionais capacitados para fazer este acompanhamento.

2 – Procure ter bom senso com seus gastos

Não deixe de medir as consequências dos seus gastos, observando o custo e o resultado que estes vão lhes proporcionar.

Trago aqui um exemplo prático do que quero lhes dizer: Você precisa ter um carro utilitário para transportar suas mercadorias e ao invés de comprar aquele carro econômico e padrão para a atividade, decide comprar um com muitos opcionais que não estão necessariamente ligados a sua necessidade, e por isso, acaba gastando bem mais que o necessário. O valor deste carro de luxo, está agora prejudicando diretamente o seu lucro, tudo porque não se usou o bom senso na escolha.

3 – Crie seu fluxo de caixa e tenha seu horizonte para assumir compromissos

Agora para completar as dicas, um dos pontos mais importantes, é se criar o seu Fluxo de Caixa, ou seja, ter o controle temporal das suas entradas e saídas de dinheiro.

Sua empresa pode ter conquistado uma ótima venda, por exemplo, R$ 1,2 milhão a serem recebidos em parcelas de R$ 120 mil durante 10 meses. Ao avaliar seus custos, você verifica que mensalmente precisa de R$ 200 mil para honrar suas obrigações. Então enxerga, pelo seu fluxo de caixa, que precisa de, pelo menos, mais R$ 80 mil por mês para cobrir esse espaço. Com essa visão, poderá tomar algumas atitudes, como recorrer a algum empréstimo em linha própria para o caso, ou até mesmo conseguir mais prazo com alguns fornecedores. Enfim, terá uma visão de profundidade para conseguir se posicionar e evitar muitos transtornos.

Essas dicas simples demonstram que é preciso sempre saber o que se está fazendo para não causar danos em sua empresa. Aconselho se aprofundarem mais sobre os assuntos de Custos e Fluxo de Caixa, para lhes ajudar mais na sua caminhada empreendedora.

Fabiano Mapurunga
CEO da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Gestão
Empresarial. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria

Bastam dois partidos?

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Editorial do O POVO deste sábado (31) aponta resultado de pesquisa, feita em parceria Brasil e Reino Unido, que mostra que os partidos políticos brasileiros são criados para servir os interesses dos políticos, não para representar os diferentes segmentos da sociedade. Confira:

Pesquisa inédita, coordenada pela Universidade de Oxford (Reino Unido) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-Brasil), revela uma coisa que todos já sabiam: os partidos no Brasil são criados para servir os interesses dos políticos; não para representar os diferentes segmentos da sociedade. Mas o surpreendente é que os pesquisadores chegaram à conclusão que apenas dois partidos seriam suficientes para representar a sociedade brasileira no Congresso Nacional.

Consultando senadores e deputados, por meio de um questionário – com temas que iam da economia e controle fiscal à reforma política e o aborto -, os pesquisadores descobriram que as 25 legendas com representação no Parlamento poderiam ser divididas em dois grandes grupos: um de centro-direita (formado pelo chamado “centrão”, além do PP, PSDB e MDB) e outro de centro-esquerda (composto por partidos como PT, PC do B e PDT). O bloco de centro-direita tem hoje 60% das cadeiras na Câmara dos Deputados, e o de esquerda, 40%.

“No campo das ideias, pelos 20 assuntos que a gente mediu, dois partidos são suficientes e representariam razoavelmente e de forma coerente a sociedade. Um seria estaria mais à esquerda e outro mais à direita”, disse um dos coordenadores da pesquisa, o professor César Zucco (FGV), em entrevista à BBC Brasil, de onde foram compiladas as informações para este texto.

É importante frisar que a pesquisa não defende a instalação de um modelo bipartidário, apenas demonstra o que, empiricamente, sempre pareceu óbvio a um brasileiro medianamente informado. Qual seja, que a proliferação de partidos atende a interesses individuais ou de grupos políticos, em busca que usar as siglas como elemento de barganha política. Como bônus, ainda ganham o acesso ao generoso Fundo Partidário, bancado por recursos públicos. Talvez seja exagero dos pesquisadores resumir o arco ideológico a apenas dois partidos, mas um número não superior a cinco siglas, com certeza, representaria bem as diferentes propostas em debate no País.

