Da Academia, uma homenagem ao jornalista Lúcio Brasileiro

Com o título “Francisco Newton, Lúcio e ‘Paco’. Todos, um só Brasileiro”, eis artigo de João Soares Neto, empresário e membro da Academia Cearense de Letras. Ele destaca os 60 anos de colunismo social do jornalista Lúcio Brasileiro, do O POVO, Confira:

“Sou um homem de reza diária, sem o que não posso dormir, e o meu sono é muito bom”. FNQC.

Uma família com origem pernambucana, do ramo dos Cavalcante – com ou sem i – e dos Albuquerque, formou-se em Aurora, no sul do Ceará. O seu chefe, Natalício, acompanhado da esposa Nair, resolveu vir morar em Fortaleza, nos anos 1940.

Na bagagem doméstica, trazida por um caminhão de duas boleias, além da mudança – que seria definitiva – vieram dois filhos, Newton e Nilson. Nilson foi um brilhante economista, professor universitário referenciado e morreu de morte prematura. Os demais filhos já nasceram em Fortaleza.

O Newton, cujo nome completo é Francisco Newton Quezado Cavalcante, de atilada inteligência, foi estudar no Ginásio Salesiano São Domingos Sávio, de Baturité e, em seguida, no Colégio Cearense do Sagrado Coração, dos irmãos Maristas, onde sempre se destacou, não só pela agudeza de raciocínio, mas pela memória privilegiada que o acompanha até agora, neste agosto de 2015.

Esse menino, segundo ele próprio, gostaria de ter sido filho único: “Esta foi minha única frustração infantil, pois eu gostaria de ser filho único, de modo a que fossem para mim todas as atenções. Isso, em parte compensado pelo fato de eu sempre ter sido reconhecidamente o filho favorito de minha mãe”.

Acontece que o moço, ariano de nascimento, bem apessoado, tinha pressa em ser gente e, por razões que não se questionam, intuiu, ainda rapazote, de ser jornalista. E o fez de saída, como um “foca” ao se apresentar no jornal “Gazeta de Notícias”, então de propriedade de José Macedo, gerenciado por Luiz Campos e editado por Antônio Brasileiro. Lá, sem carta de recomendação, disse a que vinha. E não é que foi bem aceito, acolitado, inclusive, por Adisia Sá, então uma jovem e pioneira jornalista. Era o dia 13 de agosto de 1955. Desde então, adotou o pseudônimo pelo qual é reconhecido por todos os leitores.

E ele completou 60 anos de jornalismo, incursionando ainda pela televisão, desde a pioneira TV Ceará, canal 2. Hoje, além da coluna diária no jornal “O POVO”, comanda programa dominical de entrevistas na TV Jangadeiro e apresenta tópicos em emissora de rádio.

Jovem, independente como sempre foi, deixou de morar com a família e subiu os elevadores do Iracema Plaza Hotel até a ocupar a sua cobertura. De lá saiu para a então deserta praia do Cumbuco, desbravada pelo engenheiro João Bosco Dias. Construiu ali a primeira morada, projetada por Arialdo Pinho, seu vizinho.

Anos depois, aventurou-se a ser “restauranter”, fundando um agradável espaço ao pé das dunas movediças daquela praia de Caucaia, que a ele deve fama e infraestrutura.

Descobriu-se globe-trotter e virou o mundo, até a China conheceu. Entretanto, na sua maneira idiossincrática, fez da praia de Ibiza, Espanha, o seu local anual no juliano mês. Para esse destino tão festejado já levou amigos e lhes disse do seu amor a essa pequena ilha do arquipélago das baleares.

Na França, por anos seguidos, aperfeiçoou-se na língua gálica. Nos Estados Unidos, pesquisou sobre Al Capone. Sabe tudo sobre Copas do Mundo; conhece a história política cearense como se fosse um cronista político; discorre sobre Al Capone como um velho agente do FBI. Gosta de criar palavras e explica, do seu jeito e modo, a “genealogia” de cada uma delas. A partir daí, as introduz em seus “drops” diários na sua coluna do “O POVO”. Há anos, criou um programa social para o Natal de pessoas simples do Cumbuco. A esse projeto se engaja com afinco e o partilha com amigos.

Hoje, desloca-se, aos fins de semana, do Cumbuco para a Tabuba, onde, mesmo contra as marés, chegou a manter barraca de praia. Ele consegue misturar, sem problema, o piso fofo da areia com as suas comidas simples ou requintadas, aditivadas por bebidas quentes e frias. Essa barraca foi o jeito dele dizer que, mesmo ermitão, gosta de se ver rodeado por amigos.

Certa vez perguntei a ele: Que verbete escreveria sobre você em uma enciclopédia? Ele, de pronto: “Lúcio Brasileiro, homem fundamental para quem tem inteligência, esportividade e amor à vida”.

Vida longa. Deus o abençoe.

* João Soares Neto,

Amigo do Lúcio Brasileiro.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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