Blog do Eliomar

Categorias para Opinião

Lula candidato sim

88 4

Em artigo sobre a candidatura Lula, o Professor Doutor de Direito Internacional Público e advogado Marcelo Ribeiro Uchôa aponta determinação do Comitê de Direitos Humanos da ONU, que garante ao ex-presidente o gozo dos direitos de candidato à Presidência da República, em igualdade de condições com os demais candidatos. Confira:

Como é de amplo conhecimento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionou, em 2016, com base na hipótese prevista no art.1º do Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (com competência reconhecida pelo Brasil através do Decreto Legislativo 311/2009), o Comitê de Direitos Humanos da ONU (órgão previsto no art. 28 de citado Pacto, também reconhecido pelo Brasil através do Decreto 592/92), alegando violação em determinadas liberdades fundamentais, por exemplo, o fato de haver sido vítima de violenta condução coercitiva determinada judicialmente, operacionalizada por centenas de policiais, numa época em que sequer era réu da Justiça; determinação judicial ilegal (oriunda do mesmo juízo) de quebra de sigilo telefônico de chamada realizada com a então presidenta Dilma Rousseff, sem autorização do STF, inclusive, com eventual vazamento do teor do áudio para a imprensa nacional; ofensa à sua dignidade e honra, dentre outros aspectos que demonstravam que o ex-presidente estava sendo forçosamente submetido a um juízo parcial, inquisitório e seletivo, não por acaso estando hoje aprisionado sem sequer haver usufruído de seu direito constitucional de recorrer em liberdade a todas as instâncias judiciárias.

O comunicado do ex-presidente endereçado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU em 2016 (Comunicado n. 2841/2016) não foi decidido em definitivo. Porém, considerando factíveis e bem fundamentadas as violações alegadas, adensadas, agora, de outro elemento que diz respeito a uma possível nova violação do art. 25 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, que se refere à garantia de não discriminação em matéria de direitos políticos, no caso, ao registro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato à Presidência da República nas eleições em curso, incluídos aí seu direito de participação político-eleitoral pleno, o Comitê de Direitos Humanos da ONU determinou, em resposta à comunicação incidental realizada pela diligente defesa do ex-presidente, em 27 de julho passado, que o Estado brasileiro, por suas instituições competentes, gestione no sentido de garantir ao ex-presidente o gozo dos direitos de candidato à Presidência da República, em igualdade de condições com os demais candidatos.

A requisição internacional não impressiona, pois todo ser humano dentro ou fora do Brasil deveria ter direito de usufruir da máxima da presunção de inocência até o esgotamento dos recursos judiciais cabíveis. Saliente-se que, no caso concreto, está-se falando de uma situação permeada de transgressões jurídicas e judiciais em série, que mais dia, menos dia serão desmascarados nacional e internacionalmente. A medida do Comitê de Direitos Humanos da ONU também em nada abala o bom senso, quando se percebe, com clareza induvidosa, que o ex-presidente está sendo impedido de candidatar-se por ser o candidato potencialmente com maior preferência popular. A denegação de sua candidatura seria, portanto, um erro de impossível reparação, uma hipótese que nenhuma reversão judicial poderia eventualmente compensar.

Neste momento em que se discute se o Brasil deve ou não cumprir a determinação do Comitê de Direitos Humanos da ONU, é importante deixar muito bem esclarecido que não cabe à Justiça brasileira, ou a qualquer outro poder que seja neste país, alegar soberania nacional para descumprir tal decisão. O Brasil é signatário de todos os pactos internacionais de direitos humanos atinentes ao caso. Descumprir a medida seria, por exemplo, em sentido diverso, porém perspectiva semelhante, não atender o que ninguém ousa questionar acerca dos deveres de proteção cautelar determinados internacionalmente no caso de Mônica Benício, viúva da ex-vereadora Marielle Franco, que vem sofrendo ameaças desde a covarde execução, com um agravante ainda mais enfático de que no caso do ex-presidente brasileiro a matéria não tramita na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, porém, no Comitê de Direitos Humanos da ONU, principal órgão monitorador do sistema global de proteção dos direitos humanos das Nações Unidas. Por isso, achando-se bom ou não, Lula é candidato, sim, à Presidência da República.

Marcelo Ribeiro Uchôa,

Advogado e Professor Doutor de Direito Internacional Público da Unifor

Uma cartilha às avessas

Em artigo no O POVO deste sábado (18), a jornalista Lucinthya Gomes lamenta que é colocada sobre a mulher a responsabilidade da autoproteção. Confira:

Juliana (nome fictício) se despediu dos amigos, com quem celebrava a conclusão do semestre na faculdade em um bar, e pediu uma corrida pelo aplicativo 99Pop para voltar pra casa por volta da 1 hora da madrugada. Entrou no carro, estranhou o desvio da rota, achou que estava perdida e, em seguida, sofreu agressões, ameaça, estupro e teve o desejo de não querer sobreviver. Um mês e meio depois, a prisão do agressor, identificado como Patrick Gomes, aconteceu e foi a manchete de ontem do O POVO.

Desde que li sobre o terror vivido por Juliana, a história fica retornando à minha mente. Foi como reviver aquele pesadelo recorrente de menina em que eu tentava acordar, mas ele teimava em assombrar. Quando se nasce mulher, o crescer vem acompanhado de uma série de orientações e condutas para se prevenir deste tipo de crime. Uma cartilha às avessas, endereçada ao destinatário errado.

Os comentários que ouvi e li sobre o caso pareciam magoar uma ferida que estava ali aberta. Quantas mulheres diziam “por isso nunca ando de Uber”, “por isso não ando sozinha em táxi”, “tá vendo, amiga? Tem que que ter cuidado”, “por isso que sempre envio print com a placa do carro para o meu marido”. Todos os caminhos colocam sobre nós, mulheres, a responsabilidade de nos proteger e de sempre estar acompanhadas, de nunca estar na rua tarde da noite, de mudar de calçada ao menor risco de assédio.

Não é que seja errado se cercar de cuidados! Cada uma das medidas foi assimilada e naturalizada por mim ao longo da vida e por todas as mulheres que conheço. Acontece que, por mais óbvio que pareça, acho imperativo registrar: Juliana não fez nada de errado. Além dela, o autor do crime confessou ter feito cinco vítimas. E, embora esta história tenha vindo à tona, o estupro é uma ocorrência rotineira nos registros policiais.

Também me chamou a atenção o relato de surpresa e espanto de internautas que diziam conhecer Patrick do local de trabalho, do grupo de amigos ou das andanças do bairro. Um jovem de 26 anos, com profissão, bem vestido, que dirigia um Logan preto e falava de fé em suas redes sociais. Não parecia suspeito. Cada elemento que compõe essa história confirma a vulnerabilidade de ser mulher.

Lucinthya Gomes, jornalista do O POVO

A responsabilidade dos aplicativos

70 1

Editorial do O POVO deste sábado (18) ressalta os crimes praticados por um motorista que se cadastrou no aplicativo 99Pop. Confira:

São estarrecedoras as revelações feitas pela reportagem, cuja série prossegue hoje, a respeito de crimes praticados por um motorista que se cadastrou no aplicativo 99Pop utilizando nome falso. Ele já confessou seis estupros contra passageiras, mas a polícia suspeita que ele tenha feito pelo menos 10 vítimas.

