Blog do Eliomar

Categorias para Opinião

Você sabe calcular a sua margem de lucro?

Em artigo sobre lucro, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Gestão Empresarial, aponta a diferença para faturamento. Confira:

É público e notório que, quando constituímos uma empresa, esperamos que ela nos dê lucro, pois além de ela cobrir os seus custos nós precisamos que ela nos remunere pelo nosso trabalho e pelo risco. Bem, mas boa parte dos empresários possuem uma certa dificuldade em calcular esse lucro e, muitas vezes, acabam aplicando preços em seus produtos/ serviços que os colocam fora da concorrência por estarem muito elevados, ou aplicando um fator que não cubra suas obrigações.

De uma forma simplória, vamos entender que o lucro é tudo aquilo que sobra das nossas vendas. Porém, podemos dividir o conceito de lucro em dois tipos: lucro bruto e lucro líquido.

O lucro bruto é calculado pela subtração do seu total de vendas, pelo valor total que você pagou para produzir ou comprar seus produtos, em um determinado período de tempo.

O lucro líquido é encontrado pelo total das vendas, menos todas as despesas e os custos que você teve para manter o seu negócio funcionando, em um determinado período de tempo (alugueis, impostos, juros de empréstimos, fornecedores, funcionários, etc).

Para dar uma ilustração prática desses dois conceitos, usarei dois exemplos básicos:

Durante o mês de janeiro de 2018, o total de vendas de um mercadinho foi de R$ 120.000,00. Porém foi gasto o total de R$ 80.000,00 com a compras de produtos.

O lucro bruto deste mercadinho pode ser encontrado da seguinte forma:

R$ 120.000,00 (total de vendas) – R$ 80.000,00 (compra de produtos) = R$ 40.000,00

Para se encontrar o lucro líquido, teremos de levar em consideração outros custos e despesas como: R$ 3.000,00 (aluguel), R$ 14.000,00 (Folha de Pagamento), R$ 6.500,00 (Impostos), R$ 2.800,00 (despesas fixas e variáveis: energia, telefone, internet, contador, etc) e R$ 80.000,00 (compra de produtos). E devemos subtrair pelo total de vendas do período de janeiro de 2018. O cálculo ficará assim:

R$ 120.000,00 (total de vendas) – R$ 3.000,00 (aluguel) – R$ 14.000,00 (Folha de Pagamento) – R$ 6.500,00 (Impostos) – R$ 2.800,00 (despesas fixas e variáveis: energia, telefone, internet, contador, etc) – R$ 80.000,00 (compra de produtos) = R$ 13.700,00.

Acima calculamos os valores absolutos do lucro bruto e do lucro líquido, agora vamos aprender a calcular as margens de lucro bruto e de lucro líquido. Para tanto, basta dividir o valor obtido de lucro pelo total das vendas.

Logo assim ficarão as nossas margens:

Margem de Lucro Bruto: R$ 40.000,00 (Lucro Bruto) / R$ 120.000,00 (total de vendas) = 0,33 ou 33,33%

Margem de Lucro Líquido: R$ 13.700,00 (Lucro Líquido) / R$ 120.000,00 (total de vendas) = 0,11 ou 11,42%.

Evidentemente, quanto maior for o seu lucro, significa que o seu negócio está prosperando. Porém, se o lucro for negativo, mesmo até com um aumento de faturamento, você está operando em prejuízo.

Nunca confunda faturamento com lucro.

Fabiano Mapurunga,

CEO da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Gestão
Empresarial. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria

Que venha pronta!

Em artigo no O POVO deste sábado (23), o juiz federal, professor universitário e escritor Nagibe de Melo aponta a necessidade da construção de soluções para a corrupção, criminalidade, desigualdade e pobreza, sem mágica. Confira:

Nossos problemas são os mesmos há anos. Às vezes eles aparecem com roupas diferentes, os mesmíssimos. O que nos falta são soluções, mas soluções não são mágica. Não é coisa de se encontrar perdida e dizer: pronto, aqui está! Nossos problemas acabaram!

A solução para nossa corrupção, criminalidade, desigualdade e pobreza não é como encontrar o Graal. Essas soluções precisam ser construídas lenta e trabalhosamente. Precisamos escolher caminhos e percorrê-los longos, passo a passo, mesmo com toda a gente a nos empurrar pra trás.

Faltam apenas quatro meses para as eleições, as mais importantes em muitos anos. Estamos apáticos. Nem a Copa empolga! Tudo parece farsa. As pessoas andam desalentadas, como se estivessem de ressaca de uma festa ruim.

Descobrimos, como se não soubéssemos, que a regra do jogo é a corrupção. O jogo é deles, a bola é deles, a gente só paga a conta. Vamos deixando como está para ver como é que fica. Não há no horizonte nenhum movimento cívico ou candidato capaz de nos fazer acreditar que é possível virar o placar. E olhe que estamos sedentos por acreditar em qualquer coisa.

Mesmo os caminhoneiros conseguiram, por uma semana inteira, reacender as esperanças do povo em uma demonstração perfeita do quanto estamos perdidos. Entraram em greve com apoio de 87% dos brasileiros. A direita fez a greve. A esquerda apoiou a greve. O governo chamou os militares para reprimir o movimento, que pedia a intervenção militar. A esquerda amava os caminhoneiros que amavam os militares que não amavam ninguém. Fiquei confuso.

Todo mundo quer uma solução, mas ninguém quer trabalhar por uma (ou os donos da bola não deixam). Que ela venha dos caminhoneiros, dos militares, dos estudantes, do governo, da Lava Jato ou do além, mas que venha pronta.

Parece que a solução do momento é tabelar o preço do frete.

Fariseus

Em artigo sobre patriotismo, o jornalista Waldemir Catanho aponta que a exploração de petróleo gera receita para o capital estrangeiro de oito vezes o orçamento do Ministério da Educação para este ano. Confira:

“Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície.

Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade.” (Mateus 23 : 27 – 28)

Confesso que, embora católico, deve ser a primeira vez que faço uma citação da Bíblia em algum texto que escrevo. Mas ao ver chegada mais uma Copa, o verde amarelo tomando conta novamente das ruas, lembrei-me do termo fariseu e foi irresistível usá-lo aqui.

Não me refiro a quem trabalha de biscateiro ou tá desempregado. A quem é empregado doméstico ou comerciário, operário ou motorista. Ao dono do mercadinho ou da oficina. A quem de boa fé junta a turma pra decorar com fitinhas verde-amarelo as ruas do João XXIII, do Canindezinho, do Vila Velha, do Dendê, Bom Jardim ou do Lagamar. A quem usa suas blusas da seleção nos ônibus do Conjunto Ceará / Aldeota ou do Siqueira / Papicu. Falo de outra turma.

Os fariseus são aqueles que bradam que nossa bandeira jamais será vermelha mas se calam diante da entrega de simplesmente 70% das nossas reservas de petróleo do pré-sal para empresas estrangeiras, abrindo mão de um patrimônio de até 195 bilhões de dólares, ou 721 bilhões de reais. Isso é oito vezes o orçamento do Ministério da Educação para 2018, ou seis vezes o orçamento do Ministério da Saúde para este ano!

Sim, se você não sabe, na última quarta-feira, dia 20, em meio ao furor verde amarelo da Copa, essa medida foi aprovada pela base de sustentação do Governo golpista na Câmara dos Deputados. A mesma base de sustentação que após evocar o nome de Deus, o amor ao Brasil e às suas famílias durante a votação do afastamento da presidente Dilma, aprovou a criação de benefícios fiscais pelos próximos 30 anos para as mesmas petroleiras estrangeiras que serão beneficiadas novamente agora com essa nova medida. E olha, não foi um trocado qualquer. Estudos de consultores legislativos da própria Câmara estimam que os benefícios aprovados em novembro do ano passado vão significar uma renúncia fiscal da ordem de R$ 40 bilhões / ano, o equivalente a R$ 1 trilhão de reais em 25 anos. Dinheiro, talvez, sem serventia.

