Blog do Eliomar

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UFC: A democracia como base da legitimidade

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Em artigo sobre a escolha do novo reitor da UFC, entidades e centros acadêmicos defendem o envio da lista tríplice para Brasília obedeça ao critério da votação realizada na universidade. Confira:

O Brasil vive um momento de forte ebulição social, decorrente do choque causado por ameaças ao Estado Democrático de Direito. No dia 15, nós, da Educação, mostramos que podemos e vamos defender tudo o que conquistamos em relação à democracia e aos direitos fundamentais.

Na Universidade Federal do Ceará (UFC), devemos manter a coerência e defender esses mesmos pilares. Nesse sentido, é decisiva a reunião que o Conselho Universitário (CONSUNI) da UFC realiza nesta segunda-feira, às 14h, para definir a lista tríplice para a escolha do reitor pelo presidente da República.

A reunião acontece em meio à compreensão de que existem ameaças concretas à democracia na UFC. Além dos decretos governamentais, há poucos dias causou espanto e indignação à comunidade universitária a tentativa do candidato que ficou em terceiro lugar na consulta de judicializar a sucessão na Reitoria da UFC. Corretamente, o juiz federal negou o pedido de liminar feito pelo candidato, reafirmando a autonomia da universidade como princípio constitucional.

Antes mesmo, ficamos apreensivos com as articulações políticas que estariam em curso e com a possibilidade de termos, novamente, a nomeação de um reitor que não venceu a consulta interna. É preciso destacar que vivemos um momento em que as bases da democracia não podem ser afastadas em nenhum âmbito.

A consulta é o principal mecanismo que confere legitimidade à escolha do dirigente máximo da universidade, mesmo considerando o fato de haver uma proporcionalidade que não traz isonomia política aos três segmentos.

Em relação à escolha do reitor, de forma anacrônica e como resquício de períodos não democráticos, a lei determina que a lista seja tríplice. Por isso, visando assegurar o respeito ao resultado da consulta realizada junto à comunidade, tem havido na UFC, desde 1995, a composição de uma lista com o nome do vencedor e outros dois docentes. Os candidatos derrotados nos vários pleitos desde então, entendendo que suas pretensões à reitoria, por vias democráticas, encerravam-se com a consulta, declinaram de se apresentar como candidatos à lista tríplice no CONSUNI.

Henry Campos, em 2015, foi candidatura única, assim como Jesualdo Farias, em 2012. No entanto, em 2007, Ícaro Moreira concorreu com Ana Iório, que ficou em segundo lugar e não manteve o nome no CONSUNI. Em 2003, René Barreira concorreu com Lindberg Gonçalves e Ernesto Pitombeira; estes últimos, derrotados na consulta, abdicaram de compor a lista no Conselho. Em 2007, Jesualdo Farias disputou a reitoria com Benito Azevedo e José Carlos Parente, e estes não se apresentaram ao Consuni. Isso também ocorreu em 1995 e em 1999, quando Roberto Cláudio Frota Bezerra foi eleito reitor nas duas ocasiões.

Esse acordo decorre do trauma político e institucional provocado pela indicação, por Fernando Collor, do professor Antônio Albuquerque, em 1992. Ele foi declarado interventor pela comunidade universitária e teve uma gestão turbulenta, cheia de atritos com os três segmentos.

Em 2019, a UFC escolheu um candidato que teve maioria absoluta nos três segmentos, inclusive no cômputo final, considerando a proporcionalidade determinada em Lei (70/15/15).

A lei e a nota técnica são muito claras em afirmar que não há vinculação direta entre os nomes da consulta e os integrantes da lista tríplice que sairá do CONSUNI.

Assim, entendemos que, para respeitar a vontade expressa pelos três segmentos da UFC, o mais legítimo seria o CONSUNI seguir a tradição democrática das últimas décadas e enviar ao Presidente da República, entre os participantes da consulta, apenas o nome do candidato mais votado. A lista tríplice é um mecanismo indiferente à necessidade de legitimidade política do dirigente máximo de uma instituição complexa como uma universidade federal. A compreensão dessa necessidade já existe há quase três décadas entre nós. Não devemos regredir dela.

As movimentações políticas e judiciais recentes dão a entender que a composição formal de uma lista tríplice seria mais relevante do que o respeito à decisão democrática da comunidade universitária. Não é.

Em vista disso, esperamos e confiamos que nossos representantes vão considerar e respeitar a escolha manifestada por toda a comunidade universitária na consulta realizada.

Seguiremos, todos (as) juntos (as), na defesa de uma universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.

Adufc: Resistir é Preciso

Sintufce

Centro Acadêmico Batista Neto de Ciências Sociais

Centro Acadêmico Amélia Alba de Geografia

Centro Acadêmico Rodolfo Teófilo de Farmácia

Centro Acadêmico Maria de Lourdes da Conceição Alves de Ciências Ambientais

Centro Acadêmico Quatro de Dezembro da Zootecnia

Diretório Acadêmico Professor Valdinar Custódio de Ciências Biológicas

Centro Acadêmico professor Luiz Antônio Maciel – Gestão de políticas públicas

Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua – Direito

Centro Acadêmico Ayrton Senna de Educação Física

Operações em mercado futuro para o agronegócio

Em artigo sobre economia, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Administração com ênfase em Finanças e MBA em Gestão Financeira e Controladoria, aponta que as margens de garantias e os ajustes diários são fundamentais para o futuro das empresas do agronegócio. Confira:

De uma forma mais simplificada, entenda mercado futuro como, um mecanismo que possibilita a fixação de preços dos produtos, por intermédio de contratos que serão liquidados em uma data futura. Para o agronegócio, teríamos então a fixação de preços de produtos agropecuários, marcados a futuro e definidos em contratos com liquidação futura, com data pré-definida.

Dois aspectos do mercado futuro, podem ser grandes diferenciais para as empresas do agronegócio. Sendo os mesmos: As margens de garantias e os ajustes diários.

Ao se abrir um posicionamento de compra ou de venda no mercado futuro, são depositadas garantias constituídas por ativos de alta liquidez, as quais serão liberadas após a liquidação financeira da posição tomada, em caso o cliente deixe de pegar os ajustes diários, ou em caso de descumprimento de qualquer outra obrigação que tenham assumido no ato do contrato.

Vale destacar que, os produtos como milho, soja, arroz, frutas e hortaliças, assim como todas as variáveis agronômicas, poderão estar incluídos no mercado futuro. Tais ações originam alguns custos operacionais, que obedecem a três agrupamentos:

– Taxa Operacional Básica (TOB): consiste em 0,03% nas operações convencionais e de 0,07% no Day trade (estratégia de compra e venda de ações dentro do mesmo dia).

– Taxa de Liquidação por Entrega (TLE): corresponde a 0,45% sobre o valor de liquidação.

– Taxas da Bolsa (emolumentos e fundos): representam 6,32% da TOB e da TLE.

No momento da venda desses contratos, através dos pregões da Bolsa de Valores, as partes envolvidas, se comprometem a comprar e a pagar, ou a vender e entregar, o produto em questão, na data do vencimento do contrato.

O agronegócio se enquadra perfeitamente a este tipo de transação, por ser uma modalidade onde se é preciso ter tempo para o plantio, a colheita e o transporte dos produtos, ao mesmo tempo em que se necessita ter dinheiro disponível em caixa para resguardar a produção durante todo o processo de cultivo.

Operacionalmente falando, para se engajar seu agronegócio no mercado futuro, se faz necessário operar por intermédio de uma corretora de mercadorias que esteja associada a uma bolsa, a qual irá padronizar os contratos futuros e encontrar as melhores operações viáveis. A maior vantagem de se optar por contratos futuros, é que se pode comandar o encerramento destes por ambas as partes, antes da data de vencimento, através de uma operação inversa à inicial. Logo, é possível se negociar para o futuro, com segurança, o preço do produto (preço do milho, da soja, ou qualquer outro produto que se estabeleça no contrato).

