Blog do Eliomar

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Chuvas num canto sim; noutros, não!

Com o título “Chuva num canto sim; noutros, não!”, eis artigo de Fabrício Moreira, advogado, contista e ex-vice-prefeito de Icó. Ele alerta para a crise hídrica que reina nos açudes dos arredores de sua cidade. Confira:
Como de costume, acordei antes do sol, mesmo concordando com o poeta Natã Oliveira onde categoricamente afirma: “que ele renova-nos de impurezas todos os dias”. Então, nada melhor do que uma parceria com ele, o sol, andando a pé pelas ruas largas e becos estreitos do Icó pra conversar com o povo e exercitar excelente processo de higienização corporal.
Mas, nos últimos dias, São Pedro – colega de nosso Senhor do Bonfim, tem desenhado nos céus do Icó uma belíssima imagem de prenúncio de muitas chuvas, mas que não estão caindo de suas nuvens carregadas como desejamos. Salvo em alguns locais isolados. Por aqui, a situação hídrica é perversa e assusta a todos nós com o possível colapso d’água para o abastecimento humano.
No última segunda – no Dia da Mentira, a verdade nos chegou para refletirmos com enorme preocupação: Os açudes de Lima Campos e do Orós não conseguiram ainda os aportes necessários para levar água a quem tem sede e sustentar os nossos sertanejos que dela precisam para plantar e colher os frutos de suas produções agrícolas.
Essa problemática, tema muito importante e vital, está passando despercebida da população, que dispersa, ainda não entendeu que é preciso racionar a água doce disponível para consumo humano, principalmente.
Diante dessa situação, gostaria de convocar o povo icoense à união com consciência. Antes que seja tarde demais!
*Fabrício Moreira da Costa,
Advogado, contista e ex vice-prefeito de Icó.

Cogerh vai debater situação da barragem Caldeirões, em Saboeiro

O deputado estadual Acrísio Sena (PT), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, e lideranças políticas do município de Saboeiro vão se reunir, às 14 horas desta terça-feira, na sede da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). O assunto é um só: a situação da barragem Caldeirões.

“Os gestores municipais estão solicitando um plano de ação para recuperar a barragem, além da ampliação da barragem em pelo menos 40% ou construção de uma nova, informa o deputado Acrísio Sena (PT).

Técnicos da Cogerh realizam uma nova vistoria na barragem para expor resultados nessa reunião da Cogerh.

(Foto – ALCE)

Os governadores nordestinos se esqueceram também da Codevasf

O engenheiro Ângelo Guerra, diretor-geral do Dnocs, lamenta que os governadores do Nordeste tenham excluído o órgão de suas lutas junto ao Palácio do Planalto e citado apenas como prioritários a Sudene e o Banco do Nordeste.

Ele até reforça que, nessa carta, os chefes de executivos da região não deram bola para um outro órgão importante para os nordestinos: a Codevasf.

A propósito, se depender do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, o titular do Dnocs e demais diretores permaneceram nos cargos.

(Foto – Paulo MOska)

Chove chuva, mas açude Castanhão não reage

Mesmo com boas chuvas no Estado, ainda falta muito, muito mesmo, para o açude Castanhão sair do limbo. O nível das reservas ali é de 3,54% do volume total, que é da ordem de 6 bilhões de metros cúbicos.

De acordo com a Companhia de Gerenciamento dos Recursos Hídricos do Estado (Cogerh), até agora, 11 açudes sangraram por conta das bocas chuvas.

Embora os números de sangria estejam crescendo, 99 reservatórios ainda se encontram com volume abaixo de 30%. Desses, 31 estão com volume considerado morto. Outros 10 estão secos. Sâo eles: Faé (Quixelô), Madeiro (Pereiro), Sousa (Canindé), Serafim Dias (Mombaça), Potiretama (Potiretama), Carão (Tamboril), Adauto Bezerra (Pereiro), Nova Floresta (Jaguaribe), Salão (Canindé) e Favelas (Tauá).

