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Artigo – “Lugar de negra é limpando chão”

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Em artigo contra o racismo, publicado no site Intercept, a jornalista Etiene Martins relata caso na Prefeitura de Belo Horizonte. Confira:

Em outubro de 2017, fui nomeada gerente de Prevenção à Violência e Criminalidade Juvenil pela prefeitura de Belo Horizonte. Dentre as minhas atribuições profissionais, a principal é coordenar o programa de prevenção à morte de jovens e adolescentes – faixa etária com mais vítimas de homicídio na capital mineira e em todo o Brasil. Há também outras características predominantes: a maioria é composta por homens, negros, pobres e moradores de favelas. Em Belo Horizonte, 78% dos adolescentes assassinados são negros. Ainda mais assustadores são os dados dos bairros do centro-sul, onde essa taxa vai a 94%.

Talvez você argumente que a população negra é maior e, por isso, morrem mais negros. Mas não é bem assim. Nessa região belo-horizontina, apenas 32,5% dos jovens são pretos, pardos e indígenas; os outros 67,5% são brancos ou amarelos. Para reafirmar o mito da democracia racial e querer responsabilizar a pobreza, você também pode achar que se trata de um problema meramente econômico. Porém, neste caso, o branco também mora na favela e não é vítima de homicídio na mesma proporção que o negro. São duas realidades bem distintas em uma mesma cidade – ainda que BH esteja longe de ser a única cidade a apresentar esse contraste. É como se o jovem branco vivesse com o nível de segurança esperado para um país em desenvolvimento, e o jovem negro, em um campo de guerra.

Eu sou mulher negra, filha da periferia, que conseguiu terminar o ensino médio e ingressar na faculdade. Mesmo sendo pobre, tive pais presentes que me deram estrutura e acompanharam meu crescimento. Nem todos nascem com a mesma sorte. Estudei comunicação e concluí minha pós-graduação enterrando primos e amigos de infância – um deles assassinado com oito tiros no rosto. Para mim, esse cargo na prefeitura não era apenas uma fonte de renda. Era uma missão. Uma missão que aceitei sabendo das dificuldades, até porque minha participação no movimento negro me ensinou que lutar contra o genocídio da população negra não seria fácil. Quantas pessoas que foram assassinadas você conhece?

Mesmo sem contatos prévios na SMSP, fui nomeada gerente, um cargo de confiança dentro da Diretoria de Prevenção Social à Criminalidade. Como única pessoa negra no setor, relevei “pequenas” falas racistas de colegas de setor – até porque, se a gente fizesse um B.O. toda vez que sofre racismo, passaríamos metade dos nossos dias na delegacia. Mas é difícil saber o que devemos deixar pra lá e o que é preciso levar adiante. Como ter esse discernimento se qualquer reação à violência racial é pejorativamente classificada como mimimi? Como evitar que o racismo estrutural boicote a implementação de políticas públicas e projetos sociais voltados para jovens com um histórico de negação de direitos?

Mas, em junho, oficializei mais uma queixa de racismo institucional na SMSP. Mais uma, porque, em novembro de 2018, já havia oficializado outra na corregedoria contra um guarda municipal chamado Luzardo. O sujeito me disse a seguinte frase: “Preto bom é preto morto”. Depois de seis meses, a corregedoria concluiu que os dizeres do guarda não configuravam dolo, quando há a intenção de cometer um crime, apenas fala inapropriada no local de trabalho. Me senti injustiçada, claro. E, no dia seguinte, fiz um B.O. na Polícia Civil, levando o inquérito instaurado na corregedoria. Nos depoimentos, o guarda admite ser o autor da frase, embora alegue que tivesse feito“só” uma brincadeira.

Antes de pensar em ir à delegacia, o secretário de Segurança Pública de BH, Genilson Zeferino, que é negro, tinha me pedido para não tomar qualquer providência – como você pode conferir no print do WhatsApp. E, quando comuniquei que faria B.O., ele me “alertou” que o ambiente de trabalho ficaria “insustentável” caso levasse essa ideia adiante. Ele tinha toda a razão, a situação ficaria insustentável, mas até quando vamos nos calar? Registrei um B.O.

Em Belo Horizonte, assim como nas outras metrópoles brasileiras, as estruturas políticas são tradicionalmente comandadas por uma hegemonia branca. As pessoas negras que desejam fazer parte dessa elite não podem questionar o sistema, apenas se curvar diante dele. E não faltam negras e negros dispostos a fingir que o racismo não existe no mercado de trabalho. Enquanto isso, eles trabalham para tentar atingir o mesmo reconhecimento dos companheiros não negros, indo atrás de recompensas materiais que acalmem seu desajuste nesses círculos sociais. A lógica da supremacia branca é perpetuada dessa forma. Ela seduz negros com a promessa de sucesso, mas só se estiverem dispostos a recusar o valor da negritude e dos seus.

Zeferino também contou que ele estava prestes a sair do cargo e, como Luzardo estava trabalhando como motorista do secretário adjunto, Rodrigo Teixeira, que assumiria em seu lugar, as chances de eu ser exonerada eram altas. Só que o ambiente já estava insustentável para mim. Era uma tortura dividir o mesmo elevador e ambiente com esse guarda que, vale lembrar, trabalha armado. Sinceramente, eu morria de medo.