Além de tudo, as negociações em mercado futuro, podem possibilitar a transferência das obrigações assumidas no contrato, a terceiros, em qualquer momento, desde que esse movimento seja interessante para ambas as partes. Importante salientar, que todos esses movimentos devem ser operações de mercado, onde as negociações estarão sempre resguardadas contra calotes e prejuízos.

Muito importante salientar que, todas estas operações devam ser realizadas por profissionais qualificados, com boa visão de mercado e que respeitem a todas as sazonalidades de curto, médio e longo prazos do agronegócio.

Fabiano Mapurunga

Consultor em Finanças e Negócios. Mestre em Administração com ênfase em Finanças. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria. Professor Universitário

Parlamentar odeia professor?

Em artigo sobre a proposta da Escola sem Partido, o professor Francisco Djacyr Silva de Souza reclama da ação de vereadores na Câmara Municipal de Fortaleza. Confira:

Fico a me perguntar o que tem levado alguns parlamentares a desferirem ódio aos professores e tentar colocar a população contra aqueles que têm como missão formar pessoas para o futuro da nação.

Recentemente um projeto de lei que tem como objetivo evitar que o ódio dos conservadores possam destruir a vida dos educadores tem sido postergado pela Câmara Municipal de Fortaleza, por meio de uma bancada odienta que se orienta pelos que bradam uma tal Escola Sem Partido.

O projeto em questão, de autoria do Vereador Evaldo Lima, tem sido barrado pela estratégia do vereador Jorge Pinheiro, que constantemente pede vistas com o claro objetivo de destruir os educadores. Qual o objetivo deste vereador ao fazer isso? O que se esconde nessa atitude rasteira? O vereador é simplesmente mais um inimigo da escola e dos educadores? Por que tanto ódio?

Os professores merecem respeito, merecem trabalhar tranquilos sem acusações ou perseguições. O que o vereador faz é ridículo, sem sentido e completamente deslocado do sentido e do respeito aos educadores. O Vereador não deveria fazer isso, não deveria desrespeitar o direito sagrado de uma aula no verdadeiro sentido da democracia.

Quem desrespeita professor faz assim. Quem odeia age assim. Resta apenas pedir um pouco de razão e, se possível, amor.

Francisco Djacyr Silva de Souza

Professor

Os problemas do presidente

Editorial do O POVO deste domingo (19) avalia a inabilidade do governo Bolsonaro para com o Congresso nacional. Confira:

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) precisa reorganizar, com urgência, a sua base de apoio no Congresso Nacional, caso contrário a situação chegará a um ponto incontrolável. Esta semana foi bastante tumultuada, com derrotas importantes para o governo, que poderiam ser evitadas, se houvesse um mínimo de coordenação entre os partidos que estão em sua base de apoio. A convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, para dar explicações sobre o contingenciamento de verbas das universidades, por exemplo, foi apoiada por todos os líderes partidários, à exceção do PSL e do Novo.

Esse desarranjo tem irritado partidos da base aliada, como foi o caso da reunião com líderes partidários na qual Bolsonaro telefonou ao ministro Weintraub e ter-lhe-ia dado a ordem de sustar o contingenciamento de verbas das universidades, segundo o relato de vários participantes. No entanto, em seguida, o fato foi negado pelo próprio governo, deixando os parlamentares que anunciaram a medida em má situação.

Outro sinal de que a temperatura está aumentando mostra-se quando alguns dos partidos aliados começam a se distanciar do Centrão – como é o caso do Podemos, PSC, Cidadania, Patriota e PV – para formar um “bloco independente”. Apesar de serem partidos pequenos, o Novo também se aproxima das conversas, segundo o portal Uol, somando apenas 43 deputados, a iniciativa é sintomática das dificuldades que vêm pela frente.

No curtíssimo prazo, o governo precisa aprovar na Câmara a medida provisória 870, com a qual o presidente eliminou alguns ministérios e fundiu outros, no início de seu mandato, até o dia 3 de junho, quando a MP perde a validade. Se isso acontecer, Bolsonaro será obrigado a recriar a mesma estrutura ministerial legada pelo presidente Michel Temer. O governo também depende do Congresso para aprovar crédito suplementar de R$ 249 bilhões para não cometer crime de responsabilidade fiscal.

Tudo isso sem entrar na necessidade de se aprovar com a maior brevidade possível a reforma da Previdência, pois dela dependem todas as demais propostas que podem indicar um caminho virtuoso para a economia do País.

Avanço no saneamento

Editorial do Estado de S.Paulo, neste sábado (18), ressalta substitutivo à Medida Provisória (MP) 868/18, de autoria do senador cearense Tasso Jereissati, que modifica o marco regulatório do saneamento básico. Confira:

A aprovação pela Comissão Mista do substitutivo do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) à Medida Provisória (MP) 868/18, que modifica o marco regulatório do saneamento básico, é um avanço importante, porque facilita os investimentos privados nesse setor, carente de recursos. Mas falta ainda um longo caminho a percorrer – o plenário da Câmara e a apreciação pelo Senado – para transformá-lo em lei e mudar a situação atual, que condena metade da população brasileira a viver sem acesso a serviço de coleta de esgoto.

Carta de governadores de 24 Estados divulgada na imprensa, com pesadas críticas à MP, dá uma ideia dos obstáculos que ela tem pela frente. Os governadores se mostram muito mais preocupados em manter o controle que têm hoje sobre o setor – por meio das companhias estaduais de saneamento, todas à míngua de recursos – do que em resolver o problema. Seus argumentos não convencem: eles agridem a realidade e mal escondem que seu objetivo é mesmo preservar intactos seus poderes, mesmo à custa de grande parte da população ficar sem acesso a um serviço essencial.

“A existência dos Contratos de Programa (que a MP muda) permitiu que as Companhias Estaduais, nos últimos 8 anos, investissem cerca de 55 bilhões de reais, o que representa 80% do total de investimentos ocorridos em saneamento no país”, afirmam eles. Faltou acrescentar que isto é muito pouco. Estima-se que se devem investir R$ 20 bilhões por ano no setor para resolver o problema, mas em 2016 os investimentos ficaram apenas em R$ 11,3 bilhões e em 2017, em R$ 10,05 bilhões. É notório que o setor público não dispõe de recursos suficientes para enfrentar esse desafio.

Por isso é que se chegou à atual situação calamitosa, que a MP quer corrigir: 100 milhões de brasileiros não têm acesso à rede de coleta de esgoto e 35 milhões não dispõem de água potável. Não surpreende que, em relação ao saneamento, o Brasil esteja numa posição vergonhosa: atrás de 105 países, embora seja a oitava economia do mundo.

A MP faz o que o mais elementar bom senso indica: como as companhias estaduais não dispõem de recursos para resolver sozinhas o problema, cria condições para que o setor privado – que tem capital e vontade de investir – participe desse esforço. Hoje, as empresas particulares estão presentes só em 325 municípios, de um total de 5.570. Apesar disso, 20% de todo o investimento feito em saneamento, em 2016, veio delas.

O ponto da MP que mais suscitou polêmica é o dos Contratos de Programa. Pelas regras atuais, esses contratos, que aqueles governadores tanto prezam, não exigem licitação, o que na prática mantém a esmagadora maioria deles com as companhias estaduais. Pelas novas regras, se aprovadas, haverá concorrência com as empresas privadas na disputa dos contratos, o que facilita a ação dessas empresas isoladamente ou na forma de Parcerias Público-Privadas. A MP estabelece que a regulamentação do setor de água e esgoto, hoje atribuição dos municípios, se torna responsabilidade da União, por meio da Agência Nacional de Águas (ANA).

As principais críticas da oposição são que a MP obriga os municípios a abrirem suas portas para as empresas privadas, e que estas só terão interesse em investir nas cidades mais ricas, deixando as mais pobres, que não dão lucro, para as companhias estaduais. Para o senador Tasso Jereissati, é “um equívoco profundo” colocar a questão nesses termos. O certo, afirma ele com razão, é que “saneamento é o único setor de infraestrutura do País em que ainda vivemos na Idade Média. Avançamos em comunicação, eletricidade, rodovias, mas não temos esgoto. Só teremos chance somando recursos privados e estatais”.

