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“É a morte decretada pelo gatilho do revólver”, diz mãe

Entre 2000 e 2012, cinco pessoas morreram no Brasil, por dia, em situações de confronto com as polícias Civil e Militar. Apenas em 2012, 1.890 brasileiros morreram nessas condições. Os dados fazem parte de um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, feito em 2013. Nos Estados Unidos, em 2012, foram registradas 410 mortes semelhantes, segundo dados do Criminal Justice Information Services Division do FBI (Federal Bureau of Investigation), disponibilizados na publicação do fórum. O estudo mostra que a taxa de letalidade da ação policial no Brasil é maior do que a de países como o México, a Venezuela e a África do Sul.

A maior parte das investigações dessas mortes acaba sendo arquivada, sob a alegação de que foram motivadas por resistência à ação policial. Em 2006, mais de 400 jovens foram mortos, durante o mês de maio, em São Paulo, em ataques atribuídos a confrontos entre membros da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e policiais. Em 2011, Juan Moraes, de 11 anos, morreu após ser atingido por uma bala disparada por um policial militar, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Comum a todos esses diferentes casos, a explicação oficial das mortes: autos de resistência.

A expressão é usada nos casos em que um civil é morto por agentes do Estado. A prática é amparada no Código de Processo Penal, de 1941. Os policiais também sofrem com essa situação. A taxa de mortalidade de um policial no Brasil é três vezes maior que a de um cidadão comum, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Para a coordenadora do Movimento Mães de Maio, Débora Maria da Silva, que teve o filho de 29 anos encontrado morto com cinco tiros na periferia de Santos (SP), a mudança pode gerar a diminuição da letalidade da polícia e a garantia da vida de muitas pessoas que são alvos da criminalização e da violência policial. Ela relata que, no caso da sequência de mortes ocorrida em 2006, muitos dos jovens assassinados foram encontrados com tiros nas mãos ou na nuca, o que comprovaria que eles estavam em posição de defesa e não de ataque. “O que temos hoje é a morte decretada pelo gatilho do revólver. Na ocorrência de resistência seguida de morte, não há investigação. Os próprios policiais são testemunhas dos fatos. Essa é uma prática abusiva das autoridades, feita para matar”, destaca Débora.

Dos 734 processos de mortes em decorrência da ação policial analisados, que envolveram 939 vítimas e 2.162 autores, houve registro de 501 vítimas negras e de 322 brancas. Ao todo, entre os anos de 2009 e 2011, o número de mortes de negros foi três vezes superior ao de brancos da mesma faixa etária, em situações consideradas autos de resistência. Das 817 vítimas que tiveram a idade apontada nos inquéritos, 630, isso é, 77% tinham entre 15 e 29 anos de idade. Já entre as 939 pessoas mortas que tiveram o sexo identificado, 911 eram homens.

(Agência Brasil)

Movimento de mulheres distribui alfinetes contra assédio no transporte público

Uma ação do movimento Mulheres em Luta distribuiu cerca de 400 alfinetes na Estação Capão Redondo do metrô de São Paulo, durante o horário de pico. 80% das mulheres que sofrem assédio em situações que são presenciadas por eles preferem não prestar queixa.

Alguns dos abusadores, inclusive, aproveitam-se da impunidade para continuar agindo. Um dos encoxadores mais conhecidos pelos agentes tem nove passagens pela polícia e já foi pego praticando assédio sexual em shoppings centers, elevadores, ônibus e vagões de metrô e trem. “Ele sempre diz que não consegue evitar, porque tem ‘frotteurismo’”, conta um dos agentes, que não pode ter a identidade revelada.

Segundo a Secretaria Estadual da Segurança Pública, este ano foram registrados, em todo o Estado, 285 casos de importunação ofensiva ao pudor – quando a vítima é assediada sexualmente em local público. Desses casos, 17 ocorreram dentro de coletivos e 13 nos pontos de ônibus.

Na Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), apenas nos três primeiros meses deste ano 33 homens foram detidos sob a acusação de assédio dentro dos vagões e nas estações de metrô e trem da capital paulista. Desses, dois foram presos em flagrante e permanecem presos e apenas um foi enquadrado por estupro.

