Luta contra o crime – Ação e reação

Editorial do O POVO desta sexta-feira (21) alerta que, na luta contra o crime, o uso político dos acontecimentos é pernicioso e deve ser evitado. Confira:

Seja qual for o ângulo em que os fatos sejam observados, o conjunto premeditado de atos em série instituindo o clima de terror na população é uma reação do crime organizado contra decisões na área de segurança pública que certamente implicaram prejuízos aos negócios das organizações criminosas.

Não é uma novidade. Ocorrências similares em diversas ocasiões tanto no Ceará quanto em outros estados do País possuíam a mesma motivação. É importante compreender a lógica do crime organizado como uma atividade econômica que esperneia ao seu modo quando sofre reveses.

Precisamente, vejam o que aconteceu em janeiro passado no Rio Grande do Norte. No estado vizinho, a ação do Governo para retomar o controle de uma penitenciária, com a remoção de dezenas de presos, gerou uma onda de violência e terror bastante similar à que se verifica agora em Fortaleza e Região Metropolitana.

Chegamos a este ponto: a elementar ação das forças de segurança para transferir presos ou impedir a comunicação de presidiários via celulares é o suficiente para desencadear reações violentas nas ruas. É claro que o objetivo do crime é intimidar tanto o Estado quanto a sociedade, tornando-os reféns de seus interesses.

É claro que a reação das forças de segurança precisa ser dura e efetiva. Recuos serão vistos como sinais de fraqueza e darão aos criminosos a ideia de supremacia. Porém, é fundamental que a inteligência se alie à força. Investigações bem feitas certamente vão chegar aos líderes e organizadores dessas investidas contra a civilização.

Não é razoável na era da tecnologia que o estado brasileiro não consiga eliminar a possibilidade de uso de aparelhos celulares no interior de presídios. Trata-se de uma obviedade ainda não executada. Sim, um sinal de fracasso que alimenta o vigor e a desenvoltura das organizações criminosas. De toda forma, deve persistir o trabalho de isolar presos que lideram as investidas nas ruas.

Na luta contra o crime, o uso político dos acontecimentos é pernicioso e deve ser evitado. Outro fato chama a atenção: enquanto a assustada população era acossada por incendiários, um grupo de policiais do Ceará promovia a absurda tentativa de invadir o Congresso, em Brasília, para intimidar parlamentares. No mínimo, um fato a se refletir.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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