(Foto- Fabio Lima)

Leônidas Cristino aponta HUB da Tecnologia como diferencial para gerar riqueza no Ceará

Em pronunciamento nesta segunda-feira, 25, na Câmara, o deputado federal Leônidas Cristino (PDT) saudou o projeto do HUB de Dados e Telecomunicações do Ceará como um diferencial para fazer com que a passagem dos cabos submarinos pela costa cearense gere riqueza internamente. Fortaleza recebe a segunda maior concentração de cabos submarinos de fibra óptica no mundo que conectam o Brasil às Américas, sobretudo aos Estados Unidos, à Europa e África, por onde alcançam o continente asiático.

“De forma consistente e planejada, Fortaleza consolida-se como polo atrativo de grandes empresas globais da tecnologia”, disse Leônidas Cristino. Segundo ele, essa realidade deve-se à privilegiada localização geográfica da cidade e aos incentivos que oferece em uma política ativa de prospecção, vocacionada para conquistar novos negócios de tecnologia e comunicação.

Leônidas Cristino atribui a criação do projeto a “uma ação conjunta do governador Camilo Santana e do prefeito Roberto Cláudio para consolidar em Fortaleza um HUB de Dados e Telecomunicações. O passo inicial definitivo foi dado pelo ex-governador Cid Gomes quando lançou no Ceará o Cinturão Digital, a maior rede de conexão pública do País”, ele afirmou.

Conexão ampliada

O Cinturão Digital conta com mais de 3,5 mil km de fibra óptica, e conecta 116 dos 184 municípios do Ceará com cobertura de 90% da população urbana do estado. “Essa infraestrutura atende a mais de 1.500 unidades administrativas do estado ― escolas, postos de saúde, delegacias, postos da Secretaria da Fazenda e outros”, disse ele.

O deputado avalia que, com essa conexão digital, o Ceará terá a possibilidade de se transformar em importante centro de oportunidades, inclusive com a presença de grandes players internacionais. Para tanto, disse Leônidas, criou-se em Fortaleza o Programa de Apoio a Parques Tecnológicos e Criativos (ParqFor), voltado para atrair negócios a partir da vocação natural da cidade. A iniciativa oferece incentivos fiscais para empresas da área de tecnologia que se instalarem em áreas predeterminadas.

Com essas ações estratégicas – acrescenta Leônidas Cristino – o Ceará favorece a concentração de novos negócios no campo da inovação, estimula a abertura de espaço para a criatividade nos institutos de pesquisa e universidades, amplia a perspectiva de absorção de cérebros locais, expande a geração de emprego e renda e dinamiza o seu desenvolvimento econômico e social.

(Foto – Agência  Câmara)

À espera do rio São Francisco

Com o título “À espera do rio São Francisco”, eis artigo de Guilherme Landim, deputado estadual pelo PDT. “Ver essa água chegar é ver amenizada a sede do povo cearense e o aumento da nossa produção agrícola”, diz o parlamentar em seu texto. Confira:

A transposição do rio São Francisco é fundamental para o desenvolvimento do Ceará. A obra do governo federal, que já dura quase seis anos, tinha prazo inicial de 24 meses para ser finalizada, mas até então não recebemos suas águas. Como representante do povo, é meu dever buscar respostas, e por isso protocolei na Assembleia um requerimento para a criação da comissão de acompanhamento das obras.

Essa também foi uma luta de muitos anos do deputado Wellington Landim, meu falecido pai, que foi o primeiro a empunhar essa bandeira no Ceará, e um dos primeiros no Nordeste. O trecho pendente para que possamos, enfim, dar início à distribuição da água, se estende de Salgueiro até chegar em Jati, e está em fase de conclusão, mas sua entrega já foi adiada por cinco vezes.