Um dia depois do meu boletim de ocorrência, minha chefe imediata, Márcia Cristina Alves, diretora de Prevenção Social ao Crime e à Violência, me mandou este e-mail:

Foi um ano e sete meses de racismo velado, mensagens subliminares (além de outras mais diretas) e uma sensação de impotência. Por não ter sido responsabilizado na corregedoria, o guarda ganhou salvo-conduto para continuar agindo da mesma forma. Eu, já cansada de tudo isso, foquei no trabalho e fiz vistas grossas. Mas chega uma hora que a gente não dá conta, e decidi entregar meu pedido de exoneração em 3 de julho. Junto dele, coloquei o e-mail enviado pela minha chefe – ao qual não respondi.

O secretário Zeferino garantiu que iria apurar, chamou um técnico da Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte, a Prodabel, para verificar a veracidade do e-mail, que constatou que, sim, era verdadeiro e, sim, tinha sido enviado do computador dela. Zeferino me mudou de setor e disse para ficar tranquila, porque o processo estava na corregedoria e, dessa vez, teria responsabilização. Em reunião, decidimos que eu continuaria no cargo – e assim eu o fiz. Registramos por e-mail a minha continuidade na prefeitura.

No dia 28 de julho, fez um mês desde que oficializei essa segunda queixa. Três dias depois, fui até a corregedoria para obter informações sobre as datas e o andamento do processo. Procurei pelo relator responsável, o senhor Fabiano Machado Borges. Ele me atendeu no corredor da recepção diante de outros servidores e se recusou a me passar informações, apenas alegando que eu seria chamada para depor. Insisti, expliquei meu caso, e nada.

À noite, cheguei em casa cansada de toda essa situação e decidi torná-la pública no Facebook, onde familiares, amigos, colegas e até desconhecidos se solidarizaram comigo. Registrei o B.O. do racismo da minha chefe via e-mail. O caso chocou milhares de pessoas, mas o prefeito e o secretário – os únicos com poder para intervir – nada fizeram.

Continuei indo trabalhar, mas me alocaram em um espaço isolado do restante da equipe da SMSP em uma sala sem banheiro e ar-condicionado diferente dos outros gerentes. Meus superiores hierárquicos me deixavam durante todo o expediente ociosa e me impediam de exercer as atribuições do meu cargo. Dentre os meus colegas da mesma hierarquia, recebi apoio. Mas o secretário Zeferino não falou mais comigo.

Nesse meio tempo, fui ouvida pela corregedoria. E, ontem, dois meses e meio depois de eu denunciar publicamente o racismo que sofri, fui exonerada do cargo. Antes mesmo da corregedoria concluir a apuração, o prefeito Alexandre Kalil, sem nem sequer me ouvir, assinou minha exoneração.

Diante da tamanha violência que é o racismo, sinto que esse assunto ainda é um tabu mesmo dentro de um setor público porque o desfecho da história é cruel. O guarda municipal admite que disse que “preto bom é preto morto”, e a instituição trata como fala não apropriada no local de trabalho. A minha chefe me manda um e-mail dizendo que, por eu ser negra, tenho que limpar chão. No final, a profissional exonerada sou eu.

Logo eu que aceitei o convite para integrar a equipe de prevenção acreditando que poderia fazer alguma diferença na vida dos adolescentes e jovens da cidade. Logo eu que vibrei quando aprovei um projeto e o orçamento para a construção de oito bibliotecas especializadas em juventude negra destinada aos meninos inseridos no sistema socioeducativo. Logo eu que batalhei e consegui aprovar um projeto de imersão cultural que levaria os adolescentes para conhecer outras capitais do Brasil, ampliando o horizonte de uma juventude tão privada de acessos. Os projetos estão aprovados e com orçamento – espero que alguém dê continuidade. Afinal, vidas negras importam para quem?

Etiene Martins, jornalista

OUTRO LADO

O Intercept entrou em contato com a assessoria de imprensa da SMSP, que enviou o seguinte e-mail:

Sobre o caso em questão, esclarecemos que Etiene era servidora comissionada, em cargo de recrutamento amplo nomeada pelo prefeito Alexandre Kalil em 15/09/2017 e pediu, por iniciativa própria, exoneração do cargo no dia 03/07/2019, como comprova o e-mail anexo. Em consideração à grave denúncia, aguardamos o andamento da apuração para acatar o pedido.

A apuração resultou em sanção imposta pela corregedoria ao guarda municipal citado, servidor efetivo sujeito a regras específicas de sua carreira.

A outra denúncia, que diz respeito a um e-mail, está sendo apurada pela delegacia de crimes cibernéticos da Polícia Civil.

Márcia Cristina Alves, diretora de Prevenção Social ao Crime e à Violência, publicou no seu Facebook o seguinte texto, em que declara não ter enviado a mensagem:

Venho publicamente me manifestar a respeito das publicações feitas com meu nome e colocando a minha pessoa em dúvida em relação a uma acusação e racismo.

Tenho a esclarecer:

1- Afirmo veementemente que o referido e-mail não foi escrito por minha pessoa e inclusive já registrei ocorrência policial sobre isso há mais de um mês.

2- O referido e-mail a que se refere a denúncia é do dia 22 de maio de 2019 e chegou ao meu conhecimento no dia 28 de junho, mais de um mês após ao seu envio. Durante todo esse período jamais fui notificada da existência dele ou qualquer outra pessoa tomou conhecimento deste e-mail.

3- Imediatamente ao conhecimento deste e-mail procurei as autoridades municipais para solicitar que fosse apurada a origem do mesmo e assim como afirmei veemente jamais ter escrito este e-mail.