O transporte por aplicativos tornou-se popular entre os jovens por, supostamente, oferecer preços mais baixos e pelas facilidades que oferece. Rapidamente – aproveitando a falta de regulamentação -, o negócio expandiu-se de forma rápida e, agora se vê, de forma descontrolada e perigosa.

A reportagem, assinada pelos repórteres Carlos Mazza e Jáder Santana, faz levantamento minucioso e revela como contas falsas podem ser utilizadas por bandidos para facilitar seus crimes, já que a vítima vem até eles, confiando no serviço virtual.

Na edição de ontem, o jornal relatou a via-crúcis percorrida por uma jovem, dentro de um carro do aplicativo 99Pop, desde que ela chamou o veículo até o desfecho aterrorizante, em uma rua deserta, com a menina sendo estuprada, sob xingamentos, socos e tapas.

Na edição de hoje os repórteres mostram como é fácil comprar cadastros pelas redes sociais – OLX, Mercado Livre e Facebook – e tornar-se motorista de aplicativo, seja do 99Pop ou do Uber. Quem compra esses cadastros já o faz com más intenções, pois não pode inscrever-se diretamente no aplicativo, por alguma restrição, ou por ter sido bloqueado por má conduta. Sob supervisão da Polícia, os repórteres compraram um desses cadastros para mostrar como qualquer um pode fazê-lo. Depois, basta trocar a foto original e começar a operar.

Se não se pode acusar diretamente os aplicativos por condutas criminosas de falsos motoristas, é forçoso reconhecer que o sistema de licenças é muito vulnerável – e isso é de responsabilidade intransferível das empresas.

Dinheiro para isso não há de faltar, pois são companhias bilionárias, que operam em vários países do mundo. Além do mais, ficam com a parte do leão do serviço, cobrando 25% de cada corrida, sendo todas as despesas por conta dos motoristas.

As explicações que a 99Pop deu, por meio de nota, são burocráticas e superficiais. A empresa disse que bloqueou os dois perfis denunciados e que “colabora ativamente” com a polícia. No entanto, sem a reportagem do jornal, os casos não teriam vindo a público e nem os clientes de aplicativos seriam alertados sobre a existência de fraudes, que permitem atos criminosos.

Habituados à internet, os jovens têm falsa sensação de segurança quando contratam serviços via rede. Mas precisam saber que a selva do mundo real, repete-se no mundo virtual, por vezes de forma mais assustadora. PS. Para ler a matéria intitulada “Falso motorista de app é investigado por 4 casos de estupro”.

Cenários do setor automotivo e seus desafios no Ceará

Com o título “Cenários do setor automotivo e seus desafios no Ceará”, eis artigo de Ranieri Leitão, presidente da Autop 2018, do Sincopeças Brasil e Sistema Ceará. Ele aborda um segmento que, a partir desta quarta-feira, ganhará destaque em feira no Centro de Eventos. Confira:

Com o mercado automobilístico engatado no Ceará após dois duros anos de queda na procura, mais de 20 mil novos carros passam a circular no Estado. A partir desse crescimento, abre-se espaço para positivas expectativas, não só para o mercado direto de venda de automóveis, mas para as diversas áreas relacionadas ao setor, como o segmento de autopeças.

Em efeito dominó, a demanda por carros novos reflete inteiramente no comércio de carros usados, agitando ainda mais as atividades da área automotiva na parte de reparação. Hoje nosso Estado é responsável pelas melhores e maiores distribuidoras de autopeças do Norte e Nordeste. Isso garante enorme representatividade para nossa economia e importante atuação para destaque no cenário econômico em nível nacional, o que nos atribui diversas responsabilidades.

Com esse olhar para o amanhã, o foco vem se direcionando cada vez mais para a melhoria dos processos de gestão e do conceito de modernidade, tecnologia e consciência socioambiental. Na 16ª edição da Feira Nacional de Autopeças, Motopeças, Equipamentos e Serviços – Autop 2018, por exemplo, o grande destaque é a Oficina Verde Virtual. O espaço, desenvolvido em parceria com o Sebrae, proporcionará uma vivência, através da realidade aumentada, onde serão apresentados detalhes necessários para um empreendimento obter a certificação ambiental.

Percebendo também a relevância social e econômica da fatia que emprega mais de 31 mil profissionais apenas no município de Fortaleza, o SSA enxerga a necessidade de contribuir com a qualidade do serviço ofertado. Com o intuito de mudar o perfil da mão de obra do setor, projeto do Instituto Autop, vem para suprir a carência de profissionais para que acompanhem os desafios da atualidade.

O novo é agora! Além da necessidade de estarmos preparados para atuar num mercado cada vez mais competitivo, veloz e crítico, as transmutações do planeta devem abrir nossos olhos para nossas ações enquanto sociedade. Precisamos – e vamos – mostrar ao mundo a importância de agir com respeito, com o ser, com o planeta.

*Ranieri Leitão

opovo@opovo.com.br

presidente da Autop 2018, do Sincopeças Brasil e Sistema Ceará.

Aumento de salário no STF

Editorial do O POVO deste domingo (12) ressalta que “juízes reclamam que estão há cinco anos sem receber reajuste. No entanto, olhando-se os números, é notório que eles poderiam esperar um pouco mais”. Confira:

Mesmo em tempos de ajuste fiscal venceu o lobby da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), levando o Supremo Tribunal Federal (STF) a aumentar o salário de seus próprios ministros. O reajuste de 16,38% provocará impacto de R$ 4 bilhões nas contas públicas, de acordo com estimativa das consultorias da Câmara e do Senado Federal.

O efeito cascata beneficiará juízes e demais servidores, pois o salário do STF representa o teto da administração pública, que passará de R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil. E deverá também favorecer deputados e senadores, que costumam regular seus vencimentos pela remuneração de ministros do STF.

Juízes reclamam que estão há cinco anos sem receber reajuste. No entanto, olhando-se os números, é notório que eles poderiam esperar um pouco mais, antes de queixar-se da defasagem nos subsídios.

A edição mais recente do relatório Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostra que o Brasil tem cerca de 18 mil magistrados (juízes, desembargadores, ministros), custando, em média, R$ 47,7 mil por mês (salários, benefícios e auxílios) aos cofres públicos. Na Espanha, por exemplo, um juiz ganha cerca de seis mil euros por mês (R$ 26,340), sem nenhum tipo de auxílio.

Se a comparação se der entre supremas cortes, o STF brasileiro leva vantagem sobre seus congêneres. Conforme divulgou o portal BBC Brasil, um estudo da Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça (2016) mostra que um juiz da Suprema Corte dos países do bloco ganhava 4,5 vezes mais que a renda média de um trabalhador europeu. No Brasil, o salário-base de um ministro do Supremo corresponde a 16 vezes a renda média de um trabalhador. O salário de um magistrado da Suprema Corte de países da União Europeia é de 65,7 mil euros por ano, equivalente a R$ 23,9 mil mensais.