Não procede o argumento de que as empresas privadas ficarão apenas com a parte lucrativa do setor, porque poderão ser levados à concorrência blocos de municípios, o que geraria ganhos de escala e tornaria os menores também economicamente interessantes.

Tal como está, a MP é a oportunidade que o Brasil tem de resolver o grave problema do saneamento.

Educação: impasses precisam ser superados

Editorial do O POVO deste sábado (18) aponta que o Ministério da Educação, no atual governo, tem produzindo mais problemas do que propostas . Confira:

Passados cinco meses do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), um dos ministérios mais importantes da Esplanada – o da Educação – continua funcionando de forma errática, produzindo mais problemas do que propostas para essa área por demais sensível. Não por acaso, foi a partir das escolas e universidades, que se produziu a maior mobilização popular, desde as manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O governo procurou reduzir a importância dos atos que se espalharam por todo o Brasil, na quarta-feira, chamando a massa estudantil – nas palavras do próprio presidente – de “idiotas úteis”, manobrados por “espertalhões”. Mas o que pôde ser comprovado é que, apesar de algumas reivindicações específicas de poucos setores terem destoado do móvel central da mobilização, a grande maioria dos estudantes foi às ruas para protestar contra o contingenciamento de verbas e o corte de bolsas de mestrado e doutorado nas universidades. Nem se entra aqui no mérito se estão certos ou errados os estudantes, mas o fato inescapável é que foi um ato importante, cujas consequências ainda estão por se observar.

E, nem bem os estudantes haviam deixado as ruas, estoura outra crise no Ministério da Educação: a demissão do presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais (Inep), Elmer Coelho Vicenzi. Seu sucessor, Alexandre Lopes é o quarto nome a assumir o cargo, o que soma uma substituição a cada mês, praticamente. Sem contar que a pasta da Educação, em parcos cinco meses, já está no segundo titular.

Essa situação, por si bastante dramática – o Inep é responsável pelas provas do Enem -, torna-se ainda mais grave quando se conhece o motivo que levou ao afastamento de Vicenzi: uma disputa em torno do pedido do ministro Abraham Weintraub em conhecer dados sigilosos dos estudantes, o que foi recusado pelo procurador-chefe do MEC. A intenção do ministro e do governo seria utilizar esses dados, entre outras ações, para criar uma carteira de estudantes, de modo a retirar essa tarefa da responsabilidade da União Nacional dos Estudantes (UNE), a principal fonte de renda da entidade estudantil.

O fato é que a indicação de titulares para o MEC – como é o caso do atual ministro e de seu antecessor -, partidários da teoria de que as universidades e as escolas em geral são o lócus de “esquerdistas”, mais interessados em fazer “balbúrdia” do que em estudar, tem feito muito mal à educação brasileira. Se a situação assim persistir, o impasse continuará impedindo qualquer avanço nesse setor, que poderá, aí sim, transformar-se em um campo de guerra ideológica, o que poderá satisfazer alguns segmentos extremados, tanto da situação quanto da oposição, mas levará a educação brasileira a um beco sem saída.

Rede diz que aproximação com Roberto Cláudio facilitará questões ecológicas

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Em artigo enviado ao Blog, o secretário de Organização Estadual da Rede Sustentabilidade do Ceará, Aécio Holanda, critica o ex-filiado Ricardo Alcântara e ressalta o retorno ao partido de Toinha Rocha, que possui trajetória política em defesa da causa animal. Confira:

A Rede de Sustentabilidade no Ceará, recebe novamente Toinha Rocha nas suas fileiras com muita satisfação. Toinha tem uma trajetória política intimamente ligada às nossas lutas, principalmente a defesa da causa animal. A Rede Ceará, com nossa nova direção, está se organizando com foco em fazer o maior número possível de vereadores nos municípios do Ceará.

Quanto às alianças, a Rede se coloca ao lado do campo progressista e tenta ser protagonista de uma aproximação de partidos não alinhados à oposição petista, no caso, Cidadania, PSB, PV e PDT. Aqui em Fortaleza, na eleição passada, no segundo turno, votamos em Roberto Claudio. E temos muitas pautas em comum, sobretudo às questões de mobilidade urbana, os ecopontos, o projeto Carroceiro Legal, que em parceria com o Banco Palmas gera renda aos catadores e estabelece um visão ambiental sustentável, através da limpeza da cidade, e principalmente os projetos de proteção animal, coordenados por Toinha Rocha.

Nossa aproximação – que o retorno de Toinha nos proporciona naturalmente – com o governo Roberto Claudio, também facilitará nossa luta em defesa do Rio Ceará e se dará através de uma pauta positiva deixando claro as bandeiras da Rede.

Quanto à afirmação maledicente de Ricardo Alcântara, queríamos afirmar que não  concordamos com qualquer ação que agrida o meio ambiente. Seja na Serra da Meruoca ou nos prédios que são construídos dentro do Parque Ecológico do Cocó, como é o caso do apartamento onde o mesmo mora.

Aécio Holanda

Secretário de Organização Estadual da Rede Sustentabilidade do Ceará

Antes de investir é preciso uma análise econômica e financeira

Em artigo sobre economia, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Administração com ênfase em Finanças e MBA em Gestão Financeira e Controladoria, aponta a importância de se analisar qualquer tentativa de investimento, antes mesmo de iniciar, como forma de reduzir o risco de insucesso. Confira:

Muitas pessoas ficam propensas a investir em algo quando a oportunidade surge, mas poucas param para procurar entender se ela é realmente boa. Ou seja, se condiz com suas expectativas.

Porém verifico que, muitos não fazem essa análise, por não saberem como, e por não terem as ferramentas adequadas para medir essa sua possível ação. Por isso, resolvi hoje, conversar um pouco sobre a Análise de Viabilidade Econômica e Financeira, e assim dar um apoio aos que estão com oportunidades de alocar seus recursos, mas que estão precisando de mais certeza na sua decisão.

A Análise de Viabilidade Econômica e Financeira, objetiva fazer a medição e o entendimento sobre ser viável ou não, um determinado investimento. Ela se propõe a fazer uma comparação sobre, os possíveis retornos que poderão ser obtidos com as oportunidades de investimentos, e assim indicar a melhor alternativa.

Para se executar uma análise de viabilidade econômica e financeira, se faz necessário estabelecer e seguir algumas etapas, sendo essas:

1 – FAZER UMA PROJEÇÃO DE RECEITAS

Projetar receita é, na verdade, procurar identificar a capacidade que o investimento possui de gerar dinheiro ao investidor. Para tanto, vamos precisar estabelecer algumas premissas:

· Conhecer bem o mercado, a fim de se evitar que sejam projetados números impossíveis de serem atingidos;

· Evite projetar pela capacidade total de geração de receitas, seja mais precavido e priorize ser realista em seus números, conte com 50% ou menos;

· Projete sempre crescimento para receitas, custos, despesas e investimentos. Vale observar que não se manterão constantes.

2 – VAMOS PROJETAR OS CUSTOS, AS DESPEAS E OS INVESTIMENTOS

A projeção de custos, despesas e investimentos, também deve obedecer a alguns preceitos básicos para a correta avaliação. O principal deles, é aceitar a existência de custos, despesas e investimentos que possam justificar as receitas projetadas.

Vamos usar o exemplo de uma indústria, para projetarmos suas vendas precisamos avaliar a sua capacidade de produção. Assim, se precisa avaliar a necessidade de se investir em maquinário, além dos custos e despesas concernentes a essa atividade.

Importante se ater ao fato de ter que projetar uma certa participação no mercado, que seja condizente com o faturamento projetado. Sendo assim, é preciso mensurar os gastos com marketing e propaganda. Não vamos esquecer de projetar o reinvestimento. Não podemos avaliar que teremos apenas o investimento inicial. A empresa irá necessitando de injeções de investimento, na medida que seu crescimento vai tomando corpo.