4- Registrei Boletim de ocorrência na delegacia de crimes virtuais, com provas contundentes de que no dia e horário do envio do e-mail estava em uma agencia bancária, a 03 quilômetros de distância do meu local de trabalho, realizando uma transação presencial com uso inclusive de minhas digitais e filmagens de minha presença no banco, além dos comprovantes com os horários de todas as transações, na presença do gerente do banco, ficando neste local por um período de 01 hora das 12h20min às 13h15min.

5- Destaco que pelo padrão do e-mail assim como pelo histórico de Google o referido e-mail foi acessado às 12h30min de um computador, não de um celular. De todo modo dentro da agência não é possível usar o celular e como disse anteriormente, as imagens e comprovantes do Banco atestam que eu não estava no computador nesse horário.

6- Apesar de todas estas provas materiais, tenho uma prova muito importante, de minha índole e ética, de 27 anos de trabalho como servidora pública na defesa e promoção de direitos de crianças, adolescentes e jovens, comprovada pelas inúmeras ações, projetos, funções e inclusive publicações a respeito do Genocídio de Jovens Negros na cidade de Belo Horizonte. Quando assumi cargos na politica pública coordenando Programas e Projetos sempre defendi publicamente os direitos à vida, à liberdade e à justiça. Durante toda a minha trajetória profissional compartilhei experiências com as comunidades mais vulneráveis, com as pessoas mais fragilizadas e dediquei toda a minha profissional a estas pessoas.

7- É necessário que essa fraude seja investigada e quem a cometeu seja responsabilizado.

8- esse momento crítico em que vemos as redes sociais sendo utilizadas para destruir pessoas, desqualificar projetos de interesse daqueles que mais precisam, atacar pessoas sem nenhum critério de razoabilidade, (pode-se ver pelo conteúdo do e-mail publicado com meu nome que nenhuma pessoa escreveria algo desta natureza sabendo de todas as suas consequências) me vejo obrigada a restabelecer essa conta no Facebook para me defender de um ataque que considero grave e NECESSÁRIO A MINHA MANIFESTAÇÃO EM DEFESA DO DIREITO DE RESPOSTA, DO MEU COMPROMISSO PÚBLICO E DA MINHA LUTA DE ANOS PELA IGUALDADE NESSA CIDADE E NESTE PAÍS.”

Derrota do Fortaleza para o Inter provoca xenofobia nas redes sociais

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“Nordestinos analfabetos, aqui é Inter, o maior do sul”. A declaração carregada de desinformação e preconceito é do internauta Lucas Ordoñez Ballesteros, que se identifica nas redes sociais como gaúcho e torcedor do Internacional. Apesar da agressão, o comentário somente surgiu após o desenrolar dos diálogos entre torcedores de vários times do país, iniciados na esfera do futebol e avançados para o preconceito e a desinformação.

“Inter ganhando fora de casa com time reserva e contra time pequeno”, afirmou Derox. “Com reservas né, se fosse titular era 5 a 0”, completou João Gabriel. “O internacional venceria o Fortaleza de todas as formas com titulares ou com reservas”, apontou Hamilton Junior. “Time nordestino é isso”, desvirtuou o internauta Hospício 1909.

Sem perceber que o debate já entrara no campo do preconceito e da desinformação, torcedores do Ceará Sporting tentaram fazer coro às críticas contra o Fortaleza, até o momento em que o Vozão foi apontado como um dos rebaixados à Série B, ao lado do CSA, Avaí e o próprio Fortaleza.

“Tem futebol no estado de Ceará? Comédia. Respeito sempre é bom, mas, se tratando em futebol, o estado de Ceará é insignificante no cenário nacional. É igual do Maranhão, Paraíba, alagoano. O que esse tal de Fortaleza veio fazer na série A? Não tem tradição nenhuma nessa competição”, colocou o internauta Alamo Bandeira Cavalcante.

Torcedores dos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná, no entanto, saíram em defesa do bom diálogo e criticaram o preconceito e a desinformação contra os nordestinos.

“Idiota! Respeite o estado/região dos outros”, disse o torcedor Idiota! É o Coringão 1910. “cara, eu acho que voc~e deve está falando de outro Nordeste, pois entra aí no site do ITA e vê qual é o maior percentual de aprovação… Deixa de ser besta cara. Vai estudar, inútil”, completou o torcedor Enzo Maxmilian. “Esse lucas não nos representa”, criticou o torcedor Aderson Restinga Nova.

“Geração mimimi, tudo é racismo. Eu tenho culpa se o Nordeste é a região com maior índice de analfabetismo no Brasil?”, insistiu Lucas Ordoñez Ballesteros, no que acredita como “ser superior”…

Mackenzie expulsa aluno que, nas redes sociais, ameaçou matar negros

A Universidade Presbiteriana Mackenzie expulsou o aluno Pedro Baleotti que, em outubro de 2018, divulgou vídeos em suas redes sociais, nos quais ele fez discurso incitando a violência, com ameaças e manifestação racista. “Essa negraiada vai morrer” disse o aluno em um trecho do vídeo, gravado em um automóvel fora da instituição de ensino.

“Os trâmites institucionais foram cumpridos e o aluno foi expulso, receberá todos os documentos quanto aos créditos cumpridos. A instituição não coaduna com atitudes preconceituosas, discriminatórias e que não respeitam os direitos humanos”, disse a Mackenzie em nota.

Segundo a assessoria de imprensa da Mackenzie, o aluno não poderá recorrer da decisão, tornada pública hoje (10).

O advogado Norman Prochet Neto, que defende o estudante, disse que os vídeos foram divulgados sem a autorização do aluno.