Com a proposta aprovada no STF, resta esperar agora o resultado da votação no Congresso que, tudo indica, deverá confirmar a decisão do STF, principalmente porque a votação vai acontecer depois das eleições. Mas quem sabe, se, até lá, os parlamentares arranjam um tempo para refletir sobre as palavras da presidente do STF, Cármen Lúcia, quando ela disse que esse aumento de salários não é o melhor para o Brasil.

O comportamento da arrecadação do governo, frente ao aumento da carga de impostos

Em artigo sobre carga tributária, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Administração com ênfase em Finanças e MBA em Gestão de Negócios, aponta que o poder de compra está cada vez mais corroído pela pesada sequência de aumentos de impostos. Confira:

Nós, contribuintes contumazes de impostos, estamos vendo nosso poder de compra cada vez mais ser corroído pela pesada sequência de aumentos sucessivos de impostos pois, ao que parece, aumentar os mesmos, é a única saída que o Governo enxerga para resolver o déficit primário das contas públicas. Como se o desequilíbrio orçamentário fosse, um efeito causado pelo comportamento de consumo e de produção das pessoas. Pergunto-me sempre, se as equipes dos Governos, já pararam para medir se esta compressão contínua dos impostos sobre a atividade econômica, tem realmente surtido o efeito de resultado.

Na nossa própria Constituição Federal de 1988, está atribuída ao Governo Federal a maior parcela de arrecadação que, segundo consta, tem como objetivo primário o controle coeso das dívidas externas e internas.

Exponho aqui hoje, uma peça desenvolvida na década de 70 do século passado, pelo Professor de Economia da Califórnia, Arthur Laffer, com a qual ele demonstra que, tomando como partida um determinado valor percentual para a cobrança de impostos, o ente arrecadador (Estado), inicia uma curva de perda de dinheiro na coleta, logo a sociedade começa a definhar por ver o investimento decair.

Para a descritiva de Laffer, nos eixos das coordenadas cartesianas, a reta horizontal (x) representa a taxa de impostos cobrados e a reta vertical (y) indica as receitas auferidas. Pelo modelo, ao se iniciar um acréscimo nas unidades de impostos, haverá um claro aumento de receita, obedecendo a uma escala desproporcional. Ou seja, a cada 1% de acréscimo nos impostos, haverá um aumento inferior a 1% nas receitas auferidas. Fazendo uma leitura prática, quando os impostos aumentam, há uma evidente contração na atividade econômica em virtude de alguns fatores como: o profissional autônomo tenderá a trabalhar sempre uma hora a menos, por saber que o seu rendimento adicional depois de impostos ficará menor.

Observemos que, quando o Governo resolve fazer uma redução no IPI (Imposto sobre produtos industrializados), ele está adotando uma medida que visa aumentar o consumo sobre os bens finais desenvolvidos em cadeias produtivas de larga escala econômica. Esta, na verdade, é uma medida para aumentar a arrecadação.

Logo, a redução dos impostos, é um impulso para a flexibilização da margem e comercialização dos produtos beneficiados. Sendo assim, os fabricantes e comerciantes, passam a ter condições de lançar campanhas promocionais, usando como apoio a redução dos tributos, e assim, conforme for o comportamento da sua demanda, manter, ampliar ou reduzir menos suas margens.

Vamos notar que, quanto mais os impostos aumentam, maiores são os efeitos deste modelo. Verifica-se que, a partir de um ponto determinado, acontece uma redução na atividade econômica, com o aumento dos impostos. Daí chegamos ao pico da curva de Laffer: compreende-se como a máxima receita que o Estado consegue cobrar. À direita deste ponto, aumentar os impostos passa a causar uma contração na atividade econômica e logo a receita cairá.

Vejamos como fica esse conceito em termos gráficos:

Acompanhe que, quando se aumentam os impostos, são gerados dois efeitos sobre a arrecadação: um é positivo pois, com o aumento dos impostos cresce a arrecadação, e o outro é negativo pois, esse aumento acaba por desestimular a produção e o consumo. Ora, se o trabalhador tendesse a pagar de impostos 100% de tudo aquilo que ele ganha, isso o levaria a parar de trabalhar, porque este não teria estímulo para o esforço mediante essa lógica.

O conceito dos impostos é muito amplo, mas vamos enxergar mais na prática esses efeitos, quando presenciamos em nosso país uma elevada carga tributária e serviços públicos muito aquém do que merecíamos ter. Logo, verificamos também que, o retorno efetivo dos impostos tem dependência de outros fatores como a corrupção, a educação e o planejamento.

Os impostos deveriam estar devolvendo à sociedade, serviços públicos de qualidade, pois assim até mesmo a percepção de peso no orçamento seria justificada pelos benefícios adquiridos. Alguns estudos apontam que, ao se cobrar um tributo t sobre a atividade produtiva de um consumidor, e na sequência, fosse devolvido o mesmo valor para ele, o mesmo não consumiria a mesma quantidade caso não houvesse o tributo. O governo precisa buscar melhorar a eficiência nos gastos públicos, para não ter que carregar nos impostos e causar prejuízos superiores aos que a sua própria natureza gera.

Fabiano Mapurunga

CEO da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Administração com ênfase em Finanças. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria. Professor universitário

Justiça seja feita!

Em artigo sobre o Dia do Advogado, neste sábado (11), o advogado Fábio Timbó aponta que a data é oportunidade de reflexão e lamenta a falta do pleno acesso à Justiça, diante de elevadas custas processuais e morosidade do Judiciário. Confira:

Você, colega advogada e advogado, merece todo reconhecimento, somos verdadeiros heróis, nessa luta desigual em que a morosidade do Judiciário e as elevadíssimas custas processuais são indisfarçáveis vilões do pleno acesso à Justiça e da boa prestação jurisdicional.

Não bastassem tais desafios, ultimamente, o que é profundamente lamentável, fomos esquecidos pela nossa própria instituição, mercê de uma gestão centralizadora que tem nos deixado solitários no combate diuturno por uma justiça mais célere e eficaz.

A advocacia, contudo, não se rende! Somos incansáveis militantes do Direito, inspirados nos grandes nacionais e locais, como Clóvis Beviláqua, Ruy Barbosa, Raimundo Faoro, Evandro Lins e Silva, Seabra Fagundes, Sobral Pinto, Myrthes Campos, a primeira advogada do Brasil, Luiz Cruz de Vasconcelos, Wanda Sidou, Edgar Cavalcante de Arruda, José Martins Rodrigues, Clodoaldo Pinto, dentre outros, numa lista interminável de homens e mulheres que se dedicaram à advocacia e à defesa, com denodo e paixão, dos direitos que lhes foram confiados.

É dia de júbilo, é dia de reflexão, é igualmente oportunidade para unirmos força e coragem, altivez e destemor, sempre na esperança de que é possível sim a construção de dias melhores, pois a “advocacia não é profissão de covardes! (Sobral Pinto)”.

Fábio Timbó, advogado

Onde está o preconceito?

