E por falar na data… não tenha medo de dizer “eu te amo”

Com o título “Namoro sim, mas com amor”, eis artigo do jornalista e sociólogo Demétrio Andrade. Ele aborda este Dia dos Namorados e defende que o melhor mesmo é estra amando. Não interessa como. Confira:

Nélson Rodrigues jurava que se o amor é de verdade ele é para sempre. Caso contrário, não era amor. Não sei se ele estava certo. A única certeza que tenho é que sempre se deve tentar amar. Mesmo sem certeza. Ou sem sorte. Ou sem futuro. Ou em dúvida. Amar é um daqueles maravilhosos presentes que a raça humana ganhou. Todavia, como tudo o que é de graça, há uma tendência em muitos de nós em tratar o amor com certo desdém.

Por outro lado, como reza a moral da fábula da raposa e as uvas, “quem desdenha quer comprar”. Mesmo quem faz pouco caso tem desenhado o amor no horizonte. Não vá pensando que amar é fácil. Os solitários vão advogar que é tão difícil que o amor maior deve ser de si para si mesmo. Por mim, uma tese absolutamente louvável. Mas não existe somente o amar-se. Pelo gregarismo natural da humanidade, é preciso amar a alguém, corroborando a frase bíblica do “amem-se uns aos outros”.

Amar bom mesmo é a dois. No mínimo. Meu amigo e jornalista Eduardo Freire sempre lembrava um conhecido dele, gay assumido, que costuma mudar a entonação quando se referia àquele ditado popular: “um é pouco, dois é bom, três é demaaaaaais!”. Pois é, tem gente que gosta de amar assim, no atacado, “de ruma”, como se fala lá na Parquelândia. Afinal, “qualquer maneira de amor vale a pena…”.

O que não dá mesmo pra aceitar é ficar sem amar. Li que uma empresa japonesa reuniu alguns homens para ensiná-los a dizer “eu te amo” para as esposas. Usar tal expressão, por lá, é atentar contra a dura tradição dos samurais. Coitados. Por aqui, um aluno meu contou que fizeram um happening com algumas esposas mandando “eu te amo” para os maridos pelo WhatsApp. As respostas foram paradigmáticas: “estourou o cartão de crédito, né?”, “bateu o carro de novo?”, “o que você está querendo?”. E a melhor de todas: “quem é?”.

Vai ver que amar não é mesmo pra qualquer um. Mas, neste Dia dos Namorados, vale o esforço. Tente sair da solidão. E se já tem alguém, procure entregar-se de verdade. Namorar sem amor é meio pipoca sem sal. Não tenha vergonha. Fernando Pessoa ensina que cartas de amor são ridículas, “mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas”. Pense nisso. Enfim, como diz o nosso Falcão, “um homem (e mulher, ouso complementar) sozinho não é nada. Nem corno”.

* Demétrio Andrade,

Jornalista e sociólogo.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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