Devemos cobrar da empresa licitada e dos órgãos responsáveis, o que está no planejamento, e o que o novo governo idealiza para o Nordeste. Quero, como parlamentar e como cidadão cearense, que o sonho se torne realidade.

Ver essa água chegar é ver amenizada a sede do povo cearense e o aumento da nossa produção agrícola. Além dessas questões, existem ainda várias obras menores que vêm junto, mas que são de igual importância, tais como as obras de abastecimento de todas as comunidades que margeiam o canal da transposição.

Tamanha construção impactou municípios do Ceará com danos que até agora não foram reparados, como barragens sem a estrutura adequada para receber as águas, situação que pode ser agravada com o período de chuvas, e até a necessidade de obras complementares, como a contenção do leito do riacho dos Porcos. Dessa forma, tornamos público para o povo e garantimos que nós parlamentares vamos estar lutando pela finalização desse trecho.

Afinal, como cearense, a pergunta que não me sai da cabeça é: quando finalmente poderemos usufruir das águas do Velho Chico? O sofrimento da seca é uma constante para o nosso povo, e ver chegar tanta água para um estado que há seis anos padece com as consequências da estiagem é reacender a esperança do sertanejo de um futuro melhor, mais farto e promissor.

*Guilherme Landim

Deputado estadual do PDT.

São Francisco – Canais do rio poderão ganhar placas solares

O governo federal estuda instalar placas solares ao longo dos canais de integração do Rio São Francisco para que a energia solar possa ser utilizada no bombeamento da água. A informação é do presidente Jair Bolsonaro, em postagem de hoje (24) na sua conta no Twitter.

O consumo de energia elétrica do sistema corresponde a cerca de 80% dos custos da operação do empreendimento. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional, a demanda anual nas fases pré-operacional e operacional do Projeto gira em torno de 746 mil MW.

A instalação de placas sobre espelho d’água também possibilita que a evaporação seja bastante reduzida, já que os painéis solares montados em canais bloqueiam a radiação do sol. De acordo com estimativas, uma planta fotovoltaica (painéis) de um megawatt pode economizar nove milhões de litros de água por ano.

Os painéis solares ainda oferecem outra vantagem: com a ausência de luz solar, o crescimento de algas é minimizado, ajudando também na redução do custo de manutenção e aumentando a vida útil dos equipamentos.

Bolsonaro comentou também sobre a finalização das obras do projeto. “O Ministério de Desenvolvimento Regional divulga que, o Projeto de Integração do São Francisco está em fase conclusiva de obras, como visto em tweets anteriores. Complementamos que Eixo Norte está em reparação, e a expectativa é de que os trabalhos sejam finalizados até maio”, escreveu.

O Ministério do Desenvolvimento Regional informou que o Eixo Norte está com 97% de avanço. Os serviços estão concentrados no dique Negreiros, em Salgueiro (PE), e, em maio, as atividades serão concluídas, a estrutura voltará a pré-operar e “as águas do ‘Velho Chico’ voltarão a percorrer os canais em direção ao Ceará”.

Já o Eixo Leste, entregue em março de 2017, tem garantido o abastecimento regular de mais de um milhão de pessoas em 35 municípios da Paraíba e de Pernambuco. Nesta semana, o governo liberou R$ 82 milhões para as obras da Adutora do Agreste, localizada no sertão pernambucano, para expandir o abastecimento na região.

A adutora já leva as águas do Eixo Leste para sete cidades e, até junho, contemplará mais três municípios de Pernambuco. No total, a primeira fase da obra vai contemplar mais de um milhão de pessoas em 23 cidades.

(Agência Brasil)

Acrísio Sena anuncia audiência pública sobre segurança hídrica no Estado

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O petista Acrísio Sena, agora presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Semiárido da Assembleia Legislativa, vai puxar, na próxima terça-feira à tarde, uma audiência pública que terá como tema “Segurança hídrica do Estado”.

