Blog do Eliomar

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Segurança sem fundos

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Da coluna Vertical, no O POVO deste sábado (24):

No Brasil, foram registradas 1.484 ocorrências de arrombamentos e assaltos a bancos só no primeiro semestre deste ano, segundo pesquisa nacional de ataques a bancos, divulgada pela Confederação Nacional de Vigilantes. Isso dá uma média de oito agências bancárias assaltadas por dia no País.

No Ceará, segundo o vereador Acrísio Sena (PT), só até agosto último, já foram anotadas 99 ocorrências do gênero. Preocupado com esse quadro, Acrísio puxa para segunda-feira (26), a partir das 15 horas, na Câmara Municipal, audiência pública para debater o primeiro aniversário do Estatuto Municipal de Segurança Bancária que, lamentavelmente, de acordo com o petista, continua com pouca resolutividade.

E é porque o Procon reage, pois só em 2012 emitiu 98 autos de infração. Cobra-se muito do aparelho de segurança pública, mas a sociedade também precisa fazer a sua parte.

Polícia procura “quadrilha das motos” que promove arrastões em ônibus

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Cinco homens e um adolescente são procurados pela Polícia, entre os bairros José Bonifácio e Edson Queiroz. O grupo é acusado da prática de “arrastões” em ônibus que circulam nesses bairros. Segundo a Polícia, três assaltantes entram nos ônibus como passageiros, enquanto os outros seguem o coletivo em três motos. Os ataques ocorrem quase sempre em horários de pico, quando o trânsito apresenta engarrafamento.

O último ataque ocorreu no início da noite da quarta-feira (14), no ônibus 35931 da linha Antônio Bezerra/Unifor. Segundo duas vítimas, que não quiseram ser identificadas, os assaltantes subiram no ônibus, uma parada após o cruzamento das avenidas Domingos Olímpio com Aguanambi. Nas proximidades da Praça da Imprensa, no bairro Dionísio Torres, o grupo anunciou o assalto. A ação teria durado cerca de três minutos, quando o ônibus ficou parado no engarrafamento. Após o crime, cada assaltante subiu em uma moto como garupeiro.

O cobrador que trabalhava no coletivo disse que estranhou a “escolta” das três motos, pela avenida Antônio Sales, mas não acreditou em tamanha ousadia, diante do horário.

Os três assaltantes foram descritos pelas vítimas como um homem moreno e gordo, outro moreno, bastante magro e de cavanhaque, e um adolescente loiro com tatuagens “tribais” no braço esquerdo e na perna esquerda. Dois dos assaltantes sempre carregam mochilas.

No fim da manhã dessa sexta-feira (16), dois suspeitos foram vistos na parada de ônibus próxima ao Centro de Eventos, na avenida Washington Soares. A Polícia foi acionada, mas os suspeitos não foram localizados. A Polícia aconselha que as vítimas não reajam aos assaltos, como ainda não tentem prender suspeitos com as mesmas características dos assaltantes. Nos dois casos, a Polícia deve ser acionada pelo número 190.

Entidades de classe dos jornalistas repudiam agressões à imprensa durante as manifestações de rua

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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro divulgou nota nessa quinta-feira (15) condenando as agressões aos profissionais de imprensa durante as manifestações de rua na capital fluminense. De acordo com a entidade, “a liberdade de imprensa corre perigo. A situação está cada vez mais grave para os jornalistas que cobrem, ou melhor, que tentam cobrir as manifestações de rua, no Rio de Janeiro”.

O sindicato destaca ainda que “um pequeno grupo de manifestantes, no melhor estilo de milícias fascistas, passou a intimidar rotineiramente as equipes de jornalismo. Nos protestos de segunda-feira (12), em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras, várias equipes foram acuadas e impedidas de trabalhar. Um repórter cinematográfico da TV Bandeirantes chegou a levar um soco nas costas. Não foi para isso que lutamos contra a ditadura que durante 21 anos perseguiu a imprensa, prendeu, torturou e assassinou tantos brasileiros. Entre eles, jornalistas”, diz a nota.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também repudiou as agressões. Em nota, a entidade relatou que desde meados de junho a imprensa vem sendo hostilizada durante protestos nas principais cidades do país. “A Abraji contabilizou quase 60 casos de agressão a repórteres. Sedes de emissoras foram cercadas ou apedrejadas, e diversos veículos de reportagem ou de transmissão foram depredados. Esses dados justificam a posição do Brasil entre os países mais perigosos para o exercício de jornalismo no mundo”.

