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MPF entra na campanha contra o tráfico de pessoas

Durante cinco dias, a partir dessa segunda-feira (28), a fachada da sede do Ministério Público Federal (MPF), no bairro Joaquim Távora, ficará iluminada com a cor azul. A iniciativa faz parte da campanha mundial de combate ao tráfico de pessoas, desenvolvida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e da primeira edição da Semana Nacional de Mobilização contra o Tráfico de Pessoas.

Com o título “Coração Azul”, a campanha acontece nesta semana porque nesta quarta-feira (30) comemora-se o primeiro Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas. Para demonstrar apoio às vítimas e promover a conscientização sobre o crime, a campanha está convocando pessoas do mundo inteiro a postar uma foto nas redes sociais fazendo um coração com as mãos e a usar as hashtags #igivehope e #coraçãoazul.

Segundo estimativas da ONU, cerca de 2,4 milhões de pessoas são traficadas todos os anos, gerando uma renda anual de 32 bilhões de dólares para os exploradores. Diariamente, milhares de seres humanos são comprados e vendidos com as finalidades de exploração sexual, trabalho escravo, casamento servil, adoção ilegal e extração de órgão.

(MPF-CE)

Ausência de denúncias é o maior obstáculo para coibir o tráfico de pessoas, diz ministro

A ausência de denúncias sobre o tráfico de pessoas dificulta o enfrentamento desse tipo de crime, disse nessa sexta-feira (18) o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, durante o lançamento da pesquisa Diagnóstico sobre Tráfico de Pessoas nas Áreas de Fronteira no Brasil. O ministro classificou a prática como subterrânea, devido à dificuldade de verificar a sua ocorrência.

“O crime do tráfico de pessoas é o que eu poderia chamar de crime subterrâneo. É um crime difícil de detectar e que dificulta profundamente as autoridades policiais e os órgãos de investigação e de repressão do Estado de poderem atuar”, disse Cardozo.

O ministro também ressaltou que a dificuldade na obtenção de dados está relacionada à cultura permissiva nesse tipo de crime, o que leva à pouca notificação dos casos. “Esta pesquisa dentre vários aspectos nos mostra, por exemplo, a existência, especialmente nos estados de fronteira, de uma cultura permissiva, de uma cultura que parece ditar ser normal que as pessoas possam ser traficadas”, declarou. “Também a ausência de denúncias se prende à vergonha das vítimas e das famílias em não querer dizer que sofreram esses atos ilícitos”, completou o ministro.

Cardozo ressaltou que, muitas vezes, a vergonha das pessoas que são traficadas ainda é a maior dificuldade enfrentada pelo governo na hora de estabelecer políticas que coíbam esse tipo de crime.

O levantamento, feito pela primeira vez na região de fronteira, abrangendo 11 estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia e Santa Catarina), constatou que as pessoas geralmente são traficadas para fins de exploração sexual e trabalho escravo. Também detectou, situações como pessoas traficadas para a prática de mendicância e de crianças e adolescentes para servidão doméstica.

A maioria dos casos de tráfico para exploração sexual foi identificada nos estados de Roraima, Rondônia, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, do Pará, Amapá e Acre. As vítimas quase sempre são mulheres, na faixa etária dos 18 a 29 anos. Além delas, crianças e adolescentes, travestis e transgêneros, geralmente em condição de vulnerabilidade, seja pelas condições socioeconômicas, seja pela presença de conflitos familiares, seja pela violência sofrida na família de origem.

Segundo o estudo, também houve uma mudança no perfil dos aliciadores. Em 2002, a maioria dos recrutadores identificados no Brasil era do sexo masculino. Dados do Ministério da Justiça revelam uma maior incidência de mulheres aliciadoras. Apesar disso, números do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) mostram que há mais homens do que mulheres presos por tráfico de pessoas, “o que pode levar à conclusão de que esses últimos ocupam um lugar mais alto na hierarquia dos grupos de traficantes”, diz a pesquisa.

(Agência Brasil)