Mas o amor à pátria não para por aí. Está saindo do forno a venda das refinarias Alberto Pasqualini (Rio Grande do Sul), Presidente Vargas (Paraná), Landoupho Alves (Bahia) e Abreu e Lima (Pernambuco). É em função dessa venda que o governo golpista criou uma politica em que o preço do gás de cozinha, da gasolina e do diesel ficam atrelados ao dólar e ao mercado internacional. Quem comprar as refinarias já vai ter garantidas margens de lucro altíssimas.

Em nenhum desses episódios vimos nossos bravos patriotas se dirigirem à Praça Portugal ou bancarem notas em páginas de jornais como quando ficaram indignados com as pedaladas da Presidente Dilma. As panelas só servem agora para o grande regabofe em que se transformou a entrega de nossas principais riquezas. Uma farra onde lucram apenas setores de nossas elites, sócias menores das elites estrangeiras.

O patriotismo não tem nada a ver com isso. O verdadeiro patriotismo tem que olhar para as condições de vida de todo o nosso povo e não apenas de uma parte dele. Tem que entender que muitas vezes o interesse do capital norte americano, europeu ou chinês é contraditório com os interesses do povo brasileiro. O caso da Eletrobrás é um bom exemplo disso.

Sem uma Eletrobrás brasileira e estatal não teria sido possível executar um programa como o Luz Para Todos que durante os governos Lula e Dilma levou o direito de se guardar comida em geladeira para mais de 3 milhões de famílias moradoras das zonas rurais do país que até então viviam sem energia elétrica.

Mas agora o patriotismo do governo golpista e de seus deputados e senadores planeja vender essa mesma Eletrobrás, incluindo Chesf, Eletronorte e Furnas. Os compradores certamente serão empresas estrangeiras. E da mesma forma que no caso das refinarias a venda está sendo feita com a promessa de garantia dos lucros dos compradores através do preço futuro das tarifas de energia. E aí lhe pergunto: quem vai lucrar e quem vai pagar o pato?

O nome disso não é patriotismo, mas entreguismo.

Waldemir Catanho, jornalista

Quando a República das Bananas alimenta o inimigo

Em artigo no O POVO deste sábado (23), o Doutor em Informática e membro do Conselho O POVO de Educação, Mauro Oliveira, alerta que o Brasil precisa de políticas de inovação capazes de impedir a fuga de talentos para o exterior. Confira:

O transistor impactou o século passado, do radinho transistorizado (mais popular que Biotônico Fontoura) às estações espaciais. Com ele, a internet/web do genial Tim Berners-Lee promoveu qualquer beradeiro com um celular no coldre a Zé Doidinho nas redes sociais (ou não parece bizarro terráqueos andando cabisbaixos no maior papo com suas rapaduras eletrônicas?).

Inteligência Artificial (IA) é a bola da vez. Ela já está em todas: nas propagandas que nos chegam “coincidentemente” na tela, no reconhecimento de voz, nas plataformas ditas cognitivas (Watson da IBM, por ex.), nos diagnósticos de “whisk and bowl” (escambáu, em cearensês) a partir de Big Datas. Estamos na era dos Jetsons (ou será dos Flintstones?).

Elon Musk, o cara que venceu a NASA, considera a “IA mais perigosa do que a Coreia do Norte”. Embora haja uma certa lombra na ilação de Mr. Musk, ela serve de alerta para o perigo do açambarcamento da IA por oligopólios digitais: Google, Facebook, Amazon, etc. Os recentes escândalos das Fake News, dos robôs russos nas eleições americanas e na votação do Brexit no Reino Unido provam nossa vulnerabilidade. Ou você acha que o nosso próximo presidente não terá o voto da mão invisível do mercado … russo?

As gigantes da internet contam ainda com a colaboração inocente-útil de países como o Brasil. Dou um exemplo: lembro bem, nos anos 80, a Microsoft levando para os EUA a reca de mestrandos em IA da UFC. Enquanto a mídia comemorava, eu me sentia um Mozart abraçado por Salieri: imaginava nossos queridos “nerds” fortalecendo as heroicas empresas locais de TIC. Que nada: mais “bananas” para quem nos vende tecnologia a preço de ouro!

A fuga de cérebros não parou! Os grandões digitais não perdoam: compram! Nosso país, craque em “doar” cérebros, precisa de políticas de inovação capazes de manter nossos talentos na terra e bons exemplos não faltam: o Porto Digital no Recife que concilia política pública e mística institucional, o extraordinário programa Embrapii nos Institutos Federais, o estímulo à interiorização da pesquisa da Funcap, etc.

Necessitamos mais, muito mais, para nos tornarmos uma República do Conhecimento e pararmos essa mania de alimentar o colonizador!

Sobre coisas que duram

Em artigo sobre as atuais relações humanas, o jornalista e sociólogo Demétrio Andrade aponta que “não se casa mais. Não se namora. Não se ama mais”. Confira:

Minha mãe criou os quatro filhos com o mesmo liquidificador. Até um dia destes, ela usou o o aparelho pra fazer vitamina pros netos. Uma base de ferro, com mais de 40 anos de frequência diária e funcionando perfeitamente. Pois bem. Coisa de dois anos atrás, uma TV lá de casa sumiu com a imagem. Fui na autorizada e me informaram que não havia mais peças de reposição. Mais que isso: me aconselharam a, como se se diz na Parquelândia, pegar a televisão e “rebolar no mato”.

Contrariando o mercado, encontrei – por pura sorte, diga-se de passagem – um sucateiro que tinha a peça para reposição. A parte mais brilhante da minha sala continua a resplandecer firme e forte. O que mais me deixou indignado é ter sido informado que qualquer fabricante só é obrigado a fornecer peças durante, no máximo, oito anos. Isso mesmo. Prazo maior, você ficará na mão de sucateiros, como eu.

Desculpem, mas caí na tentação de traçar um paralelo deste fato com as relações humanas atuais. Não se casa mais. Aposta-se como no jogo do bicho. Não se namora. Fica-se. Não se ama mais. Acha-se que. Não se monta uma empresa. Terceiriza-se. O “longo prazo” não se usa nem quando se investe dinheiro. A bolsa de valores não é mais somente um indicador econômico: é uma referência sentimental. Como diria o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na obra “Amor líquido”, vivemos tempos em que nada é feito para durar, com relacionamentos que escorrem entre os dedos.

Temos dificuldade de comunicação afetiva e isso gera medo e/ou insegurança. As relações terminam tão rápido quanto começam, as pessoas pensam terminar com um problema cortando seus vínculos, mas o que fazem mesmo é criar problemas em cima de problemas. O poeta Pualo Leminski ensina: “no fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto. A partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela silêncio perpétuo. (…). Mas problemas não se resolvem, problemas têm família grande, e aos domingos saem todos passear: o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas”.

Nestes mundo de incertezas e individualista, temos relacionamentos instáveis e flexíveis. No mundo virtual é fácil desconectar-se, pois as pessoas estão sendo tratadas como bens de consumo, ou seja, caso haja defeito descarta-se – ou até mesmo troca-se – por “versões mais atualizadas”. Mas no real paga-se um preço alto.

Nélson Rodrigues costumava dizer que “todo amor é eterno e, se acaba, não era amor”. Longe de ser tão incisivo e de pregar indiossincrasias amorosas, lembro que todo evento futuro é uma construção. E toda construção, se não depender somente da pura sorte, tem vínculo estreito com o trabalho, a crença, o cuidado e a cumplicidade relacional. Não sei se hoje, na rapidez cotidiana, estamos preparados para este tipo de investimento, já que é sempre mais fácil o descarte.