Autor do requerimento, o parlamentar diz ser mais do que necessário debater o tema com Cagece, Funceme, Cogerh, Dnocs, Semace, Promotoria de Justiça e Planejamento Urbano e as secretarias estaduais de Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário.

Na prática, hora de saber a situação atual dos açudes, as perspectivas de inverno e, principalmente, o que tem sido feito de apoio ao agricultor.

(Foto – ALCE)

Secretaria dos Recursos Hídricos investe em educação ambiental nas escolas

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A educação ambiental sobre Água vai começar pelas crianças.

O projeto “SRH na Escola” já está contemplando alunos do 4º ano fundamental dos municípios de Pentecoste, Itaitinga, Maranguape, Apuiarés e General Sampaio através do livrinho “A Gotinha Nossa de cada Água”, que conta a história de uma gotinha e sua passagem pelo lençol freático, nascente, riacho até um reservatório.

Neste percurso ela e as amigas conversam sobre ciclo da água, poluição, mata ciliar, preservação de nascentes e Comitê de Bacia.

A proposta da Coordenadora da Célula de Articulação com o Usuário – (CEART), Márcia Caldas, foi bem recebida pelo secretário Francisco Teixeira, titular da Secretaria dos Recursos Hídricos do Estado, e os comitês estão abraçando a ideia e o governador Camilo Santana (PT) autorizou a impressão de 45 mil livrinhos para utilização no Comitê de Bacias Metropolitanas.

DETALHE – O texto é da jornalista Inês Prata e a ilustração do artista plástico Sérgio Lima.

(Foto – Paulo MOska)

Ministro Marcos Pontes garante novas tecnologias para o Ceará no plano dos recursos hídricos

Marcos Pontes e o deputado federal Heitor Freire (PSL).

O deputado federal Heitor Freire (PSL) foi recebido em audiência, em Brasília, pelo ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, ocasião em que discutiram um plano de ações para o Ceará. Um dos principais pontos abordados foi a área dos recursos hídricos.

O ministro Marcos Pontes apresentou ao parlamentar uma tecnologia israelense que conheceu durante visita ao país no início deste ano. Um dos destaques ficou por conta da empresa israelense Watergen, que doou 11 máquinas que transformam a umidade do ar em água. As máquinas podem produzir até 900 litros de água por dia, dependendo do local de instalação e da umidade do ar, que deve ser de, pelo menos, 15%. O ministro Marcos Pontes garantiu que uma dessas máquinas virá para o Ceará.

“Nós estamos elaborando um estudo para saber qual cidade vai receber a máquina. Sabemos que o acesso à água potável é imprescindível para ajudar a controlar doenças e também reduzir problemas como a mortalidade infantil e outros, além, claro, de permitir um maior cuidado com o preparo dos alimentos e o consumo das pessoas e animais. Temos certeza que essa máquina será muito bem aproveitada aqui no Ceará”, destaca Freire.

O ministro Marcos Pontes garantiu que em breve fará uma visita ao estado para conhecer de perto as necessidades da população cearense.

(Foto – Divulgação)

O engenheiro e a hidrologia do Castanhão

Na primeira reunião do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema), realizada nessa quinta-feira, na sede da Semace, sobre os riscos das barragens federais no estado do Ceará estarem sujeitas a qualquer risco de rompimento, o engenheiro Cássio Borges ocupou espaço. Ele se referiu ao problema da hidrologia que, na sua avaliação, não está sendo levado em conta na análise que está sendo feita em relação a este problema.

Citou, como exemplo, a Barragem do Castanhão, projetada em 1985 pelo extinto DNOS (não confundir com o Dnocs) que apresenta de 10 a 12 erros grosseiros de engenharia em sua concepção hidrológica.

Cássio disse: em 2009, o referido empreendimento quase que teria rompido. Revelou ter advertido que, se naquela ocasião, tivesse havido uma enchente como as de 1974 ou as de 1985, com certeza a barragem não teria resistido, pois sua capacidade máxima é de 6,7 bilhões de m³ e o volume de espera para controle de enchente, de apenas 2,3 bilhões de m³.