3 – PROJETEMOS AGORA O FLUXO DE CAIXA

De uma forma simplificada, vamos entender o fluxo de caixa como a entrada e saída de dinheiro da empresa em um determinado período de tempo. Tem fundamental importância para a gestão financeira de qualquer negócio. Ele é encontrado, pela diferença entre as receitas e as despesas. Vamos ver agora, de uma maneira gráfica, como fica o nosso fluxo de caixa para os exemplos de projeções de receitas e de despesas, demonstrados anteriormente.

4 – VAMOS ANALISAR ALGUNS INDICADORES

Agora que já temos as projeções de receitas, de despesas e de fluxo de caixa, vamos fazer uma análise de indicadores para entender o comportamento.

Para objetivarmos mais o nosso entendimento, vamos tratar apenas de três tipos de indicadores:

A. VPL – Valor Presente Líquido

B. TIR – Taxa Interna de Retorno

C. Payback

PONTO DE ATENÇÃO: TAXA MÍNIMA DE ATRATIVIDADE – TMA

Para termos mais propriedade ao falarmos dos indicadores, vamos entender um pouco sobre a Taxa Mínima de Atratividade – TMA, que nada mais é, do que o retorno mínimo esperado para um investimento. Para a determinação da TMA precisamos levar em consideração a fonte de capital do investimento (próprio ou de terceiros), além da margem de lucro esperada com o investimento.

Não se tem uma média geral de TMA, esta varia conforme a empresa, podendo ser apurada de inúmeras maneiras. Como exemplo, aqui no Brasil costumamos usar como base TMA a taxa Selic, taxa referência de juros da nossa economia, pois a mesma tem interferência tanto na captação de recursos, quanto nas aplicações financeiras.

A. VPL – Valor Presente Líquido

Tal indicador analisa os fluxos de caixa esperados para uma empresa, os trazendo para uma mesma data. Sendo assim, todos os fluxos de caixa são descontados a uma TMA até a data do vencimento. Somamos então esses fluxos, e subtraímos de seu total os investimentos.

Os valores de referência são os seguintes:

– VPL com valor POSITIVO: o projeto tem capacidade de gerar lucro;

– VPL com valor NULO (Zero): o projeto se pagará ao longo dos anos, mas não terá geração de lucro.

– VPL NEGATIVO: o projeto não irá gerar lucro, mas sim prejuízo.

B. TIR – Taxa Interna de Retorno

Este indicador demonstra a rentabilidade de um projeto. É expressa em percentual, de acordo com a periodicidade dos fluxos de caixa. Exemplo: caso os fluxos de caixa sejam mensais, então a TIR também será mensal. Pois isso dizemos que a mesma é uma medida relativa. Ao substituirmos pela TMA no cálculo do VPL, o mesmo torna-se zero.

Para o cálculo da TIR, precisamos ter à disposição a TMA do investimento, para que façamos a comparação entre taxas. Ao se fazer a comparação, podemos ter três cenários:

a) TIR > TMA: o projeto paga o investimento e ainda gera lucro.

b) TIR = TMA: o projeto paga o investimento mas não gera lucro.

c) TIR < TMA: o projeto não paga o investimento, gerando prejuízo.

C. Payback

Tal indicador mede o tempo que o projeto gerará recursos para pagar o investimento.

Vamos ver agora duas forma de se calcular o Payback:

I. Payback Tradicional: também chamado de payback simples, pois não leva em consideração o dinheiro no tempo. Vejamos um exemplo: caso se tenha investido R$ 200.000,00 em um negócio que gera retornos mensais de R$ 20.000,00, o Payback será de 10 meses.

II. Payback Descontado: utilizamos a TMA para descontar os fluxos de caixa e os nivelarmos com a mesma data do investimento inicial.

ANÁLISE DE VIABILIDADE ECONÔMICA E FINANCEIRA DOS EXEMPLOS ANTERIORES

Tomando como base nossos exemplos anteriores, vamos averiguar os resultados de cada um dos métodos de análises de viabilidade que citamos.

Na tabela abaixo trazemos o fluxo de caixa do projeto e o seu saldo acumulado, utilizado para cálculo do payback.

Veremos que o saldo acumulado soma os fluxos ao investimento inicial. Quando o saldo ficar positivo teremos o payback. O saldo acumulado utiliza a TMA. Para o nosso exemplo tomemos a TMA a 3% a.m.

Vejamos agora a análise: Para uma TMA de 3% a.m., o VPL está positivo e a TIR foi superior à TMA.

Conclusão: Projeto viável.

Com essas informações espero ter lhes demonstrado a importância de se analisar qualquer tentativa de investimento, com muito esmero, antes mesmo de o iniciar, para se procurar dirimir ao máximo, o risco de insucesso.

Fabiano Mapurunga

Consultor em Finanças e Negócios. Mestre em Administração com ênfase em Finanças. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria. Professor Universitário

Endividamento e desemprego

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Editorial do O POVO deste domingo (12) aponta que o endividamento das famílias no Brasil é resultado da falta de educação financeira, além. claro, do desemprego. Confira:

Às altas taxas de desemprego vem juntar-se, talvez como consequência, outro problema a afligir os brasileiros. Como divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no trimestre fechado em fevereiro, o índice de desocupação ficou em 12,4%, acima dos 11,6% registrados no período encerrado em novembro. A taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 24,6%, somando 27,9 milhões de pessoas nessa situação precária, pico de uma série histórica iniciada em 2012.

Já a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo mostra uma outra face dos tempos difíceis pelos quais o País vem passando. Em março, o percentual de famílias endividadas alcançou 62,4%, aumento de 1,2 ponto percentual, se comparado a março do ano passado, sendo também o maior patamar, desde setembro de 2015. Na comparação mais próxima, é a terceira alta mensal consecutiva de taxa de endividamento.

No quesito mais específico, de dívidas ou contas em atraso, também houve oscilação, passando de 23,1%, em fevereiro, para 23,4% em março. Em contrapartida aconteceu pequena redução, de 25,2% para 23,4% no percentual de famílias inadimplentes, comparando com março de 2018. Outro dado importante é que o percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas em atraso e que, portanto, continuariam inadimplentes, aumentou de 9,2% em fevereiro para 9,4% em março deste ano. O uso do cartão de crédito foi apontado como o principal problema por 78% das famílias endividadas, seguido por carnês (14,4%) e financiamento de carro (10%).

Uma parte do endividamento pode-se atribuir à falta de educação financeira, que atinge boa parte da população brasileira, inclusive porque não é disciplina ministrada nas escolas – pelo menos na maioria -, nem mesmo como tema transdisciplinar.

Por outro lado, há de se admitir que a maior dificuldade mesmo é a falta de empregos, o que só poderá ser superado com o crescimento econômico, o que deveria ser a principal preocupação das autoridades brasileiras.

O começo do fim

Em artigo sobre a gestão Roberto Claudio, o publicitário e escritor Ricardo Alcântara aponta estratégias da sucessão. Confira:

Tenho apreço pessoal pelo prefeito Roberto Cláudio, homem trabalhador e de trato afável. Na dimensão pública, inegável é seu esforço em dotar a cidade de um sistema de mobilidade mais moderno e eficiente. A aprovação de sua administração em pesquisas de opinião tem causa substantiva. Em 2020, nenhum candidato que enfrentar o nome indicado por ele logrará êxito se fizer discurso de terra arrasada. É caixão.

Mas é outro, o foco deste artigo. Não respondo mais como filiado à Rede Sustentabilidade. Afastei-me das atividades partidárias em 2016, quando o partido tomou posição eleitoral por métodos alheios ao que é mais singular no seu programa: as decisões amplamente compartilhadas. Sei como o fim começa, o suficiente para me antecipar ao velório, e, agora, me desfilio em definitivo. O motivo: a anunciada aliança da Rede com o grupo político dos Ferreira Gomes no Ceará.

