Historiador sugere manutenção da Praça Portugal

Em comentário enviado ao Blog, o historiador e coordenador pedagógico da E.E.E.M José Tristão Filho, professor Joatan Filho, comenta o projeto da divisão da Praça Portugal. Confira:

Soube que a Prefeitura de Fortaleza pretende destruir a Praça Portugal com o argumento que vai construir outras quatro e viabilizar o trânsito na área da Aldeota. Ou seja, priorizar automóveis em detrimento do verde e da praça; criar mais um cruzamento sinalizado que provavelmente manterá o trânsito lento; derrubar as árvores já existentes; destruir a praça símbolo da Aldeota. Parece-me que isso relembra o tipo de arquitetura xadrez de Adolfo Herbster. E tudo, sem debate e definido autocraticamente, baseado em um planejamento tecnicista e arbitrário.

Caríssimo prefeito Roberto Cláudio, talvez seja melhor repensar essas propostas desses assessores e projetistas, pois estão arruinando a sua imagem. São seus aliados mesmo? Ficar na história como o prefeito que destruiu a Praça Portugal é manchete genial para um opositor. Se fosse à época da Luizianne Lins estariam dizendo que ela iria destruir a praça, e logo surgiriam protestos da elite “belle epoque” de Fortaleza. Mas hoje, são os parabéns antecipados da prefeitura às mulheres. Pois é Prefeito, mude o trânsito, mas não destrua a praça.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

9 comentários sobre “Historiador sugere manutenção da Praça Portugal

  1. CARTA ABERTA AO PREFEITO
    Roberto Claudio:

    Sr. Prefeito.

    A relação da Praça Portugal para com a imensa nação de Fortalezenses é tão íntima e singular quanto a da praça do Ferreira, onde a cidade nasceu. É como se fossem duas cidades: uma que estaciona e a outra em expansão. Com o crescimento de Fortaleza, aquele logradouro, tornou-se referência para os cidadãos que saíram do centro, 13 de maio, Praia de Iracema, Jacarecanga, Benfica e Gentilãndia e outros bairros da cidade em busca de vida nova e grandes horizontes. Eles participaram do crescimento da capital no sentido oeste-leste. Ai se deu o primeiro espasmo de expansão de uma nova Fortaleza. Assim, talvez se explique, que a praça, mesmo tendo sido criada em 1947, somente tenha sido urbanizada e inaugurada em 1968. Nesse percurso, a praça Portugal tornou-se o ícone de suas vitoriosas trajetórias.

    A praça Charles De Gualle, em Paris – aquela rotatória famosa onde reside majestosamente o Arco do triunfo e de onde irradiam 12 avenidas – também sofre com o fluxo intenso de veículos. O povo francês, assim como seus governantes, também se preocupam com as questões de mobilidade urbana. Todavia, não há um só francês que pense no cenário de sua cidade, sem um de seus principais cartões postais. Em Lisboa há uma igual à nossa. Infelizmente, no Brasil não damos muito valor à nossa memória. No Ceará, então, o cenário é bem pior…

    A praça do Ferreira, não teve a mesma sorte. Ao contrário, ela foi alvo, durante décadas, de críticas vorazes de toda a população. Tanto foi, que o seu antecessor, Juraci Magalhães, chamou especialistas em Urbanismo e Arquitetura para dar um jeito na marmota criada por seus antecessores. Vá lá que ficou até parecida. A Coluna da Hora retornou. Os jardins até floraram. Os bancos e o passeio ficaram mais próximos de uma lembrança de cartão postal. Mas a foto não vingou de vero. No caminho, o sentimento de pertencimento da praça se esvaiu entre os dedos e corações revoltosos dos cidadãos que a conheceram e a amavam.

    Na memoria de uma cidade, estão histórias e estórias. Seus mortos e seus passados vão passando de pai para filho e netos. Nas lindas fotos de uma cidade que foi sucumbindo pela força da grana, da fragilidade política pela subserviência, despreparo, ou arrogância de seus agentes públicos… Quer mudar algo em Fortaleza Prefeito? – Plante Fortaleza inteira – de cabo a rabo e estarás de frente para o futuro de uma cidade mais humana e feliz.