Adiantou também que, em 2009, passou pela seção do Açude Castanhão um volume de 8,1 bilhões de metros cúbicos de água,
enquanto em 1985 transitou, pela referida seção do Rio Jaguaribe, 19,9 bilhões de metros cúbicos.

(Foto – Arquivo)

Estado quer monitorar barragens do Dnocs

Da Coluna do Eliomar de Lima, no O POVO desta quinta-feira:

A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) já está planejando fazer o monitoramento das grandes represas construídas pelo Dnocs no Estado. O órgão, que monitora as 155 barragens no território cearense, reconhece que a autarquia federal vive dificuldades até financeiras para assumir essa obrigação. A Cogerh, hoje fazendo isso em algumas represas com aval do Dnocs, quer ampliar esse trabalho.

No próximo dia 7, às 14 horas, no auditório da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), haverá debate sobre a segurança das barragens no Ceará. Estarão no encontro membros da própria Semace, órgão que controla o licenciamento de barragens; Cogerh e Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH), que fiscalizam e monitoram barragens; e do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), pela parte técnica, representando a sociedade civil.

A propósito: o tema da modernização do licenciamento ambiental, que iria ser tratado no dia 7, ficou para março. A ordem é dar mais tempo para discussões sobre resoluções nesse aspecto, informa o secretário estadual do Meio Ambiente, Artur Bruno. “Vamos colocar à disposição da sociedade essa proposta, aceitando críticas e sugestões”, complementa o titular da Sema.

(Foto – Agência Câmara)

Dnocs só dispõe de R$ 6 milhões para garantir manutenção de 327 barragens

Barragem do Castanhão.

Nada se compara à tragédia de Brumadinho, mas, falando em prevenções, um dado: o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), que responde por 327 barragens no Nordeste, só conta com R$ 6 milhões para ações de recuperação, segundo funcionários .

E olhe lá!

(Foto – Fabio Lima)

Um relato atualizado para a história

Com o título “Um relato atualizado para a história”, eis artigo de Cássio Borges, engenheiro civil, formado pela Escola Politécnica de Pernambuco e com cursos de pós-graduação em Barragens e Recursos Hídricos pela Escola Nacional de Engenharia e Escola Politécnica da Universidade Católica, ambas do Rio de Janeiro. Confira:

É prazeroso retransmitir para os leitores deste Blog o que escreveu o jornalista Alan Neto em sua conceituada coluna de domingo, no O POVO do último dia 2 de dezembro, com palavras elogiosas sobre o livro que escrevi enfocando o planejamento hídrico da vale do Rio Jaguaribe no Ceará, nas suas 362 páginas : “Guardião do Dnocs velho de guerra, o engenheiro Cássio Borges escreveu um livro para os anais da história – A Face Oculta da Barragem do Castanhão, um relato atualizado para a História. Uma joia rara…”.

O livro trata especificamente dos erros de engenharia que foram cometidos no projeto da Barragem do Castanhão, empreendimento este elaborado em 1985 pelo então Departamento Nacional de Obras de Saneamento-DNOS, que foi extinto no inicio do Governo de Collor de Melo, e do perigo de o Projeto de Integração Rio São Francisco ser entregue a uma entidade que não tem identificação com a problemática hídrica de nossa Região de rios intermitentes.

Desde quando esta obra surgiu no cenário cearense, me posicionei contra a sua inclusão no Planejamento Hídrico do Vale do Rio Jaguaribe, tendo escrito dezenas de artigos fazendo alusão a esses erros de engenharia, sem contudo ter sensibilizado os meus colegas da comunidade técnica/cientifica do estado do Ceará que preferiram ficar calados e não dar resposta aos meus questionamentos sobre a referida obra. Foram quatorze anos de uma discussão que, aliás, não houve, porque os defensores da Barragem do Castanhão preferiram o silêncio como resposta. Daí o motivo porque resolvi escrever este livro : “ um relato atualizado para a História”.