Mesmo sendo um crítico contumaz dos mesmos, digo que estão acima da média na famigerada cultura política brasileira. Não é grande coisa: estão aquém do que considero merecedor de apoio declarado. Discrepo da aliança com o PDT (o CEP atual do grupo) porque contraria o cerne do programa da Rede: a relevância central do princípio de Sustentabilidade (objeto, aliás, de costumeira ridicularização por Ciro Gomes).

Cito alguns, apenas, para não me alongar:

– Fortaleza recolhe somente 1.2% do lixo mediante processo de reciclagem. Não há nenhum programa com efeito de impacto na medida necessária em curso na gestão atual.

– A extração de centenas de árvores para atender a obras de mobilidade não recebe a adequada compensação de carbono com replantio de novas mudas em áreas próximas, onde se dá o maior impacto.

– Cid Gomes, o mentor da aliança, tem empreendimento privado embargado por devastar área de preservação da Serra da Meruoca. Não é algo público, mas moralmente devastador.

– Nas eleições do semestre passado, o partido lançou um candidato ao senado que fazia duras críticas a tudo isso. Foi dormir oposição e acordou governista?

Mas deixemos isso de lado. Fica a pegunta: quais compromissos programáticos o prefeito assumiu com o partido no tocante à questão ambiental? Nada. Uma aliança em cima de interesses eleitorais: entre as razões citadas para a aliança nas redes sociais por membros da direção (nada mais velha política do que isto) foi a promessa de apoio para eleger candidatos a vereadores do partido na capital (três, acreditam).

Desejo boa sorte aos meus ex-companheiros da Rede em sua tarefa atual de transformar o partido naquilo que era a razão de seu combate: mais um núcleo de interesses que coloca a luta pelo poder acima de seus princípios. Não será o primeiro: há outros trinta e tantos iguaizinhos. Vão na paz. Eu vou ficando por aqui.

Ricardo Alcântara

Escritor e Publicitário

Reestruturação de Bolsonaro em risco

Editorial do O POVO deste sábado (11) avalia a derrota do governo na comissão mista do Congresso que analisou a medida provisória (MP) da reforma dos ministérios. Confira:

É indiscutível que o governo foi derrotado na comissão mista do Congresso que analisou a medida provisória (MP) da reforma dos ministérios, promovida pelo presidente Jair Bolsonaro. Mais uma vez ficou demonstrada a fragilidade da base de sustentação governamental, pondo em dúvida até onde realmente vai o apoio do Centrão ao governo.

O presidente, além dos desarranjos que acometem seu próprio partido, o PSL, tem de lidar com os problemas que Centrão, teoricamente seu aliado, vem lhe criando. Foi assim, na Comissão de Constituição e Justiça, que apreciou a constitucionalidade da reforma da Previdência; e, agora, quando esse grupo aliou-se à oposição para criar-lhe mais uma dificuldade. A situação se torna mais grave – do ponto de vista do governo -, pois teria havido acerto, que levou à recriação de dois ministérios – Cidades e Integração – para atender pedido do Centrão, que indicaria nomes para essas pastas, em troca do apoio na comissão mista. Acordo, que se viu, não cumprido.

Mas, quanto ao mérito do que foi decidido, é necessário analisar as votações isoladamente. Houve uma decisão completamente equivocada: limitar a investigação dos auditores da Receita Federal aos crimes de ordem tributária, reduzindo a capacidade deles para atuarem no combate à corrupção, o que atende ao interesse particular de vários parlamentares. Por outra vista, foi muita acertada a decisão de vetar a transferência da demarcação de terras indígenas para o Ministério da Agricultura, restabelecendo a volta desta função para a Fundação Nacional do Índio (Funai).

O ponto que ganhou mais destaque foi a transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Ministério da Economia, retirando-o da Justiça. O ministro Sergio Moro chegou a fazer um intenso corpo a corpo no Congresso para manter o Coaf em sua pasta, sem resultado.

Entretanto, a discussão em torno do assunto está um tanto enviesada. A rigor, o Coaf tem de agir – como vem agindo – com autonomia e rigor, independentemente do Ministério onde esteja alocado. Não se pode atribuir a eficiência e a lisura de um órgão a depender de qual ministro ele esteja subordinado. Se o Coaf prestou relevantes serviços quando estava no Ministério da Economia, por que haveria deixar de fazê-lo se voltar às suas origens?

Depois de passar pela comissão, a MP terá de tramitar na Câmara e no Senado até 3 de junho, quando expira a medida provisória, um prazo bastante curto. Se isso não acontecer, a reestruturação dos ministérios cairá por terra; se o relatório tramitar no prazo, mas for aprovado da forma votada na comissão, a reforma administrativa restará desfigurada. Não há alternativa fácil para o governo.

A remissão pelo trabalho

Editorial do O POVO deste domingo (5) aponta que torna-se urgente buscar saídas de possibilitem uma nova oportunidade a quem se encontra encarcerado, principalmente pelo trabalho e pelo estudo. Confira:

A população carcerária vem crescendo no Brasil nos últimos anos, com os presídios brasileiros abrigando mais de 700 mil presos. Dos detentos, as mulheres representam mais de 42 mil dos encarcerados, com o seguinte perfil: 62% são negras, 74% são mães e apenas 11% delas completou o ensino médio. A metade dos encarcerados, computando-se homens e mulheres, é constituída por jovens entre 18 e 29 anos de idade. Os dados são do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), pesquisados (junho 2016).

Tendo em vista essa situação dramática, torna-se urgente buscar saídas de possibilitem uma nova oportunidade a quem se encontra encarcerado. Já existem bons exemplos de que é possível, principalmente pelo trabalho e pelo estudo, recuperar e reintegrar à sociedade pessoas que tenham cometido algum tipo de delito.

Assim, são sempre bem-vindas iniciativas que deem alguma perspectiva para quem se encontra privado da liberdade. Esse é o caso do projeto piloto “Cadeias Produtivas”, que está sendo implementado pelo governo do Estado do Ceará no Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura (IPF). É o primeiro programa do gênero, após a aprovação da lei estadual que concede benefícios fiscais a empresas que instalarem linhas de produção dentro de presídios.

Já estão atuando no IPF as empresas Mallory, produzindo ventiladores e a Ypióca, com a confecção de embalagens para bebidas. Conforme previsto na Lei de Execuções Penais, as internas receberão 75% do salário mínimo, além da remissão de pena de um dia a cada três dias trabalhados. A Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) diz que trabalha para atrair novas empresas para o projeto.

No entanto, apesar de a Mallory e a Ypióca já terem iniciado o processo de produção no IPF, o projeto ainda depende de regulamentação. O que se espera é que a burocracia não venha a ser um obstáculo a dificultar que internos do sistema penitenciário tenham a oportunidade de obterem alguma renda, ao mesmo tempo em que ganham o benefício da redução da pena a que foram condenados.

Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade

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Em artigo que ganhou as redes sociais, a psicóloga Mônica Raouf El Bayeh critica o que considera um incentivo à prostituição e ao turismo sexual, após declaração do presidente Bolsonaro. Confira:

Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade, disse Bolsonaro, o presidente. A princípio pensei ser fake. Não era. Com a alma enojada preciso desabafar.

Sr Presidente,

Não sei se é do seu conhecimento, mas ser mulher, no Brasil, já era difícil o suficiente sem a sua ajuda.

Somos o quinto país em mortes violentas de mulheres no mundo. A cada duas horas, uma mulher é assassinada. Fora o crescimento da quantidade de casos de estupro.

Um total de onze mil novecentos e cinquenta casos por ano. Pelo menos trinta e dois casos de estupro por dia, fora as mulheres que, por vergonha, não procuram a delegacia.

A gente tem medo. Medo de não voltar. Medo de andar na rua. Medo dos transportes lotados. Medo dos olhares invasivos e das atitudes abusivas dos homens sem noção.