Em artigo no O POVO deste sábado (11), o procurador de República Rômulo Conrado aponta o preconceito oculto sob as mais variadas justificativas, o que nos torna menos plurais do que deveríamos. Confira:

O Brasil é uma democracia plural, aqui coexistindo pessoas das mais diversas tendências, sendo diferentes as visões de mundo, crenças, cor da pele e situação econômica, entre muitos outros fatores que nos aproximam ou distanciam. Até hoje, contudo, nos deparamos com o preconceito oculto sob as mais variadas justificativas, o que nos torna menos plurais do que deveríamos.

Eles lá, eu aqui: muitos sustentam, em relação aos “diferentes”, não terem nada contra, desde que estejam separados. Trata-se de postura declarada inconstitucional pela Suprema Corte dos Estados Unidos já no ano de 1955, em que se afastou a segregação racial nas escolas, que somente contribuía para perpetuar a desigualdade.

No ano seguinte foi declarada inconstitucional também em relação ao transporte coletivo. Idêntica justificativa também se aplica em relação aos que afirmam não ter preconceitos no que tange à orientação sexual de terceiros. Aqui não cabe falar em tolerância, mas sim em reconhecer a igualdade como um valor e um direito.

Meus filhos quem educa sou eu: a Constituição Federal de 1988 reconhece ser a família a base da sociedade, tendo especial proteção do Estado. Isso não significa, porém, uma exclusividade para fins de doutrinação, já que a sociedade, o Estado e notadamente a escola concorrem para a educação e também para que sejam colocados a salvo de negligência e discriminação.

O problema dos imigrantes é que roubam nossos empregos: muitos acreditam que se acolhermos as pessoas que chegam ao Brasil fugindo de conflitos, como determina nossa Constituição Federal, propiciaremos que roubem empregos de brasileiros. Em todo o mundo, porém, não é possível afirmar, com base em dados estatísticos, tenha ocorrido prejuízo aos nativos com o afluxo de estrangeiros, mas sim a substituição de funções com o surgimento de novas atividades.

É preciso com frequência repensar nossas crenças e ideias.

Rômulo Moreira Conrado, procurador da República

Fórmula esgotada

Editorial do O POVO deste sábado (11) avalia que nenhum candidato se destacou durante o primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República na Band. Confira:

O brasileiro que conseguiu, ontem, ficar três horas em frente à televisão (ou de algum outro dispositivo) para assistir ao primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República na Band, foi dormir depois de uma hora da manhã com a sensação de ter visto uma reprise de qualquer outro debate eleitoral, revelando o esgotamento dessa fórmula.

Para cumprir a orientação legal, rádios e TVs são obrigados a convidar todos os candidatos de partido ou coligação com pelo menos cinco parlamentares entre deputados federais e senadores. Nove das candidaturas atendem ao requisito. No entanto, como Lula está preso (e a Band não aceitou que ele fosse representado pelo vice, Fernando Haddad), o debate teve oito participantes. Com tantos candidatos e tempo limitado para perguntas e respostas, o que se viu foram argumentos superficiais e frases ensaiadas.

Dito isso, o fato é que nenhum candidato se destacou durante o confronto.

Porém, o mais demandado foi Geraldo Alckmin (PSDB), indicando que os adversários o veem como concorrente que pode estar no segundo turno. Alckmin esforçou-se na apresentação de propostas, evitando qualquer tipo de embate.

Ciro Gomes (PDT) conseguiu manter-se calmo. Atacou as reformas trabalhista e previdenciária, dizendo que mudanças necessárias nessa área não podem ser feitas com a “selvageria” implementada pelo governo de Michel Temer.

Álvaro Dias (Podemos) foi o que mais insistiu no tema Lava Jato, afirmando que, caso eleito, convidará o juiz Sergio Moro para ser ministro da Justiça de modo a “institucionalizar” o combate à corrupção.

Jair Bolsonaro (PSL) atacou os direitos humanos e defendeu a castração química quando foi questionado sobre estupro. Cabo Daciolo (Patriota) só conseguia repetir que representava o “novo”, sem formular propostas.

De Henrique Meirelles (MDB), devido ao seu preparo, esperava-se mais. No entanto, foi confuso em suas explicações. Apresentou-se como o candidato que poderia trazer credibilidade ao País, dando como exemplo a sua atuação na área econômica durante o governo Lula e no período em que foi ministro da Fazenda de Temer.

Guilherme Boulos (Psol) imprimiu radicalidade às suas falas, propondo o fim da “bolsa banqueiro” e “bolsa empresário”, e buscou o enfrentamento direto com Bolsonaro.

Quanto a Marina Silva (Rede), ela procurou colocar-se como candidata afastada dos casos de corrupção, pondo em dúvida o “discurso oco” de Alckmin, devido ao fato de ele participar de um “condomínio cheio de lobos maus” (o Centrão).

Em um debate nesses moldes é difícil avaliar as propostas dos candidatos, e os próximos seguirão o mesmo modelo. Restará ao eleitor buscar formas complementares para melhor avaliar os candidatos.

Anatomia de uma fétida conspiração

291 2

Com o título “Anatomia de uma fétida conspiração”, eis artigo do professor universitário e sociólogo João Arruda. Ele faz uma defesa da candidatura de Ciro para presidente. Confira:

Nas últimas quatro semanas, a grande mídia brasileira passou a noticiar a gestação de uma sórdida e desleal aliança política visando isolar a crescente candidatura do pedetista Ciro Gomes. Esta abjeta e esdrúxula articulação seria coordenada pelos emedebistas ligados ao presidente Michel Temer, pela cúpula do PSDB, pelos socialistas ligados ao governador de Pernambuco e por petistas fieis ao ex-presidente Lula. Além do esvaziamento da candidatura Ciro Gomes, o PT e o PSDB teriam o maior interesse em reeditar a artificial polarização entre petistas e tucanos.

A notícia desse diabólico pacto político, de início, não foi levada a sério pela maioria dos observadores e analistas políticos, pois acharam improvável que históricos e inconciliáveis desafetos políticos estabelecessem uma trégua em suas históricas rixas particulares e se unissem contra uma terceira candidatura. Não podemos esquecer que Ciro Gomes, o motivo do pacto, foi um histórico e leal aliado petista, tendo, inclusive, sido um destacado ministro no governo Lula.

Parecendo essa aliança tão ilógica, além de ser carregada de um maquiavelismo asqueroso, a notícia passou a ser analisada como mais uma teoria da conspiração, tão comum nos períodos eleitorais. Ou, para alguns, como um mero exercícios fantasiosos de alguns desinformados analistas políticos. Afinal, a estapafúrdia notícia se chocava com os propalados padrões éticos e morais sempre presentes nos discursos petistas. Não dava para acreditar que o imaculado PT, arauto maior da ética e dos princípios morais, as vestais confessas da pureza, entrasse nessa fétida e desleal prática política.

Infelizmente, a trama traiçoeira petista foi confirmada. A primeira sinalização concreta dessa “santa aliança” se deu quando a coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, publicou que o presidente Michel Temer e o Partido dos Trabalhadores estariam articulando uma manobra conjunta para reduzir o avanço da aliança em torno da candidatura Ciro Gomes. Segundo a coluna, os petistas teriam procurando dirigentes do Progressista, do PSB e do PR para falar contra uma aliança com Ciro. Eles estiveram com o presidente do PP, Ciro Nogueira, com o PSB e com Valdemar Costa Neto, líder do PR, porque temiam que Ciro colhesse votos no eleitorado do PT.