Mas porque os idealizadores, defensores e promotores deste empreendimento preferiram ficar em silêncio? Por que não responderam os questionamentos que fiz a este respeito em dezenas de artigos que escrevi? Por que utilizaram a evaporação como sendo de apenas 1.700 mm, em vez de 2.800 mm, como foi citado no Estudo de Impacto Ambiental? Por que cantaram em verso e prosa que a Barragem do Castanhão tinha a sua vazão regularizada como sendo de 30 m³/s e agora admitem ser de apenas 10 m³/s? Por quê? Por quê?

A conclusão a que chego é que o fato acima deve servir de exemplo: No meu entendimento, é uma temeridade o Projeto de Integração do Rio São Francisco ser entregue a uma entidade que não tem o conhecimento e a expertise que tem o DNOCS, que há 109 anos atua na região nordestina, sem que tenha sido registrado, até hoje, qualquer problema em seus empreendimentos. Nunca é demais lembrar que o DNOCS criou uma florescente civilização em nossa Região e é considerado pelos estudiosos como “o maior fabricante de água do mundo” ou, como já foi denominado também, de a Universidade da Caatinga.

A construção de 331 açudes públicos de médio e grande porte, cerca de 900 açudes de pequeno porte em regime de cooperação que acumulam 38 bilhões de metros cúbicos de água, a construção de 22.000 quilômetros de rodovias, 34.000 poços profundos, cerca de 100 mil hectares de irrigação pública e 50 000 hectares de irrigação privada, perenização de 3.000 km de rios intermitentes (equivalente ao Rio Danúbio que tem 2.860 km e atravessa dez países europeu), criação de nove Centros de Pesquisas Ictiológicas que produzem 50 milhões de exemplares de alevinos por ano, entre outras grandes realizações, tudo isto equivale ao que é gasto através do programa BOLSA FAMILIA em cinco anos, sem que este gere um só emprego produtivo.

*Cássio Borges

Engenheiro civil, formado pela Escola Politécnica de Pernambuco e com cursos de pós-graduação em Barragens e Recursos Hídricos pela Escola Nacional de Engenharia e Escola Politécnica da Universidade Católica, ambas do Rio de Janeiro.

Se não chover o suficiente, o jeito é beber água do mar

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Com o título “Se não chover o suficiente, o jeito é beber água do mar”, eis artigo do deputado federal Leônidas Cristino (PDT). Ele aponta a necessidade de dessalinização da água do mar para abastecimento de Fortaleza e outras cidades do Nordeste, diante da insuficiência de chuvas para recarga dos açudes. Confira:

A atração da tecnologia de dessalinização da água do mar é uma alternativa urgente para dotar os estados do Nordeste de sistemas complementares para o suprimento das necessidades da população, além da transposição do rio São Francisco. Já não basta depender da estação de chuvas como única fonte de abastecimento de água nos centros urbanos.

O governo do Ceará lança ainda este ano a licitação para construir uma usina de dessalinização da água marinha com capacidade para mil litros por segundo para o consumo na Região Metropolitana de Fortaleza. Significa um incremento de 12% na oferta atual, o abastecimento de 720 mil pessoas, segundo a Cagece.

O Ceará está na mira dos detentores da tecnologia, que é dominada por diversos países. O governador Camilo Santana foi conhecer usinas de dessalinização em Dubai e Israel, país que supre com água marinha 97,5% do consumo local.

Temos pela frente o desafio da atração da tecnologia, mas também o de resolver da melhor maneira a questão do preço da água dessalinizada, muito elevado em comparação com os custos convencionais da água potável. Para ajudar a resolver estes dois gargalos, apresentei na Câmara Federal o Projeto de Lei nº 7.331/2017, que concede incentivos fiscais para a implantação, operação e manutenção de plantas de dessalinização de água marinha nos estados do Nordeste.

