Cid e o secretariado Rexona?

A oposição vai virar suco?

Eis artigo do professor Uribam Xavier (UFC), publicado no O POVO desta segunda-feira e que merece boas reflexões. O título é instigante: “Cid Gomes e os deputados biônicos”. Confira: 

Os analistas políticos, quando se manifestaram sobre a reforma no secretariado anunciada pelo governo Cid Gomes, ressaltaram – além do estranhamento com a indicação de Antônio Carlos (PT), candidato derrotado nas urnas para ocupar a função de líder do governo – a habilidade dele na construção de uma engenharia política que aglutinou várias correntes políticas, criando condições de conforto para arrastar seu mandato sem os incômodos da presença de uma oposição política. No tipo de arranjo político criado por Cid fica implícito um princípio: a ideia de que a presença de oposição é boa para a democracia desde que não se tenha um democrata no poder.

O anúncio da reforma no secretariado, longe de seguir o critério da competência técnica, serviu para modelar uma imagem de Cid Gomes como um político talentoso, e um governo discreto que buscou, sem alarde, anular ao máximo as possibilidades do surgimento de forças desagregadoras, pelo menos no início de seu mandato, feito que Dilma, no plano nacional, não vem conseguindo com o PT e o PMDB. Todavia, o que não se diz ou não se percebe é que essa ação de Cid se faz reproduzindo uma ação politiqueira da velha tradição patrimonialista que está impregnada na cultura política dos nossos dirigentes políticos.

O que o suposto talento de Cid promoveu foi a eleição de deputados estaduais biônicos, ou seja, transformou em parlamentares parte daqueles que foram rejeitados nas urnas pelos eleitores. Assim, pela ação de Cid, danosa ao processo de representação política do nosso viciado e desgastado sistema eleitoral, os rejeitados nas urnas passaram a assumir cargo de representação. No mesmo processo, alguns que foram eleitos para representar traíram seus eleitores assumindo cargos no executivo.

Os eleitos para o legislativo estadual, num total desdém ao voto de seus eleitores, que passaram a comandar pastas no executivo, além de cometerem estelionato eleitoral, deixaram subentendido que suas verdadeiras intenções são a de usar o tráfico de influências, os favores políticos e os recursos materiais e simbólicos estatais em função da sua reprodução no poder ou para se manterem em torno dos poderosos.

Um bom exemplo, que vale a todos os envolvidos, é o caso do deputado Camilo Santana (PT), que deixou sem representação milhares de trabalhadores rurais que votaram nele em função do seu compromisso com a agricultura familiar e com a reforma agrária. Essas atitudes, tanto de Cid como dos referidos deputados, só comprovam que as eleições não passam de um simulacro.

No Ceará, alguns dos rejeitados pelas urnas e transformados por Cid Gomes em deputados biônicos vão assumir não um mandato democrático, mas um mandato autocrático, porque provém diretamente da vontade, da graça e do favor especial do governador. Neste gesto de apadrinhamento político, o que apraz ao governador tem força de lei maior que as vozes das urnas. Logo, uma reforma política se faz urgente para que práticas conservadoras que tornam o poder público suscetível de corrupção não possam ser compreendidas como talento político necessário a governabilidade.

Uribam Xavier – Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFC.

uribam@ufc.br

(Foto – Paulo MOska)

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

6 comentários sobre “Cid e o secretariado Rexona?

  1. Discordo, principalmente, quando o professor cita, erroneamente, o atual Secretário das Cidades, Camilo Santana. Pelo simples fato de que o trabalho de todas as secretarias na gestão Cid Gomes atuam de forma transversal, com políticas públicas – de todas as esferas – unidas e “linkadas” de tal forma que se complementam. Um bom exemplo disso é o fato da propria Secretaria das Cidades ter beneficiado,uma associação de produtores da Agricultura Familiar de São Benedito, na Ibiapaba, com uma embaladora para esses produtos serem melhor comercializados pelos produtores, o que antes era comercializado por atravessadores, e graças a essa embaladora, hoje esses produtos saem de lá com o lucro da Agricultura Familiar e sendo vendido aqui no grupo Pão de Açúcar. Não foi a SDA que forneceu a estrutura, foi a Sec das Cidades. E nem por isso deixou de beneficiar os/as homens/mulheres do campo. Outro exemplo é que a Sec das Cidades forneceu um telado de 1ha para o Assentamento Agudo organico, que também está ajudando aos homens/mulheres do campo. Não dá, então, para enxergar as políticas públicas de forma linear, bitoladas. O que é da Sec das Cidades, também, e necessariamente, irá servir às pessoas que vivem nas cidades do interior. É preciso parar de enxergar o interior como algo distante, ruim e feito para “matutos”. Isso mudou! E o trabalho de Camilo não está posto só para o interior nem só para a capital, é para o Estado. Assim como as demais secretarias. Na SDA existe um projeto de Agricultura Urbana em parceria com a prefeitura de Fortaleza através da SDE, e isso aconteceu na gestão de Camilo e beneficia pessoas da região metropolitana de Fortaleza. SDA e Cidades tem suas afinidades, assim como a SEDUC também tem com a SDA. Se ele foi bem votado é porque teve o trabalho reconhecido, e isso não mudará porque não irá servir na AL. Ele mostrou que é bom gestor e capaz, fez um grande trabalho a frente da SDA, e também fará na Cidades. Quem votou nele, acredita! Pra ser feliz, não importa ONDE, mas COMO você faz a sua vida, e isso pode ser no campo ou na cidade!