No dia seguinte à publicação do Painel, a grande imprensa publicou que o presidente Michel Temer teria ameaçado a sua base aliada com o rompimento se ela – os partidos do Centrão – aderisse a campanha do Ciro Gomes.

A partir dai, tudo foi só questão de tempo. Não suportando a pressão dos neo-aliados, no dia 19 de julho o centrão declarou apoio ao candidato Geraldo Alckmin. No dia primeiro de agosto, segundo o script traçado por Lula, o vacilante e anacrônico PCdoB, eterno puxadinha do PT, afirmou que manteria a candidatura de Manoela d’Davila. Restava, enfim, o PSB decidir qual o rumo a tomar.

Finalmente, no final da tarde da última quarta-feira, setores significativos da esquerda brasileira, incluindo petistas e socialistas, foram surpreendidos com o anuncio do Diretório Nacional do PT confirmando que o partido tinha decidido apoiar algumas candidaturas do PSB em troca da neutralidade do PSB na sucessão presidencial, isto é, na garantia que os socialistas não oficializaria apoio ao Ciro Gomes.

Uma verdade é desnudada nessa tragédia frankensteiniana: o Lula e o PT temem a vitória do Ciro Gomes. Sem proposta e sem candidato, os petistas sabem que Ciro Gomes está bem preparado, com propostas capazes de, no médio prazo, superar a maior crise da história do Brasil, crise legada pela incompetência do governo petista. Eles sabem que, se o Ciro Gomes for eleito, os seus sonhos de voltar à presidência jamais se realizarão.

Finalmente, com esse pragmatismo maquiavélico, com a explicitação de que os fins justificam os meios, mesmo que os meios impliquem em destruir sorrateiramente antigos aliados, o PT mostrou do que é capaz quando os seus fins almejados estão em jogo. Profeticamente, o saudoso Leonel Brizola, fundador do PDT, ainda em 1989, já havia vaticinado: o Lula pisaria no pescoço da própria mãe para ser presidente.

*João Arruda

Sociólogo e Professor da UFC.

Ciclos Econômico, Operacional e Financeiro: Qual a importância desses conceitos para sua empresa

Em artigo sobre controles gerenciais, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Administração, MBA em Gestão de Negócios e MBA em Gestão Financeira e Controladoria, diferencia os conceitos de ciclos. Confira:

O controle dos ciclos econômico, operacional e financeiro de uma empresa objetivam ter a mensuração mais próxima sobre o tempo em que suas atividades são desenvolvidas. Sua importância se intensifica nos controles gerenciais que interferem na gestão direta do seu negócio, refletindo inclusive na sua cultura organizacional. Suas quantificações dependem dos seus processos de produção, da sua capacidade de vendas e de recebimento de seus clientes, bem como dos pagamentos a fornecedores.

Para sermos mais objetivos sobre essas explicações, vamos usar um exemplo hipotético de uma empresa, para ilustrar as situações:

Vamos ter como exemplo, uma empresa onde as mercadorias passam em média 50 dias paradas no estoque, onde a média de recebimentos das contas a receber de seus clientes é de 70 dias, sendo o pagamento a fornecedores realizado em 30 dias. Vamos então montar os dados que usaremos para os cálculos dos ciclos:

– Prazo Médio de Estocagem (PME): 50 dias

– Prazo Médio de Contas a Receber (PMCR): 70 dias

– Prazo Médio de Pagamentos a Fornecedores (PMPF): 30 dias

1 – Ciclo Econômico: é o tempo em que a mercadoria fica parada no estoque e compreende desde a data da compra da mercadoria, até o dia da saída para venda, não levando em consideração o recebimento do dinheiro do cliente.

Ciclo Econômico = Prazo Médio de Estocagem (PME)

Ciclo Econômico = 50 dias

2 – Ciclo Operacional: tem início na data da compra da mercadoria e vai até o recebimento dos clientes. Se, por acaso, a empresa trabalhar apenas com vendas à vista, o ciclo operacional será igual ao o ciclo econômico.

Ciclo Operacional = Ciclo Econômico + Prazo Médio de Contas a Receber (PMCR)

Ciclo Operacional = 50 dias + 70 dias

Ciclo Operacional = 120 dias

3 – Ciclo Financeiro: esse ciclo compreende o período entre o pagamento a fornecedores e o recebimento das vendas. Quanto melhor for o relacionamento da sua empresa com seus fornecedores, maior é a possibilidade de redução do seu ciclo financeiro.

Ciclo Financeiro = Ciclo Operacional – Prazo Médio de Pagamento a Fornecedores (PMPF)

Ciclo Financeiro = 120 dias – 30 dias

Ciclo Financeiro = 90 dias

REFLEXÕES

É de suma importância que as empresas sempre busquem reduzir os seus ciclos financeiros, tendo sempre como base as limitações que seu mercado as impõe e o seu setor econômico.

Quanto menores forem os ciclos, mais rápido será o giro dos negócios, acarretando maiores retornos sobre os investimentos. Para o exemplo hipotético que trouxemos, temos um ciclo financeiro de 90 dias, implicando que durante 1 ano (360 dias – Ano Comercial) a empresa gira 4 vezes. Vejamos que após o pagamento a fornecedores, a empresa usa seu capital para financiar suas atividades. Visualizemos então a diminuição do ciclo financeiro estendendo o pagamento a fornecedores do instante A para o instante B. Poderíamos também tomar outras atitudes como a antecipação das vendas e dos seus recebimentos.

Esperamos que estes conhecimentos possam apoiar no melhoramento da gestão do seu negócio. Sucesso.

Fabiano Mapurunga

CEO da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Administração com ênfase em Finanças. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria

A matemática do Bolsa Família

Editorial do O POVO deste sábado (4) destaca o desempenho de alunos com famílias beneficiadas pelo programa de complementação de renda. Confira:

Se ainda houvessem dúvidas sobre a importância de programas de complementação de renda ou de promoção das pessoas mais pobres e discriminadas, elas poderiam se dissipar com os estudos que mostram a importância dessas iniciativas. Isso ficou mais uma vez comprovado com a matéria publicada na edição de ontem deste jornal: “9,5% das medalhas do Ceará na Olimpíada de Matemática são de beneficiários do Bolsa Família”.

O Ceará é, também, um dos estados em que mais beneficiários do Bolsa Família conquistaram medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), confirmando uma das características que marcam o cearense: quando surge uma oportunidade ele a agarra com todas as suas forças.

Levantamento do Ministério do Desenvolvimento Social revelou que, em sete edições da Obmep, na qual concorrem estudantes do ensino fundamental e médio, alunos cearenses beneficiados com o Bolsa Família foram agraciados com 123 medalhas de ouro, prata e bronze, representando 9,5% do total. No cômputo geral, Minas Gerais, São Paulo e Ceará respondem por 45% do total de medalhas.

Professores e especialistas na área veem esses resultados como um avanço nas oportunidades de educação, principalmente para as famílias mais pobres.