Esta isenção de cinco impostos federais visa baratear a implantação das usinas e o custo da água para o consumidor final. A União tem responsabilidade na conquista da segurança hídrica, essencial ao desenvolvimento do Nordeste. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Cofins, PIS/Pasep, IPI, do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.

O Projeto de Lei foi aprovado por unanimidade na Comissão de Minas e Energia e na Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia. Solicitei que a matéria seja examinada em regime de urgência pela Câmara para agilizar a votação do projeto.

Vamos aguardar a aprovação do projeto. Que venha a tempo de iniciar a construção das usinas. Outros estados do Nordeste preparam editais para licitar usinas de dessalinização da água do mar. Esperar a chuva do céu não é a única opção.

*Leônidas Cristino

dep.leonidascristino@camera.leg.br

Deputado Federal (PDT).

Águas do São Francisco chegam ao Ceará em fevereiro de 2019

O governador Camilo Santana (PT) esteve reunido, nesta manhã de quarta-feira (5), em Brasília, com o ministro da Integração Nacional, Pádua Andrade. Na ocasião, o ministro garantiu a liberação de mais R$ 43 milhões para a continuidade das obras do Cinturão das Águas do Ceará (CAC) e marcou para o fim de dezembro, entre 26 e 28 próximos, a inauguração do último trecho da Transposição do São Francisco, em Salgueiro (PE).

Com isso, segundo Camilo, as águas do São Francisco deverão chegar ao Ceará até o fim de fevereiro de 2019, integrando-se ao Cinturão das Águas do Ceará. Já o ministro Pádua Andrade revelou que as obras estão quase 100% concluídas em Salgueiro, restando detalhes para a entrega.

Camilo Santana, que visitou as obras da transposição em 20 de novembro com o ministro e do presidente do Senado, Eunício Oliveira, destacou que a entrega vai permitir a segurança hídrica para o Ceará. “Esta é a maior obra do século e a maior obra hídrica do Brasil. Não tenho dúvida de que vai mudar o perfil econômico do nosso Estado e da região Nordeste”, afirmou. Ainda no encontro, o ministro anunciou a liberação de R$ 4,8 milhões para o trecho 4 do Eixão das Águas, entre outros projetos.

Cidades

Também na manhã desta quarta-feira, em Brasília, Camilo Santana se reuniu com o ministro das Cidades, Alexandre Baldy. “Tratamos sobre obras importantes para nosso estado, como unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida e detalhes sobre a Linha Leste do Metrô de Fortaleza”. Em seguida, o governador se reuniu com o ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab.

(Foto – Divulgação)

Pesquisadores da UFC trocam experiências com grupos estrangeiros sobre tratamento de água

Alunos da Universidade Federal do Ceará, de outras instituições brasileiras e de três universidades estrangeiras apresentaram no fim de semana, no Campus do Pici, suas pesquisas sobre o controle de cianobactérias em reservatórios de água. Foi durante o II Workshop Selaqua, realizado no âmbito do Programa Institucional de Internacionalização (PRINT) do Ministério da Educação, e que tem o objetivo de construir novas parcerias internacionais de pesquisa.

O Selaqua é a Seção Laboratorial de Qualidade de Água do Departamento de Engenharia Ambiental. O evento é realizado em parceria com a Robert Gordon University, em Aberdeen, na Escócia, e conta ainda com participantes da University of St. Andrews, também na Escócia, e da Queen’s University, na Irlanda.

O coordenador da equipe internacional do evento, Carlos Pestana, da Robert Gordon University, já realizou trabalhos com a UFC nos anos de 2016 e 2017 e esse contato gerou a oportunidade do intercâmbio. Segundo ele, há perspectivas de construção de novas parcerias de pesquisa com a UFC. “Nós estamos no processo de criar materiais para serem testados aqui no Brasil no ano que vem, então terá mais colaboração extensiva no futuro”, adianta. A informação é do site da UFC.