Evidente que tudo muda, mas a dialética relacional da humanidade está bem longe da simplicidade. A economia dos sentimentos não guarda, nem de longe, semelhança com a objetificação mercantilizada da convivência social. Mesmo que não seja duradoura, porém, ela tende a ser intensa, em todas as suas formas.

Demétrio Andrade,

jornalista e sociólogo

Um país é maior do que uma crise, sempre

Editorial do O POVO desta segunda-feira (18) aponta o desânimo do brasileiro com a atual realidade do País. Confira:

Acumulam-se as informações colhidas nas pesquisas realizadas por institutos acreditados que confirmam um momento de desalento do brasileiro como poucas vezes há registrado na história do País. Um quadro preocupante, alarmante em alguns aspectos, e que exige uma estratégia de reversão que parecerá ineficaz se entendermos, como sociedade, ser uma tarefa unicamente de governo ou de políticos. É a alma do brasileiro que está ferida, significando que lidamos com um problema maior do que os efeitos de uma crise conjuntural que, como todas as outras, um dia será superada.

O instituto Datafolha, que foi às ruas das cidades brasileiras entre os dias 9 e 15 de maio último, colheu números assustadores. Um deles, para exemplificar o desafio que está posto: cerca de 43% da população adulta do País manifestou desejo de morar no exterior.

Quase a metade, demonstrando-se ainda mais absurdo que o índice suba a 62% quando o público consultado tem o limite de 24 anos de idade, ou seja, entre os jovens.

Há uma parte do sentimento captado que se pode atribuir ao efeito direto de um momento que acumula crises simultâneas e graves em quase todas as áreas importantes à vida do cidadão. A economia anda mal, a política experimenta fase de grande fragilização, as instituições de segurança não conseguem se impor sobre as instâncias marginais e, o que afeta de maneira definitiva a esperança no amanhã, o Judiciário nunca esteve tão exposto e questionado na sua credibilidade. Um conjunto de fatores que dificultam qualquer olhar otimista acerca do momento que o País vive e quanto às suas perspectivas quando se olha em direção ao futuro.

Um quadro grave? Sim. Preocupante? Claro. Porém, mesmo que a proporção fuja a uma certa lógica média nos momentos de depressão coletiva de um País, à medida em que as dificuldades econômicas, políticas e da vida pública em geral sejam superadas, e elas o serão, tais índices cairão e se poderá discutir com maior serenidade as necessidades de uma arrumação que nos permita ter de volta a alma autêntica do brasileiro, povo que tem sabido trabalhar limites e adversidades acreditando sempre no amanhã melhor.

O pessimismo não é de todo ruim, especialmente quando calcado numa realidade inegavelmente dura, mas uma sociedade precisa dosá-lo de maneira que não mate sonhos e nem inviabilize futuros. O Brasil é muito maior do que qualquer crise.

Índice Ibovespa, o que é e como funciona

187 1

Em artigo sobre o Ibovespa, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Gestão Empresarial, aponta que o índice se propõe a medir o comportamento das ações mais negociadas. Confira:

Diariamente os jornais apontam o comportamento do chamado índice Ibovespa mas, para boa parte das pessoas, ele ainda é bem desconhecido. Vamos tentar esclarecer esse que é o principal indicador do mercado de ações brasileiro, e que começou a ser utilizado há 50 anos.

O Ibovespa praticamente, ao longo dessas cinco décadas, não sofre mudanças metodológicas em sua constituição, ele é uma referência para investidores de todo o mundo, salientando que o mesmo viveu as transformações econômicas vividas em nosso país.

O Ibovespa foi criado em 1968 pelo departamento Técnico da Bolsa de Valores de São Paulo (hoje chamada de B3). Explica Walter Cestari, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), “Tal índice surge em um momento que o país precisa mais técnico e objetivo para se medir o mercado”. Na época as negociações de ativos eram tratadas no Rio de Janeiro, em outra bolsa. Daí surgiu um dos primeiros índices chamado Índice Bolsa de Valores (IBV). Tal indicador contemplava as ações mais negociadas. No dia 02 de janeiro de 1968 o Ibovespa começou a ser computado e segue até hoje de forma ininterrupta.

O Ibovespa se propõe a medir o comportamento das ações mais negociadas, ou seja, as que apresentam maior liquidez. Basicamente sua composição possui 80% de ações com as melhores liquidez. Ele funciona como se fosse uma carteira de ações e se verifica o comportamento de compra e venda destas e assim se passa a medir a variação do índice.

Quando o Ibovespa nasceu, foi atribuído a ele o valor de 100 cruzeiros novos, que foram convertidos em 100 pontos. É como se aquela carteira iniciasse sua vida valendo 100 pontos. O valor absoluto do índice não é o que nos importa, mas sim, a sua variação entre duas datas. Periodicamente a composição da carteira é revisada, mais precisamente, a cada quadrimestre é reavaliada a participação de cada ação no índice, podendo algumas serem excluídas e outras incluídas. Para tal análise alguns critérios são levados em conta como a negociabilidade das ações nos últimos 12 meses, o volume de negócios e o volume de pregões que a ação participou. Os critérios se mantiveram inalterados por 45 anos, porém em 2014 a Bolsa passou a excluir do índice os papeis que valem centavos, que levam o nome de “penny stocks”. Outra mudança foi que as ações passaram a serem medidas pelo valor de mercado em circulação (free float). Além de tudo isso ficou definido que nenhuma empresa poderá ter mais de 20% na composição do Ibovespa.

Considerando a inflação, o Ibovespa acumulou ganhos de 2481,39% desde sua fundação. Segundo a empresa de informações financeiras Economatica, dos cinquenta anos de existência, 25 operaram em baixa e 25 operaram em alta. O pior comportamento do Ibovespa foi em 1990 quando apresentou uma queda de 74,11% após o anúncio do Plano Collor que fez o bloqueio das poupanças até o limite de R$ 50 mil cruzados novos. No ano seguinte o índice atingiu o seu ápice onde teve ganhos de 316,38%, com o ânimo dos investidores acarretado pelo anuncio do Plano Collor II para o controle da inflação.

O maior valor nominal já conquistado pelo Ibovespa foi 76.990 pontos, alcançados em 12 de outubro de 2017.

Em valores ajustados pelo dólar, a máxima registrada foi de 44.616 pontos, em 19 de maio de 2008.

Alguns apontas críticas quanto ao Ibovespa referentes a representatividade de sua carteira quanto ao todo do mercado. Alegam que são poucas empresas e que estas não expressam o todo. Três empresas representam 30% o problema é que elas três não representam 30% do mercado corporativo.

Atualmente os cinco ativos com maior representatividade na composição do Ibovespa são: Itaú Unibanco PN, com 10,492% do índice, Vale ON, com 9,946%, Bradesco PN, com 7,755%, Ambev ON, com 6,875% e Petrobras PN, com 5,251%. Importante salientar que para uma empresa estar compondo o índice Ibovespa é muito favorável pois causa muito mais atratividade para seus ativos.

Poderemos perceber um movimento de mais concentração de empresas em função do nosso cenário econômico ruim.

O fato de ele apresentar uma variação negativa, expressa que naquele período nossa economia apresentou perdas e o inverso apresenta ganhos. Ele é nosso índice de base, porem para se ter uma análise de cenário mais profunda não se pode apenas o utilizar de forma isolada.

Fabiano Mapurunga

CEO da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Gestão Empresarial. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria

Rússia: hospitalidade ou preconceito?

Editorial do O POVO neste domingo (17) aborda a proibição da Rússia de manifestação homoafetiva na Copa. Confira:

Vendida como uma festa de congregação entre os povos, a Copa do Mundo de Futebol costuma expor – para o bem e para o mal – características e costumes menos comentadas dos países onde se realiza.

