O ajuste fiscal e os bancos

Em artigo enviado ao Blog, o secretário de Acolhimento aos Movimentos Sociais, Acrísio Sena, avalia que o ajuste fiscal sacrifica a população e favorece aos bancos. Confira:

Números do primeiro trimestre de 2015: o Itaú-Unibanco lucrou R$ 5,7 bilhões, 30% a mais que o mesmo período de 2014; o Bradesco R$ 4,2 bilhões, 23% a mais; e o lucro do Santander cresceu 32%. O Bradesco, segundo levantamento da consultoria Economática anunciou ter registrado lucro líquido contábil de R$ 4,473 bilhões no segundo trimestre de 2015. Considerando todos os bancos de capital aberto, o lucro deste banco neste segundo trimestre é o terceiro maior da história, atrás apenas dos resultados do Banco do Brasil, em 2013, e do Itaú Unibanco, em 2014.

Em 2014, não foi diferente. O Itaú lucrou R$ 20,6 bilhões, Bradesco – R$ 15,3 bilhões, Banco do Brasil – R$ 11,3 bilhões, Caixa – R$ 7,1 bilhões, Santander – R$ 5,8 bilhões. Somente com prestação de serviços e cobrança de taxas, os cinco maiores bancos arrecadaram R$ 104,1 bilhões, 10,9% a mais que o ano anterior. O valor deu para bancar, com folga, todos os gastos com os 451 mil bancários, que em 2014 custaram R$ 74,6 bilhões – somados salários, encargos, cursos e treinamentos.

Com o aumento da taxa de juros pelo Banco Central, quem vive do rentismo, ao contrário da maioria da população brasileira, está rindo de orelha a orelha. No entanto, fala-se em cortar gastos sociais e cobrar mais produtividade do trabalho em um país pobre, onde ainda há – mesmo com reconhecidos avanços – pessoas sem casa, saneamento, segurança, educação, saúde e mobilidade decentes.

O ajuste fiscal está impactado negativamente na vida da população e nos setores produtivos com a elevação do preço da gasolina, diesel e eletricidade. Essa é inclusive uma das causas da inflação estar mais alta. Tudo isso em favor da financeirização desenfreada da economia. Infelizmente, está se privilegiando o lucro fácil ao invés de quem produz e trabalha. O ajuste fiscal deveria acelerar uma reforma tributária que regulamente a lei da taxação de grandes fortunas, corrigir a tabela do imposto de renda e taxar o capital especulativo.

Um ajuste fiscal não objetiva somente equilibrar as contas públicas, mas consolidar uma política econômica que combine crescimento com distribuição de renda. O sacrifício maior deve ser de quem está ganhando com isso – como no caso dos bancos –, e não quem já vem acumulando perdas. Caso contrário, poderemos estar colocando no lixo um importante avanço na nossa história recente, em relação às condições de vida de milhões de trabalhadores brasileiros.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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