Líbia está à beira da guerra civil, diz filho de Gaddafi

“Saif al Islam Gaddafi, filho do líder líbio Muammar Gaddafi , disse em entrevista à televisão, esta segunda-feira, que a Líbia está à beira da guerra civil e que a violência é resultado de um “complô estrangeiro”. À noite, por volta das 20h45 de Brasília (23H45 GMT), foram ouvidos intensos disparos em vários bairros da capital, Trípoli, constataram um correspondente da AFP e testemunhas consultadas.

Foto 20.fev.2011 – Saif el-Islam Gaddafi, filho do ditador líbio Muammar Gaddafi, concede entrevista. Ele declarou, à TV líbia na madrugada de domingo para segunda (hora local), que a Líbia está à beira da guerra civil e é alvo de um complô estrangeiro AFP/Televisão Estatal Líbia

Saif al Islam Gaddafi reconheceu que várias cidades do país, entre elas Benghazi e Al Baida, no leste, enfrentam violentos combates e que os responsáveis pelos distúrbios tomaram posse de armas milirares.

É em Benghazi que trabalham os 123 funcionários brasileiros da construtora Queiroz Galvão, que tanto a empresa quando a chancelaria do Brasil tentam retirar do país em um avião fretado, informou à AFP uma fonte oficial.

“Neste momento, os tanques se deslocam em Benghazi dirigidos por civis. Em Al Baida, as pessoas levam fuzis e muitos depósitos de munições foram saqueados. Temos Armas, o exército tem armas, as forças que querem destruir a Líbia têm armas”, disse Saif al Islam Gaddafi, segundo quem milhares de pessoas se dirigem para Trípoli.

“Se todos estão armados, é guerra civil”, afirmou.

De acordo com o filho de Gaddafi, cujas declarações foram transmitidas pela televisão líbia, os confrontos são provocados por elementos que têm como objetivo destruir a unidade do país e instaurar uma república islâmica.

“Destruiremos os elementos da sedição”, disse, prometendo uma Constituição e novas leis liberais.

“O exército terá agora um papel essencial para impor a segurança porque é a unidade e a estabilidade da Líbia” que estão em jogo, declarou o filho do líder líbio, afirmando que o exército lívio “não é o exército tunisiano, não é o exército egípcio”.

“A Líbia está em uma encruzilhada. Ou entramos em acordo hoje sobre as reformas, ou não choraremos 84 mortos, mas milhares e mais e haverá rios de sangue em toda a Líbia”, acrescentou Saif al Islam, segundo quem é exagerado o número de vítimas divulgado pela imprensa estrangeira.

De acordo com a ONG humanitária Human Rights Watch, 173 pessoas morreram na repressão aos protestos antirregime iniciados em 15 de fevereiro.

Segundo um balanço da AFP, feito com base em várias fontes líbias, morreram 77 pessoas, a maioria em Benghazi, nas manifestações contra o regime do coronel Kadhafi, no poder há 42 anos.

“Tomaremos as armas… Lutaremos até a última bala”, disse. “Muammar Gaddafi comanda a batalha de Trípoli e venceremos”, disse.

“A Líbia não é o Egito, não é a Tunísia. Não há partidos políticos na Líbia”, acrescentou. “Muammar Gaddafi não é Zine el Abidine Ben Ali. Não é Mubarak”, desafiou.

Muamar Gaddafi, que dirige o país desde 1969, não fez qualquer declaração pública desde que começaram os atos de violência.

“Não vamos abandonar a Líbia”, declarou Saif Al Islam, e afirmou: “viveremos na Líbia, morreremos na Líbia”.

Segundo informações ainda não confirmadas, Muammar Gaddafi, nascido em 1942, teria deixado a Líbia no domingo à noite.”

(AFP-Uol)

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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