A liturgia do cargo

Em artigo no O POVO deste sábado (4), o editor-adjunto do Núcleo de Conjuntura do O POVO Luiz Henrique Campos avalia o comportamento de Cid Gomes em Itapipoca. Confira:

A imagem do governador Cid Gomes mergulhado na água tentando ajudar no conserto da adutora de Itapipoca ainda repercute fortemente entre os setores chamados de formadores de opinião. Dada a liturgia do cargo, aliada à capacidade que Cid tem de se expor desnecessariamente, a reação ao gesto não poderia ser outra. A questão que se coloca, porém, é bem mais profunda do que a simples chacota nas redes sociais.

Nesse sentido, seriam impensados gestos ousados de exposição por parte de Tasso Jereissati, por exemplo. Da mesma forma, não se poderia esperar de Luizianne Lins ações mais presentes em situações de dificuldade enfrentadas por sua gestão. Só para lembrar, o IJF pegou fogo três vezes e a ex-prefeita nem se deu ao trabalho de aparecer por lá. No caso de Jereissati, era mais fácil ele falar com a imprensa do Sul do que com os veículos de comunicação locais, o que impedia a interlocução com a sociedade.

Em relação a Cid Gomes, esse perfil é totalmente diferente. Só para lembrar, o governador já foi severamente criticado ao tentar conversar durante a noite com famílias que seriam desapropriadas com as obras do VLT; recebeu duras reprimendas ao se dirigir ao acampamento no Parque do Cocó; se expôs e continua se expondo nas redes sociais, sem contar outras ações nada recomendáveis para quem ocupa função como a sua.

Como prefeito de Sobral, vi pessoalmente disponibilizar em praça pública, com a presença do então secretário da Saúde do Estado, Jurandi Frutuso, o número de seu telefone celular no auge da crise da falta de leitos de UTI no Ceará. O anúncio foi feito após denúncia de várias mortes na Santa Casa de Sobral.

O fato é que as ações de Cid, por mais polêmicas, revelam o perfil de alguém que não se esconde. A questão que se coloca é saber se tudo é orquestrado, ou parte da cabeça do próprio governador. Talvez nunca tenhamos a resposta. Outro aspecto é dimensionar o efeito entre as camadas populares.

Essa é a grande pergunta que talvez fuja da capacidade de análise dos que preferem zombar do governador, esquecendo que talvez seja ele o grande manipulador a partir desses laboratórios.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

2 comentários sobre “A liturgia do cargo

  1. Caro Luiz, o fato é que as ações de Cid, são orquestradas. Passando-se por um Príncipe bondoso e solidário com seu povo. Essas ideias, sim, saem da cabeça do mesmo. Ele sempre pega as situações e os envolvidos de forma surpresa para não dar tempo de ação e preparo contras suas argumentações e justificativas. Senão vejamos: Quem garante que a válvula já não estava consertada? Por que ele mesmo não se empenhou para que fossem punidos os que desviaram recursos públicos dos kits sanitários, já que ele pediu agilidade de ação contra a empresa que colocou a adutora? O caso dos consignados? Os compromissos assumidos na greve dos policiais? Sem o exercito no controle só Deus saberia o que teria acontecido. E a greve dos professores e estudantes das universidades estaduais? E os policiais sub-judice que estão acampados há 18 dias na assembleia e dois deles estão na torre de comunicação aguardando serem recebidos pelo governador? Neste período de estiagem, quem foi que viu ele carregar lata d´água na cabeça a quilômetros de distancias em solidariedade ao sertanejo que necessitava e ainda necessita apanhar água para consumo próprio? Fato é que as ações de Cid, por mais polêmicas, revelam um perfil maquiavélico. Estilo Carlos Menem, ex-presidente da Argentina que gostava de andar de Ferrari, ter amizades com celebridades, jogadores de futebol e exibir artigo de luxo… Também não podemos esquecer do ex-presidente que não deveria estar no Senado, Fernando Collor de Mello. Com seu estilo personalista e exibicionista, Collor conseguiu passar para a população a imagem de um político que lutava incessantemente contra a corrupção. Por conta disso, ficou conhecido como o “caçador de marajás”. Collor ainda se apresentou como o candidato das camadas populares mais pobres, que em sua campanha foram denominados de “descamisados”. Além disso, veiculava falsas idéias contra seus adversários. O governador do Ceará não é muito diferente em suas ações. Gosta de shows internacionais, viajar para o exterior, fazer grandes obras que não condizem com a realidade de vida de seu povo… Gastar milhões com propagandas exibindo suas obras e outros milhões com shows de inaugurações das mesmas. Um governo muito mais midiático. Que conta com uma estrutura do governo federal. Não foi a toa que vendeu seu grupo para outro partido em troca de continuar sendo assistido por recursos e obras federais. Sem ajuda federal e os empréstimos internacionais(correndo frouxo), ele não teria cumprido o pouco de sua promessa de campanha, ainda de primeiro mandato. Uma coisa podemos ter certeza, os comentários negativos ou positivos que se fazem das ações planejadas, e ai você pode ter razão, faz parte da manipulação dele. Afinal de contas, podem até falar bem ou mal. “Mas, falem de mim.
    O que o governador do Ceará gosta é de se exibir e isso pode ser uma de suas características.
    Só que o exibicionismo exagerado pode levar a cometer erros irreparáveis. Futuramente a história nos dirá.

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