Esses números são acompanhados por histórias de transformações positivas na vida desses jovens e de suas famílias. É o caso do medalhista (2016 e 2017) Tiago Crispim, cursando o ensino médio na Escola Marieta Cals, em Cariré (CE): ele é um jovem interessado em astronomia e pretende seguir a carreira de professor de Física. É dele esse depoimento ao O POVO: “É muito importante esse programa, porque minha família não tem muitas condições de bancar financeiramente meus estudos com material escolar. Tudo isso sempre foi do Bolsa Família”.

Para a professora Adriana Eufrásio Braga, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), as políticas públicas têm forte impacto na educação básica “combatendo a evasão escolar e atuando na redução da vulnerabilidade”. Comparado a outros gastos do governo, chega-se à conclusão que o Bolsa Família é um programa barato e de excelentes resultados, que ajuda no socorro e na promoção das populações mais pobres.

A inteligência é a melhor arma

418 3

Em artigo sobre ataques a ônibus e a estabelecimentos em Fortaleza, o delegado Diego Barreto sugere estratégias mais eficazes no combate à ação de facções. Confira:

As facções criminosas surgiram no início dos anos 90 a título de organização dos presos que buscavam um sistema carcerário menos desumano. No entanto os chefes desse embrião de crime organizado acabaram percebendo a viabilidade econômica dos movimentos e passaram a usar o dinheiro arrecadado, vindo de uma mensalidade cobrada para todos os envolvidos, para fomentar mais práticas criminosas, por meio de mais armas e drogas. Em troca, ofertavam proteção nas unidades prisionais.

Hoje as facções têm funcionamento de empresas, cooptando jovens, espalhando seus tentáculos por toda a sociedade e devolvendo esse investimento” em rentabilidade e segurança para seus filiados. Contraditoriamente, nós policiais, prendemos cada vez mais bandidos, chefes importantes dessa estrutura criminosa. Porém a impressão que nos resta é que depois de um tempo no cárcere eles voltam mais fortalecidos, com mais integração e conhecimento das formas de burlar o estado, em face do networking.

E qual a solução? Além de dificultar a comunicação nos presídios, a solução passa pela investigação. Investigar onde esses criminosos aplicam o dinheiro arrecadado. O velho e bom, “siga o dinheiro” na intenção de fechar essa torneira que abastece de dinheiro a logística dos faccionados, bloqueando seus recursos e os utilizando para financiar a batalha contra eles mesmos. Atacá-los então em duas frentes: ação e inteligência. A segunda, sobretudo.

O Rio Grande do Sul em 2017 conseguiu arrecadar 67,5 milhões de reais em bens apreendidos e contas bloqueadas. A título de exemplo, no caso emblemático da morte dos dois chefes do PCC aqui no Ceará, a policia Civil conseguiu o bloqueio de R$12,5 milhões. Em apenas um único caso. Esses valores precisam ser utilizados, única e exclusivamente, para investimento em tecnologia e capacitação do policial que investiga essas organizações criminosas. Hoje o dinheiro vai para um caixa geral e se dilui em meio a tantas necessidades. Portanto é hora de pensar que o momento é de usar a ferramenta mais importante do Estado, e que o crime organizado não tem: inteligência policial.

Diego Barreto
Delegado Titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas – DRFVC

Estão faltando as propostas dos futuros governantes cearenses

Editorial do O POVO deste domingo (29) aponta que “não há ideia das prioridades” dos candidatos ao Palácio da Abolição. Confira:

Os partidos começaram a realizar suas convenções, no Ceará, visando a homologação de candidaturas para o processo eleitoral de 2018. Uma fase importante e necessária, até do ponto de vista legal, mas há de se lamentar a falta de percepção sobre debate acontecendo, até o momento, sobre as propostas a serem apresentadas nas campanhas. Não há ideia das prioridades que apresenta quem pretende permanecer no governo por mais quatro anos, muito menos se conhece os caminhos que sugerem aqueles grupos prontos para se apresentarem como alternativa de mudança de rumos para o Ceará.

É natural que a preocupação maior dos últimos dias, semanas e meses, tenha sido com os acertos políticos, aqueles que acabam por garantir maior ou menor estrutura às campanhas, permitem mais ou menos tempo de ocupação no rádio e TV, enfim, integram a base do momento inicial, ou até pré-inicial, das caminhadas eleitorais. No entanto, uma parte do espaço também precisaria estar ocupado já agora por uma discussão sobre o “como”. Infelizmente, sobre isso fala-se pouco ou quase nada. O que parece é que há um atraso na formação dos grupos de natureza técnica aos quais é entregue a tarefa de levantar o quadro atual, apontar problemas e sugerir soluções. Um trabalho fundamental para que se tenha um debate eleitoral de nível, o que torna ainda mais preocupante a ausência de indicações de que os candidatos ainda não parecem preocupados com a necessidade de elaborar diagnósticos e definir estratégias. De gestão, não políticas

A nossa cobrança por propostas tem relação com o tamanho do desafio que espera os futuros governantes cearenses, sejam eles ligados a um projeto de continuação ou, ainda mais, caso representem um pensamento crítico que se dispõe a começar uma nova trajetória político-administrativa no nosso Estado. Há um quadro que exige pressa, imaginando-se que a campanha deva servir como tempo necessário para discuti-lo na perspectiva de oferecer ao eleitor, a quem caberá a decisão final na sagrada hora do voto, os caminhos que cada lado propõe para serem percorridos nos próximos quatro anos. Com isso, ajudando-o a formar o melhor juízo sobre a situação e fazer a escolha mais consciente. Já seria um extraordinário avanço diante dos tempos obscuros que vivenciamos.

A saia, o bumbum e os chatos

Em artigo no O POVO deste sábado (28), a jornalista Maísa Vasconcelos aponta que “não se pode aceitar a imposição de modelos que objetificam, subestimam capacidades e confundem a percepção do que é ser mulher”. Confira:

A morte da bancária Lilian Quezia Calixto, depois de passar por um procedimento estético com o médico Denis Cesar Barros Furtado, não pode ser somente mais um caso de polícia. Para além de cobrar rigor na punição dos responsáveis, é preciso estarmos dispostos a refletir e tentar entender o que nos leva à busca alucinada, muita vezes cruel, pelo “corpo perfeito”.

Mulheres correspondem a 86,2% dos mais de 20 milhões de procedimentos estéticos em todo o mundo, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética. O Brasil ocupa a segunda posição no ranking dessas intervenções, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Cada vez mais cedo, adolescentes submetem seus corpos a cirurgias estéticas.

Barriga negativa, seios grandes e firmes, bumbum empinado, coxas alongadas, nariz e rosto afilados, púbis e vagina de menina… O que mais? Quase sempre, a “solução” para chegar ao corpo idealizado mostra-se como transformação, ponte para construção da autoestima. Tudo feito de forma rápida, simples, com recuperação em poucos dias, sem cicatrizes. Sonho parcelado, vendido em pacotes.

Não estou dizendo que se deva julgar quem deseja mudar o que lhe incomoda e traz sofrimento. Há saídas possíveis e importantes para alcançar uma felicidade que passa também por ter um corpo que corresponda ao que a mente almeja. Apenas não se pode aceitar a imposição de modelos que objetificam, subestimam capacidades e confundem a percepção do que é ser mulher. Especialmente se há na fabricação desses parâmetros a vontade de dominação masculina.

