Defensor dos viadutos reage ao inconsequente patrulhamento messiânico dos eleitos

Com o título “O Monólogo dos insanos”, eis artigo do professor João Arruda, da UFC, que volta a abordar a polêmica em torno da construção de dois viadutos no encontro da avenida Antonio Sales e Engenheiro Santana Júnior. Por defender o projeto, João Arruda se diz alvo dos “herdeiros de uma tradição anacrônica e autoritária” e de “minoritários da esquerda cearense que teimam em não se reciclar”. Confira:

Para indignação dos que têm os valores democráticos e a tolerância política como dogma de convivência sociopolítica, a prática de inflexibilidade de posição de alguns grupos reacionários, travestidos de esquerda, que atuam no cotidiano da política brasileira, chega ao limite do que deve ser socialmente tolerável. Não tenho nenhuma dúvida de que essas práticas agressivas estereografam, com perfeição, a turvez de algumas mentes insanas.

O fortalezense está assistindo, atônito, a um período de grande e irracional intolerância política por parte de grupos pseudo ambientalistas. Essa prática poderá ficar registrada na nossa história como a era negra do Macartismo tupiniquim. A título de esclarecimento, o Macartismo foi o termo qualificador do período pós segunda guerra
mundial nos EEUU, caracterizado por terríveis perseguições e intolerâncias políticas. Nele, o Establishment definia os limites possíveis dentro do qual o cidadão teria para pensar, agir e se comportar, e a ultrapassagem desses limites seria penalizado com prisões, assassinatos, execrações públicas, etc.

Essa mesma prática estamos presenciando em Fortaleza. Herdeiros de uma tradição anacrônica e autoritária, setores minoritários da esquerda cearense teimam em não se reciclar. Dotados de uma visão messiânica e acreditando terem sido escolhidos para salvar o mundo dos erros dos ímpios, esses reacionários contumazes assumem uma postura agressiva e intolerante. Afinal, eles, os eleitos,, os escolhidos, por serem detentores das verdades divinas, passaram a definir o que seria o comportamento politicamente correto e estabeleceram os limites de como o cidadão comum deverá pensar, agir e se comportar, decretando o escárnio e a execração pública como penalidades aos que ousarem ser infiéis aos seus modelos e dogmas sagrados.

Coitados dos que ousam desafiá-los, duvidando das suas verdades infalíveis! Assim como outros fortalezenses que ousaram questionar a prática e a visão equivocada dos eleitos, tenho sido vítima da agressão e da calúnia
de alguns dementes inconsequentes. Mas, enquanto existir um espaço para eu poder manifestar a minha indignação ou a minha discordância em relação a fatos do cotidiano da cidade, podem ter certeza de que não me deixarei
intimidar frente ao INCONSEQUENTE PATRULHAMENTO MESSIÂNICO DOS ELEITOS.

As agressões aos que ousam discordar e aos que não observam os preceitos dos iluminados são por demais conhecidas. O caso mais emblemático desse quadro de irracionalidade dantesca foi a forma insultuosa e deseducada como os autodenominados “defensores do Cocó” receberam o governador Cid Gomes na noite de segunda-feira. Visando abrir um diálogo mais consistente com o grupo, o governador ponderou que a obra dos viadutos não atinge o mangue do Cocó e propôs, sem tergiversar, que, em troca da área ocupada pela construção dos viadutos, algo em torno de 0,18ha, ele se comprometia a regulamentar o Parque do Cocó – reivindicação antiga dos ambientalistas -, a adicionar 20.000m² de manguezal para compensar os 2.000 m² de área exótica desmatada e a multiplicar em 10 vezes o plantio do número de árvores sacrificadas. Infelizmente, a intenção do diálogo do governador foi transformada, pelos destemidos defensores da natureza, numa agressiva cantilena monologal.

Essa situação de estreiteza política, que nada constrói e que tanto prejudica a dinâmica administrativa da cidade, não pode perdurar. A falta de compromisso com o bem estar dos nossos munícipes, principalmente com o dos mais humildes, aqueles que diariamente usam o transporte coletivo para chegar ao seus trabalhos, tem sido a marca registrada do cotidiano político desses grupos. A cidade não pode continuar a ser refém desses movimentos inconsequentes.