Já somos olhadas como objeto. Como seres inferiores com a única função de servir. Simples objeto de prazer deles. Somos vistas como corpos sem dono. Eles acham que podem falar o que quiserem, apalpar o que decidirem, gozar se tiverem vontade. Sem nosso consentimento.

Agora, como se a realidade já não fosse perigosa o suficiente, para piorar, vem o presidente do país convidando os homens a virem se aproveitar da gente?

– Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade.

Fique à vontade? Que isso? O país foi transformado num imenso puteiro? É um claro incentivo à prostituição. A gente é o que para ser oferecida dessa forma? Sua fala é nojenta. É constrangedora. Apesar desse tipo de declaração sua não me surpreender, sinto vergonha alheia da sua pessoa.

Sou mulher. Sou brasileira. Estudei. Trabalhei e trabalho pelo meu sustento. Eduquei meus filhos para que sejam honestos e sem preconceitos. Não estou à disposição de homem nenhum que queira fazer sexo. A não ser que eu assim decida e escolha.

Meu corpo, meu desejo, meus direitos. Fique à vontade? Fique à vontade uma pinoia. Fique à vontade coisa nenhuma. Não sei com que tipo de mulheres o senhor convive, mas certamente, não faço parte desse cardápio. Como mulher e como ser humano, exijo respeito.

O Brasil não pode ser conhecido como turismo gay? E como país de prostituição pode? Está nos oferecendo em troca de que? Quando foi que meu corpo virou moeda de troca?

Turismo gay, presidente, é dinheiro garantido entrando no país. Gays são criativos, divertidos, animados . Qual é o seu problema?

Não quer turismo gay porque” temos famílias”? Só para esclarecer, rapidinho, todo mundo tem família. Homens, mulheres, gays, trans, ricos e pobres, de toda cor. Ninguém nasceu de chocadeira. Família todo mundo tem.

Falando sobre famílias, olhe bem para a sua antes de julgar a dos outros. Quantas mulheres já teve? Quantos filhos de cada casamento? Brigas, traições, processos, fraquejada. Só porque é sua, serve? Isso é a família tradicional? Seu histórico depõe contra sua pessoa.

Família é ninho. É quem acolhe. Onde se chega quando a asa cansa. Onde se chora e recebe abraço para confortar. Família é isso. Como é formada? Como puder. Como cada um quiser. Duas mães, dois pais, uma mãe solo, uma mãe e uma avó. Sei lá. Não importa e não é da sua conta.

A massa quer uma tendência tradicional, o senhor diz. Grande engano. A massa está se lixando para isso. A massa quer trabalho digno. Quer ser respeitada em seus direitos. Quer comer sem ser envenenada com agrotóxicos.

A massa quer segurança. Quer o direito de pensar, questionar. Quer saúde. A massa quer respeito. Que não metam a mão ao dinheiro dos seus impostos. Que parem de usar laranjas, funcionários fantasmas e empregar amigos e parentes.

A massa está de saco cheio da destruição da educação pública. Dessa corrupção que corre solta e dessa justiça injusta na qual ela já não acredita mais. Das ameaças de acabar com faculdades importantíssimas como filosofia e sociologia. Do descaso com tudo o que é público.

Sem falar no fim do EJA (educação para jovens adultos que trabalham durante o dia e só podem estudar de noite). A massa enxerga essa tentativa de emburrecimento da população. A massa está calejada de só perder direitos.

Fiquem à vontade? Incentivar, de cara limpa, o turismo sexual no país é de uma falta de ética, de moral e de senso sem tamanho.

Não é à toa que as taxas de criminalidade com a mulher aumentaram este ano. Parece haver um certo ar de agora pode tudo. Não pode, não. Não estamos à disposição de quem quiser vir. E merecemos, sim, desculpas.

Porque um presidente tem que ter postura e respeito à TODA a população. Tem que saber o que fala. E as consequências que isso pode causar. O povo espera desculpas. É o mínimo que pode acontecer.

Mônica Raouf El Bayeh

Professora e psicóloga clínica. Especialista em atendimento a crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias. Perita judicial

Sobre o custo e o valor das universidades

Em artigo no O POVO deste sábado (4), a Doutora em Direito e professora universitária Juliana Diniz critica o novo ministro da Educação, pelos ataques às instituições de ensino superior, quando afirmou que as universidades não merecem respeito ou apoio do governo federal por serem antros de doutrinação ideológica da esquerda. Confira:

Prometeu-se desde a campanha hostilidade aberta às universidades públicas. O momento parece ter chegado. Nesta semana, o novo ministro da Educação protagonizou uma série de ataques às instituições de ensino superior, deixando manifesto que as universidades não merecem respeito ou apoio do governo federal por serem antros de doutrinação ideológica da esquerda.

O ministro definiu que o investimento público deve agora se concentrar em cursos que ofereçam “resultado” ao contribuinte. O repúdio às humanidades foi evidente: no auge do delírio, alardeou-se o fim dos cursos de filosofia e ciências sociais. Deixando clara sua intenção de transformar palavras em atos, impôs medidas temerárias. Três universidades de ponta foram os primeiros alvos: UFF, UFBA e UnB tiveram seu orçamento cortado em 30%.

Como contraponto ao leitor, gostaria de apresentar um exemplo local e muito recente do valor da universidade e das humanidades para o contribuinte. Na última terça, Glória Diógenes, professora do curso de ciências sociais da UFC, apresentou no Instituto Iracema os resultados de uma pesquisa de campo sobre a juventude cearense. Seu interesse foi entender a geração N, um grupo de jovens periféricos que não trabalha, não estuda e não está procurando emprego. A professora e seu grupo de pesquisadores encontraram resultados muito interessantes. O fenômeno tem uma incidência maior entre as mulheres, sendo a principal causa da evasão escolar entre meninas a gravidez precoce, agravada pela dificuldade de locomoção nas comunidades imposta pelo tráfico. São jovens sem opções, mas sedentos por perspectivas.

A pesquisa tem um valor inestimável pela inteligência que ela oferece ao governo do Ceará, que pode apontar saídas para esses jovens. Todo gestor precisa de informações para estruturar boas políticas públicas adaptadas à realidade social. A juventude que Glória investiga precisa de ações inteligentes para fugir à estatística da segurança pública. Do contrário, o dinheiro gasto em polícia escoará pelo ralo. Para oferecer essa luz, pesquisadores se ocupam de ler o mundo e dar-lhe sentido. Seus resultados são um patrimônio valioso para compreensão e mudança de um mundo tão complexo. Por isso, em defesa da universidade pública, salve a professora Glória Diógenes e viva a força das ciências do espírito!

Juliana Diniz

Doutora em Direito e professora da UFC

A Câmara Municipal do Centro de Fortaleza

Em artigo no O POVO deste sábado (4), o presidente da CDL Fortaleza e escritor Assis Cavalcante defende a transferência do Legislativo de Fortaleza pára o Centro. Confira:

Quem conhece o Centro sabe dos seus contrastes, sem jamais deixar de lhe querer um bem danado. Os encantos superam os problemas. Lojas estabelecidas e ambulantes, equipamentos históricos e população em situação de rua, gente que compra e passeia, a desordem no trânsito. Tem quem venha pra cá só pela missa, pra conversar, comer. Quando chove, aqui é diferente. No Natal, o Centro chama Jesus pra mais perto.

O poder público ora trabalha sua revitalização, atuando na reforma, na urbanização e em vertente determinante: o acolhimento aos desvalidos que têm no Centro o teto – a casa e a vida. Coloco-me na luta para que esses irmãos consigam um lugar para chamar de seu, e reconquistem a autoestima, a dignidade, com ocupação, estudo, família. Esse tempo novo é vitória para o fortalezense, frequentador ou não do Centro.

Para que as ações de impacto do Centro se efetivem, vigorosa e perenemente, mister será a presença mais constante dos governantes, dos representantes do povo, das entidades de classe, das instituições, da gente toda aqui. Por isso, a vinda da Câmara dos Vereadores para o Centro amplia olhares, é atitude demais interessante para a cidade e as pessoas.

