E bote boneco nisso!

Em artigo no O POVO deste sábado (11), o editor-adjunto do Núcleo de Conjuntura do O POVO, Luiz Henrique Campos,  comenta os transtornos no acesso e saída do show de McCartney. Confira:

Tipicamente cearense, a expressão “botar boneco” tem o sentido de designar algo ou alguém passível de situação fora do comum, além do convencional, extrapolando limites ou subvertendo regras. Ao sugerir o termo na abertura de seu show, Paul McCartney não poderia ter sido mais feliz e gentil para com os que estavam na Arena Castelão em busca de assistir àquele espetáculo.

Ao fim da apresentação, impossível conter a emoção, bem definida como histórica, do ex-beatle em Fortaleza. O termo “botar boneco”, todavia, tanto pode caracterizar momentos lúdicos como indicar cenários de um completo caos. E aí, caro leitor, se a apresentação em si vai ficar na memória, para, além disso, em termos de organização e infraestrutura, pense em um boneco grande.

Sufoco na hora da troca dos ingressos, quilométricos engarrafamentos, transtorno das longas filas de entrada à arena. Sem contar os problemas gerados para quem mora nas redondezas ou precisou passar por ali, revelam que ainda estamos anos luz atrasados em relação ao mínimo de respeito que se deve ter pelo cidadão.

Até é compreensível que eventos do gênero gerem transtornos e interfiram no dia a dia das pessoas. Mas o que se viu na última quinta-feira extrapola as raias da sensatez. E quem não tinha nada com o show, como foi o caso de pessoas que precisaram se deslocar ao aeroporto, por exemplo, ou de escolas que cancelaram aulas no dia já prevendo as dificuldades de acesso?

Sinceramente, não me enquadro na categoria dos que acham que Fortaleza não merece receber eventos de grande porte. Muito ao contrário, defendo, principalmente pelo aspecto econômico, que a capital cearense é vocacionada para tal. Por isso mesmo, que se tire lições definitivas sobre o que aconteceu em consequência do show de Paul McCartney.

Não somente em relação à Arena Castelão, mas no que diz respeito a vários outros equipamentos da cidade, que não proporcionam a menor condição de oferecer dignidade aos que os procuram. Somos alegres, criativos, moleques, mas isso não dá o direito de sermos tratados como marionetes.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

Um comentário sobre “E bote boneco nisso!

  1. Foi uma conjunção de fatores: muita gente + vias não concluídas, isto por culpa da incompetente, aquele que é perseguida por um “transtornado”…

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