Mas o pior é que, mesmo com o sentimento de rejeição generalizada ao comportamento dos políticos, que poderia apontar para uma renovação no parlamento, isso não deve acontecer. Para os pesquisadores o mesmo quadro tende a se repetir na eleição de outubro. Com o fim do financiamento empresarial às campanhas, os candidatos dependerão mais do Fundo Partidário. E quem tem mais acesso ao dinheiro, essencial em uma campanha eleitoral, são justamente os partidos que mais elegeram deputados em 2014.

Assim, infelizmente, na próxima legislatura, talvez tenhamos mais do mesmo.

O péssimo exemplo de uma péssima classe política

Em artigo no O POVO desta sexta-feira (30), o jornalista Guálter George, editor de Política do O POVO, aponta a falta de compromisso para com a democracia, diante dos episódios violentos, nos últimos dias, contra veículos que seguiam em caravana com bandeiras ideológicas diferentes dos agressores. Confira:

A classe política atual do Brasil é de péssima qualidade, certamente uma das mais desqualificadas que a história já registrou. Um ponto que não apresenta importância menor na construção do cenário dramático do País, ao contrário, pode ser inserido entre os grandes responsáveis pelo que temos sofrido e, pior, determina de maneira fundamental a enorme desesperança que nos domina quando tentamos, teimosamente, pensar de maneira otimista em relação ao futuro. A falta de compreensão sobre o que seja estratégico impede que imaginemos possível, mesmo como apenas um exercício, a construção de um consenso mínimo que pareça capaz de trazer de volta uma ideia de rumo para o Brasil.

O que aconteceu nos últimos dias como debate em torno dos episódios violentos no Sul do País demonstra a falta de lhaneza que hoje grassa no ambiente político nacional. Qual dúvida poderia haver de que, de início, a única reação possível era a condenação vigorosa do ato, era criticar o ataque aos veículos que seguiam em caravana, era defender de maneira clara o direito de ir e vir daquelas pessoas? Havia uma bandeira partidária e uma linha ideológica naqueles veículos, tudo bem, mas, qual crime há nisso?

É esta falta de inteligência reinante que justifica a opção preferencial por assistir passivamente os grupos se postando dias seguidos à margem das estradas para investir contra a comitiva de veículos valendo-se de pedras, paus e outros instrumentos à mão, chegando ao extremo do registro de tiros, apenas porque dentro deles havia gente de cuja visão de mundo discordavam os irados agressores. Desde o primeiro momento aquela situação, observada no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, em sequência, exigia dos políticos que tivessem uma resposta dura, clara, de que aquela era uma situação inaceitável.

E o que tivemos? Entre os políticos aliados daqueles que seguiam em caravana, naturalmente, denúncias, indignações, gritos, que pouco ecoaram; entre os opositores, um silêncio predominante, cortado, vez ou outra, por manifestações infelizes de quase apoio à ação animalesca de quem foi à hostilidade gratuita como meio de responder a uma ação política. Foi o que aconteceu com a senadora gaúcha Ana Amélia Lemos, do PP, que chegou a saudar os conterrâneos que “botaram a correr aquele povo que foi lá levando um condenado”. Uma apologia evidente à selvageria, partindo de alguém que deveria preservar a democracia e sua capacidade de encaminhar as saídas pelo diálogo, especialmente entre diferentes. Já com o episódio dos tiros em discussão, tivemos o governador tucano Geraldo Alckmin (SP), dado como um homem ponderado, talvez um dos políticos atuais aptos a conduzir o País a uma pacificação, reagindo com a linha “colheram o que plantaram”. Depois até tentou remendar, reafirmando-se contra violência de qualquer espécie, porém, o estrago já tinha sido feito por sua reação mais natural, antes da ponderação de aliados e assessores, ao que acontecera no Sul do País.

A postura deveria ser diferente até por instinto de preservação deles próprios, mas o que ficou evidenciada foi a falta de compromisso democrático da turma. Hoje é contra um grupo, amanhã será contra outro, daqui a pouco será de um contra o outro e, enfim, sem uma ação das forças políticas organizadas o caminho inevitável é o caos.