Consultor político diz que o sinal amarelo na gestão dilmista já acendeu

dilmmc

Com o título “Carter, Dilma e suas crises”, eis artigo do consultor político Aurízio de Freitas. Ele compara desempenho de  Dilma ao que viveu o ex-presidente Jimmy Carter, dos EUA, que disputou e perdeu a reeleição. Para Aurízio, o sinal amarelo na gestão dilmista já está acesa. Confira:

Acredito que o exercício da política comparada é antes de tudo, uma oportunidade de, por outros caminhos, investigar e enxergar com mais clareza a nossa própria realidade e as engrenagens do nosso sistema político. É considerando esta premissa, que comento a recente queda de popularidade da Presidenta Dilma Rousseff e recorro à comparação com a situação vivida por Jimmy Carter, Presidente dos Estados Unidos entre janeiro de 1977 e janeiro de 1981.

Carter perdeu sua reeleição na disputa com o republicano Ronald Reagan em 1980, embora tenha começado seu governo com 66% de aprovação, uma das três das mais altas da história política norte-americana: 72% para Kennedy, 68% para Obama. Após as prévias partidárias, em torno de seis meses antes da eleição, Carter chegou a ter 58% de desaprovação. Ao final da eleição, Reagan obteve cerca 90% dos votos do colégio eleitoral, considerando que nos Estados Unidos as eleições são indiretas. Foi uma derrota arrasadora.

Muito sucintamente, podemos dizer que o desfecho trágico de Carter foi o resultado de pelo menos três crises simultâneas: uma crise econômica relacionada à alta de preços nos barris de petróleo gerando grave recessão no país; uma crise política relacionada à política externa, pela má condução do governo dos episódios do sequestro de 52 funcionários da embaixada norte-americana em Teerã e a da invasão do Afeganistão pela União Soviética; e uma crise de legitimidade, pois a oposição republicana conseguiu rotular Carter como um Presidente fraco, sem liderança para vencer os problemas e desafios daquele momento.

Dilma iniciou seu governo com bons índices e cresceu ao longo do tempo chegando a 64% de aprovação ótimo/bom em abril de 2012 (medido pelo Datafolha). Ela colheu em parte os frutos da popularidade do ex-Presidente Lula e em parte o resultado de medidas de grande repercussão como, por exemplo, a troca de ministros suspeitos de corrupção e o lançamento de novos programas sociais. Hoje, porém, sua aprovação de governo é de cerca de um terço do eleitorado.

É preciso considerar que “o sinal amarelo está aceso” para a Presidenta Dilma. Seu governo também se aproxima de uma tripla crise. Crise econômica: A economia se fragiliza; o dólar está em alta e há ameaça de volta da inflação (já sentida com clareza, por exemplo, no preço dos alimentos). Crise política: As diversas manifestações Brasil a fora acenderam o pavio da crise política, com o aumento da insatisfação popular, o aumento da insatisfação dos aliados no congresso e a ameaça de perdas na base de apoio. Crise de legitimidade: Em paralelo, a oposição e alguns setores do próprio PT e dos partidos da base colocam em xeque a capacidade de Dilma para lidar com os problemas que o país vive.

Entretanto, destaco pelo menos três particularidades que devem ser consideradas para evitar uma comparação puramente mecânica entre as culturas políticas norte-americana e brasileira: (1º) Nos EUA há historicamente um equilíbrio relativo de forças entre a situação e a oposição, entre republicanos e democratas, inclusive no tamanho das bancadas no Congresso (aqui, o governo de Dilma tem a maior base de apoio da história republicana brasileira e a oposição na maioria das vezes é sufocada); (2º) Nos EUA a oposição, seja republicana ou democrata, tem como costume marcar posição e confrontar sistematicamente o partido do poder (aqui o PT fez isso por oito anos contra o PSDB, mas os tucanos não possuem esta cultura); (3º) Nos EUA os partidos tem vínculo permanente com suas bases, ou seja, não se organizam apenas para as eleições (aqui, exceto um ou outro, os partidos são frágeis e quem está no poder leva muita vantagem na disputa).

É óbvio que a Presidenta Dilma tem lutado e vai continuar lutando firme até o último round, se utilizando de todas as armas de que dispõe. Inicialmente, sua equipe me pareceu abatida e patinando nas respostas para o enfrentamento da situação, mas tem como aliado o tempo de 15 meses até o dia da eleição para se harmonizar e tentar a superação das três crises que batem à porta.

Diante no cenário atual, de um lado, há aqueles que fazem “ouvidos de mercador” e parecem convictos de que a queda dos números da Presidenta representa pouco ou quase nada. De outro, há aqueles que estão soltando fogos de artifício e decretando antecipadamente o fim do governo. Eu prefiro acreditar que mudanças significativas aconteceram e isso representa que, a “preços de hoje”, teremos uma eleição presidencial bastante interessante.

O ganho real da oposição até o momento é tão somente o prejuízo real do governo: o fim da expectativa de vitória fácil de Dilma em 2014. Nem mais nem menos. O resultado da partida (que começou antes do tempo) dependerá, sobretudo, de como se comportarão os jogadores daqui pra frente.

* Aurizio Freitas,

Consultor Político.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

2 comentários sobre “Consultor político diz que o sinal amarelo na gestão dilmista já acendeu

  1. INFELIZMENTE, AS ANALISES TEM SOBRECAIDO SOMENTE NO GOVERNO FEDERAL. O AMARELO NÃO É SÓ PARA DILMA. LEMBREM-SE DAS PESQUISAS EM ALGUNS ESTADOS E CIDADES QUE OS GRANDES LIDERES POLÍTICOS TIVERAM GRANDES PERCAS EM SUAS CREDIBILIDADES E SUAS ACEITAÇÕES CAIRAM DE FORMA VERTIGINOSAS, INDEPENDENTE DE SIGLAS PARTIDÁRIAS. AGORA PERGUNTO: CADÊ A PESQUISA DO CEARÁ? QUE INDICE DE ACEITAÇÃO TEM AGORA O GOVERNO CID? JÁ QUE NAS MANIFESTAÇÕES SE OUVIRAM MUITO O GRITO DE: “FORA CID”.

  2. Olha, os gritos pela saida do Governador, sairam exclusivamento dos adebitos do PT, este partido faz de tudo pra tomar o poder, eles brigam ate com os aliados, mas o povo ja notou e não aceita, o mBrasil é do povo, dos brasileiros.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

quatro × dois =