Novo capítulo na relação entre o PPS e os Ferreira Gomes

Da coluna Política, no O POVO desta quarta-feira (30), pelo jornalista Érico Firmo:

O ato de posse de Alexandre Pereira na presidência do Conselho Estadual do Desenvolvimento Econômico (Cede) representou novo e interessante capítulo na história da relação entre seu partido, o PPS, e a família Ferreira Gomes. Na noite da última segunda-feira, na Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), estavam presentes tanto o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, quanto o governador Cid Gomes (PSB).

Oito anos atrás, os dois lados viviam às turras quanto à relação com o governo Lula. Ciro Gomes era ministro da Integração Nacional por indicação do partido. Mas, já no primeiro ano Freire começou a fazer oposição e, assim, pressionar o irmão do atual governador a pedir demissão. A situação ficou tensa, com trocas de declarações bem ríspidas. Freire disse que Ciro desrespeitava os colegas de legenda e desmoralizava o PPS e, assim, pediu que ele apressasse a saída. O então ministro respondeu que era “vítima de arbitrariedade” e se disse “traído por certas figuras do partido”.

A intriga evoluiu até Freire dissolver o diretório do PPS no Ceará, que era controlado pelos Ferreira Gomes, em 27 de abril de 2005. Foram também canceladas as filiações dos membros da sigla.

Na época, Cid Gomes, então presidente do partido no Estado, passava temporada nos Estados Unidos. Naquele dia, telefonei para ele em busca de declaração do então dirigente partidário sobre a atitude do comando nacional. Cid soube por mim da decisão e comunicou que, na véspera, havia sido acertada a filiação de todo o clã ao PSB, em almoço entre Ciro, Miguel Arraes e seu, neto, o então ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos. “Ficou acertada nossa ida ao PSB”, anunciou Cid à época, em declaração publicada no O POVO de 28 de abril de 2005.

Instantaneamente, o PPS passou da condição de segundo maior partido do Estado para a quase inexistência. Antes com espaços no primeiro escalão na Prefeitura do PT e no Governo do PSDB, ficou sem cargo algum pelos anos seguintes. Na última segunda-feira, Alexandre reuniu os dois. E Cid convidou Freire para café da manhã, ontem, na residência do governador. Para o novo presidente do Conselho do Desenvolvimento Econômico, pode ser o início da reaproximação também nacional.

No momento, o PPS retorna não apenas a cargo no Governo do Estado, mas também na Prefeitura de Fortaleza. Secretário-geral da legenda no Ceará, Herbert Lobo foi indicado secretário executivo da pasta da Cidadania e Direitos Humanos da gestão Roberto Cláudio.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

7 comentários sobre “Novo capítulo na relação entre o PPS e os Ferreira Gomes

  1. O presidente,Alexandre Pereira, e o secretário geral do PPS, Herbert Lobo, conseguiram cargos no governo do estado e prefeitura de Fortaleza. Os dois estão numa boa. E os vários suplentes e dirigentes partidários foram totalmente esquecidos. O PPS e o PDT se coligaram no 1º turno das eleições em Fortaleza e têm a mesma prática egocêntrica de fazer politicagem rasteira em nosso estado. Ambos os partidos perderam a sua identidade. Não passam hoje de simples siglas de aluguel. Isso, é uma vergonha!

  2. O PPS sai da posição de um partido satelite e sem protagonismo e virá uma realidade da politica local, quando assumiu o PPS em 2009 Alexandre Pereira encontrou um arranjo partidário, sem rumo politico ou objetivos coletivos claros. Depois de optar em apoiar Heitor no 2o turno e ser “garfado” pelas pesquisas, o apoio a RC foi a demostração de maturidade e compromisso com Fortaleza.
    Os cargos ocupados pelo PPS tanto na gestão estadual, como municipal é pautada na capacidade e conhecimentos dos indicados em suas respectivas áreas. Parabens ao PPS e ao estado do Ceará que ganha mais uma opção politica, o PPS hoje é uma realidade.

  3. Não é surpresa a atitude do PPS. A relação partidária no Brasil, infelizmente, trata-se de organizar o seu próprio mundo, mundo dos proprietarios, de sua política de manutenção e ampliação de seu poder e riqueza, da ordem que assegure a sua autoridade sobre negócios públicos e privados, de grupos, pessoais e individuos. A utilização do discurso ideológico apenas como camuflagens para esconder as negociatas do capital perverso para a materialização dos bens de consumo. Não há mais a coerência partidaria. Pelo jeito, neste sistema, nada mudou ou mudara tão cedo. O modo de agir, que vem desde o imperio, tem como interventores certos agentes politicos que estiveram e estão sempre prontos para intervir nos processos políticos para amortecê-los, destemperá-los, reduzi-los para a simples mudança de pessoas. Essa conciliação(ou, mais apropriadamente a subserviencia) ou a simples adesão formatam a prática que torna possíveis tais ações. “Quem não se lembra qual era o tamanho do PSB quando o oligarca Cid Gomes conquistou o governo do Ceará? O bombom é distribuído generosamente com os adesistas ou penduricalhos deles, como o fez a Assembléia legislativa…” E agora, recentemente, quando se aliaram na eleição a Prefeito, tanto os partidos ditos de esquerda e outros mais, como a classe empresarial. A Câmara também o fez logo após. O judiciário esta fazendo também quando arquiva os processos que envolvem o governo em suas ações e sua familia. O bolo esta sendo repartido, enquanto o povo só aproveita a migalha que cai do chão. Só falta o PT aderir totalmente a outra fatia.

  4. A frase exposta hoje em seu blog, Eliomar, diz tudo.

    “Odeio o privilégio e o monopólio. Para mim, tudo o que não pode ser dividido com as multidões é tabu”. Mahatma Gandhi

    Ainda tem partido ideológico e sério neste país que não se deixe corromper pelas benecias do sistema capital?

  5. Concordo com o comentário do Pereira. PPS e PDT perderam a sua identidade há muito tempo. Hoje, esses dois partidos de aluguel vive exclusivamente de favores do governo municipal e estadual. Duvido que algum cidadão de bem, queira se filiar e concorrer a algum cargo político por uma dessas siglas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

15 − 3 =