Na segunda-feira, O POVO chamou atenção para a exploração do corpo feminino no panfleto de uma festa em Beberibe: O “Forró da Mini Saia” oferece prêmio de R$ 150 à mulher com a saia mais curta. O Ministério Público do Ceará notificou promotores do evento. Nos comentários, um leitor escreveu: “O mundo está muito chato!”.

Maísa Vasconcelos, jornalista do O POVO

Extravio de armas e munições

150 1

Editorial do O POVO deste sábado (28) ressalta a liderança do Ceará no ranking de munições extraviadas, entre 2006 a 2017. Confira:

Pelo menos 1.337 munições e 23 armas que estiveram sob a responsabilidade da Polícia Federal no Ceará, foram extraviadas do paiol da instituição. Sumiram do depósito em que é guardado o armamento retido para perícia, anexado a investigações em andamento. O arsenal, separadamente, fazia parte dos inquéritos de crimes federais registrados no Estado sob os cuidados da PF. O desaparecimento se deu no período de 11 anos – entre 2006 e 2017.

Nessa sexta-feira (27), O POVO divulgou, com exclusividade, dados de um relatório da Diretoria de Administração e Logística (Dlog) da PF que aponta a Superintendência do órgão, no Ceará, liderando o ranking de munições extraviadas no período, entre todas as 27 unidades regionais da instituição. Quase 400 munições a mais que São Paulo, o segundo no levantamento, ou mais que o dobro do que foi extraviado no Rio de Janeiro, terceiro colocado. Em relação ao número de armas retiradas indevidamente, a PF do Ceará ficou em sexto, conforme o relatório.

O documento junta dados da direção nacional da PF e não revela informações importantes. Quais as circunstâncias em que o material sumiu das instalações federais? Foram desaparecendo? Eram pistolas, revólveres ou espingardas? Quais os calibres das armas e munições levadas? Também não é dita que quantidade chegou a ser recuperada – houve isso? – e, principalmente, quem foi responsabilizado internamente na PF pelos episódios. A culpabilização, se tratada internamente, chegou a que desfecho? Um crime, no mínimo, aconteceu: furto. No Brasil, o extravio total foi de 4.795 munições e 404 armas.

Curiosamente, o documento nasceu de uma cobrança feita pelo gabinete do deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ), de uma comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha as investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol-RJ) e do motorista Anderson Gomes. Os dois foram executados no dia 14 de março deste ano.

À primeira vista, o sumiço das armas e balas na Superintendência do Ceará mostra-se como uma quantidade irrisória, dado o período de 11 anos computados. Na conta, são “apenas” 121 munições e duas armas retiradas por ano dos cuidados da Polícia Federal. A advogada Isabel Figueiredo, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ouvida pelo repórter Lucas Barbosa, que assina a matéria, reconheceu que a média de extravios nem parece tão “absurda”.

A cobrança principal a ser feita é sobre a alta incidência de armas e munições levadas de dentro das dependências de uma sede da Polícia Federal. No caso, de todas as unidades regionais. Não foram casos pontuais. É grave. 71% das armas apreendidas entre 2013 e 2016 no Ceará tinham registro legal. Estavam em situação regular, segundo o Instituto Sou da Paz. A Polícia Federal não respondeu a questionamentos feitos pelo O POVO. Precisa dar detalhes destes casos. As armas e munições extraviadas estão nas ruas, podem estar envolvidas em novos crimes até mais graves.

Fake news – Jornalista lamenta desinformação na questão dos alvarás

230 7

Em artigo sobre o Código Tributário de Fortaleza, o jornalista Hélio Rocha Lima lamenta a desinformação de movimentos contrários à deliberação da Lei Complementar que parcela o valor dos alvarás. Confira:

Como tem gente sem noção habitando o nosso planeta e, infelizmente, uma parcela desse contingente mora em nossa cidade. Gente que pensa que aqui habitam seres desprovidos de inteligência e lucidez.

E explico: recebi no meu WhatsApp uma mensagem acompanhada de um print que se referia a um dito movimento “empreendedores em ação” que estaria mobilizado para lutar pela revogação da lei que atualizou o Código Tributário de Fortaleza, instituindo a licença de funcionamento anual.

Tal movimento faz chamamento para que ocupem a Câmara Municipal na próxima segunda-feira, dia 30, quando os vereadores deverão deliberar sobre uma mensagem do Poder Executivo que concordou em prorrogar por mais 30 dias, indo para 30 de agosto, o prazo para renovação dos alvarás e o parcelamento para o pagamento da taxa em cinco vezes, entre os meses de agosto de setembro.

Ora, se alguém não sabia, fica sabendo agora: a convocação extraordinária da Câmara serve apenas para deliberar sobre os temas apontados na mensagem do Poder Executivo, ou seja, os dois pontos já assinalados.

E a Lei Complementar que atualizou o Código Tributário Municipal já foi aprovada pelos vereadores e sancionada pelo prefeito e está em plena vigência.

Mais uma vez, vale alertar, a contaminação do período eleitoral, e vejam que a disputa não diz respeito nem a eleição de prefeito, mas de governador, está empanando a capacidade de visão de uns incautos e desavisados agentes sociais.

Um dito advogado, que deve ter ampliado o seu número de clientes na base de algumas mentiras, ou “fakes news”, para usar um termo da moda, patrocina panfletos e se esconde até atrás da saia de sua própria mulher, tentando alimentar um “animus” anti-prefeitura na busca por um número de votos maior do que obteve na última eleição, quando concorreu no pleito municipal.

Ao que se sabe, o prefeito não vai revogar lei nenhuma e, conforme foi anunciado depois da sua última reunião com representantes classistas, estaria disposto apenas a parcelar o pagamento e a dilatar o prazo para renovação por mais 30 dias. Isso porque já sustenta o chefe do Executivo que não se pode exigir que o cofre do Município continue financiando 90% dos custos da máquina pública de emissão de alvarás e de fiscalização, já que o montante arrecadado cobre apenas 10% desses custos.

Convenhamos, não é justo com os que mais precisam do Poder Público ter o Município pagando a conta dos ricos enquanto não subsidia para os mais pobres.

Pelo que tenho observado, alguns ainda caem nesses contos de vigário, naquele base do “me engana que eu gosto”.

Mas Fortaleza, vanguarda que sempre foi em muitos momentos da história deste País, saberá lotar na galeria dos se noção aqueles que tentam fazer a nossa gente de besta.

Hélio Rocha Lima, jornalista

O mundo mudou, repare

Em artigo no O POVO desta sexta-feira (27), o jornalista Sérgio Falcão ressalta os anseios das novas gerações. Confira:

Os conceitos, certezas e paradigmas vêm mudando, principalmente, a partir do século XXI. A velocidade e profundidade do debate expõem regras e compreensões que não se encaixam nos questionamentos e anseios das novas gerações. O mundo mudou e, se não reparou, é melhor se integrar aos novos tempos.

