EUA mandam executar homem em caso cheio de dúvidas

“Num caso que comoveu os EUA, Troy Davis, condenado por matar um policial, foi executado na noite de quinta-feira, minutos após a Suprema Corte ter negado um recurso de última hora apresentado pelos seus advogados – que alegavam haver falhas no processo.

A pena de morte, que estava marcada inicialmente para 20h de ontem (horário de Brasília), chegou a ser adiada devido ao recurso, provocando comemorações de cerca de 200 manifestantes que durante todo o dia se concentraram diante de uma penitenciária de Jackson, na Geórgia.

Após quatro horas de deliberação, no entanto, a Suprema Corte anunciou que não impediria a execução por injeção letal. Ao ouvir a decisão, muitos manifestantes caíram no choro.

Há 20 anos no corredor da morte, Davis, de 42 anos, se transformou num símbolo da luta contra a pena e do pedido de tratamento legal mais justo para os negros, atraindo a atenção de pessoas como o Papa Bento XVI e o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter.

Ele é acusado da morte de um policial que trabalhava como segurança. Mas desde sua condenação, em 1991, sete das nove testemunhas mudaram suas declarações e algumas disseram ter sido coagidas pela polícia. Uma outra, Quiana Glover, afirma que um homem cujo depoimento foi determinante para a condenação lhe confessou a autoria do crime. Tampouco há arma ou prova física que ligue Davis ao crime.

– Eu sou Troy Davis – gritava a multidão diante da penitenciária, em manifestação repetida em Paris.”

(O Globo)

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

Um comentário sobre “EUA mandam executar homem em caso cheio de dúvidas

  1. Caro Eliomar

    Não sou favorável à pena de morte, exatamente por esse tipo de dúvida, da falibilidade humana – mas ness ponto, invejo os Estados Unidos ou pelo menos, a rigidez da lei por lá e a sua obediência.

    Mas, e aqui no Brasil ? O cara pode ter matado umas 100 pessoas, só pode pegar a pena máxima de 30 anos, acho.
    Vai para a cadeia, MAS é “réu primário”, pode ter “bons antecedentes”(?), “tem bom comportamento” e claro, arranja uma Bíblia e torna-se “Evangélico” e vai trabalhar e/ou dar aulas na cadeia.
    A tudo isso some-se a inexplicável, idiota e totalmente burra figura da “progressão da pena”. Pronto, o assassino cumpre no máximo uns 6 anos e estará solto, lépido e fagueiro. Os exemplos estão aí, aos montes.
    Claro, falta educação, saúde, emprego, etc. – mas a certeza da impunidade no nosso País – mesmo quando se prende – é notória.

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