Ministério do Trabalho e um festival de apadrinhados

“Um trem da alegria está sendo conduzido pelo PDT no Ministério do Trabalho. Com o aval do ministro Carlos Lupi, presidente licenciado da legenda, o comando das Superintendências Regionais do Trabalho no País tem sido entregue a filiados. Levantamento do jornal O Globo identificou que em pelo menos 13 estados as chefias estão nas mãos de dirigentes partidários ou candidatos derrotados na eleição de 2010. De janeiro a outubro, Lupi nomeou dez novos superintendentes (Rio, Amazonas, Ceará, Pará, Paraná, Rondônia, Santa Catarina, Tocantins, Paraíba e Mato Grosso do Sul). Sete são filiados ao PDT e os outros têm algum tipo de relação com políticos da legenda.

Quando o assunto é gestão, essas unidades estão longe de ser exemplares. No Tribunal de Contas da União, na Controladoria Geral da União e no Ministério Público Federal elas são alvo de processos por irregularidades que vão de contratações sem licitação ao uso de funcionários ligados a sindicatos ou empresas em atividades-fim, o que é vedado por lei. São 27 as superintendências. Também conhecidas como Delegacias Regionais do Trabalho, representam o ministério nos Estados e têm a função mediar sobre negociação trabalhista coletiva, supervisionar regionalmente as ações do ministério e emitir carteiras de trabalho.

Essas regionais custaram este ano R$ 10,1 milhões aos cofres federais. Mas não é o orçamento que desperta tanta cobiça pelo órgão. Segundo representantes de sindicatos, a tarefa de fiscalizar o setor produtivo sobre o cumprimento da legislação trabalhista é o maior atrativo por causa do alto potencial arrecadatório de propina. Essas estruturas também acabam sendo usadas como trampolim político para superintendentes. Os representantes nomeados por Lupi nos Estados têm dois perfis. Ou são pedetistas derrotados na eleição de 2010 ou dirigentes do partido.

O fim da nomeação política para os superintendentes do Trabalho é uma discussão antiga. Em 2007, lei aprovada pelo Congresso estipulou prazo de um ano para que o Executivo encaminhasse à Câmara projeto de lei para definir competências e atribuições das auditorias fiscais das pastas do Trabalho e da Fazenda. Até hoje, nem a minuta do projeto de lei foi elaborada. “Hoje apenas sete superintendentes são auditores de carreira. Tivemos que correr atrás de apoio de muito parlamentar para impedir que os postos fossem ocupados por políticos”, disse a presidente do Sindicato Nacional do Auditores do Trabalho, Rosângela Rassy.”

(Globo Online)

Eliomar de Lima

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Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

6 comentários sobre “Ministério do Trabalho e um festival de apadrinhados

  1. Era só o que faltava …
    Os tucanos perdem a eleição e querem governar.
    Como é que era feito antes ?
    Por acaso eles chamados os petistas, comunistas e demais adversários para ocupar os cargos ?
    Isso é conversa mole pra boi dormir. Choro de quem perde.

    Como é que pode ?
    Você vai às ruas, apresenta propostas de governo e na hora de executar vai chamar quem era contra ou quem não tinha qualquer afinidade com essas propostas ?
    Bebeu, camaradinha ?

  2. Diego Rodrigues, quem foi que disse que a administração publica é do grupamento político no poder? A administração é do POVO BRASILEIRO, meu caro. O grupamento está lá apenas para administra-la. A gente tem que acabar com essa idéia conservadora e elitista do troca troca de cargos. Quer entrar na administração? Pois estuda, e muito! Este troca troca é o ovo da serpente da corrupção que assola o país! Pense num partido conservador e reacionário esse PT!

  3. Sr. Matos Carvalho,

    O concurso existe para a ocupação dos cargos técnicos e operacionais ou seja, para os empregos públicos. Isso é o que determina a Constituição.Fala-se muito na dificuldade de demitir esses funcionários mas são eles que dão sustentação e continuidade na operação da máquina estatal.
    Quanto aos cargos comissionados, aqueles de livre nomeação, e por isso mesmo chamados de “cargos de confiança”,estes são ocupados pelo grupo político que assume o poder. É assim com o PT como o foi com o PSDB.É assim aqui, nos EEUU, na França, na Alemanha e por aí vai.
    A lógica manda que seja assim. Porque ? Porque somente quem está comprometido com o programa de governo aprovado pelo povo tem condições de executá-lo a contento.
    Contudo, isto não significa “carta branca” para nomear corruptos, incompetentes,parentes, etc.
    Existem evidentemente as exceções, como toda regra. Por exemplo ; o ex-presidente Lula, nomeou para o Banco Central, o Sr. Henrique Meireles, que acabara de ser eleito deputado federal pelo PSDB.

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