Duas mortes e a saudade que vamos gostar de ter

Eis artigo do jornalista Emerson Maranhão intitulado “Da brevidade da vida”. Está no O POVO desta segunda-feira e trata da partida de dois companheiros de jornal: o fotógrafo André Salgado e a produtora Avelyn Nagazaki. Duas perdas que nos deixaram a todos perplexos. Confira:

Meu pai costuma dizer que a morte só quer uma desculpa. Neste fim de semana, nem a esta formalidade ela se apegou. Soberana, passou por aqui e levou consigo a produtora Avelyn Nagazaki e o fotógrafo André Salgado. Além de trabalharem no O POVO, ambos tinham em comum uma enorme paixão pela vida e uma legião de afetos.

A notícia da morte dos dois, ela no sábado, ele no domingo, nos põe frente a uma realidade quase que inaceitável: estar pleno de vida não nos imortaliza; ter uma longa missão a cumprir não nos blinda contra a indesejada das gentes; estar começando a viver não nos garante ter a vida toda pela frente.

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André tinha 24 anos, estava prestes a se graduar em Comunicação Social; sonhava com um amor verdadeiro que um dia chegaria, ele tinha certeza; exultava a cada foto publicada; cuidava da mãe, de saúde frágil. Um descuido, alguns passos para trás no 21º andar de um edifício em Natal, e André se foi. Não mais diploma, não mais amores, não mais pautas, não mais zelar e ser zelado.

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Avelyn era das mais conceituadas produtoras de moda de Fortaleza; tinha o sorriso mais acolhedor e assíduo que conheci; organizava o movimento e orientava o Carnaval; era daquelas para quem não há tempo ruim nem trabalho muito. E, principalmente, era a mãe de Vítor, um garoto que agora em junho completa 13 anos de idade. Há alguns meses lutava contra um câncer que teimava em lhe corroer entranhas. Depois de uma semana internada em um hospital, perdeu a batalha.

Por mais que saibamos da nossa condição mortal, a proximidade com a finitude, ainda que alheia, costuma nos assustar e revoltar. “Como assim partir e deixar um filho para criar?” “Mas ele era só um menino de 24 anos, que nem começou a viver direito!”. “Não é justo! Com tanta gente ruim neste mundo, vão logo aqueles que são bons!”

De fato, não há justiça na morte. Em nenhuma delas.

Mas é ela, a morte, a nossa única certeza. E se há algo que a partida precoce de Avelyn e André nos deixa é o recado para atentarmos para a vida que estamos levando, para os amores que estamos vivendo, para quão útil estamos sendo, para quão felizes estamos fazendo os nossos dias. Porque se a morte é inevitável, a vida sempre é breve demais.

* Émerson Maranhão,

emerson@opovo.com.br
Repórter especial do O POVO.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

Um comentário sobre “Duas mortes e a saudade que vamos gostar de ter

  1. Parabéns pelas palavras!
    É assim que nós sentimos a vida a cada dia que passa e a cada boa pessoa que se vai desse mundo!

    a
    É tão estranho
    Os bons morrem jovens
    Assim parece ser, quando me lembro de você
    Que acabou indo embora, cedo demais
    Quando eu lhe dizia, me apaixono todo dia
    É sempre a pessoa errada
    Você sorriu e disse: eu gosto de você também
    Só que você foi embora cedo demais
    Eu continuo aqui
    Meu trabalho e meus amigos
    E me lembro de você
    Dias assim, dias de chuva, dia de sol
    E o que sinto não sei dizer
    Vai com os anjos, vai em paz
    Era assim todo dia de tarde
    A descoberta da amizade, até a próxima vez
    É tão estranho
    Os bons morrem antes
    E lembro de você e de tanta gente que se foi cedo demais
    E cedo demais,eu aprendi a ter tudo que sempre quis
    Só não aprendi a perder
    E eu que tive um começo feliz
    Do resto não sei dizer
    Lembro das tardes que passamos juntos
    Não é sempre mas eu sei
    Que você está bem agora
    Só que neste ano eu sei que o verão acabou
    Cedo demais ♪

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