Também é ocasião para o governante do país-sede tentar melhorar a sua imagem perante os seus cidadãos e o mundo. É o que busca fazer o presidente russo, Vladimir Putin, devido aos problemas internos e externos que enfrenta. Depois dos 5 a zero que Rússia aplicou na Arábia Saudita, Putin discursou: ”Nós amamos o futebol. A Rússia é um país aberto, hospitaleiro e amigável”.

Porém, nem tanto. Há muita intolerância contra os adversários do regime e repressão aos homossexuais. Na quinta-feira, o ativista britânico Peter Tatchell, fazia manifestação solitária e pacífica na proximidades da Praça Vermelha, segurando um cartaz com os dizeres: “Putin não age contra a tortura de homossexuais na Chechênia”. Ele foi detido pela polícia e liberado logo depois.

Desde 2013 existe na Rússia uma lei que proíbe “propaganda gay”. A coisa é tão séria que o governo brasileiro preparou um Guia Consular do Torcedor Brasileiro com alertas sobre o comportamento a ser observado na Rússia, principalmente os LGBTs. O guia alerta, por exemplo, para que se evitem “demonstrações homoafetivas em ambientes públicos”, atitude que ser enquadrada em “propaganda de relações sexuais não tradicionais feita a menores”, que pode resultar em multa e deportação.

A Fifa proíbe qualquer tipo de discriminação durantes os jogos, mas nada faz para proteger torcedores de tais abusos. A entidade não pode, é verdade, interferir nas leis do país, mas pode fazer pressão, como fez contra o Brasil, para que bebidas alcoólicas pudessem ser vendidas em estádios, por exemplo. Portanto, a Fifa poderia demandar um pouco mais de esforço para que a Copa, seja, de fato, uma festa da alegria e da celebração da diversidade entre as diversas nacionalidades, independentemente de preferência política, de etnia, cor, ou de orientação sexual.

O valor da existência

Em artigo no O POVO deste domingo (17), o psiquiatra Cleto Pontes alerta para a publicização ao suicídio. Confira:

Estudos têm demonstrado, vezes e mais vezes, que a forma como você aborda e dá publicidade ao suicídio pode trazer consequências irreversíveis. Quando ocorrem em comunidade escolar, por exemplo, ou em cidades com predominância de imigrantes, experts chamam suicídio clusters, tornam-se contagiantes e modelo social. A propagação na mídia motiva o ato, principalmente, na população jovem.

O suicídio ou o seu reflexo de forma contundente faz esta aferição. Entre o desejo de morrer e se matar, existe uma vala abissal. De um lado a vontade cristalina de viver e do outro as armadilhas, o paradoxo de existir, ou seja, o absurdo em grego. São quatros pecados, seguindo uma linha teológica: pensamento, palavra, obra e omissão. O primeiro tende a universalidade; o segundo, a um apelo velado ou não, mas, sincero; o terceiro a uma falha na comunicação e, finalmente, a banalização como sendo o pior pecado. São trilhas comuns no nosso dia a dia terapêutico.

Qualquer teórico ou teoria unifocal, tende a cometer erro e a grave com repercussão, a priori ou a posteriori. Três judeus que se tornaram agnósticos, debruçaram-se no tema suicídio. E. Durkheim, o maior deles, diz que o “fato social” era destituído de subjetividade.

Na sua visão sociológica objetiva, a sociedade define os quatros tipos de suicídios: anômico, egoístico, altruístico e fatalista. Vulgarmente diríamos: pau era pau e pedra era pedra. Difícil explicar a sua morte precoce em 1917, meses depois que o seu querido filho André morreu na Primeira Grande Guerra.

K. Marx publicou um opúsculo “sobre o suicídio”, em 1846, baseado em estatísticas de Jacques Peuchet, e tirou lições que impõem de forma contrária a lei sociológica de Durkheim, ou seja, a miséria protege do suicídio, valorizando assim o conceito de “existência social”, invertendo o conceito de R. Descartes sobre a consciência, cogito ego sum. Marx teve vários filhos, educando três filhas sobreviventes. Em 1863, a filha mais velha, Jenny, morreu de uma enfermidade, diferentemente das duas mais novas que se suicidaram. A morte dela o levou para eternidade no mesmo ano.

Para construir a sua doutrina , S. Freud também não hesitou em “matar” Moisés, afim de arregimentar o seu rebanho dantes hipnotizado e com ele psicanalisado. Para isto evitava o suicídio como o diabo foge da cruz. Thanatos era o seu inconsciente mal trabalhado, ele se dizia neurótico de carteirinha, e Eros a sua deificação. Em 19 38, embora totalmente debilitado por câncer de mandíbula, era o homem mais poderoso da Áustria não alinhado ao Hitler, daí usar a sua frase de efeito: fujo para Londres para morrer em liberdade. Uma ano depois com seu médico particular e sua filha, babá eterna, tomou a injeção letal. Devemos falar de eutanásia se o desejo é valorizar ainda mais a língua alemã e eternizar a doutrina psicanalítica e suas franquias, pois, o suicídio não condiz com a valorização que se faz de um gênio e muito menos a sua imagem idealizada.

Cleto Pontes, psiquiatra

Condução coercitiva

Editorial do O POVO deste sábado (16) avalia a proibição da condução coercitiva, após determinação do STF. Confira:

Em votação apertada, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a condução coercitiva para interrogatórios, que foi utilizada mais de 200 vezes na Operação Lava Jato. Esse tipo de procedimento já estava suspenso, desde dezembro, por liminar do ministro Gilmar Mendes, que puxou os votos pela proibição definitiva. Votaram com ele os ministros Rosa Weber, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello.

Em confronto com a ala “garantista” do STF ficou o setor que entendia ser a condução coercitiva útil para combater a corrupção no País: Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia, que votaram pela legalidade do instrumento. Esses ministros argumentaram que a condução coercitiva poderia ser mantida, de acordo com o artigo 260 do Código de Processo Penal (CPP), que permite seu uso quando, sob intimação, o investigado se recusa a prestar depoimento. Ou seja, mesmo os ministros que defenderam a manutenção da proposta, reconheceram excessos no uso do instrumento.

A possibilidade de condução coercitiva faz parte do CPP desde 1941, porém ganhou destaque pela utilização em massa durante a Lava Jato e, mais especificamente, quando foi aplicada contra o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a investigação do caso do triplex do Guarujá, que o levou à condenação, estando ele preso em Curitiba. A tese vencedora considerou que o instrumento não foi recepcionado pela Constituição de 1988.

É de se reconhecer que a Lava Jato, muitas vezes, aplicou o mecanismo de forma abusiva, determinando conduções coercitivas, antes mesmo de convocar o suspeito para prestar depoimento. Ou, pior ainda, usada como mecanismo para constranger ou mesmo amedrontar investigados.

Claro está a necessidade de combater com rigor a corrupção, mas é um erro fazê-lo a qualquer custo, desrespeitando as normas que regem um justo procedimento legal. O senso comum afirma que os protestos contra a condução coercitiva tornaram-se mais fortes quando os políticos começaram a ser chamados para prestar contas à Justiça. No entanto, também se pode fazer raciocínio inverso: se até os poderosos passam a sofrer abusos por parte de instituições do Estado, qual garantia teria o cidadão comum para se precaver de violências ainda maiores?

Conselhos Locais de Saúde: Uma conquista cidadã

Em artigo sobre a participação social na gestão pública, o secretário de Saúde de Caucaia, Moacir de Sousa Soares, ressalta a experiência do município no engajamento da população em questões relacionadas à saúde. Confira:

A construção do SUS como política pública relevante para a sociedade brasileira se deve em grande parte aos mecanismos de controle social que respeita e efetiva a democracia, embora se reconheça ainda a participação social na gestão pública como um desafio para o Estado Democrático.