A Casa do Povo precisa se aproximar da gente. O Centro é aglutinador, local de excelência, onde tudo acontece. Inegavelmente, é o espaço melhor para abrigá-la, movimentando-o de mais alma, opções de lazer, lojas, segurança, de essência, contribuindo pra estética interior de seu visual. Isso dá vida, revitaliza o Centro.

Com a chegada da CMFor, tudo que orbita em seu entorno tende a se alojar no coração da capital, atraindo outros investimentos públicos e privados. Câmara que ganha mais valor pela proximidade do Cineteatro São Luiz, Theatro José de Alencar, Catedral, Museu do Ceará, Passeio Público, Mercado Central, emprestando ao Legislativo ares de importância institucional substantiva. Bom para o turismo.

A prefeitura já está aqui. Nada custa sonhar e planejar o desembarque, também, da Assembleia Legislativa e do Poder Judiciário, direcionando para o Centro as nossas melhores expectativas da Cidade que nos embala.

Assis Cavalcante

CEO das Óticas Visão, escritor, presidente da CDL Fortaleza

O preconceito nosso de cada dia

Em artigo no o POVO desta segunda-feira (29), a jornalista Neivia Justa aponta que os padrões geral preconceitos, diante da busca pela referência do que é “normal” ou o “ideal” a ser alcançado. Confira:

Você se considera uma pessoa preconceituosa? Antes de ceder à tentação de responder um retumbante “não”, te convido a refletir. Certamente, não nascemos preconceituosos. Mas será possível existir um ser humano adulto que não tenha algum tipo de opinião ou sentimento concebido sem exame crítico?

O preconceito é algo que aprendemos, por pensamentos e palavras, atos e omissões. Quem nos ensina? O grupo social do qual fazemos parte. É pelo exemplo inicial dos nossos pais, familiares, amigos e professores que vamos formando nossos conceitos prévios ou sentimentos hostis, assumidos em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio.

E por que fazemos isso? Porque somos regidos por uma máquina de julgamentos, chamada cérebro, que trabalha o tempo todo reconhecendo padrões e, assim, economizamos tempo e energia para garantir nossa sobrevivência como raça, nossa integridade física e nosso pertencimento à sociedade. Como assim? Nosso cérebro é formado por dois sistemas: o sistema reptiliano/límbico e o neocórtex.

Cerca de 80% das decisões imediatas que tomamos todos os dias acontecem, de maneira inconsciente, por meio do sistema primitivo (reptiliano/límbico). É esse sistema que determina nossos instintos e emoções. Menos de 20% das escolhas que fazemos cotidianamente passam pelo crivo do neocórtex, onde acontece nosso processo de raciocínio, reflexão e ponderação consciente.

E por que buscamos padrões? Porque eles são a nossa referência do que é “normal” ou o “ideal” a ser alcançado. Sempre que algo foge aos padrões socialmente aceitos, que aprendemos e incorporamos ao longo da vida, invariavelmente nos causa estranheza. Estigmatizamos tudo aquilo que tem alguma característica diferente das que havíamos previsto. E é exatamente aí que nascem nossos preconceitos.

Como diria Caetano Veloso, “… quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto, chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto… É que Narciso acha feio o que não é espelho…”.

Vamos abrir espaço nas nossas vidas para incluir a diversidade e as diferenças?

Neivia Justa

Jornalista, executiva e criadora do movimento #ondestãoasmulheres

Indignação do inocente

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Em artigo sobre a primeira entrevista de Lula, após a prisão, o advogado Marcelo Uchôa ressalta o semblante de inocência do ex-presidente, gesto de quem sabe que sofre uma injustiça. Confira:

Conta-se que questionado por correligionário sobre discurso de Orestes Quércia refutando cometimento de atos de corrupção, Ulisses Guimarães teria dito: “foi um belo discurso, mas faltou a indignação do inocente”. Na entrevista do ex-presidente Lula da Silva, na última sexta-feira (26), concedida ao El País e à Folha de São Paulo, no desenlace de longos meses de batalha judicial, viu-se claramente o sentido da expressão formulada por Ulisses Guimarães.

A fala serena, mas impactante, do ex-presidente, indicando, um a um, os algozes que pretende desmascarar na luta pelo esclarecimento da verdade; a capacidade de raciocinar a política, a ponto de não odiar os que contra ele se insurgem por compreender a importância de se construir um novo pacto social no Brasil, para resgatá-lo do estado de calamidade em que se encontra, tornando-o novamente uma potência em ascensão; os momentos de emoção em que cambaleia, mas não cai frente às dores por que passa ele próprio e sua família, sustentando preferir estar preso do que perder a dignidade; tudo isso só existe no semblante de quem sabe que é inocente, mas que sofre uma injustiça.

A Lava Jato ou o Estado de exceção judicial que ela fez assenhorar-se do país arruinou o Brasil. A insanidade vingativa de buscar humilhar, incriminar e prender, a todo custo, mesmo sem provas, o ex-presidente Lula conseguiu, em um só tempo, desmontar a segurança do sistema nacional de justiça, implodir as bases das instituições de Poder, empurrar a economia do país a bancarrota e minar o respeito internacional pelo Brasil. Massificou um descrédito geral na atividade política, que resultou na entrega do parlamento a um aglomerado de alucinados e no franqueamento da presidência a uma espécie rara de ser humano que, não bastasse representar o que há de mais retrógrado em pensamento político, carece de condições cognitivas e intelectuais mínimas adequadas para conduzir o cargo que ocupa. Para piorar, numa das linhas de frente do governo está o juiz inquisidor da Lava Jato, verdadeiro disparate contra a ética e a moralidade, demonstração explícita das motivações políticas que lhe orientaram desde sempre. No compasso, procuradores diretamente envolvidos na Operação, buscado instituir uma fundação privada com dinheiro público recuperado via consórcio com o reconhecidamente traiçoeiro Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Só mesmo o ex-presidente Lula, um gigante mesmo preso para, de cabeça erguida e olhando no olho, proporcionar um sopro de esperança à nação. Só mesmo ele, o maior líder político mundial do século XXI, para inspirar, com sinceridade inabalável, confiança no futuro, levantar a moral coletiva e fazer crer ser possível virar essa página desmoralizante da história brasileira, resgatando o país das trevas. Que ele viva, sim, até os 120 anos. Que vivamos, sim, todos nós, para estarmos ao seu lado na busca pelo esclarecimento da verdade e pela reconstrução do Brasil.

Marcelo Uchôa

Advogado e professor de Direito

A Governança Corporativa e os seus benefícios para sua empresa

Em artigo sobre economia, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Administração com ênfase em Finanças e MBA em Gestão Financeira e Controladoria, aponta os riscos de interesses conflituosos entre sócios, acionistas majoritários e minoritários nos rumos da empresa. Confira:

Com o avanço cada vez mais consistentes da profissionalização de empresas que eram puramente familiares, dando origem a modelos que pregam a participação acionária ou por cotas, houve a clara separação entre quem detinha a propriedade e aqueles que de fato, fazem a sua gestão. Daí a mistura, muitas vezes conturbada, entre os interesses conflituosos entre os sócios, acionistas majoritários e minoritários e os rumos que a empresa necessariamente deveria tomar, provocaram a geração do conceito da Governança Corporativa.

Segundo o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), segue o conceito de Governança Corporativa:

Governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas”.

A Governança Corporativa se baseia em 6 pilares, que são:

· A Propriedade (representada pelos sócios);

· O Conselho de Administração

· A Gestão;

· A Auditoria Independente;

· O Conselho Fiscal;

· A Conduta e o Conflito de interesses.

Agora veremos os 4 princípios fundamentais que precisam nortear a atividades do pilares descritos anteriormente:

A – TRANSPARÊNCIA: se concentra na presença de mecanismos internos que devem garantir que todos os stakeholders – sociedade, governos, parceiros, etc – estejam sempre bem informados sobre a tomada de decisões e os processos organizacionais.