Para a Abraji, essas agressões não condizem com um Estado democrático. “Quaisquer tipos de agressões e violações a jornalistas, sejam elas perpetradas pelo Estado ou por manifestantes, constituem ofensa violenta ao livre exercício da comunicação. Nenhuma instituição que apoie a democracia pode tolerar conduta desse tipo”.

(Agência Brasil)

Escalada de erros

Da coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (11):

Como se previa, foi um desastre político a expulsão violenta dos acampados do Parque do Cocó. Os equívocos cometidos pela Prefeitura de Fortaleza e pelo Governo do Estado ganham um volume impressionante e certamente terão consequências políticas.

A precipitação da Prefeitura resultou numa operação eivada de ilegalidades, pois a área está em litígio, segundo o Ministério Público Federal. Além do mais, só a Polícia Federal ou a Polícia Militar (esta com autorização prévia da jurisdição federal) poderia ter atuado naquela área, segundo o procurador da República, Oscar Costa Filho.

O show de violência praticado pela Guarda Municipal confirma as apreensões anteriores desta coluna quando da criação da nova corporação. Mais um monstro foi criado na área da repressão, já impregnado do mesmo vício militarista e autoritário, bem longe do caráter cidadão que deve ter uma guarda municipal. Foi uma chance perdida pelos responsáveis para criar uma nova cultura na área da segurança pública. É uma distorção da qual a administração municipal passada tem parte da culpa.

O sentimento de amor à natureza dos encapuzados

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Em artigo no O POVO deste sábado (10), o editor-adjunto do Núcleo de Conjuntura do O POVO, Luiz Henrique Campos, comenta da postura de manifestantes que usam capuzes e agridem trabalhadores. Confira:

Os acontecimentos da última quinta-feira (8), iniciados na madrugada com a retirada dos acampados da área do Cocó, e que culminaram com o embargo da obra de construção de dois viadutos no encontro das avenidas Antônio Sales e Engenheiro Santana Júnior, deveriam servir de profunda reflexão para os gestores da área de segurança do Município e do Estado, mas também por parte das lideranças dos manifestantes.

Não vou tratar da Polícia e da Guarda Municipal, em vista do que já foi amplamente exposto em outros veículos por ocasião de manifestações anteriores.

Não posso me furtar, todavia, de tecer comentários sobre atos cometidos por pessoas ligadas aos protestos, quase sempre tratadas como vítimas nessas ocasiões, sem que se levem em conta atitudes por elas perpetradas. Naquele dia, acompanhei de perto os momentos de tensão quando estive no local durante o período da tarde/noite, e fiquei impressionado com a forma como os manifestantes se preparavam para possível confronto. Das barricadas montadas ao longo da Santana Júnior, utilizando pedras, camburões, placas e fogo, até as agressões e intimidações contra jornalistas, a sensação que ficou é de que, se o sentimento de amor à natureza daquelas pessoas for medido por tais gestos, não sei qual seria o destino do Cocó com eles no poder.

Para além disso, será que, para demonstrar amor ao Cocó, é preciso constranger as pessoas deixando-as presas nos carros sem poder atravessar as barreiras? Em muitos desses veículos vi crianças e idosos, apavorados, diante da possibilidade iminente de um confronto, em que estariam entre os manifestantes e a Polícia, correndo, sim, risco de morte. Que amor à natureza justifica isso? E que lideranças são essas que ligam para professores das escolas públicas mandando liberar os alunos das aulas com a orientação de se dirigir ao Cocó, sob o argumento de ver a “derrocada do capitalismo”?

E o que leva pessoas a defenderem a natureza usando capuzes? Por que não podem ser identificadas e agridem os fotógrafos e cinegrafistas? Não há santos na Polícia, mas também não são só vítimas os manifestantes. Basta tirar o capuz ideológico para ver isso.

