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Comissão de enfrentamento ao homicídio de jovens retoma atividades na terça-feira

Em meio à crise da segurança pública no País, o presidente da Comissão Especial de Enfrentamento ao Homicídio de Jovens (PL 2438/15), deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), quer acelerar a conclusão dos trabalhos do grupo. O colegiado retoma as atividades na terça-feira (20).

O projeto em análise, que cria o Plano Nacional de Enfrentamento ao Homicídio de Jovens, é um dos resultados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência contra Jovens Negros e Pobres. O plano tem cinco metas que devem ser cumpridas nos próximos dez anos, sendo que a principal é a redução das mortes de jovens.

“O nosso objetivo é preservar 600 mil vidas em dez anos”, disse Reginaldo Lopes. “A primeira macrometa é essa. A segunda macrometa é elucidar os crimes contra a vida em 80%. A terceira é zerar a letalidade policial. A quarta é zerar a vitimização de policiais. E a quinta é traçar um conjunto de políticas sociais, de reparação de danos, nos territórios com alta taxa de violência e homicídios”, declarou.

Reginaldo Lopes disse ainda que a política de segurança pública não pode mais ser alvo de ações episódicas. “O Brasil precisa mais do que um Ministério de Segurança Pública, precisa de um novo modelo de segurança, que pressupõe mudar os modelos de polícias. O Parlamento brasileiro precisa parar de defender corporações com metade defendendo a polícia militar e a outra metade defendendo a polícia civil. Se existe polícia, todas as polícias devem ser ciclo completo, todas as polícias devem ter controle externo”, afirmou.

O deputado ainda citou a necessidade de tornar o trabalho das perícias independente e o fim da vinculação de parte da força policial com os militares.

(Agência Câmara Notícias)

Facções interferem no expediente de funcionários de shoppings e supermercados

Habituado a deixar o trabalho por volta das 22h30min, após a conferência do seu caixa, em um supermercado no bairro Edson Queiroz, o funcionário João Marcos (nome fictício, pois pediu para não ser identificado) passou a sair mais cedo do emprego, diante do “toque de recolher” da facção que se instalou no Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, onde João Marcos reside com a família, desde que nasceu.

De acordo com o funcionário, o supermercado avalia a mudança de horário para o turno da manhã, mas, até a decisão ser concretizada, ele está com as horas descontadas em seu salário.

João Marcos conta, ainda, que encontra vizinhos na topique para Aquiraz, que trabalham em shoppings e outros supermercados, com o mesmo problema de chegar em casa antes do “toque de recolher”, estabelecido pela facção no limite das 23 horas.

Outro problema, segundo o funcionário, é que não se pode usar a cor preta ou vermelha em algumas áreas do município, pois representariam as facções GDE e Comando Vermelho, respectivamente.

O Sindicato dos Comerciários ainda não se posicionou sobre o problema que passou a atingir a categoria.

(Foto: O POVO)

Os sapatos dos nossos vizinhos

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Em artigo no O POVO deste sábado (3), a jornalista Regina Ribeiro aponta que a chacina de Cajazeiras não ganhou manifestações em praças públicas, não ressuscitou o movimento Fortaleza Apavorada, tampouco sensibilizou o poder eclesiástico porque as vítimas eram de origem humilde. Confira:

Há alguns anos, visitei o Museu do Holocausto, em Israel. Ali se concentram mais de 50 milhões de documentos entre fotos, registros e objetos dos judeus mortos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Quando estive no museu, não era permitido usar câmeras fotográficas ou de filmagem. Turista algum saía de lá com qualquer imagem que não fosse a que guardasse num dos recantos da memória.

Devo dizer que, até o momento, restaram uma única imagem e um único sentimento daquele lugar. Começo com este. Senti um pesar imenso ao percorrer as salas de pedras. Fiquei triste de repente no meio daquela imensidão de imagens com semblantes alegres, uma infinidade de jovens sorrindo; famílias em início de jornada diante do lampejo de felicidade com a chegada dos filhos; o alvoroço das festas de aniversários e casamentos. Tudo interrompido, vidas desfeitas por um instante histórico. Sofri, de forma inexplicável, por pessoas que sequer sabia da existência, por um momento que não vivi e que só sabia pelos livros e filmes. Com o tempo, porém, o sentimento se esvai.

