A marca da instabilidade

Editorial do O POVO neste sábado aponta que o prejuízo causado pela desordem em que o país está metido será pago pelos seus cidadãos. Confira:

Eleições tranquilas são um luxo de que o Brasil nunca desfrutou. A se tomar somente o período pós-ditadura, a democracia começou a dar seus primeiros passos com a intervenção imponderável do destino. Eleito indiretamente pelo Congresso, Tancredo Neves morreu antes de tomar posse. Seu vice, José Sarney fez um governo turbulento, tendo sido o presidente mais impopular do País, à exceção do atual mandatário, Michel Temer, que apresenta índices inferiores de aceitação.

O presidente que viria a seguir, Fernando Collor, sofreu impeachment depois de uma longa agonia, tendo assumido seu vice, Itamar Franco, quando se iniciou um período de relativa paz no Palácio do Planalto, que se seguiram nos dois mandatos de Fernando Henrique e outros dois de Luiz Inácio Lula da Silva.

Com Dilma Rousseff voltam as grandes turbulências e ela não consegue terminar o segundo mandato, que começou a ser questionado pela sua oposição, quando mal haviam sido desligadas as urnas eletrônicas – e ela termina por sofrer impeachment. Lembrando ainda que foi nesse período, em 2014, que teve início a operação Lava Jato, que enredaria em suas malhas praticamente todos os partidos e muitos de seus principais líderes. E o governo Temer, sucessor de Dilma, também sofre com seguidas crises políticas, apesar da melhora, ainda incipiente, na economia.

Porém a eleição de 2018 pode entrar como a mais instável até aqui experimentada. O candidato mais bem colocado em todas as pesquisas, o ex-presidente Lula, corre o risco de ser condenado em segunda instância da Justiça Federal – o que o impediria de concorrer devido à Lei da Ficha Limpa -, mas existe uma série de recursos que pode deixar a questão em suspenso até às vésperas do pleito.

A situação está no seguinte pé: se Lula for condenado, seus advogados recorrerão, utilizando todos os instrumentos legais possíveis para mantê-lo na disputa; se ele for absolvido, quem vai recorrer será o Ministério Público, na tentativa de retirá-lo das eleições.

Assim, a população brasileira assiste a esse tumulto sem entender como foi que se chegou a esse ponto, mas tendo uma certeza: o prejuízo causado pela desordem em que o País está metido – responsabilidade dos operadores da política – será pago pelos seus cidadãos.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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