B – EQUIDADE: princípio que rege a igualdade entre o tratamento de todos os agentes da organização, independentemente do seu nível hierárquico e do seu nível de influência sobre a empresa.

C – ACCOUNTABILITY (Prestação de Contas): Todos os componentes da empresa,
independente do seu nível, devem prestar contas de seus atos e decisões, tanto
no aspecto financeiro quanto no correspondente ao desempenho de suas atividades;

D – RESPONSABILIDADE CORPORATIVA: a base da longevidade de qualquer empresa, é a sua geração de lucro, mas o seu papel social expressado pela sua retribuição à sociedade como sua preocupação com a sustentabilidade do planeta, norteiam este princípio.

Vamos agora demonstrar alguns dos benefícios que são gerados pela prática da Governança Corporativa:

· Conversão dos princípios missão, visão e valores e demais conceitos abstratos em ações concretas;

· Alinhamento entre todos os interesses das partes envolvidas, como acionistas e executivos, para sejam atingidos os resultados estratégicos da empresa;

· Descentralização nas tomadas de decisões e transparência quanto às suas motivações;

· Preservação da longevidade de resultados econômicos;

· Promoção de uma gestão organizacional com mais qualidade que permita mais acesso aos recursos e às fontes de financiamentos;

· Melhoramento da imagem da empresa;

· Quando se trata de empresas familiares, permite a escolha e a capacitação de herdeiros e administradores que tenham melhor adequação ao negócio.

Em um artigo publicado pela Harvard Business Review, colhemos esses nove passos para o fortalecimento da governança nas corporações:

1. O tom que vem de cima: disseminando a cultura do compliance.

2. Implemente a área: demonstre os benefícios e elimine os mitos para obter apoio.

3. Forme o time: busque as pessoas certas e os recursos adequados.

4. Mapeie e monitore: estabeleça metas de redução de riscos.

5. Comunique e treine: promova a transparência.

6. Dê voz a todos: garanta um canal de denúncias, investigue, resolva e reporte.

7. Calibre as condutas: incentivos e sanções — os mecanismos-chave.

8. Avalie e evolua: estabeleça critérios de métrica e promova melhorias no seu programa.

9. Prove que você tem um programa: fórmula de sucesso e abrandamento de sanções.”

Com esse artigo esperamos que o conceito de governança possa os apoiar a gerar mais entendimento de que quanto mais suas empresas estiverem sendo guiadas por princípios claros e coerentes, mais os efeitos de uma boa gestão serão sentido.

Fabiano Mapurunga

Consultor em Finanças e Negócios. Mestre em Administração com ênfase em Finanças. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria. Professor Universitário

Os intocáveis

Em artigo no O POVO deste domingo (28), o professor Pedro Henrique Chaves Antero aponta que a castração da liberdade contra jornalistas, por parte do STF, tumultua e desacredita a democracia. Confira:

Jamais se pensou que uma simples citação da frase “o amigo do amigo do meu pai”, de Marcelo Odebrecht, contida nos autos da Lava Jato, pudesse produzir uma séria crise no Poder Judiciário brasileiro. Na verdade, isso aconteceu porque o ministro Dias Toffoli, ex-advogado do PT, estaria envolvido nos conhecidos problemas do partido e não aceitou que seu nome fosse sequer citado pela mídia. Decidiu, então, por meio do ministro Alexandre de Moraes, censurar a revista digital Crusoé e o site O Antagonista, dirigidos por jornalistas profissionais, de renome nacional.

O amigo do amigo do meu pai consumou, então, uma castração da liberdade dos jornalistas, tumultuando e desacreditando a democracia que tenta se fortalecer no País.

O episódio vem demonstrar que o sistema de indicação e nomeação de ministros do STF e de outros cargos do Judiciário deveria ser revisto. Muitas das crises institucionais resultam dos vieses estruturais e não simplesmente de ações dos seus membros. No caso em tela, há sugestões no Senado Federal de alteração das normas acerca da nomeação dos ministros do Supremo e até mesmo da duração dos seus mandatos, no intuito de que os mesmos passem a não se sentirem intocáveis e colocados acima da lei.

É interessante lembrar que algumas instituições, de grande prestígio nacional, ofereceram, recentemente, irrestrito apoio ao STF, como o poder capaz de trazer a paz e o equilíbrio na solução dos graves problemas do Brasil. Entretanto, alguns ministros não têm entendido o significado da manifestação ocorrida e têm tido comportamento inadequado ao cargo, criticado pela sociedade e até mesmo por outros membros da Corte.

O STF merece o respeito de todos e o seu funcionamento é condição sine qua non para o exercício da democracia. Não se pode aceitar, portanto, que algum membro dessa instituição possa ser movido por motivos ideológicos ou em razão de interesses particulares. A população brasileira quer mudar e passar o Brasil a limpo. Assim, exige que os trabalhos da Lava Jato prossigam e que suas decisões sejam acatadas nos termos da legislação vigente.

O triste episódio de autoritarismo de membros da Suprema Corte, coagindo a livre manifestação do pensamento, deixa os brasileiros apreensivos quanto à continuidade da faxina política já iniciada há poucos anos. Uma parada ou um retrocesso nessa corajosa missão de punir os criminosos do colarinho branco, apoiados no poder político ou econômico, seria um desastre para a nacionalidade e para os jovens que lutam em favor de um Brasil honesto e justo. A ninguém ou a nenhuma instituição brasileira seria permitido moralmente frear o entusiasmo de uma geração que decidiu eliminar as práticas imorais que dominaram a política nacional nos últimos trinta anos.

Pedro Henrique Chaves Antero

Professor de Ciências Políticas

A internet entre os imbecis e a democracia

Em artigo no O POVO deste sábado (27), o juiz federal Nagibe de Melo Jorge Neto observa que as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis, mas também tornam a democracia mais participativa. Confira:

Vivemos um tempo inédito e estranho. Se a invenção dos tipos móveis por Gutenberg possibilitou a Revolução da Imprensa e a ampla difusão da informação, a invenção da internet e das redes sociais possibilita que qualquer pessoa publique ideias (nem sempre bem articuladas) e distribua informação (nem sempre verídica) com alcance jamais imaginado por Gutenberg. Pessoas comuns não são mais meros leitores inofensivos.

Umberto Eco dizia que “as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”. Mas não é só isso. O problema vai além porque a voz dos imbecis é amplificada por robôs, pessoas e empresas mal intencionadas cujo objetivo é distribuir informações falsas, difamar, implantar a cizânia, a ponto de influir no funcionamento do Estado. Alguns especialistas falam de ameaça real à democracia.

Nos Estados Unidos, o caso Cambridge Analytica e seu impacto sobre as eleições deixou evidente o potencial destruidor desses mecanismos. Cada pessoa é um pequeno replicador de informações e pode facilmente ser manipulado. No Brasil, o caso mais recente engolfou o Supremo Tribunal Federal. Como controlar as notícias fraudulentas que afetam a honra da Corte e de seus membros? O Estado pode censurar informações?

Se as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis, também é verdade que, de um modo ainda imperfeito, tornam a democracia mais participativa, conferem poder ao cidadão. O caminho para separar o joio do trigo não é a censura prévia do que se publica na internet. O caminho é mais longo e mais difícil: educar as pessoas, educá-las plenamente como não estamos nem perto de fazer.

Cada indivíduo se transforma em verdadeiro cidadão quando tem capacidade de interpretar e criticar as informações, discernir entre fontes confiáveis e não confiáveis, e elaborar suas próprias ideias. Cabe ao cidadão filtrar, excluir o lixo que boia na internet, usar as redes sociais para promover a liberdade de manifestação de pensamento e a liberdade de informação.

Em última análise, o único controle legítimo é o do próprio cidadão. A solução é mais e mais educação.

Nagibe de Melo Jorge Neto

Juiz Federal, professor da UniChristus e autor do livro Abrindo a Caixa-Preta: por que a Justiça não funciona no Brasil?