O campo da saúde se mostra como um cenário vivo para efetivação e manutenção de um processo de participação e diálogo que deve manter a atuação comunitária próxima da população, uma vez que a comunidade é um espaço de produção de formas de vida saudáveis onde seus moradores são co-responsáveis pelo autocuidado de saúde, melhor utilização dos serviços e maior vigilância dos recursos públicos destinados ao setor.

Efetivar um SUS com a participação das pessoas por meio do funcionamento dos Conselhos de Saúde, tornando a população parceira e co-responsável pela gestão da saúde, exige sensibilidade e ousadia dos gestores para reconhecer a experiência histórica acumulada e o saber diverso da sociedade como enriquecedores e fundamentais para o desenvolvimento de um município saudável.

A participação social como um dos princípios organizativos do SUS abre espaço para o diálogo aberto por meio da atuação dos Conselhos Municipais de Saúde, garantindo a inclusão da população na elaboração e controle de efetivação das políticas públicas voltadas para saúde do município, como órgãos colegiados e deliberativos, formados de forma paritária, compostos por representantes do governo, profissionais de saúde e usuários. Sua atuação se dá não apenas no âmbito municipal, mas também, nas esferas estaduais e nacional protagonizando e alimentando o debate por meio das Conferências de Saúde.

A atuação dos conselhos em todas as esferas de governo vai além de somente acompanhar as ações de saúde para a população, mas tem a missão de integrar ações de saúde de forma intersetorial, propondo estratégias para tomada de decisões referente a temáticas importantes como: o orçamento destinado a saúde, a funcionalidade dos serviços de saúde, a política de recursos humanos, análise da morbimortalidadede, o saneamento básico, as estratégias de vigilância e mobilização social, etc.

Assim a responsabilidade dos membros que compõe os conselhos locais de saúde é de suma importância e devem estarem alinhadas e cientes dos problemas locais relacionados à saúde considerando a diversidade das populações.

Para que de fato os Conselheiros de saúde cumpram seu importante papel na construção democráticas das políticas de saúde é sempre necessário e importante investir na qualificação no sentido de gerar cada vez mais comprometimento da população com a gestão da saúde. Desta forma é que a auto-responsabilidade e o compromisso com a organização popular é sempre um ponto importante para que os representantes de fato exerçam seu papel perante os representados, assumindo de fato o papel de conselheiro de saúde e os conselhos tenham cada vez mais credibilidade social.

Para isso é preciso trabalhar para aumentar a confiabilidade dos processos democráticos garantindo que as demandas do povo, de fato, se efetivem e sejam incluídas em termos de política de saúde. Isso ocorre mediante uma gradual maturação do processo de participação com a renovação de seus mecanismos democráticos que garanta a representatividade dos usuários e a mobilização da sociedade civil com o emprenho dos governantes em uma gestão democrática.

Como marca de um governo participativo e democrático, o prefeito Naumi Amorim, por meio da Secretaria de Saúde do Município, esta impulsionando o controle social no SUS com a instalação desses quarenta e sete Conselhos Locais de Saúde (CLS) que tomam posse hoje que foram concebidos dentro de uma arquitetura legítima e vanguardista de compartilhamento de puder como espelho de uma importante conquista cidadã.

A sorte esta lançada, apostamos nesses conselhos como espaços legítimos e representativos, fortes e atuantes por terem sidos erguidos numa concepção bastante plural.

Moacir de Sousa Soares,
Secretário Municipal de Saúde de Caucaia

Jair Bolsonaro já derrotou Geraldo Alckmin e o PSDB? Sim!

574 8

Em artigo sobre as eleições 2018, o sociólogo e consultor político Luiz Cláudio Ferreira Barbosa aponta o apoio do eleitorado mais conservador à candidatura do PSL Confira:

O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) é a maior força político-eleitoral do espectro ideológico de direita do Brasil. Bolsonaro expulsou o presidenciável tucano Geraldo Alckmin do eleitorado conservador de cunho moralista cristão, assim como os jovens ultraliberais começaram a abandonar os presidenciáveis liberais (João Amoêdo – Novo, e Flávio Rocha, PRB), em função do apoio do economista Paulo Guedes ao pré-candidato do Partido Social Liberal. A direita cristã e parte da direita liberal deverão manchar juntas com o presidenciável Jair Bolsonaro e bem distante do tucanato.

Geraldo Alckmin já procura polarizar com Bolsonaro, de maneira artificial, via redes sociais, num debate em tempo real pelos meios de comunicação tradicionais (rádio, televisão e jornal impresso), sem obter muito sucesso. Alckmin e o PSDB não têm como propagar o discurso de moralização e renovação da política brasileira nesse pleito eleitoral. Desse modo, a maioria do eleitorado de centro-direita já rejeitou o tucanato como porta-voz dessa cruzada moralista nas eleições deste ano.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já compreendeu o fracasso do presidenciável Geraldo Alckmin entre os eleitores anti-Lula-PT, como também existe contingente altíssimo dos eleitores evangélicos que rejeitam os parlamentares e os governantes tucanos. FHC procura construir a união do PSDB nacional na campanha da presidenciável Marina Silva (REDE), pois somente essa coligação eleitoral poderia evitar que uma parte significativa dos eleitores moderados ou centristas passe a apoiar, no primeiro turno, o presidenciável Bolsonaro.

Jair Bolsonaro deverá receber o apoio do eleitorado ultraliberal e de setores organizados dos evangélicos, caso não haja viabilização competitiva eleitoral da presidenciável Marina Silva. Bolsonaro compreendeu o naufrágio político-eleitoral de Alckmin, como principal representante do eleitorado brasileiro de centro-direita, com o discurso moralista cristão e o discurso ultraliberal na economia.

*Luiz Cláudio Ferreira Barbosa,

Sociólogo e consultor político.

Eu não soube me conter…

Editorial do O POVO deste domingo (10) aponta a predisposição dos poderosos em se corromper, em qualquer campo da atividade humana. Confira:

É difícil saber se o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, foi sincero ou era mais uma estratégia da defesa, ao fazer a seguinte confissão perante o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal: “Eu não soube me conter diante de tanto poder e tanta força política”.

Porém, sendo verdadeiro ou não o seu “arrependimento”, como classificou Bretas a declaração de Cabral, a sua assertiva revela uma verdade que pode ser observada entre boa parte dos homens que estão em posição de muito mando. “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente, de modo que os grandes homens são quase sempre homens maus”, é uma frase famosa, atribuída a Lord Acton (1834-1902), jornalista e historiador britânico, que resume a predisposição dos poderosos, em qualquer campo da atividade humana.

Esse foi o comportamento do ex-governador, segundo suas próprias palavras – no período em que governo o estado do Rio -, ao admitir ter praticado a desonestidade, a “soberba” e a “promiscuidade” com empresários. Ele negou, no entanto, ter pedido suborno, mas reconheceu ter-se apropriado de sobras de caixa dois de campanhas políticas. Disse ter arrecadado R$ 500 milhões em “doações” para suas campanhas e de aliados. Afirmou que, de “maneira vaidosa”, queria “fazer” (eleger) prefeitos, vereadores e deputados. Do valor arrecadado, disse ter ficado com R$ 20 milhões para uso pessoal. A história de Cabral, a sua ostentação, faz parte da vida política brasileira e de muitos funcionários públicos privilegiados. Não se afirma aqui, de modo algum, genericamente, que servidores e políticos sejam corruptos. Porém, muitos se igualam na vaidade e na sensação de poder, o que pode levar a abusos, ainda que legais.

Basta verificar os salários que recebem e a quantidade de privilégios de que dispõe um parlamentar em Brasília para se obter um exemplo desse tipo de excesso. Talvez o depoimento de Sérgio Cabral possa servir de alerta para que alguns ocupantes de altos postos observem para onde pode levar a sensação de extremo poder, que não estabelece limites entre o bom e o mau, o certo e o errado.