“Tendo em conta a divulgação de reportagens no sentido que o Sr. Pedro B. Baleotti foi desligado da Universidade Presbiteriana Mackenzie em virtude de vídeos indevidamente divulgados durante o período eleitoral, necessário se esclarecer o seguinte: 1- Conforme já informado anteriormente, ambos os vídeos foram enviados a um grupo restrito de amigos em aplicativo de troca de mensagens, sem qualquer intenção de divulgação por parte do Sr. Pedro; 2- Os vídeos foram publicados de forma indevida e sem a autorização do Sr. Pedro, violando direitos de sua personalidade”, disse em nota o advogado.

(Agência Brasil)

Nada de novo, apenas confirmando a regra

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Em artigo no O POVO desta sexta-feira (13), o pesquisador da história e cultura negra cearense e professor Hilário Ferreira afirma que “enquanto a branquitude for sinônimo de privilégios e poder, haverá racismo”. Confira:

“Nunca esqueço da confissão que me fez Eurípides Alcântara em 2008, em sua sala, quando era diretor da revista Veja: ‘a gente está aqui para defender o homem branco, de 40 anos, classe média. Estamos aqui para dizer o que ele quer ouvir’”, Renato Bazan, repórter do Portal CTB, em texto publicado no Facebook sobre a possível falência da Abril. Em agosto de 2017, os jornais estamparam a fala do então novo chefe da Rota, Tenente-coronel Ricardo Augusto, que defendia uma abordagem policial nos bairros nobres e uma diferente na periferia de São Paulo. Estes é o tipo de pensamento que traduz racismo e criminalização da pobreza.

Estas duas falas não apresentam nada de novo. Apenas confirmam uma regra. Que regra? A de que vivemos em um país onde racialmente uns são tratados melhores que outros. E isto foi construído historicamente. Como Eurípedes Alcântara afirmou, a defesa intransigente do homem branco de classe média. Para quem estuda as relações raciais no Brasil, isto é chamado de ‘Branquitude’.

Baseado nos estudos do pesquisador e Prof. Dr Lourenço Cardoso, “a Branquitude é um lugar de [poder e] privilégios simbólicos, subjetivos, objetivo, isto é, materiais palpáveis que colaboram para construção social e reprodução do preconceito racial, discriminação racial ‘injusta’ e racismo”.

A branquitude está intimamente ligada ao processo de dominação europeia nas Américas. A preservação de privilégios para brancos através do poder, justifica a existência do racismo. Enquanto a branquitude for sinônimo de privilégios e poder, haverá racismo.

Entendendo isso, somos levados a refletir sobre a construção no imaginário social das representações negativas dos negros. Ela foi/é tão bem articulada que os brancos quando olham um negro não enxergam um cidadão. Enxergam um marginal em potencial. Aqui, se explica a insensibilidade da sociedade brasileira quanto ao genocídio da juventude negra. Por isso, ser negro(a) no Brasil é viver constantes riscos. Sim, riscos. E isto inclui, principalmente, risco de vida. Sob o olhar dos brancos, somos potencialmente perigosos.

Racismo é origem do atual formato das cidades brasileiras, dizem especialistas

Especialistas apontam o racismo como o grande responsável pela divisão das cidades brasileiras da maneira como elas estão hoje: pobres e negros morando nas periferias e brancos ricos morando em bairros melhores. O racismo como divisor das cidades foi tema de audiência pública realizada pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados.

A arquiteta Joice Berth lembrou que o problema começou justamente após a abolição da escravatura, no século XIX, quando foi editado o código de postura, com regras que proibiam a posse de terra por negros e uma legislação que facilitava a aquisição de terras por imigrantes europeus.

“O estruturador social é o racismo. Então, a gente tem que trabalhar a partir dele para pensar nessas desigualdades sociais que vão sendo espelhadas, produzidas e reproduzidas no espaço das nossas cidades. Não tem como a gente falar em direito à cidade, em cidades sustentáveis sem considerar as desigualdades e a raiz delas, que são o racismo e o machismo”.

A promotora de Justiça da Bahia Lívia Santana afirmou que, por falta de estrutura, a população negra nas periferias está mais vulnerável à violência e, por isso, o Estado precisa investir em equipamentos que garantam segurança, educação e lazer.

“Há necessidade realmente de se fazer uma participação ativa do Estado, mas também do cidadão. É importante que o cidadão consiga participar ativamente das decisões sobre a cidade porque elas afetam as pessoas. Então, o direito à cidade ainda é, no nosso país, por conta do racismo institucional, um direito racialmente condicionado”.

O deputado João Daniel (PT-SE) lembrou que existe uma dívida histórica no Brasil em relação aos negros e, por isso, políticas públicas de igualdade não devem sair da pauta de discussão da Câmara.

“O Brasil é um dos poucos países que fez legalmente a abolição, a libertação dos escravos, mas não fez a distribuição da terra, que é o grande problema desse país, não fez a reforma agrária, não fez a reforma urbana”.

(Agência Câmara Notícias)

Crítica ao racismo é um dever social

Em artigo no O POVO, a jornalista Regina Ribeiro e o historiador Humberto Pinheiro apontam que o discurso de que no País não há racismo e que negros e brancos convivem cordialmente, na prática, isso não existe. Confira:

Aconteceu num sábado quase na hora do almoço. Enquanto meu marido pagava o estacionamento da livraria, fui me encaminhando para o carro a fim de acomodar um pacote com livros. De lá, vi quando uma mulher numa Cherokee se dirigia a meu marido chamando-o com uma das mãos. Ele se aproximou do carro dela, trocaram algumas palavras e se afastou. Vi que ela manteve o braço do lado de fora da porta do motorista. Quem era? Uma amiga? “Não, ela queria que eu colocasse o ticket na máquina para que ela pudesse sair do estacionamento”.