Juíza defende investimentos na ressocialização de jovens infratores

A juíza federal Taís Schilling Ferraz, presidenta da Comissão da Infância e Juventude do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), avalia que a situação em unidades de internação reforça a necessidade de mais investimentos no sistema de ressocialização de crianças e adolescentes em conflito com a lei. Promotores da Justiça da Infância e Juventude inspecionaram 287 unidades de internação provisória ou definitiva em março de 2012 e março deste ano.

Coordenadora do relatório Um Olhar Mais Atento às Unidades de Internação e Semiliberdade para Adolescentes, lançado nesta quinta-feira (8) pelo CNMP, ela destacou que nas poucas unidades em que as normas que regem o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foram implementadas de fato, a ressocialização dos jovens infratores é possível.

“A verdade é que um grande número de unidades de todo o país ainda não atende às especificações do sistema socioeducativo, do Estatuto da Criança e do Adolescente. É isso que, de fato, dificulta a ressocialização. Naquelas em que esses parâmetros são observados, há condições de profissionalização, de estudo. E os índices de reincidência caem muito”, ressaltou a juíza logo após a divulgação do relatório.

Para Taís, a constatação de que a maioria das unidades de internação provisória ou definitiva está superlotada e não dispõe de salas de aula adequadas, espaços para profissionalização ou equipamentos para a prática esportiva demonstra que, antes de propor a redução da maioridade penal como solução para o problema da violência juvenil, a sociedade deve cobrar investimentos que garantam a efetividade do sistema socioeducativo.

“Os adolescentes que praticam um ato infracional e vão para essas unidades de internação [com problemas estruturais apontados no relatório] não estão tendo a oportunidade da socioeducação. Não estamos conseguindo dar uma resposta adequada, mas a solução nunca será a redução da maioridade penal, colocar esses meninos em um presídio. A solução é dar a eles condições de voltar à sociedade. E, para isso, o Estado precisa investir nessas unidades a fim de garantir [aos jovens] educação, profissionalização e cultura”, acrescentou a juíza.

A juíza citou um dado fornecido pelo Ministério Público do Distrito Federal, cujos promotores identificaram que 29% dos adolescentes envolvidos em atos infracionais disseram não ter sonhos ou expectativas.

“Isso é muito grave. As crianças não têm perspectiva de futuro. Precisamos trabalhar não para encarcerá-los, para levá-los para presídios e colocá-los à disposição do crime organizado. Precisamos de investimentos nas unidades de internação, [sem os quais] fica muito difícil o projeto de socioeducação [e ressocialização]”, reforçou a juíza.

(Agência Brasil)

Empresário de 58 anos é morto com tiros na cabeça em assalto no Centro de Fortaleza

Um empresário foi morto em assalto na noite deste sábado (3), no Centro de Fortaleza, no cruzamento das avenidas Duque de Caxias e Imperador.

De acordo com a Polícia, Antônio Teixeira Lopes Azevedo, 58, foi assassinado com tiros na cabeça por dois homens em uma moto Titan prata. O crime ocorreu no momento em que a vítima, que estava junto com seu irmão, saia do carro para fazer uma entrega de mercadoria.

De acordo com um amigo da família, o empresário se preparava para pegar seu filho no instante em que foi abordado pelos criminosos. Ainda segundo este amigo da família, outro tiro pegou no ombro da vítima e um terceiro disparo passou de raspão, atingindo a porta do estabelecimento.

Segundo informações repassadas para Polícia pelo irmão, os assaltantes levaram sua carteira, com documentos e R$ 10. Da vítima, nada foi levado.

Antônio Teixeira chegou a ser levado ao Instituto Dr. José Frota (IJF), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

O empresário, que era mais conhecido como “Nazareno”, era proprietário da empresa Móveis Usados O Nazareno.

(Redação O POVO Online)

Suspeito de assalto “mergulha” cinco metros ao chão

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Um homem se atirou de uma guarita de segurança, na manhã deste sábado (3), em um condomínio no bairro Monte Castelo. Segundo a Polícia, ele é suspeito de invasão e tentativa de assalto contra o condomínio. Perseguidos pelos moradores, após supostamente ter atacado duas mulheres no estacionamento do prédio, o homem foi acuado em cima da guarita.

Ao ser informado que a Polícia já havia sido acionada, o homem “mergulhou” de uma altura de cinco metros. Ele passou cerca de 15 desacordado. Somente com a chegada do Samu é que o homem foi reanimado para atendimento na ambulância.