Cenário econômico conturbado: Momento é desafiador para empresas tomarem decisões

Em artigo sobre a indefinição na economia do País, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Gestão Empresarial, aponta que o momento não é para comprar por impulsos. Confira:

Diariamente estamos acompanhando as notícias tanto de cunho político, quanto econômico e percebemos com muita facilidade a relação direta que há entre elas. São notícias de incertezas relacionadas a candidaturas de políticos, corrupção exarcebada, paralisações de classes, enfim, um universo de variáveis que se interdependem tendo como resultado final a instabilidade econômica que vivemos. Com bancos discordando a respeito das taxas cambiais futuras, Selic já apontando alta, IPCA já apontando elevação, Banco Central fazendo intervenções para conter a alta do dólar, desemprego em uma crescente, índice de confiança do consumidor cada vez mais em baixa, investidores se afastando dos ativos brasileiros, etc. Esses são apenas alguns fatores internos, mas ainda tem o universo de fatores externos que provocam tal instabilidade de forma isolada ou conjunta com os internos. Bem, é um oceano de complexos reflexos com motivações políticas e com um horizonte muito nebuloso para se ter definições. As empresas e todo o seu bioma estão imersas neste cenário contraproducente, sendo demandadas a se reposicionarem em seus planejamentos quase que diariamente.

Eu poderia aqui nesta matéria replicar todos os dados numéricos dos problemas que apresentei acima, mas seria apenas mais uma matéria que demonstra os mesmos números e acabaria não agregando nada ao leitor, por tanto, preferi me ater a chamar a atenção para a importância que se deve dar ao planejamento das suas ações empresariais.

Uma empresa que não se planeja é como um pedaço de plástico boiando no meio do oceano. Não tem rumo e fica exposta à própria sorte. Nossas empresas possuem famílias que dependem de nossas ações e decisões, por tanto precisamos ter em mãos, com o máximo de precisão possível, um planejamento que nos guie em nossa jornada. Já comentei em outros artigos sobre a importância de se ter um planejamento orçamentário e um controle do seu fluxo de caixa. Tais ferramentas devem fazer parte do todo estratégico da sua empresa. Não negligenciem a importância de se ter controles. Procurem ter um bom acompanhamento de suas compras para não exagerar e deixar dinheiro parado nos estoques. Sempre façam contas antes de tomar qualquer empréstimo e verifiquem se o valor a ser tomado cabe em seu orçamento. Não tomem dinheiro que não seja na medida certa para a realidade do seu negócio. Revejam a necessidade de compra de veículos e maquinários. Procurem entender se realmente esses investimentos são necessários, e em quanto tempo darão retorno para seu bolso. Não é o momento para comprar por impulsos. Comprometimentos em longo prazo devem ser estudados como possibilidades para dar folga a seu caixa.

O ano de 2018 ainda tem muito chão pela frente, porém já se precisa pensar em 2019 e começar a montar seus planejamentos com base nos cenários econômicos que se mostram. Vamos ser cautelosos. Se cerquem de profissionais que saibam guiar suas ações. Se mantenham atentos a todas as mudanças que o mercado venha apresentando.

Fabiano Mapurunga

CEO da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Gestão Empresarial. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria

O “gordinho”, o “mariquinha” e o ódio

Em artigo no O POVO deste sábado (9), a jornalista Regina Ribeiro aponta que o ódio divide, destrói, separa. Confira:

Semana passada, assisti ao filme “Mur murs”, da cineasta belga Agnés Varda. Filmado em Los Angeles e lançado em 1981, o filme percorre os murais que escrevem as histórias de descendentes negros, de imigrantes, daqueles que viam no desenho das paredes uma possibilidade de captar as narrativas que pareciam não caber em qualquer outro lugar. A câmera de Varda ultrapassa os muros e vai buscar além deles homens, mulheres, relatos emocionados, desejos.

Enquanto via o filme pensava em alguns daqueles povos e a atual realidade deles, hoje, sob o governo de Donald Trump. Os mexicanos têm um muro sob suas cabeças, os imigrantes têm leis mais duras, o acirramento de embates envolvendo negros nos Estados Unidos está às voltas com novos contornos. Basta lembrar em como o presidente norte-americano reagiu ao episódio de Charlottesville no ano passado.

Esta semana, li uma matéria na qual o candidato a presidente Jair Bolsonaro critica o politicamente correto. Mas, antes de qualquer coisa, quero dizer que não tenho nada contra o senhor Jair Bolsonaro. Nada mesmo. Considero-o apenas um homem um tanto quanto limitado nas discussões em que se mete. Lança mão de clichês, formula questões baseadas no mais velado senso comum, não tem paciência de dissertar sobre coisa alguma nem sensibilidade para lidar com as pessoas que são e pensam diferente dele. E para completar não me parece, até o momento, ter capacidade de agregar, mediar, ser um interlocutor que encontre soluções para um problema. Em tantos anos de vida pública, até agora não sei – e procurei – algo de relevante do ponto de vista social ou econômico, que fosse de sua autoria.

Nesta fala do candidato ao jornal Correio Braziliense, ao criticar o politicamente correto, ele afirma algo sobre o qual é necessário pensar: “que esse negócio de ódio é secundário no Brasil”. Deu um exemplo à la Bolsonaro: “Hoje, o gordinho virou mariquinha”. Explicou que no passado, o gordinho saía no tapa e resolvia a parada. Agora se esbalda no mimimimimi da esquerda que vê ódio em tudo. Depois de ler um negócio desses, é impossível discutir qualquer coisa com um homem na posição dele que se expressa com tal nível de argumentação. E, não apenas porque ele fala isso, mas porque parece desconhecer as dinâmicas em torno da história. Infelizmente, boa parte das pessoas considera Bolsonaro um ícone de sinceridade, um homem honesto que diz o que pensa e que, por isso, é bom para o Brasil.

O ódio, senhor Bolsonaro, não é nada secundário. O ódio divide, destrói, separa. Nações. O ódio estabelece guerras. Ódio não é para incautos. A História está cheia de exemplos que mostram a substância do ódio na sua face mais perversa. Aquela que é capaz de expulsar seus cidadãos, construir muros, estuprar mulheres, matar crianças, incendiar cidades. O ódio não precisa de estímulo, tampouco de quem o considere inofensivo. O “gordinho”, o “mariquinha” são expressões minúsculas do ódio que cresce e caso lhe seja dado poder, é possível considerar que o gordinho, o mariquinha, o imigrante, o negro, o feio, o pobre, o índio, o cigano, os velhos, os desconectados, os analfabetos não devem ter lugar no mundo . Não, o ódio não é secundário.

A persistência dos efeitos da seca

Editorial do O POVO deste domingo (3) atenta para a necessidade de se encontrar saídas contra as seca, que não sejam apenas esperar que a natureza resolva o problema da falta de água. Confira:

Dividida em três partes, a última publicada na edição de ontem, uma primorosa reportagem dos repórteres Cláudio Ribeiro (texto) e Julio Caesar (foto), “A peleja das águas”, mostrou uma nova face do Sertão. Os campos estão um pouco mais verdes e os açudes ostentam tímidas, porém esperançosas, lâminas de água, depois que a estiagem deu uma pequena trégua.

De 2012 a 2017 (seis anos) as chuvas ficaram muito abaixo da média para recarregar açudes, impossibilitando também safras comerciais e mesmo uma pequena colheita, com a qual o agricultor pudesse prover a sua família. Mesmo com a melhora, 2018 é considerado o sétimo ano de seca em muitas cidades do interior cearense, devido às graves consequências de tanto tempo de fracos períodos chuvosos.