Senti as palavras borbulhando na cabeça e se enfileirando na minha boca feito soldados prontos para a batalha. Por que você não a chamou de racista? Por que não perguntou àquela moça se ela acha mesmo que todo homem negro que ela encontra tem de ser um serviçal? Por que não perguntou se ela pensa que um negro não pode estar, num sábado, numa livraria, no bairro nobre da cidade, comprando seus próprios livros? “Troquei tudo isso” – me falou com a maior calma – “dizendo a ela que não era funcionário do estacionamento e deixando-a com o braço estendido com o ticket na mão”.

A experiência de ser negro no Brasil só sabe que o é. Mesmo que nossa existência seja atravessada pelo discurso de que no País não há racismo e que negros e brancos convivem cordialmente, na prática, isso não existe.

Nunca existiu. O que havia era o silêncio. Hoje, quando se completam 130 anos da abolição da escravatura no Brasil, devemos nos lembrar que o tema da escravidão foi escamoteado de todas as formas neste País e só muito recentemente é que passamos a encará-lo como um período cujo legado nos define mais do que qualquer outro, como afirma o sociólogo Jessé de Souza, autor de A tolice da inteligência brasileira.

Falar de si como negro também é algo que ainda está encontrando seu lugar. É o que a escritora Conceição Evaristo chama de “escrivivência”. É também o que a filósofa Djamila Ribeiro defende como “lugar de fala”, ou seja, dar-se a si mesmo e a sua raça o poder de explicar o mundo em sua volta. Por outro lado, se estou dividindo este artigo sobre o tema com o historiador Humberto Pinheiro, é porque acredito que a crítica ao racismo é um dever social.

Sim, Regina, é uma responsabilidade, sobretudo de quem não tem a pele negra, como é o meu caso. Pois quem não é negro no Brasil nunca saberá (ou poderá) testemunhá-lo. Concordo com você. Mas, se não um “lugar de fala”, pelo menos o que chamo de lugar de (auto)crítica. No Brasil, foram quase 400 anos de escravidão, e nenhuma sociedade encerra isso com um decreto.

Esses séculos estão inscritos em tudo que fazemos e deixamos de fazer, do gesto supostamente mais espontâneo à complacência mais cínica, do constrangimento mal disfarçado à violência mais escancarada.

Com a escravização dos negros, o Brasil participou diretamente da produção do maior genocídio da história, do maior holocausto, fazendo o seu nazismo, e sendo feito por ele. Não precisamos olhar para a Europa para localizar esses nomes, para encontrar vítimas. Aliás, essa é outra forma de racismo: só reconhecer a barbárie quando ela acontece contra europeus brancos. Somos senhores de engenho até quando decidimos sofrer.

Escravidão continuada

Em artigo no O POVO deste domingo (4), o professor de Filosofia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Manfredo Araújo de Oliveira, ressalta a manifestação na Marquês do Sapucaí, quando a escola de samba Paraíso do Tuiuti apontou que a herança escravocrata cria através dos tempos suas diferentes formas de efetivação. Confira:

Algo constituiu grande surpresa no Carnaval carioca. Uma escola de samba escancarou para a opinião pública um tabu sobre o que normalmente se silencia, embora constitua uma das marcas fundamentais de nossa formação social: a herança escravocrata que cria através dos tempos suas diferentes formas de efetivação.

Foi lembrado, como ponto de partida, que a Abolição não foi seguida de medidas para possibilitar a inserção do negro na sociedade brasileira e, o mais provocativo, mostrou-se como o processo de superexploração persiste em nossos dias sustentado, por exemplo, pela Reforma Trabalhista que cria novos mecanismos para a permanência dos trabalhadores no cativeiro social.

Pesquisas do próprio IBGE revelam que há um processo consistente de desaparecimento do emprego formal: desde 2014 o País perde em média 1 milhão de postos com carteira assinada. Agora, com a reforma, os agentes econômicos se sentem à vontade para escolher formas mais baratas de contratação. Em dezembro passado, o Grupo Estácio deu o exemplo: demitiu 1. 200 professores e anunciou um cadastro de reservas para demandas possíveis, porta aberta para a contratação de professores intermitentes, pagos por hora de trabalho, sem garantias de direitos.

O cenário em que isto ocorre é simplesmente trágico: o Brasil é o décimo País mais desigual do mundo e continua sistematicamente a concentrar renda. Pesquisas mostram que no primeiro semestre de 2017 a massa de rendimento do trabalho do topo da pirâmide cresceu 10,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior enquanto a classe B teve um crescimento de 0.69%, a classe C de 1,06%, as classes mais pobres D e E tiveram uma perda de 3,15%. O salário mínimo teve um reajuste abaixo da inflação e o Bolsa Família um orçamento 11% inferior.

Acrescente-se a isto o desmonte da rede de proteção social o que nos põe diante da possibilidade de voltar ao Mapa da Fome como foi dito pela Fao. Isto legitima falar de um processo consistente de pauperização. As fontes básicas de rendimento da população _ mercado de trabalho, transferências de renda e economia familiar_ são também fontes hoje de acúmulo de perdas. Certamente, uma coisa que esta sociedade em seu processo de reestruturação (fala-se de modernização!) não pode esquecer é que a atividade humana é momento integrante da luta do ser humano pela conquista de si mesmo e seu valor ético se decide pelo valor da pessoa humana, que é seu sujeito. A dignidade do ser humano desapareceu do horizonte.