Tendo em vista essa patologia insana, eu reafirmo o que já escrevi aqui nesse prestigioso Blog do Eliomar de Lima: “após termos sido vítimas de uma administração municipal permissiva e inoperante, que, entre as dezenas de erros e omissões administrativos, teve a irresponsabilidade de tornar a mobilidade urbana de Fortaleza na mais caótica entre todas as capitais brasileiras, é inadmissível que, agora, quando o novo gestor de Fortaleza tenta intervir para dar uma maior racionalidade ao trânsito e, em consequência, melhorar a mobilidade da nossa cidade, um pequeno e
heterogêneo movimento, alguns sem nenhuma representatividade sócio-política, tente impedir que o fortalezense possa ter uma melhor qualidade vida”.

Nesse sentido, e contando com a opinião favorável da maioria esmagadora da população fortalezense, o prefeito Roberto Cláudio tem legitimidade para solicitar o imediato cumprimento da reintegração de posse da área e a
dar início a essa obra de construção desses viadutos, equipamentos fundamentais para a concretização do corredor de ônibus expresso, que ligará o terminal de Antônio Bezerra ao terminal de Papicu, beneficiando mais de 200.000 o fortalezenses.

* João Arruda,

Professor da UFC. 

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

3 comentários sobre “Defensor dos viadutos reage ao inconsequente patrulhamento messiânico dos eleitos

  1. Tudo não passa do teatro da política. No “palco” não há coitadinhos, nem de um lado nem do outro. Faz parte do jogo político. Há torcida para um lado e para outro. Ao fim e ao cabo a “desgraça ao meio ambiente” já está feita.

    A cidade cresceu desordenadamente, a quantidade de carros mais ainda. O governo que se dizia de esquerda, da qual os acampados faziam parte no começo de suas carreiras políticas, não preocupou-se um instante sequer em calcular o risco do projeto de crescimento para o País voltado para o consumismo. Redução de IPI dos carros para arrecadar bilhões em impostos através da venda de combustíveis, IPVA, etc. A atual gestora da PETROBRÁS inclusive já falou que “adora ver carros parados em congestionamentos”. Desde já as consequências desastrosas do modelo de crescimento adotado pelo governo petista e aliados são visíveis: trânsito caótico. altos índices de mortalidade e morbidade no trânsito, importação de gasolina gerando débito recorde na balança de pagamentos (o Brasil não é autossuficiente), tráfego intenso gerando dificuldade da manutenção das já mal cuidadas vias de circulação dos carros e pedestres, stress e por que não concordar com os ambientalistas – desmatamento de arvores e muita poluição na cidade como um todo.

    É claro que ficar acampado no Cocó não vai adiantar de nada. Há tanto a fazer e pensar para que os países em desenvolvimento consigam melhorar as condições de vida de suas populações sem comprometer o meio ambiente. É hora de lutar para que nossas escolas e centros de pesquisas encontrem saídas para que o ir e vir das pessoas seja mais confortável e utilize força motriz menos poluente.

    É hora de investir em mudança de cultura comportamental/ambiental. Desde os gestores até os cidadãos. Os países em desenvolvimento hoje são os maiores compradores de carro. Os países desenvolvidos já descobriram que o carro de passeio é mais um problema que uma solução.

    Tarefa para ou acampamento:
    Cite 10 vantagens e 10 desvantagens de possuir um carro. Como evitar as 10 desvantagens?

    Dou minha humilde colaboração como eleitor/cidadão. Transporte público e de qualidade é a melhor e única solução para as grandes cidades. Taxi em quantidade e com preços mais acessíveis durante a noite evitaria que as pessoas bebessem e saíssem dirigindo. Gostaria que os acampados, o governador e o Prefeito pensassem/conversassem sobre isto. Obrigado.

  2. Parabenizo o professor João Arruda pelo o texto e pela coragem de denunciar esses ociosos. Eles deviam ter vergonha na cara e deixar o prefeito trabalhar em paz.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 × 5 =