    Temos hoje, senhor Prefeito, a capital mais quente e descabelada do Brasil. Não pense que sou um guerrilheiro em marcha contra a sua administração. Apenas tenho filhos e netos que dependem do sucesso de sua Gestão. Para eles, o futuro estará intimamente ligado ao passado. Fortaleza precisa de mais verde e menos concreto. Por favor, Não os decepcione. Você também tem filhos, em breve terá netos! O que será deles?
    *Publicada originalmente no Facebook, em 07 de março de 2014

  2. Na minha modesta opinião, carece de total fundamento a crítica do professor Joatan Filho de que se vai “priorizar automóveis em detrimento do verde e da praça”. Não sei sei os críticos a esse projeto da nova Praça Portugal fazem suas críticas porque ainda não entenderam o projeto, ou se é má-fé mesmo, com objetivo político. Porque qualquer pessoa que tenha entendido o projeto, percebe que a Praça Portugal não apenas continuará a existir, como ficará maior. Muitos metros quadrados que hoje são rua, passarão a ser praça: não apenas os metros quadrados da rua da rotatória, como também das quatro ruas que ficam nos cantos da praça, e que são muito utilizadas hoje como estacionamento. Ou seja, a parte que vai ser de praça propriamente dita vai ter uma maior área, em metros quadrados, do que tem hoje. O fato da praça se dividida em QUATRO setores representará uma MELHORA em relação ao que é hoje, onde a praça é dividida em CINCO setores (um setor redondo, no meio, e quatro setores nos cantos). Ou seja, a Praça terá área maior, e ao invés de ser dividida em CINCO setores como é hoje, será dividida em apenas quatro. Será uma grande melhoria para a Praça Portugal. Mas desconfio que a maioria dos críticos está mais interessada é em fazer política e desgastar a qualquer custo a gestão municipal, pensando nas eleições de outubro.

  3. Sensacional o texto do Senhor Pedro Carlos Alvares.Eliomar, uma coisa que muito me incomoda é a “destruição” ou mesmo “readequação” das “coisas” do passado.Inclusive valores morais.Quando vi o Excelentíssimo Prefeito anunciando estas obras na Praça Portugal, me deu uma tristeza,”homi”. Já pensou a destruição histórica que irá acontecer?Já pensou a perca da identidade do bairro Aldeota sem aquele interessante modelo da Praça Portugal?!Será complicado.Ah,entendo que é preciso encontrar soluções para o problema da mobilidade urbana de Fortaleza,mas vamos preservar nossa história,nosso passado…ainda quero passear com meus netos e mostrar as coisas boas do passado.

  4. AH,concordo com o texto do Professor Joatan Filho.Se essas obras fossem anunciadas na gestão de Luizianne Lins, “o mundo já tinha se acabado.” Aliás,muitos setores da imprensa estão em total silêncio em relação a administração RC.Na época de Luizianne era tanta crítica!Até se caísse uma folha de uma árvore a culpa era da Prefeita.Aliás os buracos continuam e ainda não vi um “link ao vivo” mostrando os problemas.

  5. Fortaleza é bastante carente em todos os sentidos e em todos os bairros portanto a Prefeitura tem que investir na santos dumont/dom luiz pensando muito nos gastos envolvidos para ter recursos para as outras áreas da cidade.

    Estes que reclamam do prefeito, falam em alternativas e não apresentam nada de concreto e principalmente custos envolvidos estão apenas querendo desgastar o prefeito, como disse o Márcio Almeida.

    Talvez sejam os mesmos que reclamaram do aumento do IPTU, ou seja, querem tudo e não querem contribuir.

  6. Lembro de um bar chamado Cirandinha, que ficava na praia de Iracema. A prefeitura tentou retirar esse bar em mais uma das inúmeras reformas que a praia recebeu. Fez-se uma campanha pública para manter o tal bar, que acabou ficando. Algum tempo depois o proprietário passou adiante e se tornou-se o Bebelu.

  7. Caríssimos, apenas defendo a ideia de permanência da Praça Portugal da forma que está. Entendo que criar cruzamentos não desafogará o trânsito, como por exemplo cito o antigo circulador arborizado da Av. 13 de Maio com Avenida da Universidade que foi retirado com o mesmo argumento. Como também questiono o tipo de arquitetura padrão e cartesiana adotada na proposta. Há a possibilidade de se criar rotas de trânsito alternativas mantendo a praça, de acordo com outras propostas não aceitas pela prefeitura. Defendo a Praça Portugal pelo significado histórico e simbólico que ela representa para a cidade, em particular para a Aldeota. Existem outros argumentos, mas por enquanto, só quero priorizar a ideia da manutenção da praça, sem destruir as árvores e seu conteúdo histórico-cultural. E agora, aproveito mais uma vez a oportunidade disponibilizada por este blog para agradecer publicamente pelo espaço concedido para o diálogo sobre estas e outras questões pertinentes da vida da cidade e do estado. No mais, creio que se deve ampliar democraticamente o debate e mantê-lo em alto nível.

  8. E, mais uma vez me apropriando do espaço deste blog, ponho-me a aplaudir o texto do Senhor Pedro Carlos Alvares. Representa um conteúdo sólido, belo e de alto nível na defesa da Praça Portugal. Parabéns!

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