Blog do Eliomar

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Turismo: A ordem é desinvestir

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Em artigo sobre turismo no Ceará, o ex-secretário do Turismo do Estado (Setur) Allan Aguiar lamenta a venda do resort Dom Pedro Laguna. Confira:

Quem investiu quer vender, apurar e repatriar o capital investido em empreendimentos turísticos/hoteleiros nos tempos das vacas gordas. Os estrangeiros estão arrependidos dos investimentos feitos na outrora interessante Terra da Luz e esse desinteresse guarda relação direta com os baixíssimos retornos que esses investimentos vem proporcionando aos seus sócios controladores.

Pequenos, médios e grandes investidores internacionais que alocaram grandes somas no turismo do Estado estão procurando compradores para seus negócios que não param de gerar prejuízos e frustrar as taxas de retorno projetadas em seus Planos de Negócios. Portugueses, espanhóis, alemães, finlandeses e italianos estão sofrendo para converter seus ativos turísticos situados aqui no Ceará em ativos financeiros. O arrependimento é grande e, curiosamente, cresceu muito depois da constatação de que o HUB Aéreo ainda não produziu melhoras na circulação e ocupação de gringos nos meios de hospedagem do Estado.

O danado é que sequer estão conseguindo compradores, como é o caso dos Italianos do então espetacular Boa Vista Resort, fechado em Camocim/CE há mais de quatro anos. No caso foram destruídos 94 empregos diretos na Região e cerca de 300 indiretos.

O símbolo maior da derrocada dos investimentos turístico do Ceará foi o bombástico anuncio da sociedade empresária controladora do sofisticado Resort Dom Pedro Laguna, que é a grande âncora e único Resort do complexo turístico/hoteleiro/imobiliário Aquiraz Riviera, de vender o empreendimento. O Governo do Estado, depois de enterrar no referido empreendimento mais de 120 milhões de reais em infraestruturas, assiste à revoada dos portugueses que lideraram a implantação do equipamento que é o único a contar com um premiado campo de golfe de padrão internacional. Depois de uma década de prejuízos, aguardando e pleiteando uma agenda capaz de viabilizar o salto de patamar do turismo cearense, decidiram vender tudo e atravessar do Atlântico Sul para o Atlântico Norte e apostar na terra em que o Turismo só cresce: a deles mesmo, Portugal.

Assim, vamos ficando para trás com nosso Turismo “Gabriela – Eu nasci assim/eu cresci assim/eu sou mesmo assim/vou ser sempre assim”, agravado pelo o ambiente de investimento no Estado cada vez mais hostil ao capital, tanto pelo retorno quando pela complexidade e burocracia.

Sem falar na fama, em consolidação, de Destino Turístico Inseguro.

Allan Aguiar

ex-secretário do Turismo do Ceará

Tasso fez o gesto que o PT não quis entender

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Em artigo na Folha de S.Paulo, o economista Marcos Lisboa aponta que Tasso abriu caminho para o diálogo e o PT esnobou. Confira:

Tasso Jereissati estendeu a mão. Pouco antes do primeiro turno, fez o que se tornou produto raro no debate público brasileiro: reconheceu erros.

Para quem é do ramo, o gesto deveria ser óbvio. Em tempos de polarização, ele convidou o PT ao diálogo.

Vale lembrar que se tornou governador ao derrotar os velhos coronéis do Ceará e fez uma gestão admirável, iniciando uma sequência de administrações que, décadas depois, conseguiu alguns avanços importantes em um país carente de bons exemplos.

Tasso, de fala mansa e convicções firmes, foi fundamental para a aprovação de muitas reformas no começo do governo Lula. Apesar de estar na oposição, jamais compactuou com a miudeza da política de ocasião que tem como objetivo único derrotar o adversário.

O primeiro Lula reforçou a política de estabilidade econômica e aperfeiçoou a agenda social iniciada por FHC. Ele teve o mérito adicional de, por meio do seu discurso, trazer os grupos mais vulneráveis, incluindo as minorias, para o centro da política pública.

Paulatinamente, porém, o governo deixou de dialogar com a oposição, optando pela aliança com pequenos partidos em troca de cargos. Sabemos das consequências.

Para piorar, a partir de 2008 resgatou o nacional-desenvolvimentismo tentado por Geisel e que nos levou à severa crise dos anos 1980.

O resultado com o PT não foi diferente. Fracassaram quase todos os grandiosos projetos iniciados sob a euforia do pré-sal, ainda na década passada. Apesar disso, lideranças do partido insistem em atribuir a crise recente aos erros cometidos após 2013.

A intervenção do setor de óleo e gás começou com Lula, assim como a expansão do crédito subsidiado e as medidas para estimular setores como a indústria naval. O fracasso imenso custou caro. Não se despreza a incompetência incomparável da gestão Dilma, mas Lula iniciou a agenda equivocada.

Em 2014, o governo abusou da expansão dos gastos públicos em meio a uma campanha eleitoral em que demonizou a oposição e prometeu uma coisa para depois fazer outra. O resultado foi uma ruptura que inviabilizou a reconciliação política e a reconstrução da economia.

Por tudo isso, surpreendeu a generosidade de Tasso ao estender a mão em um país dividido, onde ambos os lados têm medo da alternativa por boas razões.

O PT, porém, optou pela soberba. Arrogou-se senhor da razão em vez de reconhecer seus imensos erros na economia, na falta de condenação da opressão na Venezuela e na opção pela política de balcão.

Tasso fez o gesto que o PT não quis entender. Recusar o seu convite ao diálogo foi mais um exemplo da pequenez que nos trouxe a essa polarização disfuncional e preocupante.

Marcos Lisboa

Presidente do Insper, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (2003-2005) e Doutor em Economia.

Khashoggi: vítima da tirania

Editorial do O POVO deste domingo (21) aponta a liberdade de expressão como sentença de orte de jornalista árabe. Confira:

O mundo não cansa de externar o seu horror ao tomar conhecimento dos detalhes horripilantes da morte, sob tortura, dentro do consulado da Arábia Saudita na Turquia, do jornalista do Washington Post, Jamal Khashoggi. Ele foi visto entrando, no último dia 2, na sede da representação diplomática de seu país, em Istambul – onde acorrera para obter um documento – e nunca mais foi visto. Sabe-se, agora, que foi detido, no interior prédio, torturado (teve os dedos de uma das mãos decepados cruamente), decapitado e teve seu corpo retalhado. Tudo praticado por agentes da polícia política da monarquia saudita. Supostas razões: artigos críticos ao príncipe herdeiro de um regime absolutista paparicado pelo Ocidente.

Ele não era propriamente um dissidente, mas sim, um jornalista crítico, inconformado com os padrões medievais do regime. Tanto que teve de abandonar o país, em 2017, por conta da pressão das autoridades locais. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, 32, parece não ter gostado de sua “insolência”. Embora desde que assumiu a direção do gabinete real tenha anunciado tímidas reformas modernizadoras, no entanto, reprimiu, ao mesmo tempo, e levou à prisão ativistas do movimento pelos direitos humanos, feministas, intelectuais e artistas inconformistas.

A última contribuição de Khashoggi no Washington Post (“O que o mundo árabe precisa é de mais liberdade de expressão” – publicada postumamente) recebeu um comentário muito pertinente de sua editora-chefe, Karen Attiah: “Este artigo reflete perfeitamente seu compromisso e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade para a qual parece que ele deu a vida”. Nele, o jornalista lamentava: “Os árabes [com exceção da Tunísia] não recebem informações ou estão mal informados. Não podem falar adequadamente e muito menos falar em público sobre as questões que afetam a região e sua vida cotidiana”.

Ainda em 2014 ele protestara contra a onda de prisões de ativistas: “Existe uma maneira melhor para o reino evitar as críticas do Ocidente: simplesmente libertar ativistas de direitos humanos e interromper as prisões desnecessárias que prejudicaram a imagem da Arábia Saudita”.

Exaltar a memória de mais este mártir da liberdade de imprensa é alertar os povos a não baixar a guarda contra a tirania, pois nunca se sabe qual é sua próxima investida. Antes prevenir, do que tentar remediar tardiamente.

Qual a diferença entre lucro e rentabilidade?

Em artigo sobre indicadores econômicos, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Administração com ênfase em Finanças. MBA em Gestão de Negócios, aponta as principais diferenças. Confira:

Entender a real situação financeira do seu negócio é uma atividade simples pra você? Bem, em finanças usamos alguns indicadores para termos uma visão mais precisa do quadro financeiro de uma empresa, mas continuando com a política de trazer informações simplificadas para o uso prático em sua gestão, vamos entender hoje o funcionamento de dois dos mais importantes indicadores de desempenho financeiro de uma empresa: Lucro e Rentabilidade.

LUCRO LÍQUIDO

Vamos começar o entendimento pela avaliação do lucro líquido, que é uma forma bem rápida e simples de mensurar o desempenho de um negócio. Sua fórmula é o resultado entre todas as receitas menos todos os custos e despesas. Vamos tomar como custos e despesas, por exemplo, matéria-prima, condomínio, aluguel, energia, telefone, internet, impostos, etc. Em caso o resultado seja positivo, sua empresa obteve lucro e em caso negativo, houve prejuízo.

Um exemplo real pode ser dado por: Uma empresa teve uma receita no mês de setembro de 2018 de R$ 40.000,00, e o somatório de seus custos e de suas despesas teve como resultado R$ 25.000,00. Podemos dizer então que, esta empresa obteve um lucro líquido neste mês de R$ 15.000,00.

Saber o lucro líquido é vital para o acompanhamento do desempenho de uma empresa, mas boa parte dos empresários não possui essa informação, e um dos principais motivos é porque não possuem um bom controle administrativo, e este poderia ser feito em uma simples planilha ou mesmo por meio de um bom software. Tão importante quanto ter um bom controle, é manter sua constante atualização.

LUCRATIVIDADE

A diferença básica entre o lucro líquido e a lucratividade é que, o primeiro é expresso em reais e o segundo indica quanto o lucro líquido representa com relação ao faturamento da empresa. Vamos ilustrar com um exemplo bem simples:

As empresas ALFA e BETA obtiveram um lucro líquido de R$ 20.000,00 cada uma, no mês de Agosto de 2018. A empresa ALFA teve um faturamento neste período de R$ 40.000,00 e a empresa BETA obteve um faturamento de R$ 30.000,00 no mesmo período. Apesar de as duas empresas terem conseguido obter o mesmo lucro líquido, a empresa BETA acabou tendo a melhor lucratividade, mesmo que seu faturamento tenha sido menor do que o da ALFA. Vamos entender melhor observando a fórmula:

LUCRATIVIDADE = (lucro líquido/ faturamento) X 100

A empresa BETA teve uma lucratividade de 67%, enquanto a empresa ALFA teve uma lucratividade de apenas 50%.

Por esse indicador o empresário pode chegar a algumas conclusões. Tomando como base a empresa BETA pode ser pensadas algumas as alternativas de melhorias:

– Será que é possível conseguir extrair mais eficiência?

– Quem sabe, reduzir custos;

– Atuar para reduzir gastos em atividades que podem ser suprimidas;

– Buscar alcançar outros fornecedores mais flexíveis;

– Pode haver mais espaço para extrair maior receita naquela linha de negócios
mais lucrativa;

– Precisamos entender se a lucratividade deste negócio representa uma boa
rentabilidade.

RENTABILIDADE

A rentabilidade mede a relação existente entre um investimento e o lucro
líquido.

RENTABILIDADE = (lucro líquido/ investimento total) X 100

Vamos ilustrar um pouco tomando o seguinte exemplo:

Um empreendedor investiu R$ 50.000,00 na montagem do seu novo negócio, e no primeiro mês, obteve um lucro líquido de R$ 2.000,00, logo o negócio teve uma

rentabilidade de 4%. Para este caso enxergamos que o empreendedor tem um negócio lucrativo e rentável. Esses dados podem dar ao empreendedor a informação de quanto tempo ele levará para conseguir reaver o valor do seu investimento inicial.

Considerando que o lucro líquido médio é de R$ 2.000,00 por mês, e tendo como base o faturamento de R$ 50.000,00, em 2 anos e 1 mês o valor investido retornará para o empreendedor. Tal informação é muito importante para que o empresário consiga mensurar de terá fôlego financeiro para aguardar esse período para ter seu investimento de volta.

Avaliar a rentabilidade serve também para entender se o negócio vale a pena, ou se tem outro tipo de investimento que possua uma melhor rentabilidade. Vamos tomar este exemplo para entendermos melhor: determinado negócio exige um investimento total de R$ 100.000,00. Ao se examinar as receitas e despesas, encontramos um lucro líquido de R$ 500,00, ou seja, teria uma rentabilidade de 0,5%. Ponderando que montar qualquer negócio é sempre um investimento de risco, será que o empreendedor não encontraria algo menos arriscado, que lhe traria mais rentabilidade?

Estamos falando em avaliar o custo de oportunidade.

Espero que, com essas explicações, eu tenha conseguido lhes demonstrar a diferença entre lucro e rentabilidade. Bem como demonstrar o quão importantes são estes indicadores para a mensuração de desempenho do seu negócio.

Fabiano Mapurunga

Diretor Executivo da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Administração com ênfase em Finanças. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria. Professor Universitário.

Fake news, WhatsApp e a nossa liberdade

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Em artigo no O POVO deste sábado (20), a jornalista Letícia Alves aponta o aplicativo WhatsApp como um dos principais meios de propagação de boato nestas eleições. Confira:

WhatsApp é o assunto do momento. Começou lá atrás, quando, no início deste ano, veículos da imprensa tradicional e páginas independentes (ou nem tanto) começaram a se organizar para combater a já esperada onda de “fake news” que viria na campanha. A tal onda chegou, e o app de mensagens instantâneas se consolidou como um dos principais meios de propagação de boatos.

Diferentemente do Facebook e do Twitter, onde muito absurdo é compartilhado, o que chega no WhatsApp não tem dono. É uma rede fechada, praticamente impossível de monitorar, onde as pessoas se comunicam em grupos da família, trabalho, faculdade, futebol, salão de beleza etc e além. O ambiente é propício para espalhar informações de todo tipo – falsas e verdadeiras. A própria imprensa tradicional utiliza o app para divulgar notícias.

As acusações de que a campanha do presidenciável Bolsonaro (PSL) estaria usando dinheiro de empresas para comprar pacotes de disparos de fake news via WhatsApp, no intuito de difamar o seu adversário Haddad (PT), são graves. Tão graves que, penso eu, deveriam ter sido feitas com base em informações que fossem além do “a reportagem apurou” – o ônus da prova é de quem acusa, afinal.

Evidentemente que, se o esquema for confirmado, os envolvidos devem ser punidos. É necessário esclarecer, no entanto, que o WhatsApp não é o vilão dessa história. Eu sei que esta é uma afirmação óbvia, mas tem gente que não entendeu.

O Psol chegou a pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a restrição de ferramentas ou a suspensão total do aplicativo até as eleições. Eu mesma, que tenho dedicado meus dias a esclarecer boatos, achei que essa notícia era “fake news”. Não era, e o partido acabou voltando atrás, mas esse rompante é sintomático: vale tudo para combater as informações falsas, até mesmo interferir na liberdade das pessoas?

Há alguns dias, o Haddad chegou a sugerir que, se as pessoas “desligassem” o app por uns dias, o Bolsonaro “desapareceria”. Ora, parece-me simplório demais atribuir a força de uma campanha que vem sendo construída há anos a conversas de WhatsApp. É inegável, porém, que são essas mesmas conversas que podem derrubar uma candidatura se novos fatos sobre o caso forem descobertos. Diante desse cenário, o brasileiro pede por esclarecimentos, justiça e, principalmente, para que deixem seu WhatsApp (e sua liberdade) em paz.

Letícia Alves

Jornalista do O POVO

O cenário eleitoral e o futuro da Rede Federal de Educação Tecnológica

Em artigo conjunto sobre o cenários político atual, a Diretoria Colegiada do Sindicato dos Servidores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará sugere a defesa da educação tecnológica. Confira:

Diante da situação política extremamente grave em nosso País, a diretoria do Sindicato dos Servidores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (SINDSIFCE) avalia os cenários e as perspectivas colocados para a rede federal de educação tecnológica a partir dos resultados eleitorais do primeiro turno.

Teremos um congresso ainda mais neoliberal, que coloca em risco a própria existência dessa rede. Em 2019, a Câmara dos Deputados terá mais representantes da política ultraneoliberal. O chamado “centrão” (DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade), agrupamento que reúne os partidos mais fisiológicos do Congresso, liderado pelo deputado Rodrigo Maia, ocupará 142 cadeiras no parlamento. Esse bloco foi determinante para a aprovação da Emenda Constitucional 95, que congela por 20 anos os investimentos públicos nas áreas sociais. Também foi decisivo para a aprovação da contrarreforma trabalhista e do Ensino Médio, além da lei da terceirização irrestrita, inclusive para os serviços públicos.

O melhor exemplo do avanço dos defensores do Estado Mínimo foi o aumento expressivo do PSL, partido do presidenciável Jair Bolsonaro, que elegeu 51 deputados, segunda maior bancada da Câmara Federal.

Essa turma defende, por exemplo, privatizações irrestritas e ausência absoluta de intervenção do Estado nas relações de trabalho. De acordo com o próprio candidato, as regras contratuais de trabalho deveriam ser estabelecidas, exclusivamente, entre trabalhador e empregador sem interferência do poder público. “Aos poucos, a população vai entendendo que é melhor menos direitos e [mais] emprego do que todos os direitos e desemprego”, disse o candidato num evento, em maio desse ano, na ACRJ (Associação do Comércio do Rio de Janeiro).

No Senado, historicamente ainda mais elitista que a Câmara, o quadro se repete, com a redução do número de parlamentares ligados às forças populares.

Como é sabido, a expansão da rede federal de educação tecnológica só foi possível devido ao aumento do orçamento destinado à educação pública. Nesse sentido, a manutenção dos institutos também está amparada no orçamento da União.

Neste ano, já começamos a sentir os efeitos da redução orçamentária produto da EC 95. Demissões de funcionários terceirizados, cortes nas verbas de capital dos campi, redução dos auxílios estudantis e mais um ano de congelamento salarial são alguns exemplos.

Não temos dúvidas de que a nova configuração do Congresso, somada ao novo regime fiscal aprovado pelo governo Temer, representará mais retrocessos e perigos para o que é mais representativo da rede federal de educação tecnológica: ajudar a democratizar o acesso à ciência e ao conhecimento, ofertando um ensino de qualidade, e oportunizar melhores condições de trabalho e renda para filhos e filhas da classe trabalhadora.

O resultado do segundo turno e o futuro do IFCE

Os caminhos da rede federal de educação tecnológica estão intimamente ligados com o resultado que sairá das urnas no próximo 28 de outubro.

Se o projeto autoritário de educação vencer, teremos a rápida aplicação da reforma do Ensino Médio dentro dos institutos. Um retrocesso para o modelo de Ensino Médio Integrado hoje em vigor.

Se os defensores do projeto “escola com mordaça”, conhecido, demagogicamente, como “escola sem partido”, ganharem, teremos o cerceamento da liberdade de expressão em nome de uma suposta neutralidade no ato de ensinar. Como consequência disso, o ensino de vários conteúdos das humanidades se converterá em prática criminosa. Teremos um ensino tecnológico e superior que não dialogará com as necessidades e diversidades étnica, racial, sexual e de gênero das comunidades e realidades sobre as quais os institutos atuam.

Se o projeto ultraneoliberal ganhar, as parcerias com o setor privado serão apresentadas como a solução possível para os problemas orçamentários, promovendo uma ingerência do mercado sobre os interesses públicos que devem guiar o projeto pedagógico das nossas instituições.

Temos posição: defendemos a rede federal de educação tecnológica!

O SINDSIFCE, ao longo de sua jornada, atua na defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade, socialmente referenciada para aqueles e aquelas que estiveram alijados do direito à educação.

Entendemos que, apesar de vários limites, a expansão da rede nos últimos 14 anos permitiu que, pela primeira vez na história, uma primeira geração de filhos e filhas de famílias pobres tivesse acesso à educação tecnológica e superior de qualidade.

Queremos avançar e não retroceder. Queremos aperfeiçoar e ampliar, e não privatizar ou precarizar o IFCE e os demais institutos. Nas eleições, defenda a rede federal de educação tecnológica.

Diretoria colegiada do SINDSIFCE

O brado por renovação ressoou no Senado Federal

Em artigo no O POVO, a jornalista Letícia Alves aponta que “o resultado das eleições deixa claro o desejo da população de expulsar do Congresso Nacional as velhas práticas políticas”. Confira:

O tal grito por renovação, que os sociólogos e cientistas políticos repetem há anos como um clamor proveniente do povo chegou ao Senado Federal – ao menos quantitativamente. Segundo dados da própria Casa Legislativa, três em cada quatro senadores que buscaram a reeleição foram derrotados. Isso significa que, dentre as 54 vagas que estavam em disputa, 46 serão ocupadas por novos nomes.

Os números mostram uma taxa de renovação recorde, que pode ser ainda maior a depender das disputas aos governos estaduais: no total, poderão acontecer 50 trocas de senadores em 2019. Todo esse cenário tornaram a eleição deste ano a mais surpreendente do Senado desde a redemocratização do Brasil.

Para não falar de renovação somente através de números, vamos dar nomes aos bois: vários estados registraram a queda de políticos tradicionais, a começar pelo Ceará, que deixou de fora o presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB). A derrota dele estava longe de ser vista como provável até a abertura das urnas, que registrou, desde o início da apuração, o emedebista em terceiro lugar.

Uma chance, mesmo mínima, de vitória do Eduardo Girão (Pros), eleito com pouco menos de 12 mil votos de diferença, sequer foi registrada na pesquisa Ibope divulgada no dia anterior. O instituto dava a Eunício uma vantagem de 15% de votos válidos. Um resultado inesperado também foi registrado no Maranhão: a família Sarney não elegeu nenhum senador nem governador no estado após décadas de poder.

Em São Paulo e em Minas Gerais, dois figurões que despontavam em primeiro lugar nas pesquisas não conseguiram a vaga: foram Eduardo Suplicy (PT) e Dilma Rousseff (PT), respectivamente. Também ficaram de fora Romero Jucá (MDB-RR), Magno Malta (PR-ES), Cristovam Buarque (PPS-DF), Roberto Requião (MDB-PR) e Lindbergh Farias (PT-RJ), dentre tantos outros políticos tradicionais que buscavam a reeleição.

Uma parte desses números é reflexo da “onda Bolsonaro”, que ficou mais evidente na Câmara dos Deputados com o crescimento impressionante do PSL, partido do presidenciável. De forma geral, porém, o resultado deixa claro o desejo da população de todo o País de expulsar do Congresso Nacional as velhas práticas políticas. A esperança é de que haja uma mudança real e não somente uma substituição dos discursos já empoeirados dos políticos de sempre.

Letícia Alves

Jornalista do O POVO

Conheça os sete sinais de uma gestão financeira ineficiente

Em artigo sobre os riscos na atividade empresarial, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Administração com ênfase em Finanças, MBA em Gestão de Negócios, aponta os possíveis pontos de evasão de capital. Confira:

Grande parte das empresas trava uma batalha diária em busca de aumentar suas vendas, através da conquista de mais clientes, ou mesmo da busca por atingir novos mercados. Seu foco passa a estar muito direcionado para o aumento compulsivo do seu faturamento, como se isso fosse a única maneira de aumentar sua lucratividade, e trazer mais saúde para suas operações. Acabam deixando em segundo plano um dos pontos mais cruciais para a sustentação do seu negócio, que é a forma como faz a sua gestão financeira. Aí se esconde, grande parte das imperícias que podem fazer ruir todos os esforços empresariais.

Uma gestão financeira eficaz, deve ser capaz de conter os possíveis pontos de evasão de capital da empresa, desenvolvendo controles que possam fazer o monitoramento de suas operações, de uma maneira sistêmica e, até mesmo, conseguindo isolar a visão de cada área, para se ter a possibilidade de se visualizar onde se pode fazer alguma ação de redução de custos, com base na margem de contribuição que cada Centro de Custos apresenta no todo. Além dos controles, é necessário que essa gestão financeira tenha a capacidade de construir uma boa rede de relacionamentos, com todos os componentes de sua cadeia produtiva (Clientes, Fornecedores, Parceiros, etc).

Existem alguns sinais que devem ser vistos como alarmes para definir que a sua Gestão Financeira está ineficiente e causando graves riscos para a continuidade das atividades da sua empresa. São estes alguns:

A – Faturamento despencando

Vamos ter na cabeça sempre que, toda venda deve ser seguida de lucro, e que esse lucro deve ser capaz de ser suficiente para amparar todos os custos que estejam atrelados ao seu negócio. E ainda auferir um resultado líquido que atenda às expectativas dos acionistas. A questão aqui é que, o gestor financeiro tem de ser capaz de saber calcular essa margem de lucro de uma maneira que obedeça a dois critérios essenciais: o primeiro é, que o lucro seja capaz de suprir os custos agregados e ainda sobrar um líquido que esteja dentro das expectativas de lucro dos acionistas, como já comentado anteriormente. O segundo é, que esta margem de lucro não deixe o produto acima dos preços praticados no mercado, sob pena de fazer com que não se consiga vender, ficando assim retido no estoque e acarretando mais dispêndio financeiro (Produto parado em estoque é dinheiro parado – quanto maior for seu giro de estoque, maior é a capacidade de a empresa gerar caixa).

O fato do preço estar acima dos praticados no mercado, pode acarretar uma queda drástica no faturamento porém, outros fatores externos também podem estar provocando esta queda. O Gestor financeiro deve ter a capacidade de identificar quais pontos estão contribuído para esta baixa e, de uma forma planejada, tomar as medidas necessárias para reverter esse quadro.

B – Tomadas constantes de empréstimos, sejam em bancos ou outros agentes.

Aqui se encontra um dos sinais mais críticos de uma gestão financeira ineficaz. Quando a empresa começa a tomar empréstimos para “apagar incêndios”, ou seja, para pagar contas essenciais que deveriam estar sendo cobertas pela sua atividade operacional convencional, realmente se chegou a um ponto muito crítico, e ficou claro que a gestão financeira não foi capaz de tomar medidas preventivas para não se chegar a esse ponto.

Ocorrerá um afogamento do caixa da empresa, pois o acumulo de juros, IOF e outros encargos provenientes dos empréstimos sucessivos, irão corroer os já depreciados lucros, e isso empurrará a empresa para uma rua sem saída. Surgirão então as restrições financeiras, e aí todos os outros fornecedores também começarão a inflexibilizar suas negociações. O cerco se fecha.

C – Mistura das finanças da empresa com as pessoais

Um dos erros mais comuns, principalmente em empresas familiares, é a confusão que se faz entre o caixa da empresa e a retirada dos sócios. A empresa tem suas obrigações bem definidas para se conseguir manter operando, os sócios devem conseguir sobreviver com uma retirada “X”, que esteja dentro da capacidade de pagamento da empresa. Se o caixa fiar sofrendo sangrias constantes e sem programação, é obvio que as contas que estavam previstas como pagamento de impostos, pagamentos de fornecedores, pagamentos de funcionários, etc, ficarão comprometidas.

Esse é um clássico indicador de que a sua gestão financeira precisa de uma reordenamento disciplinar urgente.

D – Fornecedores enviando títulos para protesto

Uma das maneiras mais saudáveis de se financiar a operação de uma empresa, é através dos créditos e prazos concedidos pelos fornecedores porém, se a situação financeira da empresa chegou ao ponto de não estar mais permitindo cumprir com as obrigações assumidas com os mesmos, e estes já começaram a enviar seus títulos para protesto, é porque a forma como a sua gestão financeira vinha atuando, não se antecipou de forma clara e coerente ao ponto de conseguir desgastar o relacionamento do seus principais agentes financiadores. É preciso então reverter essa imagem através de negociações plausíveis. Lembre-se sempre que os seus fornecedores são um dos ativos mais preciosos da sua empresa.

E – Impostos atrasados

Como dito anteriormente, o gestor financeiro deve ser capaz de calcular sua margem de lucro de uma maneira que este supra seus custos e deixe um líquido que atenda às expectativas dos acionistas. Dentre esses custos estão os impostos. Logo, ao auferir a venda, a gestão financeira já deve ir provisionando o recurso necessário para pagamento dos impostos, caso isto não esteja sendo feito, logicamente ela acabou destinando os recursos para outro fim que não o devido. A consequência desse não pagamento de impostos, pode ser inclusive a execução judicial dos bens da empresa, e se caso essa penhora não seja suficiente, os bens dos sócios podem ser arrolados no processo.

Não deixem as dívidas com impostos se acumularem, procurem com urgência o respectivo órgão, e façam um parcelamento que esteja o mais próximo possível de sua capacidade financeira.

F – Não possuir controle do fluxo de caixa

Uma empresa que não possui um fluxo de caixa está à deriva em mar aberto, está entregue à própria sorte. Pois não consegue ter uma visão dos compromissos já assumidos, e isso pode acarretar em um endividamento incontrolável. Não possuir uma controle eficiente de fluxo de caixa é a prova cabal de que a empresa não possui uma gestão financeira.

G – Uso constante do cheque especial

Usar o cheque especial de forma constante, é a mesma coisa de se estar tomando doses diárias de veneno. Essa é a linha de crédito mais cara que existe, e não foi desenhada para ser usada como capital de giro, como muitas empresas fazem. Ela só deve ser usada em momentos extremos e de forma isolada. E mesmo assim, existem outras linhas que são muito mais baratas e que podem ter a mesma finalidade do cheque especial, como por exemplo, uma conta garantida.

O volume impagável de juros que superam em muito a margem de lucro, que se pode colocar em seus produtos, acabará aumentando em progressão geométrica chegando a um ponto que obrigará a empresa a fazer um parcelamento, ou mesmo a tomar uma linha mais barata para cobrir esse buraco. Fujam ao máximo do cheque especial.

Como vimos, a gestão financeira se constitui como o alicerce de qualquer negócio. Todas as operações da empresa dependem do bom funcionamento do financeiro, e por isso ele deve ser administrado de forma profissional e responsável.

Fabiano Mapurunga

Diretor Executivo da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Administração com ênfase em Finanças. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria. Professor Universitário. Contato: fabianomapurunga@hotmail.com / Whatsapp: (85) 99602.4558

Na contramão da História

Em artigo no O POVO deste sábado (13), a jornalista Regina Ribeiro aponta que os “discursos em torno do que temos chamado de direita brasileira mais parece uma epidemia de cegueira histórica e social que quer impor pela violência que seja, ou por quaisquer outros métodos um modelo de família, de povo, de País”. Confira:

Dia desses, li um artigo da atriz e escritora Fernanda Torres no qual ela narrava a luta pessoal que trava há anos com a filosofia. No texto, abordava a dificuldade de encarar algumas leituras que parecem prescindir de outras e como as larga, para depois retomá-las. Senti-me em plena identificação. Há anos que luto para ler Espinosa. Comecei com Ética e abandonei a leitura até o lançamento de A nervura do real, de Marilena Chauí, que eu dei início na esperança de retornar ao próprio filósofo. Não avancei muito. Isso até semana passada, quando li A tirania do amor, de Cristóvão Tezza.

Foi o novo livro de Tezza que me abriu uma nova vontade de retornar Espinosa, desta vez com determinação. O personagem central de A tirania do amor é um economista, Otávio Espinhosa que, no pior de sua vida, decide abandonar por completo a vida sexual. Criado apenas pelo pai, Espinhosa é um gênio da matemática. Consegue fazer de cabeça qualquer operação complexa do tipo a raiz quadrada de qualquer número absurdo. Quando jovem, escrevera um livro de autoajuda, A Matemática da Vida, assumindo um pseudônimo de Kelvin Oliva. Numa só tacada, o autor aborda o imbróglio político em vigor no Brasil e os dilemas das elites interesseiras que nos regem, tudo isso sem perder o bom humor e ainda com um toque filosófico.

Esse Espinhosa de ficção me fez querer voltar a Espinosa de verdade, o filósofo escorraçado da própria comunidade judaica, em 1656, aos 23 anos, por ousar ter pensamentos próprios sobre Deus e religião. Isso aconteceu bem antes dele escrever Ética e o Tratado Teológico-Político, esse último, sim, foi o que motivou um escarcéu em nível ainda maior, mesmo que tenha sido publicado anonimamente. Se a excomunhão tinha feito dele um homem que devia ser evitado e combatido por suas ideias nefastas para o povo, após o Tratado, que contém o que hoje chamamos de era secular, tornou-se a bem dizer um verdadeiro inimigo da reunião dos Países Baixos.

Desde o último fim de semana, estou às voltas, portanto, com Um livro forjado no inferno, do filósofo Steven Nadler, que se propõe a contar a história da obra que mudou a forma de concebermos e defende a não participação de eclesiásticos nos negócios do Estado e que apresenta uma nova leitura para a Bíblia e o Espinosa chamava de uma verdadeira religião. Era o século XVII, mas enquanto leio sobre o ambiente em que Espinosa viveu, não há como não pensar nos religiosos contemporâneos que insistem em defender um Evangelho que esteja de acordo com o barbarismo em torno da campanha de Bolsonaro.

Espinhosa estava frente a frente com os dilemas do seu século: o que fazer com o conservadorismo religioso diante do liberalismo econômico da época. No Brasil de hoje o que temos é uma tentativa de empurrar um falso liberalismo que não respeita as liberdades em nome de um conservadorismo perigoso. O que isso produziu até o momento foi uma violência, um ódio que alguns sequer tentam dissimular, e agressões que não mais se conformam com a retórica beligerante das mídias sociais e que estão extravasando em corpos reais. Espinosa lutou pela liberdade de filosofar. No Brasil, se instalou uma luta surda e cega para que não tenhamos mais tal liberdade, conquistada a duras penas há séculos de construção social e política.

Aliás, os discursos em torno do que temos chamado de direita brasileira mais parece uma epidemia de cegueira histórica e social que quer impor pela violência que seja, ou por quaisquer outros métodos um modelo de família, de povo, de País. Estamos visivelmente na contramão da História.

Regina Ribeiro

Jornalista do O POVO

O Coronelismo espiritual

Com o título “Coronelismo espiritual”, eis artigo do padre Ermano Allegri, coordenador do Movimento Fé e Política. Ele analisa o cenário da disputa presidencial do momento. Confira:

Falo dos votos de cabresto de católicos, protestantes, evangélicos e espiritualistas que votam cega e ingenuamente em candidatos e partidos de direita sob a orientação de pastores, bispos, padres, conselheiros espirituais que não acordam diante da tragédia que estamos vivendo. Há cristãos que usam a Bíblia para assaltar a população e pregam um deus pagão a serviço de interesses de “devotos” e de projetos de dominação social. A serviço deles, foi criada a teologia da prosperidade que legitima as práticas do liberalismo: é a base da “indústria da fé”.

Na votação do impeachment contra Dilma Rousseff, cerca de 100 deputados derrubaram a presidente eleita – “em nome de Deus”. Nunca vi o nome de Deus tão blasfemado. Esses mesmos políticos cortaram Bolsas Família, direitos trabalhistas, milhões de empregos, verba da saúde e da educação. Milhões de famílias estão na miséria e eles continuam pedindo votos em nome de Deus.

A responsabilidade está nas igrejas: pregam uma fé individualista, fora das tragédias da humanidade. E o compromisso com a Paz, a Justiça, o Reino de Deus? Foi a primeira e grande preocupação de Jesus Cristo. O desespero da população, o moralismo, a obtusidade das elites, prepararam o terreno para um “salvador” armado de um populismo barato com seu lema “Deus acima de todos”. Ele promete varrer os males com mão forte.

O caminho da violência incentivado pela mídia pega fácil nas almas sofridas. Mulheres “pecadoras”‘, samaritanos e pagãos, leprosos e doentes do tempo de Jesus são, hoje, índios, pobres, gays, negros. Do desprezo ao ódio o passo é curto. Para chegar à paz social, esse “salvador” defende a tortura, a pena de morte e as armas nas mãos da população. Todo dia, assistimos à escalada da violência deste grupo contra adversários políticos e setores excluídos. Isso deve abrir os olhos dos cristãos-voto-de-cabresto. Ou vão votar ainda nos lobos disfarçados de ovelhas?

Com seus limites, a candidatura concorrente pode ser o espaço para derrubar o projeto fascista e unir todos que querem democracia e esperança. Amplos setores das igrejas defendem esse projeto. Hoje, não há outra escolha: democracia ou barbárie. Diz São Paulo: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão” (Gálatas 5,1).

*Padre Ermanno Allegri

ermanno2009@gmail.com

Coajudor na paróquia de São João Paulo II, articulador do Movimento Fé e Política.

O dia do voto

Editorial do O POVO deste domingo (7) atenta que “ao digitar o número na urna, não se deve estar apenas escolhendo um candidato, mas o tipo de sociedade que se quer para viver”. Confira:

Ainda não se sabe qual será o resultado das urnas no dia de hoje. De qualquer modo, e infelizmente, havendo ou não segundo turno, o Brasil chegará ao fim destas eleições profundamente dividido, independentemente de quem for eleito para presidir o País.

Portanto, só resta augurar que se crie um mínimo de boa vontade para que o edifício institucional se mantenha de pé, sob o abrigo da coberta dos direitos humanos, que lastreiam nossa ordem jurídica democrática de 1988, e que são o “sal da terra” em qualquer parte do mundo civilizado.

Assim, será preciso manter a calma e a prudência, pois o resultado da eleição representará a vontade soberana dos eleitores brasileiros. A alternância de poder é própria das sociedades contemporâneas democráticas.

Em qualquer caso, mais do que nunca, temos de nos agarrar à Carta Maior, que estabelece em seu artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade…”, estabelecendo a igualdade entre homens e mulheres, proibindo a tortura e o tratamento desumano ou degradante, e garantindo a liberdade de pensamento entre outros direitos fundamentais.

Frente a isso, cada um deve empunhar o voto como o pedreiro empunha sua colher instrumental para erguer edificações. E, ainda, corrigir prumos com vistas a manter de pé os esteios da casa comum do Brasil e ampliar cada vez mais seu teto, para que ninguém fique ao relento por causa da diversidade de ideias, de condição social, cor da pele, crença religiosa ou filosófica e condição de gênero.

Ao digitar o número na urna, não se deve estar apenas escolhendo um candidato, mas o tipo de sociedade que se quer para viver: justa ou injusta; socialmente equilibrada ou desigual; inclusiva ou exclusivista; solidária ou egoísta; tolerante ou preconceituosa; democrática ou autoritária; pacífica ou violenta; humana ou desumana; civilizada ou bárbara.

Examine, precavidamente, se seu candidato tem o perfil adequado para lhe proporcionar o tipo de sociedade que você almeja. Boa sorte.

Proteção patrimonial e planejamento sucessório

Em artigo sobre carga tributária em processos de tramitação de bens por herança, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Administração com ênfase em Finanças e MBA em Gestão de Negócios, aponta estratégias de proteção de patrimônio. Confira:

Atualmente, muitas famílias estão procurando apoio de profissionais ligados à área jurídica e tributária, a fim de se fazer um planejamento sucessório para resguardar seu patrimônio. Esse movimento tem como fato gerador a elevada carga tributária que incide sobre os processos de tramitação de bens por herança.

Vamos com este artigo, tentar lhes trazer um pouco mais de conhecimento, sobre o funcionamento do planejamento sucessório e sua importância para desenvolver estratégias de proteção de patrimônio.

MAS O QUÊ É UM PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO?

De uma forma simples e objetiva, o planejamento sucessório se constitui em um
conjunto de estratégias para proteger os bens de uma família. Tal estratégia tem
como foco a organização e a destinação de todos os bens que compõem a estrutura global da família, como imóveis, empresas de propriedade da mesma, investimentos, qualquer bens móveis, bem como os valores em moeda.

O planejamento sucessório prima por tentar amenizar os custos atrelados à transmissão dos bens, como: inventário, honorários advocatícios e todos os impostos de transmissão. Muitos desses processos de transmissão de bens, podem demorar anos e com isso, acarretam várias despesas que podem reduzir significativamente o patrimônio, além dos desgastes de relacionamento entre os familiares.

QUAL A IMPORTÂNCIA DE PROTEGER O PATRIMÔNIO FAMILIAR

São vários os motivos e o mais pungente, em nosso momento atual, é a nossa crise política e econômica, que transforma o cenário nacional em um turbilhão de imprevisibilidades para todos nós brasileiros. Ficar aguardando o desenrolar dos acontecimentos para depois tomar uma atitude, não é uma estratégia muito saudável para nosso patrimônio.

O planejamento vai assegurar como o patrimônio poderá ser utilizado em necessidades futuras. Por isso adotar uma política de proteção patrimonial se faz importante, para nos trazer segurança, mais estabilidade e garantias para um futuro com mais conforto.

O Planejamento Financeiro traz uma vital importância para as empresas, assim como o Planejamento Sucessório traz proteção, segurança e conforto para as famílias

A INFLUÊNCIA DO PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO NA PROTEÇÃO PATRIMONIAL

O planejamento sucessório é fundamental para se garantir a proteção patrimonial, pois sem ele fica muito incerto e quase impossível, buscar um caminho para conseguir reduzir os impostos, bem como proteger os bens contra terceiros. Devemos entender que as situações familiares podem se tornar bem complexas para se realizar a transmissão dos bens, em virtude de inúmeras situações que podem ocorrer como: casamentos, novos cônjuges e nascimentos. Sem um planejamento a confusão pode ser muito grande.

Uma das situações que pode provocar maior complexidade e dispêndio é na transmissão de bens que se faz necessário após o falecimento de um dos membros da família. O Planejamento trará uma redução drástica na burocracia e mesmo no desgaste entre os membros das famílias, sem falar na redução dos custos.

Não obstante de qualquer outro procedimento, o planejamento sucessório deverá sempre estar em consonância com todas as regras da legislação brasileira.

A CRIAÇÃO DE UMA HOLDING FAMILIAR COMO ESTRATÉGIA DE PROTEÇÃO

Uma holding familiar é uma empresa que possui o controle patrimonial de uma ou mais pessoas físicas de uma mesma família.

A criação de uma holding familiar pode assegurar que o processo de sucessão de patrimônio transcorra de forma mais tranquila, de uma maneira que se evitem as já famosas e desgastantes discussões familiares, que são sempre muito improdutivas e que acabam por causar verdadeiras cisões entre as famílias.

De forma prática, as sociedades que constituem a holdings familiares, podem permitir que sejam agregados todos os bens da família, e assim o planejamento sucessório conseguirá montar o tramite para redução de tributos, conforme os interesses de cada um.

Vejamos alguns pontos positivos na estratégia de criação de uma Holding Familiar:

– Possibilidade de se construir normas de sucessão envolvendo a pessoa jurídica;

– Elaboração de cláusulas de restrição de direito sobre os bens, organizando por divisão de quotas, doações, inalienabilidade, ou outros aspectos que a sociedade julgar necessários;

– Permite a redução tributária significativa sobre os bens, tanto em vida, quanto após o falecimento de um dos sócios.

– Se constitui como uma importante estratégia para se planejar a sucessão em vida, o que evita com que os herdeiros precisem abrir um burocrático e dispendioso processo de inventário.

SEGUEM AQUI, SE FORMA RESUMIDA, ALGUMAS VANTAGENS DE SE FAZER UM PLANEJAMENTO
SUCESSÓRIO

– É possível se fazer uma divisão antecipada dos bens;

– Pode-se antecipar as despesas de transmissão dos bens;

– Possibilidade concreta de se fazer a previsão das despesas de transmissão;

– Redução drástica dos conflitos entre os herdeiros;

– Redução dos tributos;

– Diminuição das burocracias que são comuns em processos de inventários;

– Redução das despesas em geral, como honorários advocatícios, tributos e outras
taxas;

– O detentor principal dos bens poderá observar como os herdeiros vão conduzir os bens que lhe forma conferidos, o que pode inclusive lhe permitir assessorar estes, na melhor forma de administrar esses bens.

ALGUMAS OBSERVAÇÕES DEVEM SER LEVADAS EM CONTA PARA SE FAZER UM BOM PLANEJAMENTO
SUCESSÓRIO

1 – Um bom planejamento sucessório deve ser feito por profissionais habilitados em experientes, tanto na área jurídica, quanto na área contábil;

2 – Deve ser levado em conta as particularidades de cada família, rol de bens, o objetivo da partilha, a ocupação de cada membro da família, etc.

Este assunto é de grande relevância e complexidade, por isso sugiro, que procurem profissionais competentes e responsáveis para lhes auxiliarem nesse processo.

Fabiano Mapurunga

Diretor Executivo da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Administração com ênfase em Finanças. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria. Professor Universitário.

Dia de reflexão

Editorial do O POVO deste sábado (6) aponta para o papel do eleitor em saber escolher os próximos representantes do destino do País. Confira:

O dia anterior a uma grande decisão – como é o caso desta véspera de eleição – deve servir de pausa para a reflexão ponderada, quando se quer ter maior segurança sobre o que se vai fazer e estimar as consequências que podem advir dessa decisão, não só para a pessoa em particular, mas, para o conjunto da sociedade. A democracia é o melhor regime para se consertar eventuais erros de percurso e avançar com mais segurança, pois possibilita a crítica aberta. Um regime autoritário – à direita ou à esquerda -, ao contrário, considera-se dono da verdade, estando sempre pronto a retaliar quem aponta alternativas que se choca com a visão oficial. A democracia apoia-se na metodologia da tentativa e erro, que é o próprio método usado pela vida.

Assim, é bom fazer um perfil do candidato para ver como ele se enquadra nessa perspectiva em defesa das liberdades.

Outra qualidade da democracia é agregar gente para tirar da pluralidade de percepções a radiografia das várias facetas da realidade e assim ter uma visão mais completa do real – que quase sempre é complexo. Já a perspectiva autoritária é linear, exclusiva e tende a absolutizar uma faceta do real, a partir da qual tira o restante do quadro, simplificando-o, a ponto de desconfiar de quem tenta mostrar angulações diferentes.

O líder democrático busca convencer pelo argumento, o autoritário pela força, fazendo da imposição o principal instrumento de “persuasão”. Um dirigente desse naipe, quando erra, arrasta multidões ao erro, por considerar ser portador da visão “certa”, não ouvindo ninguém. Já quem age democraticamente, ensejando o debate prévio, auscultando a sociedade, tem mais oportunidade de ser advertido de eventual erro. O outro tipo de liderança tende a fazer tudo curvar-se à sua visão e a lançar mão de instrumentos autoritários para fazer valer sua vontade.

Trabalhar dentro das regras constitucionais e sujeito aos controles institucionais é algo de difícil assimilação para o autoritário, por isso, diante de uma contrariedade, pode colocar tudo a perder. Essas características servem não apenas para identificar a personalidade, mas, igualmente o grupo, facção ideológica ou corporativa que age segundo um modelo ou outro de gestão do poder.

Os regimes democráticos também têm seus problemas, mas abusos de suas lideranças e de seu entorno podem ser controlados pelos meios institucionais consagrados, como está acontecendo no Brasil, desde a Constituição de 1988. No entanto, ao contrário disso, um regime autoritário sempre busca submeter todas as instituições ao seu controle, destruindo as bases da convivência democrática. Boa reflexão.

Chamado à razão

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Em artigo sobre o atual período eleitoral, o jornalista e sociólogo Demétrio Andrade avalia o desempenho de Bolsonato. Confira:

Há pouco mais de um mês, dando aula para meus alunos do MBA da Unifor, afirmei que Bolsonaro não iria ao 2º turno. Não tinha tempo de TV, recursos financeiros, capilaridade política e nem gente pra fazer campanha. A lógica dos pleitos que participei fazia-me crer, a priori, que candidatos do PT e do PSDB iriam novamente pro embate final. Pelo visto, errei pela metade. Afinal, política não é uma ciência exata.

Mas a questão central é: como e por que um candidato sem as condições listadas acima, com discurso medíocre e de um partido nanico chegou onde chegou? Acho que devia alguma explicação aos alunos e, principalmente, para mim mesmo sobre o fato. A história deverá debruçar-se sobre este episódio com mais clareza daqui a alguns anos, mas o presente nos oferece algumas pistas.

Em primeiro lugar: a campanha de 45 dias. O “tiro curto” – trocadilho infame, mas verdadeiro – favoreceu o candidato do PSL tão aferrado às armas. Primeiro, porque, num primeiro momento, com Lula adiante e podendo vencer no 1º turno, o PT era o alvo. Ele não foi levado a sério e cresceu livre e solto. Quando os demais candidatos viraram a artilharia contra ele, sua liderança já estava num percentual elevado e, o que é mais importante, sem tempo para queda (o que poderá ocorrer num 2º turno). Arrisco-me a dizer que, caso a campanha fosse mais longa, a tendência seria a de desidratação.

O tempo também foi cruel com Alckmin, que se viu rapidamente rifado por várias lideranças tucanas e aliadas ao não esboçar crescimento nas pesquisas. Para continuar falando de armamentos, o episódio da facada – condenável, sob todos os aspectos – teve importância menos pela comoção e mais para servir de desculpa perfeita para que entrevistas e debates fossem descartados. Afinal, as intervenções públicas do atual líder variam entre a nulidade e o desastre.

Além disso, a cada dia fica mais claro para mim que o voto do militar não é dele, ou seja, não lhe é dado por suas pretensas qualidades ou propostas, mas pela necessidade de negação de parte do eleitorado ao PT. E aqui cabe um parêntese: mesmo sob pancadaria há anos – com justiça ou não – o partido é, novamente, o eixo central decisivo de uma eleição presidencial, dividindo o Brasil entre quem o admira ou odeia, mostrando uma impressionante vitalidade.

Finalmente, tenho que registrar que, infelizmente, caiu por terra o mito da cordialidade brasileira. Um terço da população tirou do armário – provavelmente sem se dar conta – seu apego à violência, à arbitrariedade, à homofobia, ao racismo, ao machismo, à misoginia. Ao mesmo tempo, mostra-se sem paciência para a democracia e despreparada para aceitar a busca da igualdade social, econômica e política. O candidato que teve o despudor – outros talvez pensem igual mas têm vergonha de admitir publicamente – de gritar a favor de tais impropérios saiu na dianteira.

Aproveito para deixar claro que, como cidadão, não posso apoiar quem não possui o mínimo preparo para administrar a coisa pública e ainda se vangloria da própria burrice. Como democrata, rejeito quem usa a violência como método para resolver problemas. Como ser humano, abomino quem discrimina homossexuais, negros ou mulheres. Como cristão, repudio a tortura, a perseguição e a morte de quem quer que seja. Principalmente, usando o nome de Deus para justificar tal atrocidade. Como brasileiro, não quero isso para o meu país, para meus filhos e nem para quem possa considerar inimigo. #EleNão.

Demétrio Andrade

Jornalista e sociólogo

Mercado de seguros – Proteger o patrimônio é fundamental

Em artigo sobre proteção patrimonial, o consultor financeiro Fabiano Mapurunga, Mestre em Administração com ênfase em Finanças e MBA em Gestão Financeira e Controladoria, aponta como funcionam as seguradoras. Confira:

Tanto trabalho e investimentos que depositamos em nosso cotidiano, com o objetivo de conseguirmos mais conforto e segurança, e muitas vezes, não tomamos medidas para proteger os bens adquiridos e nem tão pouco, a nossa própria vida. Vamos comentar um pouco hoje, sobre o mercado cada vez mais crescente, dos seguros.

O mercado de seguros, que são regulados pela SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) vem em uma crescente e teve um pico em julho deste ano, acompanhado pela expansão estimada na economia que foi de 0,6%.

É muito importante para todos nós, usuários de seguros, conhecermos quais os órgãos que os regulam no Brasil, e como funciona a operação destes, bem como entender a estrutura geral deste mercado, que se dá da seguinte forma:

ESTRUTURA BÁSICA

– Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP;

– Superintendência de Seguros Privados – SUSEP;

– Resseguradores

– Sociedades autorizadas a operar em seguros privados

– Corretores habilitados.

ESTRUTURA COMPLEMENTAR

– IRB Brasil Seguros S/A – IRB Brasil Re;

– Agência Nacional de Saúde Suplementar;

– Escola Nacional de Seguros.

Logo percebemos que o mercado de seguros possui uma estrutura regulatória que incorpora muita confiança para nós usuários, assim como também percebemos que tal estrutura de regulação deve propiciar proteção para todas as partes envolvidas (Seguradoras, clientes e corretoras).

Ilustro abaixo com dados da própria SUSEP, um panorama de produção que denota o crescimentos da aquisição de seguros em nosso país:

O assunto sobre seguros é bastante vasto e nossa intenção foi causar uma provocação pela busca do leitor por mais informações, onde sugiro o próprio site da SUSEP: http://www.susep.gov.br/. Praticamente todas as modalidades profissionais possuem seguros, assim como quaisquer outras modalidades de nossas vidas. É muito importante procurar contar com o apoio de corretoras de renome para construir a estrutura de seguro que mais se adeque a sua necessidade.

Fabiano Mapurunga

Diretor Executivo da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em
Administração com ênfase em Finanças. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão
Financeira e Controladoria. Professor Universitário.

Bolsonaro… Haddad… Ciro… e a matemática que não fecha

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Em artigo sobre as eleições deste ano, o jornalista Nicolau Araújo questiona os números dos institutos de pesquisa. Confira:

Um candidato que venceria a todos os demais, em um eventual segundo turno, mas sem chance de passar do primeiro turno.

Os dados das pesquisas de intenções de voto ao Palácio do Planalto, pelos institutos Ibope e Datafolha, contradizem a teoria dos conjuntos, quando a interseção seria maior que a união.

Ciro Gomes, candidato a presidente da República pelo PDT, caso não venha a disputar um eventual segundo turno, já entra para a história das eleições ao Palácio do Planalto como a maior aberração das pesquisas eleitorais. Nunca antes um terceiro colocado em pesquisas de intenções de voto bateu com facilidade o primeiro e também o segundo candidato melhores pontuados na preferência do eleitorado. Acredito que, caso confirmado o que expõem os dois institutos, o fato não se repetirá pelas próximas décadas.

Assim como tem ocorrido, desde a redemocratização do Brasil, por meio do voto direto, os institutos de pesquisa deverão realizar às vésperas da eleição um “ajuste” nos percentuais de Ciro, que deverá chegar ao empate técnico com o candidato do PT, Fernando Haddad, mas menos consolidado no imaginário do eleitorado, quando muitos acreditam no pedetista já fora da disputa.

Foi o que ocorreu na última eleição ao Palácio do Planalto com o tucano Aécio Neves, que até uma semana antes do primeiro turno não haveria como disputar com a petista Dilma Rousseff um eventual segundo turno, diante da folga de nove pontos percentuais de Marina Silva, então segunda colocada nas pesquisas de intenções de voto. Como mágica, o tucano apareceu em empate técnico com Marina, na última pesquisa divulgada na véspera da eleição, mas à frente 12 pontos percentuais, após a abertura das urnas. O prejuízo no imaginário do eleitorado foi grande para Aécio, que enfrentou uma corrida contra o tempo entre eleitores que não esperavam sua presença no segundo turno, além da frustração do eleitorado de Marina Silva, quando muitos responsabilizaram o tucano pela ausência da então candidata.

No atual cenário, as pesquisas também se mostram alheias aos fenômenos que costumam definir uma eleição. De acordo com os institutos, Ciro Gomes não é um dos herdeiros da expressiva pontuação do ex-presidente Lula, antes do TSE rejeitar sua candidatura ao Palácio do Planalto, em julgamento ocorrido em 31 de agosto último. Segundo as últimas pesquisas, Haddad tem avançado sobre Marina Silva para alcançar hoje os supostos 22 pontos percentuais, além de poucos indecisos.

Mesmo quando Haddad foi oficializado candidato do PT, em 11 de setembro, Ciro Gomes se manteve com 13 pontos percentuais, até a última pesquisa, 17 dias depois, quando caiu dois pontos, sem qualquer fenômeno que explicasse a queda de um candidato com percentual consolidado.

Enquanto isso, os institutos seguem como árbitros de futebol, que muitas vezes interferem nos resultados de jogos, nos últimos minutos, com gols de impedimento ou penalidades inexistentes. Com o eleitorado sem direito ao árbitro de vídeo…

Nicolau Araújo, jornalista

A confortável reeleição de Camilo Santana

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Em artigo no O POVO deste sábado (29), a jornalista Letícia Alves diz que definição da eleição ao Palácio da Abolição, em primeiro turno, segundo pesquisas de intenções de voto, impede o debate com mais profundidade neste momento de crise. Confira:

Se os resultados das pesquisas para o Governo do Ceará se confirmarem no dia 7 de outubro, Camilo Santana (PT) será reeleito sem grandes aperreios – e sem segundo turno. Segundo o Ibope divulgado na segunda-feira, 24, o petista conta com 69% das intenções de voto, enquanto o General Theophilo (PSDB) ocupa o segundo lugar com apenas 7%.

A tranquilidade experimentada pelo governador até este momento da campanha não representa o cenário deste seu primeiro mandato, marcado por turbulências. Mal havia recebido a chave do Palácio da Abolição, ele enfrentou surto de sarampo e protestos de médicos contra corredores lotados dos hospitais.

O problema na saúde logo deu lugar à insegurança: ataques de criminosos a postos policiais, rebeliões em presídios e até ameaça de carro bomba na porta da Assembleia Legislativa. A partir da segunda metade do mandato, a força das facções criminosas tomou conta dos noticiários e do dia a dia da população: ataques a ônibus, expulsão de moradores de suas casas, chacinas.

Não se pode esquecer da seca, além, é claro, da grave crise econômica e política na qual o País está mergulhado. Evidentemente que Camilo não é o culpado direto de todos esses problemas, mas também não é possível isentá-lo por completo do que acontece no seu Estado.

As críticas dos adversários, sobretudo na área da segurança, não parecem estar fazendo efeito. Isso porque, além de estar na frente nas pesquisas, Camilo ainda é o candidato com menor taxa de rejeição. É um cenário extremamente confortável para ele, apesar da crise.

Esses números podem ser explicados sob diversas perspectivas. Na visão do governador, eles provariam o quanto sua gestão tem sido positiva. Para a oposição, eles podem ser o reflexo do desconhecimento dos oponentes de Camilo, uma campanha curta e uma disputa desigual – já que o petista conta com o apoio de 24 partidos, que administram quase todos os municípios do interior.

Falta ouvir a opinião do povo. Para mim, que não tenho a pretensão de falar por ele, isso pode significar uma democracia fragilizada. Não porque o governador não possa ser reeleito, se esta for a vontade da maioria da população, mas porque acredito que merecemos uma disputa que debata com mais profundidade este momento de crise, uma oposição que exponha os reais males da atual gestão e um governo que faça mea culpa sincera dos seus erros.

Letícia Alves

Jornalista do O POVO

Precisamos avaliar os programas de governo

Em artigo no O POVO deste sábado (29), o administrador de empresas André Filipe Dummar de Azevedo aponta que são “muitas intenções e rasos caminhos de como chegar ao proposto” nos programas de governo dos candidatos. Confira:

Desde que comecei a votar mantenho um hábito em todas as eleições: ler o programa de governo de todos os candidatos que buscavam assumir posições de liderança na administração pública. Em 2016, período em que ocorreu o pleito para os municípios do estado do Ceará, escrevi o primeiro artigo analisando os planos. Dois anos depois e as conclusões pouco mudaram.

Na maioria dos casos, observamos uma lista de propostas com pouquíssimo substrato do ponto de vista técnico. Muitas intenções e rasos caminhos de como chegar ao proposto. Além disso, muitos dos programas demonstram claramente características e convicções ideológicas do candidato e obviamente sobre isso não tenho qualquer crítica, afinal, é legítimo e importante para o eleitor ter clareza dos princípios norteadores de uma proposta de gestão. Contudo, um plano, por mais bem fundamentado que seja do ponto de vista conceitual, precisa ser calcado em metas específicas, mensuráveis e alcançáveis, além de deixar claro a origem dos recursos e os responsáveis por sua execução.

Nunca a visão de Stephen Kanitz de que efetivamente não são os grandes planos que dão certo, são os pequenos detalhes fez tanto sentido. Deveríamos ter em mente que a “mudança”, tão verbalizada por vários candidatos e tão desejada por uma parte representativa da população deveria ser iniciada em uma modificação de mentalidade quanto a importância de construir um planejamento consistente capaz de transformar o que é proposto em realidade. Propostas que nem ao menos expliquem a origem dos recursos que proporcionarão sua implantação não devem ser vistas com seriedade.

Exercer nosso direito democrático é também crescer progressivamente nossa consciência. Que nestas eleições tenhamos cada vez mais discernimento quanto ao nosso papel de agentes de transformação e união.

André Filipe Dummar de Azevedo

Administrador de Empresas

A verdade do ajuste

Em artigo no O POVO deste domingo (23), o professor Manfredo Araújo de Oliveira aponta o “desmonte sistemático dos direitos sociais”. Confira:

Na sociedade atual, passa ao primeiro plano a revolução tecnológica (seu eixo, na fase recente, é a “Tecnologia da Informação”) a serviço do mercado, sobretudo dos mercados financeiros. Articula-se um “liberalismo transnacional” que liberou o mercado mundial para a circulação dos capitais, acelerou os processos de interconexão econômica diminuindo o poder político dos governos locais. Nesta dinâmica, o capital gestou para si um espaço global de ação.

É neste horizonte que se situa o projeto de “desmonte sistemático dos direitos sociais” em que recursos indispensáveis são a restrição da proteção social, a revogação de direitos trabalhistas conquistados em décadas de lutas, a desarticulação das organizações sindicais e dos movimentos sociais com o objetivo de despolitizar sua atuação e refrear o poder de negociação, através de mudanças na legislação trabalhista e mesmo de ações repressivas e a destruição sistemática do planeta em função do aumento dos lucros. No Brasil, para sua efetivação, está em curso um rompimento profundo com o pacto civilizatório que se consumou na Constituição de 1988.

Como nos mostram muitos cientistas sociais, a elite hoje é uma “elite financeira” que comanda os grandes bancos e fundos de investimento. Todas as frações da elite do dinheiro ganham sobretudo com as “taxas de juros” absurdas, uma forma de taxa extra vinculada aos preços do mercado. Através deste mecanismo, todas as outras classes pagam essa taxa a essa classe minoritária o que normalmente não é assunto da mídia em que articulistas econômicos são pagos, diretamente ou não, por essa elite para justificar esse saque. Essa taxa de juros, presente em tudo que consumimos, precisa ficar oculta. Diferentes propostas teóricas são apresentadas para sua justificação, por exemplo, a tese de que ela é necessária para o controle da inflação, escondendo o interesse de poucos que se contrapõem ao interesse geral.

Hoje os resultados do ajuste são escancarados e trágicos. Na saúde, por exemplo, depois de 26 anos, houve um aumento da mortalidade infantil.

Doenças, consideradas extintas, reaparecem. Na realidade, boa parte das conquistas sociais se acha ameaçada. Calcula-se que de 2003 a 2014, segundo o Banco Mundial, 29 milhões de pessoas no Brasil ascenderam socialmente saindo da condição de miseráveis. No ano passado, a extrema pobreza cresceu 11,2% chegando a 14,8 milhões de pessoas segundo pesquisas do IBGE. A FAO tem alertado para a existência de 7 milhões de pobres no País que não recebem nenhum tipo de assistência social.

Manfredo Araújo de Oliveira

Professor de Filosofia da Universidade Federal do Ceará – UFC