“Ele não pulou, mergulhou mesmo! Caiu de peito no chão”, contou para o Blog um morador do condomínio.

Após receber atendimento, o homem foi conduzido pela Polícia para o 7º Distrito, no bairro Pirambu.

Defesa diz que "mundo do crime ganhou" com condenação de PMs no julgamento do Carandiru

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A advogada Ieda Ribeiro de Souza, responsável pela defesa dos policiais militares condenados a 624 anos de prisão pela morte de 52 detentos na antiga Casa de Detenção do Carandiru, criticou a decisão dos jurados, anunciada na madrugada deste sábado (3). Em entrevista após a leitura da sentença, a advogada disse que a “sociedade perdeu e o mundo do crime ganhou” com a condenação. “Quando se condenam policiais que trabalharam honestamente, corretamente e que não tiveram nenhuma participação nesse número de mortes, há a desvalorização de quem nos protege.”

Os 52 detentos mortos ocupavam o terceiro pavimento do Pavilhão 9 da casa de detenção. A advogada informou que vai recorrer da sentença. Os réus poderão apelar em liberdade. Eles também foram condenados à perda de cargo público, mas isso só ocorrerá, segundo promotores e a advogada, após a sentença ter transitado em julgado, ou seja, até serem esgotados os recursos e as instâncias.

Para a advogada, o resultado da segunda etapa do julgamento do Massacre do Carandiru, embora tenha sido uma decisão de sete jurados da sociedade civil, não reflete a opinião da sociedade como um todo. “Vão à internet e vão ver os comentários que se tem lá dentro. Aquilo reflete a sociedade.”

A advogada disse que, para os próximos dois julgamentos do Massacre do Carandiru, pretende insistir na tese de que não é possível individualizar a conduta dos policiais, indicando quem matou determinado preso. A mesma tese foi usada na primeira etapa de julgamento, em abril, quando 26 policiais foram condenados por 13 mortes.

Já o promotor Fernando Pereira Filho disse estar satisfeito com a decisão dos jurados. “Os jurados, mais uma vez, reconheceram não apenas que esses policiais praticaram os crimes pelos quais foram condenados, mas reafirmaram a percepção que tiveram outros tribunais populares acerca da efetiva ocorrência de um massacre”, disse ele. “A voz da sociedade, dentro do julgamento, é dada dentro do tribunal de júri”, acrescentou. Segundo ele, a decisão dos jurados demonstrou que “a sociedade não vai compactuar com o desrespeito à vida e o desrespeito ao ser humano”.

(Agência Brasil)

SINTSAF cobra mais segurança para IJF

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O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço de Saúde de Fortaleza (SINTSAF), Plácido Filho, cobrou nesta sexta-feira (2) mais segurança nas dependências do Instituto Doutor José Frota (IJF). Segundo o sindicalista, o assassinato do paciente Antônio Edilson Justino de Lima, 19, na quarta-feira (31), é mais um capítulo no histórico de violência na maior unidade de saúde do Estado.

“Estamos discutindo essa problemática há anos. Este é um dos principais pontos da nossa pauta de reivindicações dos trabalhadores da Saúde e não vamos desistir até que esse quadro mude, pois a integridade física dos servidores é tão importante quanto à vida dos pacientes que são atendidos no hospital”, comentou Plácido Filho.

O paciente, que havia recebido alta, foi baleado no momento em que era levada pelo maqueiro Wilame Pereira do Nascimento para um veículo que o esperava no pátio da emergência. “O rapaz estava nos meus braços quando foi baleado. Eu tinha acabado de tirar ele da maca e ia levar para o carro quando escutei o gatilho e o primeiro tiro, soltei o paciente e corri. Eu pensava que iria morrer, que um dos tiros iria pegar em mim. Nasci de novo, graças a Deus”, contou o maqueiro, ainda emocionado com o ocorrido.

O autor dos disparos foi um adolescente, apreendido no local do crime. Em depoimento na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), ele afirmou que matou o paciente por vingança, pois a vítima teria executado o irmão do agressor.

Dias antes do crime, Plácido Filho havia se reunido com o superintendente do IJF, Walter Frota, quando cobrou melhorias para os servidores da unidade. No encontro, Walter Frota apresentou a Plácido o estudo para a implementação de um sistema de segurança para o hospital.

