Narcisismo foi o pecado original da Era Luizianne Lins?

Com o título “Sem grandes queixas e nenhuma saudade”, eis artigo do publicitário e poeta Ricardo Alcântara. Ele aborda o fim da Era Luizianne Lins em Fortaleza. Para ele, o maior pecado, nesse período, foi o narcisismo. Confira:

O pecado original do ciclo de Luizianne Lins como prefeita não foi tanto sua inaptidão para a função executiva, mas o narcisismo que a impediu de reconhecer a dimensão do fato e compensá-lo na medida necessária, cercando-se de melhores talentos gestores.

A sequela bolchevique (distúrbio tratável, mas não curável) levou a prefeita a ungir a lealdade pessoal como razão superior aos critérios de competência. Sabia pouco e, com algumas exceções que confirmam a regra, cercou-se de quem sabia menos ainda.

Fatos falam por si: não será demais lembrar que, por não ter agregado um corpo técnico consistente, uma mesma pessoa chegou a acumular por meses seguidos o comando de duas grandes secretarias de desempenho vital para a população: Educação e Saúde.

Como resultado objetivo, faltou planejamento. Sintomático, foram necessários sete anos de experiência como prefeita para perceber a elementar necessidade de recriar um instituto dedicado a este fim: pensar o conjunto de ações de forma sistêmica.

Em defesa própria, quanto mais a prefeita insistia num relato fragmentário de suas obras, sem expor visão integrada da cidade e de suas potencialidades, mais revelava os sintomas do equívoco original, denunciado pela estrutura do seu próprio discurso.

Por voluntarismo sincero, se fez coisas boas. Exemplos? Conceber a Vila do Mar com acolhimento à população local e impedir o estupro que seria a instalação de um estaleiro na área urbana foram medidas às quais a cidade lhe deverá ser sempre agradecida.

No decorrer do governo, para cada boa notícia, como a conquista de preço estável na tarifa dos transportes, correspondia outra, de teor negativo e às vezes maior proporção, como os baixos índices de desempenho nas unidades de ensino fundamental.

Se houve maior zelo com o meio ambiente e comunidades de áreas de risco, e à Cultura foi oferecida uma estrutura institucional e equipamentos inovadores, resta, ainda assim, a sensação de que ficamos aquém das oportunidades oferecidas durante esses oito anos.

Por fim, de alguém que, como ela, sempre cultivou uma prosopopeia semirevolucionária, esperava-se algum avanço político, frustrado pelo pragmatismo com que se rendeu ao loteamento de cargos entre aliados que lhe deram sustentação legislativa.

Símbolo mater de continuidade da prática que antes condenara de modo implacável foi a boa – “ótima!”, ele diria – relação do vereador Carlos Mesquita com o gabinete, entre outros clientes, exigentes, mas que pouco se queixaram do tratamento a eles oferecido.

Pelo que foi dito, a cidade não sentirá saudade de Luizianne Lins. Tampouco se prolongarão as queixas. Ao contrário do que fazia ela com seu antecessor, o futuro prefeito não terá motivos para culpá-la. Seu legado não é exuberante, nem desastroso.

* Ricardo Alcântara, 

Publicitário e poeta.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

6 comentários sobre “Narcisismo foi o pecado original da Era Luizianne Lins?

  1. O publicitário Ricardo Alcântara fez o resumo da opera, em relação não aptidão da ex -prefeita Luzianne Lins para administração pública.

    A dificuldade da ex – gestora municipal de criar uma marca política da competência administrativa, quase sempre uma executiva pública omissa nos canais de representações sociais. Luzianne Lins não será lembrada como modelo operacional para nenhuma administração municipal, mas sem dúvida tem um enorme instinto político. Luiz Cláudio Ferreira Barbosa

  2. O escriba (é o mesmo que passou pelo meu Ceará (vovô) e não deixou saudades?) cometeu em seu bem escrito texto equívocos fundamentais : 1) o Vila do Mar não foi concebido na gestão da petista, mas nos governos anteriores e feito com recursos federais (via CEF) e 2) O estaleiro não seria um “estupro”, assim fosse o Rio e Recife seriam as cidades mais “estupradas” do Brasil pois estão cheias de estaleiros e bons empregos. Até porque a intervenção prometida para aquele infeliz local jamais saiu do papel (vila da aldeia) simplesmente porque era um factóide, não existia. 3) Dizer que que a “herança” não é desastrosa é uma temeridade, pois só depois de uma boa radiografia da estrutura financeira e administrativa o perfil real vai aparecer (e assustar).

  3. Diante da opinião, adequada e clara, apresentada pelo (e)leitor, senhor antonio, pouco ou quase nada mais tenho a acrescentar!
    Já em relação à este moçoilo, o articulista, demonstrou ser, – de fato e de direito, mesmo -, poeta, e muito, e publicitário, menos, um pouco!
    E, “PT, fraudações”!

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