Fortaleza virou a cidade do barulho. Em todos os sentidos

Eis artigo assinado pelo jornalista Andreh Jonathas com título bem curioso: “Os ouvidos não são de concreto”. Fala da barulheira que reina nesta Fortaleza sem lei nesse aspecto. A história de Andreh pode ser transportada para quem é vizinho de bares e seus show fora de hora e outros abusos. Confira e conte sua história ou denuncie.

Juntamente com o paraíso pintado nos folders de condomínios do tipo “venha morar no melhor lugar do mundo”, alastra-se uma peste que inferniza a população de Fortaleza: a poluição sonora.

A construção civil é um dos setores que mais emprega no Ceará; tem forte influência positiva no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado; constrói o sonho da casa própria da população local e hospedagens aos visitantes.

Mas a intensidade dos ruídos é diretamente proporcional ao desenvolvimento desta atividade econômica.

Duas torres residenciais, de uma mesma empreiteira, estão sendo erguidas próximas onde moro. Marteladas, serrarias e outros intensos ruídos ecoam, pelo menos, a duas quadras do lugar. No meu caso, tiram a paz das poucas horas de descanso no sábado e domingo. Isso mesmo: domingo. O engenheiro responsável, com o qual mantive contato pessoal e telefônico para queixa, não resolve o problema e diz ter autorização para trabalhar sábado e domingo. Na semana, inclusive, ultrapassando o horário comercial.

Se existe uma legislação específica para ruído da construção civil, ela não está sendo cumprida. O Disque Silêncio, que também recebe denúncias pelo “190”, não resolve. Após a reclamação, uma viatura chega ao local, olha os documentos e vai embora. Mas a denúncia foi contra o barulho, não contra a documentação da obra. O barulho continua.

O problema não é particular, é coletivo e, certamente, incomoda tanto quanto os chamados paredões, que já possuem uma lei municipal direcionada. Não é possível implantar um programa de amenização de ruído por parte das construtoras? Dinheiro não deve faltar.

Convoco a população a não se acostumar com este desrespeito e cobrar das autoridades públicas e privadas um posicionamento sobre o assunto.

Pior que os ruídos das obras é a sensação de que os cidadãos têm pouca, ou nenhuma, voz contra o barulho da construção civil. Bom lembrar que os ouvidos da população não são de concreto.

* Andreh Jonathas – Repórter do Núcleo de Negócios do

O POVO

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

4 comentários sobre “Fortaleza virou a cidade do barulho. Em todos os sentidos

  1. Em reforço ao que relatado pelo Jornalista Andreh Jonathas, acrescento a falta de educação e civilidade dos motoristas que abusam do uso da buzina seja dia ou noite. Por preguiça de descer do carro e apertar um botão de campainha, buzinam até alguém vir atendê-los. Já nem falo mais dos degenerados “filhinhos de papai” e seus paredões de som, dos “pegas” de carros e motos com “descargas livres”, dos alarmes de carros e prédios que já não chamam mais a atenção de ninguém a não ser pelo incômodo que causam.
    Reclamar pra quem ? A própria Prefeitura com sua coleta de lixo madrugada a dentro dá a sua parcela de contribuição para esse inferno que está se tornando morar nesta cidade.
    Em resumo : povo mal educado e autoridades omissas

  2. Realmente essa lembrança dos nossos motoristas foi muito boa, Diego. Acredito que grande parte desse barulho decorrer da falta de educação da própria população, que anda de carro do ano, mas esquece dos bons modos quando entra nele. No mais, devemos cobrar do poder público mais rigidez com as obras. A Seman tem sido um dos órgãos mais fortes da prefeitura de Fortaleza, mas é preciso que também seja ajudada e se denuncie casos como esse.

  3. Pense num inferno, ontem 18 de outubro e hoje 19 de outubro de 2014 aqui na Sapiranga uma rave com o som altíssimo, insuportavel, no conseguimos dormir tamanho o barulho, e nao temos a quem reclamar, a Prefeitura totalmente omissa. E esses empresários medíocres que vivem da diversão são uns imbecis que não respeitam o direito dos cidadão.

  4. Moro na Sapiranga, um lugar perigoso e barulhento. Barulho de motos e carro de som. Barreira de som fazendo propaganda de supermercado pelas ruas e avenidas do bairro. Som que chaga acima de 100 dB isso durante o dia e a noite motos roncando. Está merecendo uma ‘blits’ dos órgãos Ambientais, afinal não há ouvido que aguente.

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