Mas o futuro a Deus pertence?

Eis artigo da jornalista Regina Ribeiro, do O POVO, intitulado “Profissão: futurista”. Ela faz uma boa reflexão sobre o cenário atual de tantos avanços. Ela nos instiga: falta reflexão sobre “esse futuro esplêndido e automatizado e sobre o futuro das categorias: humano e humanidade.” Confira:

Nesta semana assisti a palestras com dois jovens que se apresentaram como futuristas, entre outras coisas. O termo já é bem conhecido e se tornará cada vez mais comum a ponto de, em breve, quaisquer meninos ou meninas dizerem que serão futuristas. No Brasil, não encontrei nenhum curso formal nessa linha, mas nos Estados Unidos já existem mestrados em Estudos do Futuro.

É verdade que uma simples família hoje tem um nível de complexidade tal que não é possível mais preencher qualquer cadastro num site sem achar que 30% das perguntas precisariam ser reformuladas. Mesmo aquelas aparentemente tão gentis do tipo: “Vamos falar sobre você: Onde você trabalha?” são fáceis. Se a pessoa opera um aplicativo Uber, como informar? Ou seja, num mundo tão complexo, os futuristas terão cada vez mais espaço.

Li alguns textos sobre futurismo, inclusive um muito interessante de uma pesquisadora que estudou na Universidade de Houston, nos Estados Unidos e que teve o maior trabalho para explicar no Brasil sua atividade. “Não, não jogo cartas, não tenho bola de cristal, não faço adivinhações, não leio mãos”, repetia inúmeras vezes a profissional do futuro Rosa Alegria, diante da incompreensão do que ela se propunha a realizar nas organizações.

Um mundo novo está às portas com memórias postas em nuvens, com a internet das coisas circulando feito o ar que respiramos, com a robótica avançando firme sobre 47% das atuais profissões e com novos profissionais a postos do tipo: organizador da desordem virtual, advogado virtual, escritores de Wiki, gestor de avatar pedagógico e por aí vai. Acho tudo isso fantástico.

O que me incomoda, particularmente, é a forma acrítica como essas questões todas são postas. É a falta de reflexão sobre esse futuro esplêndido e automatizado e sobre o futuro das categorias: humano e humanidade. Não são as máquinas que deveriam ser a preocupação dos futuristas, menos ainda os mercados e as organizações, e, sim, as pessoas, razão de existir todo o resto. E, pelo que parece, a máxima preocupação do futuro é o nascimento das máquinas que superem em tudo o próprio homem.

Regina Ribeiro

reginah_ribeiro@yahoo.com.br
Jornalista do O POVO. 

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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