PM aposentado é morto em saidinha bancária na Praia de Iracema

Um sargento aposentado da Polícia Militar (PM) foi vítima de uma saidinha bancária, próximo à rua Gonçalves Lêdo com a avenida Monsenhor Tabosa, no bairro Praia de Iracema, na tarde desta sexta-feira (2). Ele acompanhava a esposa, que havia sacado dinheiro de uma agência bancária, quando foram abordados por dois homens armados em uma moto.

Segundo a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o casal reagiu ao assalto e a dupla armada efetuou alguns disparos no PM, identificado como Francisco Almires Ribeiro, 64. O sargento foi levado ao Instituto Doutor José Frota (IJF), mas chegou sem vida ao hospital.

(O POVO Online)

Revolta. Revolta

Em artigo no O POVO deste sábado (20), o médico, antropólogo e professor universitário Antonio Mourão Cavalcante comenta o assassinato do padre Elvis e a falência do aparelho da segurança pública. Confira:

Como na canção, “tá lá um corpo estendido no chão”. Mais uma vítima. Dezenas. Centenas de vidas ceifadas de forma bestial. Sem motivo, Sem culpa formal. O bicho homem voltou aos tempos da barbárie. Estamos na base do salve-se quem puder.

A morte em destaque, desta semana, foi a de Elvis Marcelino de Lima, 47 anos. Um cara idealista que, dentro de sua vocação missionária, foi designado para substituir outro “louco de Deus”: padre Luiz Ribuffini. Ambos pertencentes à Congregação da Sagrada Família de Nazaré. Simplesmente, os padres do Piamarta. E isso, para Fortaleza, quer dizer muito.

Padre Elvis coordenava as atividades do Centro Educacional da Juventude Padre João Piamarta, instituição que acolhe crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. São, hoje, mais de 2.400 jovens assistidos. Ele fora assistir à apresentação de quadrilha junina de um grupo de sua entidade. Pegando o carro de volta, foi abordado e morto com um tiro pelas costas. Ficou uma poça de sangue no local onde ele foi abatido.

Essa morte tem duas etapas. Primeira, ainda em vida, quando se confrontava com constantes negativas governamentais. Quantas vezes padre Elvis bateu às portas do poder buscando apoio e recursos? Sempre recebendo conversa mole como explicação… Quantas vezes barrado nas insondáveis burocracias de quem não quer ajudar? Homem morto, o burocrata apressa-se em dizer que tudo será resolvido. Por que agora?

A segunda etapa revela, por inteiro, a falência completa da promessa de campanha de Cid Gomes: acabar com a violência no Ceará. Os dados sobre Fortaleza indicam o contrário. Não existe segurança. A sociedade está atônita. Para quem apelar? Parece que começamos a aceitar estes fatos como algo normal. Multiplicam-se. Ampliam-se. Isso aqui virou terra de ninguém.

Episódios como esse ilustram e amplificam o que está sendo apontado, nas ruas e praças do Brasil, como descaso e arrogância dos poderes constituídos. Continuam tranquilos, construindo Acquário e distribuindo sorrisos em viagens de descanso pelo mundo afora.

Quousque tandem, ó Catilina, abutere patientia nostra?

Mortes em assaltos em bancos crescem 11,1% no primeiro semestre

O número de mortes em assaltos envolvendo bancos no país cresceu 11,1% no primeiro semestre deste ano na comparação com igual período do ano passado, aponta levantamento, divulgado nesta sexta-feira (19), pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e a Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV). A pesquisa, elaborada com o apoio técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que o total de vítimas passou de 27 para 30. O estado que concentra maior número de casos (46%) é São Paulo, com 14 mortes.

“O que mais nos preocupa é essa curva de crescimento constante, porque foram 23 casos em 2011, passamos para 27 e chegamos a 30. Não se tem medidas por parte do setor financeiro que reduzam essas mortes”, avaliou José Boaventura Santos, presidente da CNTV. O Rio de Janeiro é segundo estado em número de mortes, com cinco vítimas, seguido pela Bahia e pelo Rio Grande do Sul, ambos com três. Cerca de 60% dos casos, 18 mortes, correspondem aos assaltos ocorridos quando os clientes saem da agência, crime conhecido como saidinha bancária.