Autor de tiroteio racista na Itália tinha livro de Hitler

O autor do tiroteio racista que deixou seis feridos nesse sábado (3), na cidade italiana de Macerata, possuía um exemplar do livro Mein Kampf (Minha Luta), do ditador Adolf Hitler, além de outros objetos de inspiração fascista e nazista, como bandeiras.

Os policiais italianos divulgaram neste domingo (4) algumas imagens da operação realizada na casa da mãe do homem que foi preso. Lá, encontraram o livro de Hitler, bandeiras com a cruz céltica e publicações como um manual sobre a República Social Italiana instaurada por Benito Mussolini.

O detido pelo tiroteio é o italiano Luca Traini, de 28 anos, que na manhã do sábado percorreu as ruas de Macerata no seu carro, enquanto disparava contra pessoas negras. Seis ficaram feridas.

O atirador, que militou no partido xenófobo Liga Norte, foi detido quase uma hora depois aos pés de um monumento aos mortos na Segunda Guerra Mundial, fazendo a saudação nazista e coberto com uma bandeira da Itália.

O ministro de Interior italiano, Marco Minniti, declarou que a motivação do ataque é “uma clara questão racial” e que aparentemente o atirador agiu sozinho.

Traini, que foi acusado de delitos como massacre com o agravante de racismo, foi detido na prisão de Montacuto, em Ancona, em regime de isolamento, segundo a imprensa local.

Os investigadores tentam agora determinar qual foi o motivo que levou o rapaz a iniciar o tiroteio, que poderia estar vinculado ao recente assassinato de uma jovem em Macerata, um crime pelo qual foi preso um jovem nigeriano.

(Agência Brasil)

MPF e polícias investigam site denunciado por apologia ao racismo e pedofilia

O Ministério Público Federal (MPF) e as polícias civis do Rio de Janeiro e de São Paulo investigam as reais motivações e os responsáveis por trás de um site denunciado por milhares de internautas por causa de textos que fazem apologia a crimes como racismo e pedofilia. Especialistas não descartam a hipótese de que a página esteja a serviço de pessoas ou grupos interessados em prejudicar desafetos; disseminar o ódio contra as minorias sociais e conquistar audiência por meio de polêmicas.

Criado em dezembro de 2017, o site que provocou a revolta de internautas com postagens intituladas “Espancar Negros Libera Adrenalina” e “Pedofilia Com Filhas de Mães Solteiras” ganhou destaque após publicar ofensas a estudantes e a um professor da UniCarioca. Todos os alvos da publicação tiveram as fotos e nomes divulgados em um texto que caracterizava a instituição de ensino como uma “senzala gigantesca”. Um dos estudantes foi ameaçado de morte pelo agressor, que reclama da presença de “negros e mestiços” em ambiente antes dominado pela “elite branca”.

Após pedir a instauração de inquérito na Procuradoria da República no Rio de Janeiro, o procurador Daniel Prazeres, do Grupo de Combate a Crimes Cibernéticos, solicitou a ajuda da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil fluminense para tentar identificar os responsáveis pelo site.

Quase todos os textos publicados no blog são atribuídos a Ricardo Wagner Arouxa que, segundo a UniCarioca, já estudou na instituição. Em depoimento à Polícia Civil do Rio de Janeiro, Arouxa alegou ser vítima da ação de pessoas que usam sua identidade para prejudicá-lo e se esconder das autoridades.

Em entrevista à imprensa, o delegado carioca que colheu o depoimento de Arouxa disse que o rapaz é uma vítima dos verdadeiros responsáveis pelo site. A hipótese e os motivos, no entanto, continuam sendo apurados, e a polícia não forneceu mais detalhes.

Apesar da declaração do delegado, Arouxa continua sendo atacado nas redes sociais por causa do conteúdo dos textos a ele atribuídos.

Uma das pessoas agredidas em e-mails atribuídos a Arouxa foi a advogada Janaína Paschoal, que participou do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em setembro de 2017, a advogada revelou estar recebendo e-mails com ameaças a ela e a sua família, além de cobrança de valores em dinheiro para deixá-la em paz. Após denunciar o caso à Polícia Civil de São Paulo, Janaína conseguiu o telefone do rapaz e entrou em contato com ele.

“Ele me disse que estavam usando o nome dele indevidamente. Pareceu-me que os próprios delegados não acreditaram que ele fosse o real culpado, mas nunca mais voltei a falar com ele e estou aguardando o resultado da investigação policial”, contou a advogada.

(Agência Brasil)

Sou a pessoa menos racista que você já entrevistou, diz Trump; Lembra aquela “viva alma mais honesta”?

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, negou nesse domingo (14) que seja racista. Ele foi questionado por jornalistas, na Flórida, sobre a polêmica causada por suas declarações, nas quais chamou de “países de merda” nações como o Haiti e os da África.

“Eu não sou racista. Sou a pessoa menos racista que você já entrevistou. Que posso dizer?”, respondeu Trump brevemente, ao ser abordado quando chegava para jantar em um clube de golfe da Flórida.

O presidente americano já havia desmentido, na sexta-feira (12), a informação do The Washington Post, segundo a qual ele teria dito, durante reunião sobre imigração, que o Haiti, El Salvador e países africanos são “países de merda”.

Um legislador democrata, que participou da reunião, confirmou ao jornal Los Angeles Times as declarações de Trump.

No entanto, o presidente norte-americano escreveu depois, em sua conta do Twitter, que a linguagem que usou na reunião do Daca (programa para os imigrantes que chegaram, na infância, aos EUA) foi dura, mas que não usou palavras para ofender.