Uma imagem, no entanto, ficou. Nas salas dos objetos largados às pressas pelos judeus perseguidos e mortos havia brinquedos, utensílios domésticos, chapéus, xales, mas foram os sapatos que trouxeram para bem perto de mim a tragédia vivida por aqueles desconhecidos. Calçados deixados para trás.

Despir-se dos sapatos está envolto de uma simbologia que não foi possível ignorar naquele contexto. Eles permaneciam intactos como se esperassem pelos seus donos. Sapatos, de uma forma em geral, moldam-se com o uso e ganham contornos únicos. O jeito de andar, o entortar dos pés, o peso do corpo, os lugares por onde se anda. Os sapatos carregam nossa marca como sujeitos, ao mesmo tempo em que trazem consigo nosso lugar social.

Domingo último é que pude ver melhor a foto dos calçados das vítimas da chacina das Cajazeiras, ocorrida na madrugada de sábado, e que estampou a capa do O POVO. Percebi como aquela imagem falava melhor dos mortos do que seus rostos. Observei que as sandálias eram imitação barata de rasteiras elegantes de marcas famosas, chinelos-cópias de calçados caros. A forma como estavam amontoados dizia que haviam sido largados no último momento de vida ou no desespero de tentar salvar-se. Aqueles calçados explicam ainda o motivo pelo qual a chacina das Cajazeiras não repercutiu em toda a sociedade – para além da mídia – o pavor que aquela imagem transmite. A matança das Cajazeiras não virou #hashtag, não tirou gente de casa rumo às praças gritando palavras de ordem pela vida e paz, não ressuscitou o movimento Fortaleza Apavorada nem sensibilizou o poder eclesiástico.

Ao longo da semana li aqui mesmo n´O POVO reportagens que narravam o drama das famílias que vivem, sim, apavoradas diante do domínio de facções criminosas. Uma população amedrontada sobrevive em lugares onde os muros são o principal meio de comunicação para transmitir mensagens escritas com um português que também denuncia a exclusão e a miséria de quem optou pela violência sem freio como meio de vida. Os calçados dos pobres coitados das Cajazeiras não parecem ser suficientes para abalar conjecturas do tipo: “enquanto pobres e criminosos matarem-se em si, estamos livres de uma tragédia”.

Às vezes nos esquecemos de que, no fim das contas, somos todos vizinhos.

MPCE fortalecerá combate à violência nos estádios em 2018

O Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (NUDTOR) do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) começou o ano de 2018 como nova estrutura e integrantes. O novo coordenador é o promotor de Justiça Edvando França, que contará com o suporte dos promotores de Justiça André Barbosa, Aurélio da Silva, Oscar Fioravanti e André Barreira.

O novo coordenador destaca que a atuação do Núcleo continuará dando prioridade às ações de combate à violência, consumo de drogas e prática de crimes nos estádios, zelo pela segurança dos torcedores e reforço dos plantões em dias de jogos.

“Temos uma missão difícil para 2018, com campeonatos nas Séries A e B, mas a gestão anterior deixou o NUDTOR bem estruturado, o que vai facilitar o nosso trabalho. No entanto, os desafios são grandes”, disse Edvando.

Ele explica que, em dias de jogos, um promotor de Justiça ficará de plantão e receberá as ocorrências na Delegacia do Torcedor. “Quem cometer crimes será punido imediatamente. O representante do Ministério Público aplicará pena na mesma hora, que pode variar de multa, prestação de serviços à comunidade ou até mesmo com o afastamento dos estádios em determinado período. A depender da gravidade do crime cometido. Como este ano teremos muitos jogos, teremos também muitos plantões”, ressaltou.

O coordenador do NUDTOR lembra que, no ano passado, o MPCE entrou com ações na Justiça para extinguir duas torcidas organizadas do Fortaleza, a TUF e a JGT, e uma do Ceará, a Cearamor, e que foram consideradas procedentes pela Justiça em primeira instância, mas as organizações recorreram.

(MPCE)

O custo político da insegurança

Da Coluna Vertical, no O POVO desta quinta-feira (11), pelo jornalista Demitri Túlio:

Qual será, mesmo, o peso dos índices da violência urbana nas eleições para o governo do Ceará, em 2018? A ladainha de que houve grandes investimentos em pessoal e estrutura não suporta as estatísticas negativas.

No ano passado, por exemplo, mais de 5 mil assassinatos foram registrados no território cearense. Além disso, o fator facções criminosas pesará no discurso de que o governo Camilo Santana sofre com crime organizado, principalmente na periferia.

A sorte do petista, ou talvez menos azar, é que os candidatos de oposição não conseguem formular projetos coletivos, críveis, de segurança social. E são personagens fracos ou desgastados.

Por falar em insegurança pública, até agora, a SSPDS não atualizou os números de seu site público. O mês de dezembro e o fechamento de 2017 permanecem uma incógnita e sujeito a especulações. Transparência pública, bom lembrar, é um direito.

Territórios dominados pela violência

Editorial do O POVO desde domingo (31) comenta da chegada das facções criminosas no Ceará. Confira:

Em 2017, o medo e a violência estiveram presentes, de uma maneira jamais vista, no cotidiano dos cearenses. Houve, em média, 14 homicídios para cada um dos 365 dias que o calendário marcou.

Foram mais de 5 mil mortes, entre janeiro e dezembro. Estatística que fez a sensação de insegurança, tão comum em nossa rotina, se materializar em uma palavra plural que ganhou peso no nosso vocabulário: facções.

Semanticamente, facção é a “reunião daqueles que causam perturbação à ordem pública”: a facção criminosa. O conceito, porém, não resume nem traduz o sentimento que essa palavra carrega para os moradores de comunidades que são proibidos de circular livremente entre os bairros sob pena de pagar com a vida o exercício do direito de ir e vir.

Mais que isso, facções são grupos que arregimentam cada vez mais “soldados” nas periferias e incrementam suas frentes nos locais onde o Estado é ausente. São sujeitos que definem a idade a partir da qual as crianças devem começar a “trabalhar” no tráfico e as atividades que devem desenvolver. E que, nesses locais, determinam, inclusive, para qual time as pessoas deverão torcer. Era como agia a quadrilha que dominava a comunidade do Pôr do Sol, no Coaçu, até outubro.

Facções são organizações que impõem códigos de conduta nos assentamentos precários, proibindo determinados gestos, expressões e cores de cabelos. Foi assim, ao comentar o que não podiam, dentro de um ônibus, que as jovens Karolina Morais de Melo, 23, e Luziara Rodrigues dos Santos, 16, foram arrebatadas e assassinadas, em 17 de setembro, no Morro de Santiago, na Barra do Ceará.

Facções são indivíduos que se reúnem para pichar regras nos muros a cada esquina, com força de lei, assegurando punição aos que as descumprirem ou ignorarem. “Ao entrar na favela, baixe os vidros, tire o capacete e identifique-se”. Morte foi a sentença do motorista da Uber Guilherme Maia, 22, baleado pelo “crime” de dirigir nas proximidades do residencial Alameda das Palmeiras, no Ancuri, em 23 de julho.

Facções são incoerências de regras como: “Se roubar na favela vai morrer”, onde quem assina o texto é “o crime”. E é assim que as facções usurpam do Estado o dever de garantir segurança aos cidadãos. E foi assim que um “justiceiro” capturou e executou o suspeito de roubos Fábio Galdino dos Santos, 25, em 9 de novembro, na rua Luminosa, no Bom Jardim. Seu algoz, Paulo Sérgio de Sousa Alves, 23, confessou que também cometia assaltos, mas fora da comunidade.

Facções são entidades que estabeleceram, nas ditas favelas, um processo de identificação entre crianças e adolescentes, que são seduzidos pelo poderio esbanjado por seus membros. São aqueles que impõem uma decisão de pertença obrigatória aos que estão recolhidos nos presídios e centros socioeducativos. Assim, as facções crescem a cada nova prisão ou apreensão realizadas.

Ao mesmo tempo, são as facções que invadem esses mesmos estabelecimentos para resgatar ou executar internos. Aconteceu, em 13 de novembro, com quatro adolescentes, com idades entre 13 e 16 anos, que cumpriam medidas em unidade socioeducativa na Sapiranga. Sob a tutela do Estado, todos foram raptados e executados.

Em seus “tribunais do crime”, como o encontrado em 26 de setembro, no Grande Jangurussu, as facções atuam como entidades que acusam e condenam ao mesmo tempo. São mandatários que retalham territórios em “capitanias hereditárias”, onde a maior fatia de área usada no comércio de drogas fica para aqueles que tiverem mais força, ou demostrarem ter. Desta forma, facções são coletivos que cometem crimes bárbaros, com emprego de tortura, decapitação, esquartejamento e carbonização, para impor medo e demostrar a força que pretendem.

Facções são sujeitos que fincam bandeiras do crime nas escolas. São organizações com elevado poder de destruição e controle. São capazes de influenciar na redução dos homicídios no Ceará, em 2016, e na posterior elevação dos assassinatos, em 2017, alcançando um patamar recorde. Por fim, facções são aqueles que, há dois anos, iludiram os moradores da periferia com uma paz às avessas, ganharam capilaridade e, depois, confiscaram suas casas e os expulsaram de seus bairros.

Para 2018, esperamos que uma verdadeira paz seja construída. E que seja excluído do dicionário governamental o uso da palavra facções para justificar todo e qualquer erro ou omissão cometidos, sobretudo com relação às políticas públicas de Segurança.

Pesquisa confirmará que jovens negros são mais vulneráveis à violência, diz SNJ

O secretário nacional de Juventude, Francisco de Assis Costa Filho, disse hoje (4) que a nova versão do Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ) – Violência e Desigualdade Racial vai trazer dados semelhantes à atual, que revelou que os jovens negros são as principais vítimas e estão em situação de maior vulnerabilidade à violência no Brasil.

A atualização do IVJ deve ser divulgada na próxima segunda-feira (11) e trará informações do indicador em 304 municípios com mais de 100 mil habitantes.

“O governo não quer esconder nenhum dado, por mais que esses dados sejam ora positivos, ora negativos. Precisamos conhecer de perto cada realidade, cada vulnerabilidade, para combatê-la. Não há como remediar o paciente se o médico não sabe o que ele tem”, disse o secretário.

Costa Filho reconheceu que a violência ainda é um dos maiores problemas do Brasil e que flagela, sobretudo, a parcela jovem da população. De acordo com o Mapa da Violência, os jovens representam 26% da população, mas somam 58% das vítimas por arma de fogo no período de 1980 a 2014.

Criado em 2014, o IVJ com viés da desigualdade racial é calculado por meio de metodologia criada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com a cooperação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil.

(Agência Brasil)

Violência transmissível

Editorial do O POVO deste domingo (26) aponta que quatro em cada 10 mulheres criadas em lares violentos sofrem o mesmo tipo de agressão na vida adulta. Confira:

Experimenta-se um abalo a cada vez que estudos revelam algum aspecto da inaceitável violência que desaba sobre as mulheres nos mais diversos espaços da vida pública ou privada. Não é diferente com o estudo realizado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com o Instituto Maria da Penha e o Institute for Advanced Study in Toulouse, que, com a Pesquisa de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, mostrou que esses atos violentos repetem-se por gerações.

Segundo a pesquisa, quatro em cada 10 mulheres criadas em lares violentos relataram sofrer o mesmo tipo de violência na vida adulta. Ou seja, observou-se um padrão repetitivo, chamado pelos pesquisadores de transmissão intergeracional de violência doméstica. O mesmo índice impacta o comportamento masculino, revelando que homens criados em lares violentos também cometem agressões contra suas parceiras.

Para o professor José Raimundo Carvalho, coordenador da pesquisa, o estudo é um trabalho inédito, pois, pela primeira vez na América Latina, teria sido comprovada a repetição do comportamento violento entre as gerações. “Se nós conseguirmos diminuir a violência hoje, vamos não só melhorar a vida das mulheres que estão vivendo agora, como também das pessoas que viverão daqui a 15, 20 anos”, observa ele.

Outro dado aterrador da pesquisa: 6,2% das mulheres entrevistadas, que estiveram grávidas, sofreram violência durante o período de gestação. Natal, Salvador, Recife e Fortaleza apresentam taxas maiores que a média das cidades pesquisadas.

O problema maior para se combater esse tipo de violência é que, em boa parte das vezes, as agressões acabam sendo abafadas dentro do próprio lar, pois as mulheres, por temor físico ou medo de se ver ao desamparo, quando o homem é o único provedor da casa, acabam por não denunciar o crime cometido contra elas.

No entanto, há de se pensar como a farmacêutica Maria da Penha, fundadora do instituto que leva o seu nome: essa não é uma questão que diz respeito somente às mulheres e sua famílias, mas é uma situação a ser debatida amplamente por toda a sociedade. A pesquisa é um ótimo instrumento para analisar e tornar o problema conhecido, mas, depois disso, é preciso também ações concretas, que possam transformar essa realidade.

Direitos Humanos – Bombardeios nos arredores de Damasco matam 19 civis

Pelo menos 19 civis morreram neste domingo (26) em bombardeios e lançamento de mísseis das forças do governo da Síria na região de Ghouta Oriental, reduto de oposição na periferia de Damasco, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Os bombardeios causaram 13 mortes e deixaram vários feridos na cidade de Misraba e mataram outras quatro pessoas em Harasta e Midira, segundo a ONG.

Na cidade de Duma, duas mortes foram confirmadas e dez pessoas ficaram feridas após o lançamento de mísseis por parte das forças governamentais, ainda de acordo com o Observatório.

Ghouta Oriental é uma das chamadas “zonas de distensão” incluídas em um acordo de trégua promovido pela Rússia, Turquia e Irã, mas nas últimas semanas viveu uma escalada da violência, com ataques quase contínuos por parte das forças governamentais.

(Agência Brasil)

Pesquisa indica que 27% das mulheres nordestinas já sofreram violência doméstica

Nos estados do Nordeste brasileiro, 27% das mulheres com idade entre 15 e 49 anos já foram vítimas da violência doméstica praticada por maridos, companheiros ou namorados. As cidades onde essa violência foi maior são Salvador, Natal e Fortaleza. Esses são alguns dos dados levantados pela Pesquisa Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, apresentada nessa quinta-feira (23) no auditório da representação da ONU no Brasil, em Brasília.

Elaborada em parceria com o Instituto Maria da Penha e coordenada pelo professor José Raimundo Carvalho, da Universidade Federal do Ceará, a pesquisa revela os impactos sociais, econômicos, emocionais e psicológicos nas vítimas e também na família, especialmente em crianças e adolescentes. Foram ouvidas 10 mil mulheres por 250 entrevistadores.

No lançamento, a secretária nacional de Direitos da Mulher, da Presidência da República, Fátima Pelaes, lembrou que a inclusão do fator econômico nos dados da pesquisa é fundamental para a formulação de politicas públicas, porque a violência contra as mulheres afeta a renda das trabalhadoras:

“É importante que a sociedade entenda que a violência doméstica está impactando a economia em torno de R$ 1 bilhão por ano. Precisamos envolver todo mundo nessa luta. As empresas precisam entender isso. Daí a ideia de formação da Rede Brasil Mulher, para mobilizar todos e todas no combate a essa violência, que passa de geração em geração”.

Para Fátima Pelaes, a educação escolar tem um papel importante e, por isso, pediu ao Ministério da Educação que inclua a igualdade de gênero nos livros didáticos.

Ao apresentar os números, o professor José Raimundo Carvalho lembrou que a violência doméstica existe em todos os países, sem exceção, e custa muito caro aos cofres públicos, por isso cobrou políticas públicas para enfrentar o problema. “No Brasil, tivemos três ações que ajudaram a combater a violência doméstica: os programas Bolsa Família e de microcrédito e a Lei Maria da Penha, mas não possuímos instrumentos para entender as relações de poder que fomentam a violência”.

Carvalho destacou que, entre as mulheres brancas com nível de educação superior, o percentual de vítimas é dez vezes menor do que entre as pretas sem qualquer instrução, e “isso deixa clara a desigualdade social e racial entre as mulheres que sofrem a violência”.

Outra constatação da pesquisa foi a transmissão da violência doméstica entre as gerações. Os números mostram que, nos nove estados nordestinos, 88% das mulheres souberam que suas mães foram agredidas. E quatro em cada 10 também se tornaram vítimas dessa mesma violência.

(Agência Brasil)

Ataque na Califórnia deixa 4 mortos; policiais matam atirador

Pelo menos quatro pessoas foram mortas em um tiroteio no norte da Califórnia nesta terça-feira (14). Alunos de uma escola primária estariam entre as vítimas. O atirador foi morto por policiais. Autoridades afirmam que o atirador ainda não foi identificado. A área onde os tiroteios ocorreram é uma região rural.

Segundo a rede de televisão NBC, o xerife contou que o atirador parecia escolher as vítimas aleatoriamente. Três armas estavam em poder dele.

A polícia afirma que o tiroteio começou aparentemente como um episódio de violência doméstica. O atirador seguiu então para outras localidades, inclusive para a escola primária Rancho Tehama, onde vários tiros foram disparados.

Alguns estudantes foram transportados por avião devido ao tiroteio na escola, que fica perto da comunidade de Corning, segundo relatos da TV, que citou uma fonte policial.

(Agência Brasil)

Chacina do Curió – Um processo que não pode demorar

Editorial do O POVO deste domingo (12) avalia que o desfecho da ação jurídica da Chacina da Grande Messejana precisa se dar em um tempo razoável. Confira:

Neste domingo, faz 2 anos de um dos mais bárbaros crimes acontecidos no Ceará, que ficou conhecido como “Chacina da Grande Messejana” ou “Chacina do Curió”, referências ao local onde um ataque, coordenado e praticado por policiais militares – segundo os autos do processo – resultou em um rastro de sangue, torturas e mortes. A ação deixou 11 pessoas assassinadas, sete gravemente feridas e três com marcas de tortura. A maioria dos mortos era jovens: oito deles tinham entre 16 e 19 anos de idade. A possível causa do massacre, conforme o indiciamento do Ministério Público, teria sido retaliação à comunidade, devido ao assassinato de um policial nas proximidades do bairro.

Depois de nove meses, a investigação, coordenada pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Defesa Social (CGD), levou à detenção de 44 policiais militares, que depois tiveram a prisão revogada. O processo tramita na 1ª Vara do Júri do Fórum Clóvis Beviláqua, em três ações distintas, referente aos 34 réus que foram pronunciados pela Justiça, e que serão levados a júri popular (10 dos policiais tiveram seus processos arquivados por falta de evidência).

A tensão que cerca o caso permanece, pois se, a princípio os parentes das vítimas tinham dúvida se a investigação chegaria aos culpados, agora o temor é que a conclusão do processo demore tanto a ponto de deixar impunes os responsáveis pelos crimes. A comunidade continua mobilizada e foi até criada uma entidade para acompanhar o desenrolar do caso, as “Mães do Curió”. Essas mulheres buscam preservar a memória dos filhos e vêm realizando várias atividades para lembrar os dois anos da chacina.

Mesmo sendo razoável supor que um processo dessa complexidade demore a ser julgado, a Justiça não pode perder de vista a gravidade desse caso. Os procedimentos jurídicos têm de ser concluídos em tempo satisfatório, de modo a levar um pouco de paz a essas famílias, que já sofreram demasiadamente.

Também é preciso deixar um exemplo bastante claro, mostrando que ninguém pode se dar o direito de tomar a lei nas próprias mãos, muito menos aqueles investidos pelo Estado para garantir a segurança e a legalidade para todos os cidadãos.

Lewis Hamilton lamenta que assaltos aconteçam todos os anos no GP do Brasil

“Isto acontece todos os anos aqui”. O desabafo é do tetracampeão mundial de Fórmula 1, o inglês Lewis Hamilton, neste sábado (11), no Rio de Janeiro, ao lamentar o assalto contra integrantes da equipe Mercedes, na noite dessa sexta-feira (10), em uma ação de homens armados na saída do autódromo de Interlagos.

“Alguns integrantes da minha equipe foram parados à mão armada ontem à noite ao deixarem o circuito aqui no Brasil. Houve tiros e uma arma foi colocada na cabeça de um deles. Isto é muito incômodo de se escutar. Por favor, rezem pelos meus companheiros que estão aqui como profissionais hoje, apesar de estarem abalados”, disse Hamilton no Twitter.

Os funcionários da Mercedes estavam dentro de um micro-ônibus e foram abordados à mão armada quando deixavam o circuito. Antes, os ladrões tentaram roubar um carro blindado da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), mas o motorista conseguiu escapar.

(Com a Agência Brasil / Foto: Divulgação)

Luizianne Lins: Código Penal beneficia agressor da violência sexual

A deputada federal Luizianne Lins (PT) apresentou, na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei n° 8989/2017, que propõe criar um novo artigo do Código Penal para tipificar casos de violência sexual contra mulheres ocorridos em locais públicos ou de grande aglomeração de pessoas.

O PL visa acabar com as lacunas do Código Penal que permitam interpretações da Lei em benefício do agressor.

Essa proposta foi pensada após diversos crimes sexuais cometidos contra mulheres em locais públicos serem divulgados pela imprensa, como o caso do Diego Ferreira de Morais, preso duas vezes na mesma semana pela prática de crimes sexuais contra mulheres dentro de ônibus na Av. Paulista, em São Paulo.

(Facebook de Luizianne Lins)

Turista espanhola é morta por policiais na Rocinha

Uma turista espanhola morreu na manhã desta segunda-feira (23) ao ser atingida por tiros disparados por policiais militares na Rocinha, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Militar, ela estava em um carro de transporte de turistas que furou um bloqueio policial no Largo do Boiadeiro, por volta das 10h30, e foi, por isso, alvejado pelos agentes.

Segundo a Polícia Militar, a mulher foi levada para o Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos. A Corregedoria da Polícia Militar está apurando o caso.

Mais cedo, por volta das 9h30, dois policiais militares do Batalhão de Choque ficaram feridos durante um tiroteio com criminosos na comunidade. Um homem, que, segundo a Polícia Militar, estava envolvido na troca de tiros também ficou ferido. Os três foram levados para o Miguel Couto.

(Agência Brasil)

Ótimo aluno – Escola estranha versão de bullying de assassino de colegas em Goiânia

Com 25 anos de funcionamento, o Colégio Goyazes, em Goiânia, e pais de alunos estranharam a versão de bullying, por parte do adolescente assassino de colegas, no crime ocorrido nessa sexta-feira (20), quando o jovem de 13 anos, filho de pais policiais militares, pegou escondido a arma da mãe e efetuou disparos contra colegas de sala de aula. Dois estudantes morreram no local do ataque e uma aluna se encontra em estado gravíssimo no hospital. Outros estudantes estão internados com quadro de saúde estável.

“A escola tem um sistema bem atualizado em pedagogia, os professores são preparados, a Tia Rose faz questão de trazer projetos inovadores, eu sou coparticipante desses projetos de educação, sei que não deixou de haver projeto de discussão de bullying”, comentou a mãe de alunos Sandra Oliveira Santos.

De acordo com o delegado do caso, Luiz Gonzaga, em conversas preliminares na tarde de sexta-feira, pais e professores relataram que o estudante autor dos disparos é bom aluno. “Conversei com o pai, com membros da escola, a coordenadora e professores, era um ótimo aluno, com ótimas notas, nada que denotasse uma prática de um crime tão grave”, afirmou.

“Este é um caso pontual, temos de entender como um caso pontual, o adolescente agiu com certeza em desequilíbrio emocional, talvez, como ele diz, inspirado em outras tragédias e, claro, segundo ele, motivado por um bullying de um colega específico. Ele resolveu matar esse colega”, relatou o delegado responsável por ouvir o adolescente, que foi atendido na presença de seu advogado. O pai dele também estava presente na oitiva e ambos confirmaram, sem detalhes, que o estudante já passou por tratamento psicológico.

O jovem também afirmou no depoimento que não procurou professores ou a coordenadora da escola para relatar a situação de bullying que sofria. Os professores confirmaram ao delegado que não receberam queixas deste tipo por parte do adolescente.

Na manhã deste sábado (21), os corpos dos dois estudantes assassinados pelo adolescente serão enterrados em Goiânia.

(Com informações da Agência Brasil)

Polícia ouve pai do adolescente que matou colegas em escola de Goiânia

O pai do adolescente que abriu fogo contra colegas em uma escola de Goiânia, nessa sexta-feira (20), foi ouvido à noite de forma preliminar pelo delegado do caso. A coordenadora do colégio também prestou depoimento. Ela foi a responsável por acalmar o adolescente após o ataque que deixou dois mortos e quatro feridos no Colégio Goyazes, no bairro Conjunto Riviera.

Ao sair da sala após efetuar os disparos, o estudante encontrou a coordenadora da escola que começou a acalmá-lo. Ele chegou a apontar a arma contra a própria cabeça, mas a coordenadora conseguir evitar o suicídio e convenceu o estudante a esperar a polícia com ela na biblioteca da escola. O adolescente foi apreendido em flagrante delito e segue sob custódia do Estado.

No depoimento que prestou durante a tarde, o autor dos disparos, um adolescente de 14 anos, disse que foi motivado por bullying e que se inspirou nos casos da escola de Columbine (ocorrido em 1999, nos Estados Unidos), e de Realengo (em 2011, no Rio de Janeiro). Há cerca de três meses, ele teria começado a pesquisar informações sobre esses ataques a estudantes na internet. Ele afirmou que começou a planejar a ação há três dias e que teria chegado a desistir.

Os dois policiais militares que foram os primeiros a chegar no local também foram ouvidos. O delegado Luiz Gonzaga, da Delegacia de Apuração de Atos Infracionais da Polícia Civil de Goiás, vai retomar os depoimentos na segunda-feira. Familiares e professores da escola devem ser ouvidos.

Os dois estudantes que morreram no local do ataque tinham 13 anos. Um dos jovens, segundo o autor dos disparos, era quem praticava o bullying contra ele. Os quatro feridos, que continuam internados, todos têm 13 anos de idade. Uma adolescente está em estado gravíssimo. Ela foi atingida por três disparos: um na mão, um no pescoço e outro no tórax. A menina passou por cirurgia para drenagem do tórax. A outra menina ferida teve um pulmão perfurado e também foi submetida a procedimento cirúrgico, mas está estável e respira sem ajuda de aparelho.

A terceira vítima, do sexo masculino, está estável e segue em avaliação. Os três estão internados no Hospital de Urgências de Goiânia e as informações sobre o estado de saúde deles foram divulgadas pelo diretor técnico do hospital, Ricardo Furtado Mendonça. A quarta vítima, também um menino, não teve o boletim médico divulgado.

(Agência Brasil)

Adolescente que atirou em colegas disse que se inspirou em Columbine e Realengo

Em entrevista coletiva à imprensa na tarde desta sexta-feira (20), o delegado Luís Gonzaga, da Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais da Polícia Civil de Goiás, confirmou que um adolescente de 14 anos foi o autor do ataque com arma de fogo ocorrido no fim da manhã de hoje, no Colégio Goyases, localizado no bairro Conjunto Riviera, em Goiânia. Dois estudantes da mesma turma do autor do ataque morreram no local, e quatro ficaram feridos.

O estudante já foi ouvido pela polícia. Segundo o delegado, ele afirmou que foi motivado por bullying e disse que se inspirou nos casos da escola de Columbine (ocorrido em 1999, nos Estados Unidos), e de Realengo (em 2011, no Rio de Janeiro). No depoimento, o estudante narrou que tinha intenção de matar apenas o colega autor do bullying contra ele, mas no momento do ataque, sentiu vontade de fazer mais vítimas.

Os nomes dos jovens envolvidos não foram divulgados para que as famílias sejam preservadas. A arma usada no ataque foi uma pistola que pertencia à mãe do adolescente, que é policial militar. Ele disse que achou a pistola escondida em um móvel da casa. Nem a mãe nem o pai, que também é policial militar, ensinaram o adolescente a atirar.

Ao retirar a arma da mochila para começar o ataque, ele chegou a efetuar um disparo acidental, mas não se feriu. O adolescente foi apreendido em flagrante delito.

(Agência Brasil)

Criminosos deverão ressarcir a Previdência por danos causados às vítimas, aprova comissão no Senado

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nessa quarta-feira (11) projeto que concede à Previdência Social o direito de ação regressiva contra quem, pela prática de ato ilícito, der causa ao pagamento de benefício previdenciário ou assistencial às vítimas.

O PLS 347/2017, do senador Paulo Rocha (PT-PA), teve relatório favorável do senador José Pimentel (PE-CE), e passa a tramitar em regime de urgência. O texto segue para a análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

De acordo com a proposta, a possibilidade da ação regressiva por parte da Previdência se dará nos casos de violência doméstica e familiar; de acidentes de trânsito com infrações graves ou gravíssimas; ou quando houver negligência no cumprimento das normas de saúde ou segurança do trabalho.

A Secretaria Nacional de Assistência Social, ligada ao Ministério do Desenvolvimento Social, responsável pelo pagamento do benefício de prestação continuada (BPC), também poderá ajuizar ação regressiva nos mesmos casos citados acima.

O devido ressarcimento corresponderá às prestações equivalentes aos 5 anos que antecederem a ação, bem como às prestações que vierem a ser pagas até a extinção do benefício. O pagamento não excluirá a responsabilidade civil, penal ou administrativa de quem deu causa.

Durante a discussão da proposta, Pimentel afirmou que seu objetivo é contribuir para o fortalecimento de uma cultura de maior responsabilidade e de menos violência por parte dos cidadãos.

— Pra usar um exemplo bem simples, o irresponsável que encher a cara de cachaça e atropelar uma trabalhadora quando ela estiver indo pro trabalho, terá a obrigação de ressarcir os cofres públicos. Em outras palavras, vai contribuir pra diminuir o número de acidentes — acredita o senador.

Pimentel ainda reforçou que a Previdência tem prejuízos bilionários devido à ausência de um mecanismo como este na legislação, uma conta que acaba sendo paga por toda a população.

(Agência Senado)