Cid gastou em campanha quase o dobro do que gastaram seus adversários

“O governador reeleito Cid Gomes (PSB) arrecadou e gastou quase o dobro da soma das receitas de seus dois principais adversários nessas eleições, Marcos Cals (PSDB) e Lúcio Alcântara (PR). O comitê financeiro da campanha de Cid conseguiu o montante de R$ 28,9 milhões. Juntos, Cals e Lúcio receberam “apenas” R$ 15,9 milhões em ajudas para suas respectivas candidaturas de oposição.

Além do diretório estadual do PSB, que entrou com a quantia de R$ 12 milhões, Cid acumulou doações de até R$ 1,7 milhão, como a feita pela Aço Cearense Industrial. A empresa JBS também foi generosa ao enviar R$ 1,5 milhão para a campanha de reeleição. Ao todo, 95 empresas reforçaram os cofres da campanha de Cid – sem contar doações de pessoas físicas.

Ontem era o último dia do prazo estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a entrega das prestações de contas de campanhas encerradas no primeiro turno – exatamente um mês depois do término da disputa.

A prestação de contas do comitê financeiro de Marcos Cals apresentou arrecadação de R$ 12,8 milhões. A descrição feita ao TSE mostra que o senador não-reeleito Tasso Jereissati (PSDB) foi o grande financiador da campanha de Cals.

Além dos R$ 917 mil oriundos do comitê de campanha para o Senado do PSDB cearense, Tasso desembolsou, enquanto pessoa física, R$ 1 milhão. Sua esposa, Renata Jereissati, entrou com mais que isso: R$ 1,7 milhão. Empresas da família Jereissati, como o shopping Iguatemi e o Jereissati Centros Comerciais S/A, também deram sua parcela de contribuição, com cerca de R$ 700 mil.

Partido como fonte

Assim como Cid, a principal fonte de receitas da campanha de Lúcio foi o diretório estadual do partido, que desembolsou mais de R$ 1,3 milhão para a campanha. Ele, que arrecadou no total

R$ 3,1 milhões, recebeu ainda R$ 696 mil do empresário Beto Studart – candidato a vice de Lúcio na disputa pelo Governo em 2006. Os gastos declarados por Lúcio ao TSE coincidiram com o valor arrecadado.

O candidato a vice da vez, Cláudio Vale (PPS), entrou com R$ 50 mil, enquanto o postulante a senador pela coligação de Lúcio, Alexandre Pereira (PPS), doou apenas um cheque de R$ 4,2 mil.

Grandes empresas e também um banco rechearam a campanha de Lúcio: o Itaú Unibanco S/A entrou com R$ 100 mil na campanha do PR. Mas a doação maior à candidatura de candidato do PR foi da M Dias Branco S/A Indústria e Comércio de Alimentos, que reservou
R$ 200 mil para Lúcio.

NÚMEROS

R$ 28,9

MILHÕES DE REAIS FOI O VALOR ARRECADADO PELA CAMPANHA DE CID

R$ 12,8

MILHÕES DE REAIS FOI A ARRECADAÇÃO DE MARCOS CALS

R$ 7,7

MILHÕES DE REAIS FOI O CUSTO DA CAMPANHA DE EUNÍCIO OLIVEIRA

R$ 6,9

MILHÕES DE REAIS FOI O VALOR DA CAMPANHA DE TASSO JEREISSATI
EM 4 ANOS, GASTOS 140% MAIORES
Em 2006, como mostrou matéria do O POVO publicada em 1º de novembro, Cid Gomes (PSB) declarou ter arrecadado e gasto em sua primeira disputa ao Governo R$ 12 milhões. Sua campanha à reeleição agora custou 140% a mais do que a de quatro anos atrás.

Em contrapartida, Lúcio Alcântara (ex-PSDB, hoje no PR), que então disputava a reeleição, gastou agora muito menos do que em 2006. Naquele ano, ele declarou custos de R$ 19,8 milhões, contra R$ 3,1 milhões deste ano – valor que representa 15,6% do arrecadado na época.”

(O POVO)

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezessete − 17 =