Futebol, torcida e bebida

Com o título “Venda de bebida dentro dos estádios da Copa”, eis artigo do advogado Eugênio Vasques, que pode ser conferido no O POVO desta sexta-feira. Ele defende que a bebida possa ser comercializada nos locais de jogos, justificando que a violência provocada por torcedores não teria ligados ao consumo de álcool. Confira:

Na contramão dos grandes eventos esportivos, a proibição da venda de bebidas nos estádios não mais se sustenta. O vandalismo opera independente da venda de bebidas. Nunca se viu um STJD tão atuante, a decidir inúmeros casos de violência. Veja-se, por exemplo, as perdas de mando de campo sofridas pela equipe do Palmeiras nesta reta final de campeonato, em decorrência dos atos de barbárie praticados no último clássico contra o Corinthians. A violência é reflexo de um modo de torcer desvirtuado que alguns falsos torcedores imprimem ao espetáculo, é resultado de um complexo social que vai muito além da simples venda de bebidas durante os jogos.

Inúmeros estudos foram realizados e as estatísticas apontam que o consumo de bebida não está diretamente ligado à violência nos estádios. Muitos torcedores passaram a deixar de ir às arenas para assistir em bares e nem por isso a violência deixou de existir. Se seguirmos esse raciocínio dever-se-ia então proibir o consumo em casas de shows.

No Brasil a venda de álcool nos estádios é proibida por uma resolução da CBF, que não tem força de lei, já que o Estatuto do Torcedor não proíbe expressamente o consumo de bebidas nos estádios. Na prática não existe posicionamento contrário já que os clubes não tem interesse de enfrentar a entidade na qual são filiados. Entretanto, a Lei Geral da Copa irá permitir a venda de bebidas nos estádios durante a Copa das Confederações e do Mundo, abrindo uma nova perspectiva sobre o tema.

As empresas de bebidas são grandes investidoras nos maiores eventos desportivos mundiais, de tal sorte que proibir a venda de seus produtos nas arenas é, de fato, prestar um desserviço ao esporte, que pode ver-se privado deste importante meio de investimentos. Seguir na contramão consiste apenas numa tentativa de solucionar um problema que se afigura bem mais profundo do que querem fazer parecer.

Eugênio Vasques

eugeniovasques@vasquesecosta.com.br

Auditor do Tribunal Pleno Desportivo de Futebol do Ceará e professor universitário.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

2 comentários sobre “Futebol, torcida e bebida

  1. Concordo em gênero, número e grau com o belíssimo texto!!

    Proíbiram a venda de bebidas nos estádios sem antes fazerem qualquer estudo sobre a vinculação do álcool com a violência.

    Nós torcedores cidadãos temos o direito de assistir nosso time, tomando aquele chopp de forma civilizada.

  2. A violência dos estados,está mais vinculada ao tráfico de drogas,como informações já divulgadas.Marginais,que se infiltram entre os verdadeiros torcedores,alguns dirigentes que apoiam os baderneiros,certos segmentos da mídia,que acobertam os vândalos.Enfim,uma ação,envolvendo a Polícia e o Poder Judiciário,seria o caminho para moralizar,fazendo retornar aos estádios os verdadeiros torcedores do futebol.

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