Um dos casos relatados pelos repórteres mostra que a cidade de Pedra Branca (92 km de Fortaleza) foi obriga a adotar medidas de emergência nos três últimos anos. Uma dessas providências foi, literalmente, fechar as torneiras, que estão sem transportar água encanada desde 2015. A população viveu os três últimos anos à base de carros-pipa, e deveria voltar a ter o fornecimento nas torneiras no fim de maio. No entanto, as autoridades foram surpreendidas por outro problema: a greve dos caminhoneiros. Com tanto tempo sem funcionar, seriam necessários reparos no sistema, mas as peças ficaram parada nos bloqueios dos grevistas – e o serviço precisou ser adiado.

Em Tauá (347 km de Fortaleza) a irregularidade das chuvas fez alastrar-se, de modo incomum, uma larva que provoca um mal chamado de “papada inchada” pelo sertanejos, atingindo ovinos, caprinos e bovinos. Transmitida pelo verme Haemonchus contortus, a doença leva à morte do animal. O secretário municipal da Agricultura, Argentino Tomaz Filho, afirma que pelo menos 10% do rebanho foi dizimado pela doença.

De uma forma ou de outra, verifica-se que as consequências danosas persistem, mesmo quando encerra-se o ciclo da seca. Isso confirma a urgência de se encontrar saídas que não sejam apenas esperar que a natureza resolva o problema da falta de água.

Novas medidas – Juros do cartão de crédito ainda são exorbitantes

175 1

Em artigo sobre os juros do cartão de crédito, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Gestão Empresarial, MBA em Gestão de Negócios e MBA em Gestão Financeira e Controladoria, aponta que os bancos cada vez mais estão verticalizando suas estruturas e dominando as administradoras de cartões, diante de um produto rentável. Confira:

A nota de hoje trata sobre “a menina dos olhos dos bancos”: o cartão de crédito. Esse produto tem sido, em disparado, o produto mais rentável para essas instituições financeiras, e por isso vemos que cada vez mais, as mesmas estão verticalizando suas estruturas e trazendo para si as operadoras de cartões. Os clientes que pagam suas faturas sempre em dia, não são muito rentáveis para os bancos, pois esses não representam muito em sua margem de contribuição de rentabilidade. Passam a se tornarem realmente interessantes, quando pagam apenas o mínimo ou quando parcelam a fatura, porque aí sim eles estarão entrando na ciranda de juros criada para dar sustentação a operação. Afinal nenhum banco se sustenta sem empréstimos.

Esta introdução, serve para alertar a todos, que a medida que foi tomada no dia 01 de junho de 2018, sobre unificar as taxas cobradas aos clientes inadimplentes no rotativo do cartão de crédito, com a dos consumidores regulares, não deixa menos perigoso para o cliente em caso ele extrapole no seu uso, e acabe tendo que parcelar seu cartão. Em abril deste, uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), procurou limitar os juros para essa modalidade, tendo como base uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Porém estamos falando de uma taxa que em abril, no rotativo não regular era de 396,9% ao ano e a do regular era de 238,7% ao ano, segundo dados do Banco Central. Qualquer um que entre nesta ciranda de juros impagáveis terá problemas críticos mesmo com essa nova resolução.

Segundo estudos do SPC Brasil e CNDL, 56% dos inadimplentes no cartão de crédito não pagaram a dívida mesmo após serem notificados. O CDL Fortaleza aponta que 57% dos usuários de cartão de crédito não fazem controle efetivo dos seus gastos e que as atitudes mais comuns, são consultar a fatura pela internet antes do fechamento (28%), ler a fatura quando ela já está fechada (15%) e fazer o controle de cabeça (13%). São dados que revelam um universo de pessoas que serão possíveis vítimas dos juros excruciantes e que alimentarão cada vez mais os magníficos resultados financeiros dos bancos.

Gostaria de expor que, o cartão de crédito para o período de até 30 dias, cobra pelo regime de juros simples. Passados os 30 dias, ele entra para o regime de juros compostos, ou seja, juros sobre juros. Isso pelo fato de que, para um período igual ou inferior a 30 dias, os juros simples são maiores do que os compostos. Não há ponto sem nó para as instituições financeiras.

Por isso procurem ter seu controle orçamentário familiar sempre à mão. Evite parcelar compras de bens de consumo contínuo, como: combustíveis, alimentação, etc. Antes de se comprometer com um parcelamento no cartão, calcule para verificar se o valor da parcela estará dentro do seu orçamento. Afinal a fatura vai chegar mais cedo ou mais tarde, e você terá que pagar. Evite cair no conto do vendedor que diz: “não tem problema, pode comprar, porque aqui agente parcela”. Veja qual é a data que fecha a fatura do seu cartão, e procure comprar apenas naquele intervalo, porque aí você realmente terá 30 dias de prazo até a próxima fatura. Procurem colocar o seu cartão de crédito na bolsa, apenas quando forem realmente fazer uma compra planejada, do contrário deixem em casa para evitar as tentações da compra fácil.

Fabiano Mapurunga

CEO da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Gestão Empresarial. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria

A greve e a demissão de Pedro Parente

Editorial do O POVO deste sábado (2) aponta o comprometimento do resgate da imagem da Petrobras, diante da saída de Parente. Confira:

Quando o presidente Michel Temer assumiu o governo, em agosto de 2016 – na sequência do impeachment de sua antecessora, Dilma Rousseff -, mesmo os seus críticos, ou pelo menos uma parte significativa deles, fazia ressalvas positivas quanto à equipe econômica nomeada por ele, vista como preparada para enfrentar a crise que se disseminava. Do time inicial, poucos restaram, a começar pelo líder da equipe, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que se afastou para disputar a Presidência da República pelo MDB, o mesmo partido do presidente.

Diferentemente do seu ministério, com nomeações de caráter estritamente político,Temer procurou nomes “técnicos” para gerir estatais icônicas, na tentativa de diferenciar-se da administração anterior, profissionalizando a gestão dessas empresas. Mas nem sempre foi possível sustentar essa medida, como ocorreu com a saída de Maria Sílvia Bastos da presidência do BNDES, também refratária e influências políticas no banco. Agora, chegou a vez de Pedro Parente, que pediu demissão da Petrobras, em caráter irrevogável, na sequência da crise provocada pela greve dos caminhoneiros. A permanência de Parente tornou-se insustentável, pois o acordo com os grevistas pôs em xeque a política de preços da estatal, baseada na variação do custo internacional do petróleo e na flutuação do dólar, resultando em aumentos diários no preço dos combustíveis.

Parente escreve em sua carta de demissão que o movimento dos caminhoneiros desencadeou um debate “emocional” sobre as origens da crise e colocaram a política de preços da Petrobras “sob intenso questionamento”, levando o governo a “buscar alternativas para a solução da greve, definindo-se pela concessão de subvenção ao consumidor de diesel”. Nessas circunstâncias, continua, a sua permanência na presidência da Petrobras teria deixado de ser “positiva”, sem condições, portanto, de “contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente”.

Ou seja, de modo elegante, Parente deixa clara a sua oposição ao controle de preços, antevendo que uma nova política já está sendo preparada. O governo vem sendo pressionado, inclusive por aliados, para mudar o sistema de preços de aumentos diários, inclusive para os preços da gasolina e do gás de cozinha.

O fato é que a Petrobras, sob Parente, havia reconquistado a credibilidade ante o mercado, porém o governo não conseguiu sustentar a pressão para mantê-la fora do jogo político. A saída de Parente faz parte do rescaldo da rendição do governo frente à greve dos caminhoneiros, cujas consequências, em sua totalidade, ainda estão por ser avaliadas.