Apesar do desmentido, Trump recebeu duras críticas dos países citados e de outros.

(Agência Brasil)

Polícia investiga racismo contra estudantes e professor da Unicarioca

A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu inquérito para investigar ofensas racistas, homofóbicas e ameaças contra seis estudantes e um professor do Centro Universitário Unicarioca. As vítimas registraram ocorrência hoje (8) na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, na zona oeste, acompanhados de uma advogada especializada, contratada pela universidade. A instituição também busca o autor ou autores das mensagens.

Sete pessoas foram citadas de maneira ofensiva pelo blog riodenojeira.com, no último fim de semana. Tiveram fotos divulgadas em um texto caracterizando a Unicarioca como “uma senzala gigantesca”. Nele, o autor chama alguns de macacos, faz ataques a mulheres e ameaça de morte um dos estudantes negros, provocando indignação.

Nas imagens reproduzidas na internet, o agressor se diz “incomodado com o tipo de gente” que tem frequentado a instituição. Ele diz que o centro universitário não recebe mais a “elite branca”, mas “negros e mestiços que entraram por cota, Prouni e Fies”, esses dois últimos, programas do governo federal para estudantes sem condições de pagar mensalidades.

O reitor da instituição, Maximiliano Damas, disse que o centro universitário repudia os ataque e toma todas as medidas legais para impedir que os casos se repitam. “Prezamos nossa qualidade, as nossas diferenças, a nossa característica de acolhimento e tolerância. O que ocorreu é diametralmente oposto ao que a Unicarioca acredita e pratica”, frisou. “Esse é um momento triste, mas temos apoiado alunos e professor para que saibam da importância deles para a sociedade e para nós”.

Alunos ofendidos pelas mensagens postaram vídeos em redes sociais cobrando que o autor dos ataques criminosos seja punido. “Eu tenho 25 anos e nunca tinha sofrido racismo de forma direta”, declarou o estudante Luiz Fernando Ferreira. “Mas além de me ameaçar de morte, [o autor] me chamou de homossexual, como se isso fosse ofensa, ainda foi homofóbico”, completou.

O caso está sendo acompanhado também pela Secretaria Estadual de Direitos Humanos. A pasta encaminhou a denúncia ao Ministério Público.

O blogriodenojeira.com publicou as postagens no sábado (6). No momento, está fora do ar e não respondeu à reportagem.

(Agência Brasil)

Caso da estudante de Jornalismo, vítima de racismo em Aracaju, ganha debate em duas comissões na Câmara Federal

O caso da estudante de Jornalismo na Universidade Tiradentes (Unit), em Aracaju, Thamires Menezes, 20, vítima de preconceito à raça, à etnia e às características físicas, será debatido na terça-feira (26) pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e pela Comissão de Educação da Câmara Federal.

O debate foi provocado pela deputada Rosangela Gomes (PRB-RJ), que acredita que a “discussão desse episódio específico proporcionará o debate de medidas capazes de prevenir e combater o racismo nas escolas, abrangendo desde o fortalecimento de políticas públicas até o estímulo à prática de atividades pedagógicas sistemáticas nas escolas das redes públicas e privadas de educação”.

Em junho deste ano, o professor da disciplina Comunicação e Expressão Oral – técnicas de dicção – teria dito em sala de aula que o tipo de penteado da estudante não servia para ser âncora de telejornal, na melhor das hipóteses uma repórter ou moça do tempo.

Apesar de não ser especialista na área de Jornalismo – o professor é fonoaudiólogo -, o docente alegou que o cabelo da estudante chamaria mais atenção que a notícia.

A estudante alega que foi desestimulada pela Coordenação do Curso de Comunicação Social e pela própria direção da Unit a desistir da denúncia, pois não teria ocorrido “racismo ou injúria na aula”.

A estudante alega, ainda, que os colegas da disciplina passaram a tratá-la com indiferença, depois que o professor passou a se reunir com os estudantes, fora da sala de aula.

(Com agências / Foto: Reprodução)

Beleza negra do Piauí vence Miss Brasil e agora sofre preconceito nas redes sociais

A estudante universitária Monalysa Alcântara, 18, é a primeira piauiense eleita Miss Brasil, em disputa na noite desse sábado (19), em Ilhabela, no litoral paulista. A cearense Alexia Duarte, 21, foi a vencedora da disputa de maquiagem e ficou entre as 10 mais belas do concurso.

Logo após a conquista, Monalysa Alcântara, de cor negra, passou a sofrer ataques racistas nas redes sociais, a maioria de internautas da Região Centro-Oeste.

Em defesa da piauiense, a atriz global Grazi Massafera postou que Monalysa possui “a cara do Brasil, linda, elegante, carismática”.

Racismo aumenta nos EUA, dizem especialistas da ONU

Um grupo de especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) em direitos humanos sustentaram nesta quarta-feira (16) que o racismo e a xenofobia aumentam nos Estados Unidos e que os incidentes racistas vividos no final de semana em Charlottesville são o último exemplo desta tendência. A informação é da Agência EFE.

“Estamos alarmados pela proliferação e a saliência que ganharam os grupos que promovem o racismo e ódio. Atos e discursos deste tipo devem ser condenados sem panos quentes, e os crimes de ódio investigados e seus autores punidos”, exigiram mediante um comunicado emitido em Genebra.

Um seguidor neonazista assassinou no sábado uma mulher e feriu várias pessoas em Charlottesville (estado de Virgínia) ao lançar seu veículo contra manifestantes que protestavam pela presença de supremacistas brancos na cidade.