Os clientes continuam sendo as principais vítimas dos assaltos envolvendo bancos. Foram 21 casos no primeiro semestre deste ano, um aumento de 40% em relação ao mesmo período do ano passado. Os vigilantes aparecem em seguida, com quatro mortes. Segundo a CNTV, existem cerca de 700 mil vigilantes no país, sendo que 25% trabalham em instituições bancárias.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou, por meio de nota, que os investimentos em segurança nos bancos associados à entidade cresceram R$ 3 bilhões por ano em 2002 para R$ 8,3 bilhões em 2011. A entidade destaca ainda que, segundo dados de 17 instituições financeiras, o número de assaltos caiu 56% na última década. De acordo com a federação, eram 1.009 assaltos, incluindo tentativas, em 2002, e, no ano passado, foram registradas 440 ocorrências. Entre os mecanismos de segurança adotados, a Febraban cita o cofre com dispositivo de tempo e o estímulo a transações eletrônicas.

(Agência Brasil)

Comissão especial vai investigar ações de vandalismo durante as manifestações no Rio

Uma comissão especial, integrada por membros do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP) e das polícias Civil e Militar, vai investigar a atuação de grupos de vândalos durante as manifestações. O anúncio da criação da comissão foi feito na noite dessa quinta-feira (18) na sede do MP, após reunião do procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira, com representantes do governo do estado e da cúpula da Secretaria de Segurança Pública.

O grupo terá o poder de avocar todas as investigações sobre os atos de vandalismo ocorridos nas últimas manifestações, quando um grupo de baderneiros aproveitou um protesto pacífico contra o governador Sérgio Cabral, para cometer ações de vandalismo contra lojas comerciais, agências bancárias, bancas de jornais, nos bairros do Leblon e de Ipanema. Eles também saquearam o comércio, destruíram caixas coletoras de lixo e atearam fogo a cones de sinalização e nos materiais retirados das lojas saqueadas.

 O decreto criando a comissão será preparado nesta sexta-feira (19), segundo o secretário da Casa Civil do governo fluminense, Regis Fichtner. Participaram também do encontro, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, e o comandante da Polícia Militar, coronel Erir Ribeiro Costa Filho.

De acordo com o procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira, os promotores acompanharão o trabalho investigatório, apontando as diligências que julgarem necessárias, para posterior ingresso das ações penais que responsabilizarão em juízo os envolvidos em atos criminosos.

(Agência Brasil)

Brasil é o 7º colocado no mundo em casos de homicídios

“O Brasil é o sétimo colocado no mundo em casos de homicídios. A cada 100 mil habitantes, 27,4 são vítimas de crimes. No caso de jovens entre 14 e 25 anos, o número aumenta para 54,8. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), compilados pelo Mapa da Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil, divulgado hoje (18), pelo Centro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) todos os dez países com os mais altos índices de homicídios entre jovens estão na região da América Latina e do Caribe. El Salvador lidera o ranking de índices de homicídios seguido de Ilhas Virgens, de Trinidad e Tobago, da Venezuela, da Colômbia, da Guatemala, do Brasil, do Panamá, de Porto Rico e das Bahamas.

Segundo o estudo, esses índices são explicados pela incidência de problemas estruturais de origem política, econômica e social, como desigualdade e falta de acesso a serviços básicos combinados ou não a conflitos armados, como os que acontecem na Guatemala, em El Salvador e na Venezuela. No caso dos homicídios de jovens, o Brasil tem taxa mais de 500 vezes maior do que a de Hong Kong, 273 vezes maior do que a da Inglaterra e do Japão e 137 vezes maior do que a da Alemanha e da Áustria.

Na década de 1990, o Brasil chegou a ocupar a segunda colocação nesse ranking da OMS, liderado então pela Venezuela. A queda brasileira na lista dos países com as maiores incidências desse tipo de crime não significa que a violência foi reduzida, mas que houve aumento em outros lugares no mundo. O autor do Mapa, Julio Jacobo Waiselfisz, explicou que a violência tem causas e consequências múltiplas. Apesar disso, é possível notar, no caso brasileiro, três fatores determinantes. Em primeiro lugar, a cultura da violência. Segundo ele, no país – e também na América Latina -, existe o costume de se solucionar conflitos com morte, parte disso herança de raízes escravagistas no continente.”