Controle financeiro para os profissionais autônomos

210 1

Em artigo sobre a última pesquisa PNAD, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Gestão Empresarial, afirma que a população fica cada vez mais inclinada a buscar atividades econômicas alternativas. Confira:

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), referentes ao primeiro trimestre de 2018 e divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 27 de abril de 2018, apontam que a taxa de desocupação do trimestre que se encerrou em março chegou a 13,1%, com aumento de 1,3 pontos percentuais em relação ao último trimestre do ano passado (11,8%). O total de pessoas desempregadas passou de 12,3 milhões para 13,7 milhões.

Esses números apontam que a população fica cada vez mais inclinada a buscar atividades econômicas alternativas e, em sua grande maioria, tornam-se profissionais autônomos. Por isso trago aqui algumas sugestões para apoiar a estes, a conseguirem controlar suas finanças e não perderem o rumo:

1 – Não deixe de provisionar suas despesas de curto prazo

É de suma importância, que o profissional autônomo, tenha a capacidade de auferir quais são os seus gastos. Mais do que saber quais são seus gastos fixos mensais, é preciso ter um entendimento dos seus gastos anuais. Para se chegar a esses números, coloque no papel suas despesas mensais fixas como aluguel, condomínio, plano de saúde, etc. Ou seja, coloque todos os compromissos financeiros mensais fixos. Existem alguns, que embora mensais, sofrem algumas alterações como, conta de energia e água. Para estes, faça a média dos últimos três meses e estime os demais meses. As variações não irão impactar tanto no resultado.

Procure se utilizar de algum aplicativo que o ajude a organizar tais dados. Verá que ao final você terá uma bela noção do seu custo de vida atual, considerando seus gastos fixos e variáveis.

2 – Dimensione as despesas anuais

Não esqueça de considerar suas despesas anuais como IPVA, seguros, compras em datas comemorativas, e outras que, eventualmente podem ocorrer como manutenções no carro, por exemplo. Tais despesas, devem ser provisionadas com a criação de um fundo de reserva. Tal fundo terá, além desta função, a de servir de cobertura para os meses em que suas receitas forem a baixo da média. Estipule um valor mínimo para este fundo, e nos meses em que suas receitas forem maiores do que as previstas, destine mais recursos para esta reserva. Dessa maneira, se estará sempre preservando seu caixa para possíveis futuras baixas de receitas.

Como sugestão, siga o cálculo a seguir: faça o somatório das previsões de seus ganhos anuais, e divida por 12. O resultado será sua média esperada de salário

mensal. Na sequência, garanta que suas despesas totais mensais não sejam superiores a 70% dos seu salário mensal, os outros 30 %, irão compor o fundo de reserva.

3 – Previsão de aposentadoria

Não deixe de fazer a sua reserva financeira, para conquistar um futuro mais tranquilo, e a faça da maneira como melhor lhe convier. Podendo ser por contribuições para um fundo de previdência privada, ou via cotas mensais do INSS, ou até mesmo fundos com promessas de ganhos mais agressivas. O importante é escolher sua opção e já começar a aplicar. Inclua essa parcela de investimento, em sua cota de despesas mensais, que somadas devem chegar ao máximo de 70% da renda mensal. Lembre-se que, ela deve ser tratada como prioridade, e mesmo nos meses em que a receita for abaixo da média esperada, você deve resgatar o valor desta parcela de investimento, do seu fundo de reserva.

4 – Refinando o controle

Monitore suas despesas continuamente, para não perder o rumo das coisas. Tudo que se for pensado em comprar, deve antes ser avaliado, se o valor da parcela estará dentro dos 70% permitidos da receita mensal. Imagine que está pensando em comprar um novo carro, antes, faça o cálculo da parcela e veja se ele se enquadra.

Use um sistema financeiro para ficar alimentando e monitorando cada despesa. Existem vários aplicativos a disposição no mercado. Muitos são até gratuitos.

Os percentuais aqui sugeridos, podem ser ajustados para mais ou para menos. Porém, se deve ter muita disciplina para mantê-los. Bom controle a todos.

Fabiano Mapurunga

CEO da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Gestão Empresarial. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria

Ciro Clinton 2018

731 2

Em artigo sobre eleições presidenciais no Brasil, o editor geral do The Intercept (organização de notícias criada e financiada por Pierre Omidyar, fundador da eBay), Andrew Fishman, aponta que Ciro Gomes é o único ingresso da esquerda para o segundo turno. Confira:

Quem não é de direita tem que apoiar Ciro Gomes agora. Eu, pelo menos, não consigo enxergar outra opção.

Peraí, peraí, antes de jogar bolinhas de papel na minha cara, pense comigo. Quais são as alternativas? De verdade. Esqueça o seu argumento ideológico ou purista. Não quero ouvir discurso emocional sobre seus princípios. E não que eles sejam desprezíveis, mas estou falando sobre estratégia, matemática e mundo real: neste momento, quais são os candidatos que ficam à esquerda de Alckmin que têm chance real de ir para o segundo turno?

Lula. Não. Mesmo se ele concorrer, você realmente acredita que o Judiciário vai deixar ele assumir o mandato? É igual votar nulo.

Manuela d’Ávila, Guilherme Boulos e Vera Lúcia Salgado. Em muitos cenários nas pesquisas, d’Ávila e Boulos juntos nem superam a margem de erro e Salgado nem está incluída. Sem chance.

Marina Silva. Falei “esquerda”. Apoiou Aécio em 2014 e impeachment em 2016. Next!

Fernando Haddad e Jaques Wagner. Mesmo sem Lula, eles nem chegam perto de Ciro nas últimas pesquisas.

Queridos, gostem ou não, Ciro é seu único ingresso para o segundo turno — mas só se todos vocês tirarem suas cabeças do buraco na areia. Por experiência própria, pense em redução de danos. Se não, você estará votando em Alckmin ou Marina no dia 28 de outubro.

Eu sei. Ele é um oligarca que vem de uma tradição coronelista também. É amigo do agronegócio e da Fiesp. Fez declarações extremamente machistas. Ganhou uma reputação por abandonar aliados. E tem atritos com grevistas e movimentos sociais. Mas o PT foi amigo dos bancos, enrolou os movimentos sociais, atropelou os ambientalistas, endureceu a guerra às drogas e o sistema penal, passou a Lei Antiterrorismo, implementou austeridade, fez uma aliança com o MDB e tem um problema real com corrupção. Na prática, Ciro e Lula não são exatamente de planetas diferentes.

Sou americano, e a eleição de 2016 ainda está fresca na minha memória – e de muita gente também. Este argumento de “é o melhor que tem, então tem que abraçar” é o mesmo que os apoiadores de Hillary Clinton fizeram durante sua campanha fracassada. A grande diferença é que eles propositalmente sabotaram um candidato mais progressista e mais popular na eleição primária. (Essa figura não existe na atual conjuntura brasileira.)

A Clinton perdeu porque era uma candidata ruim, arrogante, desconectada, pouco carismática, e muitas pessoas decidiram que dariam melhor uso para o seu tempo se ficassem em casa em vez de votar nela (ou contra Trump, no caso). A apatia, negação e raiva prevaleceram. Ninguém queria acreditar que aquele ogro teria chance de ganhar, ignorando a energética onda de apoio popular que recebia. Mas a onda era real e ele é o Presidente Ogro agora e — nos raros momentos em que não está jogando golf, tuitando ou assistindo televisão — está quebrando tudo e piorando as vidas de milhões de pessoas.

Talvez não seja bom. Pode ainda ser ruim por um bom tempo, mas olha, de onde eu venho, posso dizer: pode ser muito pior. Ciro é sua Hillary. Seu Bernie Sanders está preso. Você vai mesmo deixar o Trump brasileiro ou um Temer-de-outro-nome ser presidente?

(Obs. Você acha que estou louco? Então me conta seu plano genial. Responda o post da newsletter na nossa página de Facebook ou Twitter e republicaremos os melhores comentários.)

Andrew Fishman

Editor geral do The Intercept