Outra evidência da preocupante da situação nos Estados Unidos é o aumento de manifestações de anti-africanas, disseram o relator da ONU contra as formas contemporâneas de racismo, Mutuma Ruteere; e os presidentes do grupo de trabalho sobre povos africanos, Sabe-o Gumedze; e do Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial, Anastasia Crickley.

No caso de Charlottesville, os especialistas enfatizaram que os manifestantes de extrema direita lançaram slogans contra pessoas negras e imigrantes e de corte antissemita.

Os três lembraram também que incidentes parecidos ocorreram recentemente na Califórnia, em Oregon, Nova Orleans e Kentucky, “o que demonstra a extensão geográfica do problema”.

“O Governo deve adotar todas as medidas efetivas de forma urgente para controlar as manifestações que incitam à violência racial e entender como estas afetam a coesão social”, disseram.

Os especialistas expressaram também seu pesar pela morte de dois oficiais da policia após a colisão de seu helicóptero quando vigiavam a situação em Charlottesville.

(Agência Brasil)

Atacando a democracia: desconhecimento ou maldade?

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Em artigo enviado ao Blog, o professor Francisco Djacyr Silva de Souza aponta o crescimento de mensagens homofóbicas e racistas nas redes sociais. Confira:

Em tempos de democracia, algumas pessoas tinham medo de destilar seus prazeres homofóbicos, racistas e ditatoriais , pois ainda havia a tal cerimônia de se rotularem assim. Em meio à derrocada de alguns partidos de tendência esquerdista, que ao chegarem ao poder, acabaram colocando os pés pelas mãos, vemos agora em nosso país a quase completa dominação deste tipo de gente que agora não tem nenhum receio de postar suas verborragias antipopulares e antidemocráticas. Cresce a perseguição aos que ousam e querem uma sociedade melhor.

Assim, mensagens homofóbicas e racistas têm invadido as redes sociais, os noticiários e até mesmo os partidos políticos, em nome de uma ordem que visa manter as desigualdades sociais e evitar a inclusão dos que sofreram anos de amargura sem direitos e tragados pelo apartheid social.

O que salta aos olhos é que muitas destas mensagens são emitidas por pessoas com formação superior e com posição social alta. O que faz parecer é que há uma espécie de temor de perder determinados privilégios que, para muitos, é comum ou fazem parte da própria construção da sociedade. Essa ideias são eivadas de egoísmo, desejo consumista e individualismo e passam a ideia de que muitos não tiveram na escola uma formação que visasse valores e que levasse os seres humanos a serem mais humanos, pensando nos outros e buscando um ideal de companheirismo e partilha, valores contidos na maioria dos manuais religiosos dos que cometem tais crimes. Sim, crimes contra a humanidade , contra a vida e contra a democracia.

É perigosa a convivência com pessoas que adotam teses racistas, homofóbicas e antidemocráticas e que elogiam a tortura e os crimes cometidos contra os humanos. É triste ver o crescimento de ideias conservadoras em uma sociedade que é plural e que precisa refletir sobre a necessidade de entender a vida como dádiva que é merecimento de todos.

Além disso, vemos ideias deslocadas de sentido em que até a bandeira do Japão foi confundida como símbolo comunista. Falta a estes grupos estudo – que não é escolar – pois, com a falência do modelo educacional brasileiro, está cada vez mais fácil conseguir um diploma que para muitos é símbolo de conhecimento e que na realidade nunca será.

Além do mais, algumas denominações religiosas promovem ideologias absurdas que acabam embebedando os menos avisados. que destilam sua intolerância e fanatismo perigoso para um país que precisa entender que a vida é para todos. Ou não é?

*Francisco Djacyr Silva de Souza,

Professor.

Tema da redação do segundo dia do Enem é sobre caminhos de combate ao racismo

O tema da redação da segunda aplicação do Enem 2016 é: “Caminhos para combater o racismo no Brasil”. A informação foi divulgada pelo Twitter do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep).

São 277.624 candidatos inscritos para a segunda aplicação do Enem. A maior parte desses alunos teve as provas adiadas por causa das ocupações em escolas e universidades públicas do país no mês de novembro.

As provas são diferentes daquelas aplicadas dias 5 e 6 de novembro, mas mantêm o mesmo nível de dificuldade, o que, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), garantirá a isonomia entre os candidatos.

(Agência Brasil)

Obama nega que EUA vivam racha entre brancos e negros

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou novamente os casos de violência policial e racial que atingiram o país e voltou a pedir mudanças na legislação sobre a venda de armas de fogo. Em Varsóvia, Obama disse neste sábado (9) que esta foi “uma semana dura”, mas se negou a dar vazão para a ideia de que os EUA estejam divididos em um novo conflito entre brancos e negros.

“Acredito firmemente que a América não está dividida como alguns sugerem”, disse Obama em coletiva de imprensa. “Os norte-americanos de todas as raças estão indignados com os ataques em Dallas e em outros lugares”, explicou.

Há dois dias, um protesto em Dallas contra a violência policial terminou em tragédia, quando um homem, identificado como Micah Xavier Johnson, matou cinco agentes e feriu outros seis, aparentemente por vingança pela suposta brutalidade empregada pelos oficiais brancos contra jovens negros. Os episódios mais recentes de brutalidade se referem a três rapazes negros que foram mortos a tiro em abordagens policiais.

Em seu discurso, Obama tentou amenizar o clima entre os norte-americanos e afirmou que o atirador de Dallas “não representa os negros” dos Estados Unidos. “Não podemos deixar que ações de poucos definam todos os norte-americanos”, comentou o presidente.

(Agência Brasil)