(Agência Brasil)

PM e assaltante mortos em troca de tiros

Uma tentativa de assalto resultou na morte de um soldado da PM e de um suspeito e roubo, na noite desse sábado (29), no município de Irauçuba, a 150 quilômetros de Fortaleza. Segundo a Polícia, o soldado Isaias Pinto do Nascimento, 30, e um subtenente acompanhavam o transporte do dinheiro arrecadado em um bingo, quando foram surpreendidos por dois homens em uma moto, em frente a uma escola.

Na troca de tiros, os dois policiais e os dois suspeitos foram baleados. O suspeito Tarcílio Mesquita dos Santos, 21, morreu no local, enquanto o soldado faleceu a caminho do hospital de Sobral.

Mesmo atingido por tiros de pistola, o outro suspeito conseguiu fugir. A Polícia procura por um homem ferido a tiros, nos hospitais da região.

Mão na cabeça em nome da democracia

Em artigo no O POVO deste sábado (29) o editor-adjunto do Núcleo de Conjuntura, Luiz Henrique Campos, avalia a ação da Polícia e dos manifestantes nos últimos protestos de rua. Confira:

Já sofri na pele (e nos ossos) as consequências de atos desmedidos perpetrados por policiais militares. Também, por ter atuado como repórter policial, conheço mais ou menos como é a sistemática de atuação da polícia em determinadas situações. Não sou por formação daqueles que acham que as entidades de direitos humanos só defendem bandidos e discordo frontalmente dos que apregoam que bandido bom é bandido morto. Me considero, nesse sentido, um humanista, na medida em que abomino a violência de qualquer forma.

Por isso mesmo, me incomoda como vêm sendo tratadas as manifestações pelo País, a partir somente da ótica da violência policial. Têm sido notórios em vários casos os abusos cometidos pelas polícias, fruto do despreparo para lidar com os protestos, graças principalmente a uma formação de caráter essencialmente repressor. Mas não se pode ignorar a violência gerada pelos manifestantes como se a eles fosse permitido tudo em nome da democracia. Ora, da mesma forma que conheço e já sofri na mão das polícias como jornalista, já fui alvo de militantes enfurecidos que se acham no direito de impor sua vontade pela força.

Levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) indica que 52 jornalistas foram alvo nos recentes protestos de violência na cobertura dos protestos pelo país. Desses, 12 tiveram como agressores os manifestantes. Convenhamos, quase um quarto das agressões ser oriunda dos manifestantes é grave, pois em tese, estão ali de forma pacífica. O estudo, é bom que se diga, é parcial, pois há casos que podem não ter sido computados por diversas razões, inclusive quando veículos ou jornalistas preferem não ter suas estatísticas divulgadas.

E não adianta querer separar os atos violentos oriundos dos manifestantes, criando a categoria de vândalos para justificar a depredação do patrimônio público ou as agressões. A polícia age de maneira violenta na maioria dos casos, mas não se pode apenas imputar ao aparato policial a origem dos atos violentos. É preciso que os responsáveis pelos protestos – e aí o risco maior é que ninguém se assume como tal – prestem contas à sociedade sobre o que estão fazendo, sob pena de que em breve tudo passe a ser permitido, e ao que for considerado excesso se passe a mão na cabeça em nome da democracia.

Motorista erra a rota para a Arena Castelão e ônibus vai parar na manifestação

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Um ônibus que deveria transportar torcedores que iriam assistir ao jogo Espanha x Itália, na Arena Castelão, na tarde desta quinta-feira (27), pelas semifinais da Copa das Confederações, foi depredado depois que o veículo do Bolsão foi parar no meio da manifestação de cerca de cinco mil pessoas (segundo a Polícia Militar), na avenida Dedé Brasil, nas proximidades da Uece, no bairro Itaperi.

Segundo a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), o motorista teria errado a rota, quando deveria ter seguido pela avenida Juscelino Kubitschek. A presença do ônibus na manifestação fez com que o veículo fosse apedrejado por pessoas que acompanhavam a manifestação. Não há relatos de feridos.