  2. Mesmo que defendendo, irredutivelmente, o direito da opinião de cada um, até por uma questão de princípios e por respeito à Democracia, porém, asseguro que, aqui, não cabe a simples, ou até simplória, questão de gostar ou não, de concordar, meramente, ou não, com a opinião, abalizada e louvável do mestre, e sim, de ouvir um clamor, ou, minimamente, tentar ascultar um sentimento, – surdo, mudo, apático e paralítico -, dos que se dignaram, minimamente, ainda, apesar do processo eleitoral caquético e jurássico, a vir fazer valer uma democracia, apesar de menor.
    Ou, então, é quedar-se aos ensinamentos do grande estadista norte americano, Lyndon B. Johnson, ao nos alertar para o fato de que existe um idiota no poder, e que, porém, os que o elegeram estão pronta e perfeitamente contemplados!

  3. Lisa,quem dera isso fosse verdade.A inserção do Camilo em outras áreas ,pode ser vista como politicagem barata,típica do atual governo.Se adentrou em outro terreno, esqueceu o seu,pode ter certeza.Quanto a parceria com a Pref.de Fortaleza, desafio vc mostrar o que efetivamente foi feito e permanece.O eleitor votou ,em tese, com uma finalidade.O desvio do deputado para o executivo é uma aberração política e jurídica que permanece em nosso ordenamento.Não tem qualquer lógica eu ser escolhido para uma função e desviar para outra totalmente inversa .A função que foi eleito é incompatível com a que assumiu.Demais disso, sem qualquer ofensa, sabemos a razão da indicação do Gov. e da aceitação do Deputado.Aí só Vinicius de Morais explica.

  4. O que este professor falou é corretíssimo; só que ele é um catedrático e usa palavras bonitas. Na realidade, todo mundo sabe que o Governador não gosta de ser contrariado em nada e governa do jeito que quer. Para tanto, criou uma forma de governar para atender a vontade dele: parabéns para ele. Mas, e as necessidades do Estado? O que nos deixa triste é ver uma assembléia inteira a disposição do executivo, sem senso crítico e democrático; qualquer coisa passa. “O homem mandou, aprova.” Contudo, o que precisa ser mais divulgado é que além dos biônicos, todos os deputados, inclusive os supostamente oposicionista, rotineiramente recebem verbas do governo para gastar onde e como quiserem. Perfeito, tudo legal, mas será que é moral. Eu gostaria de ver um deputado dizer não quero, sou oposição, tenho minhas convicções e minha boca ninguém cala (Lembrando, não é lei. É uma verba de governo e não de Estado). Enfim, toda esta engrenagem corrói a democracia. Na minha opinião vivemos uma “democracia ditatorial”, ou vice-versa.

  5. pESSOAL, FAVOR NAO FALAR EM OPOSIÇAO. ESTA SÓ EXISTIU NA ÉPPOCA DO TASSO QUE NAO FAZIA ESSE TIPO DE POLITICAGEM. E O PROFESSOR AÍ DE CIMA ERA CONTRA A POLITICA DE TASSO. TAMOIUCO HA QUE SE FALAR EM ESQUERDA. O CAMILO ERA DA ALA RADICAL DO PT. VEJA COMO ELE É ELE E SUAS CIRCUNSTANCIAS. BOTOU A VIOLA NO SACO E HOJE ESTÁ COM OS HOMENS. O PROFESSOR EM TELA NAO TEM A MINIMA EXPERIENCIA POLITICA, FALA DE POLITICA DE GABINETE, DE CATEDRA. DAQUI A POUCO ESTARÁ LIGADO A ALGUM OBSERVATORIO DA POLITICA, TIPO DE ONG BENEFICIARIA DOS RECURSOS DA VIÚVA. ADEMAIS, ESSA COISA DE SUBSERVIENCIA NA POLITICA É A MARCA DO COMPORTAMENTO POLITICO DOS FAVELADOS, DA CLASSE MÉDIA, ESPECIALMENTE DA «C» E DO EMPRESARIADO E SINDICALISTAS. TODOS COMEM DO MESMO PRATO. VALE A PERGUNTA: E AINDA SE PODE CHAMAR ISSO DE POLITICA OU É MELHOR DIZER-SE QUE A POLITICA MORREU? AGORA, O PROFESSOR PRECISA ADAPTAR SUA LINGUAGEM DE LIQUEFAÇAO MENTAL PARA A QUE É FALADA PELOS HOMENS. FRANCISCO AURI.

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