As profissões de ouro sonhadas pelos pais, no passado, eram na Medicina, Direito e Engenharia. Aos meninos a cobrança nos estudos, quanto às meninas, cuidadas para um bom casamento. As últimas décadas trouxeram o protagonismo feminino e o empoderamento contra o arcaico machismo, no presente e na condução do futuro as mulheres tomaram as rédeas do próprio destino com força, competência e destaque em todas as áreas. Barreiras teimam em permanecer, direitos, igualdade e respeito a todos precisa prevalecer.

O processo de decisão profissional acontece na adolescência, geralmente por influência familiar, numa idade frágil quando o autoconhecimento e percepção do mundo estão sendo elaborados.

Mesmo quando, cada vez mais, testes e orientações vocacionais procuram conduzir à melhor escolha da carreira o risco continua a ser grande. A vida universitária e a realidade do mercado de trabalho são diferentes do imaginado e testam a cada dia as escolhas profissionais.

As frustrações profissionais são, atualmente, mais frequentes, quer por escolhas erradas ou porque já não atendem as necessidades pessoais que se transformam ao longo da vida. O ser humano, como dizia Raul Seixas, é metamorfose ambulante. Passamos a nos permitir a aceitar o erro e, mesmo com as críticas, buscar novos desafios. A felicidade pessoal caminha com a profissional, são indivisíveis.

Mas, o que significa sucesso profissional? Reconhecimento, profissional e financeiro, e satisfação pessoal? Se assim pensarmos, as “boas profissões” estão também e além da tríade dourado, passeiam por todos os campos do conhecimento. Novos comportamentos, mercados, inovações e reinvenções dos modelos atuais vêm descortinando novas profissões e criando oportunidades para quem percebe que a vida é um infindável espaço de possibilidades desde que haja vocação, dedicação e coragem. Como escreve Guimarães Rosa, o que a vida quer da gente é coragem.

Sérgio Falcão, editor-chefe do O POVO.Doc

Inútil poesia

Em artigo no O POVO desta quinta-feira (26), a jornalista Letícia Alves aponta que a poesia “eleva o espírito, instrui o coração, alimenta os valores fundamentais, semeia a beleza”. Confira:

Onde o vento faz a curva e duas casas adiante, foi lá onde cresci. Não havia eloquência, agitação, asfalto: era o sertão cearense e ele só, com sua secura e beleza. Os dias eram os mesmos, e que dias. O leite tirado da vaca do quintal, a nata ainda quente no pão trazido de bicicleta sei lá de onde, o cheiro de café que acordava a casa inteira tão logo o sol clareava as brechas da janela.

Não me recordo de quando passei a me interessar por poesia. Meu pé de cajarana, que era meu mesmo e ninguém contestava, era onde eu passava as tardes a devanear, costurar versos e chorar minhas birras. De cima do galho mais alto que alcançava, eu escalei a pequena vida que se dispunha a mim: as plantas, os bichos, as gentes, eu mesma e meus medos, traumas e tantas opções de coisas a sonhar.

Guardei tudo em um diário que não sei mais cadê, perdido entre as mudanças para Fortaleza. Hoje, sinto que perdi um pouco de mim também, esquecido no velho quintal que me parecia uma floresta de poesia não-explorada. Mesmo naqueles tempos de poucos livros, a literatura já era para mim a única realidade fundamental, o mundo capaz de explicar meu mundo. Eu não sabia, mas sabia.

A bibliografia de hoje não é tão vasta como eu gostaria, houve um tempo em que demorei demais a me encontrar numa vida sem aquela liberdade que já tive. Comecei por Drummond, fui a Bandeira, Prado, Cecília, arranhei no Camões e no Pessoa e sigo no Tolentino e em um ou outro do Eliot. Com eles aprendi tudo e aprendi nada, cresci e cresci mais e continuo aqui tão pequena.

Afinal, o que a poesia ensina? Serventia nenhuma tem, inútil a si e a tudo mais; porém, quanta beleza e sonhos, quantos versos e mundos não me deram os poemas lidos ou nascidos no alto do meu pé de planta de estimação!

Inútil que seja, e quanto mais for, mais essencial será. Pois que eleva o espírito, instrui o coração, alimenta os valores fundamentais, semeia a beleza. Sem ela “a vida humana é muito miserável”. Poesia é a linguagem que nos faz gente.

Saiba o que são taxas de juros reais ex-post e ex-ante e qual delas reflete melhor a nossa economia atual

Em artigo sobre taxas de juros, o Mestre em Gestão Empresarial e consultor financeiro Fabiano Mapurunga explica por que reduções da taxa básica não tiveram reflexo em nossa economia. Confira:

O entendimento correto das taxas de juros, nos permite entender melhor o valor do dinheiro no tempo. Podemos fazer uma análise de taxas, tendo como base uma visão passada ou uma visão futura. Tudo vai depender do que e de quando queremos fazer o comparativo.

Temos acompanhado as constantes reduções da taxa básica de juros, a Selic, feitas pelo Comitê de Política Monetária (Copom), desde outubro do ano passado. No entanto, essa queda de três pontos percentuais ainda não teve um reflexo efetivo nas taxas de juros reais praticadas em nossa economia. Vamos entender um pouco melhor como é esse reflexo para o nosso bolso:

Taxas de juros reais, são as taxas de juros nominais praticadas, descontando o efeito inflacionário para um determinado período de tempo. Agora vamos entender os termos ex-post e ex-ante: as taxas de juros reais ex-post, são as que se referem a períodos passados, já as taxas de juros reais ex-ante, são as prospectadas para períodos futuros. Vamos ilustrar para entendermos melhor:

– Taxa real ex-post: como exemplo podemos demonstrar a taxa Selic efetiva e acumulada nos últimos 12 meses, fazendo o desconto do efeito da inflação para o mesmo período;

– Taxa real ex-ante: sendo esta uma expetativa de taxa futura, poderemos trazer como exemplo a taxa dos swaps DI pré 360 dias, deduzindo também, a expectativa de inflação para os próximos 12 meses.

Nos últimos meses, mesmo com a redução da Selic, houve uma aumento das taxas reais ex-post, saindo de 4,1% em março de 2017 para 8,8% em março deste. Conforme o Banco Central, essa alta tem como explicação a queda da inflação em uma sequência superior à esperada. Verificamos uma queda no IPCA de 10,71% em janeiro do ano passado, para 4,57% em março deste.

Conforme o box do Relatório de inflação publicado em março, a pesquisa Focus apresenta uma demonstração de que a taxa ex-post deriva para a estabilização nos próximos meses, e na sequência entrará em queda. Já a taxa de juros ex-ante tem correspondido às expectativas passando de 6,8% em abril de 2017 para 4,6% em abril deste. A tendência é que com a estabilidade da inflação, esses dois indicadores de juros reais tenham a tendência de se igualar.

Importante citar que a utilização do tipo de taxa de juros real (ex-post ou ex-ante), dependerá da finalidade de sua utilização. Caso o usuário já tenha feito um investimento e queira fazer um comparativo de sua evolução, a taxa ex-post é a mais recomendada. Já para o usuário que esteja planejando seus investimentos futuros, a taxa ex-ante é a mais indicada, além de ser a que melhor reflete o verdadeiro estado de nossa economia.

Fabiano Mapurunga

CEO da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Gestão Empresarial. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria.