Blog do Eliomar

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Provações da democracia

Editorial do O POVO deste domingo (9) avalia a crise política norte-americana. Confira:

Se a situação política no Brasil é grave, não é muito diferente nos Estados Unidos, a mais poderosa nação da terra. Desde que Donald Trump tomou posse, os americanos – e o mundo – vivem uma espécie de suspense, sem saber o que pode acontecer, devido à instabilidade do presidente.A partir da suspeita de que a Rússia interferiu nas eleições, favorecendo-o, passando por denúncias de altos funcionários e livros expondo as entranhas da gestão Trump, chega-se agora à publicação, pelo New York Times, de um artigo anônimo de um integrante do círculo íntimo do poder, no qual faz graves revelações.

O jornal esclarece que deu um passo “incomum” ao divulgar um texto anônimo, identidade preservada para evitar retaliação, mas cujo autor é conhecido pelo jornal. O periódico americano explica que publicar o artigo foi o único modo encontrado para dar a conhecer aos leitores o que se passa nos bastidores da Casa Branca.

O alto funcionário escreve que “a raiz do problema é a amoralidade do presidente”, e que Trump “não está ancorado em nenhum princípio discernível que guie sua tomada de decisões”. Diz ainda não existir “nenhum tema” sobre o qual o presidente “não possa mudar de opinião de uma hora para outra”.

Mas o funcionário diz que “há adultos na sala” para conter o presidente, uma espécie de “grupo de resistência”, do qual ele faria parte.Em livro recentemente publicado, Bob Woodward (o repórter do caso Watergate, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon) mostra o que acontece na cozinha da Casa Branca. Ele diz, por exemplo, que, em várias ocasiões, o ex-conselheiro econômico Gary Cohn e o ex-secretário da Casa Branca Rob Porter retiraram documentos da mesa do presidente para impedir que ele os assinasse, sem que Trump se desse conta. Faziam isso para evitar as decisões mais perigosas do presidente, segundo eles.Em vários países do mundo, como no Brasil, a política passa por um duro teste.

O que se espera é que esses problemas sejam superados com o fortalecimento da democracia.

Juíza determina quebra de sigilo telefônico de agressor de Bolsonaro

A Polícia Federal poderá rastrear ligações, mensagens e contatos feitos por Adélio Bispo de Oliveira antes de esfaquear o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, durante campanha em Juiz de Fora na última quinta-feira (6)

A autorização da quebra do sigilo telefônico do agressor foi dada pela juíza Patrícia Alencar Teixeira de Carvalho, da 2ª Vara Federal de Juiz de Fora. A juíza já havia convertido a prisão em flagrante de Adélio em prisão preventiva, sem prazo determinado.

Adélio está preso em um presídio federal na cidade de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Para a Patrícia de Carvalho, solto, ele representa risco à sociedade e à ordem pública.

(Agência Brasil)

Clima de instabilidade institucional é tudo o que o Brasil democrático não quer

Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (9):

A semana que passou foi uma das mais desoladoras para a vida do País, do ponto de vista político, jurídico, institucional e cultural (incêndio do Museu Nacional) e terminou, de forma ainda mais preocupante, com a facada contra o candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro e a tentativa de se criar um clima de instabilidade institucional, que é tudo o que o Brasil democrático não quer.

Ainda bem que o non-sense ficou confirmado com a identificação do suposto agressor, detido na hora: Adélio Bispo de Oliveira, aparentemente portador de distúrbio mental. Resta investigar com rigor os fatos e repudiar qualquer tipo de violência. Esse pedido, aliás, vem sendo feito desde o começo do ano, quando ocorreram atentados às caravanas de Lula e ao acampamento Maria Letícia, em Curitiba, e o assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro.

A semana já começara mal, sob a égide de mais um julgamento polêmico da Justiça brasileira (Tribunal Superior Eleitoral – TSE e Supremo Tribunal Federal – STF) ao negar cautelares ao ex-presidente Lula para concorrer às eleições, sub judice, conforme concedera o Comitê de Direitos Humanos da ONU. O resultado colateral foi a cassação prática de 60 milhões de brasileiros, no que tange ao seu direito de escolher o candidato de sua preferência para dirigir a Nação, violando o art. 25 do Pacto de Direitos Humanos e Civis da ONU.O mesmo juiz Édson Fachin, que demonstrara em sentença primorosa que o Brasil não poderia deixar de cumprir um tratado internacional (citou a Convenção de Viena) e deveria conceder a liminar requerida pelo Comitê da ONU para que Lula pudesse concorrer às eleições (até que seu processo tenha sentença definitiva), desdisse, na mesma semana, tudo que o afirmara.

Decisão acompanhada pelo decano Celso de Mello, do STF, quando chegou sua vez de atender recurso semelhante, na Corte suprema. E isso apesar de existirem vídeos de ambos defendendo a superioridade hierárquica dos tratados internacionais sobre as leis ordinárias, como a da Ficha Limpa. Assim, os dois assumem, perante seus pósteros, a biografia que estes conhecerão quando estudarem este período obscuro em que a imagem da Justiça brasileira se junta às exibidas em 1937 (Estado Novo) e 1964 (ditadura civil-militar), quando validou os estados de exceção de então.A história brasileira demonstra que a violência e a ruptura institucionais sempre partiram dos segmentos sociais detentores do poder real, não das forças populares-democráticas.

Que o diga a geração que viveu o regime constitucional democrático de 1946 até seu naufrágio em 1964. Ela não conhecera a ditadura do Estado Novo e imaginara que a democracia recobrada em 1946 seria respeitada, após a decisão da vontade soberana do povo, traduzida em uma Assembleia Nacional Constituinte originária.

Ledo engano.

PGR se manifesta contra recurso em favor da candidatura de Lula

A Procuradoria-Geral da República se manifestou neste sábado (8) contrariamente ao recurso da defesa em favor da candidatura de Lula, protocolado na terça-feira (4) no Tribunal Superior Eleitoral. O documento com cerca de 180 páginas insiste na tese sobre decisão de um comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) que permitiria o petista disputar as eleições.

Os advogados consideram que é o Supremo Tribunal Federal (STF) que deve decidir se a decisão da ONU é ou não vinculante. O recurso só vai à análise do Supremo se o plenário virtual da Corte Eleitoral, que analisa o recurso, entender que há questão constitucional a ser esclarecida.

Para o vice-procurador-geral Eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros, “não há qualquer improbidade na decisão do Tribunal Superior Eleitoral” que barrou o registro da candidatura de Lula.

“Indubitavelmente, aquele que, com causa de inelegibilidade já reconhecida pela Justiça Eleitoral, aventura-se em tentar postergar o indeferimento do seu registro de candidatura, turbando o processo eleitoral, atua desprovido de boa-fé. Sua conduta é capaz de imprimir indesejável instabilidade às relações políticas, excedendo, portanto, os limites sociais ao exercício do direito. Por fim, ao assim proceder, dá causa ao dispêndio de recursos públicos a serem empregados a uma candidatura manifestamente infrutífera”, diz Medeiros

Em sua manifestação, o vice-procurador-geral diz ainda que “reconhecer a procedência do pedido almejado no recurso extraordinário significaria violar a Constituição brasileira”.

Na semana passada, ao decidir sobre o impedimento da candidatura de Lula, a Justiça eleitoral deu prazo para que até a próxima terça-feira (11) a coligação O Povo Feliz de Novo (PT, PCdoB e Pros) defina um novo nome para candidato à Presidência da República.

(Agência Brasil)

Democracia ferida a faca

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Em artigo no O POVO deste sábado (8), a jornalista Letícia Alves avalia a repercussão da agressão contra Bolsonaro. Confira:

Assisti à facada em Jair Bolsonaro por vários ângulos, em velocidades alta e baixa, com zoom na arma e zoom no rosto que recebeu a dor com surpresa e com medo. Foi a primeira vez que vi alguém ser esfaqueado de verdade. Nos filmes, jorra sangue pelo corte e pela boca. Perdoem a figura de linguagem pobre, mas na vida real, no Brasil onde um candidato à Presidência foi esfaqueado, foi verdadeiramente a democracia que sangrou.

Quase tão difícil como assistir àquela cena de violência cruenta, porém, foi acompanhar as mensagens nos meus grupos de WhatsApp e nas redes sociais. Vi pessoas acusando o capitão da reserva de ter forjado o ataque ou de ser vítima do seu próprio discurso “de ódio” — a culpa, em qualquer um dos casos, era dele mesmo. Alguns admitiam que ele era a vítima, mas faziam questão de dizer que nem sempre o fora. Havia ainda os que compartilhavam, sem hesitar, qualquer fake news absurda que chegava aos seus celulares. Resumidamente, um show de horror após o show de horror.

Não é preciso dizer que o uso político dessa situação é lastimável e que a minimização do ataque é desumana e maliciosa. O golpe que quase matou o presidenciável foi filmado, compartilhado, publicado e transmitido em televisões, computadores e celulares de milhões de pessoas. Bolsonaro agonizou sob os olhares do mundo inteiro. Negar essa realidade por afeição ideológica apenas corrobora com a análise óbvia de que, perdoem mais uma vez, quem agoniza junto com ele são as nossas esperanças de ter uma eleição pacífica e um país não mais dividido pelo ódio.

Não se sabe o que acontecerá daqui para frente. Os médicos estimaram o mínimo de “uma semana ou dez dias” antes do presidenciável receber alta. Ele dificilmente voltará a fazer campanha de rua. O quanto isso influenciará no resultado das eleições é impossível de mensurar. Inicialmente, fala-se em repercussão positiva para Bolsonaro. Passar o último mês de campanha impossibilitado de viajar pelos estados e de participar de atos públicos, no entanto, pode desequilibrar a balança para o lado contrário. Como saber? Afinal, quem podia imaginar que a chave das eleições 2018 seria uma faca?

Letícia Alves, jornalista do O POVO

Capitão Wagner e Vitor Valim encontram resistência na periferia por ação de criminosos

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Muitos eleitores da periferia de Fortaleza não escondem a simpatia pelos candidatos Vitor Valim e Capitão Wagner, que concorrem este ano à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal , respectivamente, mas se dizem receosos em confirmar a vontade nas urnas, diante da ação de facções criminosas que estariam ameaçando os moradores dos bairros mais afastados.

É o que denunciam nas redes sociais os dois candidatos, que cobram ainda uma ação do poder público na interferência de criminosos na vontade do eleitorado.

(Foto: Arquivo)

Em plena recuperação, Bolsonaro simula “armas” com as mãos

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O candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, já deixou a cama do hospital e iniciou neste sábado (8) as sessões de fisioterapia. No entanto, Bolsonaro, na primeira foto fora da cama, já gerou polêmica ao simular duas armas com as mãos.

O filho do candidato, Eduardo Bolsonaro, amenizou a apologia e disse que o gesto “é uma marca registrada” do pai, um posicionamento contrário ao desarmamento.

“Não vejo nada de prejudicial ou alguma coisa que possa gerar violência, nem nada disso”, afirmou.

(Com Agências)

Eunício diz que transforma em trabalho a confiança dada pelo cearense

“O Ceará tinha mais de 12 bilhões de reais em recursos parados em gavetas no Congresso Nacional. Dinheiro que não poderia deixar de assistir à nossa gente mais necessitada. Por meio da confiança a mim dada por vocês, cearenses, não poupei esforços para destravar esses recursos que hoje desenvolvem o nosso Estado”.

O discurso é do presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira, que concorre à reeleição ao Senado pelo MDB do Ceará, durante carreata na noite dessa sexta-feira (7), em Viçosa do Ceará, na Ibiapaba, a 348 quilômetros de Fortaleza.

“Fico muito feliz com a receptividade em casa canto do Estados, o que me dá mais força para seguir nesta caminhada”, completou Eunício.

O prefeito de Viçosa do Ceará, Zé Firmino (MDB), ressaltou o empenho do senador Eunício, que destinou recursos para o custeio e manutenção de unidades de saúde do município e para o asfaltamento de todas as ruas de Viçosa do Ceará.

“Ele vem fazendo tudo por Viçosa nestes dois últimos anos. Hoje, a nossa Viçosa pode mostrar o que tem pelo trabalho incansável de Eunício. Quem ama Viçosa, vota Eunício senador”, afirmou.

No evento também estiveram presentes os candidatos a deputado federal Moses Rodrigues e a deputado estadual João Jaime.

(Foto: Divulgação)

Ciro, Camilo e Cid participam de carreata entre Juazeiro do Norte e Crato

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Após desembarcar na noite dessa sexta-feira (7) em Sobral, o candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes percorreu em carreata na manhã deste sábado (8) os municípios de Juazeiro do Norte e Crato, na Região do Cariri.

Ciro esteve na companhia do governador Camilo Santana (PT), candidato à reeleição, e pelo irmão Cid Gomes, candidato ao Senado pelo PDT.

Na noite deste sábado, Ciro estará em João Pessoa, capital paraibana.

(Foto: Divulgação)

Kátia Abreu e Carol Bezerra visitam Lar Amigos de Jesus

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A candidata a vice-presidente na chapa de Ciro Gomes, senadora Kátia Abreu, esteve nessa sexta-feira (7) na companhia da primeira-dama de Fortaleza, Carol Bezerra, na instituição Lar Amigos de Jesus, no bairro Joaquim Távora.

A instituição é coordenada pela Irmã Conceição Dias e pela Irmã Maria de Lourdes Rabelo, que há 31 anos realiza trabalho voluntário para crianças e adolescentes com câncer.

(Foto: Divulgação)

Foi funda a facada!

Em artigo no O POVO deste sábado (8), o juiz Eduardo Gibson Martins aponta que a violência contra Bolsonaro não foi um “atentado qualquer” e que “envolve a todos até a alma”. Confira:

É verdade que atentados ocorrem o tempo todo num País que se verga à marca inacreditável de mais de 60.000 homicídios por ano. Na “terra brasilis” atentados nem chegam a impressionar. Mesmo quando se dá o evento morte, os números superlativos tratam de banalizar a vida humana: será na estatística apenas uma a mais ceifada nesse turbilhão de violência que de há muito vem tornando refém um País que, paradoxalmente, ainda se jacta de se dizer pacífico.

Mas este não foi um atentado qualquer. Estamos falando de política, e não só da cidade, do Estado ou da Região; estamos falando da vida republicana, dos destinos do País e da democracia em que vivemos e viverão nossos filhos e netos. Isso nos envolve a todos até a alma, influi no macro e no micro, até nos mais recônditos rincões de norte a sul do País. É disso que se trata.

Uma democracia não vinga sem um mínimo de garantia para quem disputa eleições, notadamente as presidenciais, e também para os milhões de eleitores que querem escolher seus líderes mas não sabem sequer se estes chegarão vivos ao dia do sufrágio. A facada, assim, foi funda e atingiu a todos, sem exceção, eis que feriu um dos principais fundamentos da República: a cidadania.

O atentado contra a vida de Bolsonaro nos revela um golpe ainda mais profundo: o que atinge elementos vitais para a democracia, rasgando vasos de onde sangram valores éticos, morais e cívicos que formam o tecido mais nobre e republicano de uma autêntica democracia.

A gradativa degradação de princípios morais e a deseducação paulatina que foram impostas mormente aos nossos jovens que hoje já não reverenciam o hino ou a bandeira nacional; ou não conseguem avaliar o tamanho da perda de um Museu Nacional e o valor que tem para um País a preservação de sua memória (justamente para que erros do passado não voltem a se repetir), são o corolário lógico que só poderia mesmo desaguar na foz de toda essa violência e na infelicidade de termos comemorado o Dia da Pátria nessas circunstâncias.

Eduardo Gibson Martins

Juiz de Direito especializado em Política Estratégica pela UFRJ e pela ESG e mestre em Direito Constitucional Comparado pela Universidade de Samford (EUA)

Salmito e Odorico fazem dobradinha em Quixadá

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Cerca de 200 motoqueiros acompanharam na noite dessa sexta-feira (7), no distrito de Cipó dos Anjos, em Quixadá, no sertão cearense, a 167 quilômetros de Fortaleza, a visita de Salmito (PDT) e Odorico (PSB), candidatos à Assembleia Legislativa e Câmara Federal, respectivamente.

Os dois candidatos estiveram acompanhados do médico Ricardo Silveira, atualmente a maior liderança no município.

Neste sábado (8), Salmito e Odorico terão atividade na sede do município.

(Foto: Divulgação)

Mudou tudo para todo mundo

Da Coluna Política, no O POVO deste sábado (8), pelo jornalista Érico Firmo:

A campanha presidencial deste ano já era a mais curta de todos os tempos. A eleição será a menos de um mês e, a essa altura, dá-se daqueles acontecimentos que mudam tudo. De consequências imprevisíveis. O ritmo da campanha mudou. Atividades de candidaturas foram interrompidas. E estratégias são revistas. A campanha que irá prosseguir será radicalmente diferente.

A campanha era marcada até agora por três estratégias:

1) Jair Bolsonaro (PSL) apostava em sua imagem pessoal. Na exposição em redes sociais e atos de rua. Explorava posições polêmicas e o confronto, sobretudo com o PT, a esquerda e ideias progressistas.

2) Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB) e Guilherme Boulos (Psol), nessa ordem, tinham como aspecto central de sua estratégia a crítica, a desconstrução de Bolsonaro. Com menos ênfase, Ciro Gomes (PDT) também. A estratégia de Marina Silva (Rede) não é bater, mas o momento em que ela bateu foi quando fez isso em debate. Justo contra Bolsonaro. Os dois primeiros pelo embate direto por votos conservadores. O terceiro pela postura ideológica diametralmente oposta.

3) Fernando Haddad (PT) centra sua campanha na defesa do direito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser candidato, a denúncia do que consideram golpe, articulado por forças conservadoras, com intenção, conforme o PT denuncia, de adotar programa de retirada de direitos sociais e prejudicar os mais pobres.

Basicamente, essa era a configuração da campanha até aqui. Isso muda para todo mundo.

Novidades introduzidas no novo quadro eleitoral:

1) Bolsonaro sai de sua tradicional posição beligerante e se coloca como vítima. É condição diferente da que ele exerceu toda vida. Ele sempre foi a pessoa de bater. A mudança pode ter sua conveniência. Até então, ele havia chegado ao seu topo. Atingido um teto de eleitores que vinha sendo difícil de ultrapassar pelos métodos usados até então. É provável que a nova condição ajude a reduzir sua enorme rejeição. A tendência é que cresça nas próximas pesquisas. A dúvida é como seus próprios eleitores irão reagir a um Bolsonaro que, no lugar de conclamar seus seguidores a metralhar a petralhada” diz: “Nunca fiz mal a ninguém”. É um grande reposicionamento de imagem. Não é algo que tenha escolhido. Porém, é mudança muito grande faltando tão pouco tempo para a eleição. Além do mais, a campanha de rua e a intensidade das aparições em redes sociais irão diminuir. Também a gravação dos segundos no horário eleitoral fica comprometida. Em síntese, se tem fator psicológico e simbólico a seu favor, Bolsonaro perde a possibilidade de efetivamente fazer o que vinha sendo mais importante em sua estratégia.

2) Quem vinha batendo em Bolsonaro terá de calcular os próximos passos. Meirelles e Boulos não parecem ter muitos horizontes. Ciro corre em outra raia. Disputa eleitores de centro-esquerda, que não votam em Bolsonaro e são afrontados por ele. Alckmin, por sua vez, não tem opção. Se não tirar votos de Bolsonaro, sua candidatura está fadada ao fracasso. A forma é como fazer isso. Se bater, corre o risco de fortalecer justamente a condição de vítima do candidato do PSL. Tanto que sua candidatura já tirou do ar as propagandas com ataques. As mesmas que Bolsonaro tentou tirar do ar por via judicial.

3) O PT preparava grande ato para substituir oficialmente Lula por Haddad. Isso terá de ocorrer até terça-feira. Porém, o clima é outro, é pesado. Há certa delicadeza em confrontar as forças conservadoras, personificadas em Bolsonaro melhor que em qualquer outro. Discurso que tem sido ensaiado é o de que a postura beligerante do candidato do PSL conduz a reações desse tipo. A ideia de “olho por olho” é cruel, sobretudo nos instantes após o ataque. Vários petistas foram infelizes ao se referir nesses termos no calor da comoção. Porém, é discurso que pode, sim, pegar. Sobretudo, por dialogar com o cerne da lógica de Bolsonaro. Do uso de armas para se defender. De que quem comete ato de violência faz por merecer castigo na mesma moeda. Bolsonaro, além de sugerir metralhar petistas, tratou com ironia os disparos contra comitiva de Lula no Paraná e disse que o ataque teria sido forjado. A forma como ele tratava adversários e como se postou quando estiveram em situação similar poderá cobrar dele o preço agora.

Agressor de Bolsonaro é transferido pela PF para presídio federal

O agressor confesso do candidato Jair Bolsonaro (PSL), Adélio Bispo de Oliveira, foi transferido, no início da manhã deste sábado (8), para o presídio federal de Campo Grande (MS). Pouco antes das 7h30, ele chegou ao aeroporto de Juiz de Fora, escoltado por policiais federais.

Adélio entrou em um avião da Polícia Federal (PF), após passar a noite em um centro de detenção provisória na cidade. Antes ele havia sido novamente interrogado na sede da corporação, com objetivo de saber se ele realmente agiu sozinho, como alegou, ou se teve ajuda de outras pessoas e se o crime teve a participação de um mentor intelectual.

A transferência para um presídio federal foi tomada em comum acordo entre a juíza federal Patrícia Alencar, que ouviu Adélio ontem (7), em audiência de instrução, o Ministério Público Federal e a própria defesa do acusado. O objetivo é garantir sua integridade física, já que poderia ser morto dentro do sistema prisional comum.

(Agência Brasil)

Ciro leva multidão às ruas de Sobral

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O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, levou uma multidão às ruas de Sobral, na Região Norte do Ceará, a 222 quilômetros de Fortaleza, na noite dessa sexta-feira (7), em uma carreata pelas principais ruas e avenidas da cidade.

Centenas de pessoas se concentraram no aeroporto Virgílio Távora para receber Ciro, que chegou acompanhado da vice Kátia Abreu e do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Na carreata, Ciro recebeu a companhia do governador Camilo Santana (PT), candidato à reeleição no Estado, e dos prefeitos Ivo Gomes (Sobral) e Roberto Cláudio (Fortaleza).

O candidato ao Palácio do Planalto percorrerá neste sábado (8) os municípios cearenses de Juazeiro do Norte e Crato, quando depois seguirá para João Pessoa, capital paraibana.

(Foto: Divulgação)

Defesa de Adélio diz que discurso de ódio motivou ataque a Bolsonaro

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Os advogados que representam o agressor Adélio Bispo de Oliveira sustentam que a agressão de seu cliente ao candidato Jair Bolsonaro foi um ato solitário, movido pelo que classificaram de “discurso de ódio” do próprio candidato. Quatro advogados acompanharam Adélio na audiência de instrução com a juíza Patrícia Alencar, na Justiça Federal, na tarde desta sexta-feira (7), que determinou a transferência do criminoso para um presídio federal.

“Esse discurso de ódio do candidato é que desencadeou essa atitude extremada do nosso cliente”, disse o advogado Zanone Manoel de Oliveira Júnior. Um dos motivos, segundo a defesa, foi a referência pejorativa aos negros quilombolas, já que seu cliente se identifica como negro.

O advogado informou que a defesa concordou com a transferência de Adélio para um presídio federal, para garantir sua integridade. O advogado também disse concordar com o indiciamento de seu cliente pelo Artigo 20 da Lei de Segurança Nacional, que fala em “praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político”. Ele disse ainda que vai requerer exame de sanidade mental em seu cliente.

Ataque

Ontem (6), ao ser carregado por apoiadores durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro levou uma facada no abdôme. Ele foi levado para a Santa Casa de Juiz de Fora, onde foi submetido a uma cirurgia. Hoje pela manhã, o presidenciável foi transferido para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

(Agência Brasil/Foto – PM)

Segurança de candidatos será ampliada em 60%, diz Jungmann

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou hoje (7), após acompanhar o desfile do 7 de Setembro em Brasília, que o efetivo da Polícia Federal que faz a segurança dos candidatos à Presidência da República será ampliado em até 60%, após o ataque sofrido ontem por Jair Bolsonaro (PSL), em Juiz de Fora (MG).

De acordo com o ministro, atualmente 80 agentes da PF fazem a segurança de cinco presidenciáveis que solicitaram o serviço, previsto em resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a partir do momento em que as candidaturas são oficializadas nas convenções eleitorais. Apesar da previsão, ressaltou Jungmann, a proteção não é automática e precisa ser solicitada pelas campanhas. Além de Bolsonaro, a PF faz a segurança de Alvaro Dias (Pode), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckimin (PSDB) e Marina Silva (Rede).

“Esses cinco contam com um efetivo de 80 policiais, sendo que Bolsonaro conta com 21 membros da PF que fazem permanentemente a segurança dele. Um a cada cinco agentes destacados para a segurança dos presidenciáveis está com Bolsonaro. Ontem [dia do atentado], 13 desses policiais o estavam acompanhando, além de 50 policiais militares que faziam complementarmente a segurança”, afirmou.

Jungmann comparou o efetivo disponibilizado a Bolsonaro com o que foi concedido ao ex-presidente da França, François Hollande, quando ele veio ao Brasil para os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. “Durante as Olimpíadas, o presidente da França, que esteve aqui presente e era considerado de alto risco, contava com nove agentes da PF”.

O ministro não quis revelar quantos agentes estão disponíveis para os outros quatro candidatos que tem acompanhamento da PF. Segundo ele, cada candidato tem uma análise de risco que determina o tamanho do efetivo necessário.

Para Raul Jungmann, orientações de segurança não foram completamente seguidas ontem pelo candidato, durante o ataque em Juiz de Fora. A PF já havia demonstrado preocupação com a exposição ao risco de Bolsonaro, durante as atividades de campanha.

(Agência Brasil)