Efeitos dos protestos e a leniência com o Congresso

Em artigo no O POVO deste sábado (15), o jornalista Luiz Henrique Campos afirma que os protestos previstos para este domingo (16) servirão para avaliar o atual governo do PT. Confira:

Os protestos contra o governo da presidente Dilma Rousseff previstos para amanhã em algumas das principais cidades brasileiras serão importante para se avaliar o ânimo das ruas contra o atual governo do Partido dos Trabalhadores (PT), mas o seu efeito não pode ser entendido de forma isolada, principalmente depois dos fatos acontecidos nos últimos dias.

A primeira questão a ser levada em conta, e isso em vista da própria expectativa gerada pelos organizadores, é que o 16/8 terá de superar em muito a quantidade de pessoas presentes nos dois protestos anteriores. Caso não seja, será um retumbante fracasso, o que pode dar força à presidente.

Em sentido contrário, com as manifestações sendo bem maiores neste domingo, de nada adiantará o esforço se o Congresso Nacional continuar sendo poupado. E esse talvez tenha sido o maior erro das ruas até agora na concretização do intento de derrubar a presidente Dilma. Essa leniência com o parlamento desde as primeiras manifestações mostrou o quanto foi inócuo o efeito dos protestos.

Ou seja, a popularidade da presidente vem caindo, mas já há quase um consenso no Congresso de que o impeachment não seria o caminho, tanto que lideranças da oposição acenam agora com o pedido de renúncia. Sobre isso, Dilma dá de ombros, pois seu perfil não permite tal conjectura. O fato é que, sem uma pressão junto ao Congresso, as manifestações continuarão sendo belas caminhadas cívicas dominicais embaladas por dancinhas, mas sem maiores consequências.

Ressalte-se em relação ao Congresso, todavia, que o time de pressão sobre o parlamento para impulsionar a derrubada de Dilma pode estar comprometido. Se nas duas manifestações anteriores, tanto Renan, pelo Senado, quanto Eduardo Cunha, na Câmara dos Deputados, fritavam o governo, hoje a situação mudou. Cunha, grande baluarte anti-Dilma, está isolado das principais lideranças até mesmo da oposição; ao passo que Renan parece ter feito as pazes com o governo.

Efeitos disso podem ser sentidos esta semana com a presidente robustecida, tanto por agenda mais favorável como por cobrança de entidades da sociedade pela manutenção da institucionalidade e da convergência de interesses entre o governo e o Congresso.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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