FHC – O precursor do mensalão

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Com o título “A fala do “precursor” do mensalão”, eis artigo de José Nilton Mariano Saraiva, economista da UFC e aposentado do Banco do Nordeste. Ele fala sobre a passagem do ex-presidente FHC por Fortaleza, na última segunda-feira, em ritmo de conferencista sobre o cenário nacional. Confira:

No Congresso Nacional, o “baixo clero” representa aquela parcela significativa de parlamentares que, sem poder de influência e/ou brilho próprio, se dispõem a “negociar” o voto a fim de aprovar medidas de interesse dos parlamentares “graduados”.

O exemplo emblemático de tal situação deu-se na gestão Fernando Henrique Cardoso (FHC), quando os parlamentares corruptos integrantes do “baixo clero” foram acionados para aprovar uma emenda à Constituição Federal instituindo a reeleição para a Presidência da República (espécie de precursor do “mensalão”, só que pluripartidário). O preço pago foi de R$ 200 mil per capita, conforme depoimento dos deputados acreanos Ronivon Santiago e João Maia, dois dos felizardos agraciados.

Ainda à época de FHC, comprovado restou terem as empreiteiras e os grandes bancos exercido papel decisivo no apoio financeiro ao seu projeto de manter-se mais quatro anos no poder, através de doações vultosas àquele projeto.

A reflexão acima tem a ver com a recente passagem de FHC por nossa capital, a fim de participar de um evento político, quando, fiando-se na famosa “memória curta” do povo brasileiro, afirmou sem qualquer constrangimento: a) que eleição no país hoje é “compra de voto”; b) que no financiamento da campanha “quem dá para um, não pode dar para outro”; c) que “a democracia hoje é financiada por empreiteiras, pelos bancos e por quatro ou cinco empresas”. Ou seja, exatamente o que houvera praticado lá atrás (pena que a nossa mídia não o tenha inquirido sobre o ocorrido em seu governo); d) de sobra, afirmou que a presidenta Dilma Rousseff “merece um Nobel por arrebentar o setor de petróleo, do etanol e da energia” (esqueceu de que no seu (dês)governo a “Petrobras” quase vira “Petrobrax”, a fim de tornar-se palatável aos ouvidos gringos.

Agora, o mais incrível nisso tudo é que ainda exista alguém que se disponha a “pagar” caro para ouvir uma figura reconhecidamente corrupta, já que além da compra de votos para a reeleição, entregou a “preço de banana em fim de feira” a determinados grupos, boa parte do patrimônio nacional (Daniel Dantas está aí mesmo pra comprovar isso), sem que se saiba até hoje onde foi parar a grana arrecadada.
Lamentável é tomar conhecimento de que “a fala de FHC contra Dilma foi bastante aplaudida pela platéia” (conforme depoimento de quem esteve presente ao citado evento).

José Nilton Mariano Saraiva,

Economista da UFC e aposentado do Banco do Nordeste.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

5 comentários sobre “FHC – O precursor do mensalão

  1. O MENSALÃO de FHC a preço de hoje equivale R$ 75.000.000,00. O MENSALÃO do PT é coisa de fim de mundo, é assombrador, é o aparelhamento do Estado para se perpetuar no poder coisa que não vão conseguir. Vai ter segundo turno, faz-se uma oposição mesmo medíocre e alguns governadores como de São Paulo para evitar uma ditadura. Tudo leva a crer que teremos dois grandes senadores: Tasso Jereissati e José Serra, dois homens de comprovada idoneidade e competência.

  2. OS PETSTA ASSALTARAM O BNB,NA ADMINISTRÇCÃO PASSADA,AGORA ESTAO DESTRUINDO A PETROBAS . QUE MORAL TEM PARA CRITICAR OS OUTROS ?. COISA DE PETISTA !

  3. Prepare-se, leitor, porque este, infelizmente, não é um livro qualquer. A ‘PRIVATARIA TUCANA’ nos traz, de maneira chocante e até decepcionante, a dura realidade dos bastidores da política e do empresariado brasileiro. Faz uma denúncia vigorosa do que foi a chamada Era das Privatizações, instaurada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso e por seu então Ministro do Planejamento, José Serra. Nomes imprevistos, até agora blindados pela aura da honestidade, surgirão manchados pela imprevista descoberta de seus malfeitos.
    Amaury Ribeiro Jr. faz um trabalho investigativo que começa de maneira assustadora, quando leva um tiro ao fazer reportagem sobre o narcotráfico e assassinato de adolescentes, na periferia de Brasília. Depois do trauma sofrido, refugia-se em Minas e começa a investigar uma rede de espionagem estimulada pelo ex-governador paulista José Serra, para desacreditar seu rival no PSDB, o ex-governador mineiro Aécio Neves. Ao puxar o fio da meada, mergulha num novelo de proporções espantosas.

  4. O articulista dá a entender, a partir do título de seu artigo, que a política corrupta de FHC é a mesma do atual governo. Ele teria sido o precursor do mensalão. E quem deu seguimento a essa prática condenável? O PT e o governo Lula. Qual é mesmo o sentido de seu artigo, apenas para dizer que FHC , Lula e Dilma fizeram(fazem) política aliando-se ao ” baixo clero”? O articulista usa do novo(velho) argumento petista segundo o qual a corrupção praticada pelo PT e seu governo teve como precursor o tucanato. Precursores da corrupção não foram, para os petistas e certamente para o articulista, Sarney, Collor, Renan, Delfin.

  5. O Sr. José Nilton diz: comprovado restou terem as empreiteiras e os grandes bancos exercido papel decisivo.

    Onde isso foi comprovado?
    O que ficou amplamente comprovado no STF, tendo os acusados direito a ampla defesa, foram os pagamentos a alguns deputados.
    Mensalão é coisa de PT. Não existe outro.
    E o que dizer dos relatórios da CGU sobre o que acontece na Petrobrás.
    Os fatos mostram quem deseja acabar com a Petrobrás.
    Discordo da expressão entregou a preço de banana boa parte do patrimônio nacional.
    Aquilo que ele diz ser patrimônio nacional era utilizado apenas por alguns privilegiados que não se preocupavam em bem gerenciá-lo. Só era do povo quando ocorriam prejuízos (quase sempre) e éramos convidados a pagar a conta do descaso.
    As privatizações foram um sucesso e os governos PSDB deixaram um enorme patrimônio que o PT, mesmo após 12 anos, não conseguiu acabar.
    Obrigado FHC!

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