(Agência Brasil)

Erro não muda necessidade de debate sobre violência contra a mulher, diz Ipea

O erro na divulgação de dados da pesquisa Tolerância Social à Violência Contra as Mulheres não muda as conclusões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), responsável por ela. Segundo Luana Pinheiro, técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, o erro assumido nessa sexta-feira (4) não exclui o fato de que a sociedade brasileira precisa debater os vários resultados obtidos.

“A gente pode notar que as conclusões do relatório não são alteradas com essa correção. A gente continua tendo uma concordância alta na questão da culpabilização, uma responsabilização feminina pela violência sexual sofrida”, diz Luana.

Os fatos recentes, desencadeados depois da divulgação da pesquisa, no dia 27 de março, vão ao encontro desse pensamento. Várias mulheres se manifestaram em redes sociais, utilizando o lema “Não mereço ser estuprada”. Mais de 45 mil pessoas aderiram ao movimento no Facebook.

A pesquisa tinha revelado anteriormente (quinta-feira, dia 27/3) que 65,1% dos entrevistados concordam que mulheres que usam roupas curtas merecem ser atacadas. O dado correto é 26%. Segundo o levantamento, 70% discordam da afirmação de que a roupa justifica a violência. Após a detecção do erro, o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Rafael Guerreiro Osorio, pediu exoneração.

Com a correção, constatou-se ainda que 65,1% concordam total ou parcialmente que mulheres que são agredidas pelos parceiros, mas continuam com eles, “gostam de apanhar”.  O dado anterior era 26%.

(Agência Brasil)

A violência como uma epidemia

Da Coluna Segurança Pública, no O POVO desta segunda-feira (31), pelo jornalista Ricardo Moura:

E se a violência fosse compreendida como uma doença contagiosa e encarada como um problema de saúde pública? Para quem acha que os problemas de segurança pública só se resolvem com mais polícia na rua, essa ideia certamente é absurda. Para o médico epidemiologista americano Gary Slutkin, contudo, essa abordagem resultou em uma estratégia bem-sucedida de lidar com os tiroteios e mortes causados por confrontos entre gangues rivais nas áreas mais violentas da cidade de Chicago.

O programa, conhecido como Cura Violência (cureviolence.org), encara o crime violento como uma “epidemia” que pode ser transmitida de pessoa-a-pessoa de forma contagiosa. A inspiração de Slutkin, como explica em vídeo para uma plateia do Ted Talk, veio de sua própria experiência com doenças contagiosas em Uganda. Segundo o médico, as formas de manifestação das duas “epidemias” são bastante parecidas quando vistas por meio de gráficos. Os casos vêm sob a forma de ondas e se concentram em pontos específicos.

Um dos meios adotados pelo Cura Violência para interromper a propagação da epidemia do conflito violento é a intervenção de agentes conhecidos como “interruptores”, lideranças locais com ascendência na comunidade e que, por essa razão, conseguem se fazer ouvidos.

Os “interruptores” tentam convencer possíveis agressores a não resolver seus conflitos por meio do uso de armas de fogo, bem como amigos e familiares das vítimas a não revidar da mesma forma. Não há vínculo dos agentes com a Polícia. O passo seguinte é encorajar uma mudança de comportamento que supere o recurso intensivo à violência. Daí o porquê de “cura” no título do programa.

A iniciativa foi avaliada pelo Departamento de Justiça americano em 2008. Das sete áreas pesquisadas, cinco apresentaram uma expressiva queda no índice de assassinatos. A estratégia adotada em Chicago foi matéria de jornais, revistas e acabou sendo retratada em um documentário, The Interrupters, de 2011. O filme mostra o cotidiano de três “interruptores”. Por causa de toda essa repercussão, o programa está sendo replicado em outras cidades americanas e, até mesmo, fora dos Estados Unidos. Novas avaliações permitirão saber se a estratégia é eficaz em contextos socioculturais diferentes.

Embora a proposta de encarar o crime violento como uma epidemia pareça, à primeira vista, uma visão naturalista do crime, ela traz como mérito o engajamento da própria comunidade na busca por soluções. Além disso, compreende o assassinato como um nó relevante em uma rede de relações sociais e não apenas como um fenômeno isolado.

O Cura Violência não pode ser pensado como um modelo que dê respostas a todos os problemas da segurança pública, mas como uma ação complementar. Não há informações mais consolidadas, por exemplo, sobre o seu impacto contra os latrocínios (roubo seguido de morte). Seu maior mérito é o de propor um novo olhar sobre a estratégia de combate aos homicídios: em vez da repressão pura e simples, diagnóstico, prevenção e mudança de comportamento.

“Embora a proposta de encarar o crime violento como uma epidemia pareça, à primeira vista, uma visão naturalista do crime, ela traz como mérito o engajamento da própria comunidade na busca por soluções”

Ceará e Fortaleza dão espetáculo, mas torcedores perdem com violência

Vários incidentes foram registrados pela Polícia, antes e depois do clássico entre Ceará e Fortaleza, neste domingo, na Arena Castelão, pela última rodada da fase de classificação às semifinais do Campeonato Cearense de Futebol.

Um dos confrontos mais tensos entre as duas torcidas ocorreu na avenida Mister Hull, no bairro Antônio Bezerra, quando torcedores passaram a apedrejar um ônibus que conduzia torcedores rivais. A Polícia chegou a usar bombas de gás e a efetuar prisões. Mas, até o início da noite, todos haviam sido liberados.

Durante a partida, um homem foi baleado nas proximidades do estádio. Mas não há relação da ocorrência com a rivalidade entre torcidas.

O jogo

O Ceará venceu o clássico, por 3 a 1, e derrubou o último invicto do campeonato. Nas semifinais, o Fortaleza enfrenta o Icasa, enquanto o Ceará decide uma vaga à final contra o Guarany de Sobral. Os jogos de ida ocorrem no domingo (7).

Quem ganha com a disseminação do medo?

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Em artigo no O POVO deste sábado (29), o jornalista Luiz Henrique Campos diz que o Governo do Estado não consegue apresentar uma solução para conter os alarmantes índices da violência, apesar dos investimentos. Confira:

É inegável que os índices de violência no Ceará, mais particularmente na Região Metropolitana de Fortaleza, têm crescido assustadoramente e aumentado a sensação de insegurança na população. Também é fato que o Governo do Estado, apesar de ter investido mais do que qualquer outra gestão anteriormente na área da segurança pública, bem como efetuado concursos para profissionais do setor, encontra-se nas cordas em relação a apresentar solução para minimizar o problema, sem contar que falta menos de um ano para o término da administração Cid Gomes.

De todo modo, tem sido intrigante verificar por parte de alguns setores formadores de opinião, mais do que a justificada sensação de medo, certo ar velado de comemoração no que diz respeito ao aumento desses índices. Na última segunda-feira, ouvi várias pessoas decepcionadas porque o Fantástico, da Rede Globo, teria sido morno ao destacar o problema da violência no Ceará. É bom lembrar que na semana anterior foi intensa a divulgação de que o Estado seria destaque negativo em rede nacional.

Chama a atenção, ainda, a forma como lideranças da própria polícia fazem questão de alardear a incapacidade de combater os índices de criminalidade. Nunca tinha visto uma categoria fazer tanta questão de se mostrar inoperante. Ora, quando a própria polícia admite que o ladrão ser pego no Ceará é muito azar do meliante, é quase como dizer que a população não pode mais contar com esse serviço. Vamos então agir com as próprias mãos, é esse o recado? Fico a me questionar a quem interessaria isso? Pelo que sei, nunca as empresas de segurança privada ganharam tanto como agora. Será que outros segmentos também não estariam ganhando com essa disseminação do medo?

Em conversa recente com um policial, este me disse que muitas das mortes registradas em Fortaleza têm como vítimas pessoas com antecedentes criminais. Será que já não estaria havendo uma “limpeza” não oficializada dos criminosos? Tai um bom mote para a nossa academia, tão operosa em opinar nas páginas de jornais sobre o tema, estudar a fundo. O problema da violência está diretamente ligado a sensação de medo que se dissemina a partir de seus índices. E esse é um fenômeno que está sendo deixado de lado nas análises.

Absurdo: Maioria acredita que mulher tem responsabilidade em casos de estupro, diz Ipea

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Pesquisa divulgada nessa quinta-feira (27) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que 58,5% dos entrevistados concordaram totalmente ou parcialmente com a frase “Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”. Em relação a essa pergunta, 35,3% concordaram totalmente, 23,2% parcialmente, 30,3% discordaram totalmente, 7,6% discordaram parcialmente e 2,6% se declararam neutros.

“Por trás da afirmação, está a noção de que os homens não conseguem controlar seus apetites sexuais; então, as mulheres que os provocam é que deveriam saber se comportar, e não os estupradores. A violência parece surgir, aqui, também, como uma correção. A mulher merece e deve ser estuprada para aprender a se comportar”, dizem os pesquisadores.

Os pesquisadores também perguntaram “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”: 42,7% concordaram totalmente com a afirmação, 22,4% parcialmente; e 24% discordaram totalmente e 8,4% parcialmente.

“O acesso dos homens aos corpos das mulheres é livre se elas não impuserem barreiras, como se comportar e se vestir ‘adequadamente'”, concluíram os pesquisadores.

Conforme o levantamento, 63% concordaram, total ou parcialmente, que “casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família”, 89% dos entrevistados tenderam a concordar que “a roupa suja deve ser lavada em casa” e 82% que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Ao todo, 3.810 pessoas foram entrevistadas no ano passado, sendo 66,5% mulheres.

A estimativa com base nos atendimentos prestados às vítimas é que, a cada ano, 527 mil pessoas são estupradas no país. Apenas 10% dos casos chegam ao conhecimento da polícia. A maioria das vítimas é mulher, sendo 70% são crianças ou adolescentes. Mais de 92% dos agressores são homens. Pais, padrastos, amigos e conhecidos representam 56,3% dos criminosos.

(Agência Brasil)

Ipea divulga estudos sobre tolerância à violência contra a mulher e casos de estupro

No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lança duas pesquisas que abordam a questão da violência contra as mulheres. O evento será nesta quinta-feira (27), a partir das 14h30min, em Brasília.

O primeiro estudo é o Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre o tema tolerância social à violência contra as mulheres, que traz um primeiro levantamento de opiniões e percepções da sociedade brasileira sobre questões como o sexismo e a violência contra as mulheres. A pesquisa de campo obteve, por exemplo, opiniões da sociedade sobre a pertinência ou não de intervenção estatal em brigas de marido e mulher, e sobre se comportamentos femininos supostamente influenciam casos de agressão e estupro. O SIPS será divulgado por Rafael Osorio, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea.

Em seguida, Daniel Cerqueira, diretor de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia do Ipea, apresentará um estudo inédito com uma radiografia sobre o estupro no Brasil e os condicionantes associados à vitimização recorrente; às consequências para as vítimas; e ao tratamento oferecido pelo SUS. A pesquisa é o primeiro estudo quantitativo nacional que trata desta temática. A partir de dados do Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde (SINAN), foram analisados todos os registros deste crime no país. O intuito é compreender mais detalhadamente o fenômeno, para contribuir de forma efetiva nas políticas públicas orientadas para a superação desse grave problema social.

(Ipea)

“O criminoso, no Ceará, para ser preso, tem que ser muito azarado”, diz policial ao Fantástico

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foto fantástico servilho

72 assassinatos por 100 mil habitantes, 58 mil foragidos da Justiça e mandados de prisão engavetados até por 23 anos. Os dados apresentados no programa Fantástico, exibido pela Rede Globo, na noite desse domingo (23), mostram porque Fortaleza é uma das 10 cidades mais violentas do mundo e a segunda do Brasil, segundo estudo de uma ONG mexicana.

Em uma das 12 cidades-sede da Copa do Mundo, 11 mil assassinos continuam impunes por crimes que se arrastam por mais de duas décadas. “O criminoso, no Ceará, para ser preso, tem que ser muito azarado. A Polícia Civil não tem efetivo pra investigar nenhum crime”, comentou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpol/CE), Gustavo Simplício.

Para o secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Servilho de Paiva, a “situação não é de conforto. Mas você tem a polícia fazendo o seu papel, dando as respostas adequadas”.

OAB-CE convoca entidades para combater à violência

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A OAB-CE lançará, nesta segunda feira (24), o do Fórum Permanente de Debates e Propostas contra a Violência, reunindo entidades ligadas aos temas da segurança e da justiça. O Fórum será instalado com uma entrevista coletiva, às 10 horas, na sede da OAB-CE (Rua Lívio Barreto, 668 – Dionísio Torres), com a presença do presidente da OAB-CE, Valdetário Monteiro, e demais representantes das entidades do colegiado, entre elas Associação Cearense dos Magistrados-AMC, Associação Cearense do Ministério Público-ACMP e Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Ceará-ADEPOL. Os integrantes do Fórum falarão sobre os índices de violência no Estado e as políticas públicas de enfrentamento do problema.

Segundo Valdetário Monteiro, o Fórum Permanente de Debates e Propostas contra a Violência se reunirá uma vez por semana, às segundas feiras, para coletar novos dados sobre a violência e avaliar as políticas públicas nos níveis municipal, estadual e da União. O objetivo das discussões é formular propostas comuns que possam ser efetivadas pelos governos, pelo mercado e pela sociedade. Esta é mais uma ação da OAB-CE que já mantém outros espaços de estudo e discussão de temas relacionados à violência, como as Comissões de Direto Penitenciário, de Segurança Pública, de Políticas Públicas sobre Droga, de Direitos Humanos e de Combate à Homofobia e Diversidade Sexual.

(OAB-CE)

39 mortes à bala no fim de semana mais violento do ano

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Foi no fim de semana mais violento do ano em Fortaleza e Região Metropolitana que Raphael Lopes, 27, não resistiu à bala algoz de sua vida. Na volta para casa após um luau em Aquiraz na madrugada desse domingo (23), o carro onde o jovem estava com quatro amigos foi interceptado por bandidos no Conjunto São Miguel, território historicamente assolado pelo conflito de gangues.

Uma barricada de pedras era o prelúdio do assalto, não concretizado porque o motorista transpôs o obstáculo e acelerou em fuga. No revide dos bandidos, oito projéteis acertaram o veículo. Um deles passou de raspão em Raphael. Outro acertou-lhe o peito. Da 0 hora da sexta-feira (21) às 18 horas desse domingo, mais 38 pessoas haviam morrido pelo uso de armas de fogo na Capital e cidades adjacentes. Contabilizados outros tipos de óbito, o total vai a 67. E tende a aumentar, quando consideradas as ocorrências registradas nas seis horas restantes do dia.

O POVO chegou aos números acessando relatórios da Secretaria Estadual da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) publicados na Internet e ouvindo fontes da Perícia Forense do Ceará (Pefoce). Os 39 óbitos à bala fazem os últimos três dias mais violentos até do que o fim de semana do Carnaval, quando as mortes por arma de fogo foram 23 na Região.

Armas de fogo foram os vetores de 83% das 772 mortes violentas do Ceará acontecidas entre janeiro e fevereiro deste ano. E as vítimas preferenciais tinham justamente o perfil de Raphael. Eram homens, jovens e moradores de periferia. “Ele era 100%! Com ele, não tinha tempo ruim. Quando a pessoa é direita, você nunca pensa que vai acontecer isso, né?”, lamentou o representante comercial Luís Sampaio, 38. A amizade entre ele e Raphael durou 12 anos.

A família era só silêncio no velório montado na sala da casa da avó, Elvira, lugar onde Raphael nasceu e se fez gente. A casa é distante duas quadras de onde ele morava com os pais. E fica a 1,5 quilômetro do local onde o tiro atingiu-o sem chance de socorro no Frotinha de Messejana.

Vizinhos e amigos eram inconformismo. E a boa lembrança de um jovem que chegou a cursar o ensino superior, trabalhava num depósito de bebidas e tinha planos de mudar de emprego muito em breve. “Ele era um menino calmo. Não gostava de confusão. Era alegre e brincalhão. Uma pessoa como ele é difícil de encontrar hoje em dia. Ainda não estou acreditando”, declarou a serviços gerais e amiga da família Neide Pinheiro, 45.

Investigação

Até o fechamento da matéria, ninguém havia sido preso pela morte de Raphael. E a Polícia ainda não tinha pistas dos assassinos. O inquérito policial foi instaurado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e as investigações serão retomadas nesta segunda-feira (24).

(O POVO)

Violência aumentou com fim da lei contra a homofobia, dizem especialistas

A derrubada da Lei Estadual 3.406/2000, que define penalidades a estabelecimentos que discriminem pessoas por causa da orientação sexual, pode estar relacionada ao aumento da violência sofrida por lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros. O tema foi discutido em audiência pública na última quinta-feira (20), promovida pela Comissão de Combate às Discriminações e aos Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

De acordo com o presidente da comissão, deputado Carlos Minc, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro revogou a lei em outubro de 2012 por vício de iniciativa, depois de ela “funcionar muito bem” por 12 anos.

“A lei [definia] discriminação [e estabelecia] que agentes públicos que se omitissem [sobre o assunto] seriam punidos. Houve recurso por vício de iniciativa, porque deputado não pode legislar sobre funcionário público. O Tribunal de Justiça acatou a representação, mas não anulou só o artigo que falava de funcionário público. Aproveitaram um pouco de desinformação, e também conservadorismo da nossa Justiça, e passaram o cerol [mistura de cola com vidro moído que é aplicado em linhas de papagaios ou pipas] em toda a lei”.

O presidente do Grupo Arco-Íris, que organiza a Parada Gay do Rio de Janeiro, Júlio Moreira, lembra que a luta contra a homofobia também foi derrotada no Congresso Nacional. “Estamos num cenário político muito delicado, pela experiência que nós tivemos com o PLC 122 [Projeto de Lei da Câmara que criminaliza a homofobia], projeto que recebeu tantas emendas [que], no final, não passou. Então a gente precisa refletir sobre o que a gente quer. A gente precisa mostrar que a gente tem força”.

De acordo com Minc, um novo projeto de lei com o mesmo teor da Lei 3.406 foi apresentado pelo governador Sérgio Cabral, porém, a discussão está parada na Alerj. O deputado diz que o projeto já recebeu mais de cem emendas de pessoas contrárias à causa LGBT.

(Agência Brasil)

Quando a violência se banaliza

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Em artigo no O POVO neste sábado (22), o reitor da Universidade Federal do Ceará, Jesualdo Pereira Farias, comenta assassinato do estudante Mardônio Freire e diz que sociedade é refém do medo. Confira:

A trágica morte do estudante Mardônio Freire enluta sua família, a Faculdade de Direito e toda a UFC. É mais uma vida ceifada, mais uma jovem esperança que se esvai, em meio a escalada de violência que parece não ter fim e que coloca a sociedade inteira como refém do medo. O luto na faculdade sinaliza a dor dos colegas e professores, mas também tem as cores da indignação. Há em todos o sentimento de que não podemos continuar somando perdas desse porte e de que é preciso dar um basta à criminalidade, devolvendo-se às famílias a segurança, que é um dos bens mais preciosos em país civilizado.

Preocupa, especialmente, a forma como se banalizou o ato de matar. Em qualquer rua ou bairro, a qualquer momento, marginais de todas as idades – adolescentes e até crianças – manejam com espantosa naturalidade as ferramentas da morte. E os tiros certeiros vão ampliando insidiosamente estatísticas macabras. É aterrador, nos dias que correm, o número de jovens que têm tombado nessa guerra não declarada que se trava nas cidades brasileiras.

Se as guerras são assunto demasiado sério para ser confiado apenas aos generais, a violência urbana é algo por demais dramático para ser deixado somente em mãos das autoridades policiais. Está claro que o fenômeno sobrepuja a capacidade de aparato meramente repressor. Os componentes sociais do fenômeno, que envolvem questões como as desigualdades sociais, o desemprego, a falta de opções de lazer, a precariedade da moradia, e, sobretudo, o alastramento do consumo de drogas, são fatores que tornam a criminalidade problema complexo, em cuja solução deve envolver-se toda a sociedade.

A Universidade tem procurado fazer sua parte, no terreno de suas atribuições institucionais, e se tornou locus de importantes estudos sobre a violência. Compreendendo mais amplamente o fenômeno, nos habilitamos melhor para a tarefa de enfrentá-lo. A atitude mais desastrosa que qualquer instituição com responsabilidades sociais pode tomar, neste momento, seria resignar-se ao mero papel de espectador, enquanto nossos jovens são trucidados nas esquinas.

Violência é nacional, mas Fortaleza é um absurdo, diz ACC

Da Coluna Vertical, no O POVO deste sábado (22):

O presidente da Associação Comercial do Ceará (ACC), João Porto Guimarães, está revoltado com a situação a que chegou a violência no Estado e, em especial, em Fortaleza. Reconhece que o problema é nacional, mas observa que a Capital vem registrando estatísticas absurdas e uma população sem sentir, pelo menos, a sensação de segurança.

João Porto reconhece também que houve investimentos, acentuando, no entanto, que falta ação enérgica para enfrentar tal quadro. João Porto chega a apelar ao governador Cid Gomes por mudança na cúpula do aparelho de Segurança Pública e Defesa Social.

Vereador diz que Cid Gomes foi campeão de demissão de policiais

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O vereador Gelson Ferraz (PRB) disse, nessa terça-feira, em pronunciamento na Câmara Municipal de Fortaleza, que a violência na Capital atinge todas as classes sociais. Segundo dados apresentados pelo parlamentar, mais de 700 pessoas foram assassinadas no Ceará entre janeiro e fevereiro de 2014, o que representa uma média de 12 pessoas mortas por dia. “Vivemos um genocídio no Ceará”, disparou.

Gelson explicou que o Governo do Estado investiu em segurança, contratou mais policiais, mas, mesmo assim, falhou no quesito segurança pública. “Foi o Governo que manteve o pior relacionamento com os policiais. Campeão em demissões de policiais por insubordinação, do tipo particular de reuniões ou simplesmente reivindicar melhorias para a corporação. Demissões políticas que mexeram com a dignidade e com a motivação da tropa. A soma disso tudo, senhoras e senhores, resulta neste caos em que vivemos. Tem sangue nas mãos do governador Cid Gomes”, destacou.

Gelson destacou a vinda da presidente Dilma Rousseff ao Ceará e sugeriu que fosse feito um Decreto de Intervenção Federal na segurança pública do Ceará, nos termos do artigo 34, inciso III, da Constituição Federal, que estabelece intervenção por grave comprometimento da ordem pública. “Fica aqui o nosso registro, a nossa indignação e a nossa solidariedade para com as milhares de pessoas que perderam suas vidas pela falta de noção do Governo do Estado do Ceará”.

(Site da CMFor)

VAMOS NÓS – Pelo visto, a ida de um grupo de vereadores ao encontro do PMDB em Croatá (Zona Norte), em apoio ao pré-candidato a governador pelo PMDB, senador Eunício Oliveira, está fazendo efeito: essa turma agora resolveu bater no Governo Cid Gomes (Pros). Embora passe a maior parte abençoada pelo prefeito Roberto Cláudio (Pros).

Renan diz que pretende colocar em votação PEC da Maioridade Penal

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta terça-feira (18) que pretende colocar, em breve, na pauta de votação da Casa a proposta de emenda à Constituição que reduz a maioridade penal de 18 anos para 16 anos em casos de crimes hediondos. O presidente deu a declaração após encontro com os pais da adolescente Yorraly Ferreira, de 14 anos, que morava no Distrito Federal e foi assassinada pelo namorado. O rapaz foi preso duas horas antes de completar 18 anos.

“Nós vamos conversar com os líderes e já assumimos o compromisso de pautar essa matéria. É evidente que é uma matéria complexa, mas será, sobretudo, a oportunidade para que cada um vote da maneira que ache que deve votar”, disse o presidente do Senado.

A mãe de Yorraly, Rosemary Dias da Silva, pediu que Renan Calheiros interceda para que ela seja recebida pela presidente Dilma Rousseff. “Quero que a presidente me ouça, porque ela é mãe como eu sou, e ajude a aprovar a redução da maioridade penal para que outras mães não passem pelo que eu estou passando”, disse ao sair do encontro.

Rosemary desmaiou e precisou ser atendida no serviço médico do Senado. Após se recuperar, ela disse que ficará acampada em frente ao Palácio do Planalto até ter um encontro com a presidente Dilma.

(Agência Brasil)

Fantástico anuncia reportagem sobre violência em Fortaleza

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Ao apresentar nesse domingo (16) uma reportagem sobre a cidade mais violenta do mundo, San Pedro Sula, em Honduras, na América Central, segundo levantamento das 50 cidades mais violentas do mundo, o programa Fantástico, da Rede Globo, anunciou para o próximo domingo (23) uma matéria sobre três cidades brasileiras no topo do indesejado ranking, entre elas Fortaleza.

A capital cearense é a sétima no ranking, com 72,8 mortes violentas para cada 100 mil habitantes, mas a primeira em números absolutos, com quase o dobro de casos de San Pedro Sula.

Maceió e João Pessoa completam a reportagem do Fantástico, que esteve nas capitais nordestinas na última semana.

Suplicy diz que manifestações devem ser pacíficas

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) rebateu nessa quarta-feira (12) críticas publicadas nas redes sociais atribuindo a ele apoio a ações do movimento Black Blocks. Suplicy esclareceu que todas as suas manifestações sobre o assunto tiveram o intuito de dissuadir o grupo de usar a violência.

– Avalio que não existe justificativa para o emprego da violência em qualquer circunstância, principalmente quando se trata de defender ideias. Ideias devem ser combatidas com ideias, com ações como passeatas ou até, às vezes, algum tipo de desobediência civil – afirmou.

O senador citou como exemplo de líderes que transformaram a sociedade sem usar a violência, como Mahatma Gandhi e Martin Luther King. Aos grupos que se manifestam no país, fez um apelo para que usem meios pacíficos e para que recebam bem os visitantes na Copa do Mundo.

– Vamos, sim, reivindicar, mas respeitando o direito dos outros, o patrimônio público e privado. Assim as manifestações poderão angariar o respeito de toda a sociedade brasileira e atingir os seus objetivos, ainda mais, neste ano em que vamos realizar a Copa do Mundo – disse o senador.

(Agência Senado)

Jornalista relata momentos de terror em ação de assaltantes

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Assaltantes realizaram um arrastão nas proximidades do cruzamento da avenida Antonio Sales com a rua Monsenhor Catão, na Aldeota, na madrugada deste domingo (9). A jornalista Adriana Saboya registrou o momento de terror em sua página no Facebook. Confira:

“Assaltantes armados tocando o terror na Antonio Sales com Monsenhor Catão. Carros na contramão, sobre as calçadas e canteiro central e uma confusão generalizada. Conseguimos, eu e Mara Crisc, fugir, por um livramento de Deus. Dei ré, bati em um dos carros que também manobrava para fugir do circo. Não houve danos maiores. Só um susto dos grandes e uma tremedeira que não parou até agora. Cena triste e de medo. Liguei para a Ciops. Já haviam registrado a ocorrência. Meia hora depois, nada de Polícia. A vida segue…”

VAMOS NÓS – Tentamos encontrar o procedimento adotado pela Polícia, por meio do relatório das ocorrências da Ciops. A última atualização é de quinta-feira (6). A vida segue…

Feriado de Carnaval: 70 pessoas foram mortas no Ceará em cinco dias

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Durante o feriadão de Carnaval, 70 pessoas foram assassinadas no Ceará, uma média de 14 homicídios por dia. Somente em Fortaleza e na Região Metropolitana, 36 pessoas foram mortas, de sexta-feira (28) até essa terça-feira (4). No interior do Estado, foram 34 homicídios contabilizados pelo Comando de Policiamento do Interior (CPI).

Este foi o Carnaval mais violento dos últimos dez anos, segundo balanço do O POVO Online. Em 2013, 2012 e 2011 foram, respectivamente, 55, 31 e 52 homicídios. A média de 14 assassinatos por dia também é maior que a média de casos de morte violenta por dia do estado no ano de 2013, em que a cada duas horas, uma pessoa foi assassinada. Ao todo, foram 26 pessoas mortas em Fortaleza durante o feriado.

Até a segunda-feira (3), a Polícia já contabilizava 58 homicídios em todo o Estado. O dia mais violento na grande Fortaleza foi o domingo (2), quando 11 ocorrências foram registradas. Os crimes mais recentes na Capital, ocorrido nessa terça-feira, foram nos bairros Edson Queiroz, Jardim Iracema, Pici e Ellery. Nesse último, um adolescente foi executado a tiros, na avenida Pasteur, por duas pessoas não identificadas.

Interior

Durante o feriado de Carnaval, de sexta-feira até a terça-feira, 34 pessoas foram assassinadas no interior do Ceará. No último dia de folia, sete pessoas foram assassinadas nos municípios de Reriutaba (dois mortos), Paracuru, Massapê, Juazeiro do Norte, Redenção e Morada Nova.

Somente na segunda-feira, treze pessoas foram mortas no Interior. No domingo, foram seis assassinatos e no sábado, 1°, cinco pessoas foram assassinadas. Na sexta-feira, três pessoas foram mortas no interior do Estado.

(O POVO Online)