De acordo com o coordenador no Brasil do evento, José Capelo Neto, do Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos, foram apresentados os resultados até o momento das pesquisas que têm por finalidade a melhoria da qualidade da água que é consumida pela população e que chega através do abastecimento público.

A ideia é a instalação de equipamentos desenvolvidos pela UFC em reservatórios, os quais captariam energia solar para o seu funcionamento. “Com isso, além de termos o controle físico-químico da bactéria, teríamos o sombreamento dos reservatórios, com os painéis solares, o que reduziria a evaporação”, adianta Capelo.

A estudante de doutorado em Engenharia Civil-Saneamento Ambiental da UFC, Marianna Correia, apresentou a pesquisa Control of cyanobacteria and their metabolites with the application of hydrogen peroxide. “Trata-se de aplicação de métodos de tratamento de água com o objetivo de eliminação de cianobactérias e os metabólitos produzidos por elas, como as cianotoxinas”, esclareceu. Ela avalia como muito importante o intercâmbio com os pesquisadores estrangeiros. “Eles podem nos ajudar com sugestões para a melhoria da nossa pesquisa e eles também conhecem, por exemplo, cianobactérias que não existem por lá e que nós estudamos aqui. É uma troca de experiências”, analisa.

O II Workshop Selaqua segue até o dia 5 de dezembro. Nesta terça-feira (4), haverá visita ao açude Castanhão e às estações de abastecimento ETA Gavião e ETA Oeste, que abastecem a Região Metropolitana de Fortaleza.

(Foto – UFC)

Banco Mundial anuncia US$ 200 bilhões para combater mudanças climáticas

O Banco Mundial anunciou um plano de investimento de US$ 200 bilhões para combater a mudança climática entre 2021 e 2025 – dobro do valor do período anterior. O anúncio ocorre no momento em que se inicia a Cúpula do Clima (COP24), em Katowice (Polônia), com a missão de encontrar as fórmulas para implementar o Acordo de Paris de 2015, que pede para se frear o aquecimento global baixando de forma drástica as emissões poluentes.

Com sede em Washington (Estados Unidos), o comando do Banco Mundial detalhou que o programa, cujo anúncio coincidiu com o início da Cúpula do Clima da Polônia, pretende “reconhecer o impacto da mudança climática na vida das pessoas”, especialmente nos países mais pobres do mundo e em desenvolvimento.

“A mudança climática é uma ameaça existencial para os mais pobres e vulneráveis do mundo. Estes novos objetivos demonstram o quanto seriamente estamos levando esta questão”, afirmou em comunicado o presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim.
Em nota, Kim pediu à comunidade global que tome mais ações contra a mudança climática.

O pacote anunciado pelo banco tem o objetivo de construir sistemas de proteção social contra a mudança climática em 40 países e financiar “investimentos em agricultura inteligente” em 20 países. A instituição pretende ajudar 100 cidades para que alcancem um planejamento urbano “sustentado e de baixa emissão de carbono” e um
desenvolvimento orientado ao trânsito, entre outras iniciativas.

O Banco Mundial contribuirá com a metade dos fundos do plano, enquanto o resto será arrecadado pela Corporação Financeira Internacional, pela Agência Multilateral de Garantia de Investimentos e recursos de capital privado.

(Agência Brasil com EFE)

Fórum Multissetorial debate Responsabilidade Ambiental

Tem início às 14 horas desta quinta-feira, no auditório da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), o Fórum Multissetorial de Responsabilidade Ambiental.

A realização é do Instituto Águas do Brasil e vai se estender, até o fim da tarde desta sexta-feira, com debates envolvendo temas do setor hídrico.

O coordenador do encontro, Claudionor Araújo, conversou com a reportagem do Blog sobre o fórum multissetorial que, entre convidados, terá a participação do secretário dos Recursos Hídricos do Estado, Francisco Teixeira.